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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Memórias de uma Gueixa

Sinopse: "Memórias de uma Gueixa" é um romance fascinante, para ser lido de várias maneiras: como um mergulho na tradicional cultura japonesa, ou um romance sobre a sexualidade, e ainda, como uma descrição minuciosa da alma de uma mulher já apresentada por um homem. Seu relato tem início numa vila pobre de pescadores, em 1929, onde a menina de nove anos é tirada de casa e vendida como escrava. Pouco a pouco, vamos acompanhar sua transformação pelas artes da dança e da música, do vestuário e da maquilagem; e a educação para detalhes como a maneira de servir saquê revelando apenas um ponto do lado interno do pulso - armas e mais armas para as batalhas pela atenção dos homens. Mas a Segunda Guerra Mundial força o fechamento das casas de gueixas e Sayuri vê-se forçada a se reinventar em outros termos, em outras paisagens.

Este romance que gerou um dos filmes mais enigmáticos e lindos que já assisti. Neste romance, a história de Chiyo Sakamoto é revelada. Nunca antes a vida particular de uma gueixa fora contada, exceto quando Sayuri decidiu já se fazer chegada a hora. Com a mãe doente e o pai idoso o bastante para não dedicar o restante da vida a mais ninguém, a pequena japonesa, juntamente com a irmã mais velha, Satsu, não teria vez de sobreviver à própria mercê.
 
"O meu pai costumava dizer que a minha irmã era como uma árvore, que se agarra firmemente à terra com as suas raízes. Eu era como a água, que percorre o seu caminho sem que nada a detenha. Se encontrar um obstáculo, desvia-se até poder avançar novamente." (Chiyo Sakamoto)
 
Em Memórias de uma Gueixa, o autor, apresenta-nos a beleza da cultura japonesa em uma trama de sensualidade e audácia. A pequena menina  torna-se uma grande mulher, e neste enredo nos perdemos entre intrigas e desafios, reencontrando-nos apenas na força de Chiyo, que, após ser vendida ao  Okiya Nitta, teve de sufocar-se por inteiro para, aos poucos, fazer nascer seu novo eu: a gueixa Sayuri Nitta. 
 
"A dor é uma coisa muito esquisita; ficamos desamparados diante dela. É como uma janela que simplesmente se abre conforme seu próprio capricho. O aposento fica frio, e nada podemos fazer senão tremer. Mas abre-se menos cada vez, e menos ainda. E um dia nos espantamos porque ela se foi." (Chiyo Sakamoto)
 
 
A palavra “gueixa” significa “artista”, logo, o treinamento árduo de uma aprendiz é composto desde a dança até o doce ato de servir chá. Ao ouvir que gueixas divertem homens, pode pecar quem as imagine como prostitutas. A bem da verdade, uma gueixa só vem a ter relação sexual com o seu Danna, que é o homem que se dispõe a sustentá-la pelo resto da vida. Para os demais homens, elas não passam de musas de inspiração, beldades sedutoras, companhias para casas de chá e festas.
É um dos filmes e livros que vale a pena descobrir pela maneira com que foi posto e a veracidade de todas as ações e momentos retratados pelos ares misteriosos do oriente.
 
Segue trailer
 
Até o Proximo texto
Au Revoir
 

sábado, 20 de junho de 2015

VERONIKA DECIDE MORRER



Resenha por Gabriella Gilmore



Como seria você acordar um dia decidida a tirar sua vida? 
Você teria motivos suficientes para tal ato?
Será que existe mesmo uma razão aceitável para isso? Sem que sua morte não seja vista como loucura ou até mesmo o culpar aos pais ou pessoas próximas que em nada tem haver com sua decisão de deixar um mundo que não mais lhe fazia sentido?
Bom, no dia 11 de novembro de 1997, Veronika decidiu que já era o seu momento.
Mas como faze-lo sem que seus entes queridos não se sentissem culpados? Isso já era um motivo para preocupação.
Só de pensar que sua vida virou uma rotina, que depois que a juventude passa tudo tende à decadência, velhice chegando, amigos partindo, continuar vivendo não era lá grandes coisas. Na verdade, o risco para sofrimentos eram maiores.
E viver num mundo que cada vez que passa se torna mais incorrigível, era totalmente frustrante.
Já que não podemos escolher nascer, pelo menos dar cabo a vida quando assim sentimos que já "fizemos" o que deveríamos fazer na terra, não seria lá um pecado mortal, seria? Se temos o "livre arbítrio", isso significa que podemos sair de cena quando acharmos melhor e pronto.
Nossa amiga simplesmente pega suas quatro caixas de remédios para dormir e calmamente vai tomando um a um.
Ela acorda em Villete, um asilo de loucos.
Nossa personagem nos faz pensar sobre questões religiosas que às vezes nos permeia, como se realmente Deus existe, sobre o tabu do suicídio, sobre a luta do homem para sobreviver e não se entregar e ela até ousa em voltar lá no paraíso de Adão e Eva.
Você ri com sua ousadia em enfrentar certos temas com uma fúria doce e no decorrer da história você só quer entender a fundo os reais motivos que leva o ser humano a tais atos.
No hospício você depara com depoimentos de Mari, uma paciente de síndrome de pânico e Edward, o artista esquizofrênico.
No final você percebe que todos nós somos loucos, e mais loucos ainda em não assumir nossa loucura e o amor é o maior delas.

Livro disponível também em filme, tendo como protagonista a atriz americana Sarah Michelle Geller.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Mulheres inteligentes - Relações saudáveis



Eu gosto é de mulher independente,
dinâmica, inteligente, segura de si,
que não se intimida diante do mundo
nem dos desafios da vida,
mas, curiosamente, este é o tipo de mulher
que mais tem medo de mim...
Augusto Branco


Fórmulas prontas ou doses de sabedoria?
Eis o meu livro da vez: Mulheres Inteligentes Relações Saudáveis do Augusto Cury.
Você deve estar se perguntando: Mas Bruna, um livro de Autoajuda no universo feminino, escrito por um homem? Digo-te caro leitor. A cada página lida deste livro eu praticamente pus um “post-it” para as situações vividas por mim, ou até mesmo as minhas opiniões e sentimentos que tenho por determinados temas abordados no livro.
Falando nos temas, mesmo que o título chame atenção para o relacionamento homem e mulher o mesmo retrata todas as outras relações do nosso universo (Filhos, pais, amigos, sociedade, trabalho e até consigo mesma).
Em Mulheres inteligentes - Relações saudáveis, Augusto Cury apresenta uma fantástica análise sobre a mulher, seus emoções, relações, seus medos, anseios e desejos. O autor identifica quatorze tipos de mulheres, dentre as quais, analíticas, contemplativas, impulsivas, dependentes, autoritárias, trazendo o lado positivo e negativo de cada comportamento.
As mulheres vão conhecer as leis fundamentais das relações saudáveis e os erros capitais de uma relação doente e aprender a transformar suas atitudes através do autocontrole dos pensamentos e das emoções. Ao final de cada capítulo, Cury presenteia os homens com frases-conselhos, que os farão refletir sobre as mulheres de sua vida (namoradas, esposas, filhas, mães, amigas...) para - juntos - construírem uma história de amor singela e inteligente.
O livro é interessante, educativo e de fácil leitura (169 páginas de muitos ensinamentos) e o mais bacana é que os homens recebem pequenos textos elucidativos escritos para eles.
“Homens inteligentes sabem que podem ser socialmente livres, mas emocionalmente escravos. Buscam proteger sua emoção como os sedentos em terra seca. Não têm medo de ser contrariados ou frustrados, pois não têm a necessidade neurótica de estar sempre certos. São amáveis, mesmo quando apontam seus erros. Homens inteligentes sabem o Eu é muita mais que um pronome empregado numa frase. O Eu, pra ele, representa a capacidade de escolha, a vontade consciente, a habilidade de ser gestor de sua mente e, por terem tal entendimento, equipam esse Eu para ser autor de sua história e protetor de sua emoção. Sabem que, se não aprenderem a proteger a emoção, poderão ser miseráveis morando em palácios.” (pg. 36).
Augusto Cury transmite nesta obra o sentimento de esperança. Sentimos que é possível redefinir nossas metas/ideais, mudar atitudes/pensamentos e reescrever nossa história, sendo autores de nosso próprio destino (pelo menos, de uma parte dele). Durante a minha leitura me puni inúmeras vezes e pasmem me identifiquei em vários aspectos citados pelo autor. Mas parafraseando-o diria que “As flores mais belas nascem nos mais inóspitos terrenos.”.

Mulheres Inteligentes.
Essas sabem que o amor não é um produto acabado. A frase '' ou se ama ou não se ama '' é psiquiátrica e psicologicamente superficial. O amor se cultiva, o amor se lapida, o amor se estimula. O amor morre, mesmo sendo real. E ainda renasce, mesmo estando morto. O amor não é genético, não se nasce sabendo amar, você aprende a amar.

Aproveite a leitura e depois me contem!
Até o próximo texto
Au Revoir

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Sobre o "Amor Natural" e outras sensações

"Os movimentos vivos no pretérito
enroscam-se nos fios que me falam
de perdidos arquejos renascentes
em beijos que da boca deslizavam
para o abismo de flores e resinas.

Vou beijando a memória desses beijos."
[1]


Erótico, pornográfico e nunca vulgar!
Talvez essa seja a definição desse livro até pouco tempo desconhecido pra mim. E a cada poema a imaginação ia dando comandos a todos os sentidos. Um choque para os desavisados, um deleite para os amantes e um rubor para quem se descobre lendo esses poemas.

"O que se passa na cama
é segredo de quem ama."
[2]

E nas cucas de quem se destina a ser livre o que se passa?O que mais houvesse para haver na cama entre casais diversos, está descrito lá. Mas e os tímidos? (Olha eu aqui!!!)
Como foi dito por Mário de Andrade, "Faz todo o sentido, mesmo sendo culpa dessa bendita timidez". 
E a reação foi: Como assim, o Drummond?  
Nesse caso a frase "sabe de nada, inocente", se encaixa perfeitamente. 
Pronto! O lado carnal e humano do Drummond estava descoberto. 
Através de 40 poemas póstumos (O engraçado é que esses poemas foram guardados por anos e só foram publicados 5 anos após a sua morte) você descobre um lado seu até então desconhecido. E como um outro velhinho e dessa vez safado "assumido", o Bukowski já poetizou:

"há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te."
[3]

Em pleno Século XXI a nossa sociedade ainda é muito repressora ao falar de sexo. Existe uma falsa liberdade e muita hipocrisia reinante: sexo é sempre caricaturizado perdendo-se muita qualidade com tal postura. Para os curiosos recomendo a leitura, para os apaixonados uma pimentinha, para os que tem feitiche um convite. 

Decifre e chega de porquês na história. Vai logo sua alma libertina!







Au Revoir
Até o próximo texto  


[1]Andrade, Carlos Drummond. O amor natural. 1ª Edição. São Paulo: Companhia das Letras. 2013. Página: 48.
[2]__________________________. O amor natural. 1ª Edição. São Paulo: Companhia das Letras. 2013. Página: 16.
[3]Bukowski. Charles. O Pássaro Azul. O Leitor Cabuloso. Disponível em: http://leitorcabuloso.com.br/2013/07/sexo-alcool-e-poesia-o-lirismo-maldito-de-charles-bukowski-o-velho-safado/ . Acessado em 10/1/2015.

domingo, 2 de novembro de 2014

Paris é uma Festa - Ernest Hemingway

"Quando a primavera chegava, mesmo que se tratasse de uma falsa primavera, nossos problemas desapareciam, exceto o de saber onde se poderia ser mais feliz. A única coisa capaz de nos estragar um dia eram pessoas, mas, se se pudesse evitar encontros, os dias não tinham limites. As pessoas eram sempre limitadoras da felicidade, exceto aquelas que eram tão boas quanto a própria primavera."
(Ernest Hemingway)
 
"Entregar-se inteiramente à arte, pagando um preço por isso, e passar a fome que fosse, contanto que em Paris, eram, sem dúvida , ideias, modelos e valores daqueles tempos. Em que mais acreditar senão na arte, que era o que explodia de mais humano e exuberante nas telas dos pintores, nas formas das esculturas e nas ousadas páginas dos escritores da moda."
 
Paris, 1930, refúgio dos mais diversos artistas do mundo, lar e local de inspiração para as mentes mais brilhantes do século XX. É esta Paris que o escritor Ernest Hemingway vem morar junto de sua esposa, Hadley. E é neste ambiente mágico, circundando pelos milhares de café e livros, que se passaram os melhores anos da vida do ganhador do Prêmio Nobel. A época em que eram pobres, contudo, absolutamente felizes.
Os capítulos muitas vezes não estão em ordem cronológica e vão e voltam no tempo, exatamente como um fluxo de pensamento. Diferente de suas outras obras, onde o estilo do autor é expresso brilhantemente, Paris é uma festa tem uma linguagem mais informal e memorial, afinal é basicamente uma autobiografia.
A maioria parte dos núcleos históricos que envolvem personagens marcantes, tanto para o próprio Hemingway, quanto para o leitor, que conforme a narrativa, passa a conhecê-los melhor. Temos figuras como o generoso poeta Ezra Pound, a escritora e artista Gertrude Stein, muito amiga de Ernest em seus primeiros anos em Paris, mas que possui uma personalidade um tanto quanto forte, Ford Maddox Ford, Sylvia Beach da livraria Shakespeare and Company, hoje, um ponto turístico da cidade, James Joyce, F. Scott Fitzgerald e claro, o próprio Hemingway.
De certa forma, a personagem que teve mais ênfase na história foi Fitzgerald, talvez pelo fato de Ernest ter sido amigo dele por muito tempo e se interessar por sua vida, sentir admiração pelo autor de "O grande Gatsby", ou simplesmente a vida tumultada de Scott.
Conhecemos um Fitzgerald abalado e com problemas com álcool, não em relação ao alcoolismo, mas, sim, a seu metabolismo fraco que se desgastava com o consumo deste. Muitas vezes, o próprio Hemingway, assim com o leitor, se perguntam como um homem como Scott poderia ter escrito uma série de contos ótimos e o Gatsby.
O leitor é apresentado também à Hadley, esposa de Ernest, uma mulher graciosa e companheira, sempre disposta a acompanhar o marido - e olha que não são todas as mulheres que são feitas para serem esposas de um escritor, o caso da própria Zelda Fitzgerald, cujo ciúme pelo trabalho do marido a fazia ficar amarga e descontar arrogâncias nele.
O que mais me interessou em Paris é uma festa, além da cidade cenário, a qual tenho paixão, é a humanização dos escritores. Hemingway mostra o defeito de cada um de seus amigos e suas sucetividades, nos relatando que não passam de apenas seres-humanos, ou seres-humanos "brilhantes", devo dizer. Um exemplo perfeito é Gertrude Stein, que por mais agradável que sua companhia e conversa fossem a Hemingway, ela era arrogante em certos pontos, egocêntrica e fuxiqueira. F. Scott Fitzgerald podia ser um escritor revolucionário, mas não passava de um homem com suas inseguranças e problemas no casamento.
É este lado humanizado que me atrai. Saber que antes de serem artistas, essas pessoas era comuns e compartilhavam dos mesmos problemas que muitos de nós.
Paris é uma festa, por mais que não seja a obra mais fantástica de Hemingway e voltada um pouco para a fofoca, ainda mantém o leitor envolto na sua narrativa e personagens.

Uma alusão interessante desse estilo de vida retratado nas telonas, pode ser visto em um clássico de Wood Allen em Midnight in Paris em que os personagens ganham vida e parecem ter saído deste clássico.

Mas sobre esse filme é um assunto para um próximo post.

Au Revoir
Até o próximo Texto

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Somos, Seríamos e Seremos todas Sofias!

O homem deveria aceitar o seu destino. Nada acontece por acaso, diziam os estóicos. Tudo acontece porque tem de acontecer e de nada adianta alguém lamentar a sorte quando o destino bate à sua porta.
Também as coisas felizes da vida devem ser aceitas pelo homem com grande tranquilidade.
Ainda hoje falamos de uma 'tranquilidade estóica' quando queremos nos referir a uma pessoa que não se deixa inflamar por seus sentimentos.
(Jostein Gaarder - O mundo de Sofia)
Quem é você? De onde vem o mundo? 
Quem em algum momento da vida não se fez essas perguntas?
Este livro para mim chegou em um momento oportuno: 15 anos. Talvez uma das fases da vida em que mais nos questionamos e a mente pulsa por respostas. Este ainda conseguiu me auxiliar na disciplina de filosofia da Escola e conseguiu introduzir um pouco dos pensadores e filósofos pré-socráticos aos contemporâneos desde Aristóteles, Santo Agostinho, Descartes, Kant, Marx e até Darwin! 
O livro começa quando Sofia Amundsen, em vias de completar 15 anos, recebe pelo correio cartas endereçadas a ela com perguntas muito estranhas, mas, que são comuns nesta tenra idade. "Sua Felicidade" então começa quando ela recebe através de cartas anônimas um misterioso curso de filosofia. Junto com isso, ela também recebe cartões postais destinados a uma menina chamada Hilde Knag, que Sofia não tem a mínima ideia de quem seja.

Se o cérebro humano fosse tão simples ao ponto de podermos entendê-lo, nós seríamos tão idiotas que não conseguiríamos entendê-lo.

Afinal de contas o que seria a filosofia? É uma pergunta interessante. Não observamos quase ninguém perguntar, por exemplo, o que é matemática ou física? Mas se acha natural perguntar: o que é Filosofia?
A grande sacada do livro O Mundo de Sofia foi ter percebido que não se pode introduzir e divulgar a filosofia através dos textos especializados dos próprios filósofos: seria o mesmo do que tentar ensinar geometria através dos textos de Euclides, música através das partituras de Beethoven, ou física através dos textos de Copérnico. Os filósofos, assim como os músicos ou os cientistas, produzem obras cujo destinatário são os outros profissionais e não aos adolescentes.

"Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim".

O autor conseguiu introduzir didaticamente para cabecinhas compreendidas entre 15 e 20 anos de idade uma leitura e estudos filosóficos e é aconselhável também para todos aqueles que querem conhecer um pouco mais desse universo incrível.Quem sabe, um dia Gaarder não lance seu romance da contra-história da filosofia e fale dos Utilitaristas, Materialistas, Libertinos, Nietzschianos, entre outros.

“[...] um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pelos do coelho. Por isso, elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vã se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que não ousam mais subir até a ponta dos finos pelos lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nessa jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se agarram com força aos pelos do coelho e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida.
– Senhoras e senhores – gritam eles -, estamos flutuando no espaço
Mas nenhuma das pessoas lá debaixo se interessa pela gritaria dos filósofos
– Deus do céu! Que caras mais barulhentos! – elas dizem.
E continuam a conversar: será que você poderia me passar a manteiga? Qual a cotação das ações de hoje? Qual o preço do tomate? Você ouviu dizer que a Lady Di está grávida de novo?” p. 31

Até o próximo texto
Au Revoir

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Por Aquilo que me Cativa!

"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"

(Le Petit Prince - Antoine de Saint-Exupery)



E pegando carona nesse fim de semana do Dia das Crianças resolvi revisitar umas lembranças literárias!E talvez a melhor delas seja em desenho seja em livro é essa magnífica obra prima de Exupéry O Pequeno Príncipe (Le Petit Prince , 1943).E para muitos era difícil imaginar que um livro assim pudesse ter sido escrito por um homem como ele em um período tão tenebroso para o mundo inteiro (Segunda Guerra mundial 1939-1945).

Hoje pergunto a você adulto, de cabeça pronta, bem sucedido e bem resolvido se a sua criança de ontem teria orgulho do que você é hoje! Quem teria coragem de me responder tal pergunta?

Pois é talvez o esquecimento da criança que nós fomos um dia nos tornou adultos incapazes de compreender os pequeninos. Pegando esse gancho, o autor se transforma em narrador das aventuras desse menininho que descobre o mundo fora da sua luazinha.

O principezinho havia deixado seu pequeno planeta, onde vivia apenas com uma rosa vaidosa e orgulhosa e em suas andanças pela Galáxia, conheceu uma série de personagens inusitados – talvez não tão inusitados para as crianças!


"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante."

Imagine-se após um acidente aéreo sozinho em pleno deserto por dias... 
Com um passado misterioso esse mesmo homem solitário (imaginário) encontra um menino também perdido em meio às areias escaldantes.
No entanto, o calor, a sede, a fome e todas as demais agruras humanas não parecem afligir o jovenzinho. Ignorando a anormalidade da situação os dois começam a conversar e o pequeno príncipe revela que, na verdade, vinha de um planeta muito pequenino e muito distante do nosso, em busca de aventuras e amizades.

" Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"


Não difere muito do que nós fazemos conosco em nossa vida: estamos sempre a procura do porque na vida, em busca de amigos, de crescimento, de dinheiro e esquecemos dos nosso valores principais de menino. Hoje muitas pessoas não entendem o alarde do livro e em torno dessa história mas, se você revisitar sua memória da mais tenra idade verá quanta coisa fez sentido.


“Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível aos olhos.”


Hoje eu poderia afirmar que o homem jamais encontrou de fato um "pequeno príncipe" e o deserto em questão era seu próprio coração.
O adulto perdido em si encontrou simbolicamente sua criança interior para lidar com problemas que o tornavam um homem solitário e perdido, que não permitia que as pessoas ao seu redor se aproximassem dele sentimentalmente.
Com sua criança interior ele aprende a se deixar cativar pelas coisas simples, a se deixar tocar pelas coisas belas da vida olhando para o que realmente importa: o que vive nos detalhes de cada um de nós e nos detalhes do outro. E principalmente a presentear aqueles que você diz amar com o mais precioso tesouro que você pode dar a alguém: seu tempo e seus sentimentos.


“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde,
desde às três eu começarei a ser feliz!”

Para mim todas as vezes que senti e sinto o vento das mudanças na minha vida, seja elas uma mudança de comportamento, seja uma data como essa que se aproxima ou até mesmo as experiências ruins vejo que me fecho no mundinho que é meu. Mas e o que eu perdi com tudo isso, a oportunidade de ser feliz no dia de hoje.
Esse livro é recheado de pequenas lições e muita vida através das ilustrações se eu fosse contar mais um pouco vou acabar desmotivando a leitura de vocês, portanto, LEIAAAAM e desfrutem dessa pequena jóia.
E é melhor que cada um se deixe tocar e enxergar seus pequenos príncipes e princesas.

- Só as crianças sabem o que procuram, disse o principezinho. Perdem tempo com uma boneca de pano, e a boneca se torna muito importante, e choram quando a gente toma...
- Elas são felizes... disse o guarda-chaves.



Au Revoir ma Chérs 
Até o próximo texto!

Bonne journée des enfants ;)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Quando Paris Cintila

"basta não ser insensível à magia para que ela aconteça"
Betty Milan

Uma vida bem escrita é quase tão rara como uma bem vivida.
Então meus caros como ser insensível a magia e aos sinais?
E como entender a vida e quando de verdade ela começa? Ah esse mundo onírico e cheio de perspectivas e paisagens e muitos cheiros de muita beleza e de muitas cores!
Talvez seja esse o ponto chave para entender essa leitura bem simples que é o livro da betty milan (sim em letras minúsculas como a capa original).
Até que ponto enxergamos por onde passamos e o que aproveitamos desse visual. A importância do imaginário para os seres humanos e até que ponto ela ajuda a superar o dia dia e as provocações e limitações que a realidade nos trás.
As páginas da vida são cheias de surpresas... Há capítulos de alegria, mas também de tristezas, mistérios e fantasias, sofrimentos e decepções... Por isso, não rasgue páginas e nem salte capítulos, não se apresse a descobrir os mistérios. Não perca as esperanças, pois muitos são os finais felizes. E nunca se esqueça do principal: NO LIVRO DA VIDA, O AUTOR É VOCÊ!

Com certeza, é um livro que incita à meditação, inspira a viajar, e que exige alguns comentários e muitos pensamentos.

A autora conseguiu transmitir e transpor os limites da imaginação através dos cinco sentidos transportando para Europa, Ásia, América do Norte ou do Sul, descobrindo que é tão fundamental imaginar quanto romper hábitos. 
Apesar do título, o livro não trata somente da capital francesa (um dos meus lugares imaginários e inspiradores no mundo). Paris, porém, funciona como uma espécie de base espiritual e escrita para o livro: foi lá que ela organizou e escreveu as 33 crônicas dessa coletânea.
Escrever para viver, viver para escrever. Imaginar estar em um ponto do globo e desvendar todos os mistérios da vida e o que o mundo tem a oferecer. Falar das surpresas da vida. É justamente nessas surpresas que está o gosto real pela vida. O não sabermos o que nos reserva o dia de amanhã, é que nos faz sentir a necessidade de viver intensamente o dia de hoje, e vive-lo em plenitude.

O livro provoca ao mesmo tempo que conforta e sem pretensão ela escreve e transmite tudo aquilo que é preciso pra viver cintilando por aí!
Au Revoir
Até o próximo texto