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quarta-feira, 2 de abril de 2014

FUTILIDADE DOS BAILES

Por Gabriella Gilmore


Se é ficção ou não, eu não sei, mas a visão dos encontros em bailes do século XIX era basicamente uma caça ao "tesouro". A Sra. Bennet, extremamente fútil, se pudesse venderia as filhas em leilão. Muito materialista, ela basicamente se assegurava com a segurança que o casamento traria para as filhas, mesmo se elas fossem infelizes. Na minha casa, não foi muito diferente. Eu e minha irmã mais nova, fomos criadas para sermos mulherzinha de casa e esposa de pastor. Não podia aparecer algum jovem novo na igreja que ela tentava empurrar o rapaz para interagir conosco. Coisa horrorosa! Muito dessa pressão te explica o porquê da minha repulsa por casamentos, e hoje eu não sei mais, se eu realmente não quero isso para mim, ou se faço isso só para irritar minha mãe.

" Quero dizer... e se eu não gosto do que eu gosto só porque eu gosto, mas porque minha mãe não gosta, e não quer que eu goste? E se eu realmente não gostar das músicas que gosto ou os filmes ou as roupas ou os homens? E se eu não gosto do que pareço gostar?" (Lorelai Gilmore)

Me dizem por favor qual era o problema das mães daquela sociedade!?

E você leitor, sofre ou já sofreu alguma pressão por conta da comunidade hipócrita?

segunda-feira, 31 de março de 2014

Casar ou não casar? Eis a questão!


Lembro-me de meus pais lendo para mim histórias de princesas e seus príncipes antes de eu dormir. Era comum eu sonhar com castelos, bruxas, torres e o tal Encantado. Era pequena ainda, mas a coisa ficava, sabe? Era uma espécie de lavagem cerebral diária onde a informação “O Príncipe é o caminho” repetia-se até que invadisse meu inconsciente e dominasse meus sonhos.

E o tempo passou e eu saí dos contos de fada para conhecer outros autores. Ainda não tinha uma visão literária como tenho hoje e menos ainda senso crítico, então, aos 13 e 14 suspirei apaixonada lendo Sidney Sheldon. O príncipe estava lá, mesmo que sem cavalo e capa e com pequenos defeitinhos.

Graças a Deus cresci! Não conheci o tal príncipe, mas casei com algo que parecia perto de algum tipo de nobreza na época. Também, sejamos francos, eu não era nem de longe uma princesa. Então, tudo estava dentro de um parâmetro confortável. Amor? Bom, naquela época eu achava que sim. Amor era facilmente confundido com calores em certas partes e algumas crises de choro ao som de Bee Gees. Contudo, havia um envolvimento que permitia querências típicas como ficar ao lado, não se ausentar por muito tempo, trocar informações do dia a dia. Hoje vejo mais como “ausência parental”. Explico-me: meus pais separados, minha mãe não tinha diálogo comigo, meu padrasto era um saco. Eu vivia num universo só meu e do tal “semi-príncipe”. E um pensamento inocente alerta: identifico-me com ele, logo o amo. A juventude é inocente, e o pesadelo da maturidade. Mas enfim...

Casei-me aos 22. Foi bom! Foi dentro do esperado. Embora confesse que por algumas vezes pensei nos dragões e lobo maus que conheci ao ver o meu príncipe roncando ao meu lado. Noites insones inspiram pensamentos nem sempre produtivos. Fiquei 17 anos casada oscilando entre “Eterno enquanto dure” e “Acaba logo pelo amor de Deus”. Até que acabou. Bom, não é disso que é para falar. Voltemos ao ponto...

“O casamento é uma necessidade?”, você perguntou. Não! O casamento é um estágio da vida que pode ser perfeitamente ignorado. “E quando se deve casar?” – você deve estar se perguntando. Case-se quando a vida lhe assinalar que é a hora. Ainda que o juízo aponte riscos. Case-se quando você pensar que a vida com aquela pessoa pode ficar melhor, mesmo na incerteza. Case-se e pronto! Só não se case porque está ficando velha, porque as pessoas estão cobrando, porque vai ficar para “titia”, porque quer alguém que a sustente.

Ficar velha é algo natural. Pague uma aposentadoria privada, tenha boa alimentação e prepare-se para uma velhice saudável e segura. Casamento não é INSS para garantir a sua aposentadoria.  As pessoas estão incomodas porque você não tem um namorado? Dê a elas um gato e mande que elas cuidem das sete vidas dele ao invés da sua.  Está ficando para titia? Seja uma tia maneira! Vá ao cinema com os sobrinhos, jogue videogame com eles, curta essa galerinha que é incrível de se conviver quando nos disponibilizamos a entendê-los lembrando que fomos como eles.

Se não esquecer que casamento não é refúgio, é compromisso; não é obrigação, é decisão; tudo dará certo. O importante é agir com consciência para não entrar no arrependimento. E amar, amar, amar... e quando possível, amada ser.

CASAMENTO, UMA NECESSIDADE.

Por Gabriella Gilmore


"Bem sabe que não sou romântica. Nunca fui. Desejo apenas um lar confortável; e, considerando o caráter do Sr.Collins, suas relações e sua situação na vida, estou convencida de que tenho tanta possibilidade de ser feliz quanto qualquer outra pessoa que se case." Disse Charlotte Lucas.

Essa foi a explicação de Charlotte a Elizabeth Bennet, quando aceitou o pedido de casamento do primo da Srta Bennet. Srta Lucas sabia que três dias antes, Sr. Collins havia pedido a mão da prima que na mesma hora recusou.

Sem segurança financeira, e quase chegando aos trinta, Srta Lucas temia um futuro solitário e sabia que os pais não estariam ali para ela a vida toda. Não era comum a mulher trabalhar e se sustentar naquela época, portanto a única salvação para elas era o casamento. Nessas relações, o amor surgia através da convivência, ou não. Nos dias de hoje, algumas mulheres acabam repetindo histórias do passado. Por que? O que faz uma mulher esperar tanto tempo para o casamento? Dessas mulheres que tenho conhecido através deste romance, tenho me identificado com Elizabeth, mas essa fala de Charlotte externou muito o que eu penso sobre a condição da mulher com a idade "avançada". E para você, o casamento é uma necessidade?

quinta-feira, 27 de março de 2014

Não Deixe de Olhar Por Aí!


Olhe para fora sim, Gabi!!!

Porque olhando para fora observamos a miséria humana que percorre calçadas de narizes empinados e bolsas Louis Vuitton. Gente falsificada por inteiro. Ostentam orgulhosas seus luxos na tentativa fútil de esconder seu lixo, alma podre na grande maioria das vezes.  Então, olhe para fora para não se contaminar, para não ficar igual, não cair no padrão. Como diz na canção de Guilherme Arantes “Prá nunca perder. Esse riso largo. E essa simpatia. Estampada no rosto...”. É preciso cuidado para esse vermezinho nojento da sociedade hipócrita não entre por nossas narinas nos fazendo perder o senso do real, do verdadeiro, daquilo que dá sentido ao viver: a essência.

Darcy está certíssimo! Há um lado oculto em nós que nada nem ninguém muda. É o lado que questiona e incomoda. O lado que alfineta e instiga. O lado que pisa nos bons costumes com salto 15 e escarna dos conceitos de certo e errado. O lado que assombra a moral. Em certo texto meu coloquei a afirmação de que somos prostitutas na calçada da vida, todos sem exceção; e alguém se indignou nos comentários. Imagina o senhor de gravata e terno sendo comparado a uma prostituta! Despautério total de uma aspirante a escritora. E eu ri as gargalhadas lendo aquilo. Sabe por quê? Tinha achado a prostituta decadente no meio de todas as outras.

Levanta a cabeça e olha como o mundo lá fora tem alma doente e fétida. Faz isso para semear todos os dias uma flor nova em você. Para que você não sinta o cheiro prurido que eles exalam quando falam de suas posses, suas origens, suas vitórias... Orgulhosos decrépitos que ignoram o pedinte na calçada, mas discutem inflamados sobre a fome do mundo num banquete. Coloque todo dia uma dose a mais de humanidade no seu café, Gabi, para que você nunca faça isso. Que seu orgulho seja dormir em paz diante de suas escolhas, atos e conceitos. Porque assim, todo dia, você caberá mais nos ambientes e ampliará mais o seu interior.


quarta-feira, 26 de março de 2014

CORREÇÃO DE CARÁTER



Por Gabriella Gilmore

Eu conhecia Jane Austen pelos filmes, mas ainda não havia lido nenhum de seus livros. Fui agraciada com Orgulho e Preconceito este mês e estou apaixonada. Acontece que Austen escreve da forma como eu gosto de ler. Adoro diálogos, e como meu cérebro não processa muito bem autores que descrevem muito o ambiente e cenário, eu aproveito melhor textos introspectivos. Um mapa interior me cai melhor. "Olha para fora Gabi!" Diria Zibetti para me atormentar, rs, porém o interior sempre me chamou mais a atenção.
A princípio, achei que o livro abordasse preconceito racial, ou coisa do gênero, e estava curiosa para saber que tipo de orgulho ele tocaria, e mais uma vez a autora conseguiu me conquistar. A leitura tem sido leve e agradável, e no meio de tantos personagens de personalidade forte e distinta, você acaba se identificando com algum. Ate o momento, estou na mente e no coração de Elizabeth. O que será que minhas companheiras de clube estão achando?

- Existe, acredito, em cada temperamento a tendência para algum mal, uma falha natural que nem mesmo a melhor educação pode extinguir. Falou Sr.Darcy.
- Seu defeito é uma propensão a odiar todas as pessoas. Retrucou Elizabeth.
- E o seu - replicou ele, sorrindo - é fazer questão de não compreendê-las.

Nesse trecho os personagens falavam sobre o jeito difícil e orgulhoso que Darcy encara a vida. Creio que no decorrer da trama, algum motivo Darcy deve ter por agir assim. Eu o adoro e não acho que ele seja vilão, inclusive não é atoa que Eliza se apaixonará por ele.

Você já se apaixonou por alguém que odiava? Eu já.

sexta-feira, 21 de março de 2014

ORGULHO E PRECONCEITO

Livro em discussão até dia 17 de abril de 2014.
Leia conosco!


Sugestão da Colunista: Gabriella Gilmore

"Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho se relaciona mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós. " Jane Austen.