Eu escrevi um poema triste E belo, apenas da sua tristeza. Não vem de ti essa tristeza Mas das mudanças do Tempo, Que ora nos traz esperanças Ora nos dá incerteza… Nem importa, ao velho Tempo, Que sejas fiel ou infiel… Eu fico, junto à correnteza, Olhando as horas tão breves… E das cartas que me escreves Faço barcos de papel!
Ontem a noite, assisti o filme "Os Amantes Passageiros" de Almodóvar. E terminei o dito filme com uma sensação de "Prêmio Que Porra É Essa?". Eu definitivamente não nasci para entender certos diretores como Woody Allen, Pedro Almodóvar, Godard, Sylvain Chomet... Será que um dia chego lá? Não sei! Quero me agarrar na ilusão, quase certeza, de que a maioria também não os entende, mas os aplaudem para não assinar a carteirinha de inculto. Bom, se posso dar um conselho, não vejam esse filme. Se virem e gostarem, por favor, me ensinem o caminho. Enfim, depois de ficar procurando um porquê qualquer para o que eu tinha assistido, e não chegar a lugar algum, fui pintar o Jardim Secreto. Outra frustração. Chocados? Não fiquem!
O livro "O Jardim Secreto", foi um desses livros que esperei como uma louca. Depois de vinte visitações as livrarias locais consegui conquistar a meu. Ao chegar em casa notei que são dezenas de desenhos quase iguais com detalhes mínimos. Aquilo é um inferno! Você fica sempre com a sensação de que tem dever de casa para fazer o que gera uma vontade de segurar todos os lápis de cor juntos e riscar o livro todo num ato de rebeldia. É quase incontrolável. Mas aqueles traumas do jardim de infância surgem e você pensa que, se você fizer isso, surgirá de algum recanto de sua sala a "tia" para lhe pôr de castigo. Então, você não suporta mais o verde folhinha, mas fica ali até terminar de pintar a última das miliares que há na página.
Enfim, não nasci para Almodóvar nem para aulas de artes. Concluo, ao guardar no fundo do armario minha caixinha de lápis de cor e giz de cera. Olho "O Jardim Secreto" e penso "deixarei a missão para meus netos", procuro desconfiada se a tal "tia" não me observa e na certeza que nada acontecerá - Viva a vida adulta! - , suspiro e ligo o velho som do Aerosmith, ali estou confortável.
Era uma vez uma menina estranha que certa vez conheceu um homem esquisito. Ela tinha alma azul e ele coração de pedra. O vento soprava pela fresta da janela previsões de mudança. E choveu no fim da semana.
Era uma vez um homem estranho vestido de vento que conheceu certa vez uma menina esquisita que nunca mudava. E o coração soprava na alma previsões de chuva. E na janela de pedra azul passava o fim de semana.
Era uma vez uma chuva que certa vez conheceu o vento. E o coração de uma menina passava o fim de semana nas pedras. Estranha alma! E um homem soprava pela fresta azul previsões esquisitas. Era uma vez uma história estranha de um homem que nunca conheceu a menina. Onde o vento soprava a chuva na janela azul. Onde uma alma buscava um coração num fim de semana. E a previsão era de que tudo seria esquisito. E foi! (Waleska Zibetti, in "Do Estranho e do Esquisito")
Por que me descobriste no abandono Com que tortura me arrancaste um beijo Por que me incendiaste de desejo Quando eu estava bem, morta de sono Com que mentira abriste meu segredo De que romance antigo me roubaste Com que raio de luz me iluminaste Quando eu estava bem, morta de medo Por que não me deixaste adormecida E me indicaste o mar, com que navio E me deixaste só, com que saída Por que desceste ao meu porão sombrio Com que direito me ensinaste a vida Quando eu estava bem, morta de frio
Era só um espectro de si mesmo. Esconde-se na penumbra. A ponta de seu vestido era a única coisa que alcança a luz vinda da lua que invade a fresta da janela.
__ Olá!
A voz é como um acorde frio que retumba no cômodo cheirando a passado. É difícil imaginar-lhe os traços porque seus cabelos cobrem-lhe o rosto.
__ Entre. Eu o esperava.
É impossível não obedecer a essa voz. Uma banqueta do outro lado, provavelmente de veludo e que em outro tempo fora vermelho, está quase em frente a ela. E diante dela é difícil controlar a respiração, o corpo, a voz, o olhar.
__ Há quanto tempo sinto você se esgueirando por aí a me rondar.
Ela respira pesadamente e sua voz sai como um silvo. Uma mão pálida e cadavérica segura o braço da poltrona acariciando o tecido também aveludado.
__ O que você procura? Melhor... O que você não procura é o que lhe traz aqui.
Seu cabelo é longo e seu cheiro lembra velhas bibliotecas. Não é possível ver mais do que a ponta do vestido e os contornos magérrimos de uma mulher.
__ Eu não sou o caminho, mas vocês insistem em vir sempre por aqui. Vocês insistem em visitar-me pela comodidade que causo em vocês. Gentinha miúda e nojenta. É isso que são! Todos vocês!
A voz agora demonstra desprezo e um cheiro ruim invade o cômodo. Talvez seja a hora de ir. Mas não se consegue. Tem que ter um porquê.
__ E tem! - sentencia pela primeira vez forte essa coisa sentada adiante – O porquê é o seu medo. O seu medo de não assumir o que quer, de não se lançar nos seus desejos. Fica arrumando pequenas desculpas para tudo: falta de tempo, falta de dinheiro, depressão, loucura, Deus... Até quando será isso em sua vida? Esse vaguear em mentiras, em ilusões, em desculpas...
A respiração acelera. É possível ouvi-la ainda mais nítida.
__ Foram criados para serem superiores e na maioria do tempo agem como vermes. Depois ficam aí... pelas madrugadas... ratos pelos meus corredores. Misericórdia... misericórdia...
Aperta o braço do sofá. Unhas pontiagudas quase rasgam o tecido roto.
__ Infelizes! Haverá sol amanhã, sabia? E tudo que terá a fazer é ter coragem de admitir seus pesadelos para que ele o cubra inteiro. Se despir dessa sua pele fantasiosa de segurança e admitir o medo, a falha, a culpa. Mas... É mais fácil não chorar, não é? É mais fácil arrumar outra desculpa para enfiar o dedo na garganta e jorrar sua frustração no vaso do banheiro. Dizer sinceramente para si que você é o resto de merda nenhuma e então, sair pela vida para provar a delicia de ser totalmente livre.
Pela primeira vez ela movimenta o corpo para frente. Partes dos cabelos alcançam a luz. São grisalhos e mal cuidados.
__ Ouça um pouco... Há vida lá fora. Gente. Gente de verdade. Gente querendo e sendo gente. E você aí... Rondando-me. Perdendo tempo. Querendo um amanhã perfeito. Ele não virá! Ele não existe! Mas você entenderá isso tarde demais.
Ela se levanta. É completamente possível se sentir o olhar dela pousado em nós.
__ É a sua última chance. VÁ!
A mão cadavérica aponta a porta, a rua iluminada...
__ VÁ AGORA E VIVA!
E agora, amigo? O que você escolhe: continuar aqui ou ir? É você quem decide. Tudo agora é com você. (WAleska Zibetti, in "Ponto Final")
Os animais têm memória, mas será
que a memória deles é como a dos seres humanos? Apesar de serem capazes de
reconhecer, associar e usar a memória para entender o mundo, parece que falta
aos animais o poder da recordação – para pensar sobre o passado de um modo
introspectivo e autobiográfico.
NEM TANTO CÉREBRO DE PASSARINHO
O cérebro de um pombo é 500 vezes
menor do que o humano, mas experimentos mostraram que eles têm um grande poder
de reconhecimento. Usando sementes como recompensa por respostas corretas,
foram treinados a bicar um botão toda vez que lhes fossem mostradas fotos com
alguma características previamente escolhida. Os pombos aprenderam a distinguir
fotos que continham árvores das que não continham – eles podiam até mesmo diferenciar
folhas de carvalho de outros tipos de folhas.
Em seguida, os pombos foram
testados com fotos com pessoas e sem pessoas, com uma única pessoa e com
multidões, pessoas vestidas ou nuas, e finalmente com fotografias com ou sem
uma determinada mulher. Eles aprenderam a reconhecer a mulher de qualquer
ângulo e foram capazes de distingui-la de fotos de outras mulheres vestidas com
roupas similares. O desempenho dos pombos não decepcionou mesmo em testes
envolvendo fotos de peixes e criaturas do mar – elementos que não fazem parte
da vida de um pombo comum.
MEMÓRIA DE ELEFANTE
O velho ditado de que um elefante
nunca esquece pode não ser tão artificial quanto parece. Randall Moore, um
queniano especialista em elefantes, devolveu um elefante de cativeiro para a
selva. Quinze anos depois, o mesmo elefante foi encontrado com um ferimento no
pé devido ao ataque de um hipopótamo. O elefante resistiu com violência a todas
as tentativas de ajuda até que Moore foi lá e chamou por ele. Pelo que parece,
o elefante reconheceu sua voz imediatamente.
Um espectador descreveu: “Ele foi
à sua direção, rendeu-se e permitiu que o veterinário o examinasse. O elefante
levantou o pé e ficou passivo enquanto a equipe de salvamento o vacinou e o
operou.”
FATO: Koko, um gorila treinado, conseguia usar e lembrar
mais de 400 palavras da língua de sinais.
Créditos: Reader’s digest
(Maximize o potencial do seu cérebro)
Era uma vez uma borboleta que avistou um dia uma águia. Ela a observou por dias e de tanto observá-la quis conhecê-la. Aproximou-se lentamente num dia que viu a águia pousada. E as duas conversaram por horas. A borboleta ingênua pensou que as duas poderiam ser amigas. E quando a águia voou a borboleta tentou acompanhar-lhe no voo. Inocente borboleta ignorou o poder de suas asas pequenas. As águias são criaturas altivas e desconhecem os seres menores e mais simples. A borboleta ainda tentou fazer com que a águia a notasse. Mostrou-lhe as suas cores, suas flores, mas a águia era um ser sozinho e acostumado com os céus altos, amplos, grande. Nada naqueles universos miúdos de borboleta atraíram a águia. Pior foi que a águia pensou que a borboleta fosse como ela. Forte, implacável, altiva, orgulhosa... “Acho que as águias enxergam o mundo só de cima”, pensou triste a borboleta. A consciência de sua inferioridade e o medo da insensibilidade da águia foi fazendo a borboleta temê-la, mas a águia a atraia e curiosa ela ainda se mantinha por perto esperando que numa distração a águia notasse que pousar numa flor de jardim poderia ser bom também.
Infelizmente para a borboleta algumas coisas não podem mudar. Águias e borboletas não voam no mesmo plano. E num momento de fragilidade da borboleta, seguindo seu instinto natural de sobrevivência solitária a águia atacou com suas garras afiadas a borboleta insistente.
Com as asas feridas a borboleta recuou. A águia rindo-se disse: “Você é covarde diante da vida?”. A borboleta ferida, machucada, chorou baixo e disse-lhe: “Sim, eu sou. Sou uma covarde e quem quiser que me aceite!”. Foi embora e águia ainda continuou bradando suas ilusões altivas, conclusões infundadas de um ser tão cheio de si que em momento algum conseguiu realmente ver ou sentir o que havia naquela borboleta.
De volta ao jardim, sentindo-se menor ainda, mais fragilizada ainda, mais triste ainda, escondida por baixo de suas folhas, a borboleta chorou vendo a águia sumir de sua vida para sempre pelos céus onde tolamente ela borboleta pequenina um dia pensara que poderia desfrutar. (Waleska Zibetti, in "A Borboleta e A Águia")
Companheira, sei que você vai chorar quando ler esta carta, mas quero
deixar de ver você por uns tempos. Vai ser difícil para mim, pois me
acostumei à sua presença, porém não vejo mais motivos para continuarmos
juntas. Não nego sua importância; em diversos momentos difíceis da
minha vida você permaneceu comigo, mesmo quando todos se afastaram. Só
que, com você, sinto que não ando para a frente. Esse seu pessimismo me
atrapalha. Tenho tentado evitar você de todas as maneiras, e isso não é
legal. Ainda mais porque sei que se magoa por qualquer coisinha. Mas
basta você chegar e lá se vai minha alegria. Não agüento mais os seus
assuntos mórbidos, a sua cara desanimada. Até sexo, com você, ficou sem
graça. Nada mais broxante do que gente que chora durante a transa. Perdi
anos de minha vida ao seu lado, tristeza, acreditando em tudo que você
dizia. Que o amor não existe e o mundo não tem jeito. Você é péssima
conselheira para suas parceiras - que o digam a Marilyn e a Sylvia*. Agora,
chegou a hora de dar chance à alegria, que há muito tem mostrado
interesse em passar uns tempos comigo. Ela me elogia, sabe? Você? O
único elogio que eu lembro de ter ouvido de você foi que eu fico bem de
olheiras. Veja bem: não estou dizendo que quero acabar com você para
sempre. Sei que estou presa a você, de uma forma ou de outra, pelo resto
da vida. E podemos muito bem ter os nossos momentinhos juntas, aos
domingos ou em longas tardes de poesia. Só não posso é continuar à mercê
dos seus péssimos humores, dia após dia, sabendo que você nunca irá
mudar. Chega de fornecer moradia à sua pesada existência. Desde
pequena, abro mão de muita coisa pela sua companhia. Festas a que não
fui porque você não me deixou ir, paisagens lindas nas quais não reparei
porque você exigiu de mim total atenção, amigas que perdi porque
insisti em levar você comigo a todos os lugares. Ora, tristeza, tente ao
menos ser mais leve. Sorria de vez em quando, pare um pouco de se
lamentar. Ou vai continuar sendo assim: ninguém querendo ficar com você. Não
vou cobrar o que deixei de ganhar por sua má influência, pois sei que
tristezas não pagam dívidas. Mas quero de volta meus discos de dance
music, que você tirou da prateleira. E minhas roupas estampadas, que
sumiram do meu armário depois que você se instalou aqui. E por favor,
não tente entrar em contato comigo com as mesmas velhas razões de
sempre. Não é a fria lógica dos seus argumentos que irá guiar meu
coração daqui por diante. Quero ver a vida por outros olhos, que não os
seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar você dentro de mim.
Cansei da sua falta de senso de humor, do seu excesso de zelo. Vá
resolver as suas carências em outro endereço. Como me disse o Lulu, hoje de manhã, no carro, a caminho do trabalho: "Não te quero mal, apenas não te quero mais". Bye-bye.
Às vezes precisamos ver ou estar no final para voltarmos ao início, para refletir o motivo de estarmos passando por certas situações.
É assim em todos os sentidos, tanto na área da saúde, emocional, espiritual e também quanto a crise climática que não é de hoje que ela vem gritando por socorro, clamando por ajuda.
A menos de dez anos estamos vendo a olho nu, sentindo na pele, a selvageria com que a natureza tem respondido aos maus tratos que nós, seres humanos, temos feito a ela há séculos.
Eu, particularmente, não tiro sua razão para tamanha revolta, afinal, ela sempre esteve aí, nos proporcionando beleza, alimento e paz.
Uma verdade inconveniente, uma palestra ministrada por Al Gore, nos trás a realidade que a mídia, de certa forma, tem nos escondido, ou por alguma "prudência", tentando não alarmar a civilização. Mas o fato é que se a humanidade não abrir os olhos de verdade e se unirem, não só os animais e plantas estarão em extinção, como os humanos também não estarão por aqui para contar essa história.
Infelizmente a batalha não será breve, levará tempo e precisará de muita paciência.
Temos que nos lembrar que o estágio climático em que entramos, não foi coisa de um ano, nem uma década, portanto o tempo para revertermos isso, se é que posso dizer "reversão", levará anos também e o mais importante é não deixar para amanhã, pois o processo contará com uma união eminente da humanidade.
Primeiramente devemos nos conscientizarmos de que cada um fazendo a sua parte, ajudará grandemente no processo de salvação do planeta terra, e de que não é bobagem evitar certas coisas, como: o uso do carro, trocar as lâmpadas incandescentes para as fluorescentes, reciclar mais, evitar usar água quente, plantar uma árvore, dentre outras coisas, sem contar que divulgar a palestra de Al Gore é um grande passo.
Ajude a salvar o planeta que será de seus netos amanhã.
Gira teu sol-coração e nos ilumina, sempre (Aline Mariz)
Ela abriu a janela para ver o mundo como faz todos os dias. Ainda despenteada e meio preguiçosa. Da janela ela o viu. Ficou curiosa, mas como tem medo se escondeu na cortina para observar.
A primeira coisa era sempre mostrar que ali não era lugar para gente comum. Todos ali sabem que ela é meio bicho. Borboleta! Assustada, frágil e morre fácil e ele teria que saber disso para poder ficar. Mas ele não riu dela como os outros. Não teve medo dela. Doou-se, também. E não quis que ela fosse para ele o que era para todos. Para ele, ela não era borboleta. Era rosa.
E ela se lembrou de um principezinho que certa vez conheceu e que também a fizera rosa. E ela gostou de ser a rosa dele. Mesmo tendo medo de ter as pétalas tocadas. Porém, ele também era flor. E flor não machuca flor, ela pensou. Melhor, ela apostou. Fez-se rosa. E foi então, para o jardim.
Por fim começou a se acostumar com o novo amigo. Foi chegando de passinho leve, mas como não é de se acanhar logo estava rindo inteira ao lado dele. Divertindo-se como se já se conhecessem há muito tempo.
Era bom para rosa frágil sentir de perto o girassol cortês. E a poesia dela entrou nele como perfume de primavera. E transbordou suave em versos de carinho. Os versos de carinho tomaram força e se espalharam por aí. De ciúmes uma nuvenzinha quase estraga o quadro, mas não foi forte o suficiente. Era amizade ciumenta e tudo ficou no lugar antes mesmo que a rosa lembrasse que era borboleta e tentasse fugir para longe.
E o dia termina melhor do que começou. Ela fecha a janela para o mundo. Volta para seu mundinho normal. Mas hoje ela dorme contente porque dentro de seu coração a rosa se aninha feliz no abraço de um girassol. (Waleska Zibetti, in "A Rosa e o Girassol")