terça-feira, 6 de outubro de 2015

A Felicidade


Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
De todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

(Vinicius de Moraes)

domingo, 4 de outubro de 2015

Depressão Profunda


Comecei a me sentir indiferente
Para as coisas que sempre mais amei.
Por mais que eu faça nada é suficiente,
Eu já não sonho mais como sonhei...
Eu tenho medo de pegar no sono,
Porque os pesadelos me atormentam...
Meu coração que sofre de abandono,
Pressionam meus vasos que ainda agüentam...
Eu sinto uma tristeza que é tão grande,
Que não tenho palavras pra explicar...
Meu corpo sofre tanto e a dor se expande;
Minhas pernas pesam muito para andar.
A minha voz que antes era bela,
Morreu e minha garganta atrofiou...
Contemplo o meu retrato numa tela:
Lembrança do tempo bom que se acabou ...

(Autor Desconhecido)

sábado, 12 de setembro de 2015

O Mágico de OZ




“We are off to see the wizard, the wonderful wizard of Oz…”, essa é a primeira coisa que me vem a cabeça quando penso em Mágico de Oz. Você se lembra?

Bom, depois de uma leitura mais cabeça, sempre corro para algo na linha infantil ou infanto-juvenil como forma de equilibrar as ideias. Sendo assim, saí de James Joyce e seus mortos e fui para a Cidade das Esmeraldas a procura de Oz junto com Dorothy, menininha de onze anos e moradora oriunda do Kansas, o Homem de Lata – em minha opinião, o personagem mais chato; o Espantalho e o Leão – personagem que mais curti.

“O Mágico de Oz” é um dos livros da série de livros “O Maravilhoso Mundo de Oz” que teve quatorze livros escrito pelo seu autor original L. Frank Baum e mais vinte e seis escrito por outros autores.

O enredo de “O Mágico de Oz” é fofo e simples. Para aquela leitura prazerosa e suave. Não traz muito além dos ensinamentos, tais como: “O bem vence o mal” e a “A amizade acima de tudo”.  O que me deixou um pouco decepcionada porque imaginei de tirar pelo menos uma meia dúzia de boas citações, mas não deu nem para isso.
Lembro-me bem do filme estrelado por: Judy Garland (Dorothy), Jack Haley (Homem de Lata). Bert Lahr (Leão) e Ray Bolger (Espantalho). O filme é de 1939, produção da MGM originalmente em preto e branco e mais tarde remasterizado; costumava ser passado nas Sessões da Tarde com grande frequência.

O principal tema do filme foi a música “Somewhere Over The Rainbow” que foi regravada depois em vários momentos e pelos mais diferentes interpretes. Aposto que ela ainda está na cabeça da todos os cinéfilos até hoje.

Enfim, “O Mágico de Oz” é um filme ou um livro para a garotada curtir sem grandes pretensões. Por exemplo, animar uma aborrecida tarde de férias de inverno. Aventura não falta no enredo e crianças menores curtirão, com toda certeza.


Já eu, jamais pensei em dizer isso, mas... Sou muito mais o filme. De qualquer forma fica a dica e até a próxima! 
Beijos da Wal.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Final (Epílogo)

Epílogo

Marius já sabe que foi Valjean que o retirou da barricada quando fora atingido e agora ele e Cosette estão indo encontrar o velho que o salvou. Infelizmente não há o que falar dessa parte, pois (para quem não viu) estragará o final, mas vale dizer que é belíssimo.

Mas o que posso dizer é o quanto interessante se faz essa cena, misturando a esperança de revolução da época em que foi escrito, misturando religião e tantas outras coisas que a peça soube misturar de forma ímpar.

E deixo aqui uma das grandes mensagens da peça: And remember the truth that once was spoken, to love another person is to see the face of God (E lembre-se da verdade que uma vez foi dita: Amar outra pessoa é ver o rosto de Deus).


Como bônus especial eu falarei o seguinte: Na versão de 1995 (o aniversário de 10 anos da peça), após o espetáculo são convidados para o palco Valjean’s de 17 países diferentes: Reino Unido, França, Alemanha, Japão, Hungria, Suécia, Polônia, Holanda, Canadá, Áustria, Austrália, Noruega, República Tcheca, Dinamarca, Irlanda, Islândia e Estados Unidos. Todos eles juntos cantam uma das mais épicas versões de “Do You Hear The People Sing?”. 

Convido-lhes mais uma vez a ver a peça.Bom. Foi isso, espero que tenham gostado e que assistam a peça. Até a próxima pessoal. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 6 (Inspetor Javert)



Inspetor Javert

Após a batalha dos revolucionários contra o governo, Marius é deixado inconsciente e gravemente ferido, Valjean o pega e o leva para um médico. No caminho ele cruza com Javert.

Valjean tenta passar e Javert tenta impedi-lo, sobre o pretexto de que tinha chegado a hora de Valjean. Valjean lhe pede mais uma hora e que depois eles se encontrarão para resolver tudo. Javert dá o tempo que precisa.

Enquanto Valjean leva Marius para o médico, Javert vai até a ponte onde costuma pensar. Lá ele entra em um grande estado de confusão. Afinal o homem que ele perseguiu na esperança de prender o salvou. E diz que o mundo terá que escolher. There is nothing in this world that we share. It’s either Valjean or Javert. (Não há nada no mundo que compartilhamos. Isto é entre Valjean ou Javert).

Depois se pergunta como ele pode impedir Valjean de dominá-lo, afinal ele teve a chance de matá-lo e não o fez. Devolveu-lhe a liberdade. And my thoughts fly apart. Can this man be believed? Shall his sins be forgiven? Shall his crimes be reprieved? (E meus pensamentos voam. Dá para acreditar nesse homem? Seus pecados serão perdoados? Seus crimes serão suspensos?). E agora ele se vê duvidando de coisas que nunca duvidou. My heart is stone and still it trembles. The world I have known is lost in shadows. Is he from heaven or from hell? And does he know that granting me my life today this man has killed me even so. (Meu coração é pedra e ainda treme. O mundo que eu conheci perde em sombras. Ele é do céu ou do inferno? E ele sabe que me concedendo minha vida hoje, este homem me matou mesmo assim).

Senhoras e Senhores. Javert é a representação de um Direito cego e cruel, que simplesmente segue o que está na lei, esquece-se do que torna o Direito uma ciência humana. Valjean vem para ensinar-lhe o perdão. Eis a grande jogada Javert é o mundo antigo, Valjean é a ocorrência das revoluções, as mudanças. Tudo o que Javert viu e acreditou que fosse certo caiu como sombras que somem ao chegar o dia. Javert havia sido derrotado como o antigo mundo.

I am reaching but I fall. And the stars are black and cold, as I stare into a void of a world that cannot hold. I’ll escape now from that world. From the world of Jean Valjean. There is nowhere I can turn. There is no way to go on.
(Eu estou alcançando [o céu], mas eu caio. E as estrelas são escuras e frias, enquanto eu observo um vazio de um mundo que não me segura. Eu escaparei deste mundo. Do mundo de Jean Valjean. Não há lugar para retornar. Não a como seguir).


Javert se joga da ponte...

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 5 (A Vida Continua e Malditos Ladrões)



A Vida Continua e Malditos Ladrões

O senhor Thénardier estava nas barricadas, mas não para ajudar na batalha. Ele “rouba” os pertences das pessoas mortas e usa-as para fazer fortuna. O momento de sua maior atrocidade acontece com a ária “Dogs Eat Dogs”. Como eu já havia dito antes eles são um casal desprezível.

Não houve revolução, logo nada mudou. Agora as pessoas se conformam de que nada mudará. E os anos se passarão sem nada mudar.

Marius foi o único sobrevivente (mas não sabe como saiu de lá quando esteve inconsciente, falarei disso depois). Ele lamentasse de ter sido o único a sobreviver e que seus amigos tenham morrido. O momento passa na Taverna onde eles discutiam sobre a revolução (“Empty Chair at Empty Tables”) outro momento muito bonito da peça e o verso mais bonito dessa ária é: Now my friends will sing no more (Agora meus amigos não cantarão mais).

Cosette chega até Marius e ele se pergunta como saiu da barricada, Cosette pede que ele esqueça. Marius a pede em casamento e Valjean conta toda sua história para Marius, desde seu crime até o final. Ele com medo do que Cosette iria pensar dele, ele foge.

Na noite do Casamento de Marius e Cosette o casal Thénardier aparece bancando pose de nobres. Marius reconhece o anel que o senhor Thénardier está usando. O anel era de Marius. Nesse momento cai a ficha de que quem o tirou das Barricadas foi Valjean. Marius expulsa os Thénardier (que cantam a música “Beggars at the Feast”), conta a Cosette a verdade e vai até Valjean.  


O correto seria eu falar sobre o Epílogo, mas ainda há Javert que eu pulei na ordem por ele ser, além do meu favorito, um personagem muito mais complexo que os Thénardier, Marius e Cosette. Então no próximo texto falarei sobre o fim de Javert e depois sobre o Epílogo. 

domingo, 6 de setembro de 2015

Homenagem Aos Poetas Franceses - Paul Verlaine

3- Paul Verlaine No final do século 19, os críticos incluíram Verlaine entre os chamados "poetas malditos", como Arthur Rimbaud. A expressão, aliás, é do próprio Verlaine, eleito em 1894 o "Príncipe dos Poetas".

A uma Mulher
Paul Verlaine


Pra vós são estes versos, pla consoladora 
Graça dos olhos onde chora e ri um sonho 
Doce, pla vossa alma pura e sempre boa, 
Versos do fundo desta aflição opressora. 

Porque, ai! o pesadelo hediondo que me assombra 
Não dá tréguas e, louco, furioso, ciumento, 
Multiplica-se como um cortejo de lobos 
E enforca-se com o meu destino que ensanguenta! 

Ah! sofro horrivelmente, ao ponto de o gemido 
Desse primeiro homem expulso do Paraíso 
Não passar de uma écloga à vista do meu! 

E os cuidados que vós podeis ter são apenas 
Andorinhas voando à tarde pelo céu 
— Querida — num belo dia de um Setembro ameno

sábado, 5 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 4 (As Barricadas)



As Barricadas

O segundo ato começa com Éponine andando pelas ruas de Paris, pensando sobre sua situação com Marius. Decreta-se sozinha com a ária “On My Own”. Depois da canção ela decide ir juntar-se a Marius na barricada.
Enquanto isso na Barricada, os estudantes são ameaçados pela guarda que já aparece, mas Enjolras encoraja seus amigos e eles aceitam o desafio. Um dos soldados avisa e os aconselha a desistir, pois estão sós. You at the barricades, listen to this! No one is coming to help you to fight! You’re on your own! You have no friends! Give up your guns or die! (Vocês nas barricadas ouçam isso! Ninguém está vindo para ajudá-los na luta! Vocês estão por sua conta! Vocês não têm amigos! Larguem as armas ou morram!). Enjolras devolve com uma resposta digna de um revolucionário. Damn their warnings, damn their lies! They will see the people rise! (Danem-se seus avisos, danem-se suas mentiras! Eles verão o povo se erguer).

Javert finge ser uma pessoa do povo que se voluntariou para ajudar na luta. Infiltra-se bem e diz que há muitos guardas e que o perigo é real. Diz que os inimigos deixarão que eles sintam fome e desistam. Então chega o pequeno Gavroche e acaba com o plano de Javert, denunciando-o. Liar! Good evening, dear Inspector. Lovely evening, my dear. I know this man, my friends, his name’s Inspector Javert. (Mentiroso! Boa noite, querido Inspetor. Linda noite, meu caro. Eu conheço esse homem, meus amigos, seu nome é Inspetor Javert). Javert é preso e fica para o povo decidir o que será feito com ele.

Pequena nota sobre este momento: Javert possui uma “música tema” no momento em que prende Fantine e em algumas outras partes também. Quando ele é preso pelos estudantes essa música retorna contra ele.

Éponine chega à Barricada, mas é gravemente atingida pela guarda. Enquanto morre aos braços de Marius canta “Little Fall of Rain”. Enjolras, para consolar Marius, diz que a morte dela não será em vão.

Valjean se candidata a ser voluntário para a guerra, mas vai vestido com o uniforme da guarda e não é muito bem recebido. Em determinado momento eles mostram a Valjean o que aconteceu com Javert, que estava preso e os dois se assustam. Enjolras deixa que Valjean ajude, mas o adverte: se os atacasse pelas costas ele seria morto.

O Governo faz o primeiro ataque. Valjean é de grande ajuda a eles. Enjolras diz que só o poderá agradecer quando a guerra tiver sido ganha, mas Valjean só pede uma coisa, que ele cuide de Javert. Enjolras permite que ele faça isso.  

Javert espera seu fim, mas Valjean não o executa. Javert o avisa de que ele sempre será um bandido e que continuará o perseguindo, que é melhor para Valjean que o mate, pois Javert acredita que Valjean queira um acordo com ele. Mas Valjean mostra ao antigo policial que ele está errado. You are wrong, and alway have been wrong. I am a man no worse than any man. You are free and there are no conditions, no bargains or petitions. There’s nothing that I blame you for. You’ve done your duty, nothing more (Você está errado, e sempre esteve errado. Eu sou um homem não pior que nenhum outro. Você está livre e não há condições, nenhuma barganha nem petição. Não o culpo por nada. Você cumpriu seu dever, nada mais).  Em seguida Valjean entrega seu endereço e “convida” Javert a ir dá-lhe a lição que merece. If I come out of this alive you will find me at No. 55 Rue Plumet. No doubt our paths will cross again. (Se eu sair disto vivo você me encontrará no número 55 Rua Plumet. Sem dúvida nossos passos se cruzarão de novo). Javert vai embora derrotado.

A noite cai na barricada e os amigos cantam sobre o que está acontecendo e sobre sua amizade, ao tema “Drink With Me”. Um dos momentos mais marcantes dessa canção: Drink with me to days gone by. Can it be you fear to die? Will the world remember you when you fall? Could it be your death means nothing at all? Is your life just one more lie? (Beba comigo pelos dias que passaram. É possível que você tema a morte? O mundo lembrará de você quando morreres? Será que sua morte não signifique nada? Sua vida não é somente mais uma mentira?). Depois todos os revolucionários cantam juntos: Drink with me to days gone by, to the life that used to be, at shrine of friendship never say die. Let the wine of friendship never run dry. Here’s to you and here’s to me. (Beba comigo pelos dias que passaram, pela vida que costumava ser, no santuário da amizade que nunca supõe morrer. Não deixe o vinho da amizade derramar. Aqui para você e aqui para mim). Enquanto isso Marius pensa em Cosette.

Quando todos estão dormindo Valjean reza por Marius em um dos momentos mais bonitos da peça. A oração recebe o nome de “Bring Him Home”. Valjean pede que Marius saia com vida daquela situação. Após o texto colocarei o vídeo da música, pois não tem como explicá-la por aqui.

Chega manhã e os soldados da guarda logo avisam: You at the barricades, listen to this. The people of Paris sleeps in their beds. You have no chance, no chance at all. Why throw your lives away? (Vocês na barricada ouçam isso. O povo de Paris está dormindo em suas camas. Vocês não tem chance nenhuma. Por que desperdiçar suas vidas?). Enjolras e seus companheiros respondem com toda sua honra. Let us die facing our foe. Make them bleed while we can! Make the pay through the nose! Make them pay for every man! Let others rise to take our place until the Earth is free! (Deixem-nos morrer encarando nosso inimigo. Fazê-los sangrar enquanto pudermos. Fazê-los pagar pelo nariz! Fazê-los pagar por todos os homens! Deixem outros tomarem nossos lugares até que a Terra esteja livre). 

Ocorre mais um ataque. Mas dessa vez a Guarda ganha. Matam todos (incluindo o pequeno Gavroche)... Ou quase todos. Enjolras foi um grande líder, que serviu para seus aliados e lutou por suas ideias, por isso deixarei aqui as palavras de sua revolução:

Red the blood of angry man, Black the dark of ages past, Red a world about to dawn, Black the night that ends at last. (Vermelho o sangue o homem bravo, Preto a escuridão das eras passadas, Vermelho um mundo prestes a amanhecer, Preto a noite que finalmente acaba).

Homenagem Aos Poetas Franceses - Arthur Rimbaud

2- Jean-Nicolas Arthur Rimbaud considerado um dos precursores da poesia moderna. É um poeta bastante atípico; produziu toda sua obra – que influenciaria a literatura, música e tantas outras artes – na adolescência. Aos 20 anos já havia abandonado a escrita. 

O Barco Ébrio [Trecho]


Como descesse ao léu nos Rios impassíveis,
Não me sentia mais atado aos sirgadores;
Tomaram-nos por alvo os Índios irascíveis,
Depois de atá-los nus em postes multicores.
Estava indiferente às minhas equipagens,
Fossem trigo flamengo ou algodão inglês.
Quando morreu com a gente a grita dos selvagens,
Pelos Rios segui, liberto desta vez.
No iroso marulhar dessa maré revolta,
Eu, que mais lerdo fui que o cérebro de infantes,
Corria agora! e nem Penínsulas à solta
Sofreram convulsões que fossem mais triunfantes.
A borrasca abençoou minhas manhãs marítimas.
Como uma rolha andei das vagas nos lençóis
Que dizem transportar eternamente as vítimas,
Dez noites sem lembrar o olho mau dos faróis!

Mais doce que ao menino os frutos não maduros,
A água verde estranhou-se em meu madeiro, e então
De azuis manchas de vinho e vômitos escuros
Lavou-me, dispersando a fateixa e o timão.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Homenagem Aos Poetas Franceses -Charles Baudelaire

1- Charles-Pierre Baudelaire foi um poeta boêmio e teórico da arte francesa. É considerado um dos precursores do simbolismo.

Sepultura d'um Poeta Maldito
Se, em noite horrorosa, escura, 
Um cristão, por piedade, 
te conceder sepultura 
Nas ruínas d'alguma herdade, 

As aranhas hão-de armar 
No teu coval suas teias, 
E nele irão procriar 
Víboras e centopeias. 

E sobre a tua cabeça, 
A impedi-la que adormeça. 
- Em constantes comoções, 

Hás-de ouvir lobos uivar, 
Das bruxas o praguejar, 

E os conluios dos ladrões.