quinta-feira, 28 de maio de 2015
Direitos e Deveres - DESAFIO do CLUBE
VAMOS BRINCAR DE REFLETIR?
por Gabriella Gilmore
Tenho uma amiga que começou agora a fazer terapias, e achei interessante uma atividade que a doutora dela passou, para que ela ocupasse a mente toda noite antes de dormir.
Aproveitei para repensar sobre o questionamento.
E repasso esse desafio para todos os leitores, lembrando que não terá certo e errado. Por um momento, tenha liberdade de ser realmente livre.
Se você pudesse fazer uma lista de direitos e deveres, como seria?
A tarefa de casa de hoje será essa.
Reflita!
10 Direitos que eu tenho:
1. Tenho direito de de comprar livros e não os lê. O dinheiro é meu e sou obsessiva.
2. Tenho direito de amar e ser amada. Mas sei que talvez não da mesma forma.
3. Tenho direito a liberdade, mas sabendo que certa liberdade também tem suas consequências.
4. Tenho direito de fazer o que quiser do meu tempo livre.
5. Tenho direito de cantar quando estou feliz, e de chorar quando estou triste.
6. Tenho direito em ter acesso à boa educação e alimentação.
7. Tenho direito de questionar coisas que não concordo.
8. Tenho direito de escrever o que penso e apagar tudo depois.
9. Tenho direito de não respeitar as pessoas que não me respeitam.
10. Tenho direito de repensar tudo isso que escrevi daqui a 20 anos.
10 deveres que eu tenho:
1. Tenho o dever de manter limpas as vias públicas.
2. Tenho o dever de auxiliar um idoso na rua e no ônibus.
3. Tenho o dever de respeitar as leis impostas pelos superiores a mim.
4. Tenho o dever de respeitar meus pais e familiares.
5. Tenho o dever de cumprir horários na empresa que trabalho.
6. Tenho o dever de respeitar as leis do trânsito.
7. Tenho o dever de respeitar as leis do condomínio que moro.
8. Tenho o dever de votar, mesmo que seja em branco ou nulo.
9. Tenho o dever de agir com respeito a pessoas desafortunadas.
10. Tenho o dever de ficar calada quando alguém próximo de mim não quer mais me ouvir.
Que tipo de pessoa eu quero ser?
Quero ser uma pessoa que possa transmitir boas experiências as pessoas que convivem comigo, ser um exemplo bom e sempre lembrada.
Que tipo de pessoa, as pessoas querem que você seja?
Acho que todo mundo espera muito da gente. Que sejamos perfeitos. Acontecem que são pouquíssimas as pessoas que buscam a perfeição. E geralmente essas que esperam muito de você, são as que menos buscam melhorar a si mesmo, porque perdem tempo demais se preocupando com a vida alheia.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Eu escrevi um poema triste
Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
Mario Quintana
terça-feira, 26 de maio de 2015
Amantes Passageiros e Jardim Secreto
Ontem a noite, assisti o filme "Os Amantes Passageiros" de Almodóvar. E terminei o dito filme com uma sensação de "Prêmio Que Porra É Essa?". Eu definitivamente não nasci para entender certos diretores como Woody Allen, Pedro Almodóvar, Godard, Sylvain Chomet... Será que um dia chego lá? Não sei!
Quero me agarrar na ilusão, quase certeza, de que a maioria também não os entende, mas os aplaudem para não assinar a carteirinha de inculto.
Bom, se posso dar um conselho, não vejam esse filme. Se virem e gostarem, por favor, me ensinem o caminho. Enfim, depois de ficar procurando um porquê qualquer para o que eu tinha assistido, e não chegar a lugar algum, fui pintar o Jardim Secreto. Outra frustração. Chocados? Não fiquem!
O livro "O Jardim Secreto", foi um desses livros que esperei como uma louca. Depois de vinte visitações as livrarias locais consegui conquistar a meu. Ao chegar em casa notei que são dezenas de desenhos quase iguais com detalhes mínimos. Aquilo é um inferno! Você fica sempre com a sensação de que tem dever de casa para fazer o que gera uma vontade de segurar todos os lápis de cor juntos e riscar o livro todo num ato de rebeldia. É quase incontrolável. Mas aqueles traumas do jardim de infância surgem e você pensa que, se você fizer isso, surgirá de algum recanto de sua sala a "tia" para lhe pôr de castigo. Então, você não suporta mais o verde folhinha, mas fica ali até terminar de pintar a última das miliares que há na página.
Enfim, não nasci para Almodóvar nem para aulas de artes. Concluo, ao guardar no fundo do armario minha caixinha de lápis de cor e giz de cera. Olho "O Jardim Secreto" e penso "deixarei a missão para meus netos", procuro desconfiada se a tal "tia" não me observa e na certeza que nada acontecerá - Viva a vida adulta! - , suspiro e ligo o velho som do Aerosmith, ali estou confortável.
É isso aí! Até a próxima!!!
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Do Estranho e do Esquisito

Era uma vez uma menina estranha que certa vez conheceu um homem esquisito. Ela tinha alma azul e ele coração de pedra. O vento soprava pela fresta da janela previsões de mudança. E choveu no fim da semana.
Era uma vez um homem estranho vestido de vento que conheceu certa vez uma menina esquisita que nunca mudava. E o coração soprava na alma previsões de chuva. E na janela de pedra azul passava o fim de semana.
Era uma vez uma chuva que certa vez conheceu o vento. E o coração de uma menina passava o fim de semana nas pedras. Estranha alma! E um homem soprava pela fresta azul previsões esquisitas.
Era uma vez uma história estranha de um homem que nunca conheceu a menina. Onde o vento soprava a chuva na janela azul. Onde uma alma buscava um coração num fim de semana. E a previsão era de que tudo seria esquisito. E foi!
(Waleska Zibetti, in "Do Estranho e do Esquisito")
domingo, 24 de maio de 2015
Soneto
Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio
Chico Buarque
sábado, 23 de maio de 2015
Ponto Final
Era só um espectro de si mesmo. Esconde-se na penumbra. A ponta de seu vestido era a única coisa que alcança a luz vinda da lua que invade a fresta da janela.
__ Olá!
A voz é como um acorde frio que retumba no cômodo cheirando a passado. É difícil imaginar-lhe os traços porque seus cabelos cobrem-lhe o rosto.
__ Entre. Eu o esperava.
É impossível não obedecer a essa voz. Uma banqueta do outro lado, provavelmente de veludo e que em outro tempo fora vermelho, está quase em frente a ela. E diante dela é difícil controlar a respiração, o corpo, a voz, o olhar.
__ Há quanto tempo sinto você se esgueirando por aí a me rondar.
Ela respira pesadamente e sua voz sai como um silvo. Uma mão pálida e cadavérica segura o braço da poltrona acariciando o tecido também aveludado.
__ O que você procura? Melhor... O que você não procura é o que lhe traz aqui.
Seu cabelo é longo e seu cheiro lembra velhas bibliotecas. Não é possível ver mais do que a ponta do vestido e os contornos magérrimos de uma mulher.
__ Eu não sou o caminho, mas vocês insistem em vir sempre por aqui. Vocês insistem em visitar-me pela comodidade que causo em vocês. Gentinha miúda e nojenta. É isso que são! Todos vocês!
A voz agora demonstra desprezo e um cheiro ruim invade o cômodo. Talvez seja a hora de ir. Mas não se consegue. Tem que ter um porquê.
__ E tem! - sentencia pela primeira vez forte essa coisa sentada adiante – O porquê é o seu medo. O seu medo de não assumir o que quer, de não se lançar nos seus desejos. Fica arrumando pequenas desculpas para tudo: falta de tempo, falta de dinheiro, depressão, loucura, Deus... Até quando será isso em sua vida? Esse vaguear em mentiras, em ilusões, em desculpas...
A respiração acelera. É possível ouvi-la ainda mais nítida.
__ Foram criados para serem superiores e na maioria do tempo agem como vermes. Depois ficam aí... pelas madrugadas... ratos pelos meus corredores. Misericórdia... misericórdia...
Aperta o braço do sofá. Unhas pontiagudas quase rasgam o tecido roto.
__ Infelizes! Haverá sol amanhã, sabia? E tudo que terá a fazer é ter coragem de admitir seus pesadelos para que ele o cubra inteiro. Se despir dessa sua pele fantasiosa de segurança e admitir o medo, a falha, a culpa. Mas... É mais fácil não chorar, não é? É mais fácil arrumar outra desculpa para enfiar o dedo na garganta e jorrar sua frustração no vaso do banheiro. Dizer sinceramente para si que você é o resto de merda nenhuma e então, sair pela vida para provar a delicia de ser totalmente livre.
Pela primeira vez ela movimenta o corpo para frente. Partes dos cabelos alcançam a luz. São grisalhos e mal cuidados.
__ Ouça um pouco... Há vida lá fora. Gente. Gente de verdade. Gente querendo e sendo gente. E você aí... Rondando-me. Perdendo tempo. Querendo um amanhã perfeito. Ele não virá! Ele não existe! Mas você entenderá isso tarde demais.
Ela se levanta. É completamente possível se sentir o olhar dela pousado em nós.
__ É a sua última chance. VÁ!
A mão cadavérica aponta a porta, a rua iluminada...
__ VÁ AGORA E VIVA!
E agora, amigo? O que você escolhe: continuar aqui ou ir? É você quem decide. Tudo agora é com você.
(WAleska Zibetti, in "Ponto Final")
sexta-feira, 22 de maio de 2015
A MEMÓRIA DOS ANIMAIS
por Gabriella Gilmore
Os animais têm memória, mas será
que a memória deles é como a dos seres humanos? Apesar de serem capazes de
reconhecer, associar e usar a memória para entender o mundo, parece que falta
aos animais o poder da recordação – para pensar sobre o passado de um modo
introspectivo e autobiográfico.
NEM TANTO CÉREBRO DE PASSARINHO
O cérebro de um pombo é 500 vezes
menor do que o humano, mas experimentos mostraram que eles têm um grande poder
de reconhecimento. Usando sementes como recompensa por respostas corretas,
foram treinados a bicar um botão toda vez que lhes fossem mostradas fotos com
alguma características previamente escolhida. Os pombos aprenderam a distinguir
fotos que continham árvores das que não continham – eles podiam até mesmo diferenciar
folhas de carvalho de outros tipos de folhas.
Em seguida, os pombos foram
testados com fotos com pessoas e sem pessoas, com uma única pessoa e com
multidões, pessoas vestidas ou nuas, e finalmente com fotografias com ou sem
uma determinada mulher. Eles aprenderam a reconhecer a mulher de qualquer
ângulo e foram capazes de distingui-la de fotos de outras mulheres vestidas com
roupas similares. O desempenho dos pombos não decepcionou mesmo em testes
envolvendo fotos de peixes e criaturas do mar – elementos que não fazem parte
da vida de um pombo comum.
MEMÓRIA DE ELEFANTE
O velho ditado de que um elefante
nunca esquece pode não ser tão artificial quanto parece. Randall Moore, um
queniano especialista em elefantes, devolveu um elefante de cativeiro para a
selva. Quinze anos depois, o mesmo elefante foi encontrado com um ferimento no
pé devido ao ataque de um hipopótamo. O elefante resistiu com violência a todas
as tentativas de ajuda até que Moore foi lá e chamou por ele. Pelo que parece,
o elefante reconheceu sua voz imediatamente.
Um espectador descreveu: “Ele foi
à sua direção, rendeu-se e permitiu que o veterinário o examinasse. O elefante
levantou o pé e ficou passivo enquanto a equipe de salvamento o vacinou e o
operou.”
FATO: Koko, um gorila treinado, conseguia usar e lembrar
mais de 400 palavras da língua de sinais.
Créditos: Reader’s digest
(Maximize o potencial do seu cérebro)
quinta-feira, 21 de maio de 2015
A Borboleta e A Águia
As águias são criaturas altivas e desconhecem os seres menores e mais simples. A borboleta ainda tentou fazer com que a águia a notasse. Mostrou-lhe as suas cores, suas flores, mas a águia era um ser sozinho e acostumado com os céus altos, amplos, grande. Nada naqueles universos miúdos de borboleta atraíram a águia.
Pior foi que a águia pensou que a borboleta fosse como ela. Forte, implacável, altiva, orgulhosa... “Acho que as águias enxergam o mundo só de cima”, pensou triste a borboleta. A consciência de sua inferioridade e o medo da insensibilidade da águia foi fazendo a borboleta temê-la, mas a águia a atraia e curiosa ela ainda se mantinha por perto esperando que numa distração a águia notasse que pousar numa flor de jardim poderia ser bom também.
Infelizmente para a borboleta algumas coisas não podem mudar. Águias e borboletas não voam no mesmo plano. E num momento de fragilidade da borboleta, seguindo seu instinto natural de sobrevivência solitária a águia atacou com suas garras afiadas a borboleta insistente.
Com as asas feridas a borboleta recuou. A águia rindo-se disse: “Você é covarde diante da vida?”. A borboleta ferida, machucada, chorou baixo e disse-lhe: “Sim, eu sou. Sou uma covarde e quem quiser que me aceite!”. Foi embora e águia ainda continuou bradando suas ilusões altivas, conclusões infundadas de um ser tão cheio de si que em momento algum conseguiu realmente ver ou sentir o que havia naquela borboleta.
De volta ao jardim, sentindo-se menor ainda, mais fragilizada ainda, mais triste ainda, escondida por baixo de suas folhas, a borboleta chorou vendo a águia sumir de sua vida para sempre pelos céus onde tolamente ela borboleta pequenina um dia pensara que poderia desfrutar.
(Waleska Zibetti, in "A Borboleta e A Águia")
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Para a Tristeza
Companheira, sei que você vai chorar quando ler esta carta, mas quero
deixar de ver você por uns tempos. Vai ser difícil para mim, pois me
acostumei à sua presença, porém não vejo mais motivos para continuarmos
juntas.
Não nego sua importância; em diversos momentos difíceis da minha vida você permaneceu comigo, mesmo quando todos se afastaram. Só que, com você, sinto que não ando para a frente. Esse seu pessimismo me atrapalha. Tenho tentado evitar você de todas as maneiras, e isso não é legal. Ainda mais porque sei que se magoa por qualquer coisinha. Mas basta você chegar e lá se vai minha alegria. Não agüento mais os seus assuntos mórbidos, a sua cara desanimada. Até sexo, com você, ficou sem graça. Nada mais broxante do que gente que chora durante a transa. Perdi anos de minha vida ao seu lado, tristeza, acreditando em tudo que você dizia. Que o amor não existe e o mundo não tem jeito. Você é péssima conselheira para suas parceiras - que o digam a Marilyn e a Sylvia*.
Agora, chegou a hora de dar chance à alegria, que há muito tem mostrado interesse em passar uns tempos comigo. Ela me elogia, sabe? Você? O único elogio que eu lembro de ter ouvido de você foi que eu fico bem de olheiras.
Veja bem: não estou dizendo que quero acabar com você para sempre. Sei que estou presa a você, de uma forma ou de outra, pelo resto da vida. E podemos muito bem ter os nossos momentinhos juntas, aos domingos ou em longas tardes de poesia. Só não posso é continuar à mercê dos seus péssimos humores, dia após dia, sabendo que você nunca irá mudar. Chega de fornecer moradia à sua pesada existência.
Desde pequena, abro mão de muita coisa pela sua companhia. Festas a que não fui porque você não me deixou ir, paisagens lindas nas quais não reparei porque você exigiu de mim total atenção, amigas que perdi porque insisti em levar você comigo a todos os lugares. Ora, tristeza, tente ao menos ser mais leve. Sorria de vez em quando, pare um pouco de se lamentar. Ou vai continuar sendo assim: ninguém querendo ficar com você.
Não vou cobrar o que deixei de ganhar por sua má influência, pois sei que tristezas não pagam dívidas. Mas quero de volta meus discos de dance music, que você tirou da prateleira. E minhas roupas estampadas, que sumiram do meu armário depois que você se instalou aqui. E por favor, não tente entrar em contato comigo com as mesmas velhas razões de sempre. Não é a fria lógica dos seus argumentos que irá guiar meu coração daqui por diante. Quero ver a vida por outros olhos, que não os seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar você dentro de mim. Cansei da sua falta de senso de humor, do seu excesso de zelo. Vá resolver as suas carências em outro endereço.
Como me disse o Lulu, hoje de manhã, no carro, a caminho do trabalho: "Não te quero mal, apenas não te quero mais".
Bye-bye.
Não nego sua importância; em diversos momentos difíceis da minha vida você permaneceu comigo, mesmo quando todos se afastaram. Só que, com você, sinto que não ando para a frente. Esse seu pessimismo me atrapalha. Tenho tentado evitar você de todas as maneiras, e isso não é legal. Ainda mais porque sei que se magoa por qualquer coisinha. Mas basta você chegar e lá se vai minha alegria. Não agüento mais os seus assuntos mórbidos, a sua cara desanimada. Até sexo, com você, ficou sem graça. Nada mais broxante do que gente que chora durante a transa. Perdi anos de minha vida ao seu lado, tristeza, acreditando em tudo que você dizia. Que o amor não existe e o mundo não tem jeito. Você é péssima conselheira para suas parceiras - que o digam a Marilyn e a Sylvia*.
Agora, chegou a hora de dar chance à alegria, que há muito tem mostrado interesse em passar uns tempos comigo. Ela me elogia, sabe? Você? O único elogio que eu lembro de ter ouvido de você foi que eu fico bem de olheiras.
Veja bem: não estou dizendo que quero acabar com você para sempre. Sei que estou presa a você, de uma forma ou de outra, pelo resto da vida. E podemos muito bem ter os nossos momentinhos juntas, aos domingos ou em longas tardes de poesia. Só não posso é continuar à mercê dos seus péssimos humores, dia após dia, sabendo que você nunca irá mudar. Chega de fornecer moradia à sua pesada existência.
Desde pequena, abro mão de muita coisa pela sua companhia. Festas a que não fui porque você não me deixou ir, paisagens lindas nas quais não reparei porque você exigiu de mim total atenção, amigas que perdi porque insisti em levar você comigo a todos os lugares. Ora, tristeza, tente ao menos ser mais leve. Sorria de vez em quando, pare um pouco de se lamentar. Ou vai continuar sendo assim: ninguém querendo ficar com você.
Não vou cobrar o que deixei de ganhar por sua má influência, pois sei que tristezas não pagam dívidas. Mas quero de volta meus discos de dance music, que você tirou da prateleira. E minhas roupas estampadas, que sumiram do meu armário depois que você se instalou aqui. E por favor, não tente entrar em contato comigo com as mesmas velhas razões de sempre. Não é a fria lógica dos seus argumentos que irá guiar meu coração daqui por diante. Quero ver a vida por outros olhos, que não os seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar você dentro de mim. Cansei da sua falta de senso de humor, do seu excesso de zelo. Vá resolver as suas carências em outro endereço.
Como me disse o Lulu, hoje de manhã, no carro, a caminho do trabalho: "Não te quero mal, apenas não te quero mais".
Bye-bye.
Fernanda Young
terça-feira, 19 de maio de 2015
UMA VERDADE INCONVENIENTE
A crise climática
Às vezes precisamos ver ou estar no final para voltarmos ao início, para refletir o motivo de estarmos passando por certas situações.
É assim em todos os sentidos, tanto na área da saúde, emocional, espiritual e também quanto a crise climática que não é de hoje que ela vem gritando por socorro, clamando por ajuda.
A menos de dez anos estamos vendo a olho nu, sentindo na pele, a selvageria com que a natureza tem respondido aos maus tratos que nós, seres humanos, temos feito a ela há séculos.
Eu, particularmente, não tiro sua razão para tamanha revolta, afinal, ela sempre esteve aí, nos proporcionando beleza, alimento e paz.
Uma verdade inconveniente, uma palestra ministrada por Al Gore, nos trás a realidade que a mídia, de certa forma, tem nos escondido, ou por alguma "prudência", tentando não alarmar a civilização. Mas o fato é que se a humanidade não abrir os olhos de verdade e se unirem, não só os animais e plantas estarão em extinção, como os humanos também não estarão por aqui para contar essa história.
Infelizmente a batalha não será breve, levará tempo e precisará de muita paciência.
Temos que nos lembrar que o estágio climático em que entramos, não foi coisa de um ano, nem uma década, portanto o tempo para revertermos isso, se é que posso dizer "reversão", levará anos também e o mais importante é não deixar para amanhã, pois o processo contará com uma união eminente da humanidade.
Primeiramente devemos nos conscientizarmos de que cada um fazendo a sua parte, ajudará grandemente no processo de salvação do planeta terra, e de que não é bobagem evitar certas coisas, como: o uso do carro, trocar as lâmpadas incandescentes para as fluorescentes, reciclar mais, evitar usar água quente, plantar uma árvore, dentre outras coisas, sem contar que divulgar a palestra de Al Gore é um grande passo.
Ajude a salvar o planeta que será de seus netos amanhã.
Uma humanidade unida viverá por muito mais tempo.
Conheça a palestra
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