quinta-feira, 25 de junho de 2015

Sob a Luz do Luar



“Ninguém está na calçada porque quer”, disse-lhe certa vez uma velha cafetina. E ela em silêncio sorriu pensando que nunca aquela velha enfrentaria um serviço pesado mesmo quando jovem. Porque ela tinha certeza de que a rua era um vício. A lua rompe a janela do quarto ditadora e ordena aos seus filhos que invadam a rua espalhando luxúria por onde passarem. Toda puta é filha da lua, concluía.

Ela observava aqueles personagens analisando-os como um microuniverso independente do macro universo que crescia ao seu redor. As pessoas podiam olhá-los como parasitas da sociedade, mas ela era capaz de jurar que ali havia muito mais a oferecer que nas senhoras distintas que se sentam no fim da tarde diante de sua TV para ver as novelas com olhos inocentes. Olhos inocentes e cabeça perversa. Mulheres como aquelas se masturbavam secretamente pelo vizinho nas suas tardes solitárias. Imaginavam os corpos dos adolescentes sobre os seus enquanto inocentemente liam revistas Marie Claire em suas cadeirinhas de varanda.

A maioria não assume sua perversão vivendo um conflito doentio com seus desejos reprimidos. Nas calçadas, todo desejo é permitido e todo sonho real. Nas calçadas o medo é só mais uma via para o prazer. E o prazer, a morada de toda razão. E ela caminha a observar as frestas das portas, movimentos por trás de cortinas, silhuetas embaçadas nos carros, vultos na escuridão. De vez em quando encara o céu e algumas estrelas piscam seus olhos para ela incentivando a sua caminhada.

Toda noite tem seus sons ainda que tudo esteja calmo. E na praia, o mar lambe a areia. Os serenos se amam nas pedras ao som suave das ondas. A noite tem seus mistérios e ela também. A lua engole os mistérios da noite até encher. Os dela ela guarda por baixo das unhas vermelhas. Todo mistério seduz.

Ela sempre foi meio caminho perigoso e nunca temeu bicho ou a madrugada. Tinha olhos de viela e atraía curiosos personagens que se fascinavam com suas histórias com movimentos pseudo-dramáticos.  Andava pelos becos pouco se importando com os gatos, cachorros, bêbados, mendigos, prostitutas, travestis...

“Ninguém envelhece porque quer”, disse certa vez a uma jovem. E uma cafetina em silêncio sorriu porque tinha certeza de que a rua era um vício. E ela rompia a janela do quarto e invadia a rua espalhando luxúria por onde passasse. A rua é um serviço pesado, concluía. E todo filho da puta deveria ir para lua.

Ela é um daqueles microuniversos parasita que observa a sociedade independente crescendo ao seu redor. As pessoas a analisam no fim da tarde. E ela vira uma espécie de macro universo capaz de oferecer segredos as salas das senhoras distintas. Seus olhos perversos povoam as tardes solitárias dos vizinhos. E o corpo dela é coberto pela imaginação dos adolescentes que inocentemente se masturbam nas cadeirinhas da varanda. Personagem pervertida das novelas de revista.

A maioria dos seus desejos são perversos e conflitantes. Mas a calçada é real. Não permite sonhos e não assume doenças. A calçada troca medo por prazer. É a morada de toda razão. De vez em quando há estrelas nas frestas das portas, e se vai ao céu nos movimentos por trás de cortinas, silhuetas embaçadas nos carros piscam para ela, vultos na escuridão o observam. Ela encara o céu e segue sua caminhada.

Toda noite está calma e tem seus sons vindos da praia. Os serenos lambem a areia. O mar ama nas pedras. A noite tem mistérios vindos das ondas. E ela também engole os mistérios da noite. A lua guarda os dela até encher. Os dela seduzem por baixo das unhas vermelhas. À noite tudo é mistério.

E ela caminha na noite e a lua caminha com ela pelas frestas dos becos, pelas vielas prostituídas, pelos carros em movimentos, pela perversão escura, nos mistérios da luxúria, lambendo adolescente, amando senhoras, enchendo-se de cafetinas, com seus olhos de estrela, seus medos pseudo-dramáticos, seus sonhos prazerosos, manchete de revista, personagem de novela, cadela dos vizinhos, parasita das calçadas, microuniverso doente...
(Waleska Zibetti, in "
Sob a Luz do Luar")

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Cor invisível. Comentário - jornal Estadão.






O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,cor-invisivel,1710073O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,cor-invisivel,17100





73Li um artigo no jornal Estadão, no dia 20 de junho que falava sobre como a sociedade consegue esconder as pessoas através dos uniformes.
De cara eu esbocei meu pensamento, mas precisava finalizar o artigo para poder organizar minhas ideias.
No texto, o psicanalista de 40 anos, F.B.da Costa, fez por alguns uma pesquisa em psicologia social no qual ele precisou trabalhar um tempo como gari, e algumas vezes ia para a faculdade que estudava uniformizado e ninguém o reconhecia, ou fazia questão de não reconhece-lo, como afirmava o médico.
Questionou também o uso de uniforme branco obrigatório das babás no Clube Pinheiros.

Agora eu preciso entender qual é o problema da pessoa, qualquer pessoa, estar uniformizada? Me desculpa, mas se alguém usa o uniforme e se deixa ser invisível é porque se sente assim. Minha mãe é diarista, muitos aqui não fazem ideia desse fato, pensam que sou burguesinha, longe disso. Minha mãe falou que odeia ir trabalhar de roupa própria por vários motivos e que vai mandar fazer um "uniforme" para ser identificada e evitar de gastar peças de roupa pessoal, que muito das vezes ela usa para sair.
Eu por exemplo, odiei passar meu tempo de experiência usando roupas que pouco tenho. Não via a hora do uniforme chegar para me poupar das inúmeras lavagens de peças e também me sentir mais parte da empresa. Identificada.
Tudo bem que meu trabalho não pode ser comparado com o de garis, babás, garçons, etc, mas achei a visão deste doutor um tanto dramática.
O uniforme nada mais é que uma identificação. Em algumas vezes pode até nos salvar, acredite.

Deixo o link da matéria para aqueles que tiverem interesse em se aprofundar no assunto de hoje.
Deixe sua opinião.
O uso do uniforme é uma capa de invisibilidade e desprezo?

Matéria completa

terça-feira, 23 de junho de 2015

Billy Elliot



Se você quer ver um filme para quem gosta de arte, para quem se emociona com superação e não tem vergonha de chorar diante da telinha assista "Billy Elliot" produção britânica de 2000. 


A história narra a vida de um menino de 11 anos filho de um mineiro de carvão numa pequena e fictícia cidade de interior que decide ser bailarino indo de encontro a todos os preconceitos. É empolgante ver o herói da trama superando-se para atingir seu objetivo. 

Este filme que marca a estréia na direção do renomado diretor de teatro britânico Stephen Daldry (que ficou internacionalmente famoso pelo filme "As Horas" anos mais tarde) é simplesmente imperdível!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Prelúdio ao pós vida, uma ode ao Suicídio (Veronika Decide Morrer)

Paris, Alguma data de algum mês de um ano qualquer!

Para quem interessar possa, que se sinta querido.


O que está no universo dos sentimentos a gente resolve na palavra e não na força física. Talvez seja isso que me falte: a doce consolação para os chamados tormentos da vida e da alma e a força para não desistir de uma vez dessa era.
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48418 © Luso-Poemas
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48418 © Luso-Poemas
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48418 © Luso-Poemas
É pesado, tenho certeza de que há caminhos pelos quais passarei para recomeçar ciclos evolutivos. 
Não posso fazer ninguém passar por isso... É que constatei que tive a oportunidade de receber a felicidade maior possível, mas, a tristeza me pegou e me depreciou. 
É fato constatado que não tenho mais fé, autoconfiança e minhas forças se esvaíram sem lutar.
Sem mim vocês poderão sorrir, vocês poderão ser grandes, vocês podem ter a liberdade tão quista, vocês podem ser autênticos... E você vai, eu sei que sim.
Vocês tem sido inteiramente pacientes, mesmo quando não acreditava em mais nada, nem mesmo em mim e tenho a absoluta certeza de que se alguém pudesse me salvar teria sido algum de vocês ou Ele.
Não quero ter a sensação de estar estragando a vida de alguém, de estar tornando alguém triste com a minha tristeza ambulante que me tornei.
Depressão é algo sério, algo contínuo, algo complexo. 
É estar sempre desacreditado e desapontado consigo mesmo é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem razão aparente - as razões têm essa mania de serem discretas, mas, principalmente é encontrar-se em becos escuros sombrios e tortuosos dos nossos sentimentos mais absurdos que estão em nosso interior.
Tudo está escuro...entrei na floresta encantada da escravidão...

- Onde estão as falsas estrelas, que fazem parte dela... a luz...?
Sinto-me morrer...Ou quero morrer ?
Adeus
B.

domingo, 21 de junho de 2015

Solidão


Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio, quando quer
nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer
Nos mostrar a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
Nos mostrar a importância da vida.
Paulo Coelho

sábado, 20 de junho de 2015

VERONIKA DECIDE MORRER



Resenha por Gabriella Gilmore



Como seria você acordar um dia decidida a tirar sua vida? 
Você teria motivos suficientes para tal ato?
Será que existe mesmo uma razão aceitável para isso? Sem que sua morte não seja vista como loucura ou até mesmo o culpar aos pais ou pessoas próximas que em nada tem haver com sua decisão de deixar um mundo que não mais lhe fazia sentido?
Bom, no dia 11 de novembro de 1997, Veronika decidiu que já era o seu momento.
Mas como faze-lo sem que seus entes queridos não se sentissem culpados? Isso já era um motivo para preocupação.
Só de pensar que sua vida virou uma rotina, que depois que a juventude passa tudo tende à decadência, velhice chegando, amigos partindo, continuar vivendo não era lá grandes coisas. Na verdade, o risco para sofrimentos eram maiores.
E viver num mundo que cada vez que passa se torna mais incorrigível, era totalmente frustrante.
Já que não podemos escolher nascer, pelo menos dar cabo a vida quando assim sentimos que já "fizemos" o que deveríamos fazer na terra, não seria lá um pecado mortal, seria? Se temos o "livre arbítrio", isso significa que podemos sair de cena quando acharmos melhor e pronto.
Nossa amiga simplesmente pega suas quatro caixas de remédios para dormir e calmamente vai tomando um a um.
Ela acorda em Villete, um asilo de loucos.
Nossa personagem nos faz pensar sobre questões religiosas que às vezes nos permeia, como se realmente Deus existe, sobre o tabu do suicídio, sobre a luta do homem para sobreviver e não se entregar e ela até ousa em voltar lá no paraíso de Adão e Eva.
Você ri com sua ousadia em enfrentar certos temas com uma fúria doce e no decorrer da história você só quer entender a fundo os reais motivos que leva o ser humano a tais atos.
No hospício você depara com depoimentos de Mari, uma paciente de síndrome de pânico e Edward, o artista esquizofrênico.
No final você percebe que todos nós somos loucos, e mais loucos ainda em não assumir nossa loucura e o amor é o maior delas.

Livro disponível também em filme, tendo como protagonista a atriz americana Sarah Michelle Geller.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Nunca haverá outro Christopher Lee

Ele realmente era o mais gentil e generoso dos homens.
Eu sempre disse que ele morreu porque ele era bom demais para este mundo.

Sir Lee Crhistopher sobre Peter Cushing Obe
É parafraseando um dos maiores diretores do cinema (Peter Jackson) que deixo a homenagem ao ícone que nos deixa na lucidez dos seus 93 anos.
Sir. Christopher Lee, como era respeitosamente conhecido, era dono de papeis que marcaram a história dos seus quase 70 anos de atuação. Nascido em 27 de maio de 1922,  Christopher Frank Carandini Lee  começou sua carreira no teatro, desde cedo dedicando-se a papéis de malfeitores. Seu primeiro personagem foi Rumpelstiltskin, antagonista do conto homônimo dos Irmãos Grimm.
Formado em literatura clássica, Lee perseguiu seu interesse na atuação até que se voluntariou para lutar contra os soviéticos na Guerra de Inverno, do lado dos finlandeses, em 1939. Na sequência, serviu como oficial de inteligência para os britânicos na Força Aérea Real durante a Segunda Guerra Mundial.
Passada a guerra Sir Lee, pode dedicar-se à sua carreira. Sua sorte começou a mudar quando assinou contrato com a nascente Hammer Films, empresa que se tornaria sinônimo de filmes de horror pelas próximas duas décadas. Foi como uma criatura famosa que o ator destacou-se e é lembrado até hoje: Drácula. Na companhia, o senhor dos vampiros foi vivido por Lee em um filme de 1958, depois em 1965, 1968, 1969 e 1970.


Em 1973, Lee interpretou o antagonista de um de seus filmes favoritos,  O Homem de Palha, longa-metragem que o diretor do original, Robin Hardy, está reinventando com o ator novamente no centro da trama. Na mesma década, também viveu um dos mais antológicos vilões de James BondFrancisco Scaramanga, o Homem da Pistola de Ouro.
Mas na última década Lee se consagrou como excelente ator que é em 3 das maiores produções do chamado mundo Geek O Lorde Sith Conde Dookan em Star Wars II e III, o Mago Saruman em o Hobbit e Senhor dos Anéis.
Lee também enveredou pelos caminhos do Heavy Metal e participou de álbuns da Manowar e discos conceituais da Rhapsody of Fire.



Ao nosso mestre Que a Força esteja com você e que na Terra Média os Elfos te receba cantando as suas glórias!
Rest in Peace!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Eu, Clarice Lispector.



Seria destino, o nome disso?

Um dia desses, postei no meu blog em inglês um texto sobre Clarice.
O número de visitas foi tão interessante que resolvi postá-lo em português no meu Introspectors.
Lá, eu comentava sobre meu livro que estava lançando, e como conheci Lispector. Realmente ela é famosa lá fora e suas frases passam de “mãos em mãos”.
Uma vez twittei uma de suas frases para a Jéssica Origliasso da banda The Verônicas e ela retwittou.
Sim, Clarice toca no coração de todas as raças, em pessoas com diversos gostos e afins. Clarice fala a língua do 'P'. P de perfeito. Clarice fala do simples, do despercebido, do momento que deixamos passar. Ela pega tudo isso e faz poesia. Quem consegue fazer isso? Quem é ela? Que coisa, não? Ela é ou não é? Ela sempre será!
Minha relação com Lispector é curiosa porque só fui parar para ler seus trabalhos depois de ter lido um comentário lá no Recanto das Letras na qual dizia que a minha forma de escrever lembrava Clarice.
“Clarice quem? Ah, aquela escritora falecida brasileira. Sim, eu ouvi falar dela na época da escola.”
Corri na biblioteca mais próxima e peguei o livro “Perto do coração selvagem”. Me perdi. É, eu me perdi. Mas depois me encontrei e se hoje sei quem sou, eu agradeço a Clarice Lispector.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

CASA ARRUMADA

 
CASA ARRUMADA É ASSIM: UM LUGAR ORGANIZADO, LIMPO, COM ESPAÇO LIVRE PRA CIRCULAÇÃO E UMA BOA ENTRADA DE LUZ.
MAS CASA, PRA MIM, TEM QUE SER CASA E NÃO UM CENTRO CIRÚRGICO, UM CENÁRIO DE NOVELA.
TEM GENTE QUE GASTA MUITO TEMPO LIMPANDO, ESTERELIZANDO, AJEITANDO OS MÓVEIS, AFOFANDO AS ALMOFADAS...
NÃO, EU PREFIRO VIVER NUMA CASA ONDE EU BATO O OLHO E PERCEBO LOGO: AQUI TEM VIDA...
CASA COM VIDA, PRA MIM, É AQUELA EM QUE OS LIVROS SAEM DAS PRATELEIRAS E OS ENFEITES BRINCAM DE TROCAR DE LUGAR.
CASA COM VIDA TEM FOGÃO GASTO PELO USO, PELO ABUSO DAS REFEIÇÕES FARTAS, QUE CHAMAM TODO MUNDO PRA MESA DA COZINHA.
SOFÁ SEM MANCHA? TAPETE SEM FIO PUXADO? MESA SEM MARCA DE COPO? TÁ NA CARA QUE É CASA SEM FESTA.
E SE O PISO NÃO TEM ARRANHÃO, É PORQUE ALI NINGUÉM DANÇA.
CASA COM VIDA, PRA MIM, TEM BANHEIRO COM VAPOR PERFUMADO NO MEIO DA TARDE.
TEM GAVETA DE ENTULHO, DAQUELAS QUE A GENTE GUARDA BARBANTE, PASSAPORTE E VELA DE ANIVERSÁRIO,TUDO JUNTO...

CASA COM VIDA É AQUELA EM QUE A GENTE ENTRA E SE SENTE BEM VINDA.
A QUE ESTÁ SEMPRE PRONTA PROS AMIGOS, PROS NETOS, PROS VIZINHOS...
E NOS QUARTOS, SE POSSÍVEL, TEM LENÇÓIS REVIRADOS POR GENTE QUE BRINCA OU NAMORA A QUALQUER HORA DO DIA.
CASA COM VIDA É AQUELA QUE A GENTE ARRUMA PRA FICAR COM A CARA DA GENTE.
ARRUME A SUA CASA TODOS OS DIAS...
MAS ARRUME DE UM JEITO QUE LHE SOBRE TEMPO PRA VIVER NELA...
E RECONHECER NELA O SEU LUGAR.
 
Este texto foi atribuído erroneamente ao mestre Carlos Drummond de Andrade na verdade pertence a Lena Gino
 
Até o próximo texto
Au Revoir 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Pensando com Jung


Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade. Se um homem não sabe o que uma coisa é, já é um avanço do conhecimento saber o que ela não é. Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro. O ego é dotado de um poder, de uma força criativa, conquista tardia da humanidade, a que chamamos vontade. Quando pensamos, fazêmo-lo com o fim de julgar ou chegar a uma conclusão; quando sentimos, é para atribuir um valor pessoal a qualquer coisa que fazemos. Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos. Aquilo a que você resiste, persiste. Até onde conseguimos discernir, o único
propósito da existência humana é acender
uma luz na escuridão da mera existência. O que não enfrentamos em nós mesmos acabaremos encontrando como destino.

Sonhos são realizações de desejos ocultos e são ferramenta que busca equilíbrio pela compensação. É o meio de comunicação do inconsciente com o consciente.

Carl Gustav Jung nasceu em 1875, na Suíça. Religiosa, sua família influenciou bastante na psicologia que seria desenvolvida pelo psicólogo, e também levando Carl a procurar leituras sobre filosofia e religião desde cedo.