Mostrando postagens com marcador Futuro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Futuro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de julho de 2015

A cartomante não muda o futuro - Correio feminino (Clarice)

por Gabriella Gilmore


Também gosto de astrologia, cartomancia, ciências ocultas. Mas ainda não vi nada disso mudar meu futuro. Parece que só a gente mesmo é que pode fazer o dia de amanhã.
Mas antes a pergunta que se impõe é esta: que é mesmo que você quer? Saber a resposta é indispensável.
Talvez você descubra que há duas ou três coisas que você põe acima de tudo no mundo. Saber disso é um passo importante que você terá dado. E o que precisaria você fazer para conseguir o que quer? Algum sacrifício, isso é quase certo.
E é quase certo que, se você quer mesmo o que quer, o sacrifício vale a pena. Tudo isso tem que se passar entre você - e você mesma. A cartomante não ajuda.
Porém, se você pegou o hábito de pessimismo, é ruim. Atrapalha muito, atrapalha de fato. O dia de amanhã fica logo com ar de chuva que vem. E seu raciocínio de pessimista funciona mais ou menos assim: se não houve nuvem de chuva no céu, você ai mesmo é que se preocupa - pois que coisa estranha é essa, amanhã vai chover e hoje nem tem nuvem no céu? Mau sinal, mau sinal.
Estou brincando, é claro, mas o que quero dizer é que o pessimista está sempre arranjando um jeito de acomodar as coisas ao seu pessimismo.
O ideal é ser como uma senhora que conheço. Ela me disse - e não dizia apenas por dizer, pensava mesmo assim, sentia mesmo assim -  ela me disse: quem já sofreu realmente não sofre mais por bobagens.
Bem sei que certas dores ficam doendo, a pessoa se torna toda "nevrálgica", e o que nem devia incomodar passa a perturbar. Mas é ai que entra uma conversa entre você - e você mesma. Ou entre você e uma pessoa que entenda das coisas do mundo. A conversa terá como finalidade descobrir o que é que ainda está doendo. Conversa para pôr os pontos nos "iii". Nem sempre é fácil. Às veze, a gente não sabe onde estão os "iii", às vezes não sabe que pontos colocar em qual "i". Mas também nisso a cartomante não resolve. É uma pena, você mesma terá que tomar conta do assunto. Com minha ajuda, se quiser.

(Quem me dera se Clarice ainda estivesse viva, não é mesmo?)

domingo, 28 de junho de 2015

Informativo - Escola da Inteligência de Augusto Cury

Uma novidade que todo pai e educador, (professor não, porque o que mais temos por ai são "professores"), devia conhecer.

O Projeto Escola de Inteligência, criado pelo renomado psiquiatra, pesquisador e escritor Dr. Augusto Cury, faz parte do Instituto Academia de Inteligência. É formado por uma equipe multidisciplinar altamente especializada no processo do funcionamento multifocal da mente e, tem como principais metas: a formação de pensadores, o desenvolvimento da inteligência, a formação da personalidade e a melhoria da qualidade de vida.
As escolas de ensino tradicional, fundamental básico II e médio integrarão o projeto em suas grades curriculares, a ser desenvolvido dentro de 1 (uma) hora/aula semanal, podendo ser inserido na carga horária de uma disciplina já existente, como, Religião, Filosofia, Ética, Sociologia, temas transversais, etc.
Objetiva:
Desenvolver as funções mais importantes da inteligência como; pensar antes de reagir, colocar-se no lugar dos outros, trabalhar perdas e frustrações, libertar a criatividade, formar pensadores, proteger a emoção, gerenciar pensamentos, consolidar a auto-estima, desenvolver a consciência crítica, Formar pensadores, elaborar sonhos e projetos de vida e adquirir resiliência às intempéries sociais
Estimular o treinamento do caráter: perseverança, honestidade, espírito empreendedor, debate de idéias, disciplina, tolerância, liderança, solidariedade, capacidade de recomeçar, educação para o trânsito e educação para o consumo.
Fornecer ferramentas para prevenir transtornos psíquicos: insegurança, fobias, ansiedade, agressividade, sentimento de culpa, falta de transparência e uso de drogas.
Enriquecer as relações interpessoais através do diálogo, do debate de idéias, da educação para a paz e do trabalho em equipe.

É pioneiro na promoção da saúde emocional e da prevenção de doenças psíquicas,com programa de capacitação dos professores, acompanhamento pedagógico durante a aplicação, e material de apoio pedagógico apostilado ricamente ilustrado, contendo histórias com vertentes psicológicas, sociológicas, filosóficas, idéias de múltiplos pensadores, informações relevantes sobre temas do cotidiano, apresentando uma dinâmica que estimulará a arte da interiorização, da observação, da consciência crítica e do debate de idéias.
Nossa preocupação
O cenário do mundo pós-moderno apresenta um progresso surpreendente na comunicação, no entretenimento, na democratização do conhecimento, na liberdade de expressão e nunca se ouviu falar tanto em qualidade de vida. Mas qual é o espetáculo que estamos assistindo?        
Infelizmente, ainda com todos os avanços no cenário social e tecnológico, a peça é decepcionante. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nos próximos 20 anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum em todo o mundo. Ainda, atualmente, 20% dos adolescentes sofrem de depressão, e ainda mais, Institute for Social Research, da Universidade de Michigan afirma que 50% da população mundial teve ou vai desenvolver algum tipo de transtorno psicológico durante a vida como; fobias, estresses, ansiedades, anorexia nervosa, transtornos de conduta, entre outros. Como reflexo deste quadro, em um importante Congresso na Califórnia com o tema “Como preparar a juventude para o século XXI", constatou-se por meio de pesquisas, que aproximadamente 30% dos jovens americanos não se tornam cidadãos produtivos porque não se sentem bem consigo mesmos . Esse número é ainda maior em países subdesenvolvidos como o Brasil.
Os teatros escolares são grandes responsáveis pela formação da personalidade, pelo desenvolvimento da inteligência e pela construção de pensadores, preparando-nos não apenas para conhecer o mundo em que vivemos, mas também o mundo que “somos”. Devem ser o ambiente onde aprendemos a conviver e a respeitar as diferenças de pensamentos, cor, religião, posição social. Mas o atual quadro é decepcionante: mais de 45% dos estudantes brasileiros já sofreram algum tipo de violência dentro da escola, seja ela verbal ou física, segundo estimativa do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar (Cemeobes).
Os dias atuais e o caminho que estamos traçando são de fato preocupantes. Estamos diante de uma massa de jovens agitados, desmotivados a conhecer, a questionar, a formar suas próprias opiniões e debaterem ideias. Vivendo cada vez mais voltados ao mundo virtual, os jovens assistem, em média, 4 horas, 50 minutos e 11 segundos por dia de programação televisiva, tornam-se os principais alvos das propagandas de consumo. Segundo pesquisa elaborada pelo Instituto Akatu, com base em estudo realizado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) com jovens de 24 países dos cinco continentes, os jovens brasileiros estão no topo dos mais consumistas, à frente de jovens franceses, japoneses, argentinos e americanos,  mas nem de longe são mais felizes, como mostram os dados sobre a depressão.
Os relacionamentos entre pais e filhos, professores e alunos, e entre amigos estão cada vez mais superficiais. Os jovens encontram dificuldade para dividirem suas histórias e lágrimas. Estão presencialmente ligados, porém emocionalmente mais distantes. É necessário que nos adaptemos aos avanços tecnológicos sem perder de vista a sensibilidade humana.
Pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em dezesseis cidades brasileiras mostrou que 58% dos garotos e garotas de 12 a 14 anos fizeram uso de drogas pelo menos uma vez na vida. Segundo estudos do Instituto Nacional de Políticas do Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo, a dependência do álcool aumentou 30% entre homens e 50% entre as mulheres no Brasil em relação a dez anos atrás. E outros estudos mostram que em quatro anos o consumo de drogas anorexígenas cresceu 100% .
Estatísticas como essas são realmente alarmantes. A peça que estamos encenando e as próximas que assistiremos devem ser o incentivo para que nos tornemos ativos na mudança desse roteiro, colaborando para que nossos jovens transformem-se em líderes e atores principais no teatro social, com saúde emocional e projetos de vida. Sabemos que as escolas e os educadores almejam a mudança dessa realidade, mas têm dificuldades de encontrar meios eficazes para que isto aconteça.
Queremos estar juntos com as instituições de ensino para ajudar a escrever um novo roteiro no teatro da educação, pois é nele que desenvolvemos as características mais importantes para o desempenho do nosso papel no teatro da vida. Hoje são nossos alunos e filhos, amanhã serão eles os responsáveis pelos principais papéis que decidirão o futuro da nossa sociedade, do nosso planeta.

Vantagens
Capacitação dos professores que aplicarão o projeto, com profissionais altamente capacitados nas áreas de psicologia, psicopedagogia, psiquiatria, entre outros, debatendo temas que envolvem o funcionamento básico do teatro da mente humana, a construção das ferramentas fundamentais para a formação de pensadores e o método de aplicação do projeto.
Cada aluno receberá juntamente com o professor, material pedagógico apostilado ricamente ilustrado, contendo histórias com vertentes psicológicas, sociológicas, filosóficas, abrangendo idéias de múltiplos pensadores e informações relevantes sobre temas do cotidiano. Tudo isso com uma dinâmica que estimulará a arte da interiorização, da observação, da consciência crítica e do debate de idéias.
Assistência pedagógica durante a aplicação, de modo a favorecer a aproximação da equipe do projeto com a instituição educacional, tornando-se parceiros na educação para vida e na formação de pensadores.
Assistência permanente através de Call Center e via e-mail, dando suporte para a instituição de ensino.

Conheça o site http://www.escoladainteligencia.com.br/ e veja que isso não é sonho, é realidade. Nos ajude a mudar o futuro da educação no Brasil!
DIVULGUE a E.I.

Artigo em formato de vídeo
Assista ao video

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Um Ponto Além



E bati, e bati outra vez, e tornei a bater,
e continuei batendo sem me importar
que as pessoas na rua parassem para olhar,
eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome...
(Caio Fernando Abreu, in “Além do Ponto”)


Estamos sempre indo ao encontro de alguém ou de algo. Uma busca incessante pelo que nos completa e amplia como lemos nos livros, como nos contam pelas estradas, como nos falam as músicas, como vemos nos filmes. Somos seres lacunares. Almas despedaçadas. Qual parte lhe falta?

Alguns de nós são corajosos se lançam no encontro sem proteção, sem medo. Ou será a inocência que nos leva a caminhar assim tão impulsivamente por aí permitindo que o outro entre em nossas vidas e depois se vá de nós nos mutilando mais uma vez? A maior parte de nós são cicatrizes. Qual a cicatriz que mais lhe dói?

Quando realmente se quer algo não medimos esforços para conquistar. A desculpa brota de algum tipo de desinteresse. E na multidão os solitários são os olhos de caçadores ávidos atrás de uma nova presa. E na vida todos são presas e caçadores. Qual papel você está desempenhando hoje?

Contudo, é importante que sigamos... Olhe para fora de si! Há um mundo muito maior que esse que você vê. Até onde podemos ir para atingir o que idealizamos? Mas aproveite as curvas do caminho para experimentar-se. Nos atalhos moram os perigos que fazem a diferença. O proibido é o vinho dos sábios. Somos criaturas imorais. Qual pecado você esconde?

Estamos sempre a procura. Não importa o quanto tenhamos encontrado. A vida é ir e ir e ir... A limitação do ponto é o desconhecimento do poder do espírito. Estamos em busca do inatingível. E na impossibilidade alguns se desesperam, se angustiam e se debatem. Somos criaturas conflitantes. Onde mora a sua dualidade?

Colecionamos rosto que esquecemos e que nos esqueceram. Imaginamos onde estão e o que fazem nos dias de chuva quando a rotina e o tédio são a corda para enforcamento da razão. Na solidão de uma casa alguém se questiona como teria sido. No cansaço do casamento eles se perguntam o porquê. O menino pensa no homem. A mulher pensa no menino. Somos criaturas curiosas. Qual parte de você, você ainda desconhece?

Mas é preciso ir além. Percorrer as vias do medo. Ultrapassar o limite da dúvida. É preciso não parar no porto. É importante que se lance para o horizonte. É fundamental que não desista. Apesar da pedra, do ponto, da porta... Somos criaturas errantes. Qual caminho você tomará hoje?

terça-feira, 27 de maio de 2014

Vida de Adulto

                                       

“Só se é jovem uma vez...”, já ouviu isso, Gabizinha? Pois, então, saiba que isso é muito verdadeiro. A juventude é um perfume bom que vem em vidro pequeno. E a gente nem se dá conta do quanto é bom até que ele não exale mais do nosso próprio corpo. Contudo, pequena, posso lhe afirmar que o cheirinho especial da vida adulta é do seu modo muito atraente. Tão atraente que por vezes, anula o tal perfume jovial para destacar-se entre os outros. O que quero que você entenda é que cada fase da vida é uma com suas virtudes e seus defeitos.

Agora lá vai o puxão de orelha. Segura aí! Você não está engrenando na leitura porque encasquetou de ser Ivan que nada tem de Gabi. Você é dessas, sabia? Desfaz o bico! Estou te olhando. Senta aí e cale a boca.

Todos nós estamos morrendo. A cada segundo a vida nos rouba um suspiro de vida. Mas não é por isso que vamos chafundar no canto do mundo questionando a que horas será a partida. Você Gabi – Você também leitor! – está VIVA. Então, levanta o buzanfão daí e vá viver! Viver para fora de si. Tira o olho do umbigo e olhe o sol, a lua, a chuva... a vida!

A morte só seduz porque usa vestido longo preto elegantíssimo. Eu tenho certeza que a morte veste Gucci e calça Louise Vuitton. O que seduz na morte é a ideia de um beijo que abre o portal para o desconhecido, o inimaginável, o próximo passo... Somos criaturas curiosas e o slogan “O que vem depois?” vendido pelas crenças de uma existência post mortem faz os lobos jurarem-se de cordeiros no fim da vida na esperança vã de uma “salvação”.

Cansaço faz parte do viver. Tem hora que tudo fica igual. Fica cinza. Fica um saco. Mas sabe o que se tem que fazer? Mudar! Já viu o filme “Curtindo a vida a doidado”? Aquele filme é a chave do viver bem. Aí você me dirá “Fácil dizer, Wal!”. Pois vou lhe confessar que há dias que digo a todos que saí e tranco tudo, desligo o celular e fico quietinha comigo me curtindo o dia inteiro de camiseta e calcinha, comendo porcaria, sem pentear cabelo, sem sapatos... Como já teve dia de eu sair para trabalhar linda no salto e simplesmente descer no meio do caminho e passar o dia olhando loja, andando a toa, curtindo um dia diferente... Descontaram meu dia, mas e daí? Foda-se! Naquele dia eu precisava ser livre!!!

Está aí! O que falta para vocês é o “foda-se” ligado. Essa teclazinha embutida em todos nós, mas que raramente conseguimos acionar porque temos inconscientemente uma origem masoquista. Deixamos as coisas nos atingirem, permitimos que o mundo nos escravize. Não estou aqui apregoando que devamos viver numa realidade cômoda. O que estou dizendo é que de nada também nos adianta tentar atingir coisas que estão muito além do alcance se isso custar nossa saúde, humor, felicidade... Vale a pena lutar tanto pelo “ter” se o fim disso for igual ao de Ivan? Velho, solitário, frustrado, mal-amado... um estorvo. Não teria sido melhor se ele tivesse plantado alguns sorrisos em seu caminho? Alguns abraços sinceros? Se tivesse se entregado de corpo e alma a sua família de vez em quando?

A vida adulta só é chata para quem foi criança chata, adolescente chato e o pior é que esse chato vai se tornar um velhinho chato também. Eu fui uma criança feliz. O pouco que vivi com meu pai, ele aproveitou para semear em mim jardins inteiros de esperança, ilusões, sonhos... E era lá, que na ausência dele, eu me escondia para continuar a conviver com a gente ruim que me cercava sem me permitir ser contaminada por eles. Hoje sou adulta, posso ou não conviver com essa gente, eu escolho. No caso do inevitável, quando o social me obriga estar perto deles, eu me refugio nos mesmos canteiros para não perder o contato com minha luz interior.

Se eles me fazem chorar? Fazem sim! Magoam-me sim! Machucam-me sim! Mas não conseguem me perfurar tanto a ponto de eu dizer que a vida é ruim, que ser adulto é ruim. Porque eles optaram a viver nesse mundo adulto pesado e escuro. Eu não. Eles optaram a se envenenar na ambição, no preconceito, na frivolidade. Eu não. Eles me vampirizam sim. Mas ainda há em mim luz suficiente para me curar deles e desse mundo adulto chato que você diz aí. Sinto muito, Gabi. Sei que você vai ficar triste com o que vou dizer: ser adulto só é chato para quem não soube crescer.

Contudo, ao som de Pitty lhe digo: “Guarde os pulsos pro final... Exercita a consciência...”. Você ainda é jovem. Você ainda tem tanto para fazer. Você só precisa querer. Mude! Liberte-se! Não tenha medo dos sofrimentos que fatalmente você passará. Não se pode fazer uma revolução com luvas de seda, já nos disse tão sabiamente Stalin. Examine-se. Enxergue-se árvore e pode seus galhos ruins para que cresça outros fortes que lhe renderão bons frutos. Depois... Depois... Depois será como tem que ser. Não é isso que chamam de destino. Então, deixe o destino tomar o seu rumo.

Bom, vou nessa de Titãs... “Devia ter arriscado mais e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer... O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído...”.


Até!!!


domingo, 25 de maio de 2014

O Embarque...

                                              

“E quanto mais longe da infância,
quanto mais perto do presente,
tanto mais insignificantes
e duvidosas eram as alegrias”
(Liev Tolstoi, in “A Morte de Ivan Ilitch”)

A cena se abre com nós dois sentados no fundo de nossas consciências. Somente você, eu e as nossas lembranças que sempre insistimos em manter presas num suposto esquecimento. Lá onde repousam nossos sonhos frustrados e nossos medos nos recebem com seus sorrisos amarelados e podres. É de lá, desse mesmo calabouço psicológico que vieram os fantasmas que atormentaram Ivan Ilitch em seus últimos dias. 

O velho moribundo estava condenado a enfrentar o pior inimigo do homem: a visão do próprio passado. Talvez fosse melhor a loucura, a perda total de contato com qualquer coisa que um dia foi real; a encarar as farsas em que viveu. Um homem vazio quando longe da toga que dava prestígio, uma criatura medíocre longe do título que lhe poder. Um velho estorvo condenado no fim de tudo.

"O que mais atormentava Ivan Ilitch era que ninguém tivesse pena dele como ele queria que tivessem..."
(Liev Tolstoi, in “A Morte de Ivan Ilitch”)

E o velho grita... Resmunga... Reclama... Contesta... Ensandece na dor. Mas qual dor era mais cruel? A física ou a da alma? Quantas vezes o quarto onde perecia, Ivan não tentou abafar no grito a decepção de descobrir-se um não-amado, um não-desejado, um não-querido?

Ah, amigo, acredite não há pior inferno que nossas próprias dúvidas, nossos próprios erros, nossas próprias culpas nos acordando no meio da madrugada para nos fazer contorcer em doloridos pensamentos. Os arrependimentos são os chicotes que a memória usa para nos açoitar no peito. Somos escravos, amigo! E o passado é o nosso capataz voraz.

Ivan achava que merecia mais daqueles com quem conviveu. E não somos todos assim, meu amigo? Não estamos sempre esperando que os outros vejam nossa infinita bondade, solicitude, altruísmo... Criaturas impecáveis, inteligentes, elegantes, perfeitas... Temos que ter o melhor desses que têm o privilégio de estar ao nosso lado. Não é assim que pensamos? No fundo somos todos criaturas mesquinhas e egoístas. Temos em nosso íntimo pedacinhos de Ivan que fervilha vez ou outra.

“Chorou pelo seu desamparo, pela sua horrível solidão, pela crueldade dos homens, pela crueldade de Deus, pela ausência de Deus."
(Liev Tolstoi, in “A Morte de Ivan Ilitch”)

Mas e no fim?  E quando formos nós no leito? Quem terá pena de nós? Quem não se queixará por vir tão longe para as visitas? Quem terá lembranças boas de nós ao redor da nossa urna? Será que Deus se apiedará e reconhecerá o que há de bom em nós? Deu medo? Não tenha! Mude!!! Declare morte a Ivan! Morte aos Ivans! Morte a tudo que nos adoece!

Tome coragem de fazer mudança. Olhe-se no espelho e busque seus monstros. Cace-os, aprisione-os, vença-os e reescreva suas rotas, seus objetivos, seus modos. Liberte-se dos vícios de ser melhor para aceitar a possibilidade de ser eterno aprendiz. Esvazie-se da soberba do “eu sei” para preencher-se da doce necessidade da busca.  É esse o caminho: observar, absorver, aprender, compartilhar... Plante mais amor nos seus dias. Humanize-se. O mundo não precisa de mais sábios fechados em seus conceitos e certezas. O mundo precisa de humildes humanos que ensinam.

E a cena vai se fechando. Vou deixar você aí para pensar. Sozinho como Ivan. Ele estava doente e sabia que iria morrer. Não é o seu caso. Ele nada podia fazer para mudar seu destino. Você pode. A grande pergunta é: Você quer?

Até breve!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Na Estação...



“__ Meus senhores, morreu Ivan Ilitch!”

(Liev Tostói, in “A Morte de Ivan Ilitch")


E depois do anúncio do óbito, oitenta e cinco páginas de reflexão sobre a maior das certezas nos leva a questionamentos profundos sobre a divina miséria humana.

Ivan Ilitch, irrefutável juiz nos últimos dias de vida analisou-se, questionou-se e deu por si, tarde demais, que sua vida fora um grande teatro de conveniência; uma vida de falsidades adequadas a sua necessidade de prestígios fúteis. Quadro triste, não é?

Conheço centena de Ivans que caminham por aí indiferentes aos reais valores do bem viver, enquanto esnobam seu dinheiro e poder entre os menos favorecidos. Ivans que pagam pelo sorriso, pela mulher, pelo respeito... Quando se fala na morte a grande maioria se acovarda, se encolhe, se benze... Por que será? Que tanto medo causa essa viagem nos tão corajosos Ivans que circulam por aí? Acho que a consciência de um possível julgamento divino incomoda os nossos Ivans do cotidiano. “Será que terei direito ao tal Paraíso?”, intimamente eles se perguntam nas madrugadas onde podem ocultar seus rostos assustados na escuridão.

Ivan Ilitch acamado por uma doença pensou e repensou tudo que preconizou uma vida inteira. De que valeu? Não foi querido entre os amigos e nem entre a família. Sua mulher achava um capricho a sua doença e a filha o chamava de estorvo. E nenhum de seus médicos o enxergaram como homem a ser cuidado, e sim como uma doença a ser extirpada. Então, lembrou-se dele mesmo que nunca viu o homem e seus porquês antes julgar e sim o problema que deveria eliminar. “Se eu pudesse voltar no tempo...”, algo me diz que foi isso que ele pensou. Você não pensaria assim? Não pensa assim?

A morte é o momento mais justo na linha da vida. O momento em que todos, Ivan ou não, embarcamos em um trem rumo ao desconhecido, a um possível julgamento divino, a imaginário conforto de um paraíso ou a condenação de um inferno. E o que fazer? Outra prece? Ave Maria? Ah, se tivesse como mudar o passado, não é? Ou adiar o futuro? Já desejou a imortalidade vampiresca? Dizem que é uma maldição ser imortal.

Estamos começando essa leitura. Estamos na estação a minutos do embarque. Ainda haverá mais questionamentos por certo. E será que chegaremos a alguma resposta? Bom, o que posso fazer, é convidá-lo a ler, a acompanhar o cortejo de Ivan Ilitch e a pensar sobre tudo isso conosco.


Até a próxima! 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

O Menino Tempo



Ah, lá vai ele! Veja ali! Correndo louco sem se importará com o que acontecerá depois. E como é lindo vê-lo livre, independente, criança brincando solta por aí. Você sabe quem é ele? Ao menos imagina? Ele é conhecido como Tempo. O Tempo é uma criança que nem consegue educar para passar da maneira correta pela vida da gente. E tudo que podemos é tentar aprender com os amigos que ele traz com ele.

Quando se é criança, o Tempo nos traz a Curiosidade. Menina “mexedeira”. Vai dali para lá perguntando o porquê de tudo. Revirando e experimentando. Corre riscos o tempo todo porque tem memória curta. Só aprende com a repetição. Só aprende com a experiência. Não adianta dizer a ela simplesmente “não”, ela não está pronta para entender. Quer o risco porque não sabe o que é perder.

Quando se é adolescente, o Tempo nos visita de braços dados com a Ilusão. Ah, como é linda essa garota! Ela usa uma veste dourada de estampa floreada de sonhos e  é muito elegante e charmosa por  trás de suas máscaras. Não vamos culpá-la pelo hipnotismo que nos causa. Ela é meio mágica e adivinha nossas necessidades. E, sendo assim, tira de suas vestes alguns sonhos para pôr aos nossos pés. Mas ainda somos jovens para perceber as oportunidades, ainda idealizamos um mundo diferente daquele que nossos pais nos mostram; ainda não temos espinhos fortes para nos proteger somos somente botão cheio de vontade de se abrir e ser diferentes no meio de jardim de mesmice; ainda não diferenciamos as armadilhas da paixão do terno envolvimento do amor.  A Ilusão se diverte, então, com nosso desespero ao cair de volta no mundo real. Perversa essa menina! A maioria do que nos dá, ela nos tira quando se vai.

Mas o Tempo é bondoso. Depois que a Ilusão se vai, o Tempo cuida de nós, zela por nós. Vai dizendo baixinho que tudo vai passar. Vai soprando ensinamentos e nos modelando enquanto nos leva por aí em pequenos passeios com ele pelas ruas da Vida. E quando nos damos conta, não somos mais um botão. Somos rosa e temos perfumes que atraem e espinhos fortes que repelem.


Então, o Tempo chega com o Discernimento, a Maturidade, a Ponderação... As vezes, traz o Amor com ele. E o Carinho, também. Eu gosto mais do Carinho que do Amor. É que o Carinho gosta de se sentar conosco na varanda para conversar, repara no nosso olhar, sorri cativante, abraça sem pressa. Já o Amor é cego, coitado, chega esbarrando em tudo. É preciso que se cuide bem dele ou ele faz um estrago enorme por onde ele passa. É difícil quem conhece o Amor sem perder algo. Nem que seja um pouco de Juízo que tenha plantado em algum canto do jardim. Mas vou lhe dizer uma coisa que já aprendi há muito tempo: não adianta tentar detê-lo no portão. Ele pula o muro quando estamos distraídos e quando nos atentamos... PIMBA! Ele já entrou, já bagunçou tudo e só nos resta curtir sua estadia.


Sabe? O Tempo, apesar de menino, é muito sábio. Quem se dispõe a observá-lo e pensá-lo, aprende muito. Aprende-se que é preciso doar-se sem esperar doação em troca. Que amor-Éros é bom, mas o que muda tudo a nossa volta é o amor-ágape. Que o nosso tempo é Chronos, mas é no tempo divino, Kairós, que as coisas acontecem. Aprende, por exemplo, que a vida é feita de antíteses: perder e ganhar, esperar e prosseguir, sonhar e realizar, chorar e sorrir, amar e odiar, querer e conseguir... Chegar e partir.

Waleska Zibetti

domingo, 4 de maio de 2014

Um Dia...



"Algumas vezes,muito ocasionalmente,
digamos às quatro horas da tarde 
de um domingo chuvoso, Emma se sente em pânico 
e quase não consegue respirar com a solidão"
(David Nicholls, in "Um dia")

Ao invés de uma crônica, resolvi levar você comigo numa viagem. Por favor,  sente-se confortavelmente e entre comigo nesse sonhos que eu nem sei onde vai dar.

Os domingo são dias contraditório. A grande maioria não gosta dele. É o dia onde famílias se reúnem para juntos suportarem-se. Mas em um canto da cidade, vamos encontrar nossa personagem esperando sobreviver ao domingo. Completamente sozinha de sentimentos e pessoas, ela se esconde atrás de janelas e cortinas fechadas pedindo intimamente que ninguém sobre hipótese alguma a procure. Com a vida, ela foi aprendendo a ter medo das pessoas. 

Uma música suave toca dentro do apartamento vazio. Tão baixinho que mais parece a lembrança de conversas do passado. E ela se senta no sofá de pijamas a olhar os movimentos lentos da cortina e talvez acabar de se esvaziar do mínimo que ainda a torna humana. Olhando a mulher afundando-se assim no sofá, com braços cruzados, olhos vidrados, boca entreaberta e respiração tão suave; pode parecer aos outros um quadro quase poético. Então, vamos nos aproximar mais e olhar bem em seus olhos?

Os olhos espelhos da alma... Os dela são tão tristes! Quem os vê assim não pode imaginar que um dia eles eram repletos de sonhos brilhantes. E ela suspira. Onde foram parar seus sonhos, mulher? E da boca entre aberta um sussurro quase imperceptível e inaudível diz um nome. Como se falando aquele nome ela fosse preencher um cantinho da sala com algum momento bom. E ela aperta o próprio braço na necessidade de um abraço.

Quanto amor pode uma mulher suportar em seu peito? E os olhos marejam. Prenunciam uma tempestade de lágrimas. Por que será que ela chora? Ah, são tantos motivos! Ela chora os domingos que não existem mais e os domingos que nunca se realizarão. Ela chora uma voz que não ouve mais. Chora as juras que não se cumpriram. Chora os arrependimentos que não confessa. Chora as injustiças que sofreu e as que cometeu. É sozinha e essa é a parte do seu destino que se cumpriu e ela chora por não ter tido outra escolha.


Não! Não desista dela agora você, também. Sei que é inquietante olhar alguém assim tentando resistir ao domingo, resistir a si mesmo, alguém tão vazio... Mas pense em quantas vezes você também esteve assim. As vezes, não numa sala tão vazia quanto essa. Pense quantas vezes você se questionou do porquê de cada coisa que o aconteceu. Pense um pouco se você também, em algum dia de domingo, não foi como essa mulher. Eu já fui tantas e tantas vezes assim como ela...

Vamos lá, querida! Respire fundo. Limpe o rosto.  Levante. Só mais essa vez! A solidão é um estado de espírito e como tal, daqui a pouco muda. Você consegue! É forte! Sobreviveu a tantas coisas, não foi? A solidão é só mais um obstáculo. E você pode superar. Vai dar tudo certo, querida! Você só precisa acreditar mais uma vez. Tentar mais uma vez. Sorrir mais uma vez. E acreditar que algum dia tudo será diferente. Tudo será possível de novo, querida. Um dia... Um dia... 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Para Cada Tempo Uma Viagem



Você vai ser sempre bem vinda
para ficar um tempo,
ou para sempre se quiser.
 (David Nicholls, in “Um Dia...”)

Gabriella, minha linda, nada que envolva viver é fácil de classificar como isso ou aquilo. E cada um se protege da maneira que dá. Uns mergulham de cabeça em serviço, em estudo, em  relações perigosas, em poesias... Cada um tem seu modo de lidar com as dores e perdas, risos e sucessos. E ninguém deve ser condenado por isso.

Eu tenho medo de esperar uma vida toda por alguém que idealizei. Então, vou experimentando pessoas. [Gargalhada] Não caia da cadeira! Não estou pregando promiscuidade. A promiscuidade é burra, sem qualidade e fria. Estou falando de correr o risco de ser feliz, mesmo que por alguns dias. Acho chato essa coisa de pensar que será “para sempre”, sabe? Já fui assim e não foi “para sempre”. Quer dizer, foi. Mas não esse para sempre de cabeça branquinha dividindo copo de dentadura. [Agora estou em crise de riso visualizando a cena] Foi o “para sempre” de Vinicius, aquele do “enquanto dure”. Durou... E acabou para começar o “Era uma vez” de novo.

Uma vez escutei alguém dizer que as pessoas só fazem conosco o que permitimos que elas façam. Se você se permite parar na vida por alguém é porque quer. E pensando dessa maneira é que não me queixo da minha dedicação ao meu ex-marido. Fiz o que tinha que fazer. Só não faço de novo porque hoje sou outra mulher. Tenho uma visão mais ampla do mundo que a menina patética que casou naquela época. É isso! Eu era uma menina, hoje sou mulher.

Infelizmente, Gabi, algumas mulheres não querem crescer. Envelhecem, mas se mantém Cinderelas a janela sem notar que o sapato de cristal está rachado e não cola mais. Eu não quero mais ser Cinderela! Eu gosto de ser loba má porque me divirto muito com caçadas e posso alternar a presa entre um bonezinho vermelho e um vovô. [Hahahaha...] Experimentar gente é experimentar vida. Experimentar vida é me experimentar. Me experimentar é sempre prazeroso.

A vida tem prazeres para quem não se esconde em alegorias de uma vida perfeita. Todo casal peida a noite, sabia? Ninguém dorme a noite toda de mão dada e conchinha. Ninguém dorme a vida inteira em trajes sensuais.  Então, eu opto hoje por não ouvir ou sentir o peido de ninguém. E ter quatro travesseiros na minha cama que sempre estão dispostos a sentir minha perna por cima dele e meus braços a apertá-los. E a melhor coisa do mundo é dormir nua ou de camisola larga e furada. Quando quero uma noite diferente ligo para aqueles números especiais da agenda. Me preparo para uma noite de degustação.

Aí você virá com o papo de afeto, amor, carinho... Quem disse que não tenho? Quem disse que eles não têm por mim? Temos! Eu os respeito e eles a mim. Por isso alguns estão na minha agenda por anos. Eu sei da vida deles e eles da minha. Somos amigos antes de amantes. Conversamos por e-mail, Facebook, Whatsapp, Celular... O que não temos é o compromisso que cansa, que vira rotina, que aprisiona. Eu sou um pássaro que viveu vinte e um anos na gaiola. Hoje eu quero voar! E voar cada vez mais alto.  Quero ser águia!

Talvez eu sinta necessidade de ter um pouso certo novamente. E dividir copo de dentadura. Mas isso, já uma outra viagem, outra história, para um outro tempo, para uma Waleska que ainda não chegou.


Beijinhos!!! 

sábado, 26 de abril de 2014

Viver: Uma Estrada Sem Fim



Era hora de dar um sentido à vida.
Hora de começar de novo.
(David Nicholls, in “Um dia”)

Há de aprender com a vida aquele que descobre que ela vai além dos limites que os olhos alcançam. Há vida acontecendo nos micro-cantos do jardim nesse instante em que meus pensamentos se esbarram uns nos outros no desespero de sair sem ficarem esquecidos em mim.

O livro da vida foi escrito em várias línguas e poucos homens conseguirão ler. Não há faculdade no mundo capaz de fazer o homem mensurar a dimensão desse livro de capa velha escrita em páginas a partir dos sonhos de uma energia boa que convencionalmente eu chamo de Deus.

Há de aprender a viver aqueles que se deixarem ampliar através de suas dores, de seus amores, dos cheiros que o vento trás... Porque a vida está além do que as mãos tocam. A vida está no olhar. E é ele que precisa alcançar a essência no olhar do outro. É do encontro das duas essências que nasce o tal amor que as pessoas procuram tanto em curvas e perfeições.

Para viver é preciso espalhar-se pela vida como hibisco. Sempre que possível pontuando-a com flores e perfumes. Para viver é preciso não ter medo de ser tocado e é preciso correr o risco da lágrima ou do riso. Porque viver é atravessar dias de felicidade e noites de angústia sem perder a fé no caminho.

Permitir a si mesmo ser vinte e quatro horas fiel a si sem esquecer que ser fiel a si, é pertencer-se sem ignorar o outro. Viver é olhar a diferença dos que nos rodeiam sem julgamentos. É olhar os passos dos outros e entender as atitudes através das pedras que seus pés tocaram no caminho. É entender que ainda que não possa chamar todos de amigo e acolher, posso ao menos olhá-los com humanidade e desejar que eles caminhem em paz.

A universidade nos profissionaliza, mas é no ser humano que se aprende sobre a vida. Um homem do campo entende mais da terra que eu sei tanto das letras, e assim sendo ele me merece meu respeito no seu falar errado. A prostituta entende da noite, o vigia entende do silêncio, o pescador entender do mar, a freira entende mistérios, o doente entende do medo, o médico conhece da morte... Há sempre alguém que entende melhor de algo da vida que nós não alcançamos. E o fazem porque percorreram caminhos que desconhecemos.

Ninguém pode percorrer todos os caminhos e beber de todos os vinhos da vida. O que podemos é ouvir do outro e tentar entender. E entender nunca será o mesmo que viver. Contudo, é o mais perto que podemos chegar da experiência do outro. E quando a fome do outro nos deixa faminto, quando a solidão do outro nos invade, quando a loucura do outro nos alucina... Quando de alguma maneira, por instantes que sejam, nos esvaziamos de nós e de nossas certezas para sermos preenchidos pelo outro; então, estaremos começando a viver.

Ampliar-se ao invés de isolar-se, encaixar-se ao invés de adaptar-se, lapidar-se ao invés de emoldurar-se... Ser o vento na ventania e o remo na calmaria. Ser o raio da tempestade e o mormaço dos dias de calor. Ser a pétala da rosa na primavera e a semente esperançosa no inverno. Ser João e ser Maria. Experimentar. Ousar. “Ser” além de tudo. Crer, apesar de tudo. E amar acima de tudo. Isso é viver! 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Escolha De Um Futuro Inteiro




Eu confesso que ler Gabriela Lima me leva as gargalhadas. E esse jeito “bruto” de que ela fala é divertidíssimo! Deus estava de muito bom humor quando criou o mau humor de Gabi. [Risada] Mas vamos pensar, não é Gabi?

Enquanto penso lembro-me de uma adolescente dançando tão estranha quando Renato Russo em seu quarto entulhado de livros e dúvidas. “Somos tão jovens! Tão jovens! Tão jovens...”, ela se agita e sonha.

Quando se é jovem achamos que o tempo está ao nosso favor e tudo nós iremos fazer diferente. Porque temos em nós uma chama de esperança inocente. A universidade é uma fogueira mágica centelha possibilidades douradas a nossa frente. “Eu serei diferente e farei história”. E com o passar do tempo o bacharelado começa a frustrar essas chances de mudança. E vem a vontade da pós, do mestrado, do doutorado... Mas junto com essas graduações, vem também a maturidade e senso de percepção de que nada mudará de seu status quo porque um dia um jovem sonhou.

E aí a menina começa a pensar que “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Mais Belchior e menos Renato, o foco de mudança passa a ser outro. Um mais viável e coerente. Não posso mudar o mundo, mas posso me mudar para o mundo ou mudar o mundo a que pertenço.  Saímos de um estado de desejo “lato-impossível” para um “strictu-real”.

Mas é preciso que o jovem continue a ver tudo com soluções fáceis, com seu jeito sonhador, com sua maneira de achar que o mundo com ele a frente ou do modo dele será diferente. É preciso para nos lembrar – e quando falo “nos”, falo da geração com menos pés no ar – o quanto é bom crer, esperar, ir a luta... Porque isso motiva. E desmotivação não é bom para ninguém. O olhar juvenil suaviza as olheiras maturidade.


Para finalizar me deixe confessar um segredo: eu fiz algo diferente exatamente como prometi na minha juventude. Eu não interfiro nas decisões letivas de meus filhos. O meu mais velho me disse “Não quero fazer faculdade. Não agora! Tudo bem?”. E eu concordei. Ele tem dezessete e está se formando em Segurança do Trabalho, quer descobrir o que é trabalhar e tentar se descobrir a partir daí. Eu na idade dele tive que fazer faculdade. Não fazia a menor ideia do que queria. Já tinha feito inglês sem gostar – sete anos de Cultura Inglesa sem suportar a língua fora uma tortura tremenda; e ainda me impunham a tal faculdade. Fiz letras. Porque foi mais cômodo para mim. Mas meus pais "se formaram" na Faculdade e ficaram felizes com isso, eu acho que ainda vagueio em espírito por lá. 

As únicas coisas que realmente guardo com amor da faculdade foram as palestras e aulas com os grandes medalhões das áreas que gostava. Gente como Evanildo Bechara, Sílvio Elia, Leonardo Boff, João Gilberto Noll, Nelson Rodrigues Filho, Junito Brandão, Nélida Piñon, Flora Sussekind e outros que mudaram meu pensar. Descobri a filosofia, sociologia, mitologia, política... Fiz cursinhos nessas áreas e também de contadora de histórias, coral, neurolinguística... Tudo que não foi curricular valeu a pena e compensava a tortura de estar no lugar privilegiado que eu não queria para mim.  

Meu filho, que tem nome de santo que é mais bonito, se formará no que quiser quando quiser porque ele é hoje como a adolescente sonhadora que descrevi no início “Tão jovem... Tão jovem... Tão jovem...” como vocês. E não precisa de um diploma para me dar porque eu já tenho. E se a sociedade exige que ele tenha um, sei que como a mãe ele vai saber olhar e dizer "Faça você o vestibular e seja feliz", e vai sai por aí sem lenço e sem documento. E eu vou com ele! Por que não? 


terça-feira, 22 de abril de 2014

UNIVERSIDADE: MEIO FUTURO.

Por Gabriella Gilmore



Torci o nariz com a leitura do mês.
Girls club não me matem. MAS, tem um ‘mas’ nessa história, quando vi que o romance tem mais coisas a explorar do que relacionamento meloso, eu fiquei com vergonha de ter pensado mal do título.(Mel, amo você).
Minhas companheiras do C.L.V não me deixam mentir. Sou a mais cética e bruta da turma. Pois bem...
Todo jovem que ingressa à universidade cheio de energia, esperança e pensamento brilhante sobre o futuro após a graduação, planejando o seu melhor, acabam se esquecendo de que o futuro a Deus/Destino pertence. Às vezes esquecemos que a realidade acaba sendo diferente do que “programamos” para que fosse, e enganados com alguns trocadilhos, o jovem pensa que sua vida que acabou de começar, já é o início de um fim.
Na história de David Nicholls, Dexter e Emma se conhecem na faculdade e no dia de formatura eles tiveram uma quase noite juntos. Isso selou uma grande amizade do casal, que apesar do amor que a jovem já sentia por ele, e que por algumas circunstancias ficou oculto, eles passaram a participar da vida ativa de cada um depois de se separarem para seguirem seus caminhos. Sempre se apoiando um no outro, Emma se descobriu extremamente frustrada por não ter seguido sua formação, e como muito das pessoas graduadas, teve que se virar com qualquer emprego que se sustentasse.
Esse dilema acontece dentro da minha casa e com várias amigas também. O que há de errado? Será a má escolha do curso ou a área escolhida tem poucas vagas? Eu ainda não sei.
Como tudo nessa vida, precisamos pensar, e pensar muito ao escolher algo em que vamos investir boa parte da nossa vida. (Wal, eu sei que precisamos agir também). Muitas pessoas depositam toda uma energia no período em que estão na Universidade esquecendo que não é só a área profissional que precisa de atenção não. Eu ainda não sei o desenrolar do romance de Dexter e Emma, se a faculdade foi o início de algo em comum na vida deles, mas provavelmente foi o gatilho para a união dos dois.

Acompanhe os próximos posts e descubra junto com nós.  Continue antenado na nossa leitura do mês.
Até a lá!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Para Toda Promessa Uma Resposta



“Os sonhos da juventude,
São os pesadelos da maturidade”
(William Hjortsberg, in “A Lenda”)

Eu fiz promessas que não cumpri, Bruna! Penso que na mesma proporção que também fizeram a mim. Promessas de amar para sempre e de nunca esquecer.  Mas o Amor é um senhor que, as vezes, esquece de casa e que troca de nomes. E houve amores que viraram carinho, amizade, saudade. E o Nunca é uma terra formada de corredores com grandes portas. De repente abrimos uma e nos perdemos por aí só nos dando conta de que esquecemos quando não sabemos mais o caminho de volta.

Quando eu tinha vinte e dois, eu jurei “Até que a morte nos separe”. Acordei numa manhã de março e um cadáver empestiava a sala com cheiro de traição. A morte finalmente tinha acabado com a minha jura e eu enterrei dezessete anos de mim em algumas malas que foram se amontoando na varanda.Eu tive mais tempo que os protagonistas para o adeus. Mas ter mais ou menos tempo diminui o sofrimento que há na lágrima que pontua o fim de uma relação?


 “O que esperar da vida e suas artes dos encontros?”, você nos pergunta. Lembrou-me Vinicius:  “A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Tudo que podemos fazer é esperar que haja uma próxima vez, uma próxima chance, uma próxima página... E se vierem novos desencontros, esquecimentos, partidas... Que não nos falte, então, caneta, folha e inspiração para abortarmos as dores em poemas e canções. 

Caminhada - Charles Chaplin

Tua caminhada ainda não terminou....
A realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida necessita
de tuas palavras
e do teu silêncio.

Se amanhã sentires saudades,
lembra-te da fantasia e
sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória que surge da paz
e não do ressentimento.

É certo que irás encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá de ver sempre
o lado bom da chuva que cai
e não a faceta do raio que destrói.

Tu és jovem.
Atender a quem te chama é belo,
lutar por quem te rejeita
é quase chegar a perfeição.
A juventude precisa de sonhos
e se nutrir de lembranças,
assim como o leito dos rios
precisa da água que rola
e o coração necessita de afeto.

Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás...
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te.