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terça-feira, 23 de junho de 2015

Billy Elliot



Se você quer ver um filme para quem gosta de arte, para quem se emociona com superação e não tem vergonha de chorar diante da telinha assista "Billy Elliot" produção britânica de 2000. 


A história narra a vida de um menino de 11 anos filho de um mineiro de carvão numa pequena e fictícia cidade de interior que decide ser bailarino indo de encontro a todos os preconceitos. É empolgante ver o herói da trama superando-se para atingir seu objetivo. 

Este filme que marca a estréia na direção do renomado diretor de teatro britânico Stephen Daldry (que ficou internacionalmente famoso pelo filme "As Horas" anos mais tarde) é simplesmente imperdível!

terça-feira, 26 de maio de 2015

Amantes Passageiros e Jardim Secreto




Ontem a noite, assisti o filme "Os Amantes Passageiros" de Almodóvar. E terminei o dito filme com uma sensação de "Prêmio Que Porra É Essa?". Eu definitivamente não nasci para entender certos diretores como Woody Allen, Pedro Almodóvar, Godard, Sylvain Chomet... Será que um dia chego lá? Não sei! 

Quero me agarrar na ilusão, quase certeza, de que a maioria também não os entende, mas os aplaudem para não assinar a carteirinha de inculto. 

Bom, se posso dar um conselho, não vejam esse filme. Se virem e gostarem, por favor, me ensinem o caminho. Enfim, depois de ficar procurando um porquê qualquer para o que eu tinha assistido, e não chegar a lugar algum, fui pintar o Jardim Secreto. Outra frustração. Chocados? Não fiquem!

O livro "O Jardim Secreto", foi um desses livros que esperei como uma louca. Depois de vinte visitações as livrarias locais consegui conquistar a meu. Ao chegar em casa notei que são dezenas de desenhos quase iguais com detalhes mínimos. Aquilo é um inferno! Você fica sempre com a sensação de que tem dever de casa para fazer o que gera uma vontade de segurar todos os lápis de cor juntos e riscar o livro todo num ato de rebeldia. É quase incontrolável. Mas aqueles traumas do jardim de infância surgem e você pensa que, se você fizer isso, surgirá de algum recanto de sua sala a "tia" para lhe pôr de castigo. Então, você não suporta mais o verde folhinha, mas fica ali até terminar de pintar a última das miliares que há na página.

Enfim, não nasci para Almodóvar nem para aulas de artes. Concluo, ao guardar no fundo do armario minha caixinha de lápis de cor e giz de cera. Olho "O Jardim Secreto" e penso "deixarei a missão para meus netos", procuro desconfiada se a tal "tia" não me observa e na certeza que nada acontecerá - Viva a vida adulta! - , suspiro e ligo o velho som do Aerosmith, ali estou confortável.

É isso aí! Até a próxima!!!





sábado, 18 de abril de 2015

O Sorriso de Monalisa

"Minha professora, Katherine Watson, vivia segundo suas convicções e não as comprometeria nem pela Wellesley. Dedico este meu último editorial a uma mulher extraordinária que nos serviu de exemplo e nos incentivou a ver o mundo com novos olhos. Quando lerem este, ela estará a caminho da Europa onde sei que derrubará novas barreiras e semeará novas ideias. Ela foi taxada de fracassada por partir transviada sem rumo, mas nem todas que se desviam carecem de rumo, especialmente quem procura a verdade além da tradição, além da definição, além da imagem. Eu nunca a esquecerei." (Betty Warren)
 
 
Katharine Watson (Julia Roberts) é uma recém graduada professora que consegue emprego no conceituado colégio Wellesley, para lecionar aulas de História da Arte, o ano era 1953. 
Incomodada com o conservadorismo da sociedade e do próprio colégio em que trabalha, Katharine decide lutar contra estas normas e acaba inspirando suas alunas a enfrentarem os desafios da vida.
Essa mesma professora que no começo do filme tinha uma aula completamente preparada, viu-se obrigada a mudar seu método, pois ela havia sido desafiada pelas alunas.
Então ela começa a utilizar a abordagem de ensino socio cultural, onde ela queria criar sujeitos pensantes, críticos, criativos, e com isso ela mostrou outra realidade para as alunas, porque na verdade a escola mostrava que as alunas teriam que ser excelentes esposas (como a sociedade queria que elas fossem), e apenas isso, e para ser excelentes esposas elas não poderiam pensar; já a Katherine mostrou que elas poderiam ser excelentes esposas, mas que poderiam também ter uma carreira, viver em sociedade e lutar pelo que elas queriam.
Se nós analisarmos friamente e trazer este tema pra contemporaneidade, é uma "batalha" das mulheres do Século XX e primeiros 15 anos do século XXI.
 
As mulheres no decorrer dos anos vem conquistando seu espaço na sociedade.
Quebrando barreiras e preconceitos, atngindo seu alvo com êxito.
A liberdade de expressão.
Nas décadas de 50 e 60 elas tinham que ser submissas aos homens que representava a figura de chefe da casa, e detinha todo o controle financeiro, e nunca poderia ser desafiado ou desacatado.
Naquela época a mulher padrão, perfeita para a sociedade era a "rainha do lar
",prendada, boa esposa que cuidava dos filhos e da aparência, tudo em prol do casamento.
Discutimos esse papel em textos anteriores quando lemos A mulher de 30 anos do Balzac um dos precurssores do feminismo ao mostrar Julia, a infeliz heroína, às voltas com problemas fundamentais da vida amorosa e sentimental das mulheres e com o fracasso do casamento, ante a uma sociedade extremamente machista.
 
"Vim à Wellesley porque queria mudar o mundo, mas mudar pelos outros... é mentir para si." (Katherine Watson)
 
Aqui está o trailler:

O interessante é que o filme tenta passar que não basta apenas reproduzirmos o conhecimento, mas sim, tornemos produtores de nós mesmos e sejamos capazes de desenvolver o senso crítico em qualquer momento sem abdicar dos nossos sonhos.

Até o próximo texto
Au Revoir

sexta-feira, 13 de março de 2015

Walt- nos bastidores de Mary Poppins



Londres 1961, uma inglesa de aspecto austero está em uma sala a espera de seu agente. Enquanto ele não chega, ela relembra a sua infância. Ao fundo o som suave de “Supercalifragilisexpelialidoce”. Assim começa essa emocionante superprodução Disney que contará a verdade por trás da doce personagem Mary Poppins.

“É uma viagem exploratória...”
(in “Walt- nos bastidores de Mary Poppins”)

Afirma o agente e ao longo do filme vamos entendendo o peso disso tanto na heroína quanto em nós mesmos. Apesar de ser para falar dos porquês que fizeram surgir a trama de “Mary Poppins”, nós espectadores também somos levados a questionamentos particulares e íntimos.

Ora fui Walt ora fui Pamela Travis. O filme é doce e divertido, apesar de entrelinhas dolorosas e amargas que pontuam a realidade da senhora Travis. E nesses contrastes estamos nós sendo levados aos nossos próprios contrastes.

“Então, ela não veio salvar as crianças.
Ela vai salvar o pai.
O seu pai.”
(in “Walt- nos bastidores de Mary Poppins”)


Confesso que chorei ao ver o filme.  Porque assim como Pamela tinha uma relação de paixão e admiração por meu pai, hoje falecido. Meu pai era e é o meu ponto de encontro com a fantasia e a magia dos meus universos interiores; onde ele hoje é um menino que corre nos jardins divertindo-se com sereias e dragões.

Todos que mantiveram em si um pouco de criança se emocionarão com esse filme e certamente irá chorar e sorrir. É um filme de ternura quase palpável que não pode deixar de ser visto por quem já sonhou em ter uma babá mágica como Mary Poppins.

“Os ventos sopram do leste...
Vem a neblina.”
(in “Walt- nos bastidores de Mary Poppins”)

Entre nesse universo de paralelos e se apaixone com a menina  fantasiosa Pamela e com a rigorosa Senhora Travis; com o risonho americano Walt Disney e a amarga  britânica P. L. Travis; relembre canções de infância e liberte a sua criança interior nesse universo incrível que o filme proporciona (isso vale para os quarentões como eu).

Assista, se possível, os dois filmes. Falo do original “Mary Poppins” e do atual “Walt- Por Trás dos Bastidores de Mary Poppins”; pode ser uma boa para seu fim de semana.


Fica a dica e até mais! 


sábado, 24 de janeiro de 2015

I Will Survive, Priscilla

Ladies and Gentleman, sejam bem vindos a bordo do Priscilla.
Um ônibus que levará as Drags: Anthony (Hugo Weaving) e Adam (Guy Pearce) e a transexual Bernadette (Terence Stamp) a um destino Alice Springs.
Um filme recheado de mensagens atuais e contemporâneas com uma trilha sonora de encher a nossa audição, Priscilla a Rainha do Deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert) conseguiu encantar públicos a vinte anos e não deixa de ser um filme atemporal, engraçado e bem interessante.
As atuações dos três atores principais do filme surpreenderam o público e a crítica. Terence Stamp, Hugo Weaving e Guy Pearce eram conhecidos, até então, por papeis em obras com temáticas totalmente diferentes. As atuações são de primeira! Foi o primeiro papel em que vi Guy Pearce, e marcou tanto que não consigo ver outro filme com ele sem lembrar desse filme. Hugo Weaving também da um show, é aqui que vemos como o Agente Smith é um bom ator.
Escrito e dirigido por Stephan Elliot, ‘Priscilla’ teve orçamento de apenas três milhões de dólares australianos. Elliot e os produtores concordaram em fazer o filme mesmo ganhando uma quantia relativamente pequena, tendo em vista a dificuldade e o duro trabalho que teriam pela frente. Além de divulgar o cinema australiano e colocar em evidência o tema LGBT, a trama também mostra o medo de uma das três drag queens, que tem um filho de oito anos e não sabe qual vai ser a reação dele ao vê-la no palco.
‘Priscilla, a rainha do deserto’ arrecadou cerca de US$ 30 milhões e chegou a faturar um Oscar de melhor figurino. A trilha sonora é um dos pontos altos do filme. Durante os shows, eles cantam diversas músicas que já eram sucesso na época e adoradas principalmente pelo público LGBT. Na performance final, Mitzi e Felicia colocam todo mundo para dançar e são ovacionados cantando ‘Mamma mia’.

Trailer:

Até o Próximo Texto
Au Revoir

sábado, 29 de novembro de 2014

Mamma Mia, Abba!

"'Cause everyone listens when I start to sing
I'm so grateful and proud
All I want is to sing it out loud" 
(Composição: Benny Andersson / Björn Ulvaeus; Interprete: Abba)

Um cenário perfeito e um time de atores que supera qualquer comentário, esse musical supera as expectativas dos fãs do maior quarteto do Século XX (ABBA).
Na bela ilha grega de Kalokairi, a menina Sophie (Amanda Seyfried, Querido John) está prestes a se casar e descobre entre as coisas da mãe, Donna (Meryl Streep, O diabo veste Prada), um diário que revelaria o possível paradeiro do seu pai biológico, o que ela não contava é que estaria entre três homens é quando resolve enviar três convites da cerimônia – Sam Carmichael (Pierce Brosnan, o eterno 007), Bill Anderson (Stellan Skarsgård, Anjos e Demônios) e Harry Bright (Colin Firth, O discurso do Rei) –, acreditando que um deles é seu pai. De diferentes partes do mundo, os três resolvem voltar à ilha e encontrar à mulher por quem se apaixonaram vinte anos atrás. E mesmo ela não sabendo qual deles é, quer que eles presenciem esse momento de felicidade na sua vida ao seu lado, só que a reação da mãe, a destemida Donna quanto a isso, não é das melhores.

Antes do filme:

A história do espetáculo 'Mamma Mia!' teve início nos anos 80, quando a produtora Judy Craymer trabalhava com Benny Andersson e Björn Ulvaeus como produtora executiva do primeiro projeto deles pós-ABBA, o musical Chess. Inspirada no aspecto teatral do trabalho dos compositores, Judy teve a idéia de criar um musical com canções já existentes do grupo, em um original e empolgante formato. Andersson e Ulvaeus ficaram, inicialmente, relutantes, mas em 1995 eles concordaram com o projeto e, dois anos depois, Craymer convidava a teatróloga Catherine Johnson para escrever o espetáculo. Mais tarde, com uma afetuosa e empolgante história em mãos, a produtora iniciaria as buscas por um diretor, trazendo para o projeto a respeitada diretora de teatro e ópera Phyllida Lloyd.O primeiro espetáculo estrearia em 6 de abril de 1999, no Prince Edward Theatre, em Londres, se tornando um fenômeno global de entretenimento e atraindo um público de mais de 30 milhões de pessoas.

Opinião: 

Quem não se identifica com pelo menos uma canção do Abba (eu pelo menos me vejo no álbum Gold todinho)? E musicais são fantásticos para contar pequenas histórias transformar os contos de fadas em algo mais contemporâneo sem perder a essência.
Meryl Streep conseguiu superar a sua competência e carisma em mais uma atuação, aliás, não só ela como todo o elenco!
Vale a pena assistir.


Aqui vai o trailer:


Aproveite a pipoca e o guaraná e bom filme!

Au Revoir

Até o próximo texto!!!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Um Lugar Para Mim em Nothing Hill

E não se esqueça que eu não passo de uma garota,
parada na frente de um garoto,
pedindo a ele que a ame.
(de: “Um Lugar Chamado Nothing Hill”)

Onde é que ele está, heim? Ele anda por aí sem saber que eu o espero com meu melhor sorriso e um abraço apertado. Falo do meu William. Talvez ele nem se chame William. Pouca importância tem o nome se ele me fizer sua Anna. Até porque meu nome não é Anna. Acho que esse nome nem combinaria comigo! Contudo, quero olhar nos olhos desse cara atrapalhado que provavelmente ainda não sabe que eu existo e ver que valeu a pena esperá-lo. Quero falar da solidão que senti até ele chegar. E quero que ele me fale do que fazia antes de caminhar comigo. Faremos isso numa ruazinha aqui de minha cidade mesmo. Será a nossa Nothing Hill. E talvez nossa trilha não seja “She” de Elvis Costello. Mas será nossa e isso é que é importante. Então, estou aqui esperando pelo meu “William”. E enquanto isso...

Vocês já assistiram “Um Lugar Chamado Nothing Hill”? Deveriam! O filme é britânico de 1999 dirigido por Roger Mitchell, o mesmo de “Amor para Sempre” e “Fora de Controle”. É um filme delicioso onde a protagonista vivida por Julia Roberts (“Uma Linda Mulher”) conhece o nada menos encantador William Thacker, vivido por Hugh Grant (“Quatro Casamentos e Um Funeral”). Ela é uma atriz famosa que precisa reencontrar a mulher simples que ela é. Ele é um rapaz que precisa reencontrar o amor.

Uma comédia romântica típica de fim de tarde com uma trilha apaixonante. Um filme para se ver com pipoca ou sorvete e um desejo terno de ser adolescente outra vez ou de ser mulher de vez. Um filme bom para suspirar e para criar desejos. Desejos de se andar por aí perguntando “Onde estar o meu amor? Onde é o caminho para Nothing Hill?”.

Então, fica aí uma dica suave para noite de hoje. Vamos lá?! Arrisque-se a sonhar um pouco. Comece ouvindo, Elvis Costello. Boa noite!!!


terça-feira, 5 de agosto de 2014

E Foi Assim Que Aprendi!




Eu tinha uns treze ou quatorze anos quando liguei a TV numa madrugada de insônia e conheci Maude & Harold – nome original do filme “Ensina-me a Viver” de Colin Higgins, 1971. Anos mais tarde encontrei por acaso o livro em um sebo. Imagine como fiquei feliz. E muito mais tempo depois vi a encenação no teatro com Glória Menezes como Maude e Arlindo Lopes como Harold. Tradução de Millôr Fernande e direção de João Falcão.

A história fala do inusitado encontro do jovem Harold de vinte anos com a apaixonada pela vida Maude de setenta e nove anos. O encontro dos dois muda a vida de Harold e com certeza a nossa também, porque mais que uma comédia de humor negro; o filme trata de posicionamento e questionamento diante da morte e da vida.

“Preferi enterros mais modestos, concluiu.
Com pouca gente à volta da sepultura
a emoção tornava-se mais intensa”
                                                          (Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

Harold tinha mania de ir aos funerais todos os dias. Fica muito claro, logo no começo do  que sua vida era vazia e sem propósito. E num desses funerais ele a percebe em um canto. Figura estranhamente risonha e a vontade comendo melancias. Maude Cardin ou condessa Mathilda que também freqüentava funerais diariamente mais sem nenhum porquê filosófico ou, para mim, para encontrar todas as filosofias. Veja essa fala dela no primeiro diálogo entre os dois.

“__ Olhe para eles
– num cochicho bastante audível. -
Nunca entendi essa mania de preto.
Ninguém manda flores escuras, não é?
Flores escuras são flores mortas,
E quem mandaria flores mortas para um funeral?”
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

Nunca mais usei preto como luto. Seria um desrespeito a Maude. E de certo modo entendi que também seria ao morto. Eu por exemplo, amo o azul. Então, amigos, quando eu me for vistam-se de azul. O tom não importa, mas que todos estejam de azul no meu enterro. E se alguém questionar diga que é para combinar com o tom dos lugares por onde meu espírito estará certamente passando naquela hora. Ah, sim continuemos a acompanhar Harrold e Maude.

“Nós não possuímos coisa alguma.
O mundo é transitório.
Chegamos ao mundo sem coisa alguma
E partimos sem nada.
Não acha que propriedade
É uma coisa meio absurda?”
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

É verdade! E desde então abdiquei do “TER” em nome do “SER”. Não tenho nada além de vinte quatro horas para ser o melhor possível. Tenho convivido muito com pessoas presas ao sentimento de posse, domínio, controle... E me divirto com eles. Acho engraçado o modo pesado como eles arrastam pela vida seus malões de desejo e acumulam dores de cabeça e de coluna gastando fortuna em RPG, fisioterapia, psicoterapia... Louca? Eu? Não sei! Só sei que tenho mais de cem quilos e ando longas distâncias sem nem perder o fôlego, porque tudo que possuo são asas imaginárias que não preciso arrastar. Bom, vamos que a viagem é longa!!!

“Até os melhores planos fracassam
Quando a tática se torna
Demasiado familiar ao inimigo. ”
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

Já notou quantas vezes travamos batalhas imaginárias conosco ou com alguém que supostamente não gosta de nós? As vezes, ficamos em guerras particulares e perdemos um longo tempo de nossas vidas. Eu fiz muito isso quando não queria assumir que sou gorducha. Bebi remédios milagrosos, me esforcei além de mim nos esportes, eu queria seguir o padrão... Mas um dia, um homem lindo, me descobriu e disse: “Olhe para você! É linda nas suas imperfeições. E única entre as padronizadas. Ame-se”. Saí daquele quarto e assumi meu peso sem culpas. Às vezes, precisamos de empurrõezinhos para entender, não é?

“A terra é o meu corpo.
Minha cabeça está nas estrelas. ”
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)


Desde nova sempre tive insônia. E me sentava na varanda nas madrugadas para olhar a rua vazia. Era monótono. Um dia reparei na lua e nas estrelas e nos tons que o amanhecer tingia o céu.  Fui me apaixonando pelo infinito. Queria estar ali entre as nuvens me tingindo de tons rosados ou laranja. Nenhum amanhecer é igual ao outro. São milhares de formações que vi no céu desde então. Acho que nunca mais vi a rua. Olhar o céu me parece mais sensato e amplo.

Ah, essa seqüência de diálogo é um primor. Vou transcrevê-lo todo!

“__ Bem, a maioria das pessoas não é como você. Vivem fechadas em si mesmas. Moram sozinhas nos seus castelos. São como eu...
__ Bem, cada qual vive no seu castelo – replicou Maude – Mas isso não é razão para não baixar a ponte levadiça e fazer visitas.
Harold sorriu.
__ Então, você concorda que vivemos sozinhos. E morremos sós. Cada qual na sua cela.
Maude olhou a floresta.
__ Suponho que de certo modo. É por isso que precisamos tornar essas celas o mais agradáveis possível... Cheias de bons livros, lareiras aquecidas e recordações. Mas, noutro sentido, pode-se sempre saltar o muro e dormir à luz das estrelas.
__ Talvez. Mas é preciso coragem...
__ Por quê?
__ Você não tem medo?
__ De quê? O conhecido eu conheço, e o desconhecido gostaria de conhecer. ”
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

Deus é tão simples! Por que não vimos antes? Por que a maioria não vê? Você vê, não é? Sei que sim! A essa altura já consegue ver. Está tudo além de nós. É preciso parar de pensar que somos o centro. É preciso nos ampliar. Tocar o outro bem no fundo. Principalmente aqueles que têm medo de serem tocados. Ah, como eu queria que certo principezinho ranzinza me lesse!!! Como queria que ele tivesse entendido. – ha ha ha ha... Não fiquei maluca de vez. Só lembrei-me de alguém que como a maioria não via o lato, o amplo, a extensão do mundo, dos outros... Porque precisava viver trancado em si, em sua inteligência, seus medos. Não se permita ser como ele. Era tão jovem e a coisa mais ousada que tinha feito na vida fora pegar um bicho geográfico. Não seja assim! Não faça isso com você! Pule o muro, desça os portões, visite o mundo, o universo que é o seu próximo. Corra o risco de chorar, de sentir a ingratidão... Isso é aprendizado! É evolução! Como disse Maude: “O mundo não precisa de mais paredes. Precisa é de construir mais pontes”. Então, amigo, seja ponte! Veja eu sou ponte. Estou te ligando a mim nesse momento e você nem percebeu, não é? Não doeu em mim. Acredite: não doerá em você.

“Vícios? Virtudes?
O melhor é não ser exageradamente moral.
A pessoa acaba perdendo muita coisa da vida.
Coloque seu objetivo acima da moralidade. “
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

Certo ou errado? Qual caminho tomar? Você sabe qual é a melhor via para tocar a vida? Eu nunca soube. Tudo que posso dizer é que sempre escolhi as mais longas. Só para ter mais tempo de olhar as coisas, reparar as pessoas, e quando valia a pena eu diminuía o passo. Diminuir o passo dá uma sensação de que podemos alongar as horas. Eu nunca mudei meu jeito de ser mesmo sabendo o preço a pagar. E acumulei rótulos por aí: teimosa, carente, louca, diva... São selos de minha passagem pela vida. Como quando viajamos e colam aqueles papeizinhos em nossas malas e quanto mais marca de papelzinho e cola há na mala, mais lugares visitamos. Na vida, quanto mais te rotulam, mais você viveu. A moral é um asilo para doentes. E os moralistas se afundam em calmantes para conseguir suportar suas esquisitices sem dar pinta.

“Eu entendo. As vezes as pessoas gostam de estar mortas.
Mas não estão na verdade.  Só fogem da vida. São jogadoras,
Mas pensam que a vida é um treino
e que precisam poupar energia para mais tarde.
Assim, instalam-se num banco,
E o único campeonato a que vão assistir na vida
Se desenrola diante dos olhos.”
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

O que você pretende ser no fim das contas? Espectador ou autor de sua própria história? Houve uma época que me contentei em ficar nos bastidores preparando o show para alguém brilhar. Chamei meu ofício de amor e nunca fui tão infeliz. Quando passou o tempo, fui tomando coragem de aparecer, de subir ao palco e recitar minhas próprias falas. Foi assustador ver a platéia me olhando. Com o tempo nós nos acostumamos. Acostumei-me! Nunca mais voltei a coxia. Quero fazer parte da cena!!! E desde então, sou tão felizzzzzzzzz... Porque sou dona de meus passos e também das conseqüências. Mas fui eu, sabe? Essa sensação de “mea culpa” não é algo tão ruim afinal, porque me mostra que eu tentei e tentar é tão absurdamente prazeroso quase tanto quanto conseguir. Ah, mas nem que me paguem eu troco o palco pelos bastidores. Quando os holofotes se apagarem, as cortinas se fecharem, sairei de cena na certeza de que desempenhei maravilhosamente o papel de ser Waleska. E você? Como você se olha na sua peça? Você está atuando direitinho ou só fazendo figuração na sua própria história?

“Há um pequeno Deus em nosso interior,
Para mostrar onde estivemos,
E um pequeno Deus do lado de fora,
Para indicar o nosso caminho. ”
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

Deus está comigo o tempo todo. Eu me encontrei com Ele num desses momentos de queda e Ele nunca mais saiu de perto. Eu gosto dEle. A gente tem altos papos. Um dia, eu disse que Deus e eu tomávamos cerveja juntos e as pessoas me chamaram de herege. Acho que pensam que Ele só toma vinho. Só pode! Deus é o cara mais maneiro que conheço. Ele é o mais amplo de todos os seres. Ele sou eu e você. Ele é cada partícula do que vemos e sentimos. E nem se incomoda se você acredita ou não. Ele quer que tudo se exploda desde que você seja feliz. Porque Ele entende que a felicidade é mais que certo ou errado, amarelo ou azul, matar ou viver... Felicidade é Ele, é a amplidão que vem dEle. E cara eu piro nesse conceito louco de ser tudo, o alfa e o ômega, e se Ele é uma extensão de mim isso também me faz eterna. E é louco demais ser o cosmo, o infinito, o para sempre.

Outra seqüência que vale a pena ser transcrita na íntegra:

“__Ah, meu Deus!- murmurou Maude, de costas na relva. -
Estou com a sensação de que poderia evaporar.
Estendido ao seu lado, Harold falou:
__ Você se transformaria numa daquelas nuvens.
Acho que seria uma nuvem simpática.
Flutuaria pelo céu o dia inteiro.
__ Não, eu não – replicou Maude – Seria uma péssima nuvem.
Estaria sempre querendo me dissolver em chuva. ”
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

Quando vejo o céu cinzento, prenunciando a tempestade, algo em mim se estreita, o peito fica miúdo com vontade de chorar. Me levando de volta para mim. E logo começa o vento e eu gosto de ouvir o vento, sentir o vento em meus cabelos, no tecido da roupa, de fechar os olhos e ir com ele. E depois vem os pingos caindo frio na pele quente. Quando posso fico ali quieta sentindo a água bater na pele até que todo o corpo esteja completamente molhado. A chuva é o rebatismo de Deus. É Ele levando embora o acumulo das energias ruins. É o mar voltando para seu lugar. É tudo voltando ao começo. É a água sendo borboleta por alguns instantes. É o choro do éter por nós, para nós. Eu adoro chuva!

“Dizem que trabalho realizado
sem interesses egoístas purifica a mente.
Parece que faz a gente abandonar o nosso eu isolado
E mergulhar no eu universal.
Por outro lado,
Trabalho sem sentido é um insulto,
Um aborrecimento,
E deve ser escrupulosamente evitado. “
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

São seis e vinte da manhã. Estou desde as quatro escrevendo. Ouvindo a trilha sonora no filme “Ensina-me a Viver”. Foi escrita por Cat Stivens. Eu esqueci de dizer! De qualquer forma daqui a pouco é hora de ir para o trabalho. O dia começa a agitar-se nas calçadas e aqui na sala. Eu gosto do que faço, sabe? Sou professora! Então, o dia todo, a semana inteira, lido com universos diferentes. Não existe preferido, não existe melhor. Só existe um novo universo que entra em minha sala e leva um pouco de mim e me deixa um pouco dele. A vida é essa troca e só essa troca a faz ter sentido. Só o que eu deixar para você de bom fará ter valido a pena o tempo que você passou aqui me lendo, me interpretando, me absorvendo. Doação. Esse é o caminho para ser feliz. Uma doação sem submissão. Uma doação consciente de qualquer coisa boa que possa ser compartilhada com o outro. Entende?

“O exército teve a sua utilidade. Como a Igreja.
Juntos, eles nos protegeram de um lado, da gente má,
E do outro do demônio. Mas o inimigo mudou como tudo mais.
Conhecemos o inimigo: nós mesmos.
Agora precisamos nos sentar e buscar melhores soluções
E não defesas com armas e dogmas. “
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

Deus não é o cara quadradão das igrejas e tenho certeza que ele abomina as armas. Até mesmo as que são erguidas em nome dEle. Deus é mais! Deus também não quer templo nem cidades santas. Deus quer mente limpa, peito aberto, amor, caridade. Precisamos nos reorganizar dentro dos conceitos divinos, sabe? Estão revirando tudo, misturando o sentido, apropriando-se das idéias para justificar uma causa podre, ignorando o principal dos conceitos para explorar a inocência. Eu não creio em arma, eu não creio no dízimo, não creio nas cerimônias... Não creio no pecado. A igreja dá o pecado e vende a fé. E eu não gosto disso! Deus não condena, Ele te deixou livre. Eu não gosto do deus da igreja. Gosto do Deus que me habita e que habita você e o meu vizinho e o meu cão e as estrelas e a lua e a chuva e o infinito... Esse é o Deus que está comigo todo momento de minha vida. O Deus que se alonga de mim até onde eu não entendo.

“Na minha opinião,
Estamos agora num casulo.
O tempo da lagarta acabou
e o da borboleta está se aproximando”
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

Conversando com um amigo estudante de filosofia, falávamos que a humanidade caminha para o mundo mais humanitário. Apesar das barbáries que andamos vendo por aí, o mundo está mais voltado para a doação. Está mais consciente de que o caminho é o socorro. Que um "pelo outro" faz mais sentido que o "eu por mim mesmo". O mundo se reúne na fome, na enchente, na paz... E isso solidifica o conceito de caridade. O ser humano vem se envolvendo no processo evolutivo, buscado mais o espírito, o equilíbrio. E isso é muito bom! Acredito mesmo que chegaremos lá. Talvez eu não veja. E nem você. Mas creio que está vindo o momento da paz entre os homens. E talvez haja um processo bem doloroso até que esse mundo pacífico exista. É preciso o casulo estreito para a borboleta surja ampla, né?  Somos a lagarta espremida no casulo para que nossos netos possam ser borboletas amanhã. Um amanhã onde Deus não cobre dízimo, mas que a décima parte de tudo que temos seja naturalmente do outro que precisa. E que por fim não haja mais precisão no mundo.

“Choro por você. Choro por isto. Choro pela beleza,
Por um pôr do sol e uma gaivota.
Choro quando um homem tortura seu irmão...
Quando se arrepende e pede perdão...
Quando o perdão é recusado...
E quando é concedido.
A gente ri. A gente chora.
Dois traços exclusivamente humanos.
E o principal da vida, meu caro Harold,
É não ter medo de ser humano. “
(Colin Higgins, in “Ensina-me a viver!”)

Maude e Harold me ensinaram a viver quando eu nem tinha noção da amplitude que era isso. Ensinaram-me que a vida é mais do que os olhos vêem e os conceitos limitam. Que estar vivo é muito mais do que executar tarefas, acumular fortunas, viajar o mundo... Estar vivo é visitar o outro, é visitar-se, é ser ponte, é ser extensão de terra para o mar do outro deslanchar em nós. Viver é entender que cada um é único, uma divindade na terra, uma extensão do próprio Deus criador. Viver é entender que amar é mais que junção da carne e sim o compartilhamento do espírito. E enfim, aprender a viver e não ter medo de amanhã deixar de existir.


Até a próxima!