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domingo, 18 de outubro de 2015

De meias verdades nunca aprendi e estou cheia!

“Engolimos de um sorvo a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga.”
―Diderot

A verdade dói e nem todos estão suficientemente preparados para lidar com ela.
Mesmo que a preferimos a uma doce ilusão, não agimos como tal. 
Observando comportamentos e até mesmo a mim percebo que somos falhos no ato das aceitações. E como resultado disso protelamos a vida no ato do que a gente acha que deve ser nos nossos planejamentos.

Lidar com a verdade é realmente difícil, requer maturidade, mente aberta, auto estima e principalmente paciência. O problema é que é mais fácil acreditar nas coisas ruins que nos impõem e elas nos consomem total e ferozmente que não sabemos reconhecer o que é o verdadeiro, fazendo com que estraguemos tudo.
A verdade é dolorida, machuca, nocauteia quem a está ouvindo, mas não deixa também quem a está falando em boa posição. A verdade para quem a está falando torna-se um conjunto de informações críticas a nós mesmos, que nos leva a um arrependimento e uma angustia notável.

Buscai a verdade como quem busca o horizonte.

Todos nós temos o direito de expressar nossos sentimentos sobre um fato, porém, isso poderá resultar em situações pouco salutares aos nossos relacionamentos, principalmente quando faltarem a sabedoria e o discernimento para identificarmos “como” e o “melhor momento” de fazê-lo.
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

A verdade, que achamos necessário ser expressa, precisa de antemão, convencer e não ofender o nosso próximo, pois, por si só ela já desconcerta aquele que acreditava estar vivendo retamente. Se quisermos apresentar de forma franca nossa opinião, com o objetivo de trazer uma nova possibilidade de entendimento, de ensinar ou até mesmo de advertir alguém, “a sabedoria de um ancião” deverá controlar o ímpeto de um coração ávido do desejo de consertar o mundo.
DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Verdade essa que atormenta mais é necessária mas tão bem relatada e preparada talvez evitasse tantas perdições.

Mas é exatamente esse o problema em ser sincero. A gente tenta falar com sinceridade. Embora tenhamos que ser falsos às vezes porque a coisa toda é falsa, de uma certa forma, como um jogo. Mas você espera que, se alguma vez você for sincero com alguém, essa pessoa pare com as reações plásticas e seja sincera com você. Só que todos estão jogando o jogo, e algumas vezes fico nu e sincero, com todos me mordendo. É decepcionante.
John Lennon
  

Até o Próximo texto
Au Revoir 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Mude a sua vida ou você vai ficar aí parado?

Permita-se mudar!

É uma frase linda se não sabe o significado dela a longo prazo principalmente para quem sente, passa ou vive uma fase em que parece não estar vivendo.
Tem uma música do Oswaldo Montenegro chamada "A lista" que nos leva a questionar algumas coisas: 

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Na minha adolescência de muitas mudanças e muitas perguntas uma sempre me assombrou: 

- Quem nós somos? 

Outras vieram meio que em forma de autoconhecimento:

- Quem são as pessoas que nos rodeiam?
- Aonde eu estarei em 10 anos?

E confesso que ao ouvir essa música relembrei de algumas coisas, como por exemplo:

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar?

E resolvi por num papel tudo o que eu tinha de mais bobo e mais honesto que eu tinha em mente... Faça a sua e vejamos.


Muita gente vai perceber que desistiu de alguns (ou vários) sonhos da sua “lista”. Eu desisti de alguns, reformulei outros, acrescentei e repensei, rearrumei e pouco arrisquei (Do pouco que arrisquei 50% de acertos e 50% de erros). 
 

É que o medo nos impede de sonhar!
O medo nos impede de deixar as pessoas chegarem!
O medo nos paralisa outras tantas vezes
porque ele é desconhecido e o desconhecido sempre assusta. Temos o costume, mesmo que involuntariamente, de nos blindarmos de sonhar com medo.
Já disse uma pessoa a quem me quer bem: “Só o que está morto não muda”. 
Mas o medo e os sonhos que residem em mim estão reunidos comigo neste quarto e neste momento travamos um diálogo... O resultado disso?
Algum dia vocês saberão por aí!

Até o próximo texto
Au Revoir 

domingo, 9 de agosto de 2015

Carta a um bobo


Querido bobo,
Às vezes guardamos na memória histórias contadas pelos nossos pais sobre o passado. Mas essas memórias herdadas são diferentes da realidade e diferentes das nossas próprias lembranças. É como se tivessem uma cor própria, não falo de preto e branco e nem em um tom de sépia ou nada assim, mas, que existe algo peculiar além do que foi contado.
Quando me vejo hoje na frente desse espelho e longe de casa penso nos "E se's" que a vida me mostra todos os dias. Não sei porque, talvez tenha a ver com tantos sonhos e imaginações nunca concluídos ou tenha a ver com o estranho limite entre tristezas e alegrias.
Enquanto viajava refleti toda a minha vida afetiva. Lembrei de quando achava lindo quando eu saia da escola e alguém me esperava com um sonoro "Nossa como queria te ver!", lembrei dos pores do sol no museu de arte moderna que enxugaram meus prantos e me fizeram ter novas esperanças. Lembrei do tanto que eu sonhei com beira de praia e caminhada de mãos dadas com quem não se importasse em ser eu a sua companhia.
Lembrei também do tanto eu quis , como uma formiga que trabalha em silêncio, tornar quem está perto de mim pessoas grandes, não forçando uma mudança mas, através do sentimento trocado e dos gestos aprendidos que o tornavam mais esperançosos e mais capazes de qualquer coisa que quisessem. 
Lembrei das palavras trocadas depois de mais um incomodo tal e qual uma faixa de cd arranhada... Silencio profundo nas minhas lágrimas derramadas e visualizo um filme do qual o final eu sei. Me perguntei por várias e várias vezes: 
- Por quê  é tão difícil perceber e entender o que me incomoda com tanta veemência? Será que eu estou sendo exagerada, será que eu estou sendo irracional?
- Ainda que seja simples o amor porque complicamos?
- Por quê esse filme em que a vida me fez passar insiste povoar minha memória tal qual um aviso?
E então... Queimei. Expeli e ardi! E mesmo que a dor passada é superada, a atitude presente revive e me faz questionar das coisas que quero eternamente esquecer. Diria Nietzsche "Abençoados são os esquecidos, pois eles tiram o melhor proveito dos seus equívocos." e por assim dizer não senti nada disso em doses homeopáticas meu bobo. Reconheço em mim a necessidade de sentir mais do que de pensar e percebo que às vezes perder o equilíbrio por amor, faz parte de viver a vida em equilíbrio.

Por chorar demais aqui me dispeço,
Bonita.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Em resposta: A Sociedade e o amor Romântico. Será que estamos preparados para a vida afetiva?



“É injusto, doloroso e insuportável assistir a um amor que foi tudo se tornar nada”. (Gabriella Lima)

É Gabi, infelizmente vivemos numa sociedade em que tem lemas do tipo: - Tá ruim, larga ele(a) e corre atrás do que te faz bem!
Relacionamentos são sim vias de mão dupla e uma dose do chamado ceder. Não entrarei nos méritos religiosos da coisa até porque, nas relações cada um sabe das suas crenças e o que une duas pessoas é o amor e a vontade de permanecerem juntos. 
Felizmente , nos dias atuais , casar deixou de ser uma obrigação social e um meio de sobrevivência principalmente para as mulheres. Só que vivemos um momento em que as pessoas se tornaram donas da sua própria órbita e esquecem que pequenas atitudes, expectativas diretas e/ou indiretas magoam dia após dia. Muitas pessoas dizem que o romantismo acabou. Talvez não. Talvez esse seja o momento do clube dos corações românticos que não se entende nem na hora de escolher a pizza do fim de semana. (Piada Interna)

Mas voltando ao que interessa, e mesmo nos dias de hoje , embora existam ainda casamentos dos mais diversos tipos (civil, religioso ou até o populacho juntar as escovas de dentes) as pessoas casam por que acreditam, se relacionam por que acreditam que ali há uma "coisa" maravilhosa. Mas por faltar o diálogo, os medos são crescentes (Prazer, senhora medo ambulante - do abandono, da rejeição e do descarte!), algumas prioridades são denominadas maiores do que estar ali, maiores do que resolver uma rusga, um incômodo, maiores do que virar pro outro lado e dormir deixando situações cotidianas sem ser resolvidas e pasmem mesmo que você durma no dia seguinte a situação parece maior do que o dia anterior.

Outro dia li uma matéria que falava justamente sobre o que sabemos sobre o amor. Ela citou algo que me fez pensar e trazer um flashback a minha pequena cabecinha: "No dia a dia muita gente desiste da vida por pequenas dificuldades. As pessoas não têm muita paciência, não gostam de ouvir, não tem tempo pra se dedicar. Me refiro, principalmente, aos relacionamentos amorosos. A impressão é a de que sabemos tudo sobre o amor, mas na hora de praticar falta um "plus". E isso é o grande diferencial em romances duradouros."
Lendo isso só fez confirmar a minha tosca teoria de que amor é capaz de transformar, superar, suportar, perdoar, cativar e manter vivo. Ora, ora, ora, relacionamento e casamento é rotina ; é partilha ; é comunhão de problemas , obrigações chatas, fazer a social quando se quer ficar enfurnado em um canto qualquer , crises existenciais ; grana curta e neuroses de todos os tipos. Estamos desapontando e sendo desapontados constantemente. Estamos sempre fazendo uma burrada por insegurança. Nem sempre ouvimos a resposta que gostaríamos ou recebemos aquele mega elogio por um novo corte de cabelo. Mas no fim das contas se dialogamos tudo vale a pena. 

Se desistirmos de cada compromisso por motivos banais ou até mesmo idiotas, provavelmente , nunca conseguiremos construir uma relação duradoura. Amar vai muito além da emoção. Amor é compaixão. Amar vai muito além da paixão. Amor é comunhão. Amar vai muito além do momento, do aqui agora; amor é construção. 
Ai pergunto a você através desse título "Será que estamos preparados para a vida afetiva?" 
 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Desprezo


Esta alma que insultaste se revolta!
Em sua viuvez erma e vazia
Nem sombra guardará de tua imagem
Tanto amor que por ti ela sentia.
Não há de lhe arrancar, nem mais um canto,
Que não seja apagado por meu pranto.

Como a flor a beleza loga murcha;
A tua há de murchar em poucos anos;
Quando a ruga da face anunciar-te
Da velhice aos tristes desenganos
Quando de ti já todos esquecidos
Nem te olharem, meus versos serão lidos.

Talvez um dia o mundo caprichoso
Procure, nobre dama, algum vestígio
Da mulher que meus livros inspirava;
Não achará porém de teu fastígio,
Senão traços de lágrima perdida
Arcano d'uma dor desconhecida.

O tempo não respeita altiva fronte
A riqueza, o brazão, tudo consome.
Um dia serás pó e nada mais;
Ninguém se lembrará nem de teu nome;
Mas para que de ti reste a memória,
Mulher, no meu desprezo eu dou-te a glória.
 (José de Alencar)

quinta-feira, 9 de julho de 2015

XXX

 
Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

Bilac, Olavo. Antologia Poética - Porto Alegre, RS: L&PM, 2012. p. 45

terça-feira, 30 de junho de 2015

A boa vista



Era uma tarde triste, mas límpida e suave...
Eu — pálido poeta — seguia triste e grave
A estrada, que conduz ao campo solitário,
Como um filho, que volta ao paternal sacrário,


E ao longe abandonando o múrmur da cidade
— Som vago, que gagueja em meio à imensidade,—
No drama do crepúsculo eu escutava atento
A surdina da tarde ao sol, que morre lento.


A poeira da estrada meu passo levantava,
Porém minh'alma ardente no céu azul marchava
E os astros sacudia no vôo violento
— Poeira, que dormia no chão do firmamento.


A pávida andorinha, que o vendaval fustiga,
Procura os coruchéus da catedral antiga.
Eu — andorinha entregue aos vendavais do inverno,
Ia seguindo triste p'ra o velho lar paterno.


Como a águia, que do ninho talhado no rochedo
Ergue o pescoço calvo por cima do fraguedo,
— (Pra ver no céu a nuvem, que espuma o firmamento,
E o mar, — corcel que espuma ao látego do vento... )
 
Longe o feudal castelo levanta a antiga torre,
Que aos raios do poente brilhante sol escorre!
Ei-lo soberbo e calmo o abutre de granito
Mergulhando o pescoço no seio do infinito,


E lá de cima olhando com seus clarões vermelhos
Os tetos, que a seus pés parecem de joelhos! ...


Não! Minha velha torre! Oh! atalaia antiga,
Tu olhas esperando alguma face amiga,
E perguntas talvez ao vento, que em ti chora:
"Por que não volta mais o meu senhor d'outrora?
Por que não vem sentar-se no banco do terreiro
Ouvir das criancinhas o riso feiticeiro,
E pensando no lar, na ciência, nos pobres
Abrigar nesta sombra seus pensamentos nobres?


......................................................................


Onde estão as crianças — grupo alegre e risonho
— Que escondiam-se atrás do cipreste tristonho ...


Ou que enforcaram rindo um feio Pulchinello,
Enquanto a doce Mãe, que é toda amor, desvelo
Ralha com um rir divino o grupo folgazão,
Que vem correndo alegre beijar-lhe a branca mão?..."

......................................................................

É nisto que tu cismas, ó torre abandonada,
Vendo deserto o parque e solitária a estrada.
No entanto eu — estrangeiro, que tu já não conheces —
No limiar de joelhos só tenho pranto e preces.


Oh! deixem-me chorar!...Meu lar... meu doce ninho!
Abre a vetusta grade ao filho teu mesquinho!
Passado — mar imenso!... inunda-me em fragrância!
Eu não quero lauréis, quero as rosas da infância.


Ai! Minha triste fronte, aonde as multidões
Lançaram misturadas glórias e maldições...
Acalenta em teu seio, ó solidão sagrada!
Deixa est'alma chorar em teu ombro encostada!


Meu lar está deserto... Um velho cão de guarda
Veio saltando a custo roçar-me a testa parda,
 
Lamber-me após os dedos, porém a sós consigo
Rusgando com o direito, que tem um velho amigo...
Como tudo mudou-se! ... O jardim 'stá inculto
As roseiras morreram do vento ao rijo insulto...
A erva inunda a terra; o musgo trepa os muros
A urtiga silvestre enrola em nós impuros
Uma estátua caída, em cuja mão nevada
A aranha estende ao sol a teia delicada! ...
Mergulho os pés nas plantas selvagens, espalmadas,


As borboletas fogem-me em lúcidas manadas ...
E ouvindo-me as passadas tristonhas, taciturnas,
Os grilos, que cantavam, calaram-se nas furnas ...


Oh! jardim solitário! Relíquia do passado!
Minh'alma, como tu, é um parque arruinado!
Morreram-me no seio as rosas em fragrância,
Veste o pesar os muros dos meus vergéis da infância,
A estátua do talento, que pura em mim s'erguia,
Jaz hoje — e nela a turba enlaça uma ironia!...
Ao menos como tu, lá d'alma num recanto
Da casta poesia ainda escuto o canto,
— Voz do céu, que consola, se o mundo nos insulta,
E na gruta do seio murmura um tremo oculta.


Entremos! ... Quantos ecos na vasta escadaria,
Nos longos corredores respondem-me à porfia! ...


Oh! casa de meus pais! ... A um crânio já vazio,
Que o hóspede largando deixou calado e frio,
Compara-te o estrangeiro — caminhando indiscreto
Nestes salões imensos, que abriga o vasto teto.


Mas eu no teu vazio — vejo uma multidão
Fala-me o teu silêncio — ouço-te a solidão! ...
Povoam-se estas salas...


E eu vejo lentamente
No solo resvalarem falando tenuemente
Dest'alma e deste seio as sombras venerandas
Fantasmas adorados — visões sutis e brandas...
Aqui... além... mais longe... por onde eu movo o passo,
Como aves, que espantadas arrojam-se ao espaço,
Saudades e lembranças s'erguendo — bando alado —
Roçam por mim as asas voando pra o passado. 

Alves, Castro. Espumas Flutuantes. L&PM Pocket. 1997, 144p.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Loucura


Ora até que enfim..., perfeitamente...
Cá está ela!
Tenho a loucura exactamente na cabeça.
Meu coração estoirou como uma bomba de pataco,
E a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...
Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a serapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!
Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!
Poesia transcendental, já a fiz também!
Grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
A organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto resolvido em vários —
Também não é novidade.
Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim...
Tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia, comia-o.
Com esforço, mas era para bom fim.
Ao menos era para um fim.
E assim como sou não tenho nem fim nem vida...
s.d.

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
 - 116.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Prelúdio ao pós vida, uma ode ao Suicídio (Veronika Decide Morrer)

Paris, Alguma data de algum mês de um ano qualquer!

Para quem interessar possa, que se sinta querido.


O que está no universo dos sentimentos a gente resolve na palavra e não na força física. Talvez seja isso que me falte: a doce consolação para os chamados tormentos da vida e da alma e a força para não desistir de uma vez dessa era.
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48418 © Luso-Poemas
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48418 © Luso-Poemas
Ouço gargalhadas de crianças lá fora, atraídas com a atmosfera de hoje...um sol radiante se rasga de ponta a ponta...uma brisa suave passageira se enrola no ar... mais parece um mundo perfeito nesta tarde de Verão, onde o calor não sua nem arrepia...
...Porque raios choro eu então? Estou cega não vejo o sol brilhar.

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=48418 © Luso-Poemas
É pesado, tenho certeza de que há caminhos pelos quais passarei para recomeçar ciclos evolutivos. 
Não posso fazer ninguém passar por isso... É que constatei que tive a oportunidade de receber a felicidade maior possível, mas, a tristeza me pegou e me depreciou. 
É fato constatado que não tenho mais fé, autoconfiança e minhas forças se esvaíram sem lutar.
Sem mim vocês poderão sorrir, vocês poderão ser grandes, vocês podem ter a liberdade tão quista, vocês podem ser autênticos... E você vai, eu sei que sim.
Vocês tem sido inteiramente pacientes, mesmo quando não acreditava em mais nada, nem mesmo em mim e tenho a absoluta certeza de que se alguém pudesse me salvar teria sido algum de vocês ou Ele.
Não quero ter a sensação de estar estragando a vida de alguém, de estar tornando alguém triste com a minha tristeza ambulante que me tornei.
Depressão é algo sério, algo contínuo, algo complexo. 
É estar sempre desacreditado e desapontado consigo mesmo é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem razão aparente - as razões têm essa mania de serem discretas, mas, principalmente é encontrar-se em becos escuros sombrios e tortuosos dos nossos sentimentos mais absurdos que estão em nosso interior.
Tudo está escuro...entrei na floresta encantada da escravidão...

- Onde estão as falsas estrelas, que fazem parte dela... a luz...?
Sinto-me morrer...Ou quero morrer ?
Adeus
B.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

CASA ARRUMADA

 
CASA ARRUMADA É ASSIM: UM LUGAR ORGANIZADO, LIMPO, COM ESPAÇO LIVRE PRA CIRCULAÇÃO E UMA BOA ENTRADA DE LUZ.
MAS CASA, PRA MIM, TEM QUE SER CASA E NÃO UM CENTRO CIRÚRGICO, UM CENÁRIO DE NOVELA.
TEM GENTE QUE GASTA MUITO TEMPO LIMPANDO, ESTERELIZANDO, AJEITANDO OS MÓVEIS, AFOFANDO AS ALMOFADAS...
NÃO, EU PREFIRO VIVER NUMA CASA ONDE EU BATO O OLHO E PERCEBO LOGO: AQUI TEM VIDA...
CASA COM VIDA, PRA MIM, É AQUELA EM QUE OS LIVROS SAEM DAS PRATELEIRAS E OS ENFEITES BRINCAM DE TROCAR DE LUGAR.
CASA COM VIDA TEM FOGÃO GASTO PELO USO, PELO ABUSO DAS REFEIÇÕES FARTAS, QUE CHAMAM TODO MUNDO PRA MESA DA COZINHA.
SOFÁ SEM MANCHA? TAPETE SEM FIO PUXADO? MESA SEM MARCA DE COPO? TÁ NA CARA QUE É CASA SEM FESTA.
E SE O PISO NÃO TEM ARRANHÃO, É PORQUE ALI NINGUÉM DANÇA.
CASA COM VIDA, PRA MIM, TEM BANHEIRO COM VAPOR PERFUMADO NO MEIO DA TARDE.
TEM GAVETA DE ENTULHO, DAQUELAS QUE A GENTE GUARDA BARBANTE, PASSAPORTE E VELA DE ANIVERSÁRIO,TUDO JUNTO...

CASA COM VIDA É AQUELA EM QUE A GENTE ENTRA E SE SENTE BEM VINDA.
A QUE ESTÁ SEMPRE PRONTA PROS AMIGOS, PROS NETOS, PROS VIZINHOS...
E NOS QUARTOS, SE POSSÍVEL, TEM LENÇÓIS REVIRADOS POR GENTE QUE BRINCA OU NAMORA A QUALQUER HORA DO DIA.
CASA COM VIDA É AQUELA QUE A GENTE ARRUMA PRA FICAR COM A CARA DA GENTE.
ARRUME A SUA CASA TODOS OS DIAS...
MAS ARRUME DE UM JEITO QUE LHE SOBRE TEMPO PRA VIVER NELA...
E RECONHECER NELA O SEU LUGAR.
 
Este texto foi atribuído erroneamente ao mestre Carlos Drummond de Andrade na verdade pertence a Lena Gino
 
Até o próximo texto
Au Revoir 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Alma Perdida


Toda a parte mais inatingível de minha alma e que não me pertence - é
aquela que toca na minha fronteira com o que já não é eu, e à qual me dou. Toda
a minha ânsia tem sido esta proximidade inultrapassável e excessivamente
próxima. Sou mais aquilo que em mim não é.
E eis que a mão que eu segurava me abandonou. Não, não. Eu é que
larguei a mão porque agora tenho que ir sozinha.
Se eu conseguir voltar do reino da vida tornarei a pegar a tua mão, e a
beijarei grata porque ela me esperou, e esperou que meu caminho passasse, e
que eu voltasse magra, faminta e humilde: com fome apenas do pouco, com fome
apenas do menos.

Lispector, Clarice. A Paixão Segundo GH. Editora Nova Fronteira 9ªEdição.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

À SOLIDÃO



  
Solidão coroada de rosas, quem pudera
aprisionar teu corpo de sol e de harmonia;
estar dentro de ti toda esta primavera
de sangue, e folhas secas e de melancolia!

Que palpitasse, em sonho, teu coração sonoro
sobre o meu coração sequioso de ideais;
minha palavra fosse uma palavra de ouro
de teus inesgotáveis e puros mananciais!

Ai! Quem, iluminando a sombra alucinada
que de espinhos coroa minha pálida tristeza,
pudesse ser teu amor, oh deusa coroada
de rosas, solidão, — tu que és mãe da beleza!

Jiménez, Juan Ramon. Antologia Poética. Editora La Galeria. Espanha,2006.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A COR DA TUA ALMA


Enquanto eu te beijo, o seu rumor
nos dá a árvore, que se agita ao sol de ouro
que o sol lhe dá ao fugir, fugaz tesouro
da árvore que é a árvore de meu amor.

Não é fulgor, não é ardor, não é primor
o que me dá de ti o que te adoro,
com a luz que se afasta; é o ouro, o ouro,
é o ouro feito sombra: a tua cor.

A cor de tua alma; pois teus olhos
vão-se tornando nela, e à medida
que o sol troca por seus rubros seus ouros,
e tu te fazes pálida e fundida,
sai o ouro feito tu de teus dois olhos
que me são paz, fé, sol: a minha vida!

Jiménez, Juan Ramon. Antologia Poética. Editora La Galeria. Espanha,2006.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Dias melhores pra sempre!


Ainda bem que a gente não perde essa mania de acreditar que o amanhã será melhor que o hoje. Que os amores chegarão como borboletas no estômago e virão pra ficar. 
Que as aflições, medos e angústias irão passar. 
Que os impecílios e as convenções sociais não podem nos impedir de sonhar. 
Que o nosso coração que pensa diferente da nossa cabeça seja afagado pelas mãos certas e que o estremeça. 
No fundo sempre acreditamos, por nós mesmos. 
É o que costumamos chamar de fé. Essa certeza de que o pior ficou pra trás; essa confiança que existe alguém a nos observar a lutar e nos prepara um belo prêmio. 
Essa é a crença de que a vida vai dar certo. E se pensarmos, vai mesmo! Porque nossos sentimentos junto com a nossa mente atrai o clamor das almas que pensam e sentem como nós. 
Porque quando a gente acredita e imagina, mesmo que a gente pense em algum momento desistir, de verdade, as coisas acontecem. 
Nosso coração é como a fênix, não se cansa de renascer. E o amor não é uma invenção humana... O bem sempre prevalece nas almas dos guerreiros de alma pura! A escuridão, os raios, trovões que ecoam a madrugada assustam a natureza, mas, amanhã... 
Ah o amanhã!
O sol estará mais uma vez no céu a brilhar. 
É a vida lhe dizendo na forma de luzes, cores do arco-íris ou num simples olá que nos tira do ar que uma chance foi dada e a sorte lhe sorriu! Enxugue o rosto, vista seu melhor sorriso, coloque seu melhor objetivo e confie em mim quando digo que o melhor sempre estar por vir! E digo mais: não é uma vida ruim! 
Tem sido dias difíceis, mas, vai passar!

sábado, 21 de março de 2015

Tudo passa, eles passarão e eu passarinho...

"Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por Favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!"
(Socorro, Composição: Arnaldo Antunes e Alice Ruiz)



Tudo na vida passa!
É nesse pressentimento que tudo muda e a frieza do medo dá lugar a alegria e encontra a esperança de olhos renovados equilibrando essências.
Até a dor passa.
Os dias nos mostrarão dificuldades, lições e experiências serão aprendidas. A gente sempre acha que vai demorar muito, ou que a gente não vai conseguir mais engolir a saliva que fica presa na garganta todas às vezes que algo nos atordoa, mas acredite essa sensação também passa.
Coisa estranha é essa? É persistente!
É como borboletas no estômago me socando de dentro para fora numa ansiedade do imediato. 
Tem dias que tudo é como a estrofe da canção da Legião Urbana que fala "[...] Que existe algo que diz, que a vida continua e se entregar é uma bobagem."
Mas...
Como diz o meu muito amado (Sim! Porquê ele não é só alguém): - Fortaleça esse coração!
E aí então, sinto que tudo vai passar, o meu coração vai saltitar de amor e o que me fez ficar aqui vai sim valer a pena!

Até o próximo texto
Au Revoir

quinta-feira, 12 de março de 2015

A dor de sentir


Passam pessoas, rostos, vozes...
Sorrisos de criança, namorados de mãos dadas, amigos que gargalham...
Um casal de idosos que se cuidam.
Eu, um observador da vida e um questionador de sentimentos e em busca da verdade!
As pessoas não têm culpa por sentirem o que sentem, independente do que levou a isso ou ao quê isso vai levar. Nós sentimos e ponto.
Engraçado como as vezes o ciclo de sucessivos fracassos nos moldam.
Se me permitem um grito:

- PORQUE DÓI TANTO?

A dor de não saber;
A dor do querer;
Dor,
Dor,
É muita dor!

- PORQUE SENTIMOS POR ANTECIPAÇÃO?

Devaneios soltos 
Transmitidos em palavras...
Sinto demasiadamente muito
Sinto muito.
Sinto o silêncio, que sufoca, incomoda, agita.
Me tira o sossego, me traz a lembrança, junto com a agonia.
Cadê tudo?

Cadê você?


Até o próximo texto
Au Revoir

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A IMPONTUALIDADE DO AMOR

Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.

Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir “eu te amo” num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

Medeiros, Martha. Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

Até o próximo texto
Au Revoir

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Poema à boca fechada

 
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

Saramago, José. Os Poemas Possíveis, Lisboa, Editorial Caminho, 1981

sábado, 31 de janeiro de 2015

Fanatismo


Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Espanca, Florbela. Soror de Saudade. Tipografia A Americana. Lisboa, 1923. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sonetos, William Shakespeare

Quando penso em você me sinto flutuar,
me sinto alcançar as nuvens,
tocar as estrelas, morar no céu...

Tento apenas superar
a imensa saudade que me arrasa o coração,
mas, que vem junto com as doces lembranças do teu ser.

Lembrando dos momentos
em que juntos nosso amor se conjugava
em uma só pessoa, nós ...

É através desse tal sentimento, a saudade,
que sobrevivo quando estou longe de você.
Ela é o alimento do amor que encontra-se distante...

A delicadeza de tuas palavras
contrasta com a imensidão do teu sentimento.
Meu ciúme se abranda com tuas juras
e promessas de amor eterno.

A longa distância apenas serve para unir o nosso amor.
A saudade serve para me dar
a absoluta certeza de que ficaremos para sempre unidos...

E nesse momento de saudade,
quando penso em você,
quando tudo está machucando o meu coração
e acho que não tenho mais forças para continuar;
eis que surge tua doce presença,
com o esplendor de um anjo;
e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante...


Tudo isso acontece porque amo e penso em você...