quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Em resposta: A Sociedade e o amor Romântico. Será que estamos preparados para a vida afetiva?



“É injusto, doloroso e insuportável assistir a um amor que foi tudo se tornar nada”. (Gabriella Lima)

É Gabi, infelizmente vivemos numa sociedade em que tem lemas do tipo: - Tá ruim, larga ele(a) e corre atrás do que te faz bem!
Relacionamentos são sim vias de mão dupla e uma dose do chamado ceder. Não entrarei nos méritos religiosos da coisa até porque, nas relações cada um sabe das suas crenças e o que une duas pessoas é o amor e a vontade de permanecerem juntos. 
Felizmente , nos dias atuais , casar deixou de ser uma obrigação social e um meio de sobrevivência principalmente para as mulheres. Só que vivemos um momento em que as pessoas se tornaram donas da sua própria órbita e esquecem que pequenas atitudes, expectativas diretas e/ou indiretas magoam dia após dia. Muitas pessoas dizem que o romantismo acabou. Talvez não. Talvez esse seja o momento do clube dos corações românticos que não se entende nem na hora de escolher a pizza do fim de semana. (Piada Interna)

Mas voltando ao que interessa, e mesmo nos dias de hoje , embora existam ainda casamentos dos mais diversos tipos (civil, religioso ou até o populacho juntar as escovas de dentes) as pessoas casam por que acreditam, se relacionam por que acreditam que ali há uma "coisa" maravilhosa. Mas por faltar o diálogo, os medos são crescentes (Prazer, senhora medo ambulante - do abandono, da rejeição e do descarte!), algumas prioridades são denominadas maiores do que estar ali, maiores do que resolver uma rusga, um incômodo, maiores do que virar pro outro lado e dormir deixando situações cotidianas sem ser resolvidas e pasmem mesmo que você durma no dia seguinte a situação parece maior do que o dia anterior.

Outro dia li uma matéria que falava justamente sobre o que sabemos sobre o amor. Ela citou algo que me fez pensar e trazer um flashback a minha pequena cabecinha: "No dia a dia muita gente desiste da vida por pequenas dificuldades. As pessoas não têm muita paciência, não gostam de ouvir, não tem tempo pra se dedicar. Me refiro, principalmente, aos relacionamentos amorosos. A impressão é a de que sabemos tudo sobre o amor, mas na hora de praticar falta um "plus". E isso é o grande diferencial em romances duradouros."
Lendo isso só fez confirmar a minha tosca teoria de que amor é capaz de transformar, superar, suportar, perdoar, cativar e manter vivo. Ora, ora, ora, relacionamento e casamento é rotina ; é partilha ; é comunhão de problemas , obrigações chatas, fazer a social quando se quer ficar enfurnado em um canto qualquer , crises existenciais ; grana curta e neuroses de todos os tipos. Estamos desapontando e sendo desapontados constantemente. Estamos sempre fazendo uma burrada por insegurança. Nem sempre ouvimos a resposta que gostaríamos ou recebemos aquele mega elogio por um novo corte de cabelo. Mas no fim das contas se dialogamos tudo vale a pena. 

Se desistirmos de cada compromisso por motivos banais ou até mesmo idiotas, provavelmente , nunca conseguiremos construir uma relação duradoura. Amar vai muito além da emoção. Amor é compaixão. Amar vai muito além da paixão. Amor é comunhão. Amar vai muito além do momento, do aqui agora; amor é construção. 
Ai pergunto a você através desse título "Será que estamos preparados para a vida afetiva?" 
 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A Catástrofe Esquizóide da Vida Pós-Moderna


Num mundo de rótulos
Quem você é?
Quem sou eu?
É comum parar procurar-se
no espelho do quarto
no reflexo dos carros
nos rostos que passam

Mascarados...
Tudo é máscara!

Professora pela manhã
Mãe à tarde
E a noite... 
A noite tudo é escuro
buraco profundo
oculto da vida
O cu do mundo

O íntimo...

Ninguém gravado na lembrança
nos ouvidos
nos sonhos

hetero
útero
homo
estéril

Bi...

bilateral
bilíngue
bifocal
bifurcada
bivolt

E surge a cada minuto 
um novo rótulo
ou um novo eu?

novo nome...

Ana Carolina
Maria Joaquina
Pedro Paulo
João

Ninguém fica...
Escoam pela fresta da porta

Vadios
santos
loucos
escrotos
nesses rótulos quem é você?

Quem sou eu?

Me procuro no olhar do outro
da outra
que não vejo 
que não me vê
que me suporta

que me devora...
a carne
a palavra
a ideia

Ninguém é o que diz
ninguém diz quem é
qual rótulo é o seu?

Qual rótulo você me deu?...
(Waleska Zibetti,in "A Catástrofe Esquizóide da Vida Pós-Moderna")

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Optei por não ter filhos - E agora?


por Gabriella Gilmore




Bom dia pessoal do #CLV!
Hoje vou escrever novamente sobre a imposição da sociedade sobre nós mulheres quanto ao casamento e afins.
Quem ainda não leu o texto “Solteiras sim, por que não?” E “A sociedade e o amor romântico” está esperando o quê? Um tema puxa o outro.
Volto a afirmar que não sou perita no assunto, apenas exponho minha opinião.




Sou uma pessoa muito observadora, às vezes chego a ser invasiva quando estou tendo algum papo sério com alguém. Acontece que não consigo falar apenas sobre coisas fúteis, como shampoos, homens bonitos e o sapato novo que alguém comprou. Por que vocês sabem como são as mulheres. Só sabem falar do outro. AFF!
Eu gosto de falar de mim e de ouvir o que o outro quer falar sobre ele mesmo. Papo flui, papo rende. Você não faz fofocas e ainda se torna uma pessoa mais agradável.
Anyways...
Tenho algumas amigas casadas, algumas até com mais de 10 anos. Apesar de não terem filhos, algumas ainda estão curtindo a “lua de mel”, outras se preparando espiritualmente e financeiramente para ter um bebê e outras simplesmente optaram por não serem mães. Você vê algum problema nisso? Eu não. Porém a sociedade podre sim.
Eu sou tão crítica que chego a ser nojenta até comigo mesma, e ontem eu falava algo sobre isso com meu diretor (relacionado à sociedade) que ele me jogou uma bomba no colo: A sociedade somos nós.
Voltando ao assunto ter filhos ou não, primeiramente preciso que entendam que o corpo é seu, somente seu, e que essa decisão só cabe a você e ao seu marido. O resto pode explodir. Desde que começamos a namorar somos bombardeados com preceitos. O pior é quando nos sentimos mal com alguns deles. Já presenciei muito casamento ter sido concretizado apenas porque o casal passava dos “45654637” anos de namoro. Já vi casamento acontecer porque arrumaram filhos “antes da hora”. Já vi casamento montado por mães ambiciosas que praticamente venderam suas filhas. E por ai vai... Casamento assim dá certo?
Se nós somos a sociedade, porque nos sujeitamos a coisas tão calculadas e frias assim?
Se por acaso você continua se sentindo inferior só porque se casou e não teve filhos e formação acadêmica como suas amigas, sente-se no sofá e vá comer fandangos assistindo filmes censurados com o esposo sem medo de ser feliz.
Suas amigas tiveram escolhas assim como você teve as suas então pare de choramingar.
Já parou para pensar que sossego deve ser você poder sair com o maridão sempre que quiser sem se preocupar em deixar o filhote com alguém? Ou poder dormir tranquilamente sem se preocupar em alimentar o bebê no meio da madrugada? Sem esquecer de que filhos roubarão noites de sono por toda a vida, hein? E o melhor, ser tia é muuuito mais legal que ter a preocupação de ser mãe. Você sempre será a boazinha, nunca a vilã! Rs.
Não estou fazendo apologia para as mulheres não serem mães, só quero que entendam que há tempo para tudo. Há todo tipo de casal, com filhos ou não. Felizes ou não.

O importante é você estar bem resolvida nas suas escolhas, e se por ventura há algo que lhe incomode, não deixe para resolver amanhã. O ser humano tem mania de sofrer por antecipação. Nunca se esqueça de que o futuro não nos pertence. Viva o agora. Contemple sua relação hoje, o amanhã será consequência.

domingo, 2 de agosto de 2015

A maior dor humana

Que imensas agonias se formaram
sob os olhos de Deus! Sinistra hora
em que o homem surgiu! Que negra aurora,
que amargas condições o escravizaram!

As mãos, que um filho amado amortalharam,
erguidas buscam Deus. A Fé implora...
E o céu, que respondeu? As mãos baixaram
para abraçar a filha morta agora.

Depois um pai em trevas vai sonhando,
e apalpa as sombras deles onde os viu
nascer, florir, morrer! Desastre infando!

Ao teu abismo, pai, não vão confortos...
És coração que a dor empederniu,
sepulcro vivo de dois filhos mortos. 

(Camilo Castelo Branco)

sábado, 1 de agosto de 2015

O Príncipe: Nicolau Maquiavel




O livro de Maquiavel O Príncipe é a maior de todas as obras políticas. Maquiavel trata nesse livro de como chegar ao poder e (o mais importante) como manter-se nele.

O Príncipe é escrito para Lorenzo Médici, o Magnífico, que na época era o líder (“governador”) da província de Florença. Maquiavel possuía certo fascínio pela família Médici então, em seu exílio, escreve o livro e dedica a Lorenzo. Contudo, o líder de Florença ignora a obra. Mas a grande motivação do livro era a Unificação da Itália. Maquiavel pretendia ver a Itália como um Estado-Nacional. Ele acreditava que o Estado unificado se torna mais forte e ele estava certo.

O livro segue seus capítulos servindo-se como um manual. Como a Bíblia é para o povo um manual de conduta moral, O Príncipe é um manual da vida política. Maquiavel cria com este livro a Política Realista, que se opõe a Política de Platão.

Platão acreditava num mundo de homens bons onde esses mesmos homens fariam a política sem interesses próprios, visando sempre o interesse coletivo. Maquiavel mostra que os homens (pelo menos no sentido político) têm instintos maus, não só aqueles que governam como também é mau o povo.  A Política Realista vai muito mais à essência humana. Os homens buscam sempre ganhar. Vemos um exemplo nos tempos atuais. Quando um amigo nosso diz, mesmo que brincando, que vai candidatar-se a um cargo político a primeira coisa que dizemos é “não se esqueça de mim”. Maquiavel, então, mostra o quão somos corruptíveis a ponto de nos aliarmos a qualquer um que nos beneficie.

O texto refere-se ao mundo medieval. Refere-se às guerras, às tomadas de poder brutais, às nações e castelos etc. Contudo, mesmo com esses aspectos, o livro continua extremamente atual. Um livro que serve para quem quer subir na vida como um líder ou como um general. Que mostra pontos fortes e fracos em defesas e ataques. Mostra como se manter no poder de uma forma medieval, porém eficaz, inteligente e utilizada até hoje.

Direi aqui sobre algumas ideias que o livro apresenta. O livro é composto além de tudo por exemplos que Maquiavel usa para ilustrar e mostrar como seu ponto de vista é o mais correto (sejam exemplos de sucesso ou de profunda derrota). Com o tempo a leitura do livro nos leva a entender como as coisas funcionam nas “mentes poderosas” e ganhamos uma nova ideia de como agir em nossas vidas mesmo sem pertencer à política.

Uma dessas ideias é a de sempre se manter junto de seus aliados (amigos). Maquiavel diz que devemos defender nossos amigos, pois quando precisarmos eles farão o mesmo por nós. Mesmo ele dizendo isso para sinalizar que um governante deve contar com seus aliados, há também uma forma mais social envolvida.

Outra ideia é que de todos os males que deve ser causado a uma pessoa devem ser causados de uma só vez, e as coisas boas devem ser aos poucos. Assim a pessoas se esquecerá o que foi feito de mal, pois sempre será recompensado com algo bom. É, amigos, algo como “Entregue suas empresas estatais e forneça-os um novo sistema monetário...” ou “Acabe com o PIB nacional e dê-lhes uma esmola mensal”. Lembraram de algo? Contudo, o autor alerta que um líder, caso faça coisas que o povo não concorde. cairá e o povo tem o poder de escolher um novo líder.

Continuando. Maquiavel é bastante claro quando diz que um líder deve ser temido ao invés de amado. A questão é simples. Um líder amado, por mais que tenha o gosto de seu povo, caso ele caia os servos não se verão obrigados a ajudá-lo a se reerguer, pois sempre fora um líder bom e amável, não oferecendo temor ao povo. Já aquele que é temido se cair, seu povo se verá obrigado a ajudá-lo ao retorno ao poder, pois este se sozinho conseguir voltar se vingará do povo com castigos, prisões e torturas. Contudo o líder deve ser sábio e não apenas digno de temor, pois caso chegue algum estrangeiro que queira seu posto e agrade mais o povo, o povo tirará o líder de seu posto.

Darei dois exemplos que vão muito mais para o nosso cotidiano. O primeiro é de uma classe de escola, cuja possui um líder. Caso ele seja um líder omisso, que não se atente para os pedidos dos colegas alguém irá derrubá-lo, usando os outros alunos para se voltarem contra ele. O segundo exemplo é mais relacionado à política. Um partido chega ao poder, prometendo mil vantagens e melhorias ao povo, com o tempo no poder esse partido começa a cair em desgraça e surge então o estrangeiro (outro partido), este começa a levantar a voz do povo começa a infernizar o partido mandante. Com o tempo o estrangeiro consegue apoio o suficiente para tirar o príncipe (primeiro partido) do poder.

Outro aspecto do livro deu ao mundo uma frase que ficou marcante: Os fins justificam os meios. Vale ressaltar que Maquiavel nunca disse essa frase, ela foi atribuída a ele por causa de seu pensamento. De fato para Maquiavel não importa como chegar, tem que chegar. Para chegar ao poder vale tudo (matar, torturar, mentir, roubar etc.) e isso é mais uma verdade. Todos os que querem ter algum tipo de poder na vida utilizam, em algum momento, de algum artifício cruel e terrível, seja pagar para nos elegerem, seja explorar a fé alheia, seja como for, aquele que está interessado em chegar ao poder fará de tudo para chegar nele.

Ele trabalha muito, também, a questão da virtú e fortuna. Explicar-lhes-ei os dois termos. Primeiro o mais simples: fortuna. Neste caso fortuna não se refere a dinheiro, refere-se a sorte em italiano.

Virtú é um termo mais ligado a filosofia. Seria algo como virtude, mas não só isso. A virtú nesse caso é a astúcia, inteligência, percepção do momento, capacidade de domínio dos anseios populares e da nobreza. A virtú é a capacidade suprema de Líder como tal. Além de tudo virtú é a honra do príncipe.

Para Maquiavel o líder nato não deve contar sempre com a fortuna e sim com sua virtú. O motivo é claro e simples: Não se pode domar a sorte, ninguém faz isso, já a virtú pode ser aperfeiçoada. O príncipe (líder) que se apóia firme e somente à fortuna cairá de forma tão forte que não haverá chances de retornar ao poder. Uma dica que o próprio Maquiavel dá aos futuros líderes é de que a base de um príncipe é o seu povo, pois o povo tem a capacidade de ajudá-lo a cair ou a se levantar.

Um líder deve sempre estar atento às confusões. Um bom líder não pode, em hipótese alguma, deixar surgir em seu reino a desordem nem evitar guerras, muito menos deixar surgir desordens para evitar guerras. Porque quanto mais se adia uma guerra mais perdida ela se torna para quem a adiou.

Nem sempre conseguimos aquilo que queremos (principalmente sucessores), por isso Maquiavel dá outra dica. Se não podemos fazer que alguém que queremos entre no poder, então eliminemos quem não queremos. Destruamos aqueles que não achamos dignos de nos dar continuidade. Este é uma das mais importantes e geniais dicas de Maquiavel.

Aliados são bons, mas depende de quem eles são (ou pensam que são). Aliar-se a figurões, magnatas, detentores de capital, pessoas que em algum momento já tiveram poder não é uma boa ideia, pois estes acreditarão que são iguais a você e quererão dividir o poder. A não ser que tenhamos a frieza de nos livrar daqueles que já não nos servem mais, não é bom manter-se com ele. Não é bom nem aliar-se a eles.

A obra se estende de forma divina e magistral ensinando a todos que quiserem como se faz para governar. Ensinando-nos a sermos verdadeiros imperadores. Digo-lhes também que Napoleão foi um dos seguidores de Maquiavel. Como achavam que Napoleão foi o general que foi? Convido a todos para lerem O Príncipe. Convido a todos a se tornarem Líderes perfeitos.

“É necessário ser príncipe para conhecer perfeitamente a natureza do povo, e pertencer ao povo para conhecer a natureza dos príncipes.”

(Nicolau Maquiavel, O Príncipe)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Paulo Leminski, in “Quarenta Clics em Curitiba”, 1976.



“Uma vida é curta
para  mais de um sonho”
(Paulo Leminski, in “Quarenta Clics em Curitiba”)

A vida é curta para pôr tudo em prática. Todas essas vontades que nos surgem a cada amanhecer. Mas se a vida é curta, porque desperdiçamos tanto com raiva, orgulho, ciúmes...? A vida é curta e sonhar é bom. E toda vez que eu sonho a vida se estreita, mas nem me dou conta porque sonhar me alonga, me amplia. Sinto que vou além da vida.

“Fechamos o corpo 
como quem fecha um livro 
por já sabê-lo de cor.”
(Paulo Leminski, in “Quarenta Clics em Curitiba”)

Conheço meu corpo, mas não minha alma. Estou pronta para me despedir do meu corpo e atingir o infinito que minha alma pode alcançar. O corpo é passageiro, a alma eterna. O desapego do corpo pela alma, para mim, é a aproximação com o divino.

“Só mesmo um velho 
para descobrir, 
detrás de uma pedra, 
toda a primavera.”
(Paulo Leminski, in “Quarenta Clics em Curitiba”)

Os olhos experientes tiram das adversidades, os mais profundos ensinamentos, as mais raras belezas. Os olhos experientes encaram a chegada do amanhã com mais paixão, porque aprenderam que cada amanhecer é único e uma nova oportunidade. Uma bênção de Deus. 

“Hesitei horas 
antes de matar o bicho. 
Afinal, 
era um bicho como eu, 
com direitos, 
com deveres. 
E, sobretudo, 
incapaz de matar um bicho, 
como eu.”
(Paulo Leminski, in “Quarenta Clics em Curitiba”)

Ah, se todos em posição privilegiada entendessem que os menos privilegiados são criaturas de Deus. E que, por tanto, deveriam ter ao menos o direito ao mesmo respeito. Somos todos iguais aos olhos de Deus. E não é esse o olhar mais importante?

“os dentes afiados da vida
preferem a carne
na mais tenra infância
quando
as mordidas doem mais
e deixam cicatrizes indeléveis
quando 
o sabor da carne
ainda não foi estragado
pela salmora do dia a dia”
(Paulo Leminski, in “Quarenta Clics em Curitiba”)

Hoje avalio bem as escolhas antes de fazê-las. Aprendi que a vida é uma tutora exigente. Se errar a lição, o castigo pode durar uma vida inteira.

“O olho da rua vê
o que não vê o seu.
Você, vendo os outros, 
pensa que sou eu?
Ou tudo que teu olho vê
você pensa que é você?”
(Paulo Leminski, in “Quarenta Clics em Curitiba”)

Estamos sempre pondo no outro a culpa dos nossos desencontros e desgostos. Hoje entendo que o que me incomoda no outro, muitas vezes, é o pedaço que há nele que o iguala a mim.

“Depois de hoje
a vida não vai mais ser a mesma
a menos que eu insista em me enganar
aliás
depois de ontem
também foi assim
anteontem
antes
amanhã!
(Paulo Leminski, in “Quarenta Clics em Curitiba”)

Quanto foi que o tempo voltou atrás? Tudo muda a todo o momento. Sou agora uma mulher completamente estranha para a mulher que era a um ano atrás. É emocional, psicológico, intrínseco. Como tudo passou tão rápido e eu não vi?

“quem é vivo
aparece sempre
no momento errado
para dizer presente
onde não foi chamado”
(Paulo Leminski, in “Quarenta Clics em Curitiba”)

Acho que o máximo da elegância é marcar data e hora para chegar. E nunca atrasar ou adiantar. Atrasar quebra a expectativa. Adiantar estrada a organização das boas vindas. 

“Achar
a por ta que esqueceram de fechar.
O beco com saída.
A porta sem chave.
A vida.”
(Paulo Leminski, in “Quarenta Clics em Curitiba”)

Nada me incomoda mais que uma chave sem porta. Olho para ela como quem encara a velha solitária sentada na praça esquecida de tudo. Talvez o que realmente me incomode são as velhas na praça. Penso nelas como se reflexo do meu futuro. Só que com um pouco menos de rock and roll.
(Waleska Zibetti)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Inutilidade (Correio feminino) Clarice

Este será o último post do mês de julho, referente a sessão Correio Feminino de Clarice Lispector.
Já estou sentindo saudades.
Clarice foi uma mulher apaixonante, muito cheia de conselhos para passar adiante e uma mulher de muita cultura. Espero que tenham gostado desse pequeno resgate dos pensamentos femininos de uma moça sabichona dos anos 40/50.



Quando Fazemos tudo para que nos amem... e não conseguimos, resta-nos um último recurso, não fazer mais nada. Por isto digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado... melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram.
Não façamos esforços inúteis, pois o amor nasce ou não espontaneamente, mas nunca por força de imposição.
Às vezes é inútil esforçar-se demais... nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende a nossos pés.
Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido.
Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer.
Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor e falhado, resta-nos um só caminho: o de nada mais fazer.


Clarice faleceu em dezembro de 1977, aos 56 anos de adenocarcinoma de ovário.



quarta-feira, 29 de julho de 2015

Desprezo


Esta alma que insultaste se revolta!
Em sua viuvez erma e vazia
Nem sombra guardará de tua imagem
Tanto amor que por ti ela sentia.
Não há de lhe arrancar, nem mais um canto,
Que não seja apagado por meu pranto.

Como a flor a beleza loga murcha;
A tua há de murchar em poucos anos;
Quando a ruga da face anunciar-te
Da velhice aos tristes desenganos
Quando de ti já todos esquecidos
Nem te olharem, meus versos serão lidos.

Talvez um dia o mundo caprichoso
Procure, nobre dama, algum vestígio
Da mulher que meus livros inspirava;
Não achará porém de teu fastígio,
Senão traços de lágrima perdida
Arcano d'uma dor desconhecida.

O tempo não respeita altiva fronte
A riqueza, o brazão, tudo consome.
Um dia serás pó e nada mais;
Ninguém se lembrará nem de teu nome;
Mas para que de ti reste a memória,
Mulher, no meu desprezo eu dou-te a glória.
 (José de Alencar)

terça-feira, 28 de julho de 2015

O Poder do Estado: A Esquerda e a Direita



O mundo hoje em dia (principalmente o Brasil) discuti suas posições políticas: Esquerda ou Direita. Isso acontece a mais de 21 séculos, essa ideia de Direita e Esquerda é extremamente discutida com diversas formas e nomes através da história. O problema é que as duas partes estão começando a se fundir e o povo mundial não percebe isso.

Antes de continuar devo alertá-los para um ponto primordial para se chegar a algum lugar: Nem toda Esquerda é Socialista. Ultimamente todas as pessoas que se dizem “esquerdistas” são julgadas como socialistas, isso é um erro. Voltemos na história para quando é criado a ideia de Esquerda e Direita. À direita do Rei, na revolução francesa, sentavam-se os burgueses e nobres. À esquerda do Rei sentavam-se os defensores da plebe e liberais. Ou seja, a Direita representaria a Elite e a Esquerda representaria o Povo. Após os anos os Socialistas e Comunistas se aliaram (justa e ideologicamente) a Esquerda, e os mais conservadores se filiaram a Direita.

O pensamento “esquerdista” é um pensamento muito mais voltado para o social, valorizando o povo, dando a ele direitos e seguranças. Já o pensamento “direitista” valorizará o capital privado. Os grandes “direitistas” (economistas, filósofos, sociólogos etc.) defenderão esse pensamento justificando que um governo voltado para a alta sociedade terá um resultado bom para o povo. E não deixam de estar errados.

Logo se vê na política que não há como separar os lados, pois num Estado haverá pobres e ricos. Sendo assim um partido ou uma pessoa quando chegar ao poder deverá fazer acordos entre os lados. Se um governo for de extrema Direita ele será deposto pelo povo, se ele for de extrema Esquerda ele será deposto pelos grandes.

Deixemos nossas posições de lado por alguns instantes e convido a todos a entenderem o quanto fundidos estão os pensamentos de Esquerda e Direita. Com a evolução do mundo e da política mundial foi visto que só há uma espécie de governo capaz de atender o povo em sua essência: A Democracia. Contudo a Democracia é um pensamento ideológico extremamente “esquerdista”. A Democracia, sendo o governo do povo para o povo, busca a igualdade entre todos os componentes da sociedade. Ora, se a Democracia é uma ideia de Esquerda, qual é o pensamento da Direita? A resposta é clara. A Direita buscará uma Aristocracia. Por quê? Porque a Direita é composta dos “melhores” da sociedade. Como já disse uma vez a Aristocracia é o governo dos melhores (economistas, juristas, filósofos, médicos, engenheiros etc.), a Direita não se sentiria a vontade com o povo no poder, ela gostaria de estar no controle e governar para a própria vontade. Entretanto, com toda a evolução da sociedade, até a Direita percebeu que a Democracia é o melhor caminho político para se seguir e, também, sem esse pensamento “esquerdista” o Estado ruiria.

Em contra partida há um pensamento de Direita que assombra os militantes de Esquerda. O crescimento pessoal perante a sociedade. O que seria isso? Uma das grandes características do ser humano é a busca da superioridade. Sendo atribuído a isso o eurocentrismo, a escravidão e até mesmo a inveja. O ser humano tem em sua alma a vontade de ser grande, contudo quando pregamos a igualdade entre todas as partes jogamos fora esse instinto todo. Todos gostamos de ser parabenizados quando fazemos algo notório e gostamos das recompensas que virão por isso. O problema é que com a igualdade acentuada numa sociedade torna-se perigoso e quase que proibido a elevação de status. A ideia de que todos devem ser iguais em tudo cansa o ser humano e nem mesmo os mais defensores da Esquerda defenderão com tanta força isso. Todos dirão: “Devemos ter as mesmas condições, mas meu esforço deve ser pago”.

Nota-se que a Esquerda e a Direita passaram a ser mais próximas do que parece. Contudo o povo ainda comete erros horríveis, como dizer que os nazistas e fascistas pertencem a um lado. Não pertencem a um lado somente.  Uma coisa interessante dos regimes é a aproximação das igualdades sociais, o povo fascista e nazista tinha em suas mentes a ideia de uma unidade que se vê numa colmeia. Contudo há traços “direitistas” nos líderes seletos dos dois regimes e a forma, um tanto quanto, conservadora do governo. Longe de mim chamar os “direitistas” ou os "esquerdistas" de fascistas ou nazistas, perdoe-me caso ofenda a alguém. Mas tanto a Esquerda quanto a Direita estavam presentes nos pensamentos de Mussolini e Hitler.

Mas o que define um governo ser de Esquerda ou Direita? A aproximação entre os governantes e os governados. Quando o governo estiver mais próximo do povo, assegurando-lhe direitos, investindo em seus anseios (saúde pública, educação pública etc.), garantido-lhe certa igualdade este será um governo de Esquerda. Caso um governo voltar-se para a industrialização, a valorização do capital privado (fator importante para o Capitalismo), este será um governo de Direita. Claro que nenhum jogará o outro fora (um governo de Esquerda deverá, em alguns momentos, agir em prol da Direita e vice-versa) ou será melhor que o outro, mas cada partido e representante age da forma que mais lhe agrada.

Além disso vem a dosagem de Conservadorismo e Liberalismo, mas deixarei para falar sobre isso em outro texto. 

Não há como separar a Esquerda da Direita. Um braço dependerá de outro, pois o povo sustentará os grandes e os grandes segurarão o povo. E, quando começarmos a repara em tudo o que é dito e no que concordamos, perceberemos que na verdade somos todos Ambidestros.