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domingo, 6 de setembro de 2015

Homenagem Aos Poetas Franceses - Paul Verlaine

3- Paul Verlaine No final do século 19, os críticos incluíram Verlaine entre os chamados "poetas malditos", como Arthur Rimbaud. A expressão, aliás, é do próprio Verlaine, eleito em 1894 o "Príncipe dos Poetas".

A uma Mulher
Paul Verlaine


Pra vós são estes versos, pla consoladora 
Graça dos olhos onde chora e ri um sonho 
Doce, pla vossa alma pura e sempre boa, 
Versos do fundo desta aflição opressora. 

Porque, ai! o pesadelo hediondo que me assombra 
Não dá tréguas e, louco, furioso, ciumento, 
Multiplica-se como um cortejo de lobos 
E enforca-se com o meu destino que ensanguenta! 

Ah! sofro horrivelmente, ao ponto de o gemido 
Desse primeiro homem expulso do Paraíso 
Não passar de uma écloga à vista do meu! 

E os cuidados que vós podeis ter são apenas 
Andorinhas voando à tarde pelo céu 
— Querida — num belo dia de um Setembro ameno

sábado, 5 de setembro de 2015

Homenagem Aos Poetas Franceses - Arthur Rimbaud

2- Jean-Nicolas Arthur Rimbaud considerado um dos precursores da poesia moderna. É um poeta bastante atípico; produziu toda sua obra – que influenciaria a literatura, música e tantas outras artes – na adolescência. Aos 20 anos já havia abandonado a escrita. 

O Barco Ébrio [Trecho]


Como descesse ao léu nos Rios impassíveis,
Não me sentia mais atado aos sirgadores;
Tomaram-nos por alvo os Índios irascíveis,
Depois de atá-los nus em postes multicores.
Estava indiferente às minhas equipagens,
Fossem trigo flamengo ou algodão inglês.
Quando morreu com a gente a grita dos selvagens,
Pelos Rios segui, liberto desta vez.
No iroso marulhar dessa maré revolta,
Eu, que mais lerdo fui que o cérebro de infantes,
Corria agora! e nem Penínsulas à solta
Sofreram convulsões que fossem mais triunfantes.
A borrasca abençoou minhas manhãs marítimas.
Como uma rolha andei das vagas nos lençóis
Que dizem transportar eternamente as vítimas,
Dez noites sem lembrar o olho mau dos faróis!

Mais doce que ao menino os frutos não maduros,
A água verde estranhou-se em meu madeiro, e então
De azuis manchas de vinho e vômitos escuros
Lavou-me, dispersando a fateixa e o timão.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Homenagem Aos Poetas Franceses -Charles Baudelaire

1- Charles-Pierre Baudelaire foi um poeta boêmio e teórico da arte francesa. É considerado um dos precursores do simbolismo.

Sepultura d'um Poeta Maldito
Se, em noite horrorosa, escura, 
Um cristão, por piedade, 
te conceder sepultura 
Nas ruínas d'alguma herdade, 

As aranhas hão-de armar 
No teu coval suas teias, 
E nele irão procriar 
Víboras e centopeias. 

E sobre a tua cabeça, 
A impedi-la que adormeça. 
- Em constantes comoções, 

Hás-de ouvir lobos uivar, 
Das bruxas o praguejar, 

E os conluios dos ladrões.