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terça-feira, 20 de outubro de 2015

No corredor da Vida

Aos meus queridos,

A felicidade depende de nós mesmos.
Talvez não seja sobre o final feliz, talvez seja sobre a história.
O propósito da vida é uma vida de propósito.
A diferença entre o ordinário e o extraordinário é aquele pequeno extra. Felicidade é uma direção, não o destino.
Obrigada por existir. Seja feliz, seja livre, acredite, eternamente jovem.
Você sabe meu nome, não a minha história.
Vocês ouviram o que eu fiz, mas não o que eu passei.
O amor é como o vidro, parece tão encantador, mas é fácil de quebrar.
O amor é raro, a vida é estranha, nada dura e as pessoas mudam.
A vida só é ruim se você torná-la ruim.

Se alguém te ama, então ele não iria deixá-lo escapar, não importa o quão difícil seja a situação.
Lembre-se de que a vida é cheia de altos e baixos, sem os baixos, os altos não significam nada.
Estou esperando para me apaixonar por alguém para quem eu possa abrir meu coração.
A vida é um jogo para todos, mas o amor é o único prêmio.
O amor não é sobre com quem você se enxerga no futuro, é sobre quem você não pode enxergar passando a sua vida sem.
Todos os dias são especiais, então tire o máximo deles. Você pode pegar uma doença terminal amanhã, então aproveite cada dia.

Sejam vocês e acreditem principalmente em vocês mesmos!

Athena Orchard

domingo, 18 de outubro de 2015

De meias verdades nunca aprendi e estou cheia!

“Engolimos de um sorvo a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga.”
―Diderot

A verdade dói e nem todos estão suficientemente preparados para lidar com ela.
Mesmo que a preferimos a uma doce ilusão, não agimos como tal. 
Observando comportamentos e até mesmo a mim percebo que somos falhos no ato das aceitações. E como resultado disso protelamos a vida no ato do que a gente acha que deve ser nos nossos planejamentos.

Lidar com a verdade é realmente difícil, requer maturidade, mente aberta, auto estima e principalmente paciência. O problema é que é mais fácil acreditar nas coisas ruins que nos impõem e elas nos consomem total e ferozmente que não sabemos reconhecer o que é o verdadeiro, fazendo com que estraguemos tudo.
A verdade é dolorida, machuca, nocauteia quem a está ouvindo, mas não deixa também quem a está falando em boa posição. A verdade para quem a está falando torna-se um conjunto de informações críticas a nós mesmos, que nos leva a um arrependimento e uma angustia notável.

Buscai a verdade como quem busca o horizonte.

Todos nós temos o direito de expressar nossos sentimentos sobre um fato, porém, isso poderá resultar em situações pouco salutares aos nossos relacionamentos, principalmente quando faltarem a sabedoria e o discernimento para identificarmos “como” e o “melhor momento” de fazê-lo.
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

A verdade, que achamos necessário ser expressa, precisa de antemão, convencer e não ofender o nosso próximo, pois, por si só ela já desconcerta aquele que acreditava estar vivendo retamente. Se quisermos apresentar de forma franca nossa opinião, com o objetivo de trazer uma nova possibilidade de entendimento, de ensinar ou até mesmo de advertir alguém, “a sabedoria de um ancião” deverá controlar o ímpeto de um coração ávido do desejo de consertar o mundo.
DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Verdade essa que atormenta mais é necessária mas tão bem relatada e preparada talvez evitasse tantas perdições.

Mas é exatamente esse o problema em ser sincero. A gente tenta falar com sinceridade. Embora tenhamos que ser falsos às vezes porque a coisa toda é falsa, de uma certa forma, como um jogo. Mas você espera que, se alguma vez você for sincero com alguém, essa pessoa pare com as reações plásticas e seja sincera com você. Só que todos estão jogando o jogo, e algumas vezes fico nu e sincero, com todos me mordendo. É decepcionante.
John Lennon
  

Até o Próximo texto
Au Revoir 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Imortais


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

(Pablo Neruda)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Vinte e Nove, uma história de mudanças



“e aos vinte e nove, com o retorno de Saturno, decidi começar a viver.”
(Renato Russo, quando tomou a decisão que mudaria o rumo de sua história. abril/1993)

Tantas canções da Legião Urbana me chamam tanta atenção pelos simbolismos que para mim pessoalmente representam (Clarice, Fábrica, L'Avventura, Love in the afternoon) mas, Vinte e Nove vem carregada de mensagens pelas quais muitos de vocês leitores devem se encaixar em algum momento da sua história de vida pra mim ela representa uma certa libertação como pro próprio Renato foi.
Recentemente foi lançado pela Companhia das Letras “Só por hoje e para sempre – diário do recomeço”, um relato dos famosos 29 dias eternizado numa das maiores canções do Álbum O Descobrimento do Brasil (1993).
"Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
(Já que você não me quer mais)
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver.
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão.
(E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez)"

O descobrimento do Brasil foi lançado pela Legião Urbana em novembro de 1993. Menos de seis meses antes, em abril do mesmo ano, Renato dava entrada na clínica de reabilitação Vila Serena, no Rio de Janeiro, não só para se desvencilhar do álcool e das drogas, como também para mergulhar numa reflexão profunda sobre sua vida.
Vinte e Nove é apresentada, abrindo o disco "O Descobrimento do Brasil", que tem como característica marcante a presença de letras após a fase de dependência de Renato.
Dentro dessa canção é citado o Retorno de Saturno, que é um fenômeno que a Astrologia descreve como os 29 anos para percorrer sua órbita e voltar ao ponto em que se encontrava no dia do nascimento do indivíduo; considera-se, então, que os vinte e nove anos de vida marcam o início de uma nova fase na vida de cada pessoa. 
Relativamente pra mim essa canção é o retrato das esperanças que reconquistamos ao longo das nossas crises interiores e provavelmente o recomeço para quem se encontra em uma situação de tal perigo.
Uma Breve análise da canção
Na frase : "Perdi vinte em vinte e nove amizades" podemos ver que por conta da droga ,como ele diz “pedra em minhas mãos”,ele perdeu tais amizades. Percebe-se, também, que ele bebia e que aprendia a viver sem a pessoa amada, que, certamente, não o queria pelo vício.
Na frase: "Decidi começar a viver" vemos que ele se deu conta do tempo que estava perdendo de viver e ser feliz, da liberdade que estava perdendo e das decisões erradas que ele tomou, vemos que o mesmo realmente decidiu começar a viver ,passou para uma nova fase de sua vida, uma fase de recomeço. 
Na Frase: "Quando você deixou de me amar" podemos dizer que ele aceitou o fato dessa pessoa não amar mais ele, por conta disso ele aprendeu a ser mais compreensível, a perdoar e a pedir perdão.
Podemos dizer que com isso ele libertou-se, por isso os anjos vieram saudá-lo, e, consequentemente ele conseguiu vinte e nove amigos. 


Como é difícil recomeçar. A maioria das pessoas sofre de medo de iniciar e mais ainda de pânico de reiniciar. Seguimos uma lógica dualista, preto e branco, bem e mal, ganhar ou perder. Lógica responsável por grande parte das aflições que nos atingem.Some a isto uma boa dose de autocentramento e temos uma bomba de sofrimento, prestes a explodir, diante de qualquer instabilidade.
O referencial autocentrado se transforma no principal obstáculo quando estamos diante da possibilidade de seguir nosso caminho. É ele que se veste de culpa e medo fazendo-nos estagnar. É ele que nos força a tentar vencer, moldando as circunstâncias exteriores a nosso favor. O grande problema é que, muitas vezes, este "a favor" não é tão favorável assim.
Entretanto, seja qual for o começo ou o recomeço — ambos e ou todos eles só começam ou recomeçam com um passo simples.

Até o próximo texto
Au Revoir

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Poeminha da Tristeza


Eu triste sou calada
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa
Eu à toa sou tua.
(Martha Medeiros)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A Felicidade


Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
De todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

(Vinicius de Moraes)

domingo, 4 de outubro de 2015

Depressão Profunda


Comecei a me sentir indiferente
Para as coisas que sempre mais amei.
Por mais que eu faça nada é suficiente,
Eu já não sonho mais como sonhei...
Eu tenho medo de pegar no sono,
Porque os pesadelos me atormentam...
Meu coração que sofre de abandono,
Pressionam meus vasos que ainda agüentam...
Eu sinto uma tristeza que é tão grande,
Que não tenho palavras pra explicar...
Meu corpo sofre tanto e a dor se expande;
Minhas pernas pesam muito para andar.
A minha voz que antes era bela,
Morreu e minha garganta atrofiou...
Contemplo o meu retrato numa tela:
Lembrança do tempo bom que se acabou ...

(Autor Desconhecido)

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Breakfast Audrey, Um Passeio de Luxo.

Não deve entregar seu coração para um selvagem. Quanto mais der, mais fortes eles ficam. Até que ficam tão fortes que correm e voam para bem longe.
(Holly Golightly, personagem de Audrey Hepburn)
Quase um mito, esse clássico filme da década de 1960 é inspirado no livro homônimo de Truman Capote escrito 10 anos antes. E retrata a história de Holly Golightly que para algumas pessoas que assistem o filme é uma prostituta que vivia na glamourosa cidade de NY City, mas, o próprio Capote dizia que ela seria mais uma Geisha: ela criava uma ilusão de possibilidade para seus ‘amigos’ do sexo masculino, mas a realidade poderia ser muito diferente. 
Narrado por um escritor que luta com suas histórias e de quem nunca sabemos o nome (Holly o chama de Fred, em uma referência carinhosa a seu irmão), Holly tem 19 anos e mora sozinha em um apartamento em Nova York. Ela chega quase sempre tarde em casa acordando os vizinhos por sempre esquecer a chave do portão. É assim que Fred a conhece.
Por algumas noites, ela o chama pedindo para que ele abra o portão no meio da madrugada. Holly parece estar curtindo a vida e sua juventude em uma cidade nova.
Aos poucos, Fred vai descobrindo mais sobre ela. De onde ela vem é um mistério mas sabemos que é do interior e que um agente de Hollywood lhe disse que poderia ser atriz. Ela vai para a cidade grande procurar oportunidades de tornar-se uma estrela. Mas Holly não parece extremamente interessada nisso: ela parece querer aventuras e aproveitar para conhecer aquilo que nunca lhe pareceu possível antes.
Todos os dias ela toma seu café da manhã em frente à joalheria Tiffany’s, isso a faz esquecer todos os seus problemas. À medida que sua amizade com Holly evolui, nosso narrador vai descobrindo mais sobre o passado dela e a amizade entre os dois se fortalece.
Holly passa a viver um dilema, não sabe se continua em sua busca incessante por um marido que realize o seu sonho de ser rica, ou se dá uma chance ao homem por quem esta apaixonada.
A beleza do filme esta na maneira como ele é contado, na ótima atuação dos atores, numa linda trilha sonora e fotografia.
Uma das clássicas cenas eternizadas pela sempre ícone do estilo Audrey Hepburn, estão a interpretação do clássico Moon River (Johnny Mercer / Henry Mancini) e a famosa cena em que Holly procura o seu gato na chuva.





Mas o melhor de tudo, sem dúvida, é a própria Audrey Hepburn. Ela, além de ser lindíssima, criou uma personagem extremamente doce, carismática e ingênua. Inicialmente a sua personagem seria estrelada por Marilyn Monroe, após alguns problemas com atriz o papel foi oferecido a Kim Novak, só então é que à chamaram. Não há dúvida que as duas lindas atrizes teriam desempenhado bem o papel, mas tenho certeza que não com a mesma graça e charme que Audrey.

Esse filme mostra com total clareza, que muitos de nós vivemos de sonhos, de decisões que duram por toda a nossa vida.
A personagem da Audrey, sonha em se casar com um milionário, no entanto ela se vê apaixonada por seu vizinho, um escritor.

Mas, talvez não seria daí que ela tiraria suas riquezas? 
Porque eu acredito, que o amor é a maior delas. Ela é uma sonhadora, ele um inventor de sonhos, pois ele os transcrevem em suas histórias. 

Ficha Técnica  
• Direção: Blake Edwards  
• Roteiro: Truman Capote (romance) George Axelrod (roteiro) • Gênero: Drama/Comédia/Romance
• Origem: Estados Unidos  
• Duração: 115 minutos

Segue o trailler:
 
Até o próximo texto
Au Revoir!

sábado, 29 de agosto de 2015

É Proibido

 
É proibido chorar sem aprender, 
Levantar-se um dia sem saber o que fazer 
Ter medo de suas lembranças. 
É proibido não rir dos problemas 
Não lutar pelo que se quer, 
Abandonar tudo por medo, 

Não transformar sonhos em realidade. 
É proibido não demonstrar amor 
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor. 
É proibido deixar os amigos 

Não tentar compreender o que viveram juntos 
Chamá-los somente quando necessita deles. 
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas, 
Fingir que elas não te importam, 

Ser gentil só para que se lembrem de você, 
Esquecer aqueles que gostam de você. 
É proibido não fazer as coisas por si mesmo, 
Não crer em Deus e fazer seu destino, 
Ter medo da vida e de seus compromissos, 
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro. 
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar, 

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se 
desencontraram, 
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente. 
É proibido não tentar compreender as pessoas, 
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua, 

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte. 
É proibido não criar sua história, 
Deixar de dar graças a Deus por sua vida, 

Não ter um momento para quem necessita de você, 
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira. 
É proibido não buscar a felicidade, 

Não viver sua vida com uma atitude positiva, 
Não pensar que podemos ser melhores,  
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

(Pablo Neruda)

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Mude a sua vida ou você vai ficar aí parado?

Permita-se mudar!

É uma frase linda se não sabe o significado dela a longo prazo principalmente para quem sente, passa ou vive uma fase em que parece não estar vivendo.
Tem uma música do Oswaldo Montenegro chamada "A lista" que nos leva a questionar algumas coisas: 

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Na minha adolescência de muitas mudanças e muitas perguntas uma sempre me assombrou: 

- Quem nós somos? 

Outras vieram meio que em forma de autoconhecimento:

- Quem são as pessoas que nos rodeiam?
- Aonde eu estarei em 10 anos?

E confesso que ao ouvir essa música relembrei de algumas coisas, como por exemplo:

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar?

E resolvi por num papel tudo o que eu tinha de mais bobo e mais honesto que eu tinha em mente... Faça a sua e vejamos.


Muita gente vai perceber que desistiu de alguns (ou vários) sonhos da sua “lista”. Eu desisti de alguns, reformulei outros, acrescentei e repensei, rearrumei e pouco arrisquei (Do pouco que arrisquei 50% de acertos e 50% de erros). 
 

É que o medo nos impede de sonhar!
O medo nos impede de deixar as pessoas chegarem!
O medo nos paralisa outras tantas vezes
porque ele é desconhecido e o desconhecido sempre assusta. Temos o costume, mesmo que involuntariamente, de nos blindarmos de sonhar com medo.
Já disse uma pessoa a quem me quer bem: “Só o que está morto não muda”. 
Mas o medo e os sonhos que residem em mim estão reunidos comigo neste quarto e neste momento travamos um diálogo... O resultado disso?
Algum dia vocês saberão por aí!

Até o próximo texto
Au Revoir 

domingo, 9 de agosto de 2015

Carta a um bobo


Querido bobo,
Às vezes guardamos na memória histórias contadas pelos nossos pais sobre o passado. Mas essas memórias herdadas são diferentes da realidade e diferentes das nossas próprias lembranças. É como se tivessem uma cor própria, não falo de preto e branco e nem em um tom de sépia ou nada assim, mas, que existe algo peculiar além do que foi contado.
Quando me vejo hoje na frente desse espelho e longe de casa penso nos "E se's" que a vida me mostra todos os dias. Não sei porque, talvez tenha a ver com tantos sonhos e imaginações nunca concluídos ou tenha a ver com o estranho limite entre tristezas e alegrias.
Enquanto viajava refleti toda a minha vida afetiva. Lembrei de quando achava lindo quando eu saia da escola e alguém me esperava com um sonoro "Nossa como queria te ver!", lembrei dos pores do sol no museu de arte moderna que enxugaram meus prantos e me fizeram ter novas esperanças. Lembrei do tanto que eu sonhei com beira de praia e caminhada de mãos dadas com quem não se importasse em ser eu a sua companhia.
Lembrei também do tanto eu quis , como uma formiga que trabalha em silêncio, tornar quem está perto de mim pessoas grandes, não forçando uma mudança mas, através do sentimento trocado e dos gestos aprendidos que o tornavam mais esperançosos e mais capazes de qualquer coisa que quisessem. 
Lembrei das palavras trocadas depois de mais um incomodo tal e qual uma faixa de cd arranhada... Silencio profundo nas minhas lágrimas derramadas e visualizo um filme do qual o final eu sei. Me perguntei por várias e várias vezes: 
- Por quê  é tão difícil perceber e entender o que me incomoda com tanta veemência? Será que eu estou sendo exagerada, será que eu estou sendo irracional?
- Ainda que seja simples o amor porque complicamos?
- Por quê esse filme em que a vida me fez passar insiste povoar minha memória tal qual um aviso?
E então... Queimei. Expeli e ardi! E mesmo que a dor passada é superada, a atitude presente revive e me faz questionar das coisas que quero eternamente esquecer. Diria Nietzsche "Abençoados são os esquecidos, pois eles tiram o melhor proveito dos seus equívocos." e por assim dizer não senti nada disso em doses homeopáticas meu bobo. Reconheço em mim a necessidade de sentir mais do que de pensar e percebo que às vezes perder o equilíbrio por amor, faz parte de viver a vida em equilíbrio.

Por chorar demais aqui me dispeço,
Bonita.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Em resposta: A Sociedade e o amor Romântico. Será que estamos preparados para a vida afetiva?



“É injusto, doloroso e insuportável assistir a um amor que foi tudo se tornar nada”. (Gabriella Lima)

É Gabi, infelizmente vivemos numa sociedade em que tem lemas do tipo: - Tá ruim, larga ele(a) e corre atrás do que te faz bem!
Relacionamentos são sim vias de mão dupla e uma dose do chamado ceder. Não entrarei nos méritos religiosos da coisa até porque, nas relações cada um sabe das suas crenças e o que une duas pessoas é o amor e a vontade de permanecerem juntos. 
Felizmente , nos dias atuais , casar deixou de ser uma obrigação social e um meio de sobrevivência principalmente para as mulheres. Só que vivemos um momento em que as pessoas se tornaram donas da sua própria órbita e esquecem que pequenas atitudes, expectativas diretas e/ou indiretas magoam dia após dia. Muitas pessoas dizem que o romantismo acabou. Talvez não. Talvez esse seja o momento do clube dos corações românticos que não se entende nem na hora de escolher a pizza do fim de semana. (Piada Interna)

Mas voltando ao que interessa, e mesmo nos dias de hoje , embora existam ainda casamentos dos mais diversos tipos (civil, religioso ou até o populacho juntar as escovas de dentes) as pessoas casam por que acreditam, se relacionam por que acreditam que ali há uma "coisa" maravilhosa. Mas por faltar o diálogo, os medos são crescentes (Prazer, senhora medo ambulante - do abandono, da rejeição e do descarte!), algumas prioridades são denominadas maiores do que estar ali, maiores do que resolver uma rusga, um incômodo, maiores do que virar pro outro lado e dormir deixando situações cotidianas sem ser resolvidas e pasmem mesmo que você durma no dia seguinte a situação parece maior do que o dia anterior.

Outro dia li uma matéria que falava justamente sobre o que sabemos sobre o amor. Ela citou algo que me fez pensar e trazer um flashback a minha pequena cabecinha: "No dia a dia muita gente desiste da vida por pequenas dificuldades. As pessoas não têm muita paciência, não gostam de ouvir, não tem tempo pra se dedicar. Me refiro, principalmente, aos relacionamentos amorosos. A impressão é a de que sabemos tudo sobre o amor, mas na hora de praticar falta um "plus". E isso é o grande diferencial em romances duradouros."
Lendo isso só fez confirmar a minha tosca teoria de que amor é capaz de transformar, superar, suportar, perdoar, cativar e manter vivo. Ora, ora, ora, relacionamento e casamento é rotina ; é partilha ; é comunhão de problemas , obrigações chatas, fazer a social quando se quer ficar enfurnado em um canto qualquer , crises existenciais ; grana curta e neuroses de todos os tipos. Estamos desapontando e sendo desapontados constantemente. Estamos sempre fazendo uma burrada por insegurança. Nem sempre ouvimos a resposta que gostaríamos ou recebemos aquele mega elogio por um novo corte de cabelo. Mas no fim das contas se dialogamos tudo vale a pena. 

Se desistirmos de cada compromisso por motivos banais ou até mesmo idiotas, provavelmente , nunca conseguiremos construir uma relação duradoura. Amar vai muito além da emoção. Amor é compaixão. Amar vai muito além da paixão. Amor é comunhão. Amar vai muito além do momento, do aqui agora; amor é construção. 
Ai pergunto a você através desse título "Será que estamos preparados para a vida afetiva?" 
 

domingo, 2 de agosto de 2015

A maior dor humana

Que imensas agonias se formaram
sob os olhos de Deus! Sinistra hora
em que o homem surgiu! Que negra aurora,
que amargas condições o escravizaram!

As mãos, que um filho amado amortalharam,
erguidas buscam Deus. A Fé implora...
E o céu, que respondeu? As mãos baixaram
para abraçar a filha morta agora.

Depois um pai em trevas vai sonhando,
e apalpa as sombras deles onde os viu
nascer, florir, morrer! Desastre infando!

Ao teu abismo, pai, não vão confortos...
És coração que a dor empederniu,
sepulcro vivo de dois filhos mortos. 

(Camilo Castelo Branco)

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Desprezo


Esta alma que insultaste se revolta!
Em sua viuvez erma e vazia
Nem sombra guardará de tua imagem
Tanto amor que por ti ela sentia.
Não há de lhe arrancar, nem mais um canto,
Que não seja apagado por meu pranto.

Como a flor a beleza loga murcha;
A tua há de murchar em poucos anos;
Quando a ruga da face anunciar-te
Da velhice aos tristes desenganos
Quando de ti já todos esquecidos
Nem te olharem, meus versos serão lidos.

Talvez um dia o mundo caprichoso
Procure, nobre dama, algum vestígio
Da mulher que meus livros inspirava;
Não achará porém de teu fastígio,
Senão traços de lágrima perdida
Arcano d'uma dor desconhecida.

O tempo não respeita altiva fronte
A riqueza, o brazão, tudo consome.
Um dia serás pó e nada mais;
Ninguém se lembrará nem de teu nome;
Mas para que de ti reste a memória,
Mulher, no meu desprezo eu dou-te a glória.
 (José de Alencar)

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O Estrangeiro que há em todos nós

A minha dica de leitura do dia vem de um presente que ganhei no meu último aniversário do amigo Filipe Gama (Fox) que conhecia pouco mas, foi um dos livros interessantes que li nos últimos anos.
Investigando vida e obras esse é certamente uma das obras mais emblemáticas do Albert Camus.
"O Estrangeiro (L´etranger)"
E apesar de todas as obras importantes publicadas (A peste, A queda, o póstumo O primeiro homem), a história de um homem que comete um assassinato “por causa do sol” e é condenado à guilhotina “por não ter chorado no enterro da mãe”, permanece não só a referência imediata do universo camusiano, como também a entrada perfeita para comentar o extraordinário autor argelino.
Quando O Estrangeiro foi publicado (em junho de 1942) na França, ele ainda tinha 28 anos.
O Estrangeiro é uma fábula que prepara a condenação à morte de seu protagonista. O livro narra com incrível capacidade o que de mais trágico existe na condição humana: o absurdo, o limite entre aspirações e realidade. Meursault, mesmo esperando a execução em sua cela, nos dirá (sim, pois Camus ousou fazê-lo narrar a própria história, num dos exercícios de estilo mais admiráveis da literatura).
A história se inicia com Mersault indo ao enterro de sua mãe. Um dia depois inicia um caso amoroso com Marie e se distrai alegremente no cinema com um filme de Fernandel.
O protagonista da obra vive em permanente indiferença a todos os valores morais. É o homem que não aceita as regras do jogo. Mas também está disposto a ir até o fim defendendo a única verdade na qual acredita. Mersault nasceu para desmascarar o cinismo e o vazio por trás da sociedade como um todo e do indivíduo como elemento principal. O homem é um nada, abandona aqueles que ama e também é abandonado. O homem é impotente perante as desgraças que presencia, e por isso mesmo finge não as ver. O Estrangeiro está ali justamente para dissecar aquilo que está errado e nos abrir os olhos para a estupidez de nossa falsas regras morais.

Se formos trazer para o nosso dia a dia, que Valores representam um dos fundamentos de nossa vida interior, nosso comportamento, nossas ações? Mas quais são os valores?
Os Valores podem ser considerados como nossas CRENÇAS, representa tudo o que é importante para nós. Eles representam o que é bom para nós, o que é certo, o que é sensato fazer, dizer, pensar para nós mesmos e para os outros. Ao contrário, o que se desvia dos valores, seu oposto polar, é o que é ruim, o que é errado, o que é o mais baixo fazer, dizer ou pensar.
A nossa sociedade hoje é marcada por atitudes insensatas das pessoas, comportamentos como conflitos sociais, violência, aborto, a influenciadas drogas, exclusão social, falta de educação e respeito com as pessoas, fazem parte do nosso dia a dia como se fossem atitudes normais do ser humano. Pessoas e mais pessoas estão entrando em uma difícil fase de desvalorização da ética e também da moral, valores que nos dias de hoje são muito importantes para nossa convivência.
Quanto mais o conhecemos menos temos certeza se Mersault é o herói ou anti-heroi dessa história, cujo desenrolar nos joga de um lado para o outro, tal como ventríloquos de Camus, sem saber direito mais o que é certo e o que não é. Pois nossas crenças mais sagradas serão de repente questionadas, à medida que avançamos sobre o psicológico de Mersault. Não estaremos prontos para isso. Cada frase dele nos soará como absurda, desprovida de qualquer contato com a razão ou com o sentimento. Porém, quanto mais se indaga sobre sua sanidade, mais se fascina com a idéia por ele pregada. Tudo é permitido, pois todos nós morreremos e os valores todos se desmoronarão.
Einstein em um de seus textos (Como Vejo o Mundo) já dizia que "Se pensarmos na nossa vida e na nossa atuação, em breve notaremos que quase todas as nossas aspirações e ações estão ligadas à existência de outros homens. Reparamos que, em toda a nossa maneira de ser, somos semelhantes aos animais que vivem em comum."
Não há definitivamente como escapar da sedução desse estrangeiro, a quem, ao final de páginas e páginas, ainda não temos a plena certeza de compreender. Mas a graça reside aí. Justamente porque não conseguimos decifrá-lo é porque nunca mais poderemos esquecê-lo.
A opinião sobre o autor através dessa carta escrita no prefácio à edição americana do romance, dada a público em 1955:
Há muito tempo atrás, eu defini “O Estrangeiro” numa frase que percebo extremamente paradoxal: “Em nossa sociedade qualquer homem que não chore no enterro de sua mãe é passível de ser condenado a morte”. Eu apenas queria dizer que o ‘herói’ do livro é sentenciado porque ele não jogou o jogo. Nesse sentido, ele é um ”marginal” (outsider) para a sociedade em que ele vive, vagando nos subúrbios da vida, solitário e sensual. 
Por esta razão, alguns leitores têm o considerado como um ”excluído”. Mas para alcançar uma descrição mais acurada de seu caráter, ou melhor, uma descrição mais próxima das intenções de seu autor, é preciso se perguntar de que maneira Mersualt não joga o jogo. A resposta é simples: ele se recusa a mentir. 
Mentir não é apenas dizer o que não é verdade. É também e, especialmente, dizer mais do que é verdade e, no caso dos sentimentos humanos, dizer mais do que se sente. Todos fazemos isso, todos os dias, para tornar a vida simples. Mas contrário às aparências, Meursault não quer fazer a vida simples.
Ele diz o que ele é, recusa-se a esconder seus sentimentos e a sociedade sente-se ameaçada. Por exemplo, espera-se que ele se manifeste arrependido por seu crime, como é de costume. Ele responde que se sente mais incomodado com os distúrbios do fato do que verdadeiro arrependimento. É essa nuance que o condena.
Desta maneira para mim que Meursault não é um ‘excluído’, mas um carente e sincero homem, amando um sol que não deixa sombras. Longe de ser insensível, ele é dirigido por uma tenaz, e por essa razão, profunda paixão; a paixão pelo absoluto e pela verdade. Esta verdade é até aqui, e ainda, vista como negativa; uma verdade que nasce de viver e sentir e sem a qual nenhum triunfo de natureza interior ou do mundo será possível.
Assim não seria um equívoco entender “O Estrangeiro” como a estória de um homem que sem nenhuma pretensão concorda em morrer pela verdade. Eu disse uma vez, e também paradoxalmente, que tentei fazer meu personagem representar o único Cristo que merecemos. Será entendido, após estas explicações, que disse isso sem nenhuma intenção de blasfemar, mas simplesmente com um pouco de afeição irônica que um artista tem o direito de sentir em relação aos personagens que ele tenha criado." 
Desejo um bom encontro para nós e uma boa leitura àqueles que ainda não se aventuraram a ler esta obra e que eventualmente se sintam tentados a isso.

Até o próximo texto
Au Revoir 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O poema da volta


Voltar é uma forma de renascer. Ninguém se perde na volta. 
(José Américo de Almeida, Antes que me esqueça, A Bagaceira)

No caminho da volta,
o amado pródigo
não se perde: renasce.
As flores da estrada
ganham viço
e uma fragrância nova,
um cheiro macio de perdão,
que se torna espera,
e de espera,
que vira celebração,
um perfume antigo
e fresco,
que lembra limão.
Em Ítaca, Penélope cose
toalhas para o banquete,
fronhas para o bom sono
e os lençóis da conciliação.
Não há ressentimentos
nem orgulho vão
na fidelidade discreta
desse gesto familiar.
Um xale lhe cobre os ombros
e os dedos macios
puxam a corda da lira
fazendo-a vibrar
em canções de amor
e gestas de esperança,
de paciência nada vã.
Volta bem
quem viajou leve:
cabelos à brisa do mar
e as mãos na cintura,
com braços por enlaçar
algum torso feito tronco,
um barco a navegar,
um berço de ninar,
um bote pra salvar.
Volta ainda melhor
quem sempre o faz
por um bule de café,
um parco naco de pão
e uma sutil ilusão
de quem só navega
para o eterno retorno,
sempre em busca
da paixão imóvel,
que não muda nem cala,
despedaçado o coração,
só pra depois o colar
caco a caco,
taco a taco,
toco a toco.
Assim são
os caminhos da volta:
sem medo e sem peso,
sem mágoa e sem rota.
Pois na volta
ninguém se perde.
Na volta
ninguém só pede.
E na volta
só se abre mão
da solidão. 

(JOSÉ NÊUMANNE PINTO)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Cotovia

— Alô, cotovia!
Aonde voaste,
Por onde andaste,
Que saudades me deixaste?

— Andei onde deu o vento.
Onde foi meu pensamento
Em sítios, que nunca viste,
De um país que não existe . . .
Voltei, te trouxe a alegria.

— Muito contas, cotovia!
E que outras terras distantes
Visitaste? Dize ao triste.

— Líbia ardente, Cítia fria,
Europa, França, Bahia . . .

— E esqueceste Pernambuco,
Distraída?

— Voei ao Recife, no Cais
Pousei na Rua da Aurora.

— Aurora da minha vida
Que os anos não trazem mais!

— Os anos não, nem os dias,
Que isso cabe às cotovias.
Meu bico é bem pequenino
Para o bem que é deste mundo:
Se enche com uma gota de água.
Mas sei torcer o destino,
Sei no espaço de um segundo
Limpar o pesar mais fundo.
Voei ao Recife, e dos longes
Das distâncias, aonde alcança
Só a asa da cotovia, 

— Do mais remoto e perempto
Dos teus dias de criança
Te trouxe a extinta esperança,
Trouxe a perdida alegria.

Bandeira, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1990.

domingo, 12 de julho de 2015

A uma senhora que me pediu versos

 

Pensa em ti mesma, acharás
Melhor poesia,
Viveza, graça, alegria,
Doçura e paz.

Se já dei flores um dia,
Quando rapaz,
As que ora dou têm assaz
Melancolia.

Uma só das horas tuas
Valem um mês
Das almas já ressequidas.

Os sóis e as luas
Creio bem que Deus os fez
Para outras vidas.

Assis, Machado. Poesias Completas, Rio de Janeiro: Garnier, 1901.