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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Inutilidade (Correio feminino) Clarice

Este será o último post do mês de julho, referente a sessão Correio Feminino de Clarice Lispector.
Já estou sentindo saudades.
Clarice foi uma mulher apaixonante, muito cheia de conselhos para passar adiante e uma mulher de muita cultura. Espero que tenham gostado desse pequeno resgate dos pensamentos femininos de uma moça sabichona dos anos 40/50.



Quando Fazemos tudo para que nos amem... e não conseguimos, resta-nos um último recurso, não fazer mais nada. Por isto digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado... melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram.
Não façamos esforços inúteis, pois o amor nasce ou não espontaneamente, mas nunca por força de imposição.
Às vezes é inútil esforçar-se demais... nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende a nossos pés.
Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido.
Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer.
Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor e falhado, resta-nos um só caminho: o de nada mais fazer.


Clarice faleceu em dezembro de 1977, aos 56 anos de adenocarcinoma de ovário.



sábado, 20 de junho de 2015

VERONIKA DECIDE MORRER



Resenha por Gabriella Gilmore



Como seria você acordar um dia decidida a tirar sua vida? 
Você teria motivos suficientes para tal ato?
Será que existe mesmo uma razão aceitável para isso? Sem que sua morte não seja vista como loucura ou até mesmo o culpar aos pais ou pessoas próximas que em nada tem haver com sua decisão de deixar um mundo que não mais lhe fazia sentido?
Bom, no dia 11 de novembro de 1997, Veronika decidiu que já era o seu momento.
Mas como faze-lo sem que seus entes queridos não se sentissem culpados? Isso já era um motivo para preocupação.
Só de pensar que sua vida virou uma rotina, que depois que a juventude passa tudo tende à decadência, velhice chegando, amigos partindo, continuar vivendo não era lá grandes coisas. Na verdade, o risco para sofrimentos eram maiores.
E viver num mundo que cada vez que passa se torna mais incorrigível, era totalmente frustrante.
Já que não podemos escolher nascer, pelo menos dar cabo a vida quando assim sentimos que já "fizemos" o que deveríamos fazer na terra, não seria lá um pecado mortal, seria? Se temos o "livre arbítrio", isso significa que podemos sair de cena quando acharmos melhor e pronto.
Nossa amiga simplesmente pega suas quatro caixas de remédios para dormir e calmamente vai tomando um a um.
Ela acorda em Villete, um asilo de loucos.
Nossa personagem nos faz pensar sobre questões religiosas que às vezes nos permeia, como se realmente Deus existe, sobre o tabu do suicídio, sobre a luta do homem para sobreviver e não se entregar e ela até ousa em voltar lá no paraíso de Adão e Eva.
Você ri com sua ousadia em enfrentar certos temas com uma fúria doce e no decorrer da história você só quer entender a fundo os reais motivos que leva o ser humano a tais atos.
No hospício você depara com depoimentos de Mari, uma paciente de síndrome de pânico e Edward, o artista esquizofrênico.
No final você percebe que todos nós somos loucos, e mais loucos ainda em não assumir nossa loucura e o amor é o maior delas.

Livro disponível também em filme, tendo como protagonista a atriz americana Sarah Michelle Geller.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Direitos e Deveres - DESAFIO do CLUBE


VAMOS BRINCAR DE REFLETIR?
por Gabriella Gilmore

Tenho uma amiga que começou agora a fazer terapias, e achei interessante uma atividade que a doutora dela passou, para que ela ocupasse a mente toda noite antes de dormir.
Aproveitei para repensar sobre o questionamento.
E repasso esse desafio para todos os leitores, lembrando que não terá certo e errado. Por um momento, tenha liberdade de ser realmente livre.
Se você pudesse fazer uma lista de direitos e deveres, como seria?
A tarefa de casa de hoje será essa.
Reflita!





10 Direitos que eu tenho:
1. Tenho direito de de comprar livros e não os lê. O dinheiro é meu e sou obsessiva.
2. Tenho direito de amar e ser amada. Mas sei que talvez não da mesma forma.
3. Tenho direito a liberdade, mas sabendo que certa liberdade também tem suas consequências.
4. Tenho direito de fazer o que quiser do meu tempo livre.
5. Tenho direito de cantar quando estou feliz, e de chorar quando estou triste.
6. Tenho direito em ter acesso à boa educação e alimentação.
7. Tenho direito de questionar coisas que não concordo.
8. Tenho direito de escrever o que penso e apagar tudo depois.
9. Tenho direito de não respeitar as pessoas que não me respeitam.
10. Tenho direito de repensar tudo isso que escrevi daqui a 20 anos.

10 deveres que eu tenho:
1. Tenho o dever de manter limpas as vias públicas.
2. Tenho o dever de auxiliar um idoso na rua e no ônibus.
3. Tenho o dever de respeitar as leis impostas pelos superiores a mim.
4. Tenho o dever de respeitar meus pais e familiares.
5. Tenho o dever de cumprir horários na empresa que trabalho.
6. Tenho o dever de respeitar as leis do trânsito.
7. Tenho o dever de respeitar as leis do condomínio que moro.
8. Tenho o dever de votar, mesmo que seja em branco ou nulo.
9. Tenho o dever de agir com respeito a pessoas desafortunadas.
10. Tenho o dever de ficar calada quando alguém próximo de mim não quer mais me ouvir.

Que tipo de pessoa eu quero ser?

Quero ser uma pessoa que possa transmitir boas experiências as pessoas que convivem comigo, ser um exemplo bom e sempre lembrada.

Que tipo de pessoa, as pessoas querem que você seja?

Acho que todo mundo espera muito da gente. Que sejamos perfeitos. Acontecem que são pouquíssimas as pessoas que buscam a perfeição. E geralmente essas que esperam muito de você, são as que menos buscam melhorar a si mesmo, porque perdem tempo demais se preocupando com a vida alheia.

terça-feira, 12 de maio de 2015

OS VALORES - Um olhar filosófico

 Reflexão no #CLV com Gabriella Gilmore





Para entender melhor o porquê da resistência do homem à ideia da reformulação dos valores, temos que compreendermos o que são valores e de onde surgiu.
Tudo na vida contem um valor, seja ele sentimental, estético, econômico, moral, político, ético, mas cada sociedade tem a sua própria de acordo com sua cultura e costumes.
            O psicólogo Jerome Kagan comenta em uma entrevista que na cultura escandinava, os pais não beijam nem abraçam os filhos, nem dizem ‘eu te amo’. Mas estão sempre reforçando nos filhos a ideia de que eles são valorizados.
Na cultura brasileira, por exemplo, tem a fama de ser  um pais caloroso, de pessoas carinhosas, mas nem sempre esse excesso de amor será transformado em respeito, pois isso não significa que pessoas rodeadas de um amor, possam se tornar moralmente bons.
                         A ideia de uma reflexão sobre os valores, serve para que possamos analisar o que desejamos e o desejável, e fazer um plano de ação para darmos prioridade a valores positivos e evitarmos os negativos, ajudando assim a sociedade viver mais harmônica uma com as outras. Talvez se o valor fosse realmente universal, teríamos muito menos preconceitos, mas com um mundo já constituído e tão repleto de diferenças, isso seria muito mais complicado reaver-se nos dias de hoje, explicando assim a suposta resistência do homem à mudanças de tais valores inadequados ou não funcionais.

sábado, 2 de maio de 2015

O LUTO - E.B

por Gabriella Gilmore

Ela acordou com o som de gritos de dor.
Não uma dor qualquer. Uma dor que ardia a alma.
Subiu as escadas apressada, achando que os gritos provia de alguma violência física.
Ainda desorientada com o susto daquele grito, ela entendeu que sua irmã perdia uma pessoa muito valiosa em sua vida.
Perdia uma ova.
Você não pode "perder" uma pessoa como se perde a chave de casa.
A cara da morte, como eu perguntava em um dos posts do Clube, não é bela e romântica para todo mundo.
Qual é o problema dela? Da morte? Qual é o seu problema, Sra Morte?
Na verdade, a pergunta é o inverso.
Qual é o nosso problema quanto a lidar com essa passagem?
O medo de um céu, de um inferno? O medo de não ter se despedido? O medo da pessoa ter ido embora decepcionada com você? Medo de ela ter sofrido uma dor antes de partir?
Qual é o nosso problema? Qual é o seu problema em compreender isso?
Nascemos sem saber nada. Podemos morrer ainda sem saber muita coisa. Porém, a morte, é uma certeza que qualquer ser vivo tem. ELE sabe. Por que não aceita?
Existe resposta e solução para tudo, até para a morte.
Medo de um céu e um inferno? Cuide de sua alma para que ela tenha um lugar aonde repousar.
Medo de não se despedir da pessoa querida? Cuide para que tenha todos os seus relacionamentos sadios, sem mágoas, sem decepções, para que nunca tenha o sentimento de "eu não tive a chance...".
Medo dela ter sofrido na passagem? Se você crê em um Deus bondoso, se você crê que a pessoa partindo era uma pessoa bondosa aos olhos do Pai, não se preocupe com isso. Não cabe a você.
Precisamos ter em mente que amar nunca é demais. Nunca troque o certo pelo duvidoso. O remorso é um sentimento que nos corroí aos poucos. Se você faz parte de alguém, seja realmente uma parte, e não uma metade vazia. Sim, metade vazia!
O mal do ser humano é que só sente depois que perde. Só se lembra quando não tem mais acesso. Só perdoa quando não possui mais a oportunidade de falar do perdão. Só sabe pedir. Nunca agradece.
"Então louve, simplesmente louve

Tá chorando, louve, precisando, louve
Tá sofrendo, louve, não importa, louve
Seu louvor invade o céu".

O agradecer aos céus não é uma prática somente do crente. É e deve ser uma prática do ser humano. Precisamos refletir sobre isso. Cultivar o sentimento de gratidão. Praticar o "polianismo". Chorar menos. Sorrir mais. E nunca esquecermos de que estamos aqui a passeio. Viva! Porque sobreviver cansa. Por isso VIVA!

E.B (R.I.P)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

PONTE PARA A CIDADANIA



A arte como ponte – Cidadania

Texto publicado primeiramente em 2008 por Gabriella Gilmore.

Ser cidadão é mais do que saber sobre as leis e deveres, é faze-la cumprir, é ter mente idealista; aquele que se incomoda com o jeito de como anda a situação e que não se cala, age.
O problema da sociedade é que ela se acomodou. Se liga mais no resultado do que no processo de como foi feito a ação. Se tornou covarde e prefere morrer calada em meio a hipocrisia do que viver pregando uma ideia que para uns é utopia. Somos responsáveis por todas as nossas ações e ela reflete numa  distancia quilométrica, porém preferimos nos fazer de cegos.
Humanidade esta, que se importa mais em levar cientistas para marte, gastando bilhões, do que ajudar as pessoas que já nem tem mais lugar aonde morar, que vive da sorte. porque esperanças não há. (José Saramago)
Pensamos que com o avanço da ciência e tecnologia tudo iria melhorar. Mas o poder nas mãos de pessoas egoístas é assassinato. 
Criança sem infância sadia que já não solta pipa na rua ao sol. Adolescentes que preferem dialogar com a fria tela do computador e jovens se matando por uma alegria artificial.
Podemos reverter este quadro sim, usando a arte como ponte, levando cores, harmonia, ritmo, letras às crianças, pois elas são a nossa esperança.
Descobrir a qualidade perdida daquele jovem sem ânimo e fazer com que ele esqueça seus defeitos e possa ouvir suas virtudes, mesmo que seja uma só. Esta é a luz que brilha em meus olhos e que há de reluzir no mundo, muito antes que marte.

sábado, 11 de abril de 2015

PORQUE EU NÃO SOU CRISTÃO

PORQUE EU NÃO SOU CRISTÃO – ENSAIO DE BERTRAND RUSSELL

Antítese por Gabriella Gilmore

A revista Life assegura-nos, num de seus editoriais, que, “salvo quanto ao que se refere a materialistas e fundamentalistas dogmáticos”, a guerra entre a evolução e a fé cristã “já terminou há muitos anos”, e que a própria ciência... desaprova a ideia de que o universo, a vida ou o homem pudessem haver evoluído por puro acaso”.



Um breve perfil de Bertrand Russell



Filósofo, matemático e lógico britânico. Em vários momentos na sua vida, ele se considerou um liberal, socialista e pacifista. Mas também admitiu que nunca foi nenhuma dessas coisas em um sentido profundo. Nascido em 1872, filhos de aristocratas, foi uma grande influência no século XX.  Morreu em 1970 vítima de uma gripe.

Venho estudando teologia há um ano, depois de ter passado alguns anos estudando filosofia e misticismo, digamos assim.  Tudo começou há 12 anos quando eu ainda não havia encontrado respostas para uma série de questionamentos. Precisei sair um pouco da zona de conforto para buscar informações, foi quando dei de cara novamente com o início.

“Só um risco real testa a realidade de uma fé” – C.S.Lewis.

E eu precisei quase perder a minha fé para poder entendê-la melhor.
A seguir escreverei trechos do ensaio de B.Russell adicionando meu ponto de vista utilizando minhas atuais pesquisas e suas fontes.

“Considero todas as grandes religiões do mundo, não só falsas, como prejudiciais”.
Concordo até certo ponto. Porém preciso ressaltar que a religião foi criada por homens e o que mais podemos ver nos dias de hoje são pessoas professando o nome de Deus de forma debochada e com segundas intenções. Mas se você parar para estudar os livros da Bíblia poderá decifrar essas pessoas e as instituições. O livro consegue ser atemporal ao ponto de conter provérbios que muitos filósofos usaram com outras palavras em suas famosas frases de reflexão. Mal sabe você que está recitando versos cristãos.

“Refiro-me ao argumento da prova teológica da existência de Deus. Tal argumento, porém, foi destruído por Darwin”.
A evolução só nos disse o que acontece depois que se tem vida, então da onde vem essa coisa que está viva? Se a planta nasce de uma semente, quem fez essa semente?
Em Gênesis 1: 11 e 12 diz: Que a terra produza todo o tipo de vegetais, isto é, plantas que deem sementes e árvores que deem frutas! E assim aconteceu. A terra produziu todo o tipo de vegetais: plantas que dão sementes e árvores que dão frutas. E Deus viu que o que havia feito era bom.

“À parte a força lógica, há para mim, algo estranho na apreciação ética daqueles que pensam que uma Deidade onipotente, onisciente e benevolente, após preparar o terreno, durante muitos milhões de anos de inanimadas nebulosas, se sentiria adequadamente recompensada com o aparecimento final de Hitler, Stalin e da bomba H”.
Dizem que o mal é a arma mais potente do ateísmo contra a fé cristã. Se Deus é bom, por que existe o mal? Por causa do livre arbítrio.
Deus tolera o mal neste mundo temporariamente, para que um dia aqueles que acreditam nEle vão morar no céu sem a influência do mal, porém, tendo seu livre arbítrio intacto. Para as pessoas ateias que não acreditam em absolutos morais sabem que pegar algo que não é seu é errado. Para os cristãos o ponto fixo da moralidade, o que constitui certo e errado é uma linha reta que leva direto a Deus. Sem Deus, não existe motivo real para ser moral. Não existe nem um padrão do que é comportamento moral. Para os cristãos, mentir, roubar, matar é proibido, mas se Deus não existe, como Dostoievski afirmou “Se Deus não existe, então tudo é permitido”.  (Reflexão extraída do filme God’s not dead).

“Quanto à espécie de crença, considera-se virtude ter fé, isto é, ter-se uma convicção que não pode ser abalada por prova contrária. Ou, se a prova contrária poder levar à dúvida, afirma-se que a prova contrária deve ser suprimida. Por essa razão, não se permite aos jovens ouvir argumentos na Rússia a favor do capitalismo, ou nos Estados Unidos a favor do comunismo. Isso conserva a fé em ambos intacta e pronta para uma guerra de extermínio.”
Em Timóteo 6:10 nos diz “Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos”.
Somos responsáveis por aquilo que buscamos aprender e como aplicamos os ensinamentos. E o não permitir os jovens nesses países a saberem certos assuntos políticos é muito mais obvio que seja algo manipulado pelo sistema governamental do que religioso, até porque a religião foi dominada pela política na era medieval por justamente querer deter todo o poder financeiro que a igreja estava adquirindo na época. O dinheiro tem muito mais a ver com os males do mundo do que a crença em Jesus Cristo que foi criado em família pobre e humilde.

“Quanto a mim, acho que é melhor fazer-se um pouco de bem do que muito mal”.
Parabéns Sr. Russell. Nisso pensamentos bem parecidos.

“Não considero cristã qualquer pessoa que tente viver decentemente de acordo com sua razão”.
Sim, eu e a Palavra precisamos concordar com você, porque em Gálatas 2:20 nos diz, “Assim já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E esta vida que vivo agora, eu a vivo pela fé”. Por isso não há espaço para a razão na vida do cristão.

“Na autobiografia de John Stuart Mill, lá encontrando a seguinte sentença: ‘Quem me fez?’ , não pode ser respondida, já que sugere imediatamente a pergunta: ‘Quem fez Deus?’”.
Em João capítulo 1, nos diz: “No começo aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus. A Palavra era a fonte da vida, e essa vida trouxa luz para todas as pessoas”.
Deus sempre foi, Deus é e sempre será o início, meio e fim. Não sou eu que afirmo isso. A sentença já foi afirmada quando nos fizemos gente. O ser humano pensa que tentar desvendar os mistérios de Deus fará alguma diferença em suas vidas, e por séculos e séculos de pesquisas e avanços científicos eles não percebem que ter acesso às coisas do céu são mais simples do que imaginam, mas eles não tem “fé”, no sentido duplo da palavra.

“Não há razão, de modo algum, para se supor que o mundo teve um começo. A ideia de que as coisas devem ter um começo é devido, realmente, à pobreza de nossa imaginação”.
Agora quem não está sendo racional é o Russell, rs, pois para tudo existe um começo, um meio e o fim, até mesmo nas redações. (Precisei ser sarcástica). E partindo dessa lógica, o mundo precisava sim ter sua história de começo e lembrando que não existem coincidências, acasos, para tudo existe um propósito.

“Quando se chega a analisar o argumento teológico de prova da existência de Deus, é sumamente surpreendente que as pessoas possam acreditar que este mundo, com todas as coisas que nele existem, com todos os seus defeitos, deva ser o melhor mundo que a onipotência e a onisciência tenham podido produzir em milhões de anos”.
O que Deus arquitetou para Adão e Eva foi o paraíso. O mundo que vivemos hoje com suas dores foi o que o casal escolheu, com o fruto da desobediência. O sábio é aquele que aprende com os erros dos outros, e Deus os alertou sobre não tocar na árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus não queria, exatamente, privá-los do saber, e sim protegê-los do que viria depois daquilo. Porque Deus já sabia do que aconteceria caso eles desobedecessem. Se você passar a analisar Deus como um grande e dedicado Pai, que protege, corrige o filho que ama, as coisas começam a ficar mais claras para nós, que tem mania de atribuir todas as calamidades ao maior arquiteto do mundo.

“Poderíamos, por certo, se assim o desejássemos, dizer que havia uma deidade superior que dava ordens ao Deus que fez este mundo?”
Não. Isso aqui não é como comparar o fantoche Hitler e sua crença nazista.

“Dizem que a existência de Deus é necessária a fim de que haja justiça no mundo. Na parte do universo que conhecemos há grande injustiça, e não raro, os bons sofrem e os maus prosperam”.
Às vezes nos questionamos por que as pessoas ruins têm tudo e os bons não tem nada. Ok. Às vezes o diabo deixa as pessoas viverem a vida sem problemas, porque não quer que recorram a Deus. Seu pecado é como uma cadeia, só que tudo é lindo e perfeito, e nos faz parecer que não há necessidade de sair. A porta está aberta. Até que um dia o tempo se esgota, e a porta da cela se tranca. De repente, é tarde demais. (Reflexão do filme God’s not dead)
As pessoas ficam confortáveis quando tudo está bem, perdendo o senso de “guarda”. E é exatamente aonde elas perdem a salvação. Pensamos assim: Está tudo perfeitamente bem, não preciso de Deus nenhum. Mas aquele que tem a consciência de que precisamos agradecer na alegria e também na tristeza, pedindo assim uma proteção contínua, sabedoria e discernimento, as pessoas passam a vigiar mais.

“O que realmente leva os indivíduos a acreditar em Deus não é nenhum argumento intelectual. A maioria das pessoas acredita em Deus porque lhes ensinaram desde tenra infância a fazê-lo”.
Sim, eu concordo, mas até certo ponto. Porém essa crença vai além do simples levar a criança/jovem/adulto à igreja. O que sela tudo é a experiência particular. É quando Deus responde sua oração. Te livra de alguma doença incurável, quando te revela em quem confiar e como agir. É algo que não pode ser mostrado por pessoa nenhuma porque é entre você e Ele.
Eu me encaixo no exemplo de Bertrand porque também fui levada para igreja ainda quando criança, que simplesmente repetia o que minha mãe fazia. Quando jovem, tive um despertar para estudar outras culturas, precisei sentir a necessidade de buscar a Deus por mim mesma, e não por influência da família. No período de frieza espiritual, nunca consegui esquecer dos ensinamentos e das palavras que vinham do céu para mim. Hoje eu digo com firmeza que sua fé só é abalada quando você nunca experimentou ouvir a voz dEle.

“Nas chamadas idades da fé, quando os homens realmente acreditavam na religião cristã em toda sua inteireza, houve a Inquisição com suas torturas. Houve milhares de infelizes mulheres queimadas como feiticeiras – e houve toda a espécie de crueldade praticada sobre toda a espécie de gente em nome da religião”.
Aqueles que estão envolvidos na feitiçaria não entrarão no reino de Deus. A Bíblia diz em Gálatas 5:19-21 “Ora, as obras da  carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus.”
Talvez o que eu vá escrever aqui não justifique o ato violento, mas a Inquisição contra as “bruxas” foi um extermínio IGNORANTE a mulheres que estavam POSSUÍDAS por espíritos do mal e que por opção, escolheram estar. Você encontra relatos sobre isso quando estuda sobre as Bruxas manipuladas/manipuladoras de Salém. Mulheres que preferiram buscar o poder das trevas a viver conforme a Palavra. A mesma serpente que persuadiu Eva no paraíso, esteve na época da Inquisição e está nos dias de hoje. E o papel da igreja sempre foi alertar as pessoas sobre isso. Mas quem se importa?

“Suponhamos que neste mundo em que hoje vivemos, uma jovem inexperiente case com um homem sifilítico. Neste caso, a Igreja Católica diz: ‘Esse é um sacramento indissolúvel. Devem permanecer juntos por toda a vida’. E nenhum passo deve ser dado por essa mulher no sentido de evitar que dê à luz filhos sifilítica. Isso é o que diz a Igreja Católica. Quanto a mim, digo que isso constitui uma crueldade diabólica.”
Preciso concordar. Porém ressalto que a sífilis poderia ter sido evitada se o homem não houvesse dormido com outras pessoas. Por isso as igrejas pregam sobre o sexo depois do casamento.

Preciso parar por aqui para não tornar a leitura algo extenso e cansativo. E mesmo que vocês se deem ao luxo de questionar a veracidade dos ensinamentos escritos na Bíblia, algo escrito há mais de 2 mil anos atrás, precisam questionar também os ensinamentos ainda mais antigos de Sócrates e Platão. Poderiam seus escritos também serem manipulados por causa do tempo?
E tenhamos sempre em mente que a Verdade liberta e uma hora ou outra ela aparecerá para você.

Um inspirador dia para vocês, queridos leitores.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O homem como ser cultural



O homem como ser cultural
por Gabriella Gilmore

No intuito de despertar o artista que há em cada um de nós, o texto de hoje fala sobre cultura, que consequentemente nos leva a fazer artes.
No final deste texto, deixe um recadinho para nós dizendo qual é o seu dom/arte. Ilumina-se!

Para fazer arte verdadeira é preciso expressar aquilo que há em si mesmo: quem o exprime bem é artista.

A cultura é uma grande janela (juntamente com a linguagem e o trabalho) que em nosso século se abriu para o problema do homem.
Certamente, o homem sempre fez cultura porque é essencialmente um ser cultural e não um ser natural. Mas somente durante os últimos decênios tomou consciência desta verdade a tal ponto que fez dela tema privilegiado:
·         Em primeiro lugar, o desenvolvimento da antropologia cultural como ciência, que focalizou o valor e função que a cultura tem no desenvolvimento da civilização e na caracterização dos povos;
·         A crise que a cultura ocidental vem atravessando há algum tempo, mas, sobretudo nestes últimos anos. Foi, sobretudo esta crise tremenda que suscitou um estudo mais atento e mais aprofundado daquilo que é a cultura em si mesma, para o indivíduo e para a sociedade.
A cultura não é para o homem algo acidental, um passatempo, mas faz parte da sua própria natureza, é um elemento constitutivo da sua essência.  Seu objetivo, no sentido antropológico, foi sempre o de fazer o homem uma pessoa, um espirito plenamente desenvolvido.
Além de ser propriedade essencial do homem, a cultura é também característica que especifica os vários grupos sociais, unificando-os e distinguindo-os. Assim, a cultura é o que distingue os espanhóis dos franceses, dos ingleses, brasileiros, alemães. A cultura é a vida de um povo.
Muitos não devem saber, mas há três importantíssimos elementos que constituem essa cultura social: a língua, os costumes e os valores.
Onde não há uma língua, não pode haver uma sociedade, não pode haver uma nação e, portanto, não pode desenvolver-se nenhuma cultura.
Já os costumes referem-se a tudo: o alimento, o vestuário, o caminhar, o gesticular, a educação das crianças, a atenção aos velhos, às crenças religiosas etc. Nos costumes encarna-se e exprime-se o estilo de vida de um povo, seu modo de conceber e enfrentar a existência, a visão e a atitude peculiar que assume diante da realidade total: a natureza, a sociedade, a esfera do sagrado.
Outro elemento constitutivo fundamental de toda cultura são os valores, que é a mistura dos dois elementos citados acima, pois todo povo possui uma consciência dos valores, a tal “sabedoria do povo”.  Outros valores como a paz, a justiça, a honestidade, a beleza etc, estão subordinados a ela.
Com base em tais elementos, cada povo desenvolve todos os outros aspectos que contribuem para conferir-lhe sua forma específica: a arte, a filosofia, a religião, a ciência, a literatura, a política etc.

“A arte é um ato de congelar momentos, tanto de dor quanto alegria ou angustia. É o que impulsiona o homem sensível a atingir o inalcançável, o perfeito.” Gabriella Gilmore


Texto retirado do livro Introdução à filosofia por B.Mondin.  (cap.XIV)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

DEUS ESTÁ MORTO (?) Resenha de filme.



Por Gabriella Gilmore
Deus não está morto – Resenha de filme.

“Eu acredito em Deus, só não acredito nesse ‘Deus’ que as pessoas pregam”.

Escutei esta frase há uns dois anos atrás e ainda a questiono. Até hoje não entendi.
Às vezes acho que há coisas e pessoas que trombam em nossas vidas muito mais que mero acaso.
Já faz mais de 6 meses que o filme “Deus não está morto” saiu em cartaz, baseado no julgamento de 5 jovens que foram mortos por causa de suas fés.
O filme levanta a tão polêmica questão: Deus está ou não morto? Existe ou não existe?
Questões estas que vem crescendo dentro de nós gradativamente. Em alguns chegam desde muito cedo, inserido na religião fervorosa dos pais, em outros, por experiências próprias, pela busca.
Outro detalhe importante é quando o ser humano entra na idade adulta. A faculdade, a vida, o trabalho, os amigos de mentes brilhantes, faz com que o ceticismo seja mais conveniente e talvez mais convincente em alguns aspectos.
Com histórias paralelamente interligadas e textos muito bons, tanto teísta como ateísta, a trama inteira se desenrola quando um calouro cristão se inscreve nas aulas de filosofia de um professor ateu convicto. Quando o mesmo sugere que todos os alunos escrevam DEUS ESTÁ MORTO em uma folha de papel e assinem seus nomes, o aluno Josh trava, ficando sensivelmente impedido de declarar tal afirmação, quando o mesmo é desafiado pelo professor em defender seu ponto de vista/crença.
Com palestras interessantes, frases marcantes, o filme é de comover, e com certeza fará muito ateu ver a existência de um superior com outros olhos e também reavivar Jesus Cristo na vida dos cristãos.
Sem nenhuma intenção de converter os leitores e sim fazer com que não haja suicídio intelectual neste momento em que estamos vivendo, aonde alguns lugares a fome se mistura com corpos sem vida, desastres, falta de água, violências, frieza interna, esta é a minha sugestão de filme para essa semana.

Porém as perguntas continuam aos montes...

Por que os mulçumanos não acreditam em Jesus Cristo como filho de Deus? E consideram os cristãos “politeístas”, hereges para sua cultura?

Se Deus é a trindade = Deus pais, Deus filho, Deus espírito santo, e enviou a si mesmo em carne e osso, porque eles não acreditam em reencarnação? Ou como explicaria então Deus filho na terra em carne e osso?

Por que existem tantas religiões/denominações se Deus é um só?

O clube de leitura espera comentários de todos os interessados sobre o assunto. As perguntas acima pode ser um início de um ótimo debate.
Sente ai, peça um café...

#Cheers!             

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Karl Marx - utópico



Por Gabriella Gilmore

“Não se trata de interpretar diferentemente o mundo, mas de transformá-lo”.

Karl Marx e seu pensamento de um mundo mais justo.

Karl Marx foi um idealista, economista, cientista social e revolucionário socialista do século XIX. Cursou Filosofia, Direito e História. Trabalhou na juventude como jornalista em Colônia, assinando artigos racial-democratas que irritaram grandemente as autoridades do país. Chegou a ser expulso de vários países europeus por conta de seu radicalismo. Era o principal inimigo do Capitalismo e dizia que este era o principal responsável pela desorientação humana.
Teve por um bom tempo, o filósofo Hegel como seu mentor, e em conjunto com seu grande amigo Engels, publicaram o “Manifesto do Partido Comunista”, um conjunto afirmativo de idéias de ‘verdades’ em que os revolucionários da época acreditavam.
Marx pensava muito sobre as questões econômicas da época, as injustiças salariais, pessoas trabalhando muito para obter pouco, exploração no trabalho e por ser um estudante com idéias de revolução, foi criando teorias e pensamentos sobre aquele sistema Capitalista.
Ele defendia a idéia materialista de que tais condições materiais de vida numa sociedade determinava nosso pensamento e nossa consciência. As condições materiais eram decisivas também para a evolução da história. Karl Marx pensava que o que era moralmente correto era produto da base social, pois antigamente os pais escolhiam para os filhos com quem iriam se casar, afinal, tratava-se também de quem herdaria as terras. Ele ainda afirmava que em geral era a classe dominante numa sociedade que determinava o que era certo ou errado, pois para ele toda a história era uma luta de classes.
Quando falamos sobre materialismo, ser uma pessoa materialista, não significa que esta só pensa em bens materiais, como se a única coisa que realmente tivesse importância é o que você possui com o dinheiro, porém, Marx dizia que os homens deveriam estar em condições para poder viver a fim de fazer história, além disso, falava que para viver era necessário beber, comer, ter um local para morar, vestir-se etc.
Muitas pessoas tinham essa consciência, e a todo custo faziam para que a renda que obtivessem trabalhando ou explorando, fosse maior, e com esse movimento automático, as pessoas não refletiam sobre as conseqüências que isso gerava. 
Para produzir os meios para suprir nossas necessidades materiais, precisamos organizar-nos socialmente, estabelecendo relações sociais. Para nos alimentarmos, precisamos matar um animal, para mobiliar uma casa precisamos destruir árvores, queimá-las, poluindo assim o meio ambiente, dentre outras questões. O ser humano acaba querendo dominar as condições naturais, e esse ato de produção gera novas necessidades.
Marx e Engels enfatizavam que a classe que detém o poder material numa dada sociedade era também a potência política e espiritual dominante.
Se analisarmos o contexto histórico, nos primórdios, perceberemos que havia um espírito de coletivismo: todos compartilhavam da mesma terra, não havia propriedade privada; até a caça era compartilhada por todos. Eles se preocupavam um com os outros. Com o passar do tempo, o homem e suas descobertas territoriais, acabou tornando inevitáveis as colonizações, portanto, o escravismo por conta da ambição. Depois é implantado o sistema feudal, e mais adiante com a Revolução Industrial, surge à classe do proletariado.
Karl Marx dizia que a história da humanidade seria constituída por uma permanente luta de classes, classes essas que para Engels são “os produtos das relações econômicas da sua época.” Sabemos que a base da sociedade é a produção econômica, e Marx queria a inversão da pirâmide social, que ainda era o capitalismo (patrões) no topo e o proletariado (trabalhador alienado) abaixo. Se o trabalhador tivesse no comando, seria a única força capaz de destruir a sociedade capitalista, para assim construir uma nova sociedade, Socialista.
Marx tentou demonstrar que no Capitalismo sempre haveria injustiça social, e que o único jeito de uma pessoa ficar rica, seria explorando os trabalhadores, pois o operário produz mais para seu patrão do que para seu próprio sustento, gerando assim lucro (mais-valia) para a indústria.
Marx morreu tentando mostrar para a sociedade que a coletividade seria mais justa, que a alienação gerava um trabalho escravo e que no Capitalismo sempre haveria injustiças.
Apesar de ter sido ignorado por estudiosos da sua época, Marx foi um dos pensadores que mais influenciaram a história do mundo.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Alice no pais das maravilhas - Análise



ANALISANDO ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Por Gabriella Gilmore 

Olá leitor! Tudo bom?
Hoje eu quero trocar uma idéia com vocês sobre a mensagem do filme “Alice no pais das maravilhas”.
Depois que minha irmã assistiu ao filme e disse não ter entendido nada, mas que achou bonitinho e viajado, eu acabei locando o filme para ver com mais calma.
Realmente o filme exige um olhar filosófico para extrair a mensagem.
É um filme infantil para adultos.
Se você assiste apenas pela ficção, você acaba não extraindo muita coisa dele, a não ser que você se amarre em efeitos especiais em fundo verde, porque convenhamos, o filme arrasou. Ele é praticamente todo gravado em estúdio com paredes, mobílias e roupas verdes.
Estarei escrevendo uma análise da história de Lewis Carroll sobre meu ponto de vista. Não busquei nenhuma informação adicional ou comentários para não ser influenciada. Estou aqui debaixo do edredom curtindo um raro friozinho que essa cidade oferece.
Ok. Sem churumelas, vamos lá!
P.S – Volto a lembrar que adoraria trocar figurinhas com os leitores que tiverem outros pontos de vistas.
A casa é nossa!

Na infância, Alice tinha uma mente muito criativa, e quando ela sonhava com coisas estranhas, comparadas com que ela vivenciava, ela pensava que eram pesadelos. Sempre amparada pelo pai, ele dizia que ela não estava maluca e que os “melhores eram loucos”.
Sufocada pela repressão da sociedade, Alice cresceu deixando de lado sua amiga imaginação. Já ouviu dizer aquela frase de que “Os adultos matam aos poucos o filósofo que existe em cada criança?” Os adultos nunca estão totalmente preparados para os eternos porquês das crianças.
Quando jovem, foi predestinada a um casamento contra sua vontade, e na hora do pedido de casamento, Alice se ausenta por um momento e foge atrás de um antigo amigo coelho de seus sonhos. Ao ver uma toca em que ele entrou, curiosa, ela chega perto para ver quando... cai.
Nisso ela entra nesse “mundo de fantasia”.
Analisando, Alice apenas desmaiou, e neste sonho (ou desmaio) no qual ela reencontra amigos do passado, Alice consegue buscar as respostas que ela tanto procurava desde criança.
Ainda dentro do sonho, é confundida com a “Alice verdadeira”, que na verdade era ela mesma quando criança e não temia a imaginação. Quando ela é levada ao oráculo Lagarta azul, os amiguinhos perguntam a ele se ela é realmente a Alice, ele responde dizendo que ela não é ainda“totalmente” a Alice. No decorrer do sonho, Alice vai deparando com coisas que ela já havia sonhado antes, ou seja, as lembranças de seus sonhos passados vêm à tona.
Quando ela começa a entrar naquela coisa de “sonho”, Alice é dita lutar contra um monstro para salvar aquele lugar, porém, a própria rejeita a idéia dizendo ser a Alice errada e que ela não mataria ninguém. Aos poucos ela vai se afeiçoando as pessoas quando resolve aceitar o “destino”.
 Quando ela decide a lutar contra o monstro Jaguadarte, ainda temerosa, ela acreditava não conseguir derrotar a fera. Contudo, somente Alice poderia afrontar ele, ou seja, apenas Alice poderia enfrentar seus próprios anseios.
Decidida a vencer a luta, e ela vence mesmo, Alice desperta do sonho e volta a sua realidade, no qual ela diz com firmeza que não aceitaria o pedido do Lorde em casamento, pois aquilo não era o que ela queria para si.
O filme fala o tempo todo sobre busca da própria identidade que a sociedade sutilmente vem matando dentro de nós.
E se me permitem uma viagem pessoal... Ainda acho que Alice é o próprio autor Lewis.
Ele só não escreveu o personagem em um menino para não se “entregar”. A sociedade daquela época, muito machista e preconceituosa, iria crucificá-lo, isso se não o acusassem de afeminado.
Que tipo homem teria uma “viagem” daquelas? Culpa toda do ópio. RS
Se gostou ou odiou, deixe seu rastro. Bêzo.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Somos, Seríamos e Seremos todas Sofias!

O homem deveria aceitar o seu destino. Nada acontece por acaso, diziam os estóicos. Tudo acontece porque tem de acontecer e de nada adianta alguém lamentar a sorte quando o destino bate à sua porta.
Também as coisas felizes da vida devem ser aceitas pelo homem com grande tranquilidade.
Ainda hoje falamos de uma 'tranquilidade estóica' quando queremos nos referir a uma pessoa que não se deixa inflamar por seus sentimentos.
(Jostein Gaarder - O mundo de Sofia)
Quem é você? De onde vem o mundo? 
Quem em algum momento da vida não se fez essas perguntas?
Este livro para mim chegou em um momento oportuno: 15 anos. Talvez uma das fases da vida em que mais nos questionamos e a mente pulsa por respostas. Este ainda conseguiu me auxiliar na disciplina de filosofia da Escola e conseguiu introduzir um pouco dos pensadores e filósofos pré-socráticos aos contemporâneos desde Aristóteles, Santo Agostinho, Descartes, Kant, Marx e até Darwin! 
O livro começa quando Sofia Amundsen, em vias de completar 15 anos, recebe pelo correio cartas endereçadas a ela com perguntas muito estranhas, mas, que são comuns nesta tenra idade. "Sua Felicidade" então começa quando ela recebe através de cartas anônimas um misterioso curso de filosofia. Junto com isso, ela também recebe cartões postais destinados a uma menina chamada Hilde Knag, que Sofia não tem a mínima ideia de quem seja.

Se o cérebro humano fosse tão simples ao ponto de podermos entendê-lo, nós seríamos tão idiotas que não conseguiríamos entendê-lo.

Afinal de contas o que seria a filosofia? É uma pergunta interessante. Não observamos quase ninguém perguntar, por exemplo, o que é matemática ou física? Mas se acha natural perguntar: o que é Filosofia?
A grande sacada do livro O Mundo de Sofia foi ter percebido que não se pode introduzir e divulgar a filosofia através dos textos especializados dos próprios filósofos: seria o mesmo do que tentar ensinar geometria através dos textos de Euclides, música através das partituras de Beethoven, ou física através dos textos de Copérnico. Os filósofos, assim como os músicos ou os cientistas, produzem obras cujo destinatário são os outros profissionais e não aos adolescentes.

"Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim".

O autor conseguiu introduzir didaticamente para cabecinhas compreendidas entre 15 e 20 anos de idade uma leitura e estudos filosóficos e é aconselhável também para todos aqueles que querem conhecer um pouco mais desse universo incrível.Quem sabe, um dia Gaarder não lance seu romance da contra-história da filosofia e fale dos Utilitaristas, Materialistas, Libertinos, Nietzschianos, entre outros.

“[...] um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pelos do coelho. Por isso, elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vã se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que não ousam mais subir até a ponta dos finos pelos lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nessa jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se agarram com força aos pelos do coelho e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida.
– Senhoras e senhores – gritam eles -, estamos flutuando no espaço
Mas nenhuma das pessoas lá debaixo se interessa pela gritaria dos filósofos
– Deus do céu! Que caras mais barulhentos! – elas dizem.
E continuam a conversar: será que você poderia me passar a manteiga? Qual a cotação das ações de hoje? Qual o preço do tomate? Você ouviu dizer que a Lady Di está grávida de novo?” p. 31

Até o próximo texto
Au Revoir