quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ária para Assovio


Inelutavelmente tu
Rosa sobre o passeio
Branca! e a melancolia
Na tarde do seio.

As cássias escorrem
Seu ouro a teus pés
Conheço o soneto
Porém tu quem és?

O madrigal se escreve:
Se é do teu costume
Deixa que eu te leve.

(Sê... mínima e breve
A música do perfume
Não guarda ciúme).
 
Moraes, Vinícius de. Novos poemas. Rio de Janeiro, José Olympio, 1938.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Promo 1 Ano de CLV

4 Leitores serão agraciados com um livro por semana.
 

 
II Antologia Momentos de Enlevo - Henrique Mignone
 
A Ostra e o Bode - Carlos Herculano Lopes
 
O Lado Bom da Vida - Matthew Quick
 
Millennium: Os Homens que não amavam as Mulheres
 
 
Os sorteios serão nos dias 01, 08, 15 e 22 de abril
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Sorteio válido para todo o território brasileiro.
 
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O mundo dentro de mim!




É madrugada...

Anos depois!

O que me assombra apesar de tudo?

Esquecimento!

A força que me domina?

Essa já não sei!

A força que me faz continuar?

Se esvai...

E o sentimento que antes predomina?

É vencido pelos machucados que sentes ou ausência do que te fascina?

O que faço aqui?

Não sei, mas, me diz se isso é minha sina?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

DEUS ESTÁ MORTO (?) Resenha de filme.



Por Gabriella Gilmore
Deus não está morto – Resenha de filme.

“Eu acredito em Deus, só não acredito nesse ‘Deus’ que as pessoas pregam”.

Escutei esta frase há uns dois anos atrás e ainda a questiono. Até hoje não entendi.
Às vezes acho que há coisas e pessoas que trombam em nossas vidas muito mais que mero acaso.
Já faz mais de 6 meses que o filme “Deus não está morto” saiu em cartaz, baseado no julgamento de 5 jovens que foram mortos por causa de suas fés.
O filme levanta a tão polêmica questão: Deus está ou não morto? Existe ou não existe?
Questões estas que vem crescendo dentro de nós gradativamente. Em alguns chegam desde muito cedo, inserido na religião fervorosa dos pais, em outros, por experiências próprias, pela busca.
Outro detalhe importante é quando o ser humano entra na idade adulta. A faculdade, a vida, o trabalho, os amigos de mentes brilhantes, faz com que o ceticismo seja mais conveniente e talvez mais convincente em alguns aspectos.
Com histórias paralelamente interligadas e textos muito bons, tanto teísta como ateísta, a trama inteira se desenrola quando um calouro cristão se inscreve nas aulas de filosofia de um professor ateu convicto. Quando o mesmo sugere que todos os alunos escrevam DEUS ESTÁ MORTO em uma folha de papel e assinem seus nomes, o aluno Josh trava, ficando sensivelmente impedido de declarar tal afirmação, quando o mesmo é desafiado pelo professor em defender seu ponto de vista/crença.
Com palestras interessantes, frases marcantes, o filme é de comover, e com certeza fará muito ateu ver a existência de um superior com outros olhos e também reavivar Jesus Cristo na vida dos cristãos.
Sem nenhuma intenção de converter os leitores e sim fazer com que não haja suicídio intelectual neste momento em que estamos vivendo, aonde alguns lugares a fome se mistura com corpos sem vida, desastres, falta de água, violências, frieza interna, esta é a minha sugestão de filme para essa semana.

Porém as perguntas continuam aos montes...

Por que os mulçumanos não acreditam em Jesus Cristo como filho de Deus? E consideram os cristãos “politeístas”, hereges para sua cultura?

Se Deus é a trindade = Deus pais, Deus filho, Deus espírito santo, e enviou a si mesmo em carne e osso, porque eles não acreditam em reencarnação? Ou como explicaria então Deus filho na terra em carne e osso?

Por que existem tantas religiões/denominações se Deus é um só?

O clube de leitura espera comentários de todos os interessados sobre o assunto. As perguntas acima pode ser um início de um ótimo debate.
Sente ai, peça um café...

#Cheers!             

Obrigada, Perdão e Feliz Aniversário...




...Falo dessas coisas que escrevemos com a respiração suspeita 
e coração invadido daquelas coisas todas que é difícil falar. 
Mas tinha que fazer!
Tinha que deixar o sentimento falar do meu erro, 
da minha vergonha,
do minha distração...

Hoje eu tinha que escrever para agradecer, 
parabenizar, 
e pedir perdão.
Tinha que que fazer isso não por obrigação
mas para poder ficar bem de novo comigo.

Foi seu aniversário dia 13 e eu não vi.
Deixei passar entre o acordar para obrigações
e o dormir no cansaço perturbado da minha quase loucura.

Então, por favor, perdoe-me!

Jamais poderia deixar passar em branco

o dia especial de alguém que me entende,
ou ao menos se esforça para isso.
Alguém que me aceitou como amiga
tão de braço aberto.
Alguém que viajou horas para me dar um abraço,
para dividir comigo um pouco de sorriso.
E nem sabe o quanto que me deu nesse gesto.
Porque na vergonha nunca disse obrigada.

Então parabéns pelo teu dia.
Pelo dia que eu confusa esqueci.
Mas o importante é que estou aqui agora
cobrindo-lhe ao nosso modo,
de versos livres como você
de desejos implícitos nas minhas entrelinhas.
Parabéns pequena BRUNECA.
Buon compleanno dolce Bruna.
Happy birthday, dear Bruna.
Joyeux anniversaire, mon ami.

E que venha novos anos,
novos planos, 
novos vôos, 
novos mundos,
novos... momentos para nós. 

Beijos!!! 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O Pedido



__ Deixa!
__ Não!
__ Só um pouco.
__ Não posso.
__ Por que? 
__ Porque não é correto.
__ Ninguém precisa saber.
__ Eu não estou pensando nos outros. Estou pensando em mim. E eu não quero.
__ Você está sendo egoísta!
__ Que seja! Não quero e não vou.
__ Por favor! Só um pouco. Que custa?
__ Você não vai desistir, não é?
__ Não! Deixa?
__ Mas que chato! Está bem! Está bem! Pode fazer!
__ Sabia que você não era assim tão má.

E assim o Cansaço convence a Saudade de deixar a moça ir a Terra dos Sonhos onde amar é perfeitamente possível. 
(Waleska Zibetti, in "O Pedido")

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Charlotte Brontë - Em Jane Eyre



Charlotte Brontë em Jane Eyre nos faz refletir em suas dezenas de frases pensativas.
Texto leve, a frente de seu tempo, as irmãs inglesas faz jus ao respeito pelos livros escritos na sua época.

Ficha técnica

Nome: Charlotte Brontë.
Nascimento: 21 de abril de 1816 (ariana!! uhuh!) 31 de março de 1855.
Profissão: Escritora e poeta inglesa.
Cidade: Thornton, West Yorkshire - Reino Unido.
Romance mais conhecido: Jane Eyre (com o pseudónimo Currer Bell).
Curiosidade: Irmã mais velha de Emily Brontë (autora do O vento dos morros uivantes).
Morou em Bruxelas aonde em troca de comida e estudo, ela lecionava inglês.
Motivo por usar pseudo nome: "Não gostávamos da ideia de chamar a atenção, por isso escondemos os nossos nomes por detrás dos de Currer, Ellis e Acton Bell. A escolha ambígua foi ditada por uma espécie de escrúpulo criterioso segundo o qual assumimos nomes cristãos, claramente masculinos, já que que não gostamos de nos declarar mulheres, uma vez que naquela altura suspeitávamos que a nossa maneira de escrever e o nosso pensamento não eram aqueles que se podem considerar 'femininos'. Tínhamos a vaga impressão de que as escritoras são por vezes olhadas com preconceito e tínhamos reparado como os críticos por vezes as castigam com a arma da personalidade e as recompensam com lisonjas que, na verdade, não são elogios".



"Mesmo que o mundo inteiro detestasse você e a achasse má, se sua consciência a absolvesse de qualquer culpa,você não estaria sozinha..."


"Eu me lembrava de que o mundo real era vasto,e que uma quantidade enorme de esperanças e medos,de sensações e emoções , estava à espera daqueles que ousassem sair por ele afora,buscando,em meio a seus perigos,o verdadeiro conhecimento do que é a vida".




"É inútil dizer que os seres humanos deveriam satisfazer-se com uma vida tranquila.Eles precisão de ação.E se não a encontrarem,irão fazê-la acontecer."


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Meus Oito Anos

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.

Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;

O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor !

Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar

O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã

Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delicias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha, irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Pés descalços, braços nus,

Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas
Brincava beira do mar!

Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar !

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da, minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Abreu, Casemiro. "A Primavera" - Coletânia Vol I. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sob Olhar de Um Lisboeta





Ela estava tão cansada naquela noite. Os pensamentos como sempre a fervilhar centenas de bobagens que não a deixavam dormir. E ela, então,decidiu caminhar por aí. Dezenas de rostos sorriram para ela naquela noite, mas tinham risos vazios que nada diziam para ela. 

Era tarde. Uma chuva fininha caía sobre as vidraças das janelas. A solidão estava tornando-se incomoda. Nenhum poema, nem música, nenhum vinho... Nada para aliviar os pensamentos que a perturbava. E ela já voltava a casa quando um rosto dentre tantos chamou-lhe a atenção. Instintivamente aproximou-se- sempre fora curiosa. 

O rosto abriu-se em um sorriso bonachão. E o sorriso dele convidou o dela para caminhar lado a lado. Falaram tanto e por tanto tempo que ela esqueceu que o dia logo amanheceria com suas urgências de praxe. Mas o que importa o que virá no momento seguinte quando se está feliz? A felicidade nos dá a sensação de sermos atemporais. E ele a fazia feliz, única, eterna.

E ela repetia para si em silêncio "Encontrei-o... Oh, Deus, permita que sim". E ele a lia em seus gestos exatamente como tantas vezes ela pediu que alguém o fizesse. E ele a lia em seu olhar com a certeza de quem vivera nele desde o sempre. Era um conhecedor da alma dela, um perito naquela mulher que tantas vezes achou que não se enquadrava no mundo. "Estou sonhando... Oh, Deus, permita que eu não acorde, então. Deixe-me dormir o sono eterno"; ela seguia a pensar. 

Ela não se tinha dado conta de que os pensamentos ruins, tinham morrido sufocados pelos desejos e pensamentos de carinho que ele deu a ela de presente. E ela estava tão suave que já não sentia o peso da noite, das indagações, dos medos... Ele a levara para além de si. O sorriso antes de simpatia ganhara agora a força de um sorriso de quem fora docilmente tocado por um anjo. 

E em voz lusitana vem a declaração em fim:

"Teus olhos risonhos
são mundos, são sonhos,
são a minha cruz,
teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são raios de luz"

Ela suspira. O corpo estremece ao pensamento de que o dia poderia levar seus sonhos como tantas vezes já fizera. Mas ao contrário do que sempre fez, ela enfrentou o medo confessando-o. 

__ Estou com medo de você.
__ Minha idade a assusta?
__ Não. Sua idade é perfeita. Meu medo é apaixonar-me.
__ Quer que não lhe fale mais de meus sentimentos?
__ Não. Quero que me diga se posso.
__ Pode. 

E sem que ele visse, dos tais olhos castanho brotou uma lágrima. Era o medo escorrendo pelo rosto para morrer nas palavras que ela disse, enfim.

__ Então, não vou temer. Vou me entregar. Eu quero e vou me apaixonar por você. 

O que acontecerá com eles, nós nunca saberemos. O dia amanheceu e os levou por aí. Acho que ela viverá um conto de fadas ao som de um fado. Acho que ele remoçará embebido na jovialidade dela. E nós, leitores e expectadores, ficaremos aqui esperançosos de que tudo isso chegue até nós em deliciosas poesias de amor.
(Waleska Zibetti, in "Sob Olhar de Um Lisboeta")

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Insana



Estou lá novamente... Naquele lugar tão conhecido por mim. Como odeio esse estado letárgico de pensar a minha funcionalidade. Acho que é esse meu erro sempre querer ser funcional. Ser humano não é funcional! Não faz sentido. Ou faz?

Que inferno! São trezentos pensamentos surgindo por segundo e eu penso que não suportarei por muito tempo tanto pensar. Há dias em que vou ao mar para mergulhar e sentir o silêncio que há embaixo d'água. Acho que todo mundo deveria ir a algum lugar onde não fosse possível ouvir nada além do som do fluxo sanguíneo. Pior que sei que ainda assim vozes invadiriam meus pensamentos me roubando o direito de estar em silêncio. 

Quando fico assim, sinto muito sono. E tudo fica extremamente irritante. Então, eu fecho os olhos, e diante da impossibilidade do mar, mergulho em mim. Eu sou um mar abissal. Escuro, misterioso, profundo, surpreendente e monstruoso. E as pessoas não entendem isso. Acham estranho. E tudo que é estranho é loucura aos olhos ignorantes. 

Se sou louca posso tudo... Uma menina feliz colhe pensamentos numa macieira. Alguns ela coloca gentilmente num pequeno cesto de vime e outros ela arremessa no rio próximo. Os pensamentos rodopiam na superfície do rio por algum tempo, mas logo mergulham e somem na água corredeira. E ela nem perde tempo para olhar os pensamentos que o rio leva, colhe logo mais um vermelhinho lá no topo. A menina morde um dos pensamentos e o meu peito dói, quase grito aquela dor enorme. Meu peito sangra e ela resmunga de boca cheia: 

__ Que delícia é a maçã-do-amor!

Já não sinto a segunda mordida. A dor virou lugar comum. E chega a ser bonita a fome da menina. E lá vai ela correndo a beira do rio com  uma cesta cheia com meus pensamentos. Que fará com eles? Ela pára e põe a mão na cintura com posse autoritária. 

__ Que farei com eles? - admira-se. - Que pergunta mais idiota! Vou comê-los com café. O que mais se pode fazer com pensamentos colhidos? 

E segue por fim seu caminho saltitando e cantarolando uma cantiga de roda. Ainda bem que tenho você, menina. - penso a observá-la e ela me ignora. Respiro fundo e olho o céu que aos poucos fica cinza. 

__ É que hoje vai chover. 
__ E quem é você?
__ Sua vontade de chorar.
__ Eu não quero chorar. 
__ Não ainda, mas vai. Se você chora, aqui chove. 
__ Mas não vou chorar.
__ Você tem!
__ Por que?
__ Para nascer as flores poéticas do jardim. 
__ As coisas começaram a perder o sentido para mim.
__ Alguma vez isso tudo fez sentido para você?

Como algo tão pequeno podia me incomodar daquele jeito. Eu não sei quando comecei a escrever e nem porque exatamente. Acho que foi quando percebi que pensava demais. Eu precisava prender alguns pensamentos no papel para que eles me deixassem quieta. E nunca fez sentido mesmo nenhuma palavra minha. Eu sempre achei estranho essa mania de escrever até em parede quando a vontade vem. 

__ Você está certo. Nunca fez sentido!

Estou perdida aqui! Eu não sei nem como vim nem como sair. Que devo fazer? Você não sabe, não é? Ninguém sabe! Eu que tenho que encontrar o caminho. Parar de pensar. Deixar os pensamentos perderem-se entre as folhas da macieira. E ir. Ir além de mim. Ou será que já estou além de mim? Tudo continua sem sentido. Não há razão para o que escrevo menos ainda há razão em você que lê tudo isso. Mas estamos juntos. Inquietamente juntos. Você ao ler-me me invade e eu faço o mesmo nesse minuto. A diferença é que não pensarei em você a não ser agora que você nem está aqui, mas é tão concreto em mim. E você pensará em mim, bem ou mal, mas pensará sabendo quem sou, meu nome, meu rosto... Sabe o que mais é interessante? Você sabe quem sou eu, mas não sabe quem é você. Estranho, né? E sabe o que é menos sensato nisso tudo? Você não consegue parar de ler porque precisa, com sua lucidez, ou encontrar um porquê ou encontrar um fim. Mas não tem fim. Eu vou escrever sem propósito e a menina vai jogar os pensamentos no rio e nada fará sentido e você... Você ainda vai continuar a pensar em mim mesmo quando eu me esquecer de você.
(Waleska Zibetti, in "Insana")