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sexta-feira, 15 de maio de 2015

INTERNET - Vício bom?



por Gabriella Lima

Até quando a internet interfere em nossas vidas?
Como controlar os vícios e o bloqueio mental que aos poucos ela nos fornece?
São algumas das várias perguntas que fazemos desde que a substituição dela em vários campos de nossas vidas, seja social, literário e emocional aconteceu.
Quem nunca deixou de fazer alguma atividade em casa para ficar vidrado no Skype, que já foi ICQ, MSN, com amigos reais e irreais? (Irreais)?? Amigos virtuais, meus caros.
Quem nunca deixou de assistir na TV algum clip ou um filme espichado no sofá, com os amigos/família desde que o Youtube surgiu? Ou, quem nunca deixou de ir a biblioteca fazer pesquisa da escola/faculdade ou de comprar um livro porque você já consegue ler tudo em iPads e notebooks?
Isso é bom? É ruim? Ou é moderno demais?
Claro que as respostas são claras, pois tudo que é feito com desequilíbrio  nos prejudica em algo.
Num passado não tão distante eu tive problemas com esta ferramenta, a Internet.
Depois que eu conheci várias “Rafaelas” por ai, ela acabou surgindo em forma de livro.
Aprendi com a personagem que viver lá fora é muito mais real e as ansiedade são menores.
Esses dias estava hospedada na casa de uma irmã que tem um filho de 5 anos e por alguns momentos eu quase deixei de sair com ele para andar de bicicleta para ficar sentada em frente ao computador, praticamente sem rumo. Havia algum tempo que eu não tirava férias, e muitas coisas estavam desatualizadas. Num espaço de 3 horas consegui colocar meus textos em ordem e comunicar com os leitores que deixam comentários e e-mails.
O garoto me chamou com impaciência para que saíssemos logo. Por um breve momento eu quase estourei, mas depois pensei nas coisas que aprendi sobre os vícios.
Desliguei o computador e fui sentir o ar lá fora.
Na manhã seguinte houve um quase resquicio.
Estávamos fazendo tarefinhas da escola quando o MSN gritava por meu “nome”.
Desconectei da conta e fui dar atenção ao garotinho, afinal, não quero que ele cresça com a visão de que a máquina vem em primeiro lugar.
Agora deixo essas questões para vocês refletirem.
Comentem, me deixe sua opnião. Debater sobre temas assim fazem com que alguma coisa na “rede” valha a pena.
Os segundos passam voando. Ou você usa isso para seu benefício, ou...

terça-feira, 24 de março de 2015

Formigas - UMA MENTE COLETIVA?



Individualmente, uma formiga é uma criatura bastante limitada. Mas, e em grupo as formigas formam uma mente coletiva? Afinal de contas, em termos genéticos, um formigueiro é quase um organismo, no qual a rainha vive com milhões de filhas. E todos esses olhos e bocas estão ligados como células cerebrais em uma rede de interações capaz de reagir ao mundo com uma inteligência afiada.
Observe uma trilha de formigas e verá que elas esbarram o tempo todo umas nas outras, parando para tocar as antenas. A cada vez, trocam informações sobre o que estão fazendo. Então, seus minúsculos cérebros aplicam algumas regras bem simples. Se uma formiga achar que quase não encontra outra que tenha a mesma tarefa que a dela (ou se encontrar muitas fazendo a mesma coisa), mudará seu comportamento. Logo, da manutenção do formigueiro à procura de alimento, as formigas se espalham por seu território, fazendo o que precisa ser feito, como se a colônia, como um todo, fosse consciente.
Deborah Gordon, da Universidade de Stanford, estuda formigas-cortadeiras no deserto do Arizona, e descobriu que as colônias tornam-se mais inteligentes à medida que amadurecem. Mesmo crescendo um número, uma colônia mantém o tamanho de seu território, criando assim uma rede de interações que se torna cada vez mais densa e inteligente. Ao gerar problemas bloqueando as trilhas de busca de alimento ou desarrumando o formigueiro com palitos de dente, Deborah descobriu que colônias maduras reagiram mais rapidamente e com maior segurança. Colônias mais jovens demonstraram um comportamento errático, como se não soubessem bem como reagir. As colônias mais velhas também haviam descoberto uma forma de se relacionar com colônias vizinhas. Se as trilhas de busca de alimento um dia se cruzassem, no dia seguinte as formigas seguiriam no sentido oposto. Porem, colônias adolescentes sempre voltavam ao local em busca de briga.
A evidência sugere que há uma espécie de inteligência coletiva em atividade em uma trilha de formigas. Como uma mente humana, a trilha “conhece” o mundo.


Créditos: Reader’s digest (Maximize o potencial do seu cérebro)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Meus amigos são um barato

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência
Se a Nara Leão, naquele velho disco, também achava — por que não poderia eu também achá-lo? E se o Nirlando Beirão, tão chique, tem um vizinho yuppie — por que não posso ter coisa semelhante em minha vida de retinas fatigadas? E confessá-lo de público — atente na expressão —, assim: meus amigos são um barato. Um baratão. Nos dois sentidos: o do insólito e o do inseto.
Meu amigo Pedro, por exemplo, é um barato no sentido mais tradicional da expressão. Ou não? Fico um pouco confuso, e pensan­do bem talvez ele seja mesmo uma curtição. O passatempo prefe­rido dele é, nos fins de semana, fazer tremendas vivências em Mauá. Fazer vivência vem a ser o quê? Ora, cara, tá por fora: qualquer coisa pode ser uma vivência: um chá, um baseado, uma caminhada. Im­portante é que seja em grupo. E que você vá fundo, entendeu? Com direito a nirvanas e iluminações.
Meu amigo Pedro é superfeliz. Detesta quem tem problemas: ele diz que é baixo-astral. Ele está sempre numa ótima. Detalhe: mora num apartamento de andar inteiro de frente para a praia, no Rio. Com os pais, claro — embora tenha trinta anos. Mas tudo bem: para gozar de inteira liberdade, ele pode usar uma coberturazinha absolutamente simples. Outro passatempo dele, embora adore pe­dir carona, é dirigir o Monza zerinho de manhã. Daqueles que você

aperta botões e acontecem coisas tipo fontes luminosas, faróis de laser, show de mulatas etc. Mas ele, meu amigo Pedro, é singelo e franciscano: anda sempre de camisetinha zurrapa e sandália havaia­na. Tem certeza de que, um dia, vamos todos viver em paz — na Era de Aquário. Confirmou isso no último verão, passado na Bahia, com uma pá de gente de cabeça feita.
Já minha amiga Kate, um pouco mais moça, despreza meu amigo Pedro. Comenta: "Ele acha que Woodstock foi ontem. E ain­da nem desarrumou a mochila". Ele comenta sobre ela: "Quem não dormiu no sleeping bag nem sequer sonhou". A verdade é que não conheço ninguém mais moderno (ou pós, nos dois sentidos: o do depois e o das carreiras) que minha amiga Kate. Coberta de negro, cabelo raspado de um lado, vezenquando uma peruca rosa de nái­lon. Naturalmente é performática. E faz cursos sen-sa-cio-nais: o último foi de vídeo-performance — um arraso. Minha amiga Kate acha tudo meio antigo, mas concede ir ao Satã, ao Rose Bom-Bom, dá umas bandas pelo Ritz e não pisa nem morta no Pirandello. Acha que tudo é uma questão de pique-e-pá-e-crã, sabe como? Fico numas que só...
Meu amigo Betinho é radicalmente o oposto. Faz a linha subir-com-esforço-na-vida. Quanto mais esforço, melhor. Tem visões futuristas com videocassetes, IBMs elétricas, secretárias eletrônicas louras de olhos azuis, guarda-roupas completos para as quatro estações comprados na Mr. Kitsch. Embora, no fundo, goste mesmo é de Calvin Klein. Ou — em momentos de profunda verdade interior — de um sólido Pierre Cardin. Naturalmente, ele veio de baixo. Muito baixo. Tem um problema sério: quando bebe, tem paixão por ouvir Alcione. E por tudo isso, se você for a um res­taurante com meu amigo Betinho, pode estar certo de que a conta jamais será dividida em partes iguais. Em alto e bom som, ele sem­pre dirá: "Mas eu não tomei cafezinho!"
Minha amiga Joana — ex-atriz, ex-cantora, ex-traficante — há anos largou tudo, pegou uns panos vermelhos, botou um mala no pescoço, com aquele 3X4 de Rajneesh, e foi embora pra Floripa (leia-se Florianópolis). É conhecida por lá como Bodhira, que em sânscrito quer dizer flor de não me lembro o quê. Será — haja — ló- tus? Quando fui visitá-la, fizemos muita meditação caótica juntos. Supervivência, se pintar, experimente. É um barato.
Enfim, esses são só alguns. Tem mais, talvez para uma Parte II. Mas, como todo ficcionista, sempre procuro deixar muito claro que qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas — bem, você sabe. E eu adoro meus amigos. Simplesmente adoro.
Até o Próximo Texto
Au Revoir


ABREU, Caio Fernando. A VIDA GRITANDO NOS CANTOS. Editora: Nova Fronteira, 2012. 248p

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Entre a Razão e a Emoção



Exatamente 01:16 da manhã. Estou na sala com as luzes apagadas e uma taça de vinho. Ouço Loreena McKennitt cantando "Never-Ending road". E você sentado é um espectro no canto iluminado pela luz da rua.  Menino tímido me sorrindo de canto. Usa azul. Foi impossível não sorrir também. E você balança a cabeça escondendo o rosto no mão como que negando algo. Então, desvio os olhos e penso em algo para dizer. Antes que eu pudesse dizer, a razão grita:

__ Sabe que não é ele, não é? Você está buscando isso tudo para se sentir menos vazia. Acorda, mulher! As coisas são como são e você não tem ninguém. Encare os fatos tudo é sonho e sonhos não têm obrigação de ser real.

Um gole enorme do vinho faz a razão descer garganta a dentro. E você me ergue a mão. 


Estamos dançando ao som da voz doce de Mckennitt. Rodopiando centímetros acima do chão de mármore do salão principal. Você em seu traje azul e rabo de cavalo e eu em um vestido branco.

__ Conduza-me, amor, porque eu não sei dançar. Me leve! Me leve! Eu te dei meu coração...

Aperta-me enfim em seu peito e minha cabeça se encosta em seu ombro. Seu coração bate ao compasso da mesma canção e sua mão dulcíssima toca meus cabelos aconchegando-me melhor em seu peito. Não há mais nada no salão e nem ninguém além de você, Loreena e eu. E então, você me olha ternamente e diz:

__ Será que um dia você cresce, menininha?

Faço uma cara bem arteira e enquanto escondo o rosto na lapela de sua casaca azul, balanço a cabeça negativamente. Você solta uma gargalhada boa.

__ Ainda bem, anjo!

Beija-me a testa, ata sua mão a minha e atravessa o salão rumo aos portões ao som de Loreena que diz...

"Here is my heart and I give it to you
Take me with you across this land
These are my dreams, so simple and few
Dreams we hold in the palm of our hands"

As portas se fecham, o salão se apaga e a lua sorri; enquanto nós dois adormecemos na grama do jardim.
(Waleska Zibetti)

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Diálogos 5: Sobre Gostos




__ Você gosta de morar aqui?

__ Gosto! Nossa cidade é bonita com povo simples. Mas é pequena e sem grandes possibilidades. A vida aqui não é fácil. Porém o mar compensa e recolhe os sonhos que seus admiradores depositam nele a caminho do trabalho de manhã ou na caminhada para a boa forma. 


__ Você gosta muito do mar, né?


__ Eu amo o mar. E costumo sentar-me na praia sozinha e silenciosa a fim de ouvir os cantos das Ondinas quando estou muita agitada. Elas sempre me acalmam. Você gosta de mar?


__ Gosto sim. Mas não dessa maneira tão poética.


__ Você deve gostar de números, não é? Quem gosta de números, não entende as letras. 


__ Meus pais diziam que poesia é coisa de frutinha. E eu sempre as evitei. 


__ Não culpe seus pais por isso! Minha mãe, como boa canhota, também é dos números e diz que minhas poesias é coisa de gente aluada. Então, eu rio e convido ela para ir até a lua comigo montada em um dragão azul. Ela diz logo com cara de reprovação: “desconjuro!”. E eu caio na gargalhada.


__ Eu gosto de música...


__ A música é uma poesia cantada. Só que cantar é mais comum. Repare só...


Levanto-me, pigarreio, imponho a voz em tom solene.



__ “Vorrei donare il tuo sorriso alla luna perché 

di notte chi la
guarda possa pensare a te
per ricordarti che
il mio amore è importante
che non importa ciò
che dice la gente e poi
amore dato, amore preso,
amore mai reso
amore grande come il
tempo che non si è arreso
amore che mi parla
coi tuoi occhi qui di fronte
e sei tu....

...il regalo mio più

grande”

Ele aplaude e eu me curvo em agradecimento. Rimos.


__ É uma canção. A canção que lhe dedico hoje. Mas se recitada, vira um lindo poema de amor.


__ Lindo é você recitando. Gosta de esportes?


__ Eu não. Embora sei que devesse pois sou gordinha.- Abaixo a cabeça envergonhada. Ele ri.


__ Eu penso demais, sabia? Queria mudar esse meu jeito.


__ Então, você pensa muito? Hum... Terei que providenciar com o Chapeleiro Louco - aquele do País das Maravilhas - uma receita de “Bolo de Insensatez” e te servir no próximo lanche da tarde. Vamos devorar a sua mania de pensar. É bom não pensar, as vezes. É bom perder-se em reinos mágicos, correr o risco de parecermos ridículos só para entrar em contato com o nosso lado criança. Ser criança nos deixa mais leve. 


__ Vou ser ator de cinema!


__ Cinema... Que tipo de filme gosta? Qual o título que traduziria você hoje? Me conta, anjo meu? 


__ Sei lá! Acho que algum de Woody Allen. 


__ Nunca entendi Woody Allen. Mas entendo você. Sabe o que precisa? 


__ Não!


__ Dançar! Vem!Vamos dançar!Eu não sei dançar então,não fica bravo se eu pisar no seu pé, tá? Mas venha comigo! Deixe seus pensamentos ali no banco para pegar depois. E vamos deixar que os próximos minutos sejam nossos, sem ninguém no mundo. A não ser a dona Vontade e a Felicidade, que vestidas de azul-mar, nos observam em cumplicidade. Vamos deixar que essa tua canção nos leve e quando não estivermos mais por aqui dançando, estaremos em nossos pensamentos e no sorriso  como esse que você deu agora.


__ Você não existe!


__ Vem e me dá um beijo com gostinho de mar. 

(Waleska Zibetti)

domingo, 18 de janeiro de 2015

Diálogos 2: Sobre Vinhos e Estrelas





Enquanto olhávamos o céu ele disse que eu era uma estrela.

__ Deus me livre ser estrela! Gosto sim de olhar estrelas, ouvir e conversar com elas como Bilac tão sabiamente ensinou-me. 

Então, ele riu e comentou se eu não queria ser como algumas pessoas que conhecemos e que gostam de ser estrelas. 

__ Eu não me ocupo de estrelinhas. Prefiro aquelas que ponteiam meu céu em noite de insônia. Aquelas que escondem histórias de mistérios e que misteriosamente se agrupam em forma de rostos que arrancam suspiros nas madrugadas. Não tenho tempo para estrelas fúteis. Tenho tempo somente para estrelas sonhadoras que lançam-se do céu para me roubar desejos.

__ Mas alguém te quer estrela. Alguém que te acha especial.

__ Você fala com tanta certeza da existência desse alguém. Desculpe minha pouca fé, querido! Mas sabe como são as coisas de amor, de sentimento, de envolvimento, não é? Meu coração anda cansado de querer e amar errado. Então, fiz assim: arrumei meu coração bem arrumadinho. E enfeitei-o todo de rosas selvagens em volta. Convidei meia dúzia para morar dentro, depois, tranquei o portão. E já faz tanto tempo que as rosas cresceram. São lindas, perfumadas e espinhosas. Ninguém chega perto. Mas estou feliz assim! Ou pelo menos, não choro mais.

__ Você é louca!

__ Minha loucura está em continuar a fantasiar quando o mundo prefere a realidade, em falar de poesias quando o mundo pouco tem tempo para a prosa, imaginar borboletas em pétalas soltas, dragões escondidos em nuvens... 

__ Manias...

__ Tenho algumas manias, mas não chego a ser neurótica. 

__ Mas é ciumenta!

__ Ciumenta, sou demais! Tenho ciúmes de tudo, principalmente dos que gosto. Não chego a sufocar ninguém, mas acabo sendo exigente no que diz respeito a atenção. Se der ao outro, há de dar a mim também. Na mesma proporção. É o mínimo que espero de quem gosto.

__ Que pecado!

__ Minha franqueza é meu maior pecado. Minha mãe diz que devemos ao menos disfarçar o que pensamos dos outros, mas quando dou por mim já falei. Já era!

__ Gosta de vinho?

__ Eu gosto muito de vinho. Os suaves. Mas não me desencanto com os rascantes. O vinho para o frio ou para as tais noite que fico a ouvir estrelas.

_ A cada minuto agradeço mais a sua amizade.

__ Essa amizade está me fazendo muito bem. Ah, nem pode imaginar o quanto! Tão difícil poder ser assim tão serena com alguém. Que presente foi você! Melhor, que presente É você!

__ O que ouviremos agora? Escolhe e eu pego o vinho.

__ Vamos fazer um cd de trilha nossa?

Risadas. Ele foi para cozinha enquanto Elton John invadia a sala.
(Waleska Zibetti, in "Diálogos 2: Sobre Vinhos e Estrelas")

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

"AS PESSOAS" - Crônica



AS PESSOAS

Uma crônica de Gabriella Gilmore

5:45 A.M

Ela não sabe ao certo se realmente receberá visita no final daquele domingo.
Catarina abre os olhos e vê que a luz da sua secretária eletrônica estava piscando. Ela tem uma nova mensagem.
Estica a mão direita para alcançar o botão play.
Beep! Você tem uma nova mensagem.
“Bom dia dorminhoca. Se quiser mesmo assistir filme comigo no final da tarde, me fale o melhor horário para eu ir até sua casa.” Beep!
Catarina ficou olhando para o teto. Logo os olhos se fecharam. Enquanto algumas pessoas não dormem, ela voltou a dormir.
As horas pareciam intermináveis. Se ela pudesse, acordaria só no final da sua vida, para um último suspiro. “Oh, como viver tem me doído à alma!”
Aos olhos dos outros, sua vida era perfeita.
Já havia conquistado quase tudo em tão pouco tempo.
Tinha uma carreira de sucesso. Era inteligente, bonita, da fala correta. Tinha seu próprio apartamento, seu carro e seus bichos. Visitava todo dia sua mãe. Era amada, idolatrada, e invejada. Entretanto, quem se importava? Talvez nem ela mesma dava conta do curto conto de fadas em que vivia.
“Posso dizer o horário. Preciso de ânimo para levantar dessa cama.” Já era quase a hora do almoço. “Nem tomei o café. Quem adiantou o relógio?”
Já era 11:45 A.M.
Virou o corpo para a direita. Soltou um gemido e apertou novamente o botão play da secretária.
Beep! Você não tem nenhuma mensagem.
“Ela não vem!”
Pegou o celular para digitar um torpedo.
“Se importa da gente remarcar o filme para outro dia? Acordei mentalmente indisposta para fazer um social.”
A resposta só foi chegar duas horas depois.
Sua amiga já estava em outro compromisso. Para algumas pessoas as horas passam.
Cacá olha para o teto. Ele tem sido sua distração há meses.
O telefone toca.
Ela dá um sorriso e um suspiro. Mas era a portaria tentando testar o interfone do apartamento. Seu humor volta à cor amarela.
Depois de 40 minutos, ela se arrasta para o banheiro.
Olha-se no espelho, encarando as olheiras de tanto dormir.
Lava o rosto. O seca lentamente na sua toalha de 200 fios 100% algodão. Encara-se novamente.
Dá leve batidinhas nas bochechas na esperança de ver sangue correr naquele local.
Dá um sorriso forçado, mostrando os dentes perfeitos.
Depois de escova-los, resolve tomar uma ducha quente para ver se relaxava a falsa tensão.
Enquanto isso, ela pensava. Pensava de novo, e de novo. Passam-se as horas, e nada acontece.
Ela esperava por uma visita que ela mesma desmarcou.
Insatisfeita.
Depois do banho tomado, ela se senta em frente ao computador.
Pensa em escrever, mas àquelas horas não a permite digitar se quer um pensamento. Eles eram rápidos demais. Vagos demais.
Desliga o aparelho.
Decide fazer um leite quente com canela.
Ao sentar em frente à TV, ela percebe que não tem hábitos de assisti-la.
Termina calmamente seu leite, e volta para a cama.
As horas não passavam.
Infindáveis. Fadigosas.
Ela olha para sua estante de livros e pega um exemplar de provérbios.
“Não quero ser rude, mas preciso te lembrar de que amanhã é segunda-feira. Carpe diem. Boa leitura.”
Era um recado antigo que estava escrito na página branca do título. 
Pegou a chaves do carro, e foi visitar as pessoas.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Eu e o Mundo Inteiro



Queria entender o mundo e achar um meio de transformar as coisas ruins. Não aceito a tristeza, a dor, a indiferença... Não aceito essas coisas que nos são dadas como comuns hoje em dia. Queria a coragem do Cristo e morrer de maneira que o mundo entendesse que alguém é triste por ele. Tão triste a ponto de ir além de sua dor própria para fazê-lo melhor. Mas sou covarde demais. E sinceramente não acho que isso mudaria muita coisa.

Quero entender o mundo e me dou conta de que nem entendo a mim como haveria de entender o mundo. Minha alma é tão doente e pequena. Tão mutilada e vazia. Não! Eu não quero piedade. Nenhum tipo de compadecimento pelo meu flagelo. Sou culpada por cada uma das minhas cicatrizes e ferida reabertas. Sou esse tipo errado de pessoa que está indo sempre aos extremos de si para tentar achar um porque, provar-se ou experimentar-se.

Ontem me peguei chorando enquanto ouvi uma música antiga. E dezenas de rostos e vozes passaram por mim. E chorei por cada um deles como se velasse mortos depois de uma enorme batalha. Contudo, meu choro era consciente de que na batalha, só eu morri. Morri como sempre nas histórias desses rostos que ainda vivem em mim. Meus fantasmas vivos me assombrando de saudade, de mágoa, de paixão. E quem é capaz de entender esses sentimentos tão intensos assim? Há no mundo alguém capaz de entender porque algumas pessoas passam pela nossa vida só para existir eternamente em nossos pensamentos?

Tudo que eu queria era virar vento, pó,  gota de chuva ou borboleta. Para sair por aí pelo mundo e tocar mais uma vez aqueles rostos ainda que eles não soubessem que era eu. Ainda que eles não lembrem mais de mim. Ainda que eu não exista mais em nenhum de seus recantos. Queria olhá-los mais uma vez e entender porque para mim é mais difícil deixá-los para trás. Meus grilhões do passado...

Eu queria entender o mundo; o meu lugar nele e o lugar dele em mim. Queria entender a missão da qual já me falaram que cada um de nós tem aqui. Queria entender o porquê que sonhos nascem e se frustram, porque o beijo não dado é sempre o mais relembrado, porque o amor vira ódio, o para sempre um dia vira nunca... Queria entender essas coisas que fazem parte do viver para ensinar para meus filhos. Para que eles não chorem e sofram como eu.


Mas ainda não aprendi nada sobre viver. E me pego chorando por quem já me esqueceu. E me pego esperando por quem não vai voltar. E me pego sonhando com o que não se realizará. Talvez a minha missão seja essa de sentir. E sentir tão profundamente que torne minha a dor de toda gente. 
(Waleska Zibetti)

domingo, 23 de novembro de 2014

O DIÁRIO IDIOTA DE RAFAELA



Oi pessoal! Gostaria de falar um pouco sobre o meu debut book "O diário idiota de Rafaela". Publiquei ele em 2011, e logo neste mesmo ano, a Academia Valadarense de Letras abriu um edital no qual o autor local ganharia uma cadeira. Infelizmente não foi daquela vez, mas recebi um grande presente que foi uma Análise literária do meu livro pela saudosa Niza Diniz.

Governador Valadares - Setembro de 2011

ACADEMIA VALADARENSE DE LETRAS - AVL

Análise Literária

O diário Idiota de Rafaela
Autora: Gabriella Corrêa Lima

Por: Niza Diniz Pereira (In memoriam)
Patrono: Aluisio de Azevedo

          Trata-se de um livro em que a autora enfoca dois temas: o primeiro é a crescente adesão dos adolescentes aos relacionamentos amorosos virtuais e o outro, a abordagem detalhada dos sintomas e sofrimentos causados pela doença mental, o transtorno bipolar. A protagonista tem um namorado real, mas embarca numa fantasia, tendo outro via Internet, pelo qual se apaixona perdidamente. Abandonada pelo amor virtual chega ás raias da loucura, busca respostas para suas ansiedades; finalmente, adoece recebendo o diagnóstico: transtorno bipolar, uma doença mental caracterizada por uma constante alteração de humor. Em seu Diário, a autora faz verdadeira catarse, onde descreve com riqueza de detalhes as experiências advindas do transtorno: quando se encontra na fase maníaca, tem o sentimento de poder, de euforia, tem vários namorados, sendo que as idéias fluem rapidamente (sem nunca concretizá-las). Nesta fase, vive fantasias, como a protagonista Rafaela, que em delírio, registra em seu diário a existência de uma filha de 3 anos, chamada Clara, fruto do relacionamento com seu namorado. Tal criança, nunca existiu a não ser na sua mente doentia. Identificando esta fase no livro: "Às vezes acho que sou demais, não consigo ser menos, ser pouco me desgasta".
          Por outro lado, registra em seu Diário, as fases depressivas, quando seu mundo cai, acompanhando de insônias, pessimismos, tristeza, irritabilidade, inércia, idéias de suicídio. Este é um estágio difícil, quando afunda em bebidas alcoólicas e nas drogas.
         Identificando esta fase no livro: "hoje habito em um buraco negro dentro de mim, às vezes tem nome, embora só às vezes".
         Para sintetizar a avaliação que faz de si mesma:
         "Eu sou para mim meu próprio tormento".
         A partir do momento que se conscientiza da sua doença e resolve encará-la, começa a trabalhar em seu próprio favor, casando-se com seu primeiro namorado. A protagonista em certo trecho deixa entender que o objetivo desta obra é ajudar as pessoas que sofrem de transtorno bipolar e aceitarem que podem ter uma vida normal, desde que se cuidem, pois a doença não tem cura. Demonstra que existem pessoas com sofrimentos maiores que superam. Final do livro instigante: será que Rafaela era mesmo bipolar, ou tudo não passou de uma fantasia de adolescente?
         A leitura oferece ao leitor a oportunidade de rever seus relacionamentos virtuais com mais critério, ao mesmo tempo em que alerta para a aceitação de transtornos que acaso surjam em sua vida.


Adquira seu exemplar aqui .

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Amor em Tempos Modernos





Dedicado ao Rei do Reino dos Cabeça de Vento

Perdoem-me senhores, mas hoje
falo do ato corajoso de sonhar.
Mais que isso... Hoje falo da bravura
de viver um sonho

Madrugada... Todos dormem.
Menos eu e essa mosca filha da puta
que zombe no meu ouvido.
Ligo o rádio e ela zombe no ritmo
das músicas melódicas que tocam.
Quem foi o corno que inventou
que em toda casa casais fodem na madrugada?

Caço meus próprios sons no computador.
A mosca pousa em meus cabelos
na mesa na tela na fresta da janela da sala
na testa da minha insônia.
Vou apagar a luz...

Tenho medo de escuro
Da sala vazia
Das visões dos meus olhos arenosos
Da cama arrumada
“Dá sertão da minha solidão...”
Belchior é um cara que também tem medo.
Não estou só!

Jogo paciência, dama, copas fora...
Obrigada internet pela minha inutilidade agora.
Leio jornais, blogs, trechos de livros...
Obrigada internet pelas minhas tisanas culturais.
O sono partiu e não volta.
Sou a fantasma entediada de camisola
que peregrina pela madrugada nas ondas internáuticas.


Entro num chat a procura de almas
Que vagueiam na noite
ouvindo moscas
e Belchiores.

Ele tem 52
Mais tarde 53
Eu tenho 42
Mais tarde 43
Ele escrever!... Escreve bem!

__ Perfeito demais – começa o juízo- tem caroço no angu.
__ Todo caroço deve ser revelado – sorri o impulso.
__ Revele e elimine! Corte-lhe a cabeça. – ordena a Rainha.
__ Nada te entrega! – sorri Cheshire.
__ Te cuida!
__ Se dá!
__ Tá na cara que é problema.
__ É sonho!
__ Que porra é essa que estão fazendo? O Juízo me aponta defeitos e medos e o Impulso me lança em desejos...
__ Não diga depois que não avisei.
__ Não ouça viaje!
__ Vai chorar de novo.
__ Pode ser diferente. TENTE!
__ Porra! Parem de me confundir.

Lá estão a Moleca e a Rainha
Se enfurnando pela estrada a fora.
Quem será ele?
Tão doce! Tão bom! Tão suave!
Tão sonho! Tão brisa! Tão paz!
Tão tudo que desconheço!
E ele volta... Novo dia. Novo sonho.
Ele é mesmo outro ponto, contra ponto, reencontro.

__Viu o que fez? Vão feri-la!
__ Talvez não!
__ Vai dar merda!
__Talvez não!
__ Calem-se os dois! Nem Rainha nem menina. A decisão é minha. Eu quero! Eu vou!

Outra noite... Outra espera...
Ele veio. É mistério.
Me encanta e eu quero.
Ele veio. Ele volta. Me revira.
Me leva. Se entrega.


__Ela está... Sorrindo.
__Está leve!
__Ela está... Sonhando?
__Está feliz!
__Que está acontecendo? Ela brilha!
__É paixão.
__E se chorar?
__ Cuidamos dela de novo.
__Novos cortes?
__Talvez não!
__A abençoamos. Vá!
__Os abençoamos. Sejam!
__ Será que isso é mesmo real? Tenho um rei e um menino? Um amor afinal?

Ele volta. Ele vem no mesmo horário
todos os dias e quer saber de mim
do meu dia e depois
me leva por aí para voar em draguanas.
 E você se perguntando da mosca
mas não era mosca
era cupido que me deixou acordada
para sonhar de novo.
(Waleska Zibetti)

domingo, 2 de novembro de 2014

Seu emprego é melhor que o meu?

Seu emprego é melhor que o meu?
Uma crônica de Gabriella Gilmore

Personagens:
Vanessa, brasileira, residente nos USA, secretária em um pequeno centro odontológico em Washington – DC

Camila, nordestina, residente em Brasília, recepcionista em um hotel 5 estrelas.

Conversa pelo Skype, 21:30 da segunda-feira do dia 29 de abril de 2013

- Amiga, queria te perguntar uma coisa. Escreveu Vanessa.
- Desembucha.
- Você me perguntou esses dias para te arrumar emprego aqui nos States e tals... não sei quanto você ganha ou se passa dificuldade ai, mas me conta. Você trabalha em hotel por quê? Uma amiga minha mora em SP e disse que tem um excelente emprego graças ao inglês. Não te entendo.
- Bom, na verdade essa coisa de ter inglês é de certa forma ilusória. Em Brasília, por exemplo, há três limitados campos de trabalho: Rede hoteleira, shopping centers (ou lojas no centro) ou passar em concursos. Há empresas aqui, mas são bem poucas e nem te preciso falar da concorrência.
- Mas não sei quem me disse, que estaria ganhando uns R$ 3.000 reais em shoppings se tivesse o inglês que você tem...
- Me apresenta essa pessoa. (Zombou Camila). Papo furado Vanessa. Não conheço ninguém que trabalha em lojas que precisou de inglês para conseguir emprego ou subir de cargo. Claro que há exceções, mas não é simples assim não. Agora é minha vez de levantar uma coisa.
- Pode falar.
- Sei que somos amigas há anos, e que você parece se preocupar comigo. Mas você está tão americanizada, fria e mecânica, que quando você toca em assuntos sobre empregos e salários, você passa a impressão de que só porque mora fora do país está abalando o bambu. Quer ouvir uma real?
- Fale.
- O que te faz melhor do que eu? Você saiu do Brasil para estar secretária em um país que nem é seu. O seu emprego nem é lá glamoroso. Já eu, sai do interior do meu país para ir para um grande centro trabalhar para ricos nojentos que se hospedam só em 5 estrelas, e aproveito para estudar outro idioma para futuramente ganhar melhor. Eu vejo o meu caso como progresso, e o seu?  Me fale depois. Outro exemplo tirando nós duas do caso. Tenho colegas de quarto que são concursadas e me olham com desdém feito você, às vezes. Uma delas é auxiliar de dentista. Limpa sujeiras dos utensílios dentários de pessoas de baixa renda (ela trabalha para o SUS). Precisa ser um CDF para trabalhar em um lugar desses? É outra coisa no Brasil que me revolta. Ralar para passar num concurso para fazer trabalho “sujo”. Eu, francamente, ainda prefiro meu trabalho explorador de domingo a domingo, onde fico em meio de artistas, gente bonita, rica e de bons contatos, nunca se sabe... Você entende o que quero dizer?
- ...
- Agora me diga você: Por que seu emprego é melhor do que o meu?


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ponto Final...






Era só um espectro de si mesmo. Esconde-se na penumbra. A ponta de seu vestido era a única coisa que alcança a luz vinda da lua que invade a fresta da janela.

__ Olá!

A voz é como um acorde frio que retumba no cômodo cheirando a passado. É difícil imaginar-lhe os traços porque seus cabelos cobrem-lhe o rosto.

__ Entre. Eu o esperava.

É impossível não obedecer a essa voz. Uma banqueta do outro lado, provavelmente de veludo e que em outro tempo fora vermelho, está quase em frente a ela. E diante dela é difícil controlar a respiração, o corpo, a voz, o olhar.

__ Há quanto tempo sinto você se esgueirando por aí a me rondar.

Ela respira pesadamente e sua voz sai como um silvo. Uma mão pálida e cadavérica segura o braço da poltrona acariciando o tecido também aveludado.

__ O que você procura? Melhor... O que você não procura é o que lhe traz aqui.

Seu cabelo é longo e seu cheiro lembra velhas bibliotecas. Não é possível ver mais do que a ponta do vestido e os contornos magérrimos de uma mulher.

__ Eu não sou o caminho, mas vocês insistem em vir sempre por aqui. Vocês insistem em visitar-me pela comodidade que causo em vocês. Gentinha miúda e nojenta. É isso que são! Todos vocês!

A voz agora demonstra desprezo e um cheiro ruim invade o cômodo. Talvez seja a hora de ir. Mas não se consegue. Tem que ter um porquê.

__ E tem!  - sentencia pela primeira vez forte essa coisa sentada adiante – O porquê é o seu medo. O seu medo de não assumir o que quer, de não se lançar nos seus desejos. Fica arrumando pequenas desculpas para tudo: falta de tempo, falta de dinheiro, depressão, loucura, Deus... Até quando será isso em sua vida? Esse vaguear em mentiras, em ilusões, em desculpas... 

A respiração acelera. É possível ouvi-la ainda mais nítida.

__ Foram criados para serem superiores e na maioria do tempo agem como vermes. Depois ficam aí... pelas madrugadas... ratos pelos meus corredores. Misericórdia... misericórdia...

Aperta o braço do sofá.  Unhas pontiagudas quase rasgam o tecido roto.

__ Infelizes! Haverá sol amanhã, sabia? E tudo que terá a fazer é ter coragem de admitir seus pesadelos para que ele o cubra inteiro. Se despir dessa sua pele fantasiosa de segurança e admitir o medo, a falha, a culpa. Mas... É mais fácil não chorar, não é? É mais fácil arrumar outra desculpa para enfiar o dedo na garganta e jorrar sua frustração no vaso do banheiro. Dizer sinceramente para si que você é o resto de merda nenhuma e então, sair pela vida para provar a delicia de ser totalmente livre.

Pela primeira vez ela movimenta o corpo para frente. Partes dos cabelos alcançam a luz. São grisalhos e mal cuidados.

__ Ouça um pouco... Há vida lá fora. Gente. Gente de verdade. Gente querendo e sendo gente. E você aí... Rondando-me. Perdendo tempo. Querendo um amanhã perfeito. Ele não virá! Ele não existe! Mas você entenderá isso tarde demais.

Ela se levanta. É completamente possível se sentir o olhar dela pousado em nós.

__ É a sua última chance. VÁ!

A mão cadavérica aponta a porta, a rua iluminada...


__ VÁ AGORA E VIVA!

E agora, amigo? O que você escolhe: continuar aqui ou ir? É você quem decide. Tudo agora é com você.
(Waleska Zibetti)