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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sobre "Thirteen Reasons Why"


Eu queria começar essa conversa perguntando a você que me lê: quantas vezes você escondeu uma vontade imensa de chorar num "Estou bem!"? E quantas vezes o outro foi sem a menor noção do quanto você está desesperado por um "Não está não!"? Ninguém é culpado por não adivinhar o que REALMENTE você está sentindo. Adivinhar não é uma coisa natural ao ser humano. Então, faço uma segunda pergunta: Quantas vezes você se coloca no lugar do outro antes de dar a ele um apelido pejorativo ou até mesmo fazer uma brincadeira que você considera inocente? Quase nunca, não é? A gente não costuma pensar se o riso do amigo é real e de boa ou é só para fingir uma descontração. Pois é, não dá para saber como nossas palavras atingem o outro e menos ainda como todo o resto correrá dali em diante. Eu, como todos sabem, sou gorda, sou baixinha, sou dentuça, sou bunduda... Enfim, tenho "n" dessas coisinhas que viram comentário, brincadeiras, piadinhas, apelidos... E houve uma época que eu me escondia atrás do jeans e das camisetas largonas, dos livros, do meu quarto estranhamente decorado de preto. "Preto emagrece!" e eu uso preto na maior parte do tempo até hoje, mesmo não me importando mais. É como uma tatuagem, sabe? Mas isso acontece aí todo dia. Esses jogos de ofensa, de brincadeiras perversas, de sorridentes ofensas. Principalmente os adolescentes que ainda estão tão desligados e despreparados para entender olhares e limites. Deram a isso o nome de "Bullying". A violência física, psicológica ou moral repetidas a alguém. Mas aí dirão: antes isso era só zoação, a modernidade é que dramatizou tudo. Será? Será que nós não carregamos em nós aquele "traumazinho" escondido embaixo de nossa pseudo-confiança? Será que não cobramos que nossas crianças sejam magrinhas e lindas porque na nossa infância ou adolescência fomos chamadas de "canhão" ou "dragão"? Quase ninguém admitiria isso. Somo adultos, na grande maioria, com frustrações escondidas, paranoias camufladas em "pans" sedativos. Mas quem vai arrancar isso de você quer você tenha sofrido o tal Bullying quer você tenha praticado. Ninguém gosta de encarar o feio. Prefere viver uma mentira linda no mundo encantado de Oz, Neverland ou Wonderland, não é mesmo? Então, não assuma nada! Eu não estou aqui para isso. Mas quero fazer uma sugestão leia "Thirteen Reasons Why". Coloque-se em cada personagem só por alguns minutos e repense a sua responsabilidade no que ocorre na sua vida e nas vidas que passam pela sua. Só uma sugestão. Só pense!

Parabéns, Netflix! 👏

sexta-feira, 3 de março de 2017

E Assim Nascem Os Fantasmas



Depois de tanto ver filmes, séries, desenhos abordando a história de Ichabod Crane, finalmente li o livro original escrito por Washington Irving em 1820. A história do que, para mim, lembra mais um conto que um romance só se compara ao filme e afins no que diz respeito a ]Ichabod ser um jovem bem atrapalhado.


O texto narra praticamente história do jovem professor de Sleepy Holow, um amante de histórias de terror, sonhador, ambicioso, oportunista, com tiradas ácidas de humor e crítica a sociedade da época. Que deixemos claro pouco mudou desde, então. O texto é curtíssimo, embora bem rico desses detalhes sociais. Acho que Washington Irving foi muito inteligente na construção textual, pois quem ler o livro superficialmente não perceberá as alfinetadas. Teria sido uma tática para driblar as censuras da época? Talvez!



A maioria, hoje, deve chegar ao livro depois de ver o filme do Tim Borton ou de visto a Série Sleepy Holow; e provavelmente esses terão uma sensação de frustração dada a diferença de abordagem dos diretores e roteiristas. Por isso, sejam mais generosos ao lerem a obra de Irving e ampliem seus olhares para os detalhes a margem do mito e assim entenderão porque esse romance inspirou tantas versões e visões diferentes.


O desfecho do livro é interessante. Primeiro, porque evidências nos leva a pensar em X, mas não nos deixa de levantar a possibilidade de Y e Z também fazerem sentido em relação a Ichabod e o fantasma. Ora, trata-se de um vilarejo cheio de lendas e histórias de e sobre pessoas com passados envoltos em segredos. Uma ambientação propícia para mentes imaginativas criarem novas lendas e outros mitos. Mesmo que seja só um desdobramento de um outro mito já existente.



Até o próximo! 



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Um título, Uma Capa e o Tempo Errado



Numa feira de livros um título e uma capa me encantam. Mas foi um encanto de tal forma que não li nem o resumo, nem a crítica, nem nada do livro, comprei-o cegamente. E assim foi que o livro “A Menina Que Colecionava Borboletas” de  Bruna Vieira, veio parar na minha estante. Tudo estaria perfeito se não fosse o distanciamento de realidade entre a autora e eu. Explico-me.

É inegável o talento da autora para crônica. Elas são lindas, cheias de sentimentos, lineares, gostosas de ler. E eu simplesmente amo narração em primeira pessoa que me dá a sensação de emoções mais intimistas. Como se fosse um bate papo entre personagem e eu. Só que, no caso desse livro as crônicas nos remetem a uma espécie de diário onde fica inevitável entender que estamos dialogando com a autora e seus conflitos pessoais. – A autora é uma blogueira famosa com zilhões de fãs e seguidores. E esse formato de diário já é algo que ela lida muito bem. – Porém, ela fala das crises que está passando ao deixar o mundo adolescente pelo mundo adulto. O livro é de 2014, e ela estava com vinte anos. Bom, eu com quarenta e cinco agora, já tendo passado pelos conflitos que a jovem vem narrando no seu livro e está numa outra fase de conflitos, tenho outra visão de tudo. Então, o livro foi se arrastando depois de um tempo.  Mas se você está nesse momento de transição de adolescência para vida adulta, o livro se tornará uma delicia. Porque houve momentos que eu revivi meus momentos adolescentes e sorri deliciosamente lendo. 

O livro é de uma editora que eu não conhecia Gutenberg e fiquei muito apaixonada pela formatação e zelo da editora com a autora e sua obra. Parabéns a toda equipe de edição. Isso é estimulante para conhecermos outros livros de vocês. 

Sobre a autora ela lançou outros trabalhos que, pelo que entendi, segue essa linha diário em crônicas e contos. Seus outros títulos são: “Depois dos Quinze”. E há também uma série de ficção chamada “Meu Primeiro Blog”, cujo volume 1 já foi lançado por essa mesma editora. Mas para quem gosta de seguir as celebridades virtuais, ela está em toda rede social e tem o blog chamado “Depois dos Quinze”.  

Indicar ou não indicar? Indico para todas as jovens que procuram se entender ainda. Indico para todos os jovens que estão nesse momento de mudança. Indico a quem quer uma leitura gostosa e rápida, livre das entrelinhas e sub-textos de interpretação profunda e filosófica. E para todo jovem que curte essa linha “Meu diário” de escrita. Acho que é uma escritora que vocês jovens gostarão. Como professor, acho bacana como leitura instrumental. Já os mais velhos que, como eu estão em um foco diferente dentro da literatura, não acho que prenderá a atenção por não fazer parte de nossas buscas e anseios literários.

Crônicas Que Mais Gostei No Livro

Enquanto Valer a Pena
O Futuro Que Você Nunca Viu Na Gente
Tudo Aquilo Que Eu Nunca Te Disse
Um Errinho
O Amor Que Eu Inventei
De Madrugada
Até
O Dia Em Que Eu Me Apaixonei Pela Liberdade

Enfim, é isso! E até o próximo!!!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Morangos Mofados: o Fim.



E com dó e dor me despedi de um livro que busquei por tanto tempo e acabou chegando de surpresa de aniversário. E o que dizer do conto título desse livro? Eu não sei exatamente. Chorei. Mas não sei se foi choro de tristeza porque chegou o fim da linha ou se chorei porque também sinto em mim o mesmo câncer que o personagem. Acho que chorei porque o livro todo mexe nas lacunas que carregamos. Ele veio desde o início me desconstruindo e no final quando eu era pó revirado, ele me fez renascer para uma nova consciência do ato de escrever. Desde o porquê até a a responsabilidade com quem lê. Nunca me vi escritora, embora sempre ouvisse que sou boa nisso. Mas agora sinto que ninguém foge desse dom. E inevitavelmente temos que escrever os sentimentos e emoções que nem sempre são nossas, mas que nos são doadas diariamente pela vida. O escritor tem o dever de dizer o que a maioria não consegue. Então, entendi que é por isso que quando falo tudo meio confuso a quem me ouve, mas quando escrevo toco naquele profundo que faz o outro chorar, suspirar, sorrir, se identificar, me ver…

Ninguém entra no universo de Caio Fernando e sai dele da mesma forma. E estranhamente enquanto escrevo isso penso: alguém sai do universo de alguém exatamente como entrou? Não! Somos canais. Todos nós e cada qual transforma o outro com as armas que tem.

Caio me transformou numa deia de escritora melhor. Digo ideia porque não sei se consigo ainda olhar para mim como escritora, mas sei que sinto que meus olhos e pensamentos não seguem o fluxo da maioria. E cada delírio meu diante de algo visto ou vivido nada mais é que o momento de conceber algo que alguns chamarão de literatura. Ou como diz o próprio Caio Fernando numa carta que ele escreveu a José Márcio Penido onde ele fala do processo de criação, eu entendi que “escrever é enfiar o dedo na garganta”.

Toda pessoa que se diz LEITOR, tem por obrigação ler essa obra. Tem que provar o mofo dos morangos e morrer de câncer para renascer essa outra coisa que sinto aqui agora em mim. Tem que provar “disso”. Eu não sei definir, mas é uma coisa que inexplicavelmente precisa ser vivida. E então, no fim do livro com dó e dor entender que de alguma forma você é parte de um processo que não finda nunca mas que é de extrema importância estar dentro, fazer parte, sentir o movimento chacolhar-nos como coqueiros nas tardes de ventania de verão. Entende? Talvez não ainda. Mas entenderá quando ler. E aí você fará parte dessa coisa de que falo e que agora você só sente como uma viagem minha, particular.


Maravilhoso. É só isso que posso usar para definir “Morangos Mofados”. Maravilhoso. Ma-ra-vi-lho-so! 


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Sobre Morangos



Quando comecei a leitura da segunda parte de “Morangos Mofados” pensei que leria textos ainda mais poéticos, mais líricos, suaves… A ideia de que os “morangos” escorregariam pelos meus pensamentos trazendo-me frescor e leveza para os dias, foi para o ralo no primeiro conto.

Na verdade os “morangos” despertam em nós uma fome louca de pensar e revira-nos o estômago em centenas de experiências que comodamente deixamos esquecidos no inconsciente. Eles travam na boca com um gosto amargo. E descem rasgando abrindo velhas feridas. (Ao menos foi assim comigo!)
Eu estava em cada conto lido. Um pedaço de mim tatuado em cada um deles. Na solidão do espelho, no passeio de carro, na inocência perdida, nos quadros, nos medos, nas dúvidas. E de repente, eu mesma era Caio Fernando de forma íntima e dolorosa. Eu sentia cada momento na minha própria pele, cada conflito, cada febre. Acho que os morangos ressuscitaram cada um dos meus moinhos de vento com os quais batalhei toda uma vida e eu me vi revirando-me toda intensamente.

Contudo, em momento algum tive pena de Caio ou de mim. Nem mesmo aquela vontade tão corriqueira de chorar o que seria lógico naquele momento. Eu deveria ter chorado, chorado, chorado… até esgotar de mim tudo aquilo que se remexia e doía em mim e em Caio. Mas eu não tive dó de nós dois. Porque esses personagens que circularam por mim e Caio é que nos fizeram o que somos. Ele foi grande porque tinha esses personagens para provocar-lhe a essência poética. E eu, tornei-me essa torre agigantada e para nessa coisa meio poeta e louca que sou.

Tinha, pois, a cada leitura a ilusão de andar num trem cada vez mais descarrilhado partido de não sei onde e indo para uma certeza de infinito que nunca se findará porque sempre virá um novo personagem. E eu lia, lia, lia… Porque já não era mais Caio era eu olhando da janela aquelas paisagens de passado ou de borrão futurístico. Meu Deus! Que sensação impressionante! Quantos sentimentos intensa e insanamente confusos.

Não, senhores, ler os “morangos” não foi fácil que o “mofo”! Definitivamente foi dolorido. Sadicamente prazeroso. Mas li-os, ou os engoli, um a um. Saboreando o amargor como quem espera nisso algum tipo de redenção ou salvação. Então, não pude desmembrá-los como fiz com a primeira parte. Não dá! Os morangos são um monobloco sensitivo. Só existem assim unidos, intrincados.

Contudo, penso que entendi Caio Fernando como nunca entendera antes. Entendi todos os outros que li antes desse. Eu furei a fila, sabe? Minha relação com ele tinha que ter começado aqui. Para depois vir “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso”, “Onde Andará Dulce Veiga”, “O Triângulos das Águas”, “Ovelhas Negras”… Hoje, não sou mais uma leitora de Caio Fernando. Hoje, sou uma parte dele. Uma parte que sobreviveu.

Talvez seja assim que os artistas se eternizam. As pessoas se identificam com o que leem, visualizam, tocam… E eles sobrevivem ao seu tempo e a todos os tempos que virão. Imortais enquanto seus sentimentos existirem em algum fã. Eternos na identificação do outro na sua própria dor, alegria, ódio, amor…

Ah, que ilusão e surpresa foi essa de achar que os Morangos seriam mais fáceis e doces. Que paixão me despertaram ser aqueles personagens e o reencontro com os meus próprios. E agora serão os dois. Unidos os Morangos e o Mofo que me esperam na terceira parte. E que será que REALMENTE me espera lá? Não sei! Mas antes de ir até eles, vou respirar um pouco e beber um vinho.


Até breve.

Waleska Zibetti


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Morangos Mofados – Parte I: O Mofo



Conto 1: Diálogo

Tudo é simples. A tal complexidade das coisas somos nós quem criamos com nossa eterna mania de procurar um porquê para tudo. Nem tudo tem porque e é porque deve ser. E amar alguém é simples como o ato de piscar os olhos. 

É desse “complicar o simples” que Caio fala nesse primeiro conto. E será que um dia chegamos a um ponto que esses porquês desaparecem? Caio também responde essa questão de maneira sábia. Mas eu não contarei como, claro!

Conto 2: Os Sobreviventes

Lembrei-me demais de James Joyce em “Monólogo de Molly Bloom” ao ler esse conto. Ri, chorei, odiei e me identifiquei com a personagem em crise. Mas que fique claro que não é um monólogo. É que ao ler imaginei-me no lugar dela conversando da minha própria vida com um de meus fantasmas. Coisa minha!

O conto é poético e lindo – Falar que Caio Fernando é lindo me parece tão pleonástico -, mesmo dentro dos tons ácidos e irônicos que carrega. Vou deixar-lhes o trechinho do conto que mais gostei. 

“Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia, ela para e pede, preciso tanto tanto tanto, cara, eles não me permitiram ser a coisa boa que eu era...”
(Caio F. Abreu, in “Os Sobreviventes”)

Conto 3: O Dia Em Que Urano Entrou Em Escorpião (Velha História Colorida)

Estranhos personagens compondo outro cenário cotidiano. Tão caótico quanto pode ser o cotidiano moderno. E tão egoísta, também. Quatro indivíduos em uma única sala evitando-se em assuntos desconexos ou tentando fazer com que suas próprias questões sejam tratadas como prioritárias ou pelo menos urgentes necessidades. O clima do terceiro conto inicia-se mais ou menos assim “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Mas quando se tem alguém determinado a convencer o outro de uma ideia tudo pode acontecer. Desde nada mudar até uma outra realidade começar, não é mesmo? E no conto de Caio... 

Trechinho...

“...ela lia muito, e quando contava uma história nunca sabia ao certo onde a teria lido, às vezes não sabia sequer se a tinha vivido ou não lido...”
(Caio Fernando Abreu, in “O Dia Em Que Urano Entrou Em Escorpião”)

Conto 4: Pela Passagem de Uma Grande Dor

Sabe aquelas histórias que nos fazem revirar e repensar o profundo de nós, nos fazendo miúdos diante do gigante e vasto universo que há por detrás da porta? Esse conto é dessas histórias. A ausência de nome para os personagens ou qualquer outro tipo de característica nos faz ainda mais íntimos deles. Houve aquele momento em que eu era ela querendo ele e outros onde eu era ele num conflito entre querer ficar só e a querer por perto. Pensei, então, em Nietzche: É difícil viver com as pessoas porque calar é muito difícil. 

Olhem que delicia de trecho:

“Imóvel assim no meio da casa, o som desligado e nenhum outro ruído, era possível ouvir o vento soprando solto pelos telhados”
(Caio F. Abreu, in “Pela Passagem de Uma Grande Dor”)

Conto 5: Além do Ponto

Parei dez minutos para tomar ar. Eu precisava disso depois que li o título do próximo conto. O motivo é que esse fora o primeiro encontro entre Caio e eu. Como se não bastasse, o personagem desse conto “é” alguém que eu amei demais. Confesso que quase pulei a leitura. Mas Caio não merecia isso. “Ele” não merecia isso. Eu também não merecia. Então, parei os dez minutos para tomar coragem e voltei depois quando reencontrei dentro de mim a paz que é preciso para ler. Volte e entrei na chuva indo ao encontro deles (Personagens da ficção e personagens do meu passado).

O conto “Além do Ponto” é o conto mais asfixiante que já li. E essa impressão foi a mesma que tive na época da faculdade. Nada mudou em mais de vinte anos passados desde a primeira leitura. Delirante, sufocante, angustiante e... catártico. É para ser lido com goles de vinho numa noite de frio e chuva; ao som de algo como um blues ou um bolero. “Além do Ponto” é uma travessia e o ponto de chegada é o sentir. 

Desculpem-me, mas não haverá trechos dessa vez.

Conto 6: Os Companheiros

Uma porrada no meio do olho vinda de repente de não se sabe onde deixando tudo desconexo. Li três vezes e a cada vez que relia terminava tão perdida e perplexa quanto a vez anterior. Então, dei-me uns dias. Vinha meio desembalada, faminta... Sei lá! E retornei a leitura do zero. E aí... Nada mudou!A sensação era de cair no caos de braços abertos tentando me agarrar em um fio sensório qualquer que não veio. Acho que esse conto são peças de um jogo de montar. E você vai montá-lo trinta vezes e cada vez será a primeira. Simples assim!

Trecho...

“... aquele que muito fora amado e ferira fundo de faca a quem o amou: permanecia mudo parado suspenso entre várias coisas que já não eram e outras tantas que poderiam vir a ser, ou não.”
(Caio F. Abreu, in “Os Companheiros”)

Conto 7: Terça-feira Gorda

Deus quanta tristeza!  Por que? Por que? Quem determinou que isto ou aquilo é o certo? Não perguntem! Leiam! Repensem! Leiam e respondam: Por que? Deus quanta tristeza! 

Trecho...

“A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro. Tão simples, tão clássico”
(Caio F. Abreu, in: “Terça-feira Gorda”)

Conto 8: Eu, Tu, Ele

Encaixei-me nesse conto. Não como uma quarta parte, mas como sendo alguém em cujo essa tríade existe e se confronta tanto quanto. Uma ponta sustentando a outra num quase equilíbrio. Algumas vezes, perguntaram-me quantas sou eu. Nunca soube a resposta. Mas sei que, como Caio, quase todos os meus lados são incompreendidos.

Trecho...

“... vê se me entendes: ele não se agasta, mas é dentro dele que eu me afasto. Dentro dele, eu espio o de fora de nós. E não me atrevo.”
(Caio F. Abreu, in “Eu, Tu, Ele”)

Conto 9: Luz e Sombra

A música ao fundo era “Stand by Me” nessa nova e divina versão de Florence and The Machine; e o calor carioca escaldante de um quarto onde eu me encontrava deitada era o cenário da leitura do último conto dessa primeira parte de “Morangos Mofados”.

A angústia da personagem foi crescendo em mim. Ele – Caio – falava comigo e eu solidária, solicita, dedicada respondia carinhosa e ternamente atenta a cada “Você me entende?”; na tentativa inútil e desesperada de que ele soubesse o quanto eu o entendia e o sentia naquele momento. 

Terminei o conto com lágrimas e apertei o livro contra o peito. Mãe agradecida querendo mimar o filho por ele ter me deixado estar com ele ali naquele quarto dividindo comigo suas angústias, medos, dúvidas e poesia. 

Trecho...

“O dia está muito quente. Quando a tarde avançar, sei que me encontrará sentado no degrau. E depois que o cinza tiver se transformado em rosa e em violeta e em azul profundo e por fim em negro, sei que estarei parado no centro daquele quarto, ouvindo os guinchos estridentes e o bater de asas dos morcegos. Gritarei, então. Muito alto, com todas as minhas forças, durante muito tempo. Não sei se foi esta a ordem, se será assim o depois. Mas sei com certeza que nem você nem ninguém vai me ouvir”
(Caio F. Abreu, in “Luz e Sombra”)

Nota: 

Caio Fernando Abreu escreveu o livro original “Morangos Mofados” em 1982 e o revisou em 1995. Se ficou melhor ou pior que o original, eu não sei. Só sei que o Caio é Caio e eu o amo incondicionalmente!

Até o próximo!

Beijos da Wal. 

sábado, 17 de dezembro de 2016

Um Oceano Inesquecível

 INEXPLICAVELMENTE INCRÍVEL essa é a única forma que encontro para falar De “Um Oceano no Fim do Caminho”. Eu não sei nem por onde começar a falar desse livro de tão perfeito que ele é. Eu só posso dizer que você tem que lê-lo. Tem que viajar e sentir cada pedacinho do trajeto dessa história que nos leva a emoções diversas a cada linha. 

Eu, que há tempos não me apaixonava por um livro. Li este como se ele fosse se esgotar no limiar do amanhecer. Li-o em vinte e quatro horas. Li-o muitas vezes de respiração suspensa. Li-o sem notar que ria, falava e chorava muitas vezes sozinha. Li-o como uma mulher de quarenta e tantos e como uma menina de sete anos. Li-o como quem já realizou tudo e como quem precisa realizar um oceano de coisas ainda. Li-o porquê lê-lo tornou-se uma necessidade urgente pouco depois de duas páginas. E você deve fazer o mesmo e mergulhar sem limites numa das aventuras mais apaixonantes da literatura moderna.

“Um Oceano no Fim do Caminho”, é o tipo de livro que não adormecerá nunca dentro de nós depois de ser lido. E certamente será um caminho a percorrer novamente de tempos em tempos como um retorno aos mais puros sentimentos que temos. 

Quero conhecer mais desse escritor. Ele me trouxe de volta a paixão que só sentira antes pelo inesquecível Caio Fernando Abreu. Só ele tinha me feito devorar histórias com a fome que devorei “Um Oceano no Fim do Caminho”. Como maneira de estimulá-los a ler e sonhar com esse livro, vou deixar-lhes com algumas citações que destaquei, porque não sei como mais poderia falar dessa obra prima de Neil Gaiman sem me tornar repetitiva ou uma espécie de fã fanática. 

1- “Quando envelhecemos, ficamos iguais aos nossos pais; viva o suficiente e verá os rostos se repetirem com o tempo”

2- “Eu fui o primeiro livro dela” (Já se imaginou como livro? E mais, já se imaginou sendo lido por alguém. É muito poético isso!)

3- “__ Sinto muito – lamentou Lettie. Nós andávamos sob um dossel de macieiras em flor, e o mundo cheirava a mel. – Esse é o problema com as coisas vivas. Não duram muito. Gatinhos num dia, gatos velhos no outro. E depois ficam só as lembranças. E as lembranças desvanecem e se confundem, viram borrões...”

4- “Adultos seguem caminhos. Crianças exploram. Os adulto ficam satisfeitos por seguir o mesmo trajeto, centenas de vezes, ou milhares...”

5- “Ninguém realmente se parece por fora com o que é de fato por dentro. Nem você. Nem eu. As pessoas são muito mais complicadas que isso. É assim com todo mundo”

6- “Os adultos também não se parecem com adultos por dentro. Por fora são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, eles se parecem com o que sempre foram. Com o que eram quando tinham a sua idade. A verdade é que não existem adultos. Nenhum, no mundo inteirinho”.

7- “... quando você tem sete anosa beleza é uma abstração, não um imperativo”.

8- “Nada nunca é igual – respondeu ela – Seja um segundo mais tarde ou cem anos depois. Tudo está sempre se agitando e se revolvendo. E as pessoas mudam tanto quanto os oceanos”

9- “Não se pode saber tudo”

10- “Não existe passar ou ser reprovado em ser uma pessoa, querido”

Enfim, eu suplico a você: LEIA ESSE LIVRO. Você precisa descobrir esse oceano onde todos que o leram estão. 

Beijos da Wal! 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O Homem e Seus Demônios – Fernando Risch



Esse livro me apareceu como indicação pelo Facebook e tanto título quanto sinopse me chamaram muito a atenção. E tratei logo de incluí-lo em minha lista. O autor do livro é o gaúcho Fernando Risch nascido em 1989 em Bagé. Fernando é formado em Jornalismo e Marketing e também atua como radialista e escreve crônicas esportivas para a ESPN. Bom, confesso que não o conhecia o que aumentava minhas expectativas em relação ao romance.

O livro conta a história de Farris Knox escritor que explode após a publicação do seu primeiro romance e todos os conflitos que vieram: desde a fonte de inspiração para esse primeiro livro; passando pela pressão da editora para um segundo livro; a Síndrome do Vazio – terrror de todos os escritores; até as dúvidas geradas pelo sucesso.

F. Knox, simples funcionário de uma pequena fábrica de sabão, com uma vida tão corriqueira e pequena como poderia ter qualquer um; em meses torna-se um milionário e cobiçado escritor de Best Seller. E é aí que a grande sacada do livro vem à tona: encontros ocasionais entre ele e seus "mestres". Knox encontra-se ao longo do romance com George Orwell, Charles Bukowski (O melhor dos encontros), Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Edgar Allan Poe e José Saramago (O segundo melhor encontro). Seria tudo loucura de um homem fragilizado e agora pressionado ou será esse o caminho que ele decidiu percorrer para reencontrar o seu processo criativo? Leiam e descubrirão!


O livro é, sem dúvida, uma grande surpresa! Não me decepcionou. Pelo contrário, deu-me vontade de ler o segundo romance do escritor "Hotel California". A única coisa que, se eu pudesse, eu diria ao autor é para que pedisse uma nova revisão a sua editora porque há pequenos erros que nos causam estranhamento durante a leitura levando-nos a quebra de fluidez da mesma. Tirando isso, o livro é imperdível e Fernando Risch será indubitávelmente um nome que ouviremos muitas vezes dentro da literatura brasileira. Talento e criatividade ele já provou que tem.

Fica aí a dica e até a próxima!

Beijos da Wal.  


Algumas Citações do Livro:

1- "Só pode ser feliz de verdade aquele que arrisca viver, pois a felicidade, assim como a tristeza, pode ir e vir a qualquer momento, e só quando experimentamos um desses sentimentos podemos alcançar o outro".

2- "Quantos outros não pararam no caminhos sem desfrutar do deleite de tornar-se aquilo que tanto queriam?"

3- "Há apenas duas formas de evoluir: ou se aprende com os erros, seja não os repetindo ou alterando suas falhas; ou se supera os traumas, lançando-os à deriva no mar dentro de uma garrafa selada".

4- "Um passo à frente é tão importante quanto não voltar".

5- "Quem se acostuma com a mentira sabe manejá-la com maestria".

6- "Um homem só pode ser feliz gozando da liberdade".

7- "... enterrar o próprio filho, a maior hecatombe que se pode afligir a um ser humano. Os pais jamais deveriam enterrar seus filhos". 

8- "Quando se é solitário e a única pessoa que lhe traz afeto se vai, há o desesperado sentimento de que nunca mais voltará a vê-la e seguirá sozinho para sempre".

9- "A cerveja entra, o ego infla e o remorso se vai. No outro dia o remorso volta, mas isso é problema do outro dia". 

10- "Em se tratando de exaustão, o cansaço pode nos afligir de várias formas, entre elas, o tédio".

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Eu, Poirot e Ms Marple.


Olá, seguidores queridos do CLV! Todos bem? Claro que sim! Eu andava com saudade de estar aqui, mas a vida infelizmente, às vezes, nos pede dedicação total e exclusiva. E foi o que aconteceu. Um agravante da situação é que preciso agora de óculos para poder ler – coisas da idade: uma tal vista cansada. Custei-me a adaptar-me a essa coisa e ler tinha virado quase um desprazer. Pode isso? Pode! Acredite-me: pode sim! Mas como diz a canção o tempo passa e eu me adaptei finalmente recobrando minha rotina de leitura. Bom, deixemos minha nada mole vida de lado e vamos falar de minhas recentes leituras. 

Decidi começar com a Rainha Master dos Crimes a Senhora Agatha Christie. Desde de minha adolescência eu me encanto com a genialidade dessa escritora para o estilo. Há outros, claro! Mas há algo na narrativa de Lady Agatha que me deixa... apaixonada. É! Esse é o termo. Eu ganhei o livro “Um Corpo na Biblioteca” de aniversário e decidi retomar minhas leituras por ele. O título me levou de imediato a pensar no famoso jogo “Detetive”. Já jogaram? Apesar de gostar tanto da escritora, eu só conhecia as aventuras do Poirot. Adorava viajar com ele em suas investigações quando tinha 13, 14 anos de idade. Cheguei mesmo a pensar em entrar um dia para a Scotland Yard, acreditam? (Acho mais charmosa que a CIA.) Enfim, delírio adolescente à parte foi com imenso prazer que comecei o livro na esperança de reencontrar-me com o Inspetor de bigodes grossos. Infelizmente o encontro não se deu. A história seria investigada por Miss Marple. 

Decepção superada, segui a leitura. 

SOBRE O LIVRO:

Uma grande surpresa espera o casal Bantry numa manhã rotineira em Gossington Hall: um corpo de uma jovem fora encontrado por criados em sua biblioteca. Logo de imediato Ms Marple, famosa por sua fluidez de raciocínio, é chamada ao local por sua amiga e esposa do coronel Bantry, a senhora Dolly Bantry. A Srª Bantry pareceu-me a principio uma mulher fútil e para quem o corpo trouxera mórbida animação. 

A história se desenrola num enredo muito gostoso de ler – como se pudesse ser diferente em se tratando de A. Christie. Personagens interessantes, com passados misteriosos vão surgindo o que nos conduz a uma crescente curiosidade em relação ao desfecho que é no mínimo, surpreendente.

A DECEPÇÃO

Como eu disse no princípio, eu sou fã de carteirinha de Poirot. Ele nos envolve na investigação, nos carrega com ele pelas cenas dos crimes, nos faz refletir com ele, somos Poirot ao ler Poirot. O mesmo não acontece com Ms Marple. Ela parece ficar muito à margem dos acontecimentos. Como uma sombra que perpassa em segundo plano ao longo do livro. Você deverá que fazer uma investigação solitária e torcer para estar numa linha correta de raciocínio para que esta bata junto com Ms Marple que só passa a atuar efetivamente do livro nas páginas finais. Se fosse para dar nota, eu diria assim: Poirot leva 5 estrelas e Ms Marpel fica com 3. Não! Duas e meia. Isso! Duas e meia. 

CONCLUSÃO

Leiam “Um Corpo na Biblioteca” com todo respeito e amor que Lady A. Christie merece. Porque o livro é muito legal e merece ser lido.  Leia-o, por exemplo, se você estiver naqueles dias de querer que o tempo passe suave sem ficar procurando subtextos de reflexões profunda. Ele é perfeito para férias preguiçosas, dias frios com chocolate quente, domingos entediantes... O prazer é garantido em horas de enorme suspense.  Eu recomendo. Só não esperem muito charme de Ms Marple se, como eu, forem apaixonados por Poirot.

Enfim, até a próxima leitura! 

sábado, 12 de setembro de 2015

O Mágico de OZ




“We are off to see the wizard, the wonderful wizard of Oz…”, essa é a primeira coisa que me vem a cabeça quando penso em Mágico de Oz. Você se lembra?

Bom, depois de uma leitura mais cabeça, sempre corro para algo na linha infantil ou infanto-juvenil como forma de equilibrar as ideias. Sendo assim, saí de James Joyce e seus mortos e fui para a Cidade das Esmeraldas a procura de Oz junto com Dorothy, menininha de onze anos e moradora oriunda do Kansas, o Homem de Lata – em minha opinião, o personagem mais chato; o Espantalho e o Leão – personagem que mais curti.

“O Mágico de Oz” é um dos livros da série de livros “O Maravilhoso Mundo de Oz” que teve quatorze livros escrito pelo seu autor original L. Frank Baum e mais vinte e seis escrito por outros autores.

O enredo de “O Mágico de Oz” é fofo e simples. Para aquela leitura prazerosa e suave. Não traz muito além dos ensinamentos, tais como: “O bem vence o mal” e a “A amizade acima de tudo”.  O que me deixou um pouco decepcionada porque imaginei de tirar pelo menos uma meia dúzia de boas citações, mas não deu nem para isso.
Lembro-me bem do filme estrelado por: Judy Garland (Dorothy), Jack Haley (Homem de Lata). Bert Lahr (Leão) e Ray Bolger (Espantalho). O filme é de 1939, produção da MGM originalmente em preto e branco e mais tarde remasterizado; costumava ser passado nas Sessões da Tarde com grande frequência.

O principal tema do filme foi a música “Somewhere Over The Rainbow” que foi regravada depois em vários momentos e pelos mais diferentes interpretes. Aposto que ela ainda está na cabeça da todos os cinéfilos até hoje.

Enfim, “O Mágico de Oz” é um filme ou um livro para a garotada curtir sem grandes pretensões. Por exemplo, animar uma aborrecida tarde de férias de inverno. Aventura não falta no enredo e crianças menores curtirão, com toda certeza.


Já eu, jamais pensei em dizer isso, mas... Sou muito mais o filme. De qualquer forma fica a dica e até a próxima! 
Beijos da Wal.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O Monólogo de Molly Bloom de James Joyce



Antes de tudo devo dizer que não sei exprimir o que senti diante dessa personagem. Oras quis matá-la ora quis abraçá-la. Molly Bloom é um conflito entre real e imaginário e uma leitura inesperada para os menos desavisados. Esse foi o meu caso: eu não esperava algo do gênero e Molly me angustiou e me encheu de prazer ao mesmo tempo.

            Esse monólogo encerra o livro “Os Mortos” de James Joyce. E embora, pela experiência com os dois contos anteriores, eu estivesse esperando uma narrativa cheia de intensidade e surpresas, essa acabou se superando. Eu não sei dizer se Molly está louca ou senil ou se Joyce quis juntar todas as facetas do pensamento feminino em um texto só.  E aí ela recordando e fantasiando coisas e relatando sobre seus amantes. É Essa heroína vem de outro romance de James Joyce chamado de Ulisses aonde ela é casada com Leopold Bloom.

            Outra coisa que me chamou muita atenção nesse monólogo foi a maneira como ela se expressa sobre suas experiências sexuais. Momentos em que  o leitor se ri e se apieda dessa brilhante personagem de gênio forte. Sem dúvida é uma personagem rica e vibrante e nos leva com ela num fluxo de pensamento que só sendo um pouco Molly Bloom para entender.

            Eu recomendo o livro “Os Mortos” de James Joyce, porque ele é espetacular como obra e fica fácil entender porque a obra de Joyce o imortalizou. Não deixem de conhece Molly Bloom, por favor. E preparem-se para se envolverem numa “louca” narrativa de mergulho total no íntimo de uma personagem que ousou, certamente, ir além de seu tempo. Vale a pena conferir!

            Até a próxima!


            Beijos da Wal.

domingo, 30 de agosto de 2015

Sobre o Último Discurso de O Grande Ditador de Chaplin

Estava a pensar sobre essas palavras de Chaplin no filme "O Grande Ditador" que é de 1940 e, em minha opinião, é o maior de todos discursos humanistas que já tomei conhecimento. E Chaplin, como todos sabem, era ateu. Nunca acreditou no Cristo e na bíblia. Mas nem por isso deixou de ser humano e uma imagem do Cristo na terra. Foi mais que muitos ao falar do amor ao outro. Ele usava a própria arte para fazer isso. Esse filme foi indicado a cinco Oscar e não ganhou nenhum porque quando foi lançado os Estados Unidos ainda estava em guerra. Não podiam silenciar o autor, o ator, o diretor, mas podiam puni-lo não dando a ele uma premiação. Enfim, o que é uma premiação diante do que ele Chaplin implantara nos pensamentos?

Quisera todos ouvissem e refletissem sobre o que é dito nesse discurso, dito em uma obra de ficção, mas com desejo de conscientização. Vejo um mundo à minha frente tão intolerante com tudo e todos que me preocupo muito com o que será desse mundo no futuro.
Estamos sempre batendo no peito e dizendo que o mundo é injusto conosco, mas o que fazemos para ser justo com o mundo? É preciso fazer algo para que o mundo comece a mudar. E ele deve começar a mudar a partir de nós. É preciso que perguntemos o que somos para o mundo e o que fazemos para que ele seja o que eu quero.

Nenhuma bíblia poderá lhe proteger se VOCÊ não mudar o seu interior. Você julga, maldiz, ultraja, rouba, maltrata, abandona... E depois lança a mão de um versículo qualquer para justificar o seu mau comportamento. Deus nunca julgou ninguém. Ele perdoou e perdoa a todos, porque Ele e só Ele sabe os caminhos e as razões de cada um. Tudo no mundo está corrompido, mas não se corrompeu sozinho. Todos nós temos uma parcela de culpa nessas mazelas mundiais.

Então, deixo o vídeo do último discurso do filme de Chaplin para que seja um ponto donde você pode partir para uma auto-avaliação de seus atos diante do mundo. Se você quer novos tempos, mude os velhos hábitos.


Beijos a todos que, como eu, estão sempre em busca de uma evolução interior porque querem viver em tempos melhores.
(Waleska Zibetti)

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Eu, Marinheiro



Quero rimar porto e mar
Com um adentrando no outro
E nem se vê o mar
E nem se vê o porto
Pois tudo é uma coisa só
Amarrados pelo mesmo nó
Invisível como o que une
Criador e criatura
Além do que se pode compreender
Quero achar a rima perfeita
Para o inverno e verão
E que o tempo entre uma coisa e outra
Nem seja o calor nem seja o frio
Mas seja sim o tempo dos teus sonhos
Banhados de desejos e devaneios
Quero rimar tua ternura
Com a mesma entrega
Da mãe para seu filho
E aninhar-te em meus seios
Com abraços e beijos de loucura
Quero rimar-te a noite inteira
No encontro de tuas partes na minha
E então, voltar ao mar
Como fazem os marinheiros
Enquanto tu descansas
Entre lençóis de céu azul
Que completam a minha rima
Onde o porto adentra o mar.
(Waleska Zibetti, in "Eu, Marinheiro")

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Intimidade



Escreva-me
Cubra minha pele com suas ideais
Seus desejos e fúria
Que eu saiba dos seus versos
Dos seus segredos perversos
Teus erros mais que teus acertos
Dedilhe em mim suas canções
Toque suas inspirações
Suas melodias inimagináveis
Use-me
Como o travesseiro pra seus sonhos
Como colchão pro seu cansaço
Como os caminhos pro seu viver
Deixe-me ser a alegria da tua manhã 
E a razão do seu anoitecer
Torna-me a roupa que te protege
A tua rota de fuga do mundo
Teu porto 
Teu farol
Ama-me
Como as flores do jardim
Como o gosto do primeiro beijo
Depois... depois me deixe partir
Como as aves migratórias
Como as pétalas que se lançam ao vento 
E eu prometo que volto
Naquele dia que você menos esperar
Para que você escreva suas novidades
Na minha pele cansada
Pra que você componha outras canções
Pra que você se deite sobre mim
E então, descansemos do mundo da vida da falta 
Da carência do medo da ausência do amor.
(Waleska Zibetti, in "Intimidade")

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

9ª Edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival


E lá vem o Rio das Ostras encher-se de boa música outra vez. O coração começa a agitar-se pressentindo os agudos solos de guitarra e os graves solos de baixo. Uma cidade respirando música e exalando a delicia de um grande festival. Não dá para não se emocionar e se envolver com essa produção que hoje é considerada a maior e mais importante da América Latina.

Atrações nacionais e internacionais passaram pelo palco em quatro noites de pura vibração e exaltação a cultura. Esse ano lendas como Dayana Dopsie e Robben Ford estarão privilegiando o festival na noite desse sábado, 22 de agosto e, com certeza, eu estarei lá na turma do gargarejo curtindo o som. Mas o festival ainda conta com vários outros artistas, tais como: Gabriel Silva, Matt Schotfield, Carolyn Wonderland entre outros. E tudo isso, gente, com entrada FRANCA. Você vai ficar de fora desse festival? Espero que não!

O festival acontece em quatro palcos diferentes espalhados pela cidade de Rio das Ostras e tem horários para todo público e para que todos estejam em todos os shows. Na Praça São Pedro os shows acontecem ao meio-dia, na Lagoa do Iriry às 15 horas e no palco principal em Costa Azul o show começa as 20:30. Então, não há desculpas para não se prestigiar os shows.

Na cidade do Jazz ainda há um palco secundário, chamado de “Casa do Jazz”, com shows acontecendo a todo o tempo. Vale a pena se dividir entre os dois palcos até porque a qualidade do pessoal que tocará na Casa do Jazz é simplesmente FAN-TÁS-Ti-CA! E se eu puder destacar minhas preferências... Não perderei Km 50, dia 20, Micha Devellard com um tributo à Cássia Eller, dia 21 e Road 145 Blues Band no dia 22.

Bem, é isso aí! Ainda dá tempo de vir conhecer Rio das Ostras e participar desse momento único da música. A cidade dispõe de muitas pousadas e opções de alimentação para todos os bolsos. Espero ver vocês por aqui para curtimos juntos a nona edição do Jazz & Blues Festival Rio das Ostras.
E eu vou ali dar uma passeada e começar a ver a cidade se transformar em música.

Volto depois do festival!!!

Até!!!


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Num Domingo... Um Vagabundo



“Dream On” era a trilha sonora daquele domingo. Não importa se manhã ou tarde. Acho que nem era domingo. Todos os dias eram iguais para ele. E todos parecidos com domingo. De certo mesmo só o som do Aerosmith tocando o mais alto que dava dentro daquele apartamento mínimo de subúrbio do Rio de Janeiro. 

Ele estava sentado em sua velha mesa de dois lugares olhando os carros que passavam pelo viaduto. O sol ofuscava seu olhar fazendo da cena um borrão em movimento. Ele bebia café frio de ontem de manhã. Estava falido, mas ainda tinha três cigarros e um pouco de conhaque no fundo de um armário. Marginalizado como todos os vagabundos que moravam no seu bairro, na sua rua, no seu prédio, no seu andar. A barba por fazer e um livro de Maiakovski nas mãos.

A vida não faz sentido aos domingos. Deus se esquecera dos miseráveis que moravam no seu bairro. 

Um cachorro latiu a direita e uma prostituta xingando seu cafetão a esquerda. Outro cigarro apagado no parapeito da janela. Está fodido! Como todo mundo que caminhava em direção a igreja vizinha. Riu do próprio caos. Meteu o dedo no buraco da camiseta, mas queria mesmo era enfiar o dedo na garganta e vomitar toda aquela miséria que lhe embrulhava o estômago. 

Sempre fora um traste. Um retrato perfeito do pai. Nem Ela o suportou... Foi morar com a mãe no interior do mundo. Ele devia ter ido também ou tê-la feito ficar. Era mais digno quando a tinha ao seu lado. Mas ele era um merda sem disposição para lutar nem mesmo por amor. 

E agora só resta um cigarro e algumas centenas de segundos até que o domingo passe de vez. 

Abre a janela e senta-se com os pés para fora. Décimo primeiro andar de uma rua suja qualquer. Ninguém, como era de se imaginar, o percebe ali fumando seu último cigarro com sua camisa furada e um resto de conhaque barato. 

Quem choraria por ele? A loira do terceiro andar, com certeza. Feia, velha, gorda, fedia a fritura, mas, de vez em quando, gentilmente dava para ele em troca de algum serviço de manutenção. Será que alguém mais? 

Inclina o corpo mais para a frente. Chega a sentir o frio percorrer a espinha. Lança o resto do último cigarro para baixo como se quisesse pegar coragem de fazer o mesmo. O cigarro desce os andares e ele o perde de vista. Merda! Bebe, por fim, o último gole. Tudo é derradeiro nesse momento. Olha para a garrafa, tenta se despedir do viaduto, mas o sol não está mais lá. Olha para o apartamento pela última vez. É pequeno, escuro e estranho. Está no fio, no fundo, no fim. Abre os braços...

... A campainha toca...

Amigos chegando para beber. Domingo é assim: um dia imprevisível. 
(Waleska Zibetti, in "Num Domingo... Um Vagabundo")