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quarta-feira, 14 de maio de 2014

O Menino Tempo



Ah, lá vai ele! Veja ali! Correndo louco sem se importará com o que acontecerá depois. E como é lindo vê-lo livre, independente, criança brincando solta por aí. Você sabe quem é ele? Ao menos imagina? Ele é conhecido como Tempo. O Tempo é uma criança que nem consegue educar para passar da maneira correta pela vida da gente. E tudo que podemos é tentar aprender com os amigos que ele traz com ele.

Quando se é criança, o Tempo nos traz a Curiosidade. Menina “mexedeira”. Vai dali para lá perguntando o porquê de tudo. Revirando e experimentando. Corre riscos o tempo todo porque tem memória curta. Só aprende com a repetição. Só aprende com a experiência. Não adianta dizer a ela simplesmente “não”, ela não está pronta para entender. Quer o risco porque não sabe o que é perder.

Quando se é adolescente, o Tempo nos visita de braços dados com a Ilusão. Ah, como é linda essa garota! Ela usa uma veste dourada de estampa floreada de sonhos e  é muito elegante e charmosa por  trás de suas máscaras. Não vamos culpá-la pelo hipnotismo que nos causa. Ela é meio mágica e adivinha nossas necessidades. E, sendo assim, tira de suas vestes alguns sonhos para pôr aos nossos pés. Mas ainda somos jovens para perceber as oportunidades, ainda idealizamos um mundo diferente daquele que nossos pais nos mostram; ainda não temos espinhos fortes para nos proteger somos somente botão cheio de vontade de se abrir e ser diferentes no meio de jardim de mesmice; ainda não diferenciamos as armadilhas da paixão do terno envolvimento do amor.  A Ilusão se diverte, então, com nosso desespero ao cair de volta no mundo real. Perversa essa menina! A maioria do que nos dá, ela nos tira quando se vai.

Mas o Tempo é bondoso. Depois que a Ilusão se vai, o Tempo cuida de nós, zela por nós. Vai dizendo baixinho que tudo vai passar. Vai soprando ensinamentos e nos modelando enquanto nos leva por aí em pequenos passeios com ele pelas ruas da Vida. E quando nos damos conta, não somos mais um botão. Somos rosa e temos perfumes que atraem e espinhos fortes que repelem.


Então, o Tempo chega com o Discernimento, a Maturidade, a Ponderação... As vezes, traz o Amor com ele. E o Carinho, também. Eu gosto mais do Carinho que do Amor. É que o Carinho gosta de se sentar conosco na varanda para conversar, repara no nosso olhar, sorri cativante, abraça sem pressa. Já o Amor é cego, coitado, chega esbarrando em tudo. É preciso que se cuide bem dele ou ele faz um estrago enorme por onde ele passa. É difícil quem conhece o Amor sem perder algo. Nem que seja um pouco de Juízo que tenha plantado em algum canto do jardim. Mas vou lhe dizer uma coisa que já aprendi há muito tempo: não adianta tentar detê-lo no portão. Ele pula o muro quando estamos distraídos e quando nos atentamos... PIMBA! Ele já entrou, já bagunçou tudo e só nos resta curtir sua estadia.


Sabe? O Tempo, apesar de menino, é muito sábio. Quem se dispõe a observá-lo e pensá-lo, aprende muito. Aprende-se que é preciso doar-se sem esperar doação em troca. Que amor-Éros é bom, mas o que muda tudo a nossa volta é o amor-ágape. Que o nosso tempo é Chronos, mas é no tempo divino, Kairós, que as coisas acontecem. Aprende, por exemplo, que a vida é feita de antíteses: perder e ganhar, esperar e prosseguir, sonhar e realizar, chorar e sorrir, amar e odiar, querer e conseguir... Chegar e partir.

Waleska Zibetti

terça-feira, 13 de maio de 2014

Preparar para perder...


Por Gabriella Gilmore

Se preparar para as perdas.

Podemos reparar que nossos pais e a sociedade nos preparam para os ganhos e as vitórias, e muito poucos são aqueles que preparam seus filhos para a real realidade: lidar com as perdas. Elas quase sempre andam junto com as vitórias.
Perdemos as chaves de casa, perdemos um vôo, perdemos aulas, perdemos amigos, familiares, relacionamentos. Para cada caso, uma reação.
A perda que quero frisar agora é aquela que vem relacionada ao coração. Muitas pessoas entram de cabeça em relacionamentos, sem se preparar para futuras perdas. Será que nunca estaremos preparados para ela? Algumas pessoas se acham inteligentes o suficiente para evitar se relacionar, pois teme o término e até mesmo a morte do parceiro, mas esta pessoa estaria vivendo? Ou apenas evitando viver?

Chorei uns 10 minutos com o final da história de Emma e Dexter.  Eu sou uma das pessoas que eu citei acima que não fui preparada para perder as pessoas que amo. Tenho esse lado frágil que pouco demonstro que é o medo de perder ente querido, e como é possível evitar alguns apegos, eu acabo inconscientemente vivendo com armadura. Obviamente todo mundo namora pensando em se casar, e acham que viverão felizes e vivos para sempre, até que um dia o inevitável acontece: o seu parceiro morre. O que fazer? Como fazer? EU NÃO SEI. E francamente, prefiro não saber. Prefiro chorar com os finais tristes dos livros. Eles duram esses minutos, mas e o da vida real? Você conhece alguém que estava preparado quando perdeu o seu grande amor? Claro que não. Porém fugir para evitar as perdas também não é resposta para os medos, porque na vida, uma hora se ganha, noutra se perde, uns caem, outros levantam, e por ai vai. Evitar a ansiedade desordenada seria um grande passo, viver o agora e deixar o futuro para o futuro. “Falar é fácil Gabi”. Não, não é, porque essa lição quem precisa aprender agora sou eu.

domingo, 4 de maio de 2014

Um dia ao ano.

Ah, o silêncio...
O vento e o tempo.
Emma queria muito ser feliz. Quem não quer? E, Dexter também queria. Mas, há uma grande distância entre as definições de cada um sobre o que é ser feliz, estar feliz.
Durante muitos anos, Emma viveu infeliz e insatisfeita com a vida que tinha. Ela tentou. Mas, em nada conseguia encontrar aquele estado de espírito tão sublime que nos faz, por alguns instantes, acreditar que estamos com os pés acima do chão.
Dexter vivia momentos intensos, acreditando que assim era feliz. O tudo ou nada.
Depois de anos, percebeu que a felicidade duradoura, aquela que invade o espaço de toda a casa, como a luz do sol em uma manhã de domingo, aquela felicidade sem pressa e com panquecas, viria sutilmente das lembranças de todos os momentos em que encontrou Emma.
Essa postagem será breve, pois são os breves momentos que nos trazem as melhores lembranças e, definitivamente, a mais profunda experiência de felicidade. Por quê? Porque nem Emma, nem Dexter estavam errados. A vida é breve, devemos aproveitá-la ao máximo e vivê-la intensamente. Mesmo que seja por apenas um dia ao ano.

Um Dia...



"Algumas vezes,muito ocasionalmente,
digamos às quatro horas da tarde 
de um domingo chuvoso, Emma se sente em pânico 
e quase não consegue respirar com a solidão"
(David Nicholls, in "Um dia")

Ao invés de uma crônica, resolvi levar você comigo numa viagem. Por favor,  sente-se confortavelmente e entre comigo nesse sonhos que eu nem sei onde vai dar.

Os domingo são dias contraditório. A grande maioria não gosta dele. É o dia onde famílias se reúnem para juntos suportarem-se. Mas em um canto da cidade, vamos encontrar nossa personagem esperando sobreviver ao domingo. Completamente sozinha de sentimentos e pessoas, ela se esconde atrás de janelas e cortinas fechadas pedindo intimamente que ninguém sobre hipótese alguma a procure. Com a vida, ela foi aprendendo a ter medo das pessoas. 

Uma música suave toca dentro do apartamento vazio. Tão baixinho que mais parece a lembrança de conversas do passado. E ela se senta no sofá de pijamas a olhar os movimentos lentos da cortina e talvez acabar de se esvaziar do mínimo que ainda a torna humana. Olhando a mulher afundando-se assim no sofá, com braços cruzados, olhos vidrados, boca entreaberta e respiração tão suave; pode parecer aos outros um quadro quase poético. Então, vamos nos aproximar mais e olhar bem em seus olhos?

Os olhos espelhos da alma... Os dela são tão tristes! Quem os vê assim não pode imaginar que um dia eles eram repletos de sonhos brilhantes. E ela suspira. Onde foram parar seus sonhos, mulher? E da boca entre aberta um sussurro quase imperceptível e inaudível diz um nome. Como se falando aquele nome ela fosse preencher um cantinho da sala com algum momento bom. E ela aperta o próprio braço na necessidade de um abraço.

Quanto amor pode uma mulher suportar em seu peito? E os olhos marejam. Prenunciam uma tempestade de lágrimas. Por que será que ela chora? Ah, são tantos motivos! Ela chora os domingos que não existem mais e os domingos que nunca se realizarão. Ela chora uma voz que não ouve mais. Chora as juras que não se cumpriram. Chora os arrependimentos que não confessa. Chora as injustiças que sofreu e as que cometeu. É sozinha e essa é a parte do seu destino que se cumpriu e ela chora por não ter tido outra escolha.


Não! Não desista dela agora você, também. Sei que é inquietante olhar alguém assim tentando resistir ao domingo, resistir a si mesmo, alguém tão vazio... Mas pense em quantas vezes você também esteve assim. As vezes, não numa sala tão vazia quanto essa. Pense quantas vezes você se questionou do porquê de cada coisa que o aconteceu. Pense um pouco se você também, em algum dia de domingo, não foi como essa mulher. Eu já fui tantas e tantas vezes assim como ela...

Vamos lá, querida! Respire fundo. Limpe o rosto.  Levante. Só mais essa vez! A solidão é um estado de espírito e como tal, daqui a pouco muda. Você consegue! É forte! Sobreviveu a tantas coisas, não foi? A solidão é só mais um obstáculo. E você pode superar. Vai dar tudo certo, querida! Você só precisa acreditar mais uma vez. Tentar mais uma vez. Sorrir mais uma vez. E acreditar que algum dia tudo será diferente. Tudo será possível de novo, querida. Um dia... Um dia... 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Para Cada Tempo Uma Viagem



Você vai ser sempre bem vinda
para ficar um tempo,
ou para sempre se quiser.
 (David Nicholls, in “Um Dia...”)

Gabriella, minha linda, nada que envolva viver é fácil de classificar como isso ou aquilo. E cada um se protege da maneira que dá. Uns mergulham de cabeça em serviço, em estudo, em  relações perigosas, em poesias... Cada um tem seu modo de lidar com as dores e perdas, risos e sucessos. E ninguém deve ser condenado por isso.

Eu tenho medo de esperar uma vida toda por alguém que idealizei. Então, vou experimentando pessoas. [Gargalhada] Não caia da cadeira! Não estou pregando promiscuidade. A promiscuidade é burra, sem qualidade e fria. Estou falando de correr o risco de ser feliz, mesmo que por alguns dias. Acho chato essa coisa de pensar que será “para sempre”, sabe? Já fui assim e não foi “para sempre”. Quer dizer, foi. Mas não esse para sempre de cabeça branquinha dividindo copo de dentadura. [Agora estou em crise de riso visualizando a cena] Foi o “para sempre” de Vinicius, aquele do “enquanto dure”. Durou... E acabou para começar o “Era uma vez” de novo.

Uma vez escutei alguém dizer que as pessoas só fazem conosco o que permitimos que elas façam. Se você se permite parar na vida por alguém é porque quer. E pensando dessa maneira é que não me queixo da minha dedicação ao meu ex-marido. Fiz o que tinha que fazer. Só não faço de novo porque hoje sou outra mulher. Tenho uma visão mais ampla do mundo que a menina patética que casou naquela época. É isso! Eu era uma menina, hoje sou mulher.

Infelizmente, Gabi, algumas mulheres não querem crescer. Envelhecem, mas se mantém Cinderelas a janela sem notar que o sapato de cristal está rachado e não cola mais. Eu não quero mais ser Cinderela! Eu gosto de ser loba má porque me divirto muito com caçadas e posso alternar a presa entre um bonezinho vermelho e um vovô. [Hahahaha...] Experimentar gente é experimentar vida. Experimentar vida é me experimentar. Me experimentar é sempre prazeroso.

A vida tem prazeres para quem não se esconde em alegorias de uma vida perfeita. Todo casal peida a noite, sabia? Ninguém dorme a noite toda de mão dada e conchinha. Ninguém dorme a vida inteira em trajes sensuais.  Então, eu opto hoje por não ouvir ou sentir o peido de ninguém. E ter quatro travesseiros na minha cama que sempre estão dispostos a sentir minha perna por cima dele e meus braços a apertá-los. E a melhor coisa do mundo é dormir nua ou de camisola larga e furada. Quando quero uma noite diferente ligo para aqueles números especiais da agenda. Me preparo para uma noite de degustação.

Aí você virá com o papo de afeto, amor, carinho... Quem disse que não tenho? Quem disse que eles não têm por mim? Temos! Eu os respeito e eles a mim. Por isso alguns estão na minha agenda por anos. Eu sei da vida deles e eles da minha. Somos amigos antes de amantes. Conversamos por e-mail, Facebook, Whatsapp, Celular... O que não temos é o compromisso que cansa, que vira rotina, que aprisiona. Eu sou um pássaro que viveu vinte e um anos na gaiola. Hoje eu quero voar! E voar cada vez mais alto.  Quero ser águia!

Talvez eu sinta necessidade de ter um pouso certo novamente. E dividir copo de dentadura. Mas isso, já uma outra viagem, outra história, para um outro tempo, para uma Waleska que ainda não chegou.


Beijinhos!!! 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

A ESPERA DO DESENCONTRO



Por Gabriella Gilmore

Chega uma parte da nossa vida que a gente volta ao passado em busca do amor platônico. Alguns apenas relembram com carinho os bons momentos vividos, outros preferem não aprofundar nas lembranças porque pode desenterrar alguma ilusão, enquanto outros preferem esperar pelo desencontro.
Emma esperou pelo amor da sua vida por muitos anos, mesmo vivendo outros relacionamentos. Às vezes a gente pára tudo só porque perdemos alguém que jurávamos termos amado unicamente e exclusivamente, porém a única certeza que temos é sobre o dia de hoje, pois o amanhã sempre nos reserva surpresas. Quando o nosso parceiro está guardado para nós, mesmo em algum tempo que não seja o agora, não adianta parar tudo e esperar que passemos a fita adiante em modo “FF”, porque nada te impede de esperar pelo desencontro a-com-pa-nha-da.

Mas seria justo a gente esperar aquela pessoa que amamos de longe, enquanto ela está lá fora se divertindo? O nosso tempo é diferente do tempo do outro, tenho aprendido isso lentamente. Mas obviamente cada pessoa funciona de uma maneira, e a questão é a seguinte: não esperar muito das pessoas e nem da ocasião. Como vive pregando a irmã Wal, viva! Viva mesmo!

sábado, 26 de abril de 2014

Viver: Uma Estrada Sem Fim



Era hora de dar um sentido à vida.
Hora de começar de novo.
(David Nicholls, in “Um dia”)

Há de aprender com a vida aquele que descobre que ela vai além dos limites que os olhos alcançam. Há vida acontecendo nos micro-cantos do jardim nesse instante em que meus pensamentos se esbarram uns nos outros no desespero de sair sem ficarem esquecidos em mim.

O livro da vida foi escrito em várias línguas e poucos homens conseguirão ler. Não há faculdade no mundo capaz de fazer o homem mensurar a dimensão desse livro de capa velha escrita em páginas a partir dos sonhos de uma energia boa que convencionalmente eu chamo de Deus.

Há de aprender a viver aqueles que se deixarem ampliar através de suas dores, de seus amores, dos cheiros que o vento trás... Porque a vida está além do que as mãos tocam. A vida está no olhar. E é ele que precisa alcançar a essência no olhar do outro. É do encontro das duas essências que nasce o tal amor que as pessoas procuram tanto em curvas e perfeições.

Para viver é preciso espalhar-se pela vida como hibisco. Sempre que possível pontuando-a com flores e perfumes. Para viver é preciso não ter medo de ser tocado e é preciso correr o risco da lágrima ou do riso. Porque viver é atravessar dias de felicidade e noites de angústia sem perder a fé no caminho.

Permitir a si mesmo ser vinte e quatro horas fiel a si sem esquecer que ser fiel a si, é pertencer-se sem ignorar o outro. Viver é olhar a diferença dos que nos rodeiam sem julgamentos. É olhar os passos dos outros e entender as atitudes através das pedras que seus pés tocaram no caminho. É entender que ainda que não possa chamar todos de amigo e acolher, posso ao menos olhá-los com humanidade e desejar que eles caminhem em paz.

A universidade nos profissionaliza, mas é no ser humano que se aprende sobre a vida. Um homem do campo entende mais da terra que eu sei tanto das letras, e assim sendo ele me merece meu respeito no seu falar errado. A prostituta entende da noite, o vigia entende do silêncio, o pescador entender do mar, a freira entende mistérios, o doente entende do medo, o médico conhece da morte... Há sempre alguém que entende melhor de algo da vida que nós não alcançamos. E o fazem porque percorreram caminhos que desconhecemos.

Ninguém pode percorrer todos os caminhos e beber de todos os vinhos da vida. O que podemos é ouvir do outro e tentar entender. E entender nunca será o mesmo que viver. Contudo, é o mais perto que podemos chegar da experiência do outro. E quando a fome do outro nos deixa faminto, quando a solidão do outro nos invade, quando a loucura do outro nos alucina... Quando de alguma maneira, por instantes que sejam, nos esvaziamos de nós e de nossas certezas para sermos preenchidos pelo outro; então, estaremos começando a viver.

Ampliar-se ao invés de isolar-se, encaixar-se ao invés de adaptar-se, lapidar-se ao invés de emoldurar-se... Ser o vento na ventania e o remo na calmaria. Ser o raio da tempestade e o mormaço dos dias de calor. Ser a pétala da rosa na primavera e a semente esperançosa no inverno. Ser João e ser Maria. Experimentar. Ousar. “Ser” além de tudo. Crer, apesar de tudo. E amar acima de tudo. Isso é viver! 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

SOZINHA X SOLITÁRIA


Por Gabriella Gilmore
“Eu não estou solitária, só estou sozinha.” Disse Emma uma hora no livro.

Antigamente, eu me sentia solitária, porque não gostava da minha companhia. Quando meus amigos não iam me visitar ou não aceitavam meus convites porque estavam ocupados com suas vidas agitadas e perfeitas, eu me sentia o pior ser do mundo. Com o passar do tempo eu me mudei de cidade. Sair da zona de conforto foi à melhor coisa que pude fazer e eu indico. É lá fora, no “mundo real”, que a gente realmente começa a aprender e a entender certas coisas. Hoje, se me encontro sozinha é por opção. Passei a dar preferência a mim e as coisas que realmente me fazem bem e me são necessárias, o resto... é resto, e desculpa a franqueza.  Depois que passei a concordar com o pensamento da personagem, eu passei a curtir os meus momentos “autista”, passei a aceitar sem bico os bolos dos colegas da cidade grande, passei a ligar o botão fuck off automaticamente, e hoje consigo fazer pessoas rirem muito com o meu jeitão de ser... assim, bagunçado, desapegado, entortado. O brinde dessa noite vai para as companheiras do C.L.V. Saúde!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Um começo

Olá, Leitores.

No dia 17 de abril, eu supostamente deveria ter feito uma postagem sobre nossa nova leitura: Um Dia de David Nichols. O livro, como já postado por Gabriella Lima, narra as histórias de Dexter Mayhew e Emma Morley, seus encontros anuais e a  maneira como um lida com o outro nos mais diversos assuntos.
O que torna a leitura interessante é o desenrolar de cada pesronagem e das escolhas que são feitas.
Dois personagens muito bem construídos, cada qual com sua personalidade distinta. E, como duas pessoas com qualidades individuais tão diferentes e, ao mesmo, nutrindo ao longo dos anos um amor tão puro e sincero, poderiam edificar um relacionamento tão duradouro?
Há quem diga que uma pessoa como Dexter não mereceria alguém como Emma. Podemos ver isso claramente nos dias de hoje. Dexter, um cara que queria apenas se divertir e que não possuía muitas responsabilidades para com a vida, para com os outros e muito menos para consigo mesmo. Em contrapartida, Emma é uma pessoa culta de hábitos simples e prazeres de uma singeleza cativante.
Ela tem muitos obstáculos durante os anos contados na história. Ele passa por momentos de grande sucesso e riqueza, mas a vida sempre dá voltas. E o tempo passa.
Toda vez que Dexter precisava de alguém para conversar, Emma dispunha-se como boa ouvinte, com postura sempre compreensiva. Mas, em muitos momentos, quando Emma precisava conversar com alguém e procurava por ele, a reciprocidade não era equivalente. Por vezes, Dexter fazia Emma viver experiências únicas e marcantes, compartilhando novos sentimentos, tanto bons quanto não tão bons, mas efetivamente fazendo fortalecer os laços entre os dois.
O desafio está em tentar compreender como nossas escolhas afetam a direção de nossos caminhos, quem encontramos, quem não encontramos, as chances que perdemos e se, depois disso tudo, devemos continuar acreditando no melhor.
O que fica da história é como Emma pôde viver tanto tempo aceitando Dexter exatamente como ele era a ponto de manter uma amizade tão duradoura até que ele, mudasse por amor.

Comecemos os diálogos.

Obrigada a quem for de compreensão.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Escolha De Um Futuro Inteiro




Eu confesso que ler Gabriela Lima me leva as gargalhadas. E esse jeito “bruto” de que ela fala é divertidíssimo! Deus estava de muito bom humor quando criou o mau humor de Gabi. [Risada] Mas vamos pensar, não é Gabi?

Enquanto penso lembro-me de uma adolescente dançando tão estranha quando Renato Russo em seu quarto entulhado de livros e dúvidas. “Somos tão jovens! Tão jovens! Tão jovens...”, ela se agita e sonha.

Quando se é jovem achamos que o tempo está ao nosso favor e tudo nós iremos fazer diferente. Porque temos em nós uma chama de esperança inocente. A universidade é uma fogueira mágica centelha possibilidades douradas a nossa frente. “Eu serei diferente e farei história”. E com o passar do tempo o bacharelado começa a frustrar essas chances de mudança. E vem a vontade da pós, do mestrado, do doutorado... Mas junto com essas graduações, vem também a maturidade e senso de percepção de que nada mudará de seu status quo porque um dia um jovem sonhou.

E aí a menina começa a pensar que “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Mais Belchior e menos Renato, o foco de mudança passa a ser outro. Um mais viável e coerente. Não posso mudar o mundo, mas posso me mudar para o mundo ou mudar o mundo a que pertenço.  Saímos de um estado de desejo “lato-impossível” para um “strictu-real”.

Mas é preciso que o jovem continue a ver tudo com soluções fáceis, com seu jeito sonhador, com sua maneira de achar que o mundo com ele a frente ou do modo dele será diferente. É preciso para nos lembrar – e quando falo “nos”, falo da geração com menos pés no ar – o quanto é bom crer, esperar, ir a luta... Porque isso motiva. E desmotivação não é bom para ninguém. O olhar juvenil suaviza as olheiras maturidade.


Para finalizar me deixe confessar um segredo: eu fiz algo diferente exatamente como prometi na minha juventude. Eu não interfiro nas decisões letivas de meus filhos. O meu mais velho me disse “Não quero fazer faculdade. Não agora! Tudo bem?”. E eu concordei. Ele tem dezessete e está se formando em Segurança do Trabalho, quer descobrir o que é trabalhar e tentar se descobrir a partir daí. Eu na idade dele tive que fazer faculdade. Não fazia a menor ideia do que queria. Já tinha feito inglês sem gostar – sete anos de Cultura Inglesa sem suportar a língua fora uma tortura tremenda; e ainda me impunham a tal faculdade. Fiz letras. Porque foi mais cômodo para mim. Mas meus pais "se formaram" na Faculdade e ficaram felizes com isso, eu acho que ainda vagueio em espírito por lá. 

As únicas coisas que realmente guardo com amor da faculdade foram as palestras e aulas com os grandes medalhões das áreas que gostava. Gente como Evanildo Bechara, Sílvio Elia, Leonardo Boff, João Gilberto Noll, Nelson Rodrigues Filho, Junito Brandão, Nélida Piñon, Flora Sussekind e outros que mudaram meu pensar. Descobri a filosofia, sociologia, mitologia, política... Fiz cursinhos nessas áreas e também de contadora de histórias, coral, neurolinguística... Tudo que não foi curricular valeu a pena e compensava a tortura de estar no lugar privilegiado que eu não queria para mim.  

Meu filho, que tem nome de santo que é mais bonito, se formará no que quiser quando quiser porque ele é hoje como a adolescente sonhadora que descrevi no início “Tão jovem... Tão jovem... Tão jovem...” como vocês. E não precisa de um diploma para me dar porque eu já tenho. E se a sociedade exige que ele tenha um, sei que como a mãe ele vai saber olhar e dizer "Faça você o vestibular e seja feliz", e vai sai por aí sem lenço e sem documento. E eu vou com ele! Por que não? 


terça-feira, 22 de abril de 2014

UNIVERSIDADE: MEIO FUTURO.

Por Gabriella Gilmore



Torci o nariz com a leitura do mês.
Girls club não me matem. MAS, tem um ‘mas’ nessa história, quando vi que o romance tem mais coisas a explorar do que relacionamento meloso, eu fiquei com vergonha de ter pensado mal do título.(Mel, amo você).
Minhas companheiras do C.L.V não me deixam mentir. Sou a mais cética e bruta da turma. Pois bem...
Todo jovem que ingressa à universidade cheio de energia, esperança e pensamento brilhante sobre o futuro após a graduação, planejando o seu melhor, acabam se esquecendo de que o futuro a Deus/Destino pertence. Às vezes esquecemos que a realidade acaba sendo diferente do que “programamos” para que fosse, e enganados com alguns trocadilhos, o jovem pensa que sua vida que acabou de começar, já é o início de um fim.
Na história de David Nicholls, Dexter e Emma se conhecem na faculdade e no dia de formatura eles tiveram uma quase noite juntos. Isso selou uma grande amizade do casal, que apesar do amor que a jovem já sentia por ele, e que por algumas circunstancias ficou oculto, eles passaram a participar da vida ativa de cada um depois de se separarem para seguirem seus caminhos. Sempre se apoiando um no outro, Emma se descobriu extremamente frustrada por não ter seguido sua formação, e como muito das pessoas graduadas, teve que se virar com qualquer emprego que se sustentasse.
Esse dilema acontece dentro da minha casa e com várias amigas também. O que há de errado? Será a má escolha do curso ou a área escolhida tem poucas vagas? Eu ainda não sei.
Como tudo nessa vida, precisamos pensar, e pensar muito ao escolher algo em que vamos investir boa parte da nossa vida. (Wal, eu sei que precisamos agir também). Muitas pessoas depositam toda uma energia no período em que estão na Universidade esquecendo que não é só a área profissional que precisa de atenção não. Eu ainda não sei o desenrolar do romance de Dexter e Emma, se a faculdade foi o início de algo em comum na vida deles, mas provavelmente foi o gatilho para a união dos dois.

Acompanhe os próximos posts e descubra junto com nós.  Continue antenado na nossa leitura do mês.
Até a lá!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Para Toda Promessa Uma Resposta



“Os sonhos da juventude,
São os pesadelos da maturidade”
(William Hjortsberg, in “A Lenda”)

Eu fiz promessas que não cumpri, Bruna! Penso que na mesma proporção que também fizeram a mim. Promessas de amar para sempre e de nunca esquecer.  Mas o Amor é um senhor que, as vezes, esquece de casa e que troca de nomes. E houve amores que viraram carinho, amizade, saudade. E o Nunca é uma terra formada de corredores com grandes portas. De repente abrimos uma e nos perdemos por aí só nos dando conta de que esquecemos quando não sabemos mais o caminho de volta.

Quando eu tinha vinte e dois, eu jurei “Até que a morte nos separe”. Acordei numa manhã de março e um cadáver empestiava a sala com cheiro de traição. A morte finalmente tinha acabado com a minha jura e eu enterrei dezessete anos de mim em algumas malas que foram se amontoando na varanda.Eu tive mais tempo que os protagonistas para o adeus. Mas ter mais ou menos tempo diminui o sofrimento que há na lágrima que pontua o fim de uma relação?


 “O que esperar da vida e suas artes dos encontros?”, você nos pergunta. Lembrou-me Vinicius:  “A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Tudo que podemos fazer é esperar que haja uma próxima vez, uma próxima chance, uma próxima página... E se vierem novos desencontros, esquecimentos, partidas... Que não nos falte, então, caneta, folha e inspiração para abortarmos as dores em poemas e canções. 

Caminhada - Charles Chaplin

Tua caminhada ainda não terminou....
A realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida necessita
de tuas palavras
e do teu silêncio.

Se amanhã sentires saudades,
lembra-te da fantasia e
sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória que surge da paz
e não do ressentimento.

É certo que irás encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá de ver sempre
o lado bom da chuva que cai
e não a faceta do raio que destrói.

Tu és jovem.
Atender a quem te chama é belo,
lutar por quem te rejeita
é quase chegar a perfeição.
A juventude precisa de sonhos
e se nutrir de lembranças,
assim como o leito dos rios
precisa da água que rola
e o coração necessita de afeto.

Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás...
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te.

Uma Promessa

"Morning glow morning glow
Starts to glimmer when you know
Winds of change are set to blow
And sweep this whole land through
Morning glow is long past due"
(Tradução: "Brilho da manhã, brilho da manhã
Começa a cintilar quando, você sabe
Ventos de mudança estão para soprar
E varrer toda esta terra
brilho da manhã, já era tempo")

Sob esses versos da belíssima canção do Michael Jackson é que começo esse texto.
Então amigos leitores, promessas feitas no calor da juventude são cumpridas?
Aos 20 e tantos quando os sonhos e a juventude exalam promessas e inúmeras perguntas, não nos damos contas que a verdadeira certeza é a mudança, mesmo que essa mudança não seja aquela de mudar o mundo.
Já dizia o bom William Shakespeare: "Juventude é cheia de prazer, idade é cheia de cuidados."
Esse é o primeiro desenlace dos nossos heróis DEX e EM que se imaginariam anos a frente dos vividos naqueles tempos de outrora, cultivando sonhos, mudanças e ansias pessoais desde então.
Viver com paixão, amar com toda a ternura, ter coragem para encarar os desafios e os anos que se sucederiam e o que mais a vida lhe reservasse.
Logo com Dex e EM era apenas o acaso e uma noite que os descobrira, e que o medo de nunca mais se encontrar
fariam hesitar em tornar esse mágico encontro mais do que real.
O que esperar da vida e suas artes dos encontros?
O que reservavam a vocês caros leitores com seus 20 e poucos anos e como seguem hoje?

Até o próximo Post! 

sábado, 19 de abril de 2014

Sobre Vinte e Quatro Horas


“Acho que isso é uma coisa que a gente supera com o tempo.
 [...] Você me curou de você mesmo”.
(David Nicholls, in “Um Dia”)

Se você é desses acostumados a banalizar o carinho do outro por você... Cuidado!

Quando nos colocamos numa condição de “insubstituíveis”, tendemos a nos deparar com um teatro vazio lá na frente. Ninguém nem mesmo para lhe abraçar em consolo no fim do ato.

Isso! Torça o nariz e resmungue “bobagem”. Você pensa que sempre haverá alguém a quem iludir com seu sorriso de artista. Mas saiba meu caro, que o público uma hora se cansa e começa a ver a sua atuação como apresentação barata. E pouco a pouco vão saindo do teatro para encontrar coisa melhor.

Não há carinho que resista a mentira, a ausência, a frieza... Não há respeito que resista ao interesse, as relações de conveniência, aos abraços sem calor... Não há amizade que persista nos segredos, nas desculpas, nos silêncios.

E aquele que hoje precisa, se adapta  a falta. A solidão se preenche de outras coisas. Os passos não se incomodam de marcar a areia sozinho. Os segredos que deveriam ser compartilhados se calam em suas realizações.


O mundo é adequação. E aquele que hoje é pedaço hoje e que, supostamente, implora por um pouco de você, amanhã se torna completo de outro alguém ou de outra coisa qualquer. 

O mundo é substituição. E todos nós somos peças substituíveis. Não se iluda que este que hoje o espera não poderá ir embora amanhã. Porque o mundo também é partida. E tudo que temos de certeza é que temos um dia, únicas vinte quatro horas, para pertencer, para doar, para completar o desejo, a necessidade, os sonhos de alguém. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

UM DIA - DAVID NICHOLLS

Nova leitura no C.L.V

UM DIA de Nicholls

Sugestão da colunista Mel Schutz
 


Vinte e poucos anos

“Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável.”
Charles Dickens, Grandes esperanças

Leitura até dia 16 de maio de 2014.
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