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domingo, 12 de abril de 2015

Despedida


E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


Braga, Rubem. A Traição das Elegantes. Editora Sabiá, Rio de Janeiro.1967.

Até o próximo texto
Au Revoir 

domingo, 30 de novembro de 2014

A arte dos encontros...

É tão difícil falar, é tão difícil dizer coisas que não podem ser ditas, é tão silencioso. Como traduzir o profundo silêncio do encontro entre duas almas? É dificílimo contar: nós estávamos nos olhando fixamente, e assim ficamos por uns instantes. Éramos um só ser. Esses momentos são o meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isso de: estado agudo de felicidade.
(Clarice Lispector)

Ao longo dessa vida, nos vemos sempre sentados a beira do cais, um porto seguro, como se esperássemos a chegada de alguém. Alguém que nos tire da margem de nós mesmos e que nos faça partir em busca dos nossos sonhos que existem dentro de nós mas, que por não acreditar ou até por receio de enfrentar os caminhos dessa jornada preferimos o estado confortável de estar sentado olhando os barcos atracarem e irem embora.
Vinícius de Morais já dizia que "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida."  e é assim que é a nossa vida: encontros e desencontros, achados e perdidos, olhares que se cruzam, olhares perdidos no horizonte, despedidas, um abraço apertado da chegada, vontades reprimidas de falar o que se sente e o silêncio que tudo se traduz. Não há o que ser diferente, porém o que realmente importa são os momentos únicos e todas as primeiras vezes que você se lança em busca da vida e para que tudo isso aconteça uma dose de sinceridade, uma parte de se deixar cativar, e deixar nas pessoas o desejo de estar ao nosso lado e aproveitar todo e qualquer instante ao lado delas.
É preciso encontrar as coisas certas da vida, para que ela tenha o sentido que se deseja. Assim, a escolha de uma profissão também é a arte do encontro, a mulher ou o homem por quem se encanta é a arte do encontro, porque a vida só adquire vida, quando a gente empresta a nossa vida, para o resto da vida.
Almas Gêmeas - Segredos de um Encontro
Acesse o conteúdo completo em: http://www.stum.com.br/conteudo/c.asp?id=04778
Almas Gêmeas - Segredos de um Encontro
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Todos os encontros nos tocam.
É a mais alta prova de que a vida vale a pena e que nada é em vão é a sensação de estar num ponto em que a sua busca completa a minha espera e tudo se encaixa. Acredite, o primeiro encontro é com nós mesmos e partir dele nos encontramos com o mundo. Em cada mudança de emprego, em cada separação, em cada fim de etapa, nos sentimos como o retorno ao porto deixando pra trás pedaços de nós mesmos e trazendo outros tantos, provas boas de que a vida nos deu boas experiências, amigos fieis, amados que nos reerguem e mesmo no trajeto quando esse naufrágio for iminente que possamos recorrer às pessoas que fazem parte dessa jornada com a doce certeza de que seremos consolados e fortalecidos.
"Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável o suficiente para cada vez mais encarar os desconfortos todos fugindo cada vez menos, sabendo que algumas coisas simplesmente são como são, e que eu não tenho nenhuma espécie de controle com relação ao que acontecerá comigo no tempo do parágrafo seguinte, da frase seguinte, da palavra seguinte. É me sentir confortável o suficiente para caminhar pela vida com um olhar que não envelhece, por mais que eu envelheça, e um coração corajoso, carregado de brotos de amor." (Ana Jácomo)

Nossa vida é toda marcada pelos encontros, e como é bom encontrar alguém que chega e mexe com as nossas estruturas, assim do nada, alias, é assim do nada que conheci as melhores pessoas da minha vida, e que assim seja com você.

Até o próximo Texto
Au Revoir
Almas Gêmeas - Segredos de um Encontro
Acesse o conteúdo completo em: http://www.stum.com.br/conteudo/c.asp?id=0477

domingo, 28 de setembro de 2014

Quando a vida deixa de ser um mero clichê

 "My pride, my ego, my needs and my selfish ways
Caused a good strong woman like you to walk out my life
Now I never, never get to clean up the mess I made, oh
And it haunts me every time I close my eyes
It all just sounds like…”


Trad.: "Meu orgulho, meu ego, minhas necessidades e meu jeito egoísta
Fizeram uma mulher boa e forte como você sair da minha vida
Agora nunca, nunca conseguirei limpar a bagunça em que eu fiz
E me assombra sempre que fecho meus olhos
Tudo isso soa como..."

(Bruno Mars –When I Was your men) 



Muito me impressiona ver algumas pessoas gastarem suas vidas com conflitos fúteis e inúteis, tendo a oportunidade de poder fazer algo grandioso por elas mesmas. Quando digo oportunidade, não cito que elas tenham tudo pronto para imediato, mas condições muito favoráveis para batalhar e fazer de suas vidas algo muito especial. Clichês do tipo: “isso passa”, “uma hora se ajeita”, “o tempo é o maior aliado”, não são as melhores formas de se auto ajudar a sair da inércia.
Ações, decisões pensadas, são elas que nos dão o empuxo necessário para seguir em frente e talvez sejam elas a mola propulsora necessária para que a vida não passe a ser um verdadeiro marasmo. Nem tudo são flores, nem todos os dias são ensolarados, mas, não há tristeza que dure para sempre! Só penso que os dias nublados irão vir e que as flores irão murchar.

Crer nas possibilidades é muito clichê, a dúvida é excitante.

Na ânsia de sermos diferentes, acabamos por repetir a mesmice, os velhos e óbvios clichês, tão gastos e desbotados, que fogem a nossa percepção. Seja louco (a) diga o que pensa, seja direto, se desprenda sobre o que não vai acontecer ou o que podem pensar, mande flores e diga o quanto foi bom estar naquela companhia, cintile! Seja diferente! Seja você!
Mas às vezes deixamos passar essas oportunidades, por medo, por orgulho, por ser clichê, por vergonha do ridículo, pois quando amamos, ficamos bobos! Sim, BOBOS alegres!
Mas eu admito que por muitas vezes devo ser o clichê implantado, meus olhares são poetas, meu silêncio é cantor e minha ausência dançarina, eu faço festa mesmo sem estar, causo dores sem querer e desperto amores inconscientemente. Se sofro? É claro, neste mundo não há quem não sofra mais eu entendo muito bem o sofrimento e lido com ele de forma pacífica, por vezes de forma dramática.

Nenhuma barreira é intransponível se você estiver disposto a lutar contra ela.
 
Vai lá pessoa, fecha os olhos. Mergulha no que te dá vontade. Que a vida não espera por você. Abraça forte e com vontade o que te faz sorrir. Sonha que é de graça. Não espere. Promessas vão e vem. Planos, se desfazem. Regras, você as dita. Palavras, o vento leva. Distância, só existe pra quem quer... E já dizia o Einstein “Evitar a felicidade com medo de que ela acabe, é o melhor meio de se tornar infeliz.” Então você está esperando o que pra ser e fazer alguém feliz?

Meu conselho: Não deixe escapar oportunidades na sua vida! Viva a vida intensamente, aproveitando somente o melhor dela! Por que o tempo passa, e o que passou pela sua vida no passado no futuro pode se tornar uma doce recordação ou um amargo arrependimento.

Ei se você achou que o texto teria algo óbvio, quem disse a você que a vida é óbvia?

Aproveite-a, toque-a e dance-a!!!

 
Au Revoir e Até o próximo Post!