sexta-feira, 17 de outubro de 2014

MORRO DOS VENTOS UIVANTES

RESENHA
Por Gabriella Gilmore



Morro dos ventos uivantes

Considerado um dos clássicos da literatura inglesa, Wuthering Heights (Morro dos ventos uivantes), de Emily Brontë, faz jus ao título.
Este romance é narrado por duas pessoas, o Sr. Lockwood, o futuro inquilino de Heathcliff e a ama Ellen Dean, que assume a narrativa no decorrer da trama, ao relatar ao locatário todo o drama vivido naquelas terras.
Tudo começa quando Sr. Earnshaw traz um menino de rua como “presente” para sua filha Catherine, ao voltar de sua viagem a Liverpool.
Como o senhor estava se afeiçoando mais ao seu filho adotivo do que ao seu legítimo, Hindley, isso gera um ciúme e revolta excessiva no adolescente, descontando tudo depois do falecimento dos pais.
Heathcliff e Catherine cresceram juntos, amando-se e até mesmo respeitando o temperamento difícil de ambos, afinal, Catherine era muito ativa, espontânea e dual, algo que, mais adiante, foi motivo para prejudicar a relação entre eles. Porém, Heathcliff, era mais calado, sombrio e vingativo. Aproveitou muito da confiança de seu pai, para assim fazer chantagens a Hindley. Prova disso foi o ódio que ele cultivou do irmão emprestado.
Em uma de suas andanças pelos arredores de Wuthering Heights, o casal resolve chegar próximo à casa dos Lintons. Na fuga de volta para casa, Catherine se machuca e logo é resgatada pelos empregados dos Lintons que, levando-a para casa, resolvem tratar de seu ferimento. 
Heathcliff retorna ao Morro e avisa do acontecido. 
Passam-se umas semanas, ela retorna mais polida e educada. Ali encontra seu amigo sujo e ainda mais amargurado, afinal, ela o abandonou sem mandar um recado.
Com o decorrer dos dias, Catherine foi ficando mais íntima dos irmãos Isabela e Edgar Linton e acaba aceitando o pedido de casamento do refinado rapaz.
Ao contar a novidade para sua ama, Ellen Dean, Catherine confessa seu amor eterno por Heathcliff, falando que ele é mais ela do que ela mesma, e não sabe do que é feito as almas, porém tem a convicção de que ambas são iguais. Ela se casando com Heathcliff, seria o mesmo que degradar-se, contudo se casando com Linton, esta poderia de alguma forma ajudar o pobre rapaz.
Mal sabia Catherine o caos que estava fazendo em enganar o próprio coração.
Em algumas partes da trama, você quer sufocar Catherine por não ter escutado a voz interna do coração e por ter se casado com Edgar por vaidade.
Outras vezes, você quer estrangular Heathcliff por ser tão amargo e vingativo, e por levar adiante uma vingança lenta e fria, sacrificando até mesmo a segunda geração de ambas famílias..
O interessantíssimo da história é que é quase impossível você julgar ou tentar achar um culpado por toda aquela desgraça amorosa. E ainda acredito que essa foi a grande chave para todo o sucesso da autora Emily, afinal, seus primeiros escritos foram recusados por várias editoras.
Eu ficaria aqui horas relatando os pontos marcantes, não só da história, mas também da trajetória de vida da autora, que morreu aos 30 anos, sem mesmo ter se casado, mas que conseguiu relatar um amor tão bonito, tão profundo, mesmo que reprimido.
E a mensagem que ela quer nos deixar é para que não silenciemos nossos corações, porque amor é como um sopro de vida, e só acontece uma vez. Se você finge não escutá-lo, desfalece-se aos poucos, e as conseqüências são lentas, porém, dolorosas demais.