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domingo, 1 de março de 2015

Bem Vindo a Nárnia, Parte I

"Homens como eu, conhecedores da sabedoria oculta, não estão presos a essas regras vulgares... do mesmo modo como estamos distanciados dos prazeres vulgares. Nosso destino, meu filho, é solitário, mas está acima de tudo." - Tio André
(C.S. Lewis, As Crônicas de Nárnia, Livro I  -  O Sobrinho do Mago.)

As Crônicas de Nárnia são constituídas por:
Vol. I – O Sobrinho do Mago
Vol. II – O Leão, o Feiticeiro e o Guarda-Roupa
Vol. III – O Cavalo e seu Menino
Vol. IV – Príncipe Caspian
Vol. V – A Viagem do Peregrino da Alvorada
Vol. VI – A Cadeira de Prata
Vol. VII– A Última Batalha


Numa série com 8 livros eis que começamos com o Sobrinho do Mago e entramos no mundo de Digory, Polly e Tio André. Numa Londres em que o Sherlock vivia e que um certo vovô vivia, conhecemos a história de duas que acabaram virando amigos pelo acaso!
E a aventura começa quando Digory e Polly vão parar no gabinete secreto do excêntrico tio André. Ludibriada por ele, Polly toca o anel mágico e desaparece. Digory, aterrorizado, decide partir imediatamente em busca da amiga no Outro Mundo. Lá ele encontra Polly e, juntos, ouvem Aslam cantar sua canção ao criar o mundo encantado de Nárnia, repleto de sol, árvores, flores, relva e animais.
Aslam, um leão muito fiel e sábio de Nárnia, vendo que em seu mundo não há ninguém, cria todos os animais, mas não qualquer animal, animais falantes e elege Helena e Franco como rei e rainha de Nárnia e entrega a Digory e Polly um fruto que pode curar qualquer pessoa.
Assim, eles voltam para casa e Digory e Polly resolvem enterrar o fruto e os anéis mágicos no quintal do menino para que ninguém os encontre.
No final, muito tempo depois, Digory faz um guarda-roupa com a árvore do fruto plantado, e, mesmo que este seja o fim desta história, é o começo de muitas outras. Bom para quem conheceu Nárnia através das suas criações Hollywoodianas (não foi o meu caso, preferi ler os livros primeiro por achar que teria algo a ser descoberto antes do filme), não imagina que exista um universo de outras histórias envolvendo a Mágica terrinha de sonhos e muitos mistérios.
A escrita é bem simples por um ser um livro infanto-juvenil e com certeza prende o leitor do princípio ao fim! Ela é bem pequena, mas pra mim ela é essencial para o resto da história já que nela conhecemos personagens e elementos que estarão nas futuras crônicas. Então foi bacana ler antes de ver qualquer um dos 3 filmes.
O modo como o narrador conversa com o leitor durante uma explicação ou descrição de coisas que talvez pudessem ser difíceis de serem imaginadas faz com que realmente o leitor queira continuar a leitura!


"Não é possível imaginar bosque mais calmo. Não havia pássaros, nem insetos, nem bichos, nem vento. Quase se podia sentir as árvores crescendo. O lago de onde acabara de sair não era o único. Eram muitos, todos bem próximos uns dos outros. Tinha-se a impressão de ouvir as árvores bebendo água com suas raízes. Mais tarde, sempre que tentava descrever esse bosque, Digory dizia: “Era um lugar rico: rico como um panetone."
(C.S. Lewis, As Crônicas de Nárnia, Livro I  -  O Sobrinho do Mago. - Capítulo: O Bosque entre dois mundos)

É bem notável a essência bíblica durante a história desde a criação do mundo de Nárnia até a escolha de um casal de cada espécie animal para receberem o “dom” da fala. É bem mais notável no livro do que nos filmes que Aslam é realmente “Deus”… Pelo menos o Deus de Nárnia.
E ah!
Os Frutos que comentamos a alguns parágrafos acima?
Bom Digory conseguiu com um deles fazer dessa primeira história ter um final feliz (a sua mãe, muito doente, ficou curada).
E o miolo desse fruto?  
Digory plantou o miolo do fruto no seu quintal, que transformou-se numa linda árvore. Ela não deu frutos mágicos, mas possuía magia. Quando Digory era um homem de meia-idade, já proprietário de uma mansão no campo, uma grande tempestade derrubou a árvore.

“Como não lhe agradasse a ideia de cortá-la e aproveitar a lenha na lareira, o professor utilizou parte da madeira para fazer um guarda-roupa, que foi levado para casa de campo.”
E adivinhem só que guarda-roupa era esse?

Bom, é impossível conter-se diante de uma história tão bacana, mas ainda tenho mais 7 livros então de volta as leituras.

Até o próximo texto,
Au Revoir

domingo, 23 de novembro de 2014

O DIÁRIO IDIOTA DE RAFAELA



Oi pessoal! Gostaria de falar um pouco sobre o meu debut book "O diário idiota de Rafaela". Publiquei ele em 2011, e logo neste mesmo ano, a Academia Valadarense de Letras abriu um edital no qual o autor local ganharia uma cadeira. Infelizmente não foi daquela vez, mas recebi um grande presente que foi uma Análise literária do meu livro pela saudosa Niza Diniz.

Governador Valadares - Setembro de 2011

ACADEMIA VALADARENSE DE LETRAS - AVL

Análise Literária

O diário Idiota de Rafaela
Autora: Gabriella Corrêa Lima

Por: Niza Diniz Pereira (In memoriam)
Patrono: Aluisio de Azevedo

          Trata-se de um livro em que a autora enfoca dois temas: o primeiro é a crescente adesão dos adolescentes aos relacionamentos amorosos virtuais e o outro, a abordagem detalhada dos sintomas e sofrimentos causados pela doença mental, o transtorno bipolar. A protagonista tem um namorado real, mas embarca numa fantasia, tendo outro via Internet, pelo qual se apaixona perdidamente. Abandonada pelo amor virtual chega ás raias da loucura, busca respostas para suas ansiedades; finalmente, adoece recebendo o diagnóstico: transtorno bipolar, uma doença mental caracterizada por uma constante alteração de humor. Em seu Diário, a autora faz verdadeira catarse, onde descreve com riqueza de detalhes as experiências advindas do transtorno: quando se encontra na fase maníaca, tem o sentimento de poder, de euforia, tem vários namorados, sendo que as idéias fluem rapidamente (sem nunca concretizá-las). Nesta fase, vive fantasias, como a protagonista Rafaela, que em delírio, registra em seu diário a existência de uma filha de 3 anos, chamada Clara, fruto do relacionamento com seu namorado. Tal criança, nunca existiu a não ser na sua mente doentia. Identificando esta fase no livro: "Às vezes acho que sou demais, não consigo ser menos, ser pouco me desgasta".
          Por outro lado, registra em seu Diário, as fases depressivas, quando seu mundo cai, acompanhando de insônias, pessimismos, tristeza, irritabilidade, inércia, idéias de suicídio. Este é um estágio difícil, quando afunda em bebidas alcoólicas e nas drogas.
         Identificando esta fase no livro: "hoje habito em um buraco negro dentro de mim, às vezes tem nome, embora só às vezes".
         Para sintetizar a avaliação que faz de si mesma:
         "Eu sou para mim meu próprio tormento".
         A partir do momento que se conscientiza da sua doença e resolve encará-la, começa a trabalhar em seu próprio favor, casando-se com seu primeiro namorado. A protagonista em certo trecho deixa entender que o objetivo desta obra é ajudar as pessoas que sofrem de transtorno bipolar e aceitarem que podem ter uma vida normal, desde que se cuidem, pois a doença não tem cura. Demonstra que existem pessoas com sofrimentos maiores que superam. Final do livro instigante: será que Rafaela era mesmo bipolar, ou tudo não passou de uma fantasia de adolescente?
         A leitura oferece ao leitor a oportunidade de rever seus relacionamentos virtuais com mais critério, ao mesmo tempo em que alerta para a aceitação de transtornos que acaso surjam em sua vida.


Adquira seu exemplar aqui .