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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Final (Epílogo)

Epílogo

Marius já sabe que foi Valjean que o retirou da barricada quando fora atingido e agora ele e Cosette estão indo encontrar o velho que o salvou. Infelizmente não há o que falar dessa parte, pois (para quem não viu) estragará o final, mas vale dizer que é belíssimo.

Mas o que posso dizer é o quanto interessante se faz essa cena, misturando a esperança de revolução da época em que foi escrito, misturando religião e tantas outras coisas que a peça soube misturar de forma ímpar.

E deixo aqui uma das grandes mensagens da peça: And remember the truth that once was spoken, to love another person is to see the face of God (E lembre-se da verdade que uma vez foi dita: Amar outra pessoa é ver o rosto de Deus).


Como bônus especial eu falarei o seguinte: Na versão de 1995 (o aniversário de 10 anos da peça), após o espetáculo são convidados para o palco Valjean’s de 17 países diferentes: Reino Unido, França, Alemanha, Japão, Hungria, Suécia, Polônia, Holanda, Canadá, Áustria, Austrália, Noruega, República Tcheca, Dinamarca, Irlanda, Islândia e Estados Unidos. Todos eles juntos cantam uma das mais épicas versões de “Do You Hear The People Sing?”. 

Convido-lhes mais uma vez a ver a peça.Bom. Foi isso, espero que tenham gostado e que assistam a peça. Até a próxima pessoal. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 6 (Inspetor Javert)



Inspetor Javert

Após a batalha dos revolucionários contra o governo, Marius é deixado inconsciente e gravemente ferido, Valjean o pega e o leva para um médico. No caminho ele cruza com Javert.

Valjean tenta passar e Javert tenta impedi-lo, sobre o pretexto de que tinha chegado a hora de Valjean. Valjean lhe pede mais uma hora e que depois eles se encontrarão para resolver tudo. Javert dá o tempo que precisa.

Enquanto Valjean leva Marius para o médico, Javert vai até a ponte onde costuma pensar. Lá ele entra em um grande estado de confusão. Afinal o homem que ele perseguiu na esperança de prender o salvou. E diz que o mundo terá que escolher. There is nothing in this world that we share. It’s either Valjean or Javert. (Não há nada no mundo que compartilhamos. Isto é entre Valjean ou Javert).

Depois se pergunta como ele pode impedir Valjean de dominá-lo, afinal ele teve a chance de matá-lo e não o fez. Devolveu-lhe a liberdade. And my thoughts fly apart. Can this man be believed? Shall his sins be forgiven? Shall his crimes be reprieved? (E meus pensamentos voam. Dá para acreditar nesse homem? Seus pecados serão perdoados? Seus crimes serão suspensos?). E agora ele se vê duvidando de coisas que nunca duvidou. My heart is stone and still it trembles. The world I have known is lost in shadows. Is he from heaven or from hell? And does he know that granting me my life today this man has killed me even so. (Meu coração é pedra e ainda treme. O mundo que eu conheci perde em sombras. Ele é do céu ou do inferno? E ele sabe que me concedendo minha vida hoje, este homem me matou mesmo assim).

Senhoras e Senhores. Javert é a representação de um Direito cego e cruel, que simplesmente segue o que está na lei, esquece-se do que torna o Direito uma ciência humana. Valjean vem para ensinar-lhe o perdão. Eis a grande jogada Javert é o mundo antigo, Valjean é a ocorrência das revoluções, as mudanças. Tudo o que Javert viu e acreditou que fosse certo caiu como sombras que somem ao chegar o dia. Javert havia sido derrotado como o antigo mundo.

I am reaching but I fall. And the stars are black and cold, as I stare into a void of a world that cannot hold. I’ll escape now from that world. From the world of Jean Valjean. There is nowhere I can turn. There is no way to go on.
(Eu estou alcançando [o céu], mas eu caio. E as estrelas são escuras e frias, enquanto eu observo um vazio de um mundo que não me segura. Eu escaparei deste mundo. Do mundo de Jean Valjean. Não há lugar para retornar. Não a como seguir).


Javert se joga da ponte...

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 5 (A Vida Continua e Malditos Ladrões)



A Vida Continua e Malditos Ladrões

O senhor Thénardier estava nas barricadas, mas não para ajudar na batalha. Ele “rouba” os pertences das pessoas mortas e usa-as para fazer fortuna. O momento de sua maior atrocidade acontece com a ária “Dogs Eat Dogs”. Como eu já havia dito antes eles são um casal desprezível.

Não houve revolução, logo nada mudou. Agora as pessoas se conformam de que nada mudará. E os anos se passarão sem nada mudar.

Marius foi o único sobrevivente (mas não sabe como saiu de lá quando esteve inconsciente, falarei disso depois). Ele lamentasse de ter sido o único a sobreviver e que seus amigos tenham morrido. O momento passa na Taverna onde eles discutiam sobre a revolução (“Empty Chair at Empty Tables”) outro momento muito bonito da peça e o verso mais bonito dessa ária é: Now my friends will sing no more (Agora meus amigos não cantarão mais).

Cosette chega até Marius e ele se pergunta como saiu da barricada, Cosette pede que ele esqueça. Marius a pede em casamento e Valjean conta toda sua história para Marius, desde seu crime até o final. Ele com medo do que Cosette iria pensar dele, ele foge.

Na noite do Casamento de Marius e Cosette o casal Thénardier aparece bancando pose de nobres. Marius reconhece o anel que o senhor Thénardier está usando. O anel era de Marius. Nesse momento cai a ficha de que quem o tirou das Barricadas foi Valjean. Marius expulsa os Thénardier (que cantam a música “Beggars at the Feast”), conta a Cosette a verdade e vai até Valjean.  


O correto seria eu falar sobre o Epílogo, mas ainda há Javert que eu pulei na ordem por ele ser, além do meu favorito, um personagem muito mais complexo que os Thénardier, Marius e Cosette. Então no próximo texto falarei sobre o fim de Javert e depois sobre o Epílogo. 

sábado, 5 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 4 (As Barricadas)



As Barricadas

O segundo ato começa com Éponine andando pelas ruas de Paris, pensando sobre sua situação com Marius. Decreta-se sozinha com a ária “On My Own”. Depois da canção ela decide ir juntar-se a Marius na barricada.
Enquanto isso na Barricada, os estudantes são ameaçados pela guarda que já aparece, mas Enjolras encoraja seus amigos e eles aceitam o desafio. Um dos soldados avisa e os aconselha a desistir, pois estão sós. You at the barricades, listen to this! No one is coming to help you to fight! You’re on your own! You have no friends! Give up your guns or die! (Vocês nas barricadas ouçam isso! Ninguém está vindo para ajudá-los na luta! Vocês estão por sua conta! Vocês não têm amigos! Larguem as armas ou morram!). Enjolras devolve com uma resposta digna de um revolucionário. Damn their warnings, damn their lies! They will see the people rise! (Danem-se seus avisos, danem-se suas mentiras! Eles verão o povo se erguer).

Javert finge ser uma pessoa do povo que se voluntariou para ajudar na luta. Infiltra-se bem e diz que há muitos guardas e que o perigo é real. Diz que os inimigos deixarão que eles sintam fome e desistam. Então chega o pequeno Gavroche e acaba com o plano de Javert, denunciando-o. Liar! Good evening, dear Inspector. Lovely evening, my dear. I know this man, my friends, his name’s Inspector Javert. (Mentiroso! Boa noite, querido Inspetor. Linda noite, meu caro. Eu conheço esse homem, meus amigos, seu nome é Inspetor Javert). Javert é preso e fica para o povo decidir o que será feito com ele.

Pequena nota sobre este momento: Javert possui uma “música tema” no momento em que prende Fantine e em algumas outras partes também. Quando ele é preso pelos estudantes essa música retorna contra ele.

Éponine chega à Barricada, mas é gravemente atingida pela guarda. Enquanto morre aos braços de Marius canta “Little Fall of Rain”. Enjolras, para consolar Marius, diz que a morte dela não será em vão.

Valjean se candidata a ser voluntário para a guerra, mas vai vestido com o uniforme da guarda e não é muito bem recebido. Em determinado momento eles mostram a Valjean o que aconteceu com Javert, que estava preso e os dois se assustam. Enjolras deixa que Valjean ajude, mas o adverte: se os atacasse pelas costas ele seria morto.

O Governo faz o primeiro ataque. Valjean é de grande ajuda a eles. Enjolras diz que só o poderá agradecer quando a guerra tiver sido ganha, mas Valjean só pede uma coisa, que ele cuide de Javert. Enjolras permite que ele faça isso.  

Javert espera seu fim, mas Valjean não o executa. Javert o avisa de que ele sempre será um bandido e que continuará o perseguindo, que é melhor para Valjean que o mate, pois Javert acredita que Valjean queira um acordo com ele. Mas Valjean mostra ao antigo policial que ele está errado. You are wrong, and alway have been wrong. I am a man no worse than any man. You are free and there are no conditions, no bargains or petitions. There’s nothing that I blame you for. You’ve done your duty, nothing more (Você está errado, e sempre esteve errado. Eu sou um homem não pior que nenhum outro. Você está livre e não há condições, nenhuma barganha nem petição. Não o culpo por nada. Você cumpriu seu dever, nada mais).  Em seguida Valjean entrega seu endereço e “convida” Javert a ir dá-lhe a lição que merece. If I come out of this alive you will find me at No. 55 Rue Plumet. No doubt our paths will cross again. (Se eu sair disto vivo você me encontrará no número 55 Rua Plumet. Sem dúvida nossos passos se cruzarão de novo). Javert vai embora derrotado.

A noite cai na barricada e os amigos cantam sobre o que está acontecendo e sobre sua amizade, ao tema “Drink With Me”. Um dos momentos mais marcantes dessa canção: Drink with me to days gone by. Can it be you fear to die? Will the world remember you when you fall? Could it be your death means nothing at all? Is your life just one more lie? (Beba comigo pelos dias que passaram. É possível que você tema a morte? O mundo lembrará de você quando morreres? Será que sua morte não signifique nada? Sua vida não é somente mais uma mentira?). Depois todos os revolucionários cantam juntos: Drink with me to days gone by, to the life that used to be, at shrine of friendship never say die. Let the wine of friendship never run dry. Here’s to you and here’s to me. (Beba comigo pelos dias que passaram, pela vida que costumava ser, no santuário da amizade que nunca supõe morrer. Não deixe o vinho da amizade derramar. Aqui para você e aqui para mim). Enquanto isso Marius pensa em Cosette.

Quando todos estão dormindo Valjean reza por Marius em um dos momentos mais bonitos da peça. A oração recebe o nome de “Bring Him Home”. Valjean pede que Marius saia com vida daquela situação. Após o texto colocarei o vídeo da música, pois não tem como explicá-la por aqui.

Chega manhã e os soldados da guarda logo avisam: You at the barricades, listen to this. The people of Paris sleeps in their beds. You have no chance, no chance at all. Why throw your lives away? (Vocês na barricada ouçam isso. O povo de Paris está dormindo em suas camas. Vocês não tem chance nenhuma. Por que desperdiçar suas vidas?). Enjolras e seus companheiros respondem com toda sua honra. Let us die facing our foe. Make them bleed while we can! Make the pay through the nose! Make them pay for every man! Let others rise to take our place until the Earth is free! (Deixem-nos morrer encarando nosso inimigo. Fazê-los sangrar enquanto pudermos. Fazê-los pagar pelo nariz! Fazê-los pagar por todos os homens! Deixem outros tomarem nossos lugares até que a Terra esteja livre). 

Ocorre mais um ataque. Mas dessa vez a Guarda ganha. Matam todos (incluindo o pequeno Gavroche)... Ou quase todos. Enjolras foi um grande líder, que serviu para seus aliados e lutou por suas ideias, por isso deixarei aqui as palavras de sua revolução:

Red the blood of angry man, Black the dark of ages past, Red a world about to dawn, Black the night that ends at last. (Vermelho o sangue o homem bravo, Preto a escuridão das eras passadas, Vermelho um mundo prestes a amanhecer, Preto a noite que finalmente acaba).

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 3 (Mais Um Dia)



Mais Um Dia

Cosette está no quintal de sua casa, questionando sua vida sozinha e que agora se encontra apaixonada. Como desconhece esse sentimento acha estranho a forma com que aconteceu. How strange, this feeling that my life’s begun at last. This change – can people really fall in love so fast? What’s the matter with you, Cosette? Have you been too much on your own? So many thing unclear, so many things unknown” (Como é estranho, esse sentimento que começa na minha vida. Essa mudança – é possível alguém se apaixonar tão rápido? O que há com você Cosette? Você tem sido muito por si mesma. Tantas coisas obscuras, tantas coisas desconhecidas).

Marius e Cosette estão apaixonados um pelo outro. Mas como toda história de amor tem que ter alguém que se fere (gravemente ou não) entra a amiga de Marius, Éponine. Para quem está acostumado com o linguajar da internet vai entender o que direi: Éponine está na “friendzone”. Ela é apaixonada por Marius, mas ele a vê somente como amiga.

Explicarei como Cosette e Marius se conheceram. Para quem assistiu a peça pelo aniversário de 10 anos não verá o momento, contudo no Filme de 2013 o momento ocorre.
Valjean e Cosette estão no centro de Paris e o casal Thénardier está também enganando o povo que passa. Marius, levado por Éponine, esbarra em Cosette e é paixão a primeira vista entre os dois. Pouco depois Valjean e Cosette são arrastados por Thénardier e sua gangue (até então sem reconhecerem-se). Em um momento o casal maligno reconhece Valjean e tentam agredi-lo. Uma confusão começa. Marius ajuda Valjean (por causa de Cosette, lógico). Até que alguém grita o nome “Javert”. Valjean assustado pega Cosette e foge dali. Javert e alguns guardas chegam e dão uma dura em todos os ali presentes. Vale lembrar que Éponine é “amiga” dos Thénardier.

Voltando da onde parei: Marius pede a Éponine, que o leve até algum lugar para encontrar com Cosette. E eles finalmente se apresentam com mais calma. Caros leitores, gostaria de ressaltar que eu descrevendo uma cena romântica sou um ótimo lutador de UFC. Mas voltando à peça. No encontro emocionante de Marius e Cosette é cantada “A Heart Full of Life”.

Depois do encontro, já à noite, a gangue dos Thénardier tenta invadir a casa de Valjean. Contudo Éponine aparece com o intuito de atrapalhá-los, mas o senhor Thénardier acredita que ela veio ajudar e a dispensa. Éponine get on home. You’re not needed in this. We’re enough here without here. (Éponine entre na casa. Você não é necessária nisto. Nós somos o suficiente sem você aqui). Ela, no entanto, tenta despistar os homens I know this house, I tell you. There’s nothing here for you. Just the old man and the girl. They live ordinary lives (Eu conheço essa casa, eu lhes conto. Não há nada para vocês aqui. Somente o velho e a garota. Eles vivem suas vidas ordinárias). O senhor Thénardier fica irritado e manda que ela não interfira, e ela diz que vai gritar. Quando diz isso à gangue eles a ameaçam de matá-la, então ela grita. Thénardier e sua gangue fogem e Marius chega com Cosette. Marius apresenta Cosette a Éponine, mas ele ouve alguém chegando e foge com Éponine, chega então Valjean assustado por ter ouvido um choro e com vozes nervosas na rua. My God, Cosette, I heard a cry in the dark. I heard the shout of angry voices in the street. (Meu Deus, Cosette, eu ouvi um choro na escuridão. Eu ouvi gritos zangados pela rua). Cosette diz que foi o choro dela e que ela se apavorou com o que viu. E Valjean fica com muito medo. Cosette: Three men I saw beyond the wall. Three men in shadow, moving fast. Valjean: This is warning to us all. These are the shadows of the past. (Cosette: Eu vi três homens além do muro. Três homens nas sombras, movendo-se rápido. Valjean: Isso é um aviso para todos nós. Essas são as sombras do passado.

Valjean acredita que seja Javert, que ele tenha descoberto seu paradeiro e pensa em fugir de novo, para Calais, uma cidade no norte da França. Nesse momento na peça é cantada “One Day More”, que mostra o que cada personagem (Valjean, Cosette, Marius, Enjolras, Éponine, Javert e o casal Thénardier) está pensando sobre o próximo dia.


Valjean se prepara para a viajar de novo. Cosette e Marius se perguntam se encontrar-se-ão novamente. Éponine conforma-se de que nunca ficará ao lado de Marius, Enjolras começa a organizar a revolução. Javert diz que derrotará os estudantes. O casal Thénardier continua sendo o casal Thénardier. E este é o fim do primeiro Ato. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Os Miseráveis: Parte 2

Deixei de fazer uma coisa importante no primeiro texto. Para quem quiser assistir a peça colocarei o link do Youtube da versão de 1995 (https://www.youtube.com/watch?v=NAVrm3wjzq8). Na minha opinião a melhor versão. 
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Paris

Agora, após dez anos, a história se passa em Paris. Mas não na alta sociedade parisiense. Marius e Enjolras, dois estudantes, chegam à capital francesa e ficam assustados e desanimados com a pobreza do local. Gavroche, um menino pobre que se considera conhecedor de toda Paris, se apresenta a eles. Mas eles procuram pelo General Lamarque que era a única pessoa que se importava com o povo daquele lugar, mas está doente e morrendo. Enjolras espera o auxilio do povo para construir uma barricada contra o governo. Gavroche une-se a Enjolras e Marius e todos os outros estudantes que aparecem.

Javert continua sua busca a Valjean, contudo deixarei para falar de Javert mais a frente, pois ele é um personagem complexo e extremamente interessante de se falar.

Então voltamos ao grupo que será mais importante nessa parte: Os Amigos ABC. Eles são os estudantes que, liderados por Enjolras, controlam a revolução que se apresenta. Eis que surge a representação do Comunismo na peça.

Pequena Nota: Para todo aquele que pensa que o Comunismo é algo de se “alimentar vagabundo”, isso é um erro. O Comunismo surge do trabalho. É preciso trabalhar para ser comunista. E, na própria peça, um dos estudantes chama os trabalhadores para aliarem-se ao movimento. No Comunismo também não se divide as coisas como é pensado por aí, mas não me prenderei a falar do Comunismo e sim da peça. Se interessar a alguém, falo sobre o livro “Manifesto do Partido Comunista”.

Enfim, Enjolras e seus amigos começam a se organizar para a batalha contra a desigualdade social e contra a exploração que governo francês traz ao povo. Enjolras sabe que será difícil lutar contra a Guarda Nacional e não sabe como chamar o povo para a guerra. Diz, então, que precisam de um sinal para mover o povo. “We need a sign to rally the people, to call them to arms, to bring them in line” (Precisamos de um sinal para reunir o povo, para chamá-los às armas, trazê-los pra linha). Marius chega atrasado à reunião dos amigos. Os amigos perguntam-lhe o motivo de ele parecer atordoado e responde ele que viu uma pessoa e que está apaixonado. Um dos amigos zomba dele e da situação. “I am agog, I am aghast. Is Marius in love at last? I’ve never seen him ohh and ahh... You talk of battles to be won and here he comes like Don Juan. It’s better than a opera! (Estou assustado, estou espantado. Marius está finalmente apaixonado? Eu nunca o tinha visto tão “ohh” e “ahh”. Você fala de batalhas que devem ser vencidas e ele vem como Dom Juan. Isso é melhor que uma Ópera).

O que vem a seguir é algo que não pode ser descrito. Os níveis de emoção, inspiração e poder são tão altos que não dá simplesmente para expressá-los por aqui. Primeiro vem a música “Red and Black”, na qual Enjolras pergunta se seus amigos pensaram no preço que pagarão pela revolta e se era apenas um jogo pra garotos ricos. E diz depois diz: “The colour of the world is changing day by day. Red, the blood of angry men. Black, the dark of ages past. Red, a world about to dawn, Black, a night that ends at last” (A cor do mundo está mudando dia após dia. Vermelho, o sangue do homem bravo. Preto, a escuridão das eras passadas. Vermelho um mundo prestes a amanhecer. Preto, a noite que finalmente acaba). Enjolras organiza seus companheiros para a batalha, quando Gavroche chega e traz a notícia de que Lamarque está morto. Então Enjolras vê o sinal que ele queria para chamar o povo para a Batalha, pois com a morte dele o povo, provavelmente se revoltaria e se uniria a eles. E para terminar esse pedaço colocarei a música Do you hear the people sing?” (Vocês Ouvem o Povo Cantar?)


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of a people 
who will not be slaves again
When the beating of your heart 
echoes the beating of the drums
There is a life about to start when tomorrow comes

Will you join in our crusade? 
Who will be strong and stand with me?
Beyond the barricades 
is there a world you long to see?
Then join in the fight 
that will give you the right to be free!

Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of a people 
who will not be slaves again
When the beating of your heart 
echoes the beating of the drums
There is a life about to start when tomorrow comes

Will you give all you can give 
so that our banner may advance?
Some will fall and some will live,
Will you stand up and take your chance?
The blood of the martyrs will water the meadows of France

Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of a people 
who will not be slaves again
When the beating of your heart 
echoes the beating of the drums
There is a life about to start when tomorrow comes

sábado, 22 de agosto de 2015

Os Miseráveis: Parte 1




Os Miseráveis é uma obra literária de Vitor Hugo de 1862 contando uma história que se passa na Revolução Francesa. A obra mostra a sociedade francesa sem o glamour e paparicos como sempre são mostrados. Mas não falarei sobre o livro (até porquê não o li ainda). Falar-vos-ei (adoro isso) da ópera que saiu do livro. Com música de Boublil e Schönberg a ópera de “Os Miseráveis” é uma das produções que entrou para história do teatro e do cinema mundial.

Quero deixar claro que em alguns momentos citarei partes da ópera e usarei a forma em inglês, não para aparecer, mas para permitir que procurem na internet e vejam como se apresenta.

Início

A ópera começa com vários presos trabalhando num tipo de mina, gritando uns para os outros para manterem seus olhares baixos e não olhar para os guardas. Em determinado momento chega o Inspetor Javert (meu personagem favorito) e chama o preso 24601, Jean Valjean. Explico-lhes que na trama Valjean é o protagonista e Javert é seu arqui-inimigo. Javert dá a Valjean uma carta que o permite uma condicional. Nessa condicional Valjean conhece um bispo que o dá esperança, mostrando-lhe as palavras de Deus. Valjean se vê um novo homem e foge, quebrando sua condicional.

Nesse início vemos que os presos eram tratados como escravos quando Valjean diz “I know the meaning of those nineteen years a slave of the law” (Eu sei o significado desses dezenove anos como um escravo da lei). Outro aspecto é que ele passa os dezenove anos preso porque tentou fugir algumas vezes. O crime de Valjean foi roubar uma casa, pois sua irmã passava fome, mas depois de preso ele tentou fugir e de cinco anos ele aumentou para quase vinte. Depois, quando Valjean vai trabalhar antes de conhecer o bispo, que os presos são vistos como seres inferiores e “sujos”, pois ele recebe menos que uma pessoa normal, justo porque ele esteve preso. “You broke the law, it’s there for people to see. Why should you get the same as honest men like me?” (Você quebrou a lei, está lá para as pessoas verem. Por que deveria ganhar o mesmo que pessoas honestas como eu?) Essa é a fala de um comerciante para qual Valjean trabalha, essa condição é repetida até hoje. Eis que ele conhece o bispo que o abriga, dá-lhe comida, água e um pouco de dinheiro, mas Valjean tenta passar a perna no bispo e trazido de volta pelos soldados para poderem prender-lo, mas o Bispo defende o prisioneiro, mas o adverte que a partir de então Valjean deveria se tornar um homem honesto, pois Deus o havia tirado das trevas e o bispo havia comprado a alma dele para Deus (by the witness of the martyrs, by the Passion and the Blood, God has raised you out the darkness. I have bought your soul for God). Nesse momento Valjean decide ir embora e mudar de vida (Valjean’s Soliloquy – “Jean Valjean is nothing now, another story must begin”)

Passam-se dez anos: Valjean foge e se torna prefeito de uma cidade e dono de uma fábrica, Javert persegue-o, mas com o tempo esquece e começa, sem saber, a trabalhar na mesma cidade que ele. Na fábrica de Valjean os trabalhadores aguardam o pagamento que é mínimo e para piorar, Fantine uma mãe solteira que mandou sua filha morar com outras pessoas para ser cuidada, precisa de um aumento, pois sua filha está doente e quase morrendo. Mas Fantine se recusa a deitar com os capangas da fábrica. Uma das moças da fábrica começa uma briga com Fantine e Valjean impede a briga, mas toda a fábrica se volta contra ela e, por fim, ela é demitida da fábrica, neste momento é cantada a ária mais conhecida dessa peçaI Dreamed a Dream. Sem emprego e precisando manter a criança ela vira prostituta para poder continuar mantendo a menina.

Nos dias de hoje isso acontece, mulheres que se prostituem para salvar suas crianças que foram abandonadas pelo pai, como Fantine e Cosette foram. Então vem um monte de gente dizer que ela escolheu a forma de ganhar dinheiro fácil (creio eu que não é nada fácil) e lhes mostrarei o porquê. 

Fantine fica doente. Mas continua seu trabalho e um homem a chama, mas ela o nega. Os dois brigam e Javert aparece, o homem diz que Fantine o atacou e que ele, “inocente pobre coitado”, não teve nada a ver com isso. Javert prepara-se para prendê-la. Fantine implora a Javert, que é irredutível e cruel, ela conta sobre a filha. “... save your breath and save your tears. Honest work, just reward, that’s the way to please the Lord” (…poupe seus suspiros e lágrimas. Trabalho honesto, recompense justa, este é o caminho para os favores do Senhor). Valjean intercede por Fantine e reconhece seu rosto, mas não sabe de onde e pede a ela uma forma de ajudá-la, mas ela se sente ferida por Valjean dispensa-o “Monsieur, don’t mock me now, I pray. It’s hard enough, I’ve lost my pride. You let your foreman send me away. Yes, you were there and turned aside…” (Senhor, não zombe de mim, implore. É difícil demais eu ter perdido meu orgulho. Você deixou seus capatazes me mandarem embora. Sim, você estava lá e se virou). Valjean, atordoado pelo o que tinha feito, tenta mudar a situação e a leva para o hospital, para o espanto de Javert.

Um acidente acontece e uma carroça cai em cima de um homem, Valjean por ser novo e forte o ajuda e tira o rapaz debaixo da carroça. Javert fica impressionado e desconfiado com a força do “monsieur le Mayor” (assim se referia ao prefeito). Valjean fica assustado e se lembra de seu passado (Who Am I). Valjean perguntasse se ele pode dizer quem é. Valjean perguntasse quem ele é. E por fim assume: “Who Am I? I’m Jean Valjean. And so, Javert, you see it’s true. This man bears no more guilt than you. Who am I? 24601” (Quem sou eu? Sou Jean Valjean. Então, Javert, você vê a verdade disto. Este homem não pode mais suportar mais culpa do que você. Quem sou eu? 24601)

Já morrendo, Fantine sonha com sua filha. Valjean, então, chega até ela e promete-a que cuidará da menina Cosette. Como último pedido Fantine diz “for God’s sake, please stay till I am sleeping and tell Cosette I love her and I’ll her when I wake” (Pelo amor de Deus, por favor fique (Valjean) até eu estar dormindo e conte a Cosette que eu a amo e a verei quando acordar). Antes que Valjean saia do hospital Javert, já consciente da verdadeira personalidade do Prefeito, vem para prendê-lo. O prisioneiro implora para que Javert o deixe ir, pois ele precisa cuidar da criança e promete que voltará para cumprir sua dívida, mas Javert como sempre, se mostra impiedoso. Esse combate é apresentado pela ária Confrontation. Valjean, então, empurra Javert e foge atrás de Cosette.

Cosette é uma doce menina que mora com o Senhor e Senhora Thénardier, dois canalhas de marca maior, estaleiros de pior qualidade e caráter. Cosette não é muito bem tratada e vive como uma escravinha do casal. Perdoem-me minha falta de decoro, mas o casal Thénardier são personagens que podem entrar no hall da fama dos personagens desprezíveis. De todas as óperas, filmes, séries, livros e desenhos animados os Thénardier conseguem superar quase todos. São mais covardes que o Rabicho de Harry Potter, mais falsos que o Bispo da França dos Três Mosqueteiros, mais hipócritas que o Padre de O Corcunda de Notre Damme, entre outros adjetivos que eu não posso dizer.


Voltando a história. Cosette sonha com um lugar onde ela será amada e onde não tem que trabalhar como chama seu Castle on a Cloud”. Enquanto isso o Sr. Thénardier engana e rouba seus hóspedes, quando este se diz o Master of The House. Valjean chega à hospedaria e diz que vai levar Cosette embora, mas que pagará por ela, para ressarcir os gastos que o casal teve com a menina. O casal tenta convencer Valjean a não levá-la, mas ele já está decidido, até porque viu a menina sofrendo no frio. Depois que Valjean consegue libertar Cosette eles vão embora para Paris. Agora acrescente mais dez anos à história.