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sábado, 2 de maio de 2015

O LUTO - E.B

por Gabriella Gilmore

Ela acordou com o som de gritos de dor.
Não uma dor qualquer. Uma dor que ardia a alma.
Subiu as escadas apressada, achando que os gritos provia de alguma violência física.
Ainda desorientada com o susto daquele grito, ela entendeu que sua irmã perdia uma pessoa muito valiosa em sua vida.
Perdia uma ova.
Você não pode "perder" uma pessoa como se perde a chave de casa.
A cara da morte, como eu perguntava em um dos posts do Clube, não é bela e romântica para todo mundo.
Qual é o problema dela? Da morte? Qual é o seu problema, Sra Morte?
Na verdade, a pergunta é o inverso.
Qual é o nosso problema quanto a lidar com essa passagem?
O medo de um céu, de um inferno? O medo de não ter se despedido? O medo da pessoa ter ido embora decepcionada com você? Medo de ela ter sofrido uma dor antes de partir?
Qual é o nosso problema? Qual é o seu problema em compreender isso?
Nascemos sem saber nada. Podemos morrer ainda sem saber muita coisa. Porém, a morte, é uma certeza que qualquer ser vivo tem. ELE sabe. Por que não aceita?
Existe resposta e solução para tudo, até para a morte.
Medo de um céu e um inferno? Cuide de sua alma para que ela tenha um lugar aonde repousar.
Medo de não se despedir da pessoa querida? Cuide para que tenha todos os seus relacionamentos sadios, sem mágoas, sem decepções, para que nunca tenha o sentimento de "eu não tive a chance...".
Medo dela ter sofrido na passagem? Se você crê em um Deus bondoso, se você crê que a pessoa partindo era uma pessoa bondosa aos olhos do Pai, não se preocupe com isso. Não cabe a você.
Precisamos ter em mente que amar nunca é demais. Nunca troque o certo pelo duvidoso. O remorso é um sentimento que nos corroí aos poucos. Se você faz parte de alguém, seja realmente uma parte, e não uma metade vazia. Sim, metade vazia!
O mal do ser humano é que só sente depois que perde. Só se lembra quando não tem mais acesso. Só perdoa quando não possui mais a oportunidade de falar do perdão. Só sabe pedir. Nunca agradece.
"Então louve, simplesmente louve

Tá chorando, louve, precisando, louve
Tá sofrendo, louve, não importa, louve
Seu louvor invade o céu".

O agradecer aos céus não é uma prática somente do crente. É e deve ser uma prática do ser humano. Precisamos refletir sobre isso. Cultivar o sentimento de gratidão. Praticar o "polianismo". Chorar menos. Sorrir mais. E nunca esquecermos de que estamos aqui a passeio. Viva! Porque sobreviver cansa. Por isso VIVA!

E.B (R.I.P)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O Desembarque



“Então, é isso! 
exclamou de repente em voz alta. - 
Que alegria!”
(Liév Tosltoi, in "A Morte de Ivan Ilitch")

É hora de se despedir de Ivan. Nós desembarcamos aqui, enquanto o trem suavemente deixa a plataforma levado um Ivan mais leve e sem sofrimento. Consciente de que a passagem e todo o ritual de dolorosa expurgação eram necessários. Aceno adeus a um Ivan que ruma para o seu destino tranqüilo depois do reencontro consigo, depois de esgotar todas as suas dúvidas e de realmente enxergar-se.

Mas será que precisamos realmente passar por essa tortura física e psicológica para só no fim nos encararmos dentro de nossas reais condições humana? Acho que não! Se nos propusermos a passar um tempo dentro de nós a cada dia nos avaliando, creio que nós nos reorganizamos por não permitindo que nosso “eu” caia no caos de emoções tão normal diante das atribulações diárias.

Certa vez fui a uma exposição de Salvador Dalí e fiquei muito impressionada com uma estátua de um homem formado por gavetas. Se nós pensarmos em nós da mesma maneira que Dalí provavelmente pensou, veremos que somos mesmo “engavetados”. Feche um olho por um minuto e imagine se você não organiza os sentimentos assim “em gavetas”. Uma gaveta de obrigações, outra de prazeres, pessoas inesquecíveis, pessoas que não queremos mais ver, natais, invernos...

Às vezes, essas gavetas ficam meio reviradas porque na correria do dia-a-dia não temos tempo para organizá-las. Vamos só jogando tudo lá dentro e pensando “Eu ajeito tudo depois”. E esse é nosso grande erro! Não teremos tempo para isso depois. E aí vai tudo ficando desequilibrado, amontoado de decisões não tomadas; sentimentos amarrotados que não se ajustam quando precisamos deles; desejos rotos por ficarem jogados e esquecidos no fundo de nós e que depois de embolorados não podem se realizar mais.

Ivan acumulou tanto em suas gavetinhas que levou de um longo caminho de dor para organizá-las e encontrar o que precisava para seguir sua viagem. Não faça o mesmo com você. Comece hoje mesmo a se organizar. Quem sabe há um número esperando que você ligue e diga “Me perdoa!”?  Ou alguém precisando de seu abraço para poder sorrir? Ou um rosto amarelado de algum retrato que espera a sua chegada? Sempre há alguma inesperada surpresa nessas arrumações.

Não estou dizendo que será fácil. Nem que tudo voltará ao lugar num único dia. Só estou alertando que tudo ficará melhor, mais limpo, mais suave. E uma vida suave se abre para nós com mais possibilidades de se ser feliz. E foi para ser feliz que chegamos aqui a essa estação chamada Vida.

Até a próxima viagem!


terça-feira, 3 de junho de 2014

VIVO-MORTO




Por Gabriella Gilmore


"...A transformação  gradual de um homem vivo como todos nós em cadáver."
A dor é veículo de consciência, disse um grande pensador uma vez.
Ivan chegou naquele estágio no qual a dor já não fazia mais sentido e que a morte seria o alívio, mesmo sendo algo que ele não queria para si. Quem suportaria se ver morrer?
A imortalidade chega a ser um sonho inconsciente de cada ser humano.
O doutor dizia que os sofrimentos físicos dele eram terríveis, mas que os seus sofrimentos morais eram mais terríveis que os carnais, e nisso consistia a sua tortura maior.
Ivan não agüentava mais a culpa que nele existia por ter chegado ao estado em que chegou. Mesmo ele negando qualquer coisa que seja, no fundo, ele merecia a morte que estava passando.
Relutando contra o orgulho ferido, só encontra paz ao receber a comunhão do padre, e finalmente ele se dar por vencido, dizendo: "Acabou. A morte acabou. Não existe mais".
Essa catarse que o autor faz de Ivan e sua morte é muito real. Nos passa como se a morte fosse algo vivenciado aqui no plano terrestre, e depois que se vai, ai sim, você "vive".
Ivan pode vivenciar de perto e por meses uma morte literalmente lenta e dolorosa, e faz com que o leitor possa refletir sobre suas ações em vida e também numa "pré-morte".

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Os Dois Lados da Solidão




Pois é, Gabizinha! Há dois tipos de solidão: aquela que queremos porque é necessário um reencontro conosco, uma busca por respostas interiores, resoluções de conflitos particulares; e outra que provocamos quando afastamos de nós quem nos ama, quando nos isolamos nas imbecilidades do mundo, quando nos esquecemos de olhar para o mundo com olhos humanos.

Acredito que no primeiro tipo de solidão, Deus nos acolha com seus braços seguros e nos sussurre palavras de fé, esperança e força. Acredito que anjos façam roda em volta de nós e nos cantem deliciosas canções enoquianas para nos trazer paz e nos inspirar a tal luz interior. Creio seriamente que é nesse momento que todos nós voltamos a um ventre mágico para renascermos mais consciente de nossa importância no plano astral. Essa solidão é abençoada e, portanto benigna.

A segunda solidão é dolorida e doentia. Ela começa por adoecer a alma. Esgotando a luz de nossas auras. Afastando-nos dos seres iluminados que nos protegem. Quando isso acontece, eu acredito que os espíritos inferiores se aproximam e aos poucos vão dominando o nosso redor. Eles atingem as nossas vidas inicialmente com coisas bobas como mau humor sem razão, depois em explosões de choro, até que se transforme em males físicos como gastrite ou, em casos mais graves, até o câncer. Destruído o corpo, resta a mente. Eu vejo a loucura como total dominação desses espíritos ruins. Eles nos cobrem com sua escuridão e começa a ficar difícil ver o caminho de volta a luz, a fé a esperança, a uma vida saudável na presença dos protetores, dos mentores espirituais. 

Contudo, Gabizinha, Deus não desiste de nós. E haverá sempre alguém que nos ama. Alguém emanando orações. Para o Ivan foi o empregado. Para você tem seus amigos – estou no meio deles. Para mim tem meus filhos – e você é um deles.

É claro que a morte chegará para todos. Porém, para uns será só uma transição, um momento de libertação desse casulo corpóreo, um momento de reencontro com os que já se foram. Para outros será um momento de aprisionamento porque ou não entenderão que se foram ou simplesmente não aceitarão a ida. De tudo isso, o importante é que não nos esqueçamos de viver, de sermos felizes e de fazermos felizes quem está ao nosso lado.

Fé e luz para ti, anjinho ranzinza! 


PRELÚDIO MORTAL


Por Gabriella Gilmore

"O caso não está no ceco, nem no rim, mas na vida e... na morte. Sim, a vida existiu, mas eis que está indo embora, embora, e eu não posso detê-la. Sim. Para quê me enganar? Não é evidente para todos, com exceção de mim, que estou morrendo, e a questão reside apenas no número de semanas, de dias, talvez seja agora mesmo? Existiu luz, e agora é a treva. Eu estive aqui, e agora vou para lá! Para onde?"

"Eu não existirei mais, o que existirá então? Não existirá nada. Onde estarei então, quando não existir mais? Será realmente a morte? Não, não quero. "

"Para quê? Tanto faz . A morte. Sim, a morte. E nenhum deles sabe nem quer saber, e nem lamenta isso. Ocupam-se de música. Para eles, tanto faz, mas também eles hão de morrer. Bobalhões. Eu vou primeiro, eles depois; hão de passar pelo mesmo que eu. E no entanto, estão alegres. Animais!"

Essas são as palavras de Ivan dialogando consigo mesmo, quando a realidade finalmente começou a escancarar-se para ele.
Mesmo "merecendo" todo o desprezo familiar e social, ele sentia conforto em saber que a qualquer momento, as pessoas ao seu redor também teriam o mesmo destino.
Obviamente cada um terá a morte que merece, e como disse Wal em uma de nossas conversas, o leito de morte passa a ser menos doloroso quando temos ao redor pessoas que nos amam, que nos apoiam e que farão de tudo para aliviar nosso sofrimento.
Ainda não conclui a leitura, mas creio que voltarei com algum desfecho sobre o que aprendi com a morte de Ivan Ilitch.


Até breve.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Dona Clô



Nunca segui os conselhos de minha mãe que me dizia: “não converse com estranhos”. Gosto de conhecer pessoas! Em todo lugar que vou, sempre puxo assunto com alguém estranho. Em especial as pessoas mais simples: pescadores, idosos em banco de praça, vadios, prostitutas, bêbados... Essas pessoas são como eu de certa forma. São viscerais e com histórias que mudam as nossas histórias. Numa dessas conversas conheci a dona Clô.

Ela era uma senhora muito bonita apesar da idade, e elegantemente vestida que encontrei por acaso na fila do banco. Cabelos bem cuidados e pintados, unhas muito bem feitas e perfumada. Falamos sobre o tempo lá fora. Uma chuva assolava a cidade há dias e pessoas já perdiam casas e todas as suas coisas. Dona Clô contava-me do seu medo de chuva. “Tenho trauma!” - resumiu ela e em seu trauma se calou. Fiquei imaginando qual seria o trauma, mas não quis perguntar. Só sorri como se sorrindo eu ficasse cúmplice de seu trauma. Então, ela pagou suas contas e se foi carregando seu trauma pelas calçadas molhadas. E eu, também.

Passado uns dias, eu caminhava de manhã pela rua e reparei em uma pessoa que me pareceu conhecida. Que surpresa! Era dona Clô. Apressei o passo – com sorte ela me reconheceria. Ela estava tão simples naquele dia. Tão diferente da senhora que conheci no banco: usava calça legging, camiseta, boné e tênis. Contudo, sustentava ainda seu ar elegante e um olhar firme que os óculos de sol não escondiam.

__ Bom dia! – disse com um sorriso.

Dona Clô, olhou-me um pouco e sorriu. E no seu sorriso havia acolhimento.

__ Bom dia, mocinha do banco. Como vai?

E começamos a conversar novamente. Hoje sobre o sol escaldante que levava risos à praia. Paramos em um quiosque fomos tomar uma água de coco. E então, conheci mais de uma dona Clô sem traumas. Rimos e combinamos de caminhar por ali na manhã seguinte.

E por algum tempo essa foi a nossa rotina: encontrarmo-nos no calçadão para uma conversa a toa enquanto caminhávamos. Dona Clô contava coisas do seu tempo e dizia sempre que o tempo passado era o melhor de viver. Afirmava que um dia eu entenderia. Um dia em que ela não estaria mais ali, mas que eu me lembraria das palavras dela e diria “bem que aquela matusquela me avisou!” e demos gargalhadas do “matusquela” que ela complementou com “palavra de velho”.

Um dia dona Clô convidou-me para ir a sua casa jogar buraco e eu fui. Conheci lá outras senhorinhas sorridentes como dona Clô. E logo fui adotada como a netinha da turma. Elas eram muito animadas e simpáticas. Cada uma delas com seus traumas, com suas histórias e seus mistérios, mas todas tão cheia de vida e esperança que me deixavam como elas, vibrante.

Passávamos a tarde a jogar buraco, bingo, 21 a valer bombons, dançávamos, cantávamos ao som do piano de dona Clô, o violão de dona Cláudia e a voz vacilante pela idade de dona Leda – a mais velha do grupo. Elas me diziam que eu saía dali cheirando a naftalina e formol. Mal sabiam elas que o cheiro delas era tão mais vivo que o meu em alguns dias. No fim da tarde eu ia embora renovada, remoçada na experiência delas.

Um dia dona Clô pediu que eu ficasse um pouco mais para tomarmos um cálice de vinho do porto. E eu fiquei.

Depois que todas elas se foram, sentamos na varanda com nossos vinhos. Dona Clô então segurou a minha mão e disse que naquele dia ela estava se sentindo muito só. Que o passado estava doendo dentro dela. Um passado de plumas e brilhos, mas que agora pairava cinza de tristeza dentro dela. Eu só apertei a mão dela, não sabia o que dizer. De repente, toda a idade de dona Clô pesava-lhe a face e eu me dei conta de que ela já tinha mais de setenta.

Ela apanhou um baú antigo cheio de fotos amareladas e algumas até desfocadas, cartas, cartões, pétalas de flores secas, papéis de bala enroladinhos, cachinho de cabelo, uma pluma que devia ter sido azul em uma época qualquer, mas que agora era tão velha quanto dona Clô... Disse-me, então, depois de um silêncio pesado: “Veja o meu passado! Ele cabe todo em uma caixinha.” E sorriu.

Na caixinha uma dona Clô sem rugas e vestida de vedete com poses, me sorria. Olhei cuidadosamente cada uma das centenas de fotos e ouvi algumas das histórias que elas continham. Histórias alegres e tristes. Reconheci ali outros sorrisos joviais: o de dona Leda e de dona Cláudia. “Mais que amigas... minhas irmãs.” – dizia dona Clô com olhos cheios de lágrimas e mãos trêmulas.

Dona Clô me contou que ela era vedete e dançava em um antigo cassino. Foi lá que ela conheceu certo militar de alta patente que lhe deu tudo o eu tinha, menos um filho. Ele não queria e nem podia arriscar a ter um filho fora do casamento porque seria um escândalo e ela respeitou. Só que, segundo ela, ela não imaginava que na velhice ela sentiria tanta falta de um filho. Ela disse que quando se é jovem, às vezes, esquecemos que vamos envelhecer e que na velhice a solidão é contada em segundos, pois o tempo fica caduco como os velhos. Quanto mais dona Clô falava mais eu bebia as suas palavras com o vinho do porto. Foi uma tarde incrível! Mágica!

Minha amizade com dona Clô era assim, mágica. Era cercada de coisas glamorosas e de sentimentos que se revelavam como a lua que víamos brotar do céu enquanto bebíamos vinho do porto na varanda. Eram tardes com tardes dentro. Tardes de um passado lindo e cheio de vida de uma pessoa que exalava vida em tudo que fazia e dizia.

Hoje, eu vi dona Clô ser sepultada sobre o choro contido de dona Leda e dona Cláudia. Elas, depois que todos se foram, ficaram ali cantando a canção que elas diziam ser o hino da amizade eterna entre elas. E eu as abracei com muito carinho para engrossar o canto:

“... Amigos para sempre é o que nós iremos ser
Na primavera ou em qualquer das estações
Nas horas tristes nos momentos de prazer
amigos para sempre...”

Dona Clô se foi. Tenho certeza que virou estrela. Uma estrela brilhante e cheia de vida que vai iluminar as minhas noites ao lado de dona Leda e dona Cláudia. E que um dia formará uma nova constelação quando essas duas estrelinhas se forem também. E nem assim ficarei triste. Elas que me guiarão para sempre nas palavras que me disseram, em canções que me ensinaram, em meu coração onde elas serão eternas vedetes sorridentes.

Amigos são para sempre!

(Waleska Zibetti)

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sentindo a morte de Ivan


Por Gabriella Gilmore

Confesso que estou demorando a engrenar na leitura de Lev Tolstói, que com o título nos chama para conhecer a história de Ivan Ilitch sem mesmo ler a sinopse.
O tema “morte” apesar de ser algo que ainda aflige as pessoas, não deixa de ser sedutora.
Apesar de todo o bla bla bla do autor, eu tenho conseguido pegar o sentimento de Ivan de uma forma muito íntima, pois como ele, eu também ando narrando minha própria morte mentalmente. 
A vida adulta é só desgosto. 
Costumo falar isso para os adolescentes que às vezes convivo, dizendo que essa fase, juntamente com o da juventude, é algo que devemos curtir lentamente, saboreando-a, sem precisar pular este período, porque o cansaço é apenas uma “impressão”. Eu quando jovem, também almejava a vida adulta, só para não ter de encarar a encheção de saco da minha mãe e dos professores. E  finalmente, a vida adulta chega fazendo dedinho para você. Debochada que só!
Com tanta coisa para resolver em todos os lados da vida, seja sentimental, profissional, espiritual, familiar e social, 24 horas chega a ser nada quando se tem tantas preocupações assolando a mente que nem dormindo descansa, porque os pesadelos insistem em te fazer careta.
Ivan chegou num estagio da vida em que tudo pelo qual estudou não valeu por quase nada, e pelo que tenho lido, ele está de face a face a uma depressão.
Ivan, assim como eu, tem nadado, nadado, e nadado... mas quando percebeu que o cansaço está ganhando, foi pego pensando em absurdos. É como se a gente andasse sem destino. Para que? Por quê? Ah, vá saber!
Posso estar errada quanto aos meus sentimentos sobre Ivan e sua morte lenta, mas sente aqui comigo para desvendarmos os temores que no íntimo do autor Tolstoi, fez brotar esse personagem que foi um sucesso em sua época.