quarta-feira, 1 de julho de 2015

Discrição - Correio feminino (Clarice)


por Gabriella Gilmore
Neste mês vamos estrear com alguns textos de Clarice Lispector na época em que ela escrevia para jornais.
Teremos várias dicas de beleza interior, pensamentos, humor, vindo de uma grande pessoa no qual nós do #CLV admiramos muito.
Fique ligado!!
E o convite ainda está no facebook para escritores que desejam ter seus textos publicados no Clube.
Estamos te esperando.


DISCRIÇÃO

Você naturalmente sabe que chamar a atenção não é de bom-tom e dá sempre uma impressão muito má da mulher. Seja pela roupa escandalosa, pelo penteado exótico, pelo andar, pelos modos, pela risada grosseira, seja, enfim, de que maneira for a mulher que chama a atenção sobre a sua pessoa o único troféu que merece é o da vulgaridade. A mulher elegante é discreta. Sua superioridade está nos detalhes cuidados na harmonia das cores, no bom gosto dos acessórios. Se ela é também bonita, a beleza é por si um ponto de atração para os olhos, sem precisar ser ostentada.
Os homens, geralmente muito discretos, detestam as mulheres que se destacam demais, onde quer que apareçam. Não apenas pela sua própria maneira de ser, mas também por uma questão de vaidade masculina, já que não lhes é agradável ficar ofuscados ou relegados a um plano inferior.
A mulher inteligente procura, portanto, a discrição como regra básica de toda a sua vida. Discrição no vestir-se, no maquilar-se, nos gestos, na voz e até mesmo nas opiniões.
Seja discreta, e veja como os que a cercam tomarão a iniciativa de colocá-la em lugar de destaque, desde que você possua qualidades para isso.

terça-feira, 30 de junho de 2015

A boa vista



Era uma tarde triste, mas límpida e suave...
Eu — pálido poeta — seguia triste e grave
A estrada, que conduz ao campo solitário,
Como um filho, que volta ao paternal sacrário,


E ao longe abandonando o múrmur da cidade
— Som vago, que gagueja em meio à imensidade,—
No drama do crepúsculo eu escutava atento
A surdina da tarde ao sol, que morre lento.


A poeira da estrada meu passo levantava,
Porém minh'alma ardente no céu azul marchava
E os astros sacudia no vôo violento
— Poeira, que dormia no chão do firmamento.


A pávida andorinha, que o vendaval fustiga,
Procura os coruchéus da catedral antiga.
Eu — andorinha entregue aos vendavais do inverno,
Ia seguindo triste p'ra o velho lar paterno.


Como a águia, que do ninho talhado no rochedo
Ergue o pescoço calvo por cima do fraguedo,
— (Pra ver no céu a nuvem, que espuma o firmamento,
E o mar, — corcel que espuma ao látego do vento... )
 
Longe o feudal castelo levanta a antiga torre,
Que aos raios do poente brilhante sol escorre!
Ei-lo soberbo e calmo o abutre de granito
Mergulhando o pescoço no seio do infinito,


E lá de cima olhando com seus clarões vermelhos
Os tetos, que a seus pés parecem de joelhos! ...


Não! Minha velha torre! Oh! atalaia antiga,
Tu olhas esperando alguma face amiga,
E perguntas talvez ao vento, que em ti chora:
"Por que não volta mais o meu senhor d'outrora?
Por que não vem sentar-se no banco do terreiro
Ouvir das criancinhas o riso feiticeiro,
E pensando no lar, na ciência, nos pobres
Abrigar nesta sombra seus pensamentos nobres?


......................................................................


Onde estão as crianças — grupo alegre e risonho
— Que escondiam-se atrás do cipreste tristonho ...


Ou que enforcaram rindo um feio Pulchinello,
Enquanto a doce Mãe, que é toda amor, desvelo
Ralha com um rir divino o grupo folgazão,
Que vem correndo alegre beijar-lhe a branca mão?..."

......................................................................

É nisto que tu cismas, ó torre abandonada,
Vendo deserto o parque e solitária a estrada.
No entanto eu — estrangeiro, que tu já não conheces —
No limiar de joelhos só tenho pranto e preces.


Oh! deixem-me chorar!...Meu lar... meu doce ninho!
Abre a vetusta grade ao filho teu mesquinho!
Passado — mar imenso!... inunda-me em fragrância!
Eu não quero lauréis, quero as rosas da infância.


Ai! Minha triste fronte, aonde as multidões
Lançaram misturadas glórias e maldições...
Acalenta em teu seio, ó solidão sagrada!
Deixa est'alma chorar em teu ombro encostada!


Meu lar está deserto... Um velho cão de guarda
Veio saltando a custo roçar-me a testa parda,
 
Lamber-me após os dedos, porém a sós consigo
Rusgando com o direito, que tem um velho amigo...
Como tudo mudou-se! ... O jardim 'stá inculto
As roseiras morreram do vento ao rijo insulto...
A erva inunda a terra; o musgo trepa os muros
A urtiga silvestre enrola em nós impuros
Uma estátua caída, em cuja mão nevada
A aranha estende ao sol a teia delicada! ...
Mergulho os pés nas plantas selvagens, espalmadas,


As borboletas fogem-me em lúcidas manadas ...
E ouvindo-me as passadas tristonhas, taciturnas,
Os grilos, que cantavam, calaram-se nas furnas ...


Oh! jardim solitário! Relíquia do passado!
Minh'alma, como tu, é um parque arruinado!
Morreram-me no seio as rosas em fragrância,
Veste o pesar os muros dos meus vergéis da infância,
A estátua do talento, que pura em mim s'erguia,
Jaz hoje — e nela a turba enlaça uma ironia!...
Ao menos como tu, lá d'alma num recanto
Da casta poesia ainda escuto o canto,
— Voz do céu, que consola, se o mundo nos insulta,
E na gruta do seio murmura um tremo oculta.


Entremos! ... Quantos ecos na vasta escadaria,
Nos longos corredores respondem-me à porfia! ...


Oh! casa de meus pais! ... A um crânio já vazio,
Que o hóspede largando deixou calado e frio,
Compara-te o estrangeiro — caminhando indiscreto
Nestes salões imensos, que abriga o vasto teto.


Mas eu no teu vazio — vejo uma multidão
Fala-me o teu silêncio — ouço-te a solidão! ...
Povoam-se estas salas...


E eu vejo lentamente
No solo resvalarem falando tenuemente
Dest'alma e deste seio as sombras venerandas
Fantasmas adorados — visões sutis e brandas...
Aqui... além... mais longe... por onde eu movo o passo,
Como aves, que espantadas arrojam-se ao espaço,
Saudades e lembranças s'erguendo — bando alado —
Roçam por mim as asas voando pra o passado. 

Alves, Castro. Espumas Flutuantes. L&PM Pocket. 1997, 144p.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Para Todos



Lá está ela com seus olhos presos no mar. Olhos vazios a encarar o mar calmo. E Chronos, por piedade, recorta o tempo para prendê-la em algum pensamento feliz. Já faz tanto tempo que ela não vinha... Hélio aproxima-se tentando devolver um pouco de calor ao seu olhar frio. Onde parou o sorriso que a acompanhava nesses momentos junto ao mar? Poseidon proibiu os serenos de cantar. O silêncio da mulher há de ser respeitado, pois é silêncio de dor. E o mar muda de cor e ela nem percebe. Calíope beija o rosto da amiga na tentativa desesperada de acordá-la. E Érato beija-lhe a boca. Contudo, seus olhos estão pousados em algum tipo de mistério particular e logo tudo se cobre de negro. Selene toma lentamente seu lugar no céu. E finalmente ela respira mais fundo buscando forças. Encara o céu. Selene sorri argêntea e solidária. Conhece bem os conflitos da mulher, ela própria é mulher também. "Não há paz na noite que se inicia", anunciam as ondinas ao tocarem a areia. "Mas quem precisa de paz?", responde Éolo da beira do cais. E Psiquê abraça a mulher a fazendo caminhar sem que a rua a perceba. Porque ninguém consegue entender que as Erínias, apesar de tudo, também são capazes de amar.
(Waleska Zibetti, in "Para Todos")

domingo, 28 de junho de 2015

Informativo - Escola da Inteligência de Augusto Cury

Uma novidade que todo pai e educador, (professor não, porque o que mais temos por ai são "professores"), devia conhecer.

O Projeto Escola de Inteligência, criado pelo renomado psiquiatra, pesquisador e escritor Dr. Augusto Cury, faz parte do Instituto Academia de Inteligência. É formado por uma equipe multidisciplinar altamente especializada no processo do funcionamento multifocal da mente e, tem como principais metas: a formação de pensadores, o desenvolvimento da inteligência, a formação da personalidade e a melhoria da qualidade de vida.
As escolas de ensino tradicional, fundamental básico II e médio integrarão o projeto em suas grades curriculares, a ser desenvolvido dentro de 1 (uma) hora/aula semanal, podendo ser inserido na carga horária de uma disciplina já existente, como, Religião, Filosofia, Ética, Sociologia, temas transversais, etc.
Objetiva:
Desenvolver as funções mais importantes da inteligência como; pensar antes de reagir, colocar-se no lugar dos outros, trabalhar perdas e frustrações, libertar a criatividade, formar pensadores, proteger a emoção, gerenciar pensamentos, consolidar a auto-estima, desenvolver a consciência crítica, Formar pensadores, elaborar sonhos e projetos de vida e adquirir resiliência às intempéries sociais
Estimular o treinamento do caráter: perseverança, honestidade, espírito empreendedor, debate de idéias, disciplina, tolerância, liderança, solidariedade, capacidade de recomeçar, educação para o trânsito e educação para o consumo.
Fornecer ferramentas para prevenir transtornos psíquicos: insegurança, fobias, ansiedade, agressividade, sentimento de culpa, falta de transparência e uso de drogas.
Enriquecer as relações interpessoais através do diálogo, do debate de idéias, da educação para a paz e do trabalho em equipe.

É pioneiro na promoção da saúde emocional e da prevenção de doenças psíquicas,com programa de capacitação dos professores, acompanhamento pedagógico durante a aplicação, e material de apoio pedagógico apostilado ricamente ilustrado, contendo histórias com vertentes psicológicas, sociológicas, filosóficas, idéias de múltiplos pensadores, informações relevantes sobre temas do cotidiano, apresentando uma dinâmica que estimulará a arte da interiorização, da observação, da consciência crítica e do debate de idéias.
Nossa preocupação
O cenário do mundo pós-moderno apresenta um progresso surpreendente na comunicação, no entretenimento, na democratização do conhecimento, na liberdade de expressão e nunca se ouviu falar tanto em qualidade de vida. Mas qual é o espetáculo que estamos assistindo?        
Infelizmente, ainda com todos os avanços no cenário social e tecnológico, a peça é decepcionante. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nos próximos 20 anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum em todo o mundo. Ainda, atualmente, 20% dos adolescentes sofrem de depressão, e ainda mais, Institute for Social Research, da Universidade de Michigan afirma que 50% da população mundial teve ou vai desenvolver algum tipo de transtorno psicológico durante a vida como; fobias, estresses, ansiedades, anorexia nervosa, transtornos de conduta, entre outros. Como reflexo deste quadro, em um importante Congresso na Califórnia com o tema “Como preparar a juventude para o século XXI", constatou-se por meio de pesquisas, que aproximadamente 30% dos jovens americanos não se tornam cidadãos produtivos porque não se sentem bem consigo mesmos . Esse número é ainda maior em países subdesenvolvidos como o Brasil.
Os teatros escolares são grandes responsáveis pela formação da personalidade, pelo desenvolvimento da inteligência e pela construção de pensadores, preparando-nos não apenas para conhecer o mundo em que vivemos, mas também o mundo que “somos”. Devem ser o ambiente onde aprendemos a conviver e a respeitar as diferenças de pensamentos, cor, religião, posição social. Mas o atual quadro é decepcionante: mais de 45% dos estudantes brasileiros já sofreram algum tipo de violência dentro da escola, seja ela verbal ou física, segundo estimativa do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar (Cemeobes).
Os dias atuais e o caminho que estamos traçando são de fato preocupantes. Estamos diante de uma massa de jovens agitados, desmotivados a conhecer, a questionar, a formar suas próprias opiniões e debaterem ideias. Vivendo cada vez mais voltados ao mundo virtual, os jovens assistem, em média, 4 horas, 50 minutos e 11 segundos por dia de programação televisiva, tornam-se os principais alvos das propagandas de consumo. Segundo pesquisa elaborada pelo Instituto Akatu, com base em estudo realizado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) com jovens de 24 países dos cinco continentes, os jovens brasileiros estão no topo dos mais consumistas, à frente de jovens franceses, japoneses, argentinos e americanos,  mas nem de longe são mais felizes, como mostram os dados sobre a depressão.
Os relacionamentos entre pais e filhos, professores e alunos, e entre amigos estão cada vez mais superficiais. Os jovens encontram dificuldade para dividirem suas histórias e lágrimas. Estão presencialmente ligados, porém emocionalmente mais distantes. É necessário que nos adaptemos aos avanços tecnológicos sem perder de vista a sensibilidade humana.
Pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em dezesseis cidades brasileiras mostrou que 58% dos garotos e garotas de 12 a 14 anos fizeram uso de drogas pelo menos uma vez na vida. Segundo estudos do Instituto Nacional de Políticas do Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo, a dependência do álcool aumentou 30% entre homens e 50% entre as mulheres no Brasil em relação a dez anos atrás. E outros estudos mostram que em quatro anos o consumo de drogas anorexígenas cresceu 100% .
Estatísticas como essas são realmente alarmantes. A peça que estamos encenando e as próximas que assistiremos devem ser o incentivo para que nos tornemos ativos na mudança desse roteiro, colaborando para que nossos jovens transformem-se em líderes e atores principais no teatro social, com saúde emocional e projetos de vida. Sabemos que as escolas e os educadores almejam a mudança dessa realidade, mas têm dificuldades de encontrar meios eficazes para que isto aconteça.
Queremos estar juntos com as instituições de ensino para ajudar a escrever um novo roteiro no teatro da educação, pois é nele que desenvolvemos as características mais importantes para o desempenho do nosso papel no teatro da vida. Hoje são nossos alunos e filhos, amanhã serão eles os responsáveis pelos principais papéis que decidirão o futuro da nossa sociedade, do nosso planeta.

Vantagens
Capacitação dos professores que aplicarão o projeto, com profissionais altamente capacitados nas áreas de psicologia, psicopedagogia, psiquiatria, entre outros, debatendo temas que envolvem o funcionamento básico do teatro da mente humana, a construção das ferramentas fundamentais para a formação de pensadores e o método de aplicação do projeto.
Cada aluno receberá juntamente com o professor, material pedagógico apostilado ricamente ilustrado, contendo histórias com vertentes psicológicas, sociológicas, filosóficas, abrangendo idéias de múltiplos pensadores e informações relevantes sobre temas do cotidiano. Tudo isso com uma dinâmica que estimulará a arte da interiorização, da observação, da consciência crítica e do debate de idéias.
Assistência pedagógica durante a aplicação, de modo a favorecer a aproximação da equipe do projeto com a instituição educacional, tornando-se parceiros na educação para vida e na formação de pensadores.
Assistência permanente através de Call Center e via e-mail, dando suporte para a instituição de ensino.

Conheça o site http://www.escoladainteligencia.com.br/ e veja que isso não é sonho, é realidade. Nos ajude a mudar o futuro da educação no Brasil!
DIVULGUE a E.I.

Artigo em formato de vídeo
Assista ao video

sábado, 27 de junho de 2015

Amanhã Tudo Muda





E de repente tudo vira um silêncio só. Não há lua e a rua adormece de tal maneira que nem os gatos ousam passar por ela. O vento entra pela fresta da janela e arrepia levemente o corpo. Não há paz real, mas uma calmaria que anuncia sinistramente a próxima tempestade. E é preciso passar por ela para chegar ao próximo ponto. E já não sei mais se é o vento mesmo que estremece o corpo ou se é o medo. E em silêncio entôo o mantra: "Amanhã  tudo muda... Amanhã tudo muda...". É preciso crer que vai passar apesar da noite, do vento, do silêncio atormentado da rua, da ausência da lua... É preciso crer apesar de. O corpo já mostra cansaço, mas a cabeça insiste em pensar. Mas é só mais uma noite que eu devo vencer e amanhã tudo muda. Eu hoje precisava não anoitecer. Mas a noite chega sempre independente da lua. E hoje ela trouxe um silêncio pesado, incomodo... Em algum lugar alguém morre e no ponto oposto um outro nasce. Nem tudo é noite além dessa janela. Em algum lugar é dia claro com crianças rindo na calçada. E eu aperto forte o travesseiro. Dorme em paz porque amanhã tudo muda.
(Waleska Zibetti, in "Amanhã Tudo Muda")

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Loucura


Ora até que enfim..., perfeitamente...
Cá está ela!
Tenho a loucura exactamente na cabeça.
Meu coração estoirou como uma bomba de pataco,
E a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...
Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a serapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!
Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!
Poesia transcendental, já a fiz também!
Grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
A organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto resolvido em vários —
Também não é novidade.
Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim...
Tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia, comia-o.
Com esforço, mas era para bom fim.
Ao menos era para um fim.
E assim como sou não tenho nem fim nem vida...
s.d.

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
 - 116.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Sob a Luz do Luar



“Ninguém está na calçada porque quer”, disse-lhe certa vez uma velha cafetina. E ela em silêncio sorriu pensando que nunca aquela velha enfrentaria um serviço pesado mesmo quando jovem. Porque ela tinha certeza de que a rua era um vício. A lua rompe a janela do quarto ditadora e ordena aos seus filhos que invadam a rua espalhando luxúria por onde passarem. Toda puta é filha da lua, concluía.

Ela observava aqueles personagens analisando-os como um microuniverso independente do macro universo que crescia ao seu redor. As pessoas podiam olhá-los como parasitas da sociedade, mas ela era capaz de jurar que ali havia muito mais a oferecer que nas senhoras distintas que se sentam no fim da tarde diante de sua TV para ver as novelas com olhos inocentes. Olhos inocentes e cabeça perversa. Mulheres como aquelas se masturbavam secretamente pelo vizinho nas suas tardes solitárias. Imaginavam os corpos dos adolescentes sobre os seus enquanto inocentemente liam revistas Marie Claire em suas cadeirinhas de varanda.

A maioria não assume sua perversão vivendo um conflito doentio com seus desejos reprimidos. Nas calçadas, todo desejo é permitido e todo sonho real. Nas calçadas o medo é só mais uma via para o prazer. E o prazer, a morada de toda razão. E ela caminha a observar as frestas das portas, movimentos por trás de cortinas, silhuetas embaçadas nos carros, vultos na escuridão. De vez em quando encara o céu e algumas estrelas piscam seus olhos para ela incentivando a sua caminhada.

Toda noite tem seus sons ainda que tudo esteja calmo. E na praia, o mar lambe a areia. Os serenos se amam nas pedras ao som suave das ondas. A noite tem seus mistérios e ela também. A lua engole os mistérios da noite até encher. Os dela ela guarda por baixo das unhas vermelhas. Todo mistério seduz.

Ela sempre foi meio caminho perigoso e nunca temeu bicho ou a madrugada. Tinha olhos de viela e atraía curiosos personagens que se fascinavam com suas histórias com movimentos pseudo-dramáticos.  Andava pelos becos pouco se importando com os gatos, cachorros, bêbados, mendigos, prostitutas, travestis...

“Ninguém envelhece porque quer”, disse certa vez a uma jovem. E uma cafetina em silêncio sorriu porque tinha certeza de que a rua era um vício. E ela rompia a janela do quarto e invadia a rua espalhando luxúria por onde passasse. A rua é um serviço pesado, concluía. E todo filho da puta deveria ir para lua.

Ela é um daqueles microuniversos parasita que observa a sociedade independente crescendo ao seu redor. As pessoas a analisam no fim da tarde. E ela vira uma espécie de macro universo capaz de oferecer segredos as salas das senhoras distintas. Seus olhos perversos povoam as tardes solitárias dos vizinhos. E o corpo dela é coberto pela imaginação dos adolescentes que inocentemente se masturbam nas cadeirinhas da varanda. Personagem pervertida das novelas de revista.

A maioria dos seus desejos são perversos e conflitantes. Mas a calçada é real. Não permite sonhos e não assume doenças. A calçada troca medo por prazer. É a morada de toda razão. De vez em quando há estrelas nas frestas das portas, e se vai ao céu nos movimentos por trás de cortinas, silhuetas embaçadas nos carros piscam para ela, vultos na escuridão o observam. Ela encara o céu e segue sua caminhada.

Toda noite está calma e tem seus sons vindos da praia. Os serenos lambem a areia. O mar ama nas pedras. A noite tem mistérios vindos das ondas. E ela também engole os mistérios da noite. A lua guarda os dela até encher. Os dela seduzem por baixo das unhas vermelhas. À noite tudo é mistério.

E ela caminha na noite e a lua caminha com ela pelas frestas dos becos, pelas vielas prostituídas, pelos carros em movimentos, pela perversão escura, nos mistérios da luxúria, lambendo adolescente, amando senhoras, enchendo-se de cafetinas, com seus olhos de estrela, seus medos pseudo-dramáticos, seus sonhos prazerosos, manchete de revista, personagem de novela, cadela dos vizinhos, parasita das calçadas, microuniverso doente...
(Waleska Zibetti, in "
Sob a Luz do Luar")

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Cor invisível. Comentário - jornal Estadão.






O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,cor-invisivel,1710073O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,cor-invisivel,17100





73Li um artigo no jornal Estadão, no dia 20 de junho que falava sobre como a sociedade consegue esconder as pessoas através dos uniformes.
De cara eu esbocei meu pensamento, mas precisava finalizar o artigo para poder organizar minhas ideias.
No texto, o psicanalista de 40 anos, F.B.da Costa, fez por alguns uma pesquisa em psicologia social no qual ele precisou trabalhar um tempo como gari, e algumas vezes ia para a faculdade que estudava uniformizado e ninguém o reconhecia, ou fazia questão de não reconhece-lo, como afirmava o médico.
Questionou também o uso de uniforme branco obrigatório das babás no Clube Pinheiros.

Agora eu preciso entender qual é o problema da pessoa, qualquer pessoa, estar uniformizada? Me desculpa, mas se alguém usa o uniforme e se deixa ser invisível é porque se sente assim. Minha mãe é diarista, muitos aqui não fazem ideia desse fato, pensam que sou burguesinha, longe disso. Minha mãe falou que odeia ir trabalhar de roupa própria por vários motivos e que vai mandar fazer um "uniforme" para ser identificada e evitar de gastar peças de roupa pessoal, que muito das vezes ela usa para sair.
Eu por exemplo, odiei passar meu tempo de experiência usando roupas que pouco tenho. Não via a hora do uniforme chegar para me poupar das inúmeras lavagens de peças e também me sentir mais parte da empresa. Identificada.
Tudo bem que meu trabalho não pode ser comparado com o de garis, babás, garçons, etc, mas achei a visão deste doutor um tanto dramática.
O uniforme nada mais é que uma identificação. Em algumas vezes pode até nos salvar, acredite.

Deixo o link da matéria para aqueles que tiverem interesse em se aprofundar no assunto de hoje.
Deixe sua opinião.
O uso do uniforme é uma capa de invisibilidade e desprezo?

Matéria completa

terça-feira, 23 de junho de 2015

Billy Elliot



Se você quer ver um filme para quem gosta de arte, para quem se emociona com superação e não tem vergonha de chorar diante da telinha assista "Billy Elliot" produção britânica de 2000. 


A história narra a vida de um menino de 11 anos filho de um mineiro de carvão numa pequena e fictícia cidade de interior que decide ser bailarino indo de encontro a todos os preconceitos. É empolgante ver o herói da trama superando-se para atingir seu objetivo. 

Este filme que marca a estréia na direção do renomado diretor de teatro britânico Stephen Daldry (que ficou internacionalmente famoso pelo filme "As Horas" anos mais tarde) é simplesmente imperdível!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Prelúdio ao pós vida, uma ode ao Suicídio (Veronika Decide Morrer)

Paris, Alguma data de algum mês de um ano qualquer!

Para quem interessar possa, que se sinta querido.


O que está no universo dos sentimentos a gente resolve na palavra e não na força física. Talvez seja isso que me falte: a doce consolação para os chamados tormentos da vida e da alma e a força para não desistir de uma vez dessa era.
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48418 © Luso-Poemas
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48418 © Luso-Poemas
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48418 © Luso-Poemas
É pesado, tenho certeza de que há caminhos pelos quais passarei para recomeçar ciclos evolutivos. 
Não posso fazer ninguém passar por isso... É que constatei que tive a oportunidade de receber a felicidade maior possível, mas, a tristeza me pegou e me depreciou. 
É fato constatado que não tenho mais fé, autoconfiança e minhas forças se esvaíram sem lutar.
Sem mim vocês poderão sorrir, vocês poderão ser grandes, vocês podem ter a liberdade tão quista, vocês podem ser autênticos... E você vai, eu sei que sim.
Vocês tem sido inteiramente pacientes, mesmo quando não acreditava em mais nada, nem mesmo em mim e tenho a absoluta certeza de que se alguém pudesse me salvar teria sido algum de vocês ou Ele.
Não quero ter a sensação de estar estragando a vida de alguém, de estar tornando alguém triste com a minha tristeza ambulante que me tornei.
Depressão é algo sério, algo contínuo, algo complexo. 
É estar sempre desacreditado e desapontado consigo mesmo é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem razão aparente - as razões têm essa mania de serem discretas, mas, principalmente é encontrar-se em becos escuros sombrios e tortuosos dos nossos sentimentos mais absurdos que estão em nosso interior.
Tudo está escuro...entrei na floresta encantada da escravidão...

- Onde estão as falsas estrelas, que fazem parte dela... a luz...?
Sinto-me morrer...Ou quero morrer ?
Adeus
B.