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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Quem Nunca... - Leitura do livro "Adultério" de Paulo Coelho (Parte Final)



“Os homens desacompanhados começam a olhar em volta, 
buscando discretamente mulheres sozinhas. 
As mulheres, por sua vez,
olham umas às outras: como estão vestidas, que maquiagem usam, 
se estão acompanhadas de maridos ou amantes.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Por que as mulheres se comportam dessa forma tão doentia querendo sempre ser mais que as outras?! Eu sei que sou mulher, mas juro que nessas horas sou muito macho. Quero lá saber da vida de A ou B! Foco sempre na minha que já dá um trabalho dos diabos. E para finalizar... Saber das fofocas da vida de artistas e de novela é outra coisa que detesto nas mulheres. Pronto falei.     

“...nosso instinto é controlar tudo, até o incontrolável, 
como o amor e a fidelidade.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Eu tenho ciúmes, confesso. Mas sou de me reservar ao máximo e só falo quando acho REALMENTE um ponto onde desenrolar o novelo. Eu odeio injustiças. Uma crise de ciúme pelo que não existe, me faria injusta. E ademais discussões de reação são chatas e desgastantes. Se puder evitar, evitarei.

“Mas eu minto. Tenho mentido todos os dias. 
Perdi o amor-próprio e já não sei onde estou pisando.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Para suportar o viver é preciso uma dose diária de ilusão. Fantasiar um universo paradisíaco ou um mundo de bizarrices. Uma dose homeopática de fantasia por 24 horas de pressão diária. A vida é uma merda e fantasiar pode ser o ópio para não se sentir no fundo do esgoto.

“É possível se educar para amar o homem certo?”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Creio que a pergunta correta é: Existe amor certo? E acho que a resposta é simples e óbvia: existe desde que você se conheça e procure alguém com as mesmas afinidades. Exemplo: Uma mulher caseira nunca será feliz com um farrista; um sádico nunca será feliz com uma puritana... É preciso saber o que eu sou para definir o que me completa.

“Não consigo me levantar deste ponto de ônibus 
porque descobri que há correntes presas ao meu corpo. 
São pesadas e é difícil arrastá-las.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Como não carregar culpa? Será que é possível passar uma vida inteira sem sentir culpa de nada? Acho que sim, desde que você não tenha receio de dizer “eu fiz porque quis”. Creio que culpas são saradas e aliviadas quando pedimos perdão do fundo do coração ou admitimos para nós mesmos que fizemos uma escolha errada num determinado ponto. Não tenho culpas em mim. E se alguém disser que tenho, tenha certeza que foram eles que as colocaram em mim. Eu estou em paz. 

“-Todo mundo tem aqueles dias em que diz: 
‘Bem, minha vida não está exatamente de acordo com as minhas expectativas. ’ 
Mas se a vida lhe perguntasse o que você tem feito por ela, qual seria a sua resposta?”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Eu tenho feito pouco, essa seria minha resposta. E tudo está chato porque eu não tenho me esforçado para mudar. Lembrei do Aerosmith “Sonhe até que seu sonho se torne realidade”. E acho justamente que tenho sonhado demais. Ah, droga! Esta aí Vida, a minha posição. Preciso mudar!

“-Sonhar não é tão simples quanto parece. 
Pelo contrário. Pode ser perigoso.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
E como é! E quando nos perdemos em sonhos, voltar à realidade pode nos levar a uma depressão ímpar. Eu sei do que falo porque já sonhei demais. E hoje vivo o segundo estágio. 

“O cérebro humano é fascinante: esquecemos um cheiro até senti-lo de novo, 
apagamos uma voz da memória até que a ouvimos outra vez, 
e até as emoções que pareciam enterradas para sempre 
podem ser despertadas quando voltamos ao mesmo lugar.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Saudades é como percorrer velhas ruas para alimentar de sentimento algo que não queremos que morra. Tenho muitas saudades em mim. Saudades que vão desde rostos até aquilo que não vivi. Quando ela vem, deixo que ela me queime, me despedace, me roa os sentidos... Preciso das saudades para criar novos versos. Depois ela se vai e eu fico ali plantando emoções novas que um dia também serão saudades.

“-Era bobagem. Mesmo assim era meu sonho.
 E poderia tê-lo realizado.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Acho que a maior parte das frustrações que carregamos está no fato de perdermos muito tempo esperando aprovações dos outros. Essa coisa de dizer que o homem é um ser social e de isso ser levado a sério acaba gerando momentos de anulação do que queremos ou somos para nos tornarmos o que esperam que sejamos. Eu tenho algumas dessas “anulações” em mim. E te juro, isso pesa, as vezes, que não dá nem para mesurar.

“Vivemos em uma partícula microscópica de um gigantesco mistério, 
continuamos sem respostas para nossos questionamentos de infância: 
existe vida em outro planeta? 
Se Deus é bom, por que permite o sofrimento e a dor dos outros? 
Coisas assim.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
O tempo não parará, não há voltas no caminho e o futuro não se pode prever porque tudo muda a cada minuto. E isso enlouquece a quem teima em querer que seja diferente. Eu sei bem disso porque já tentei segurar o tempo e enlouqueci. 

“Na eternidade, não existimos;
 somos apenas um instrumento da Mão 
que criou as montanhas, a neve, os lagos e o sol.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Li essa “eternidade” como fé. E a fé me aproxima de todos os mistérios que encontro em meus questionamentos. Porque ter fé é acreditar. É acreditar até mesmo no impossível, no impensável, no indizível... Ter fé é deixar envolver pela esperança. A esperança é o melhor sentimento de conforto. Então sou eterna porque tenho fé e esperança. E a mão que me conduz eu chamo de Deus.

“Terra firme? Não, nenhum relacionamento pode buscar isso. 
O que mata a relação entre duas pessoas é justamente a falta de desafios, 
a sensação de que nada mais é novidade. 
Precisamos continuar sendo uma surpresa um para o outro.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Hei! Onde está você que procuro? Você que terá sempre uma carta na manga, um pulo do gato, o novo “porém”. Onde está você que espero com tanta vontade de conhecer? Está na hora de chegar, sabia? Para sermos esquisitos juntos. Porque sei que você está vagueando por ai sozinho com sua esquisitice. E isso é triste. Então, junte a sua com a minha e vários por aí. E se nada ficar sentido, não tem problemas coisas sem sentido são as melhores.

“Busquemos primeiro o Amor, e todo o resto nos será acrescentado”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Eu amo. E não sei viver sem amar. Um dia me perguntaram que carência era essa em mim. Eu não sei o que é. Mas preciso do amor. De senti-lo em mim. Caso contrário, sinto a vida saindo de mim e meu olhar se apagando. Foi assim que aprendi a suportar a vida, o que está ao redor, amando sou capaz de me suporta. Porque amando me humanizo. 

“E a mais importante lição é aprender a amar. (...) 
Mas uma coisa ficará para sempre na alma do universo: meu amor. 
Apesar dos erros, das decisões que fizeram os outros sofrerem, 
dos momentos em que eu mesma pensei que ele não existia.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)

Bom, assim terminamos mais um livro. Achei a frase ideal para nos despedirmos. Espero que todos aprendemos a amar sem ter que passar pelo processo do adultério. Mas para ser franca, acho difícil que não passemos ao menos uma vez. 

Então, senhores, é isso aí! 

Até a próxima!

Waleska Zibetti

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Quem Nunca... - Leitura do livro "Adultério" de Paulo Coelho (Parte Três)



Mais um Pouco de “Adultério”!

“Alguém pode ser obrigado a pedir perdão
por despertar um amor impossível? Não de maneira nenhuma.
Porque o amor de Deus por nós também é impossível.
Nunca será correspondido à altura, e mesmo assim
Ele continua a nos amar.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Acho que o amor Ágape é o único que podemos investir com a certeza de que não corremos risco. Estão tentando banalizar Deus por aí. Problema! Meu amor por Deus é inabalável e nunca me arrependi dessa fé cega. Deus é para mim o primeiro amor e a condição básica para que eu ame qualquer outro.

“Muitas vezes escutamos o que parecem ser
grandes ideias para transformar o mundo.
Mas são palavras ditas sem emoção, vazias de Amor.
Por mais lógicas e inteligentes que possam ser, não nos tocam.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Ainda verei o dia em que algo tentará vender o amor em saquinhos de chá. É cada coisa que vejo e leio por aí! Teorias mirabolantes para se ser feliz, se encontrar, se realizar... Se você for colocar tudo em prática você terminará louco. Bom, de certo modo, feliz, encontrado, realizado, já que na loucura podemos tudo. Ou quase!

“Por que o Amor é mais importante que a Fé?
Porque a Fé é apenas a estrada que nos conduz ao Amor Maior.
Por que o Amor é mais importante que a Caridade?
Porque a Caridade é apenas uma das manifestações do Amor.
E o todo é sempre mais importante que a parte.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Amor, amor, amor... All we need is Love! E voltarmos ao ponto inicial. Por que se complica tanto algo que é tão inerente a nós? Porque tendemos a amar errado. E por que tendemos amar errado? Porque outro sentimento tipicamente humano é o de possuir. E aí queremos possuir a pessoa amada. E amor e posse não se misturam. Amor é o contrário da posse. Amor é doação, é entrega, é libertação. Fácil falar, difícil praticar. Eu sei! Por isso é preciso prática diária! Está disposto? Aposto que não. Sabe por quê? Porque amar também é ter paciência. E paciência não é para todos.


 “Não há nada mais importante que possamos doar
do que o reflexo do Amor em nossa vida.
Esta é a verdadeira linguagem universal (...)
A mensagem do Amor está na maneira como levo a vida,
e não nas minhas palavras ou nos meus atos.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
O amor me salvou várias vezes. Me salvou da solidão, do desespero, da desilusão, de mim. Foi por amor que me levantei muitas vezes e que resisti a minhas intempéries. O amor é farol para minha alma sombria. A minha poesia é carregada de amor e questionamentos sobre ele. Porque é um sentimento que me intriga. Sinto o amor vaguear em mim por baixo da minha pele levando-me a extremos de mim.

“Para encontrar a paz nos céus,
é preciso encontrar o amor na Terra.
Sem ele, não valemos nada.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Amores para se ter na terra: a Deus, aos filhos e a si mesmo. Acho que o mais difícil é aprender a se amar. Ah não, distorce o nariz! Somos sempre nosso maior inimigo. Comecemos com coisas simples tipo a gorda que não se aceita, a magrela que esconde a perna fina, a coroa que usa duzentos recursos para retardar o tempo. Custamos a nos olhar com respeito, aceitando os nossos defeitos. Eu sou dentuça, baixinha e gorducha e me divirto apontando minhas semelhanças com a Mônica. Mas levei um tempão para me aceitar assim. Fiz dietas, me pendurei em traves e só não usei aparelho porque não era comum na minha época. Chorei, me escondi em jeans largão, evitava as pessoas até que alguém me disse “quando se aceitar, você será feliz.”. Não é o que fui mesmo!

“Quando amamos alguém,
não nos contentamos em conhecer apenas sua alma;
queremos saber como é seu corpo. Necessário?
Não sei, mas o instinto nos leva a isso.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Ah, o sabor da pele de quem amamos!... Nessas horas acho que entendo os canibais. Se morder suavemente, chupar apaixonadamente e beber da pessoa amada já nos leva ao êxtase, como deve ser bom devorar-lhes. Calma, senhores, não saiam por ai pensando mal de mim. Estou jogando, divagando. Vamos só comer o juízo do outro para que a entrega seja completa, ok? Queremos gozo, prazer. E vamos nos limitar a isso. Que o deus Eros nos abençoe na conjunção da carne, amém! 


“Viver é tomar decisões e aguentar as consequências.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Seria muita inocência achar que uma vez tomada uma decisão nada aconteceria há dezenas de frases de efeito que nos alertam para isso. Claro que também não dá para passarmos a vida na inércia. Então, o que fazer?Duas opções: Planejar ou arriscar. Eu opto, sempre, pelo arriscar. Planejamento leva tempo e eu sou urgente. Devo antecipar que não sou um bom exemplo a ser seguido. Penso que planejar seja o caminho mais garantido para o sucesso. Mas também o mais chato. Deve ser muito chato fazer tudo de modo linear e coerente. Lembrando o meu amado Bukwoski: “Algumas pessoas nunca ficam loucas. Que vida verdadeiramente horrível elas devem levar”.


“Muita gente diz: o tempo cura tudo. Mas não é verdade.
Pelo visto, o tempo cura apenas aquelas coisas boas
que gostaríamos de guardar para sempre.
Ele nos diz: “Não se deixe iludir, a realidade é esta.””
(Paulo Coelho, “Adultério”)
O tempo cura quase tudo. O que realmente sangra ele adormece, serena, anestesia. Mas curar mesmo, isso não faz não. Acho que sentimentos negativos acabam impressionando mais porque geram medo. Depois do amor, acho o medo o sentimento mais marcante. Veja a história do mundo, por exemplo. É no medo que trabalham os grandes ditadores e facínoras. O medo é o que impede a grande maioria de progredir, de mudar o seu status quo ficando eternamente presos na insuportável linha do “se”. O tempo não cura o “se” também. O tempo só assenta a poeira para que sigamos a diante.


“Existe um buraco em minha alma que drena toda energia positiva,
deixando apenas o vazio.
Conheço o buraco – tenho convivido com ele há meses -,
mas não sei como escapar da armadilha.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Esse “buraco” eu conheço. O meu se tornou um abismo enorme e eu costumava a passar horas a admirá-lo e ele ia aumentando, me separando de tudo, me encurralando num canto. Até que decidi construir uma ponte. Não tinha como me livrar do “buraco”, mas não preciso mais cair nele. Reuni minhas forçar e parti para a luta. Hoje só me isolo quando quero.

“Tudo aquilo que buscamos com muito entusiasmo
assim que atingimos a idade adulta – amor, trabalho, fé –
acaba se transformando em um fardo pesado demais...
 Amar é transformar a escravidão em liberdade”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Lembro-me do filme “A Lenda” – Tom Cruise um menino de treze, quatorze anos. Bom, lá um personagem disse: “O sonho da adolescência é o pesadelo da maturidade”. Hoje eu sei exatamente o que ele quis dizer. Mas porque isso acontece? (Agora serei linchada) Acontece porque as nossas lindas mamães nos fazem acreditar que o príncipe encantado existe e vem no fim da história nos salvar do dragão. O pior é que muitas vezes o dragão é muito mais interessante.   

“Todo mundo tem um lado obscuro.
Todos têm vontade de experimentar o poder absoluto.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Até onde você se conhece? Que pergunta difícil de responder, não é? Em todos nós habita um monstro esperando o momento oportuno para sair. O que liberta esse monstro? Cada um tem o seu limite. O que pode ser a gota d’água para mim pode ser um nada para outro. É preciso estar atento aos sinais. E para entender os sinais é preciso se conhecer. Voltamos ao ponto de partida! É! Acho que a melhor maneira de lidar com a imprevisibilidade que representa cada ser humano é aceitar que ninguém jamais se conhecerá como um todo.

“Somos animais incompreensíveis.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Sem comentários.

“-A velhice é mais traumatizante para aqueles
que acham que podem controlar o passar dos anos.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Sempre levanto esse assunto quando me deparo com alguns famosos deformados de tanta cirurgia plástica. O que há demais em aceitar que o tempo passa e que esse corpo, que nada mais é que um invólucro perece num inevitável desgaste? Eu me orgulho de estar viva e as marcas do tempo no meu corpo são os sinais de minhas vitórias e superações. Sou mais do que esse corpo que demonstra cansaço. Eu sou mais que as atribulações que cansaram meu rosto. E todos deveriam pensar assim. Tão menos arriscado! E tão mais certo de um envelhecimento digno. Bom, pelo menos, é meu modo de ver.

“Não somos aquilo que desejamos ser.
Somos o que a sociedade exige. Somos o que nossos pais escolheram.
Não queremos decepcionar ninguém, temos uma necessidade imensa de ser amados.
Por isso sufocamos o melhor de nós. Aos poucos,
o que era a luz de nossos sonhos se transforma no monstro de nossos pesadelos.
São as coisas não realizadas, as possibilidades não vividas.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Aí terei que discordar com o Paulo Coelho. Algumas pessoas fogem aos parâmetros. Pagam o preço de serem diferentes e fazem diferente do comum. São, para mim, esses que fazem a história. Exemplos? Fácil. Janis Joplin, John Lennon, Raul Seixas, Gandhi... Eles se tornaram formadores de opinião, justo porque não aceitaram seguir na via dos comuns, mas sim serem donos fiéis de suas convicções. E estão aí até hoje. Ícones imortais sendo pensados e repensados por suas atitudes e seus pensamentos.

“Quando soltamos o nosso lado mau,
ele acaba ofuscando por completo o que há de melhor em nós.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Uma das alegorias que uso para entender o lado sombrio de todos nós é o do abismo. Alguns tendem a passar tanto tempo diante dele, olhando–o e repensando-o que se perdem de si e, por vezes, são dragados por esse abismo a ponto de não saber como sair dele. Todos nós temos abismos onde nos afundamos vez ou outra quando a vida aperta. Os mais fortes saem de lá. Embora saibam que nunca saem da mesma forma que entraram. Os mais fracos não saem de lá modificados, e são acompanhas de algo ruim que os leva a rastejar e lamentar o resto da vida. 

“Se não temos medo das trevas,
é porque somos parceiros da luz.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Quem tem medo de escuro? Eu tenho! O escuro sempre retém rostos do passado. Durante a noite, por conta da insônia, é muito comum que eu me pegue no escuro encarando o teto que vira uma tela enorme onde meu passado de saudade começa a desfilar. O escuro é um convite a pensar em quem, provavelmente, ignora a minha existência. É como numa conjunção surreal. O escuro sou eu encarando frágil e deitada na cama o sofrer por passados que nunca voltarão.

“Procure se deixar levar pela noite de vez em quando,
olhar as estrelas e tentar se embriagar com a sensação de infinito.
A noite, com todos os sortilégios, também é um caminho para a iluminação.
 Assim como o poço escuro tem em seu fundo a água que mata a sede, a noite,
cujo mistério nos aproxima de Deus,
traz escondida em suas sombras a chama capaz de acender nossa alma.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Eu deixo! É quando o escrevo. A maioria do que escrevo é na madrugada. Sonhos, fantasias, histórias reais e fictícias. É quando brinco de Deus. Escrever me deixa perto dele porque controlo os destinos. É interessante escrever. Sinto como se fizesse nascer e morrer uma parte de mim. Então fica outra dúvida: Quantas ainda me co-habitam? Isso determinará quanto tempo criativo ainda tenho. Mas estou tranqüila, penso que sou tantas que serei eterna.

“Os homens traem porque está no seu sistema genético.
A mulher o faz porque não tem dignidade suficiente,
e além de entregar seu corpo acaba sempre entregando um pouco do seu coração.
Um verdadeiro crime. Um roubo.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Essa foi a parte que mais me incomodou. Não gosto de generalizações. Acho estúpido! Acho que o ser humano trai e cada traição tem uma desculpa porque as pessoas precisam de um “porque”. Trair é o passo mais fácil de dar quando algo está complicado porque é errado e se é errado é excitante, e se é excitante da motivação. Mais ou menos assim. O homem, enquanto ser humano, precisa de motivação de qualquer tipo.

“Quem diz que “o amor é suficiente” está mentindo.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)

O amor que realmente supre tudo é ágape. Em se tratando de amor Eros é preciso um conjunto de coisas onde ele possa se alimentar e continuar. 
(Waleska Zibetti)
[Continua...]

domingo, 29 de março de 2015

Quem Nunca... - Leitura do livro "Adultério" de Paulo Coelho (Parte Um)




Já li alguns livros de Paulo Coelho e sempre me encanto com a maneira que ele tem de “falar comigo”.
Com esse romance foi um pouco diferente vivi uma “Relação de Amor e Ódio” com a heroína da trama. Ora me identificando ora a constatando ora deixando-a na mais completa indiferença.
Paulo Coelho tentou tocar em pontos muito delicados em um relacionamento: rotinas e suas conseqüências. De certa forma ele conseguiu. Numa escala de zero a dez, daria oito ao livro.
De qualquer forma fica aí o resultado das reflexões de minha leitura.
Boa Viagem!


“Toda manhã, quando abro os olhos 
para o que chamam “novo dia”, 
tenho vontade de fechá-los outra vez 
e não me levantar da cama. Mas é preciso”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Quantas vezes pedi a Deus que tudo se transformasse em silêncio ou que o tempo parasse para não ter que encarar o dia além do meu quarto. Há dias em que é difícil acreditar em “recomeço”. Em certas fases a vida fica inteiramente vestida de “ontem”.

“- Não tenho o menor interesse em ser feliz. 
Prefiro viver apaixonado, o que é um perigo, 
pois nunca sabemos 
o que vamos encontrar pela frente”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
A minha felicidade passa pela paixão. Preciso estar apaixonada para me sentir impulsionada para o amanhã. E o objeto da minha paixão pode ser um livro ou um homem. Não importa! O que importa é que me tire o sono e alguns suspiros. 

“Não dou nenhum passo em falso, 
porque sei que posso estragar tudo.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
É preciso conhecer-se para não cair em armadilhas. É preciso experimentar a vida, mas não permitir que ela nos experimente, roubando-nos de nós em frustrações e decepções.

“Imagino que paixão seja para os jovens 
e a ausência dela deve ser normal na minha idade. 
Não é isso que me apavora.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Há uma idade para a paixão? Isso me parece sandice! A paixão para mim é um sentimento inspirador e não há idade para inspirações chegarem. Há? O que creio ser diferente é a compreensão desse sentimento. Com o tempo sabemos que a paixão passa e vira cada coisa qualquer. Sabemos que ela é um sentimento livre e não faz questão de ficar por muito tempo. Logo, é preciso vivê-lo intensamente, esquecendo-se do amanhã. Amanhã é um tempo pertinente ao amor. Para a paixão temos o hoje. 

“Algumas pessoas dizem que, 
à medida que o verão se aproxima, 
começamos a ter idéias meio esquisitas, 
nos sentimos menores porque passamos mais tempo ao ar livre 
e isso nos dá a dimensão do mundo. 
O horizonte fica mais distante, 
além das nuvens e das paredes de casa.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Sou verão. Sou amplitude. Sou além dos muros. Sou consciência de um mundo mais amplo.



“Quando chega a noite e ninguém está vendo, 
eu me apavoro por tudo: 
a vida, a morte, o amor e a falta dele, 
o fato de todas as novidades estarem virando hábitos, 
a sensação de que estou perdendo os melhores anos da minha vida 
em uma rotina que irá se repetir até que morrer 
e o pânico de enfrentar o desconhecido, 
por mais excitante e aventureiro que seja.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Absurdamente eu no fim do casamento. E tudo ia parar em anotações, versos e, fatalmente, lágrimas.

“Morro de medo de que meu marido acorde e pergunte: 
‘O que está acontecendo, meu amor?’ 
Porque eu teria que responder que está tudo bem. 
Pior seria – como já aconteceu duas ou três vezes no mês passado – 
se assim que nos deitássemos ele resolve 
pôr a mão na minha coxa, 
subi-la devagar e começar a me tocar. 
Posso fingir orgasmo 
– já fiz isso muitas vezes -, 
mas não posso simplesmente decidir ficar molhada”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Fazer amor me parece a pior nomenclatura que se pode dar ao sexo. É como se amor pudesse ser determinado pela quantidade de intensidade da transa. Transei tantas vezes sem querer no meu casamento que meu ex deve ter pensado que eu o amaria eternamente. Patético!”

“Não posso rejeitá-lo por duas noites seguidas 
ou ele acabará procurando uma amante, 
e não quero  perdê-lo de jeito nenhum.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
A ingenuidade feminina é fantástica. Hoje eu sei disso! Nossas mães nos ensinam que é preciso saciar nossos homens para ter um casamento duradouro. Sacanagem! Homem procura amante porque é parte do ser homem. Graças a Deus hoje está mudando isso e as mulheres sabem que casamento é duradouro o quanto deve ser. E não é determinado pelo sexo. É todo o conjunto que forma uma relação. 

“Manter o mesmo fogo depois de dez anos de casamento
 me parece uma aberração. 
E cada vez que finjo prazer no sexo, 
morro um pouco por dentro. Um pouco?
Acho que estou me esvaziando mais rápido do que pensava.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Sem comentários

“Afirmam que o sexo no casamento só é prazeroso mesmo 
nos primeiros cinco anos e que depois disso, 
é preciso um pouco de “fantasia”. 
Fechar os olhos e imaginar que seu vizinho está em cima de você, 
fazendo coisas que seu marido jamais ousaria. 
Imaginar-se sendo possuída por ele e por seu marido ao mesmo tempo, 
todas as perversões possíveis e todos os jogos proibidos.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Absolutamente Verdade!

“Entretanto, depois de determinada idade, 
é importante fazer coisas irrelevantes para passar o tempo, 
mostrar aos outros que nosso corpo ainda funciona bem.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Eu tenho medo da velhice inútil que passa o dia vendo TV e fofocando. Tenho medo da limitação que me ataria a um outro pela dependência. Se fosse possível só amadurecer, eu preferiria, mas o corpo vai junto se arrastando. Essa merda de invólucro patético que aprisiona almas libertárias como a minha.

“E de repente, sem nenhuma explicação razoável, 
entro no chuveiro e caio em prantos. 
Choro no banho porque assim ninguém pode escutar 
meus soluços e fazer a pergunta que mais detesto ouvir: 
“Está tudo bem com você?””
(Paulo Coelho, “Adultério”)

Deus, quantas vezes fiz e faço isso! Me escondo no banho para ter um pouco de direito a fragilidade. Há momentos que tudo que peço é o silêncio e um abraço morno onde me desligo de tudo. Mas tudo tem um preço. O abraço não seria me dado de graça. O silêncio não existe quando há jovens em casa. Então, entro no chuveiro e tento apagar o redor com a cabeça embaixo da água.