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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Final (Epílogo)

Epílogo

Marius já sabe que foi Valjean que o retirou da barricada quando fora atingido e agora ele e Cosette estão indo encontrar o velho que o salvou. Infelizmente não há o que falar dessa parte, pois (para quem não viu) estragará o final, mas vale dizer que é belíssimo.

Mas o que posso dizer é o quanto interessante se faz essa cena, misturando a esperança de revolução da época em que foi escrito, misturando religião e tantas outras coisas que a peça soube misturar de forma ímpar.

E deixo aqui uma das grandes mensagens da peça: And remember the truth that once was spoken, to love another person is to see the face of God (E lembre-se da verdade que uma vez foi dita: Amar outra pessoa é ver o rosto de Deus).


Como bônus especial eu falarei o seguinte: Na versão de 1995 (o aniversário de 10 anos da peça), após o espetáculo são convidados para o palco Valjean’s de 17 países diferentes: Reino Unido, França, Alemanha, Japão, Hungria, Suécia, Polônia, Holanda, Canadá, Áustria, Austrália, Noruega, República Tcheca, Dinamarca, Irlanda, Islândia e Estados Unidos. Todos eles juntos cantam uma das mais épicas versões de “Do You Hear The People Sing?”. 

Convido-lhes mais uma vez a ver a peça.Bom. Foi isso, espero que tenham gostado e que assistam a peça. Até a próxima pessoal. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 6 (Inspetor Javert)



Inspetor Javert

Após a batalha dos revolucionários contra o governo, Marius é deixado inconsciente e gravemente ferido, Valjean o pega e o leva para um médico. No caminho ele cruza com Javert.

Valjean tenta passar e Javert tenta impedi-lo, sobre o pretexto de que tinha chegado a hora de Valjean. Valjean lhe pede mais uma hora e que depois eles se encontrarão para resolver tudo. Javert dá o tempo que precisa.

Enquanto Valjean leva Marius para o médico, Javert vai até a ponte onde costuma pensar. Lá ele entra em um grande estado de confusão. Afinal o homem que ele perseguiu na esperança de prender o salvou. E diz que o mundo terá que escolher. There is nothing in this world that we share. It’s either Valjean or Javert. (Não há nada no mundo que compartilhamos. Isto é entre Valjean ou Javert).

Depois se pergunta como ele pode impedir Valjean de dominá-lo, afinal ele teve a chance de matá-lo e não o fez. Devolveu-lhe a liberdade. And my thoughts fly apart. Can this man be believed? Shall his sins be forgiven? Shall his crimes be reprieved? (E meus pensamentos voam. Dá para acreditar nesse homem? Seus pecados serão perdoados? Seus crimes serão suspensos?). E agora ele se vê duvidando de coisas que nunca duvidou. My heart is stone and still it trembles. The world I have known is lost in shadows. Is he from heaven or from hell? And does he know that granting me my life today this man has killed me even so. (Meu coração é pedra e ainda treme. O mundo que eu conheci perde em sombras. Ele é do céu ou do inferno? E ele sabe que me concedendo minha vida hoje, este homem me matou mesmo assim).

Senhoras e Senhores. Javert é a representação de um Direito cego e cruel, que simplesmente segue o que está na lei, esquece-se do que torna o Direito uma ciência humana. Valjean vem para ensinar-lhe o perdão. Eis a grande jogada Javert é o mundo antigo, Valjean é a ocorrência das revoluções, as mudanças. Tudo o que Javert viu e acreditou que fosse certo caiu como sombras que somem ao chegar o dia. Javert havia sido derrotado como o antigo mundo.

I am reaching but I fall. And the stars are black and cold, as I stare into a void of a world that cannot hold. I’ll escape now from that world. From the world of Jean Valjean. There is nowhere I can turn. There is no way to go on.
(Eu estou alcançando [o céu], mas eu caio. E as estrelas são escuras e frias, enquanto eu observo um vazio de um mundo que não me segura. Eu escaparei deste mundo. Do mundo de Jean Valjean. Não há lugar para retornar. Não a como seguir).


Javert se joga da ponte...

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 5 (A Vida Continua e Malditos Ladrões)



A Vida Continua e Malditos Ladrões

O senhor Thénardier estava nas barricadas, mas não para ajudar na batalha. Ele “rouba” os pertences das pessoas mortas e usa-as para fazer fortuna. O momento de sua maior atrocidade acontece com a ária “Dogs Eat Dogs”. Como eu já havia dito antes eles são um casal desprezível.

Não houve revolução, logo nada mudou. Agora as pessoas se conformam de que nada mudará. E os anos se passarão sem nada mudar.

Marius foi o único sobrevivente (mas não sabe como saiu de lá quando esteve inconsciente, falarei disso depois). Ele lamentasse de ter sido o único a sobreviver e que seus amigos tenham morrido. O momento passa na Taverna onde eles discutiam sobre a revolução (“Empty Chair at Empty Tables”) outro momento muito bonito da peça e o verso mais bonito dessa ária é: Now my friends will sing no more (Agora meus amigos não cantarão mais).

Cosette chega até Marius e ele se pergunta como saiu da barricada, Cosette pede que ele esqueça. Marius a pede em casamento e Valjean conta toda sua história para Marius, desde seu crime até o final. Ele com medo do que Cosette iria pensar dele, ele foge.

Na noite do Casamento de Marius e Cosette o casal Thénardier aparece bancando pose de nobres. Marius reconhece o anel que o senhor Thénardier está usando. O anel era de Marius. Nesse momento cai a ficha de que quem o tirou das Barricadas foi Valjean. Marius expulsa os Thénardier (que cantam a música “Beggars at the Feast”), conta a Cosette a verdade e vai até Valjean.  


O correto seria eu falar sobre o Epílogo, mas ainda há Javert que eu pulei na ordem por ele ser, além do meu favorito, um personagem muito mais complexo que os Thénardier, Marius e Cosette. Então no próximo texto falarei sobre o fim de Javert e depois sobre o Epílogo. 

sábado, 5 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 4 (As Barricadas)



As Barricadas

O segundo ato começa com Éponine andando pelas ruas de Paris, pensando sobre sua situação com Marius. Decreta-se sozinha com a ária “On My Own”. Depois da canção ela decide ir juntar-se a Marius na barricada.
Enquanto isso na Barricada, os estudantes são ameaçados pela guarda que já aparece, mas Enjolras encoraja seus amigos e eles aceitam o desafio. Um dos soldados avisa e os aconselha a desistir, pois estão sós. You at the barricades, listen to this! No one is coming to help you to fight! You’re on your own! You have no friends! Give up your guns or die! (Vocês nas barricadas ouçam isso! Ninguém está vindo para ajudá-los na luta! Vocês estão por sua conta! Vocês não têm amigos! Larguem as armas ou morram!). Enjolras devolve com uma resposta digna de um revolucionário. Damn their warnings, damn their lies! They will see the people rise! (Danem-se seus avisos, danem-se suas mentiras! Eles verão o povo se erguer).

Javert finge ser uma pessoa do povo que se voluntariou para ajudar na luta. Infiltra-se bem e diz que há muitos guardas e que o perigo é real. Diz que os inimigos deixarão que eles sintam fome e desistam. Então chega o pequeno Gavroche e acaba com o plano de Javert, denunciando-o. Liar! Good evening, dear Inspector. Lovely evening, my dear. I know this man, my friends, his name’s Inspector Javert. (Mentiroso! Boa noite, querido Inspetor. Linda noite, meu caro. Eu conheço esse homem, meus amigos, seu nome é Inspetor Javert). Javert é preso e fica para o povo decidir o que será feito com ele.

Pequena nota sobre este momento: Javert possui uma “música tema” no momento em que prende Fantine e em algumas outras partes também. Quando ele é preso pelos estudantes essa música retorna contra ele.

Éponine chega à Barricada, mas é gravemente atingida pela guarda. Enquanto morre aos braços de Marius canta “Little Fall of Rain”. Enjolras, para consolar Marius, diz que a morte dela não será em vão.

Valjean se candidata a ser voluntário para a guerra, mas vai vestido com o uniforme da guarda e não é muito bem recebido. Em determinado momento eles mostram a Valjean o que aconteceu com Javert, que estava preso e os dois se assustam. Enjolras deixa que Valjean ajude, mas o adverte: se os atacasse pelas costas ele seria morto.

O Governo faz o primeiro ataque. Valjean é de grande ajuda a eles. Enjolras diz que só o poderá agradecer quando a guerra tiver sido ganha, mas Valjean só pede uma coisa, que ele cuide de Javert. Enjolras permite que ele faça isso.  

Javert espera seu fim, mas Valjean não o executa. Javert o avisa de que ele sempre será um bandido e que continuará o perseguindo, que é melhor para Valjean que o mate, pois Javert acredita que Valjean queira um acordo com ele. Mas Valjean mostra ao antigo policial que ele está errado. You are wrong, and alway have been wrong. I am a man no worse than any man. You are free and there are no conditions, no bargains or petitions. There’s nothing that I blame you for. You’ve done your duty, nothing more (Você está errado, e sempre esteve errado. Eu sou um homem não pior que nenhum outro. Você está livre e não há condições, nenhuma barganha nem petição. Não o culpo por nada. Você cumpriu seu dever, nada mais).  Em seguida Valjean entrega seu endereço e “convida” Javert a ir dá-lhe a lição que merece. If I come out of this alive you will find me at No. 55 Rue Plumet. No doubt our paths will cross again. (Se eu sair disto vivo você me encontrará no número 55 Rua Plumet. Sem dúvida nossos passos se cruzarão de novo). Javert vai embora derrotado.

A noite cai na barricada e os amigos cantam sobre o que está acontecendo e sobre sua amizade, ao tema “Drink With Me”. Um dos momentos mais marcantes dessa canção: Drink with me to days gone by. Can it be you fear to die? Will the world remember you when you fall? Could it be your death means nothing at all? Is your life just one more lie? (Beba comigo pelos dias que passaram. É possível que você tema a morte? O mundo lembrará de você quando morreres? Será que sua morte não signifique nada? Sua vida não é somente mais uma mentira?). Depois todos os revolucionários cantam juntos: Drink with me to days gone by, to the life that used to be, at shrine of friendship never say die. Let the wine of friendship never run dry. Here’s to you and here’s to me. (Beba comigo pelos dias que passaram, pela vida que costumava ser, no santuário da amizade que nunca supõe morrer. Não deixe o vinho da amizade derramar. Aqui para você e aqui para mim). Enquanto isso Marius pensa em Cosette.

Quando todos estão dormindo Valjean reza por Marius em um dos momentos mais bonitos da peça. A oração recebe o nome de “Bring Him Home”. Valjean pede que Marius saia com vida daquela situação. Após o texto colocarei o vídeo da música, pois não tem como explicá-la por aqui.

Chega manhã e os soldados da guarda logo avisam: You at the barricades, listen to this. The people of Paris sleeps in their beds. You have no chance, no chance at all. Why throw your lives away? (Vocês na barricada ouçam isso. O povo de Paris está dormindo em suas camas. Vocês não tem chance nenhuma. Por que desperdiçar suas vidas?). Enjolras e seus companheiros respondem com toda sua honra. Let us die facing our foe. Make them bleed while we can! Make the pay through the nose! Make them pay for every man! Let others rise to take our place until the Earth is free! (Deixem-nos morrer encarando nosso inimigo. Fazê-los sangrar enquanto pudermos. Fazê-los pagar pelo nariz! Fazê-los pagar por todos os homens! Deixem outros tomarem nossos lugares até que a Terra esteja livre). 

Ocorre mais um ataque. Mas dessa vez a Guarda ganha. Matam todos (incluindo o pequeno Gavroche)... Ou quase todos. Enjolras foi um grande líder, que serviu para seus aliados e lutou por suas ideias, por isso deixarei aqui as palavras de sua revolução:

Red the blood of angry man, Black the dark of ages past, Red a world about to dawn, Black the night that ends at last. (Vermelho o sangue o homem bravo, Preto a escuridão das eras passadas, Vermelho um mundo prestes a amanhecer, Preto a noite que finalmente acaba).

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 3 (Mais Um Dia)



Mais Um Dia

Cosette está no quintal de sua casa, questionando sua vida sozinha e que agora se encontra apaixonada. Como desconhece esse sentimento acha estranho a forma com que aconteceu. How strange, this feeling that my life’s begun at last. This change – can people really fall in love so fast? What’s the matter with you, Cosette? Have you been too much on your own? So many thing unclear, so many things unknown” (Como é estranho, esse sentimento que começa na minha vida. Essa mudança – é possível alguém se apaixonar tão rápido? O que há com você Cosette? Você tem sido muito por si mesma. Tantas coisas obscuras, tantas coisas desconhecidas).

Marius e Cosette estão apaixonados um pelo outro. Mas como toda história de amor tem que ter alguém que se fere (gravemente ou não) entra a amiga de Marius, Éponine. Para quem está acostumado com o linguajar da internet vai entender o que direi: Éponine está na “friendzone”. Ela é apaixonada por Marius, mas ele a vê somente como amiga.

Explicarei como Cosette e Marius se conheceram. Para quem assistiu a peça pelo aniversário de 10 anos não verá o momento, contudo no Filme de 2013 o momento ocorre.
Valjean e Cosette estão no centro de Paris e o casal Thénardier está também enganando o povo que passa. Marius, levado por Éponine, esbarra em Cosette e é paixão a primeira vista entre os dois. Pouco depois Valjean e Cosette são arrastados por Thénardier e sua gangue (até então sem reconhecerem-se). Em um momento o casal maligno reconhece Valjean e tentam agredi-lo. Uma confusão começa. Marius ajuda Valjean (por causa de Cosette, lógico). Até que alguém grita o nome “Javert”. Valjean assustado pega Cosette e foge dali. Javert e alguns guardas chegam e dão uma dura em todos os ali presentes. Vale lembrar que Éponine é “amiga” dos Thénardier.

Voltando da onde parei: Marius pede a Éponine, que o leve até algum lugar para encontrar com Cosette. E eles finalmente se apresentam com mais calma. Caros leitores, gostaria de ressaltar que eu descrevendo uma cena romântica sou um ótimo lutador de UFC. Mas voltando à peça. No encontro emocionante de Marius e Cosette é cantada “A Heart Full of Life”.

Depois do encontro, já à noite, a gangue dos Thénardier tenta invadir a casa de Valjean. Contudo Éponine aparece com o intuito de atrapalhá-los, mas o senhor Thénardier acredita que ela veio ajudar e a dispensa. Éponine get on home. You’re not needed in this. We’re enough here without here. (Éponine entre na casa. Você não é necessária nisto. Nós somos o suficiente sem você aqui). Ela, no entanto, tenta despistar os homens I know this house, I tell you. There’s nothing here for you. Just the old man and the girl. They live ordinary lives (Eu conheço essa casa, eu lhes conto. Não há nada para vocês aqui. Somente o velho e a garota. Eles vivem suas vidas ordinárias). O senhor Thénardier fica irritado e manda que ela não interfira, e ela diz que vai gritar. Quando diz isso à gangue eles a ameaçam de matá-la, então ela grita. Thénardier e sua gangue fogem e Marius chega com Cosette. Marius apresenta Cosette a Éponine, mas ele ouve alguém chegando e foge com Éponine, chega então Valjean assustado por ter ouvido um choro e com vozes nervosas na rua. My God, Cosette, I heard a cry in the dark. I heard the shout of angry voices in the street. (Meu Deus, Cosette, eu ouvi um choro na escuridão. Eu ouvi gritos zangados pela rua). Cosette diz que foi o choro dela e que ela se apavorou com o que viu. E Valjean fica com muito medo. Cosette: Three men I saw beyond the wall. Three men in shadow, moving fast. Valjean: This is warning to us all. These are the shadows of the past. (Cosette: Eu vi três homens além do muro. Três homens nas sombras, movendo-se rápido. Valjean: Isso é um aviso para todos nós. Essas são as sombras do passado.

Valjean acredita que seja Javert, que ele tenha descoberto seu paradeiro e pensa em fugir de novo, para Calais, uma cidade no norte da França. Nesse momento na peça é cantada “One Day More”, que mostra o que cada personagem (Valjean, Cosette, Marius, Enjolras, Éponine, Javert e o casal Thénardier) está pensando sobre o próximo dia.


Valjean se prepara para a viajar de novo. Cosette e Marius se perguntam se encontrar-se-ão novamente. Éponine conforma-se de que nunca ficará ao lado de Marius, Enjolras começa a organizar a revolução. Javert diz que derrotará os estudantes. O casal Thénardier continua sendo o casal Thénardier. E este é o fim do primeiro Ato. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Os Miseráveis: Parte 2

Deixei de fazer uma coisa importante no primeiro texto. Para quem quiser assistir a peça colocarei o link do Youtube da versão de 1995 (https://www.youtube.com/watch?v=NAVrm3wjzq8). Na minha opinião a melhor versão. 
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Paris

Agora, após dez anos, a história se passa em Paris. Mas não na alta sociedade parisiense. Marius e Enjolras, dois estudantes, chegam à capital francesa e ficam assustados e desanimados com a pobreza do local. Gavroche, um menino pobre que se considera conhecedor de toda Paris, se apresenta a eles. Mas eles procuram pelo General Lamarque que era a única pessoa que se importava com o povo daquele lugar, mas está doente e morrendo. Enjolras espera o auxilio do povo para construir uma barricada contra o governo. Gavroche une-se a Enjolras e Marius e todos os outros estudantes que aparecem.

Javert continua sua busca a Valjean, contudo deixarei para falar de Javert mais a frente, pois ele é um personagem complexo e extremamente interessante de se falar.

Então voltamos ao grupo que será mais importante nessa parte: Os Amigos ABC. Eles são os estudantes que, liderados por Enjolras, controlam a revolução que se apresenta. Eis que surge a representação do Comunismo na peça.

Pequena Nota: Para todo aquele que pensa que o Comunismo é algo de se “alimentar vagabundo”, isso é um erro. O Comunismo surge do trabalho. É preciso trabalhar para ser comunista. E, na própria peça, um dos estudantes chama os trabalhadores para aliarem-se ao movimento. No Comunismo também não se divide as coisas como é pensado por aí, mas não me prenderei a falar do Comunismo e sim da peça. Se interessar a alguém, falo sobre o livro “Manifesto do Partido Comunista”.

Enfim, Enjolras e seus amigos começam a se organizar para a batalha contra a desigualdade social e contra a exploração que governo francês traz ao povo. Enjolras sabe que será difícil lutar contra a Guarda Nacional e não sabe como chamar o povo para a guerra. Diz, então, que precisam de um sinal para mover o povo. “We need a sign to rally the people, to call them to arms, to bring them in line” (Precisamos de um sinal para reunir o povo, para chamá-los às armas, trazê-los pra linha). Marius chega atrasado à reunião dos amigos. Os amigos perguntam-lhe o motivo de ele parecer atordoado e responde ele que viu uma pessoa e que está apaixonado. Um dos amigos zomba dele e da situação. “I am agog, I am aghast. Is Marius in love at last? I’ve never seen him ohh and ahh... You talk of battles to be won and here he comes like Don Juan. It’s better than a opera! (Estou assustado, estou espantado. Marius está finalmente apaixonado? Eu nunca o tinha visto tão “ohh” e “ahh”. Você fala de batalhas que devem ser vencidas e ele vem como Dom Juan. Isso é melhor que uma Ópera).

O que vem a seguir é algo que não pode ser descrito. Os níveis de emoção, inspiração e poder são tão altos que não dá simplesmente para expressá-los por aqui. Primeiro vem a música “Red and Black”, na qual Enjolras pergunta se seus amigos pensaram no preço que pagarão pela revolta e se era apenas um jogo pra garotos ricos. E diz depois diz: “The colour of the world is changing day by day. Red, the blood of angry men. Black, the dark of ages past. Red, a world about to dawn, Black, a night that ends at last” (A cor do mundo está mudando dia após dia. Vermelho, o sangue do homem bravo. Preto, a escuridão das eras passadas. Vermelho um mundo prestes a amanhecer. Preto, a noite que finalmente acaba). Enjolras organiza seus companheiros para a batalha, quando Gavroche chega e traz a notícia de que Lamarque está morto. Então Enjolras vê o sinal que ele queria para chamar o povo para a Batalha, pois com a morte dele o povo, provavelmente se revoltaria e se uniria a eles. E para terminar esse pedaço colocarei a música Do you hear the people sing?” (Vocês Ouvem o Povo Cantar?)


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of a people 
who will not be slaves again
When the beating of your heart 
echoes the beating of the drums
There is a life about to start when tomorrow comes

Will you join in our crusade? 
Who will be strong and stand with me?
Beyond the barricades 
is there a world you long to see?
Then join in the fight 
that will give you the right to be free!

Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of a people 
who will not be slaves again
When the beating of your heart 
echoes the beating of the drums
There is a life about to start when tomorrow comes

Will you give all you can give 
so that our banner may advance?
Some will fall and some will live,
Will you stand up and take your chance?
The blood of the martyrs will water the meadows of France

Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of a people 
who will not be slaves again
When the beating of your heart 
echoes the beating of the drums
There is a life about to start when tomorrow comes

sábado, 22 de agosto de 2015

Os Miseráveis: Parte 1




Os Miseráveis é uma obra literária de Vitor Hugo de 1862 contando uma história que se passa na Revolução Francesa. A obra mostra a sociedade francesa sem o glamour e paparicos como sempre são mostrados. Mas não falarei sobre o livro (até porquê não o li ainda). Falar-vos-ei (adoro isso) da ópera que saiu do livro. Com música de Boublil e Schönberg a ópera de “Os Miseráveis” é uma das produções que entrou para história do teatro e do cinema mundial.

Quero deixar claro que em alguns momentos citarei partes da ópera e usarei a forma em inglês, não para aparecer, mas para permitir que procurem na internet e vejam como se apresenta.

Início

A ópera começa com vários presos trabalhando num tipo de mina, gritando uns para os outros para manterem seus olhares baixos e não olhar para os guardas. Em determinado momento chega o Inspetor Javert (meu personagem favorito) e chama o preso 24601, Jean Valjean. Explico-lhes que na trama Valjean é o protagonista e Javert é seu arqui-inimigo. Javert dá a Valjean uma carta que o permite uma condicional. Nessa condicional Valjean conhece um bispo que o dá esperança, mostrando-lhe as palavras de Deus. Valjean se vê um novo homem e foge, quebrando sua condicional.

Nesse início vemos que os presos eram tratados como escravos quando Valjean diz “I know the meaning of those nineteen years a slave of the law” (Eu sei o significado desses dezenove anos como um escravo da lei). Outro aspecto é que ele passa os dezenove anos preso porque tentou fugir algumas vezes. O crime de Valjean foi roubar uma casa, pois sua irmã passava fome, mas depois de preso ele tentou fugir e de cinco anos ele aumentou para quase vinte. Depois, quando Valjean vai trabalhar antes de conhecer o bispo, que os presos são vistos como seres inferiores e “sujos”, pois ele recebe menos que uma pessoa normal, justo porque ele esteve preso. “You broke the law, it’s there for people to see. Why should you get the same as honest men like me?” (Você quebrou a lei, está lá para as pessoas verem. Por que deveria ganhar o mesmo que pessoas honestas como eu?) Essa é a fala de um comerciante para qual Valjean trabalha, essa condição é repetida até hoje. Eis que ele conhece o bispo que o abriga, dá-lhe comida, água e um pouco de dinheiro, mas Valjean tenta passar a perna no bispo e trazido de volta pelos soldados para poderem prender-lo, mas o Bispo defende o prisioneiro, mas o adverte que a partir de então Valjean deveria se tornar um homem honesto, pois Deus o havia tirado das trevas e o bispo havia comprado a alma dele para Deus (by the witness of the martyrs, by the Passion and the Blood, God has raised you out the darkness. I have bought your soul for God). Nesse momento Valjean decide ir embora e mudar de vida (Valjean’s Soliloquy – “Jean Valjean is nothing now, another story must begin”)

Passam-se dez anos: Valjean foge e se torna prefeito de uma cidade e dono de uma fábrica, Javert persegue-o, mas com o tempo esquece e começa, sem saber, a trabalhar na mesma cidade que ele. Na fábrica de Valjean os trabalhadores aguardam o pagamento que é mínimo e para piorar, Fantine uma mãe solteira que mandou sua filha morar com outras pessoas para ser cuidada, precisa de um aumento, pois sua filha está doente e quase morrendo. Mas Fantine se recusa a deitar com os capangas da fábrica. Uma das moças da fábrica começa uma briga com Fantine e Valjean impede a briga, mas toda a fábrica se volta contra ela e, por fim, ela é demitida da fábrica, neste momento é cantada a ária mais conhecida dessa peçaI Dreamed a Dream. Sem emprego e precisando manter a criança ela vira prostituta para poder continuar mantendo a menina.

Nos dias de hoje isso acontece, mulheres que se prostituem para salvar suas crianças que foram abandonadas pelo pai, como Fantine e Cosette foram. Então vem um monte de gente dizer que ela escolheu a forma de ganhar dinheiro fácil (creio eu que não é nada fácil) e lhes mostrarei o porquê. 

Fantine fica doente. Mas continua seu trabalho e um homem a chama, mas ela o nega. Os dois brigam e Javert aparece, o homem diz que Fantine o atacou e que ele, “inocente pobre coitado”, não teve nada a ver com isso. Javert prepara-se para prendê-la. Fantine implora a Javert, que é irredutível e cruel, ela conta sobre a filha. “... save your breath and save your tears. Honest work, just reward, that’s the way to please the Lord” (…poupe seus suspiros e lágrimas. Trabalho honesto, recompense justa, este é o caminho para os favores do Senhor). Valjean intercede por Fantine e reconhece seu rosto, mas não sabe de onde e pede a ela uma forma de ajudá-la, mas ela se sente ferida por Valjean dispensa-o “Monsieur, don’t mock me now, I pray. It’s hard enough, I’ve lost my pride. You let your foreman send me away. Yes, you were there and turned aside…” (Senhor, não zombe de mim, implore. É difícil demais eu ter perdido meu orgulho. Você deixou seus capatazes me mandarem embora. Sim, você estava lá e se virou). Valjean, atordoado pelo o que tinha feito, tenta mudar a situação e a leva para o hospital, para o espanto de Javert.

Um acidente acontece e uma carroça cai em cima de um homem, Valjean por ser novo e forte o ajuda e tira o rapaz debaixo da carroça. Javert fica impressionado e desconfiado com a força do “monsieur le Mayor” (assim se referia ao prefeito). Valjean fica assustado e se lembra de seu passado (Who Am I). Valjean perguntasse se ele pode dizer quem é. Valjean perguntasse quem ele é. E por fim assume: “Who Am I? I’m Jean Valjean. And so, Javert, you see it’s true. This man bears no more guilt than you. Who am I? 24601” (Quem sou eu? Sou Jean Valjean. Então, Javert, você vê a verdade disto. Este homem não pode mais suportar mais culpa do que você. Quem sou eu? 24601)

Já morrendo, Fantine sonha com sua filha. Valjean, então, chega até ela e promete-a que cuidará da menina Cosette. Como último pedido Fantine diz “for God’s sake, please stay till I am sleeping and tell Cosette I love her and I’ll her when I wake” (Pelo amor de Deus, por favor fique (Valjean) até eu estar dormindo e conte a Cosette que eu a amo e a verei quando acordar). Antes que Valjean saia do hospital Javert, já consciente da verdadeira personalidade do Prefeito, vem para prendê-lo. O prisioneiro implora para que Javert o deixe ir, pois ele precisa cuidar da criança e promete que voltará para cumprir sua dívida, mas Javert como sempre, se mostra impiedoso. Esse combate é apresentado pela ária Confrontation. Valjean, então, empurra Javert e foge atrás de Cosette.

Cosette é uma doce menina que mora com o Senhor e Senhora Thénardier, dois canalhas de marca maior, estaleiros de pior qualidade e caráter. Cosette não é muito bem tratada e vive como uma escravinha do casal. Perdoem-me minha falta de decoro, mas o casal Thénardier são personagens que podem entrar no hall da fama dos personagens desprezíveis. De todas as óperas, filmes, séries, livros e desenhos animados os Thénardier conseguem superar quase todos. São mais covardes que o Rabicho de Harry Potter, mais falsos que o Bispo da França dos Três Mosqueteiros, mais hipócritas que o Padre de O Corcunda de Notre Damme, entre outros adjetivos que eu não posso dizer.


Voltando a história. Cosette sonha com um lugar onde ela será amada e onde não tem que trabalhar como chama seu Castle on a Cloud”. Enquanto isso o Sr. Thénardier engana e rouba seus hóspedes, quando este se diz o Master of The House. Valjean chega à hospedaria e diz que vai levar Cosette embora, mas que pagará por ela, para ressarcir os gastos que o casal teve com a menina. O casal tenta convencer Valjean a não levá-la, mas ele já está decidido, até porque viu a menina sofrendo no frio. Depois que Valjean consegue libertar Cosette eles vão embora para Paris. Agora acrescente mais dez anos à história. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Esquerda x Direita (Liberalismo vs Conservadorismo): Esquerda

A Esquerda e a Direita voltam a brigar. Dessa vez por um motivo besta, porém preocupante. A questão está no Conservadorismo da Direita e no Liberalismo da Esquerda.

Esquerda

Falemos primeiro do Liberalismo. A Esquerda está pregando uma forma mais “livre” para todos. Onde todos serão aceitos e o mundo será cor de rosa. Algumas bandeiras levantadas são as Homossexuais, Feministas etc. Além de algumas outras mais “humanistas” (Direitos Humanos e companhia). Esses movimentos sociais são importantíssimos para o desenvolvimento cultural de uma sociedade. Os homossexuais precisam ser aceitos, as mulheres devem ser valorizadas, os deficientes devem ter espaço na sociedade etc.

Mas o que torna isso preocupante? O Exagero. Impor algo não é de fato uma revolução. Revoluções mudam as mentes do povo, mas sem fazê-las sentirem-se oprimidas. Estamos chegando a um ponto que se não gostamos de algo somos vistos como um ser abominável. Acho válido que os homossexuais lutarem por seus direitos, mas não acho necessário, em uma “parada gay”, masturbarem-se com um crucifixo. Querer chocar a população; isso foi feito por diversas pessoas que se consideravam “gênios” da Idade Média, que por suas atrocidades acabaram no esquecimento e apenas parte das pessoas conhecem suas histórias.

A ideia feminista é muito boa, a questão do tratamento, a questão da forma com que as mulheres são vistas pelo mundo. Mudar isso é mais do que necessário, é mais do que uma obrigação. Mas há uma linha de pensamento que está extrapolando. Meninas que se dizem feministas e pregam a “destruição” dos “machos”. Há ainda o “feminismo tirano” que prega a submissão total dos homens às mulheres. O Feminismo era a equiparação de direitos entre homens e mulheres, mas estão pervertendo seus ideais. Isso traz a desgraça para o movimento e as pessoas que realmente apóiam as verdadeiras bandeiras feministas são ridicularizadas.

Direitos Humanos. Esse é o assunto mais difícil de falar. É o tema que mais tem causado confusão, não é à toa. A ideia dos Direitos Humanos é, realmente, uma causa nobre. Contudo estão fazendo dos Direitos Humanos uma forma de subverter o Direito comum. Estão começando a passar a mão na cabeça de quem não deve, estão justificando coisas que não são para ser justificadas. A redução da maioridade penal é o principal assunto do momento em relação a isso. Estou de acordo de que a redução não resolverá a situação. Mas não é por isso que os menores não devem ser punidos. Antes de continuar ressalto: Devemos acabar com o senso comum de que menor não é punido, eles são, mas ainda é pouca punição e um sistema falho. Não podemos punir policiais por matarem inimigos da sociedade (bandidos). Claro que não podemos aplaudi-los quando matam inocentes. Não podemos pegar pesado com um jovem rico e aliviar o lado de um jovem pobre, sei que as condições e os meios interferem no indivíduo (isso é o que diz a sociologia do Fato Social de Émile Durkheim), mas isso não significa que devemos aliviar a pena por causa disso. Isso cria um estado de falsa Justiça. Devemos acabar com o meio e não com o produto dele, mas enquanto não acaba devemos agir corretamente com as pessoas.

Eu devia falar sobre a pena de morte, mas não acho adequado para o momento.

Seguindo ainda o mesmo meio falarei sobre a Polícia. A corrupção é humana, a polícia é feita por humanos, logo há policiais corruptos. Mas isso não quer dizer que todos sejam. Vejo uma crescente vertente esquerdista tentando menosprezar o trabalho da polícia, tentando fazer que todos se tornem ou pareçam maus. Não adianta, pois sempre será preciso alguma guarda, seja com o nome de guarda real, seja como mosqueteiros, seja como jedis, seja como for é preciso que haja uma força do Estado para que se defendam os valores da sociedade e que zele pelo bem-estar dela. Às vezes a força do Estado precisará usar a força e julgar isso como errado não é uma boa ideia, pois os males da “não ação” vêm para nós como sociedade. Ao mesmo tempo em que defendo a polícia digo que devem ser punidos todos os corruptos dentro dela, todos os que se beneficiam com tráfico, todos os que aceitam suborno, todos os que se omitem em auxiliar o povo etc.  

O politicamente correto é uma chatice sem fim. Essa onda “humanista” que vem para dizer que as pessoas não podem ser chamadas por coisas “estereotipadas” é uma forma, patética, de auto-vergonha. Não pode chamar o a pessoa pelo o que ela é. A ideia de que tudo é ofensivo começa a preocupar quando levamos em consideração o que acontece na área humorística. Não pode mais fazer piada com homossexual, com negro, com gordo, com magro, com pessoas altas, com pessoas baixas. Eu sou preto, baixinho, espinhento, feio como o guarda do inferno e não vejo o menor motivo para não me chamarem assim, pois é o que sou e, na verdade, gosto de fazer de tudo isso uma piada. Falta o “amor por si próprio” para entender que não é só e somente ofensas, há também brincadeiras. A pessoa que se ofende a toa é porque não vê o que é ou tem vergonha de se assumir como algo. Não devemos nos envergonhar daquilo que somos, pois somos o que escolhemos ser.

Deficiências. Outro assunto muito delicado para se falar. Primeiramente digo-lhes que o que falarei sobre deficientes físicos e mentais pode não ser de agrado de todos e que é a minha opinião sobre o assunto, então peço que leiam o próximo capítulo com um pouco mais de imparcialidade.

Deficientes são deficientes, pois são diferentes da “sociedade padrão”. Não é mérito ou demérito ser deficiente, porém eles não são super-heróis. Os deficientes físicos têm limitações, mas são melhores aceitos pela sociedade, pois esses ainda têm uma “semelhança” maior com os outros. Contudo os deficientes mentais correm certos riscos que não deveriam. Uma pessoa que tem alguma deficiência mental, cuja mexe com o nível de inteligência, nível de aprendizagem, nível de socialização sofre uma série de desafios que hoje em dia a Esquerda quer pôr, dando a ilusão aos pais de crianças deficientes que vai dar certo. Não pode dar certo isso, pois crianças especiais precisam de cuidados especiais. Uma pessoa com Síndrome de Down numa sala com alunos “normais” pode sofrer por causa das outras crianças ou as crianças serem atrapalhadas por causa dela. As crianças a perturbarão, irritarão, zombarão e, mesmo com conversas e outras tentativas dos adultos, não vão parar, porque é diferente. A esquerda virá dizer: Mas as crianças devem ser educadas a não fazer. Eu sei, mas é a natureza da criança e o que vai acontecer, vão excluir a deficiente, piorando a situação, pois está verá que tem algo errado com ela e as outras pessoas não gostam dela, aí a pessoa deficiente pode começar a agir de forma violenta, depressiva, entre outras formas.

Outro ponto feio para a Esquerda é o achar-se superior. As pessoas de esquerda assumiram o seguinte discurso: “Nós sabemos, nós fazemos, quem não concorda ou é alienado ou é fascista”. Isso é um erro. Essa movimentação toda de conhecimento é falha entre eles, pois a maioria dos jovens que se dizem revolucionários não entendem os meios e fins. Muitos estão lutando porque querem acabar com o sistema, mas vivem de mamãe e papai, lutam pela legalização da maconha, porque querem passar a tarde inteira fumando na praia, estão ali porque, em algum momento, alguém pôs em suas cabecinhas de que o mundo é cruel e dá para mudar isso. Mas eles nunca leram nada. Não conhecem a crueldade de Maquiavel, a bondade de Rousseau, a separação de Montesquieu, a união de Marx, a república de Platão, a política de Aristóteles, o fato social de Durkeim, a ação social de Weber. Os jovens da esquerda, a nova esquerda está perdida em conhecimento, mas acha que sabe demais. Estão fazendo discursos sem sentido e discussões que não aguentam.


Enfim, a Esquerda precisa começar a se reavaliar, porque, se não o fizer, ela perderá força, ruirá suas bases e cairá no esquecimento. A mudança é necessária, mas nada se consegue quando algo muda de repente, o nome disso é golpe. Que a esquerda aprenda a maneirar seus exageros e controlar suas vontades, para ter um movimento mais justo e puro. Lembremos que para o dia virar noite, primeiro vem a tarde, depois o céu escurece, só então vem a lua.

sábado, 1 de agosto de 2015

O Príncipe: Nicolau Maquiavel




O livro de Maquiavel O Príncipe é a maior de todas as obras políticas. Maquiavel trata nesse livro de como chegar ao poder e (o mais importante) como manter-se nele.

O Príncipe é escrito para Lorenzo Médici, o Magnífico, que na época era o líder (“governador”) da província de Florença. Maquiavel possuía certo fascínio pela família Médici então, em seu exílio, escreve o livro e dedica a Lorenzo. Contudo, o líder de Florença ignora a obra. Mas a grande motivação do livro era a Unificação da Itália. Maquiavel pretendia ver a Itália como um Estado-Nacional. Ele acreditava que o Estado unificado se torna mais forte e ele estava certo.

O livro segue seus capítulos servindo-se como um manual. Como a Bíblia é para o povo um manual de conduta moral, O Príncipe é um manual da vida política. Maquiavel cria com este livro a Política Realista, que se opõe a Política de Platão.

Platão acreditava num mundo de homens bons onde esses mesmos homens fariam a política sem interesses próprios, visando sempre o interesse coletivo. Maquiavel mostra que os homens (pelo menos no sentido político) têm instintos maus, não só aqueles que governam como também é mau o povo.  A Política Realista vai muito mais à essência humana. Os homens buscam sempre ganhar. Vemos um exemplo nos tempos atuais. Quando um amigo nosso diz, mesmo que brincando, que vai candidatar-se a um cargo político a primeira coisa que dizemos é “não se esqueça de mim”. Maquiavel, então, mostra o quão somos corruptíveis a ponto de nos aliarmos a qualquer um que nos beneficie.

O texto refere-se ao mundo medieval. Refere-se às guerras, às tomadas de poder brutais, às nações e castelos etc. Contudo, mesmo com esses aspectos, o livro continua extremamente atual. Um livro que serve para quem quer subir na vida como um líder ou como um general. Que mostra pontos fortes e fracos em defesas e ataques. Mostra como se manter no poder de uma forma medieval, porém eficaz, inteligente e utilizada até hoje.

Direi aqui sobre algumas ideias que o livro apresenta. O livro é composto além de tudo por exemplos que Maquiavel usa para ilustrar e mostrar como seu ponto de vista é o mais correto (sejam exemplos de sucesso ou de profunda derrota). Com o tempo a leitura do livro nos leva a entender como as coisas funcionam nas “mentes poderosas” e ganhamos uma nova ideia de como agir em nossas vidas mesmo sem pertencer à política.

Uma dessas ideias é a de sempre se manter junto de seus aliados (amigos). Maquiavel diz que devemos defender nossos amigos, pois quando precisarmos eles farão o mesmo por nós. Mesmo ele dizendo isso para sinalizar que um governante deve contar com seus aliados, há também uma forma mais social envolvida.

Outra ideia é que de todos os males que deve ser causado a uma pessoa devem ser causados de uma só vez, e as coisas boas devem ser aos poucos. Assim a pessoas se esquecerá o que foi feito de mal, pois sempre será recompensado com algo bom. É, amigos, algo como “Entregue suas empresas estatais e forneça-os um novo sistema monetário...” ou “Acabe com o PIB nacional e dê-lhes uma esmola mensal”. Lembraram de algo? Contudo, o autor alerta que um líder, caso faça coisas que o povo não concorde. cairá e o povo tem o poder de escolher um novo líder.

Continuando. Maquiavel é bastante claro quando diz que um líder deve ser temido ao invés de amado. A questão é simples. Um líder amado, por mais que tenha o gosto de seu povo, caso ele caia os servos não se verão obrigados a ajudá-lo a se reerguer, pois sempre fora um líder bom e amável, não oferecendo temor ao povo. Já aquele que é temido se cair, seu povo se verá obrigado a ajudá-lo ao retorno ao poder, pois este se sozinho conseguir voltar se vingará do povo com castigos, prisões e torturas. Contudo o líder deve ser sábio e não apenas digno de temor, pois caso chegue algum estrangeiro que queira seu posto e agrade mais o povo, o povo tirará o líder de seu posto.

Darei dois exemplos que vão muito mais para o nosso cotidiano. O primeiro é de uma classe de escola, cuja possui um líder. Caso ele seja um líder omisso, que não se atente para os pedidos dos colegas alguém irá derrubá-lo, usando os outros alunos para se voltarem contra ele. O segundo exemplo é mais relacionado à política. Um partido chega ao poder, prometendo mil vantagens e melhorias ao povo, com o tempo no poder esse partido começa a cair em desgraça e surge então o estrangeiro (outro partido), este começa a levantar a voz do povo começa a infernizar o partido mandante. Com o tempo o estrangeiro consegue apoio o suficiente para tirar o príncipe (primeiro partido) do poder.

Outro aspecto do livro deu ao mundo uma frase que ficou marcante: Os fins justificam os meios. Vale ressaltar que Maquiavel nunca disse essa frase, ela foi atribuída a ele por causa de seu pensamento. De fato para Maquiavel não importa como chegar, tem que chegar. Para chegar ao poder vale tudo (matar, torturar, mentir, roubar etc.) e isso é mais uma verdade. Todos os que querem ter algum tipo de poder na vida utilizam, em algum momento, de algum artifício cruel e terrível, seja pagar para nos elegerem, seja explorar a fé alheia, seja como for, aquele que está interessado em chegar ao poder fará de tudo para chegar nele.

Ele trabalha muito, também, a questão da virtú e fortuna. Explicar-lhes-ei os dois termos. Primeiro o mais simples: fortuna. Neste caso fortuna não se refere a dinheiro, refere-se a sorte em italiano.

Virtú é um termo mais ligado a filosofia. Seria algo como virtude, mas não só isso. A virtú nesse caso é a astúcia, inteligência, percepção do momento, capacidade de domínio dos anseios populares e da nobreza. A virtú é a capacidade suprema de Líder como tal. Além de tudo virtú é a honra do príncipe.

Para Maquiavel o líder nato não deve contar sempre com a fortuna e sim com sua virtú. O motivo é claro e simples: Não se pode domar a sorte, ninguém faz isso, já a virtú pode ser aperfeiçoada. O príncipe (líder) que se apóia firme e somente à fortuna cairá de forma tão forte que não haverá chances de retornar ao poder. Uma dica que o próprio Maquiavel dá aos futuros líderes é de que a base de um príncipe é o seu povo, pois o povo tem a capacidade de ajudá-lo a cair ou a se levantar.

Um líder deve sempre estar atento às confusões. Um bom líder não pode, em hipótese alguma, deixar surgir em seu reino a desordem nem evitar guerras, muito menos deixar surgir desordens para evitar guerras. Porque quanto mais se adia uma guerra mais perdida ela se torna para quem a adiou.

Nem sempre conseguimos aquilo que queremos (principalmente sucessores), por isso Maquiavel dá outra dica. Se não podemos fazer que alguém que queremos entre no poder, então eliminemos quem não queremos. Destruamos aqueles que não achamos dignos de nos dar continuidade. Este é uma das mais importantes e geniais dicas de Maquiavel.

Aliados são bons, mas depende de quem eles são (ou pensam que são). Aliar-se a figurões, magnatas, detentores de capital, pessoas que em algum momento já tiveram poder não é uma boa ideia, pois estes acreditarão que são iguais a você e quererão dividir o poder. A não ser que tenhamos a frieza de nos livrar daqueles que já não nos servem mais, não é bom manter-se com ele. Não é bom nem aliar-se a eles.

A obra se estende de forma divina e magistral ensinando a todos que quiserem como se faz para governar. Ensinando-nos a sermos verdadeiros imperadores. Digo-lhes também que Napoleão foi um dos seguidores de Maquiavel. Como achavam que Napoleão foi o general que foi? Convido a todos para lerem O Príncipe. Convido a todos a se tornarem Líderes perfeitos.

“É necessário ser príncipe para conhecer perfeitamente a natureza do povo, e pertencer ao povo para conhecer a natureza dos príncipes.”

(Nicolau Maquiavel, O Príncipe)

terça-feira, 28 de julho de 2015

O Poder do Estado: A Esquerda e a Direita



O mundo hoje em dia (principalmente o Brasil) discuti suas posições políticas: Esquerda ou Direita. Isso acontece a mais de 21 séculos, essa ideia de Direita e Esquerda é extremamente discutida com diversas formas e nomes através da história. O problema é que as duas partes estão começando a se fundir e o povo mundial não percebe isso.

Antes de continuar devo alertá-los para um ponto primordial para se chegar a algum lugar: Nem toda Esquerda é Socialista. Ultimamente todas as pessoas que se dizem “esquerdistas” são julgadas como socialistas, isso é um erro. Voltemos na história para quando é criado a ideia de Esquerda e Direita. À direita do Rei, na revolução francesa, sentavam-se os burgueses e nobres. À esquerda do Rei sentavam-se os defensores da plebe e liberais. Ou seja, a Direita representaria a Elite e a Esquerda representaria o Povo. Após os anos os Socialistas e Comunistas se aliaram (justa e ideologicamente) a Esquerda, e os mais conservadores se filiaram a Direita.

O pensamento “esquerdista” é um pensamento muito mais voltado para o social, valorizando o povo, dando a ele direitos e seguranças. Já o pensamento “direitista” valorizará o capital privado. Os grandes “direitistas” (economistas, filósofos, sociólogos etc.) defenderão esse pensamento justificando que um governo voltado para a alta sociedade terá um resultado bom para o povo. E não deixam de estar errados.

Logo se vê na política que não há como separar os lados, pois num Estado haverá pobres e ricos. Sendo assim um partido ou uma pessoa quando chegar ao poder deverá fazer acordos entre os lados. Se um governo for de extrema Direita ele será deposto pelo povo, se ele for de extrema Esquerda ele será deposto pelos grandes.

Deixemos nossas posições de lado por alguns instantes e convido a todos a entenderem o quanto fundidos estão os pensamentos de Esquerda e Direita. Com a evolução do mundo e da política mundial foi visto que só há uma espécie de governo capaz de atender o povo em sua essência: A Democracia. Contudo a Democracia é um pensamento ideológico extremamente “esquerdista”. A Democracia, sendo o governo do povo para o povo, busca a igualdade entre todos os componentes da sociedade. Ora, se a Democracia é uma ideia de Esquerda, qual é o pensamento da Direita? A resposta é clara. A Direita buscará uma Aristocracia. Por quê? Porque a Direita é composta dos “melhores” da sociedade. Como já disse uma vez a Aristocracia é o governo dos melhores (economistas, juristas, filósofos, médicos, engenheiros etc.), a Direita não se sentiria a vontade com o povo no poder, ela gostaria de estar no controle e governar para a própria vontade. Entretanto, com toda a evolução da sociedade, até a Direita percebeu que a Democracia é o melhor caminho político para se seguir e, também, sem esse pensamento “esquerdista” o Estado ruiria.

Em contra partida há um pensamento de Direita que assombra os militantes de Esquerda. O crescimento pessoal perante a sociedade. O que seria isso? Uma das grandes características do ser humano é a busca da superioridade. Sendo atribuído a isso o eurocentrismo, a escravidão e até mesmo a inveja. O ser humano tem em sua alma a vontade de ser grande, contudo quando pregamos a igualdade entre todas as partes jogamos fora esse instinto todo. Todos gostamos de ser parabenizados quando fazemos algo notório e gostamos das recompensas que virão por isso. O problema é que com a igualdade acentuada numa sociedade torna-se perigoso e quase que proibido a elevação de status. A ideia de que todos devem ser iguais em tudo cansa o ser humano e nem mesmo os mais defensores da Esquerda defenderão com tanta força isso. Todos dirão: “Devemos ter as mesmas condições, mas meu esforço deve ser pago”.

Nota-se que a Esquerda e a Direita passaram a ser mais próximas do que parece. Contudo o povo ainda comete erros horríveis, como dizer que os nazistas e fascistas pertencem a um lado. Não pertencem a um lado somente.  Uma coisa interessante dos regimes é a aproximação das igualdades sociais, o povo fascista e nazista tinha em suas mentes a ideia de uma unidade que se vê numa colmeia. Contudo há traços “direitistas” nos líderes seletos dos dois regimes e a forma, um tanto quanto, conservadora do governo. Longe de mim chamar os “direitistas” ou os "esquerdistas" de fascistas ou nazistas, perdoe-me caso ofenda a alguém. Mas tanto a Esquerda quanto a Direita estavam presentes nos pensamentos de Mussolini e Hitler.

Mas o que define um governo ser de Esquerda ou Direita? A aproximação entre os governantes e os governados. Quando o governo estiver mais próximo do povo, assegurando-lhe direitos, investindo em seus anseios (saúde pública, educação pública etc.), garantido-lhe certa igualdade este será um governo de Esquerda. Caso um governo voltar-se para a industrialização, a valorização do capital privado (fator importante para o Capitalismo), este será um governo de Direita. Claro que nenhum jogará o outro fora (um governo de Esquerda deverá, em alguns momentos, agir em prol da Direita e vice-versa) ou será melhor que o outro, mas cada partido e representante age da forma que mais lhe agrada.

Além disso vem a dosagem de Conservadorismo e Liberalismo, mas deixarei para falar sobre isso em outro texto. 

Não há como separar a Esquerda da Direita. Um braço dependerá de outro, pois o povo sustentará os grandes e os grandes segurarão o povo. E, quando começarmos a repara em tudo o que é dito e no que concordamos, perceberemos que na verdade somos todos Ambidestros. 

sábado, 25 de julho de 2015

O Poder do Estado: O Capitalismo



A concretização do mundo moderno. O capitalismo tem uma função muito mais do que econômica. Seria a evolução do mercantilismo, uma adaptação e aprimoramento das trocas materiais num mundo que se expandiu de forma desordenada.

Primeiro falarei de seu pai o Mercantilismo. O Mercantilismo foi um momento econômico histórico no qual o Estado interferia massivamente no mercado, trazendo o Capital para si. Os Estados Nacionais acordavam entre si para melhorar suas comercializações e seus estados financeiros. Há o nascimento das indústrias nacionais, que pertenciam ao Estado e há mais ninguém. O auge desse momento foram as navegações, pois elas possibilitaram aos grandes Estados (Inglaterra, França, Portugal e Espanha) um aprimoramento de seu comércio e a expansão de seu mercado. As colônias inglesas, francesas, portuguesas e espanholas levaram às suas metrópoles uma nova possibilidade de crescimento e de exploração. Também foi de igual importância a chegada da Europa ao Oriente. Os países do oriente contribuíram de forma ainda mais expansionista para os Europeus, pois eles produziam, a Europa transformava e mandava de volta para os países, gerando para ela lucro estatal.

Então surge Adam Smith com o livro A Riqueza das Nações, surge com ele o Liberalismo: “o Mercado deve ser livre, sem a interferência do Estado”. Começa então a ideia Capitalista. As pessoas dominariam o Mercado, os meios de produção, a construção do mundo dependeria delas. Surge uma nova classe para afrontar o Clero e a Nobreza, a Burguesia. O Capitalismo pertence aos homens, quebrando o Mercantilismo que pertencia ao Estado. O Capitalismo busca o lucro pessoal, o individuo que produz, merece e ficará com o lucro do que produziu e fará com seus ganhos o que bem entender.

O Capitalismo possibilita a criatividade humana, pois os donos dos meios de produção podem criar, destruir e reinventar os meios como acharem melhor. Com a “privatização” dos meios de produção as indústrias nacionais perderam força e ruíram, abrindo espaços para os grandes capitalistas. O Capitalismo Liberal tomou conta da Europa e se espalhou pelo mundo. Todos têm direito de compra, todos fazem parte do sistema econômico.

Como tempo criou um inimigo poderoso, que foi o Comunismo. O grande problema é que o Capitalismo é, até hoje, o único meio econômico que soube sair de uma crise, sem ter que se render, fundir ou mudar por completo. Em 1929 houve a maior crise do Capitalismo, os valores da bolsa de valores caíram de forma assustadora, resultando na dúvida do Capitalismo como forma econômica e num suicídio em conjunto de várias pessoas que foram afetadas. Os economistas entraram em desespero e os comunistas vibraram.  Contudo Keynes (economista britânico) aponta a saída: “O Estado só tocará no Mercando quanto este estiver em crise”. Keynes cria as chamadas “ferramentas keynesianas”, são elas a Política Fiscal, Política Cambial e Política Monetária. Sendo assim o Estado começa a interferir novamente na economia, mas com muito menos força do que antes. O Estado pode criar formas de ajudar o Mercado a não cair ou impedir que a moeda local perca seu valor ou que a economia local não morra de vez, mas ele em si não pode ser detentor direto do poder do Mercado.

Uma das armas do Estado para ajudar o Mercado é a inflação. A inflação tem diversas funções dentro do Capitalismo um deles é a diminuição de capital circulante, pois se houver muito capital girando no sistema econômico ele começa a perder valor. Mas não me prenderei a esse assunto.

O Capitalismo é o único sistema que representa a natureza humana. É o único que possibilita a busca pela grandeza. No feudalismo as pessoas que nasciam em determinada classe permaneceriam naquela classe até suas mortes, no mercantilismo as pessoas não ganham nada com o que produzem (lucro do Estado), no socialismo todos somos iguais demais, os meios de produção pertencem ao Estado ele dita como deve ser produzido (Isso não quer dizer que o que se produz será dado para os outros, o Socialismo não é aquela ideia de que entram na sua casa, comem a sua comida e depois vão embora). O Capitalismo permite ao povo a ideia de crescer, dá ao ser humano a criatividade de agir com os meios de produção como bem entenderem e como acharem melhor.

Contudo não existe ética e moral para o capitalismo. Ele se fundamenta na ideia de que uns devem crescer e outros devem descer, enquanto uns vivem na mais linda mansão outros devem perecer num minúsculo “chiqueiro”. O Capitalismo é individualista. O pensamento capitalista gira em torno do bem-estar próprio: “enquanto EU estiver bem, o mundo que se afogue em trevas e miséria”. Para o Capitalismo a moral, a preocupação com os outros, a humanidade não são muito relevantes. Mas há também outra coisa que o Capitalismo ignora como se fosse um lixo: A Cultura. Para o Capitalismo não há a necessidade de se manter a cultura, a história, a formação do povo. Passamos nesse momento por dois momentos que ficarão para História. O primeiro (e menos importante em minha opinião) é o fechamento da mais clássica e “lendária” loja de brinquedos dos EUA, a FAO Schwarz. Esta não teve como se manter no lugar privilegiado que ocupava por causa do alto custo do aluguel e foi “convidada” a se fechar.

O Segundo, e muito mais importante, é a Grécia. O berço de nossa civilização, pois até o Império Romano tem seus deuses roubados da Grécia. O início do mundo Oriental, o ventre de toda a nossa cultura. Há mais ou menos cinco anos, vem passando por problemas sérios financeiramente. Já houve a cogitação da retirada dela da União Européia, já houve a cogitação da separação dela, mas o que seria do Mundo se não houvesse Grécia? O que seria de nossas referências? O Capitalismo não liga, ele quer sobreviver. Leonardo Boff, em sua página fez um pronunciamento sobre isso que acontece na Grécia. Sobre a vitória da Cultura sobre o Capitalismo.

Enfim, o Capitalismo é o mais inteligente sistema econômico, pois foi o único que conseguiu superar crises e convencer o povo de que é bom. Alguns economistas dizem que ele morreu e se esqueceram de enterrá-lo. Outros dizem que ele está mais vivo do que nunca. Alguns dizem que ele não morreu, mas está matando o planeta. Pois outro problema do Capitalismo é o consumo. Consumo exagerado e desenfreado. Quanto mais se consume mais se produz, e o planeta não vai aguentar essa superprodução louca, não dá mais tempo de repor o que foi tirado. Não sei qual é a mais certa, pois todas têm um toque de certeza.

Por fim, o Capitalismo não teme nada, porque não há o que temer. Pelo menos ainda não criaram nenhum sistema econômico mais eficaz que ele. Para ele não existe cultura, não existe história, não existe Deus, não existe moral, não existe ser humano. Existe Dinheiro, tudo deve ser pago pelo Dinheiro. E não percamos tempo, porque até o tempo é caro.

terça-feira, 21 de julho de 2015

O Poder do Estado: A Democracia



O pensamento democrático é, talvez, o maior pensamento de igualdade social que exista. A democracia é uma crescente constante no mundo moderno, sendo aprimorada cada vez que é posta em prática. Contudo, o pensamento total democrático é falho.

O Primeiro problema da Democracia é a forma. Não há maneiras de se perpetuar uma Democracia sem uma representação (partidária ou não). Quando escolhemos alguém para nos representar este continuará, querendo nós ou não, sendo outra pessoa. O problema todo está no fato de que ele fará escolhas em nosso nome, podendo elas nos agradar ou não. Quando temos um representante de uma turma de escola é fácil submetê-lo às nossas vontades, mas em âmbito nacional torna-se uma tarefa muito mais difícil.

Quando falamos de representação partidária a figura muda. Paulo Bonavides em seu livro Ciência Política diz o seguinte:

Das definições expostas, deduz-se sumariamente que vários dados entram de maneira indispensável na composição dos ordenamentos partidários: (...)
d) um interesse básico em vista: a tomada do poder
e) um sentimento de conservação desse mesmo poder ou de domínio do aparelho governativo quando este lhes chega às mãos.”
(Paulo Bonavides, in “Ciência Política”)

Ou seja, os partidos políticos (que dizem representar o povo) farão de tudo para subir ao poder, contudo não terão o mesmo interesse de largar o osso. E isso resultará numa guerra ideológica onde o partido jogará com seu povo, dividirá o mesmo, pisará em quem for necessário, etc. E mais um problema surge nesse modo, um partido é montado por diversas pessoas, na hora de tomar decisões para o Estado, antes de expô-las para o publico, o partido se reunirá e tomará a decisão que vá de acordo com o que os membros do partido pensam e não com o que o povo pensa. 

O Segundo problema da Democracia são as opiniões. O povo moderno ainda não entendeu que todos nós temos um tipo de gosto e pensamento diferente e também não aprendeu a respeitar isso. Mas qual seria a ligação da subjetividade humana com a Democracia? Simples: a Isagoria, o fato de que todos nós temos o direito a voz e direito de dizer o que pensamos, seja para o bem, seja para o mal. A Democracia parte do seguinte principio “Não concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de o dizeres” (Frase atribuída a Voltaire).

Ora, (direis) isso é coisa de liberdade de expressão. E eu vos direi, no entanto, a liberdade de expressão é um pensamento democrático. Pensemos que um monarca ou tirano não poderá dar ao seu povo a liberdade de expressão, pois acabarão atacando-o. Os aristocratas também não poderão fazer o mesmo, pois seu povo não seria classificado como “digno” ou “sábio” para poder se expressar. Contudo, se tirares da Democracia a liberdade, matarás a Democracia, pois ela é o governo do povo, a representação da voz do povo.

Eis que o problema se agrava, pois algumas pessoas, infelizes e ignorantes em seus ideais, possuem pensamentos que ferem as outras pessoas (racistas, homofóbicos etc.). Para conter a raiva geral e amenizar os estragos feitos criam-se leis que proíbem os praticantes de cometerem tais atos abomináveis, mas a partir do momento que se corta a liberdade do povo, fere-se um dos princípios da Democracia. Liberdade Moderada.

Mas o que é Liberdade? Liberdade para Noberto Bobbio é “um conceito interpessoal ou social referente às relações de interação entre pessoas ou grupos, ou seja, ao fato de que um ator deixa outro ator livre para agir de determinada maneira.”

O problema é que o Estado Democrata interfere na interação pessoal de um determinado ator, cujo sua opinião contraria a opinião de outrem ou da maioria.  O grande problema é: Como resolver tal problema, sem ferir a liberdade das pessoas? Não há maneira alguma de se fazer isso. O máximo que se pode fazer é a separação de “certo e errado” e deixar por conta do Direito.

Eis que chegamos a Terceira e última falha da Democracia. Qual seria, então, o mais grave erro da Democracia? A resposta é simples: Todos. Democracia é, em teoria, o governo do povo para o povo. Ou seja, qualquer ser humano tem o direito de participar das decisões políticas (inclusive os loucos retardados como eu), não há nada que impeça que determinado grupo de pessoas participe de funções sociais importantes. Podem dizer que “só pode votar quem tem título de eleitor”, contudo se pensarmos bem o voto é uma OBRIGAÇÃO de todos, logo você é OBRIGADO a votar, sendo assim TODOS têm que participar. Muitos me dirão também: “Mas João, falas do Brasil e quanto aos outros países?”. Nos países onde a votação é livre e não-obrigatória, acontece um fenômeno “pior”, o povo se vê no dever de votar, logo todos vão votar.

Talvez não vejam o problema, mas logo lhes direi. O problema de ter algo que envolva todos é que sempre deve vencer a MAIORIA e, nem sempre, ela está certa. Contudo, quando há uma votação e a maioria escolhe algo “errado”, ficará o “errado” num lugar avantajado. O fato é que: O povo inteiro não está preparado para certas posições ou escolhas.

Entretanto, se começarmos a escolher quem deve ou não dominar o Governo, nós teríamos uma Aristocracia (o governo de poucos), mas na prática seria o governo dos melhores. Se houver empecilhos para o povo votante (não podem votar os analfabetos, os loucos, os pobres etc) não haverá povo no governo e isto faria do mundo um inferno sem igual, pois os aristocratas trariam vantagens apenas para si. A Aristocracia não precisaria de um povo a não ser para seu trabalho manual, pois os aristocratas não poriam a mão na sujeira.

Contudo, após tudo o que eu disse aqui, eu defendo a Democracia, porque é a única forma de governo que preza por seus componentes por inteiro. Do gari ao médico, do ambulante ao jurista, do vendedor de praia ao filosofo. A Democracia é a forma de governo mais humano que existe e, enquanto não viramos “deuses”, é o melhor que temos para hoje.