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terça-feira, 28 de abril de 2015

A PROTAGONISTA

por Gabriella Gilmore


Numa sexta qualquer, resolvi pegar um ônibus e ir visitar alguns amigos na cidade de Poços de Caldas.
Encontrei sentada num banco, uma senhora dos cabelos brancos, da pele alva, olhando a plataforma 22.
Não sei porquê, mas me bateu uma imensa vontade de sentar-me ao seu lado e puxar papo.
Ali, eu descobri que fazia 34 anos que ela ia àquela rodoviária toda sexta-feira às 17hrs para esperar pelo único amor que ela teve na vida.
Perguntei se ela tinha filhos, marido, e ela balançou a cabeça afirmando.
A protagonista tinha quatro filhos e seis netos. O esposo morrera há cinco anos.
Eu não entendi.
Perguntei a ela quem seria a tal pessoa de 34 anos atrás que fez com que ela viesse religiosamente todos os dias para a rodoviária a espera de um encontro.
_ Ela se chamava Bel. Há 34 anos, eu combinei com essa amiga que tanto amei, de nos encontrarmos aqui.
Ela abaixou a cabeça com os olhos brilhando.
_ Mas... Eu indaguei baixinho.
_ Naquele tempo combinamos de ficarmos o final de semana juntas. Comprei algumas coisas que eu sabia que ela gostava, enchi a geladeira com coisas que eu não importava só para agradá-la, e dois dias antes, recebi um telefonema dizendo...
_ Ela morreu! Falei arregalando os olhos.
_ Não.
_ Mas o quê que aconteceu?
_ O destino nos separou numa forma injusta. Nunca consegui aceitar isso e desde aquele dia eu venho fazendo tudo que fiz naquela semana, na esperança de ...
Ela se levantou ansiosa e lenta, quando me perguntou:
_ Como se chama?
_ Isadora Martinez. E a senhora?
Ela subitamente se voltou para mim, me encarando nos olhos e perguntou:
_ Martinez de onde, minha filha?
_ Poços de Caldas.
A velha fraquejou, titubeando.
Levantei-me para segurá-la.
_ Isabel Martinez. Sussurrou a protagonista. Minha amiga de Poços.
Senti-me tonta ao escutar aquilo, porque seria coincidência demais aquela Isabel ser a minha mãe.
Abracei a protagonista, e disse:
_ Estou aqui. Vou te levar para casa.
Só assim, aquela senhora mudou sua trajetória triste. Só assim, ela percebeu que as histórias por algum motivo não se cruzaram.
Talvez nunca entendamos o motivo. As respostas nunca seriam o bastante.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Modus operandis poético


Estou começando a gostar desse lance de luta.
Quando mais porradas, mais vontade tenho de reagir.
Ondas, pedras, mar em fúria, cansaço, lágrimas escorrem do rosto do Poeta.
A fome é mais digna do que alimentar-se de migalhas e meias-coisas.
Aos poucos, descortina-se o mistério, o propósito e o sonho.
Grandes são os desertos, Pessoa, muito embora a vontade de chegar seja mais profunda do que o vermelho que tinge meus sangue e minhas vestes.
Cor que atiça minha Utopia faminta.
Tenho medo das coisas que desejo ou penso: quando a elas agarro-me, vencer, talvez seja, o caminho inevitável.
Teus braços unem-se aos meus numa corrente.
Podemos desatar, eu andaria mais ligeiro, tu chegarias depressa a teu destino, contudo solitária minha vida seria, a tua, menos barulhenta.
O teu ombro alivia as saudades e reverbera desejos de regresso.
Agora, pois, tenho para onde voltar depois da guerra de máquinas, engenhos de camisa branca e Pietros Pietras que alimentam-se da energia vital dos operários.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

TE QUIERO





Te quero toda hora
Te quero todo dia
Não sabia que querer-te tanto
me causaria tamanha melancolia
(Gabriella Lima)

domingo, 31 de agosto de 2014

Mentiras sinceras, verdades mascaradas!

"Mentes tão bem
Que parece verdade o que você me fala
Vou acreditando
Mentes tão bem
Que até chego a imaginar
Que não quer me enganar
Que me ama de verdade
Mentes tão bem"
(Composição: Leonel Garcia y Noel Schajaris)
Vender uma imagem perfeita para agradar a todos é fácil, qualquer um pode fazê-lo. Mas para quê? Pra quem? Porque?
Ai caio no velho clichê da frase célebre do amado Renato Russo: "Mentir pra si mesmo, é sempre a pior mentira"
Você vende uma imagem no intuito de parecer alguém livre das banalidades do mundo cotidiano. Você mente quando posta o quanto está feliz nas redes sociais. Você mente quando tem uma depressão muito forte e uma estúpida vontade de chorar em seu travesseiro e vai postar no Facebook que está na melhor fase da sua vida!
Mentimos para parecermos mais adultos, para impressionarmos as pessoas, mas, quem você realmente engana com esse discurso pré-moldado?
Se existe algo que é digno de choque e talvez pena é atendido pelo nome de VIVER DE APARÊNCIAS!
Pra que fingir que está tudo bem quando na verdade você está morrendo asfixiado, preso aos escombros das falsas aparências?
Quem vai te levantar desses escombros quando você não mais tiver forças para fazê-lo? É isso de verdade que você quer?
Perder as possibilidades da vida, passar por ela em câmera lenta sem ao menos lutar para sair das falsas verdades impostas por você, negando a si mesmo a possibilidade de ser feliz?
Chegará um tempo em que a carga será tão pesada que até você, tão alto e tão soberbo das suas atitudes, irá questionar suas verdades.


Raspas, restos e mentiras sinceras, não me interessam! 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

A ESPERA DO DESENCONTRO



Por Gabriella Gilmore

Chega uma parte da nossa vida que a gente volta ao passado em busca do amor platônico. Alguns apenas relembram com carinho os bons momentos vividos, outros preferem não aprofundar nas lembranças porque pode desenterrar alguma ilusão, enquanto outros preferem esperar pelo desencontro.
Emma esperou pelo amor da sua vida por muitos anos, mesmo vivendo outros relacionamentos. Às vezes a gente pára tudo só porque perdemos alguém que jurávamos termos amado unicamente e exclusivamente, porém a única certeza que temos é sobre o dia de hoje, pois o amanhã sempre nos reserva surpresas. Quando o nosso parceiro está guardado para nós, mesmo em algum tempo que não seja o agora, não adianta parar tudo e esperar que passemos a fita adiante em modo “FF”, porque nada te impede de esperar pelo desencontro a-com-pa-nha-da.

Mas seria justo a gente esperar aquela pessoa que amamos de longe, enquanto ela está lá fora se divertindo? O nosso tempo é diferente do tempo do outro, tenho aprendido isso lentamente. Mas obviamente cada pessoa funciona de uma maneira, e a questão é a seguinte: não esperar muito das pessoas e nem da ocasião. Como vive pregando a irmã Wal, viva! Viva mesmo!