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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Cotovia

— Alô, cotovia!
Aonde voaste,
Por onde andaste,
Que saudades me deixaste?

— Andei onde deu o vento.
Onde foi meu pensamento
Em sítios, que nunca viste,
De um país que não existe . . .
Voltei, te trouxe a alegria.

— Muito contas, cotovia!
E que outras terras distantes
Visitaste? Dize ao triste.

— Líbia ardente, Cítia fria,
Europa, França, Bahia . . .

— E esqueceste Pernambuco,
Distraída?

— Voei ao Recife, no Cais
Pousei na Rua da Aurora.

— Aurora da minha vida
Que os anos não trazem mais!

— Os anos não, nem os dias,
Que isso cabe às cotovias.
Meu bico é bem pequenino
Para o bem que é deste mundo:
Se enche com uma gota de água.
Mas sei torcer o destino,
Sei no espaço de um segundo
Limpar o pesar mais fundo.
Voei ao Recife, e dos longes
Das distâncias, aonde alcança
Só a asa da cotovia, 

— Do mais remoto e perempto
Dos teus dias de criança
Te trouxe a extinta esperança,
Trouxe a perdida alegria.

Bandeira, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1990.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Lembranças Viventes


Vez por outra meus olhos passeiam pelo seu quarto e vejo minhas roupas cansadas do dia descansando ao chão...
 Elas parecem tão em paz mesmo amontoadas as pressas com o desespero de ir para onde estão... 
Mas como... 
Ei... 
Sou organizado... cada coisa no seu lugar. 
Foi assim que aprendi... 
Me indago elas estão desorganizadas?
 Não encontro respostas simples só sentimento que mesmo no caus da pressa em se despir elas e eu encontramos paz. 
No mesmo instante no calor do seu quarto você me aquecendo me indaga esta com calor? 
Quer que eu me afaste... 
Indignado digo este seu calor me aquece a alma.
Boba...
 
Até o próximo texto
Au Revoir

quinta-feira, 26 de março de 2015

Modus operandis poético


Estou começando a gostar desse lance de luta.
Quando mais porradas, mais vontade tenho de reagir.
Ondas, pedras, mar em fúria, cansaço, lágrimas escorrem do rosto do Poeta.
A fome é mais digna do que alimentar-se de migalhas e meias-coisas.
Aos poucos, descortina-se o mistério, o propósito e o sonho.
Grandes são os desertos, Pessoa, muito embora a vontade de chegar seja mais profunda do que o vermelho que tinge meus sangue e minhas vestes.
Cor que atiça minha Utopia faminta.
Tenho medo das coisas que desejo ou penso: quando a elas agarro-me, vencer, talvez seja, o caminho inevitável.
Teus braços unem-se aos meus numa corrente.
Podemos desatar, eu andaria mais ligeiro, tu chegarias depressa a teu destino, contudo solitária minha vida seria, a tua, menos barulhenta.
O teu ombro alivia as saudades e reverbera desejos de regresso.
Agora, pois, tenho para onde voltar depois da guerra de máquinas, engenhos de camisa branca e Pietros Pietras que alimentam-se da energia vital dos operários.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Olha só morena!



Sexta, 16:59. Um só pulsar, uma vontade, um nome: "Aquiles*".
Olha para a janela e tem o pensamento de que em poucos instantes irá correndo para os braços de quem está esperando.
O que será que ela pensa?
Com quem será que ela sorriu hoje?
Será que a nossa sintonia funciona?
Será letra e música do Lennon e McCartney?
Será poesia da Mallu**?
Será as playlists que tocavam pelo bluetooth do celular em todas as caronas e eram como declarações pra ela?
 
Tomado por um instante de silêncio...

17:00
Com todas as coisas arrumadas, saio em disparada.
A cada passo que dou, é uma certeza do reencontro.
A cada até logo para um colega, um desejo de chegar logo ao meu destino.
Saudade é o nome, é o perfume, são os beijos, é a vontade de saber como foi seu dia, seus pensamentos.
Saudade é contar o tempo e acreditar que ele está mais lento, é ter a sensação constante de que toda a angústia acabará em alguns minutos, dentro de um abraço.
Saudade é ficar esperando o dia, a hora, o lugar e o momento de dizer “eu senti saudade!”
"Eu estou com saudade!" 
Ah, não sabe a força que tem essas 4 palavrinhas. Tem o poder de salvar o mais melancólico dos corações (o meu), imagina só a imensidão das horas e que estava o dia inteiro esperando para te dizer essas palavras.
Saudade é planejar os próximos abraços, toques, ficar agarradinho… é a expectativa de encontrar de novo.
E por falar nisso...

17:45, chave no portão e...
** Refere-se a Mallu Magalhães, cantora e compositora Brasileira.
* Aquiles nome fictício do nosso amado

Até o próximo texto
Au Revoir

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Meus Oito Anos

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.

Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;

O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor !

Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar

O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã

Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delicias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha, irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Pés descalços, braços nus,

Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas
Brincava beira do mar!

Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar !

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da, minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Abreu, Casemiro. "A Primavera" - Coletânia Vol I. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sonetos, William Shakespeare

Quando penso em você me sinto flutuar,
me sinto alcançar as nuvens,
tocar as estrelas, morar no céu...

Tento apenas superar
a imensa saudade que me arrasa o coração,
mas, que vem junto com as doces lembranças do teu ser.

Lembrando dos momentos
em que juntos nosso amor se conjugava
em uma só pessoa, nós ...

É através desse tal sentimento, a saudade,
que sobrevivo quando estou longe de você.
Ela é o alimento do amor que encontra-se distante...

A delicadeza de tuas palavras
contrasta com a imensidão do teu sentimento.
Meu ciúme se abranda com tuas juras
e promessas de amor eterno.

A longa distância apenas serve para unir o nosso amor.
A saudade serve para me dar
a absoluta certeza de que ficaremos para sempre unidos...

E nesse momento de saudade,
quando penso em você,
quando tudo está machucando o meu coração
e acho que não tenho mais forças para continuar;
eis que surge tua doce presença,
com o esplendor de um anjo;
e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante...


Tudo isso acontece porque amo e penso em você...