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sexta-feira, 27 de março de 2015

A Casa de Carlyle e Outros Esboços (Virginia Woolf)



A Casa de Carlyle e Outros Esboços (Virginia Woolf)

1-     Nota Biográfica

Adeline Virginia Stephen nasceu em Londres em 25 de janeiro de 1882. Estudou e recebeu educação em casa, teve acesso ilimitado à biblioteca do pai; sempre pretendeu ser escritora.

Em 1895, sua mãe morreu inesperadamente, e logo depois Virginia sofreu o primeiro colapso nervoso; a partir de então e pelo resto de sua vida ela passou a ser atormentada por períodos de doença mental. Em seguida à morte de seu pai, ocorrida em 1904, os quatro irmãos Stephen órfãos mudaram-se para Bloomsbury, onde sua casa transformou-se no centro do que veio a ser conhecido como o Grupo de Bloomsbury.

Virginia terminou seu primeiro romance, The Voyage Out, em 1913, mas o grave colapso que sofreu logo em seguida adiou sua publicação até 1915.

Em Richmond, Virginia escreveu seu segundo romance, Noite e dia (1919). Em 1920, Virginia começou seu terceiro romance, O Quarto de Jacob (1922). Em seguida vieram Mrs. Dolloway, Passeio ao Farol e As Ondas, e esses três romances fixaram-na como uma das principais escritoras do movimento modernista. O romance Os Anos veio a público em 1937, e ela havia mais ou menos terminado sua última obra,  Entre os Atos, Quando incapaz de enfrentar mais um ataque de doença mental, afogou-se no rio Ouse em 28 de março de 1941.

2-    Eu e o livro

Esta é uma coletânea de sete esboços de Virginia Woolf e nem por isso torna-se de fácil leitura. A complexidade e intensidade dessa escritora é algo que nos atinge com força ímpar o mais íntimo de nós. É impressionante como ela consegue deixar tudo no campo quase real. Onde cada emoção pode ser quase tocada ou sentida como nossa.

Por que lê, então? Porque Virginia me leva para longe da mesmice de alguns autores. Ela tem poder de observação aguçada, quase brutal. Ler Virginia é se confrontar é encarar preconceitos típicos de uma época ou da própria escritora. Ela é uma escritora sem meio termo. Por isso, não gosto da visão “boa menina sofredora” que construíram para ela no filme “As Horas”.

Tal como eu olho o mundo, penso em Virginia como uma menina cruel gosta de chocar com suas crenças, achismos e verdades. Sempre que é posta em xeque por amigos ou desconhecidos. Se paga um preço? Se paga. Mas quem se importa? É divertido oras!

Ela não é linear, a meu ver. E isso me encanta. O estilo dela faz com que sua escrita seja quase um passeio por ruas “espantosas”. Ela não é para um leitor comum. Acho que para ler Virginia é preciso ser um pouco Virginia. E isso pode ser apaixonante para uns ou simplesmente detestável para outros.

3-    Os Trechos



“A casa é iluminada e espaçosa;
mas é um lugar silencioso,
que demanda muita imaginação
para que se possa vê-lo com vida novamente.”
(Virginia Woolf, in “A Casa de Carlyle e Outros Esboços”)

No primeiro esboço encontramos uma Virginia mergulhada nos próprios pensamentos. O relato é de fevereiro de 1909 quando Virginia ainda solteira  visita os Carlyle. E embora seja a terceira vez ela descreve como se tudo fosse uma grande novidade.


“Quando está em silêncio, pensa –
seus  olhos se fixam em um ponto”
(Virginia Woolf, in “A Casa de Carlyle e Outros Esboços”)


O segundo esboço chama-se “Miss Reeves” e é referência a Amber Reeves figura conhecida politicamente entre os estudantes de Cambridge. Uma mulher sedutora a quem Woolf compara a uma serpente. Mostrando seu lado malicioso com as palavras quando se refere aos seres humanos.

“Eles desejavam a verdade,
e tinham dúvidas se uma podia dizê-la ou encarná-la.
Achei isso corajoso da parte deles; mas insensível.”
(Virginia Woolf, in “A Casa de Carlyle e Outros Esboços”)

O terceiro esboço de título “Cambridge” é uma narrativa um tanto quanto irônica, a meu ver. Quando ela analisa outra ocasião onde se sentira excluída do grupo que agora a cercavam admirados.

“Mulheres que trabalharam, mas não se casaram,
vêm a ter uma aparência peculiar; requinte, sem sexo;
evidente, com uma tendência para a austeridade.”
(Virginia Woolf, in “A Casa de Carlyle e Outros Esboços”)

O quarto esboço fala do encontro entre Virginia e Janet Case – grande amiga de Woolf. O mais suave dos sete esboços do livro.

“Muito se lê e ouve falar a respeito dos grandes salões franceses;
e são sempre declarados extintos como dodôs,
embora o que seja esta coisa que está extinta,
isto não sei.”
(Virginia Woolf, in “A Casa de Carlyle e Outros Esboços)

O quinto esboço é o fechamento da conferência dos “Old Bloomsbury” onde Virginia relembra. Uma Lady Ottaline com quem ela costumava falar sobre sua tristeza. São trechos caprichosa e carinhosamente descritivos sobre a amiga.

4-    Conclusão


Ainda há mais dois esboços antes do livro chegar ao fim tão simples quanto começou. Só que agora estou preenchida de lembranças especiais dessa escritora que, na minha opinião é maravilhosamente elegante, ferina e louca. 
(Waleska Zibetti, in "A Casa de Carlyle e Outros Esboços (Virginia Woolf)"

segunda-feira, 23 de março de 2015

Os males da convivência


Exupéry nos traz uma lição que volta e meia compartilhamos: "aqueles que passam não passam sozinhos: deixam um pouco de si e levam um pouco de nós". Esta premissa persegue minha "primeira pessoa" desde a gênese. 
Com a família, aprendi que as diferenças podem amar-se e conviver harmonicamente, desde que entendamos que o outro existe tem autonomia. 
E nós também.
Na escola, espaço de treinamento para a vida social, compreendi que os amigos são irmãos que moram em casas diferentes, e esta irmandade é construída entre uma implicância, uma borracha emprestada ou um lanche partilhado. 
Crescemos, construímos uma identidade a partir de um "mosaico", formado por coisas que gostamos, experiências vivenciadas, e pessoas que passam por nosso caminho. Na adolescência, encontrei campo para a expansão da minha rebeldia. 
Skate, hip-hop, amigos, goles de filosofia e poesia pareciam dizer tudo que meu coração sentia e não encontrava tradução. Veio a idade adulta e a menina rebelde não desgruda do corpo voluptuoso. Textos, reuniões, conversas e mais imersões. 
Dessa maneira nunca estaremos completos, e é bom que seja assim. Caso contrário, perdemos a vontade de conviver, continuar a caminhar, e a beleza de ver o outro "enfeitado" com nossos trejeitos, palavras do nosso vocabulário, menções e lembranças depois de ver / ler /ouvir algo que faça lembrar de gente. 
É gostoso e quando isso acontece, espontaneamente é claro, percebemos que deixamos no outro um pouquinho de nós.

quinta-feira, 19 de março de 2015

O Menino do Dedo Verde (Maurice Druon)



Depois de algumas leituras mais intensas como Charles Bukowski, por exemplo, deixei-me repousar suavemente na minha criança, lendo “O Menino do Dedo Verde”. Está preparado para vir comigo? Tomara que sim. Detesto viajar sozinha.

Dados Bibliográficos do Autor

Maurice Druon, nasceu em 23 de abril de 1918, em Paris. Participou ativamente da luta antinazista em 1940, com o tio também escritor Joseph Kessel em 1943 – compõe a letra do canto Les Partisans, ainda hoje ouvida com grande emoção pelo povo Francês. Em 1953 a Comédie Française encena a sua peça Um Voyageur. Fica bastante conhecido por seus recitais históricos, que sempre alcançam vasta audiência.
Maurice Druon tem a sua obra marcada pela violência e vigor característicos de sua vida pessoal, onde o choque das armas e o trágico das paixões contam uma fase importante na literatura francesa contemporânea.

Capítulo Primeiro

“... Mas as pessoas grandes,
que não compreendem os protestos dos recém-nascidos
e teimam em sustentar suas ideias pré-fabricadas”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Sempre me surpreendo com crianças e suas perguntas que não aceitam “porque sim” ou “porque não” como respostas. O que elas não sabem é que gente grande também não tiveram respostas quando crianças. Então, repetimos os “porquês” que recebemos na maioria das vezes. Embora, eu confesso, de vez em quando invento meus próprios “porquês” e, acreditem, eles são bem mais divertidos.

“Isto prova simplesmente que as ideias pré-fabricadas
são ideias mal fabricadas. (...)
Se só viemos ao mundo para ser um dia gente grande,
 logo as ideias pré-fabricadas
se alojam facilmente em nossa cabeça. (...)
Mas, quando a gente veio à terra
com determinada missão (...).
As ideias pré-fabricadas,
que os outros manejam tão bem,
recusam-se a ficar em nossa cabeça (...)
Causamos assim muitas surpresas.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Quanto mais amadurecemos mais crescem nossas dúvidas. Amadurecimento está diretamente ligado ao questionar-se. E tal que podemos ter no fim, são conceitos que anulam conceitos anteriores, não há ponto final. Numa vida bem vivida só cabe reticências


Capítulo Cinco

“A preocupação de uma ideia triste
que nos comprime a cabeça ao despertar
e permanece ali o dia todo.
A preocupação se serve de qualquer meio
 para penetrar nos quartos;
ela se insinua como o vento no meio das folhas,
monta a cavalo na voz dos pássaros,
desliza pelos fios da campainha.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

A preocupação, para mim, é um bichinho que chega na madrugada quando tudo é silêncio. Ela chega, se enfia nos meus travesseiros e não me deixa dormir com um zumzumzum danado que arruma em minha cabeça. Aí me levanto para não pensar mais no barulho, me sento e ficando olhando pelas frestas o céu ora estrelado ora negro ora chuvoso... E olhando o céu vivo petica e nem vejo quando a preocupação vai embora rua a fora. 

“A vida, afinal, é a melhor escola que existe.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Experimentar. Esse é o verbo que rege minha vida. Eu quero sentir tudo que posso. E cada vez que a vida me oferece algo novo, ainda que eu me assuste, eu prov. Na vida é preciso coragem para agir. Disse outro dia alguém que ninguém pode andar por aí arrastando o passado como se estivesse preso a perna. É preciso entender que o passado é referência e o futuro é planejamento. A vida acontece no presente; segunda a segunda em 24 horas de oportunidades.

Capítulo Seis

“... Os talentos ocultos, em geral, trazem aborrecimentos.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Qual é seu dom? Já se perguntou isso? Qual é o seu porque nesse mundo? Eu associo muito dom com nossa razão no mundo. Acho que o meu é levar alguns a refletir sobre si através das minhas próprias reflexões sobre mim. Eu resumo, minha função ou dom é sentir, e escrever meus sentimentos. E você?

Capítulo Sete

“Sem ordem, uma cidade, um país, uma sociedade
não passam de um sopro e não podem sobreviver.
A ordem é uma coisa indispensável.
E, para manter a ordem,
é preciso punir a desordem!”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E quando a desordem é por dentro? Então, tudo vira um horror. É preciso que os sentimentos estejam todos alinhados para que nosso interior esteja bem. Mas, as vezes, um ou outro sentimento cisma de sair do lugar. E aí a gente chora, a gente sofre, a gente de despedaça... Numa prisão onde pôr os sentimentos que se rebelam. E o que se pode fazer? Para mim, resta a poesia. Sentar e chorar meus versos, meus contos, que alguém lerá e nem imaginará que se trata do fruto de uma punição ou do fruto da cura de uma dor.

“’É preciso vigiar de perto esse menino;
ele  pensa demais!”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Pensar é, entre todas as ações, a mais perigosa para os ditadores e para os obedientes. Porque pensar nos leva além de onde nos querem. Quem pensa não aceita tudo sem saber o real porquê. Quem pensa adapta ideias ao invés de simplesmente repeti-las. Quem pensa é livre e lutará pela própria liberdade como um desesperado; porque sabe que é em liberdade que todo ser deve viver.


Capítulo Nove

“As pessoas grandes tem a mania de querer,
a  qualquer preço, explicar o inexplicável.
Ficam irritadas com tudo que as surpreende.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E esses conceitos tiram o brilho das coisas porque as generalizam. As pessoas conceituam, minimizam, maximizam, fragmentam, rotulam. Se não houver um conceito há quem não durma. O pior é que quando isso envolve gente que não cabe em nenhum rótulo eles banalizam chamando de “loucos” e os colocam de lado que é mais fácil que encarar suas frustrações.

“Quando a gente está feliz,
sente  vontade de dizê-lo
e  até mesmo de gritá-lo.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Sou da filosofia de que gente feliz não enche o saco. Então, costumo desejar sempre o melhor a  todos que me cercam. Mas acho que felicidade varia de pessoa para pessoa. Eu geralmente fico feliz quando tenho livro novo ou quando as coisas estão bem para meus filhos. O que é felicidade para você?

“As flores não deixam o mal ir adiante.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Nunca liguei para ter um jardim. Mas de uns dois anos para cá comecei um pequeno espaço com plantas. Nem é um jardim. É só um cantinho verde com pimenteiras, avenca, renda portuguesa, coqueirinho... Um pedaço onde me sento e sinto a paz fluir. Concordo plenamente com o autor: as flores são um escudo contra o mal.

Capítulo Dez

“A gente se habitua a tudo,
mesmo às coisas mais estranhas.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Foi estranho amanhecer sem a voz do meu pai quando ele se separou de minha mãe. Anos depois, foi estranho amanhecer sozinha quando eu me separei. Foi estranho entender que aquela mulher não era minha mãe de verdade. E foi estranho chamar pelo nome a mulher que era. A vida é composta de estranhamentos. E ceiam feliz a mesa aqueles que sobrevivem a eles.

“__ As favelas são um flagelo. – declarou ele.
__ E o que é um flagelo? – perguntou Tistu.
__ Um flagelo é uma desgraça grande
que atinge muita gente ao mesmo tempo.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

O país onde moro é uma grande favela. Quem não é flagelado socialmente; é favelado moralmente.  O meu país maltrata seu povo negando-lhes valores. Ah, se eu fosse como Tistu! Fecundaria a terra com frutas, flores, legumes e verduras. Porque nós pobres flagelados merecíamos ter de tudo nesse país em que se plantando tudo dá.

“__ Mas por que toda essa gente
 mora em casinha de coelho? – perguntou de repente.
__ Porque não possuem outra casa, é claro. Isso
é uma pergunta idiota – respondeu o Sr. Trovões”
__ E por que é que eles não têm outra casa?
__ Porque não têm trabalho.
__ E por que é que eles não têm trabalho?
__ Por que não têm sorte.
__ Então, quer dizer que eles não têm coisa alguma?
__Sim, e miséria é isso.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Isto... Isto que nos negam. Isto que nos privam. Isto que nos escondem. Miséria é este vazio no estômago, no bolso, no coração, na alma... Miséria é não ter mais esperança de ser. Miséria é isto! Isto tudo que adoece a humanidade nos lares, nos becos, nas esquinas prostituídas. Miséria sou eu que escrevo segura em minha sala e você que lê seguro na sua. Miséria é o que nos espreita no canto da janela. É isto! E isto tudo é miséria!

“Os sentimentos generosos
privam-no do senso da realidade.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Tal como quando alguém diz “te amo!” ingênua e docemente transportamo-nos até o tempo onde o sonho é possível. “Eu te amo!” tira o raciocínio lógico e põe emoção no lugar. E porque será que alguns insistem em dizer que amam se não amam? Ah, Tistu, a tal ordem não existe mesmo.

Capítulo Onze

“__ Para a gente saber se é infeliz,
é  preciso primeiro ter sido feliz.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E o contrário também é válido! Os opostos fazem isso: são para lembrar que o outro lado existe. E vendo assim a tristeza não é tão triste, nem a doença é tão dolorida... É só lembrar que seremos felizes ou  saudáveis amanhã.

“__ É que para cuidar direito dos homens
é  preciso amá-los bastante.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E o médico de todos os médicos que conheço é Jesus. Nunca vi um amor que cura como o dEle. Ele, para mim, é a esperança de que amanhã pode ser melhor., é a força para esperar esse amanhã. Ele me ama e me cura, não importando-se com quantas vezes eu me ferir.

Capítulo Doze
“Aliás é sempre perigoso zangar-se
com aquilo que não se compreende.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Quantos gritos foram ouvidos e quantas portas foram batidas? Tudo porque alguém não conseguiu entender. Quanta gente saiu chorando e quanta gente ficou sozinha? Só porque um não quis escutar. Tudo podia ser diferente se todos tivessem um pouco de boa vontade para fazer ser.

Capítulo Catorze
“Quando os grandes falam em voz alta
as crianças não ouvem.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Nem os pequenos nem os grandes! Os gritos só tornam mais distantes os corações e os ouvidos.

“Numa guerra, todo mundo perde alguma coisa.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E ainda há os que insistem em armas ao invés de amor. Meu estado vive uma guerra triste não há quem perca mais ou menos. Porque estão todos perdendo a fé e a noção de fraternidade. Pais e mães choram todos os dias pelos filhos perdidos. Esposas e maridos lamentam seus amores enterrados. Flores ficam tristes por enfeitarem sepulturas. Pobrezinho do meu Rio de Janeiro tão cheio de guerra.

Capítulo Dezoito

“O Sr. Papai era bom como já disse.
Era bom e era negociante de canhões.
À primeira vista, isso não parece compatível.
Adorava seu filho e fabricava armas
para levar a orfandade os filhos dos outros.
Isso acontece mais do que se pensa.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

O que corrói o mundo são os homens que o habitam. E pensando assim fica mais fácil gostar dos animais, das flores, dos elementos... O homem, na sua maioria, só faz o que é bom para si e ainda acham justificavas para isso. Pouca importa o que causará ao outro se tal estiver perfeito para ele. E o egoísmo destrói o mundo.

“As mães se julgam sempre um pouco culpadas
quando os filhos perturbam
a vida das pessoas grandes
e correm o risco de sofrer as consequências.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Desde que nos tornamos mães, entramos numa espécie de comunhão com a terra e passamos a ser mãe de todos. Que o mundo seja bom pelo ventre de todas as mães!

Capítulo Dezenove

“Pois fiquem sabendo
que nunca conhecemos ninguém completamente.
Nossos melhores amigos reservam sempre surpresas.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Acho muito divertido quando alguém diz que conhece bem alguém. Geralmente quem diz isso não conhece nem a si. Somos criaturas em constantes mudanças, porque estamos em constante aprendizado. Quem sou eu? Será sempre o maior enigma que terei que desvendar enquanto eu viver. E não é diferente com você que me lê agora.

“As pessoas grandes não querem chorar,
e fazem mal, porque as lágrimas
gelam dentro delas, e o coração fica duro.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Será que eu sou assim tão frágil, porque me permito chorar? Se assim for, meu coração é como asas de borboleta e isso explicaria bem minha paixão por elas.

“Mas a morte zomba dos enigmas.
Ela é o que os propõe.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

A morte... Tenho pensado e falado muito dela. Ela sempre me atraiu sempre me fascinou. Não de uma maneira mórbida, mas como encantamento e respeito. Minha única direção. Minha única certeza.

Conclusão

O livro segue um pouco antes do grande desfecho. Mas não vou contá-lo, é claro! Você terá que ler a surpresa final. Tudo que posso dizer é que minha criança interior ficou tão feliz que saiu pelos meus mundos interiores a correr e cantar. Acho que ela foi procurar Tistu. E acho que eles aprontarão muito por aí.


Beijos e até breve!

domingo, 15 de março de 2015

O desafio do (re)começo


Na minha humilde opinião, o mais difícil não é começar, e sim o recomeçar. A sensação de criar algo novo, a partir do que já existe (ou sobrou de) assusta e apavora, contudo não intimida. É preciso um desprendimento sobrenatural para refazer, balizar, avaliar as tais perdas e danos, e pensar se é mais proveitoso desfazer-se e buscar algo novo ou recuperar o que ainda persiste.
Se o "velho" não tivesse importância, não existiriam restauradores que, meticulosamente, detêm-se ao menor detalhe de uma obra de arte ou peça histórica. E o que seria da Memória? Certamente não existiria.
Se o que é imaterial (sentimentos, paixões, pensamentos e tudo que é produzido pela mente) não tivesse valor, os poetas, compositores, que tanto se alimentam e fazem de tudo isto matéria-prima, viveriam no ostracismo e relegados à loucura de uma existência volúvel, num mundo eminentemente material.
E assim vamos pela vida. Seguindo nesta missão ora conferida pela Vida: apagar o ponto final, aplicar uma pausa e dar o primeiro passo. Como diria Chico Science : "Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar". Ou como diz o Poeta cantador Siba : "Toda vez que eu dou um passo, o mundo sai do lugar".
E desce mais uma.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Fuga Lírica


O que aconteceu com você?

Vejo suas fotos e não te reconheço mais

Onde está aquele sorriso lindo?

Aquela voz estridente que tomava a sala, o quarto

Seus discursos calorosos, onde estão?

Luna, menina negra, cara de lua

cheia de fases e subterfúgios

Sua falta é quase um absurdo

Vivo num silêncio horrível depois que você se foi

Estou entre letras que leio e não compreendo

Entre pessoas desconhecidas,

Neste quarto opaco, vazio

Ninguém me aguenta mais

Ando sujo, mau humorado, cansado,

Sentado na sarjeta à sua espera

Choroso toda vez que falam de você

Ou vejo seu retrato na parede

Luna, traga teu afeto,

A doce inspiração que sinto em cada nota do seu perfume

Em cada detalhe, pose, suspiro

Volta, nem que seja para dizer

"Também estava com saudades"

domingo, 8 de março de 2015

Ansiedade


Os dias passam devagar

As horas arrastam-se, e eu fico mais impaciente

Já fui a festas, celebrei 300 aniversários, 20 despedidas e 10 regressos

E nada de você chegar

Mandei fazer vatapá, cocada, comprei cachaça, botei toalha de linho na mesa

Rede na varanda, engomei meu vestido branco, chinelos no canto direito da porta.

Só de teimosia, sorrio, brinco, faço cantigas, trovas e rimas
Teço fios de lã, poesia e canção

As lágrimas, a ansiedade, os medos escondi na gaveta embaixo da cama

Para que lá se percam, do tempo, dos meus olhos, da minha alma.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Waleska no País das Maravilhas


No dia 27 de setembro de 2011, dei a mim um grande presente o livro original de Lewis Carroll com as duas histórias “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas” & “Através do Espelho e o Que Alice Encontrou Por Lá”.

Leio e penso em Alice desde meus 15 anos, mas sempre em trechos, pedacinhos, leitura de outros críticos, remontagens... Quando comprei esse livro senti que começava a habitar o mundo onde viverei quando finalmente puder me libertar dessa forma humana para ser novamente o gato de Cheshire.



Capítulos

1-     Pela Toca do Coelho

“e de que serve um livro”, pensou Alice,
 “sem figuras nem diálogos?”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Um livro são idéias impressas em letras. Mas concordo com Alice: seria tão bom, algumas vezes, ver entre os sentimentos descritos corações para indicar amor ou nuvenzinhas cinza para indicar raiva, por exemplo.

“Como vai ser engraçado sair no meio daquela gente
que anda de cabeça para baixo!
Os antipatias, acho...?”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

A antipatia é o avesso do que se espera do comportamento humano. Nascemos para sermos irmãos, para que nos comprometêssemos uns com os outros. O estranhamento de Alice é pertinente e consciente.

“imagine fazer mesura quando se está despencando no ar!
Você acha que conseguiria?”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

A vida nos põe em xeque e nos pedem calma, entendimento, enfim. Quem consegue lucidez no meio do caos? Aqui começamos a ver Alice mergulhar em seu inconsciente.

“como não sabia responder a nenhuma das perguntas
o jeito como as fazia  não tinha muita importância.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Há momentos que precisamos de respostas as nossas questões pessoais. Mas é preciso ter consciência de que nem sempre elas são possíveis. Não é conformismo nos aquietarmos diante da ausência de resposta. E só o momento de esperar o momento em que a maturidade trará as resposta para nós.


“Havia portas ao redor do salão inteiro,
Mas estavam todas trancadas;
depois de percorrer todo um lado e voltar pelo outro,
experimentando cada porta, caminhou desolada até o meio,
pensando em como haveria de sair dali.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)


Portas são possibilidades. Se fechadas queremos abri-las. Se abertas queremos descobri-las. O homem é um ser curioso e desvendar o novo que há por trás das portas é sempre uma tentação.

“topou com uma mesinha(...)
sobre ela(...) uma minúscula chave de ouro,
e a primeira idéia de Alice foi que devia pertencer
a uma das portas do salão;
mas (...) ou as fechaduras eram grandes demais,
ou a chave era pequena demais, (...) não abria nenhuma delas.
No entanto, na segunda rodada, deu com uma cortina baixa
que não havia notado antes; atrás dela tinha uma portinha (...)
experimentou a chavezinha de ouro, que, para sua alegria, serviu!”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)


Andamos tão preocupados com o óbvio que deixamos passar os detalhes. É estranho mais é sempre no detalhe que se esconde as grandes soluções.

“Pois, vejam bem, havia acontecido tanta coisa esquisita ultimamente
que Alice tinha começado a pensar
que raríssimas coisas eram realmente impossíveis.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Quando decidimos nos permitir, nos arriscar no jogo da vida, a vida se torna um grande parque de diversões. Tal é possível, se acreditarmos nas possibilidades. Nesse trecho o inconsciente de Alice começa a se adequar aos obstáculos do consciente.

“...lera muitas historinhas (...) sobre crianças que tinham (...)
sido comidas (...) e outras coisas desagradáveis ,
tudo porque não se lembravam das regrinhas simples
que seus amigos lhe haviam ensinado...”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Arriscar-se é uma necessidade para quem quer viver. Contudo, é preciso levar a prudência como companhia.

“se você bebe muito de uma garrafa em que está escrito “veneno”,
é quase certo que vai se sentir mal,
mais cedo ou mais tarde.
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Somos responsáveis por nossos atos e eles são responsáveis por nós. O que representaremos aos que nos seguirão é fruto de nossa responsabilidade.  Para onde conduzirei os que me admiram?

“...tentou imaginar como é a chama de uma vela
depois que ela se apaga, pois não conseguia se lembrar
de jamais ter visto tal coisa.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)
~
Somos velas. Brilharemos por um tempo, seremos a luz que guia em certos momentos. Mas um dia tudo passará. Apagaremos. Acabaremos.

“Em geral dava conselhos muito bons para si mesma
(embora raramente os seguisse).”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Porque temos mania de achar que as pessoas devem seguir o que dizemos se nós mesmos não ouvimos nossos corações?

“...de uma maneira ou de outra vou conseguir chegar ao jardim;
para mim tanto faz.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Meta. É importante ter uma meta para seguir na vida. A meta, o alvo, o ponto onde queremos chegar... Uma vez que tenhamos conhecimento disso resta-nos tomar coragem de ir.

“...tinha se acostumado tanto a esperar
só coisas esquisitas acontecerem
que lhe parecia muito sem graça e  maçante
que a vida seguisse de maneira habitual.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Quem aprendeu a ir, a permitir-se depois de ter traçado a meta, verá que a vida é mais que respirar, comer, beber... Mais que planejar, caminhar... A vida é tudo isso, mas é também a coragem, a vontade, o vencer-se.

2-    A Lagoa de Lágrimas

“Vou estar longe demais para me incomodar com você:
Arranjem-se como puderem... Mas preciso ser gentil com eles.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Com o tempo descobrimos que cada um carrega seus próprios problemas, cada um é dono do seu próprio caminhar. Podemos participar desse caminhar, mas cada um escolhe o próprio percurso.

“Ai, ai! Como tudo está esquisito hoje! E ontem as coisas aconteciam
Exatamente como de costume. Será que fui trocada durante a noite?
Deixe-me pensar: eu era a mesma quando me levantei esta manhã?
Tenho uma ligeira lembrança de que me senti um bocadinho diferente.
Mas, se não sou a mesma, a próxima pergunta é:
‘Afinal de contas quem sou eu?’ Ah, este é o grande enigma!”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

O ser humano evolui a cada segundo ainda que não veja. A mulher que sou hoje é outra da que fui ontem. O que vivi no dia de ontem por mais banal ou profundo que seja certamente transformou-me. E quem somos nós? É uma questão realmente difícil de responder. Se nós mudamos a cada minuto quem pode realmente definir-se. Somos um amontoado de “agoras”. Cada um desses “agora” modificando e sendo modificado pelo “agora” seguinte.

“Além disso, ela é ela, e eu sou eu, é...
ai, ai, que confusão é isto tudo.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

O reconhecimento de que cada ser é único. E que cada único ser influencia o outro de alguma forma. Positiva ou negativamente. É importante selecionar com quem se anda para não se contaminar com as impossibilidades do outro.

“Não vai adiantar nada eles encostarem suas cabeças no chão e pedirem
‘Volte para cá, querida!’ Vou simplesmente olhar para cima e dizer
‘Então  quem sou eu? Primeiro me digam;
aí, se eu gostar de ser essa pessoa, eu subo;
se não, fico aqui embaixo até ser uma outra pessoa.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Ficar só e questionar-se. Admitir erros e defeitos. Tomar posses de seus acertos e virtudes. Reconhecer-se é um dever nosso! Não adianta esperar do outro. Você é o que você faz de si.

“...queria muito que encostassem a cabeça no chão!
Estou tão cansada de ficar assim sozinha aqui.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Contudo, nenhum homem é um ser isolado. Devemos ser indivíduos e não individuais. Assumir que somos únicos, mas não pensar que somos exclusivos. O meio nos afeta e nós afetamos o meio. Nem sempre é fácil identificar o que nos faz mal. E menos ainda é fácil livrar-se dessas coisas. É preciso estar atento as dependências.

“’Foi por um triz!’ disse Alice,
bastante apavorada com a mudança repentina,
mas muito satisfeita por ainda estar existindo.
‘E agora, para o jardim!’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Por mais que o novo assuste, ele é o caminho para evolução.

“’Gostaria de não ter chorado tanto!’
(...)
‘Parece que vou ser castigada por isso agora,
afogando-me nas minhas próprias lágrimas.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

O choro faz parte da evolução e mulheres tendem a externar emoções com lágrimas. Os homens, infelizmente, são educados para não fazê-lo. Mas é preciso cuidar para que a lágrima não nos impeça de continuar. Passar a vida com os olhos lacrimejantes é perder o tempo da superação.

“’Não gostar de gatos!’
gritou o camundongo com uma voz estridente, exaltada.
‘Você gostaria, se fosse eu?’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Cada indivíduo é único em suas experiências. O que é bom para mim pode não ser para o outro.

“’Vamos para a margem. Lá eu lhe contarei minha história
e você vai compreender porque odeio gatos e cachorros.’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Tomar consciência da história do outro antes de julgar-lhes as ações, aproxima-nos do outro enquanto sujeitos falhos que também somos.

3-    Uma Corrida em Comitê e uma História Comprida
“’Sou mais velho que você e devo saber mais’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

O saber nada tem a ver com a idade. O conhecimento e a experiência vêm com o viver. Estar aberto a isso é deixar a porta aberta para um leque de possibilidades e oportunidades.

“’Achando o quê?’ indagou o Pato.
‘Achando isso’, respondeu o Camundongo, bastante irritado.
‘Suponho que saiba o que ‘isso’ significa’
‘Sei muito bem o que ‘isso’ significa quando eu acho uma coisa’,
 disse o Pato. ‘Em geral é uma rã ou uma minhoca.
A questão é: o que foi que o arcebispo achou?’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

As experiências vividas podem fazer com que vivamos um eterno “achismo”. E o pior deles é o que nos faz crer que o outro SEMPRE entenderá nossos atos. Se quiser uma resposta aos seus atos, diga-os claramente. Esperar a compreensão do outro sem nada dizer pode gerar frustrações.

“...começara a correr quando bem entenderam
e pararam também quando bem entenderam,
de modo que não foi fácil saber quando a corrida havia terminado
(...)
‘A corrida terminou!’ e todos se juntaram em torno dele,
perguntando esbaforidos: ‘Mas quem ganhou?’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Cada um por si, não é o melhor caminho. Por mais que pareça estranho é a união o menor caminho entre o homem e a meta.

“Alice não tinha a menor idéia do que fazer e,
no seu desespero, enfiou a mão no bolso, tirou uma caixinha de confeitos
(...)
e distribuiu-os como prêmios. Havia exatamente um para cada um.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Sempre teremos algo para ofertar a alguém. Alguma coisa, por menor que nos pareça, pode ser algo importantíssimo no aprendizado do outro. Doar, compartilhar, essas são também atitudes evolutivas.

“Depois veio a hora de comer os confeitos
isso provocou algum barulho e confusão,
com as aves grandes se queixando de que não conseguiam
sentir o gosto dos seus,
e as menores engasgando e tendo que levar palmadas nas costas.
Mas finalmente tudo terminou. ’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Nem sempre nossas experiências serão de fácil ‘digestão’. O estranhamento surge da ‘inexperiência’ do outro. É preciso ter calma e tudo se ajeita.

“Sob pretextos variados, todos se afastaram
e Alice logo se viu só.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Preserve suas experiências e só as divida quando realmente forem necessárias. Mas antes escolha bem as palavras. Algumas situações podem assustar os menos preparados.

4-    Bill Paga o Pato


“’Ora essa, Mary Ann, que está fazendo aqui?
Corra já até em casa e me traga um par de luvas e um leque!
Rápido, vá!”
 (Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Não devemos permitir que as pessoas joguem em nós suas urgências ou depositem em nós seus sonhos, frustrações ou expectativas. Somos um ponto de contato na vida do outro. Compartilhamos, mas não devemos nos colocar como referência. Isso é o mesmo que assumir a responsabilidade e o comprometimento de não errar, não falhar. Essa atitude é perigosa para quem segue e para quem pretende ser seguido.

“‘Como parece esquisito’, disse Alice consigo mesma,
‘receber incumbências de um coelho!
Logo, logo a Dinah vai estar me dando ordens! ’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Aceitar sem questionamento que os outros atuem em nossas vidas como bem entenderem, é abrir mão do discernimento e do seu direito de pensar. Ordens só são pertinentes em casos de relação trabalhista. Até a criança deve ser levada a pensar se a sua atitude é certa ou errada. Castração do pensar não é um bom caminho para educação.

“...bateu o olho numa garrafinha pousada junto do espelho.
Desta vez não havia nenhum rótulo com a palavra ‘BEBA-ME’,
 mas mesmo assim ela a desarrolhou e levou aos lábios.
‘Sei que alguma coisa interessante sempre acontece’, pensou,
‘cada vez que como ou tomo qualquer coisa;
 então vou só ver o que é que esta garrafa faz.
Espero que me faça crescer de novo,
 porque estou realmente cansada de ser esta coisinha tão pequenininha.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Tudo que absorvemos pela vida, nossa ou de outro, tudo que lemos que ouvimos que aprendemos deve ser usado na nossa evolução. Tudo é uma lição. Como disse Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.

 “Pousou a garrafa rápido, dizendo para si:
‘É mais do que o bastante... Espero não crescer ainda mais...
Do jeito que está,  já não passo pela porta... Não devia ter bebido tanto!’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Mas é preciso ter cuidado para não somatizar os questionamentos, anseios, frustrações, desejos... do outro. É preciso não se esquecer que somos seres únicos e como tais, devemos viver nosso próprio trajeto.

“‘Agora não posso fazer mais nada,
aconteça o que acontecer:
 O que vai ser de mim? ’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Para cada ação uma reação. Para cada pergunta uma resposta. Para cada erro um preço. Tudo na vida é assim. Pensar é a maneira de pagar menos.

“‘...mas sou grande agora, acrescentou num tom pesaroso.
‘Pelo menos aqui não há mais espaço para crescer mais.’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Se a infelicidade começar a ser uma constante em sua trajetória, é chegado, então, o momento de mudar a história. Indagar-se, ir além, olhar para o que vai além da janela... Se o seu mundo está pequeno para você, amplie-o.

“‘Mas nesse caso’, pensou Alice,
‘será que nunca vou ficar mais velha do que sou agora?
Não deixa de ser um consolo... nunca ficar uma velha...
mas por outro lado... sempre ter lições para estudar!
 Oh! Eu não iria gostar disso! ’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Amadurecimento não é sinônimo de velhice. Amadurecer está intrinsecamente ligado ao ato de evoluir. E aprender faz parte desse amadurecer. Só amadurece quem está disposto a aprender.

“Alice sabia que era o Coelho à sua procura,
e tremeu até fazer a casa sacudir,
completamente esquecida de que agora era umas mil vezes maior
do que o Coelho e não tinha razão alguma para temê-lo.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Ser maior que o outro em tamanho e força, não te deixa no comando de nenhuma situação. Agora se a força vier da sabedoria, você se tornará um gigante diante de seus inimigos e não haverá guerra que você não possa vencer.

“Um enorme filhote de cachorro
olhava para ela com seus olhos redondos e graúdos,
esticando debilmente uma pata, tentando tocá-la.
‘Pobre bichinho! ’ disse Alice, com carinho,
 e fez um grande esforço para assobiar para ele;
mas o tempo todo estava se sentindo terrivelmente amedrontada
com a idéia de que ele podia estar com fome,
caso em que muito provavelmente iria comê-la,
apesar de todos os seus afagos.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Os medos, as mágoas, os sofrimentos de nossas vidas podem nos deixar receosos na hora de ofertar carinhos, amparo, amizade. É preciso entender que apesar da dor, que a fé no outro pode gerar retorno e por essa fé que devemos continuar a viver.

“‘...Tinha quase me esquecido de que preciso crescer de novo!
Deixe-me ver... como posso conseguir  isso?
Suponho que teria que comer ou beber uma coisa ou outra;
mas a grande questão é: o quê?’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Escolher o que deve alimentar a nossa evolução é responsabilidade nossa. A vida não ensina. Simplesmente ela nos convida a viver. O que eu quero para mim? É a primeira pergunta a se fazer. Onde posso encontrar? É a segunda. Quem pode realmente me ajudar? É a última. Ninguém disse que é fácil. Só sabemos que é necessário.

“Havia perto dela um cogumelo grande, quase da sua altura;
depois de olhar embaixo dele, e dos dois lados, e atrás,
ocorreu-lhe que não seria má idéia espiar o que havia em cima dele.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)


Uma possibilidade só deve ser descartada quando está completamente esgotada.  E é nosso dever manter os olhos bem abertos as possibilidades que virão dessa primeira como a nova cabeça de uma Hidra. Na vida as coisas são assim: uma coisa brota de dentro da outra.

5-    Conselho de uma Lagarta

“‘Quem é você? ’ perguntou a Lagarta.
(...)
Alice respondeu meio encabulada:
‘Eu... eu mal sei, Sir, neste exato momento...
pelo menos sei quem eu era quando me levantei esta manhã,
mas acho que já passei por várias mudanças desde então.’
‘Que quer dizer com isso?’ esbravejou a Lagarta. ‘Explique-se!’
‘Receio não poder me explicar’, respondeu Alice,
‘porque não sou eu mesma, entende?’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

A única certeza sobre nós está no que fomos até o momento em que nos indagamos. No momento seguinte ainda que não tenha se movido uma folha, seremos alguém novo ou renovado pela consciência que nos traz a pergunta: Quem é você?
“‘Acho que primeiro você deveria me dizer quem é.’
‘Por quê?’ indagou a Lagarta.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Se não sabemos nos definir no sentido lato, porque sempre achamos que os outros podem? Não somos isto ou aquilo – Adoro isso! – somos amontoados de coisas – Essa idéia me fascina! – e os outros também são – Graças a Deus! – e eles carregam em si até mesmo um pedaço de nós. Incrível, não é?

“‘Oito centímetros é uma altura tão insignificante para se ter.
‘Pois é uma altura muito boa!’ disse a Lagarta encolerizada,
empinando-se enquanto falava
(tinha exatamente oito centímetros de altura).”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Cada um sabe o que esperar. Os ambiciosos querem sempre mais e assim estão sempre em busca de tudo que possa lhes ajudar na evolução. E isso é uma constante. Afinal, cada vez que nos aproximamos de uma verdade, uma nova aparece. Ou seja, a evolução é um espiral de crescer constante para os ambiciosos de si. Já os conformados tendem a estacionar. E se limitam ao que são achando trabalhoso demais ir além do ponto cômodo que se encontram.

“‘Como gostaria que as criaturas não se ofendessem tão facilmente! ’
‘Com o tempo você se acostuma’, disse a Lagarta. ”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Com o tempo entendemos que apesar da sinceridade ser o melhor caminho no trato com o outro; ela incomoda. Então, torna-se fundamental achar um ponto de equilíbrio entre o que deve ser dito e o modo de fazê-lo.

“‘E agora, qual é qual?’ perguntou-se,
e mordiscou uma ponta do pedaço da mão direita
para experimentar o efeito:
num instante sentiu uma pancada violenta sob o queixo:
ele batera no seu pé!”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Equilibrar-se é o passo mais difícil do evoluir! E essa busca é um trabalho constante.

“‘Cobra! ’ arrulhou a Pomba.
‘Não sou cobra!’ disse Alice, indignada. “Deixe-me em paz! ’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Evoluir é mudar tudo. É saber que mudança causa estranhamento no meio em que se vive.

“‘Ora essa! Você é o quê?’ perguntou a Pomba.
‘Aposto que está tentando inventar alguma coisa!’
‘Eu... eu sou uma menininha’, respondeu Alice
(...)
‘Realmente uma história muito plausível!’
disse a Pomba num tom do mais profundo desprezo.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

As pessoas carregam certezas e algumas se encerram dentro delas como se estas fossem verdades absolutas. Essas verdades acabam limitando-as em sua evolução. Nenhum passo além do estado de conforto em que se encontram. Não adianta argumentação para essas pessoas. Depois de algo enquadrado em A ou B, nada mudará suas opiniões.

“...chegou de repente a um lugar aberto,
com uma casinha de cercas de um metro e vinte centímetros de altura.
 ‘Seja lá quem more aqui”, pensou Alice,
‘não convém me aproximar dele com este tamanho;
que susto iriam levar! ’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Ao estabelecermos relações com alguém é preciso entender antes as experiências e opiniões dos outros. Levar em conta que cada ser é único e respeitar esse ser em todos os níveis. Não adianta tentar fazer valer a nossa vontade! O ideal para uma boa relação é que haja respeito de ambas as partes à individualidade do outro.

6-    Porco e Pimenta

“‘Como faço para entrar? ’  Alice perguntou de novo, mais alto.
‘Mas, afinal, você deve entrar?’ disse o Lacaio. ‘Esta á a primeira pergunta. ’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

As vezes queremos coisas que ou não estamos prontos para ter ou não somos merecedores. É muito comum também não estarmos preparados para receber o que pedimos. Pensar antes de pedir, pedir somente quando estivermos certo dos nossos desejos, desejar só o que realmente é importante. Importar-se somente com o que possa nos fazer felizes.

“‘Se cada um cuidasse da própria vida’,
 disse a Duquesa num resmungo rouco,
 ‘o mundo giraria bem mais depressa. ’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

As pessoas se escondem no defeito do outro para criar em si uma falsa idéia de perfeição. Olhar-se, descobrir-se, é parte da evolução. Não devemos nos esquecer de que todo ser humano é falho. E nós, fazemos parte dessa humanidade falha.

“‘Se tivesse crescido’, disse ela para si mesma,
‘teria sido uma criança horrorosa;
mas como porco é bem jeitozinho, eu acho. ’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Cada um é como é. E se nos aceitarmos dessa forma inevitável e intransferível de ser, passaremos aos outros nossa essência e toda beleza que há nela.

“‘Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui? ’
‘Depende bastante de para onde quer ir’, respondeu o Gato.
‘Não me importa muito para onde’, disse Alice.
‘Então não importa que caminho tome’, disse o Gato. ”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

O nosso caminho é feito por nós. Mas antes devemos escolher, qual será esse caminho. Ir por ir é passar em vão pela vida. É preciso ter uma meta e tentar alcançá-la da melhor maneira possível. Sem atalhos. Na vida é melhor evitá-los e caminhar pela estrada certa, atento ao redor é evoluir.

“‘Mas não quero me meter com gente louca’, Alice observou.
‘Oh! É inevitável’, disse o Gato; ‘somos todos loucos aqui.
 Eu sou louco. Você é louca.’
‘Como sabe que sou louca?’ perguntou Alice.
‘Só pode ser’, respondeu o Gato,
‘ou não teria vindo parar aqui. ’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

As pessoas não estão preparadas para aqueles que querem viver para si e procurando no outro só um ponto para a própria evolução. Essas pessoas que não têm medo de viver, eles chamam de loucas. Mas desconhecem que a verdadeira loucura está em abster-se do próprio “eu” para moldar-se ao “eu” do outro.

7-     Um Chá Maluco


 “‘Então deveria dizer o que pensa”, a Lebre de Março continuou.
‘Eu digo’, Alice respondeu apressadamente;
 ‘pelo menos... pelo menos eu penso o que digo...
é a mesma coisa, não?’
‘Nem de longe a mesma!’ disse o Chapeleiro.
“seria como dizer que ‘vejo o que como’
é a mesma coisa que ‘como o que vejo’!”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)
 
Pensar antes de falar é filtrar a ideia, o conceito. É evitar ferir. Mas ao mesmo tempo é camuflar a sinceridade das impressões com máscaras de civilidade. Esse comportamento pode cair na hipocrisia ou falsidade; dependendo de como fazemos uso dele.

“‘Se você conhecesse o Tempo tão bem quanto eu’,
disse o Chapeleiro, ‘falaria dele com mais respeito.’
‘Não sei o que quer dizer’, disse Alice.
‘Claro que não!’ desdenhou o Chapeleiro, jogando a cabeça trás.
‘Atrevo-me a dizer que você nunca chegou a falar com o Tempo!’
‘Talvez não’, respondeu Alice, cautelosa,
‘mas sei que tenho de bater o tempo quando estudo música.’
‘Ah! Isso explica tudo’, disse o Chapeleiro.
‘Ele não suporta apanhar. Mas, se você e ele vivessem em boa paz,
ele faria praticamente tudo o que você quisesse com o relógio.
Por exemplo, suponha que fossem nove horas da manhã,
hora de estudas as lições; bastaria um cochicho para o Tempo,
e o relógio giraria num piscar de olhos! Uma e meia, hora do almoço!’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Queremos tudo ao mesmo ao nosso tempo. É uma pena porque cada um de nós na própria urgência, vamos sofrendo com as coisas que não chegam. O tempo independe de nós. Somos nós que devemos nos adaptar a ele.

“‘Mas o que acontece quando chegam de novo ao começo? ’
 Alice se aventurou a perguntar.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

No começo? Recomece! A vida é isso: ciclos que se iniciam e fecham. Tudo com certo tom de rotina e nada velho ao mesmo tempo. Um dia com dias passados dentro. Mas com possibilidades mil por fora.

“‘... é muito fácil tomar mais do que nada. ’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Quando nos pré-disponibilizamos para as oportunidades há sempre algo que pode ser acrescido em nossas vidas. E quando estamos prontos para absorver a vida o nada é impossível.

8-    O Campo de Croqué da Rainha

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9-    A História da Tartaruga Falsa


“‘Você está pensando em alguma coisa, minha cara,
 e isso a faz esquecer de falar.’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Ninguém saberá de você, se você se esconde em pensamentos. É preciso se expor as vezes, para que o outro nos encontre. E, até mesmo, se encontre. Nossos pensamentos e indagações podem ser o ponto de partida para a solução das indagações do outro e vice e versa. Só a comunicação traz resoluções para as dúvidas.

“Disse a Duquesa. ‘Tudo tem uma moral,
 é questão de saber encontrá-la’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Preciso aprender a enxergar o propósito de tudo. Nenhuma experiência pode passar sem ser pensada e repensada para se tirar o melhor proveito.

 “‘Oh, é o amor, é o amor que faz o mundo girar’.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

O amor torna tudo mais suportável e compreensível. Penso que o amor é o remédio que cura a alma.

“‘Seja o que você parece ser’
‘Nunca imagine que você mesma não é outra coisa
senão o que poderia parecer a outros do que
o que você fosse ou poderia ter sido não fosse
 senão o que você tivesse sido teria parecido a eles
ser de outra maneira’.”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Alguém sempre nos esboça dentro de experiências próprias ou situações. Seremos para aqueles essa figura esboçada independente do que fizermos dali em diante. Tentar mudar propositadamente nossa imagem para ser mais ou melhor para alguém pode ser um desgaste enorme e inútil para nós mesmos. Somos o que somos. E só temos que ser melhores por nós.

 “‘Tenho o direito de pensar’”
(Lewis Carroll, in “As Aventuras de Alice No País das Maravilhas”)

Pensar, sim. Falar é que deve ser estudado, analisado, avaliado... Somos donos de nossos pensamentos e escravos de nossas palavras.

10- A Quadrilha da Lagosta


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11- Quem Roubou as Tortas?



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12- O Depoimento de Alice
“Por fim, imaginou como seria essa mesma irmãzinha
quando, no futuro, fosse uma mulher adulta;
[...]
... e como iria sofrer com todas as mágoas simples dessas crianças,
e encontrar prazer em todas as alegrias simples delas,
lembrando sua própria vida de criança,
e os dias felizes de verão.”

A mulher e a criança estarão sempre unidas, independente do que vier no futuro. A criança é o refúgio da mulher diante da dura realidade do mundo adulto. O lugar para onde voltar quando o sentido de viver se esgota. A criança é a fonte de energia da mulher que num mundo imaginário e particular pode crer e viver feliz.


Até breve! ♥

(Waleska Zibetti, in "Waleska no País das Maravilhas")