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domingo, 9 de agosto de 2015

Carta a um bobo


Querido bobo,
Às vezes guardamos na memória histórias contadas pelos nossos pais sobre o passado. Mas essas memórias herdadas são diferentes da realidade e diferentes das nossas próprias lembranças. É como se tivessem uma cor própria, não falo de preto e branco e nem em um tom de sépia ou nada assim, mas, que existe algo peculiar além do que foi contado.
Quando me vejo hoje na frente desse espelho e longe de casa penso nos "E se's" que a vida me mostra todos os dias. Não sei porque, talvez tenha a ver com tantos sonhos e imaginações nunca concluídos ou tenha a ver com o estranho limite entre tristezas e alegrias.
Enquanto viajava refleti toda a minha vida afetiva. Lembrei de quando achava lindo quando eu saia da escola e alguém me esperava com um sonoro "Nossa como queria te ver!", lembrei dos pores do sol no museu de arte moderna que enxugaram meus prantos e me fizeram ter novas esperanças. Lembrei do tanto que eu sonhei com beira de praia e caminhada de mãos dadas com quem não se importasse em ser eu a sua companhia.
Lembrei também do tanto eu quis , como uma formiga que trabalha em silêncio, tornar quem está perto de mim pessoas grandes, não forçando uma mudança mas, através do sentimento trocado e dos gestos aprendidos que o tornavam mais esperançosos e mais capazes de qualquer coisa que quisessem. 
Lembrei das palavras trocadas depois de mais um incomodo tal e qual uma faixa de cd arranhada... Silencio profundo nas minhas lágrimas derramadas e visualizo um filme do qual o final eu sei. Me perguntei por várias e várias vezes: 
- Por quê  é tão difícil perceber e entender o que me incomoda com tanta veemência? Será que eu estou sendo exagerada, será que eu estou sendo irracional?
- Ainda que seja simples o amor porque complicamos?
- Por quê esse filme em que a vida me fez passar insiste povoar minha memória tal qual um aviso?
E então... Queimei. Expeli e ardi! E mesmo que a dor passada é superada, a atitude presente revive e me faz questionar das coisas que quero eternamente esquecer. Diria Nietzsche "Abençoados são os esquecidos, pois eles tiram o melhor proveito dos seus equívocos." e por assim dizer não senti nada disso em doses homeopáticas meu bobo. Reconheço em mim a necessidade de sentir mais do que de pensar e percebo que às vezes perder o equilíbrio por amor, faz parte de viver a vida em equilíbrio.

Por chorar demais aqui me dispeço,
Bonita.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Em resposta: A Sociedade e o amor Romântico. Será que estamos preparados para a vida afetiva?



“É injusto, doloroso e insuportável assistir a um amor que foi tudo se tornar nada”. (Gabriella Lima)

É Gabi, infelizmente vivemos numa sociedade em que tem lemas do tipo: - Tá ruim, larga ele(a) e corre atrás do que te faz bem!
Relacionamentos são sim vias de mão dupla e uma dose do chamado ceder. Não entrarei nos méritos religiosos da coisa até porque, nas relações cada um sabe das suas crenças e o que une duas pessoas é o amor e a vontade de permanecerem juntos. 
Felizmente , nos dias atuais , casar deixou de ser uma obrigação social e um meio de sobrevivência principalmente para as mulheres. Só que vivemos um momento em que as pessoas se tornaram donas da sua própria órbita e esquecem que pequenas atitudes, expectativas diretas e/ou indiretas magoam dia após dia. Muitas pessoas dizem que o romantismo acabou. Talvez não. Talvez esse seja o momento do clube dos corações românticos que não se entende nem na hora de escolher a pizza do fim de semana. (Piada Interna)

Mas voltando ao que interessa, e mesmo nos dias de hoje , embora existam ainda casamentos dos mais diversos tipos (civil, religioso ou até o populacho juntar as escovas de dentes) as pessoas casam por que acreditam, se relacionam por que acreditam que ali há uma "coisa" maravilhosa. Mas por faltar o diálogo, os medos são crescentes (Prazer, senhora medo ambulante - do abandono, da rejeição e do descarte!), algumas prioridades são denominadas maiores do que estar ali, maiores do que resolver uma rusga, um incômodo, maiores do que virar pro outro lado e dormir deixando situações cotidianas sem ser resolvidas e pasmem mesmo que você durma no dia seguinte a situação parece maior do que o dia anterior.

Outro dia li uma matéria que falava justamente sobre o que sabemos sobre o amor. Ela citou algo que me fez pensar e trazer um flashback a minha pequena cabecinha: "No dia a dia muita gente desiste da vida por pequenas dificuldades. As pessoas não têm muita paciência, não gostam de ouvir, não tem tempo pra se dedicar. Me refiro, principalmente, aos relacionamentos amorosos. A impressão é a de que sabemos tudo sobre o amor, mas na hora de praticar falta um "plus". E isso é o grande diferencial em romances duradouros."
Lendo isso só fez confirmar a minha tosca teoria de que amor é capaz de transformar, superar, suportar, perdoar, cativar e manter vivo. Ora, ora, ora, relacionamento e casamento é rotina ; é partilha ; é comunhão de problemas , obrigações chatas, fazer a social quando se quer ficar enfurnado em um canto qualquer , crises existenciais ; grana curta e neuroses de todos os tipos. Estamos desapontando e sendo desapontados constantemente. Estamos sempre fazendo uma burrada por insegurança. Nem sempre ouvimos a resposta que gostaríamos ou recebemos aquele mega elogio por um novo corte de cabelo. Mas no fim das contas se dialogamos tudo vale a pena. 

Se desistirmos de cada compromisso por motivos banais ou até mesmo idiotas, provavelmente , nunca conseguiremos construir uma relação duradoura. Amar vai muito além da emoção. Amor é compaixão. Amar vai muito além da paixão. Amor é comunhão. Amar vai muito além do momento, do aqui agora; amor é construção. 
Ai pergunto a você através desse título "Será que estamos preparados para a vida afetiva?" 
 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Optei por não ter filhos - E agora?


por Gabriella Gilmore




Bom dia pessoal do #CLV!
Hoje vou escrever novamente sobre a imposição da sociedade sobre nós mulheres quanto ao casamento e afins.
Quem ainda não leu o texto “Solteiras sim, por que não?” E “A sociedade e o amor romântico” está esperando o quê? Um tema puxa o outro.
Volto a afirmar que não sou perita no assunto, apenas exponho minha opinião.




Sou uma pessoa muito observadora, às vezes chego a ser invasiva quando estou tendo algum papo sério com alguém. Acontece que não consigo falar apenas sobre coisas fúteis, como shampoos, homens bonitos e o sapato novo que alguém comprou. Por que vocês sabem como são as mulheres. Só sabem falar do outro. AFF!
Eu gosto de falar de mim e de ouvir o que o outro quer falar sobre ele mesmo. Papo flui, papo rende. Você não faz fofocas e ainda se torna uma pessoa mais agradável.
Anyways...
Tenho algumas amigas casadas, algumas até com mais de 10 anos. Apesar de não terem filhos, algumas ainda estão curtindo a “lua de mel”, outras se preparando espiritualmente e financeiramente para ter um bebê e outras simplesmente optaram por não serem mães. Você vê algum problema nisso? Eu não. Porém a sociedade podre sim.
Eu sou tão crítica que chego a ser nojenta até comigo mesma, e ontem eu falava algo sobre isso com meu diretor (relacionado à sociedade) que ele me jogou uma bomba no colo: A sociedade somos nós.
Voltando ao assunto ter filhos ou não, primeiramente preciso que entendam que o corpo é seu, somente seu, e que essa decisão só cabe a você e ao seu marido. O resto pode explodir. Desde que começamos a namorar somos bombardeados com preceitos. O pior é quando nos sentimos mal com alguns deles. Já presenciei muito casamento ter sido concretizado apenas porque o casal passava dos “45654637” anos de namoro. Já vi casamento acontecer porque arrumaram filhos “antes da hora”. Já vi casamento montado por mães ambiciosas que praticamente venderam suas filhas. E por ai vai... Casamento assim dá certo?
Se nós somos a sociedade, porque nos sujeitamos a coisas tão calculadas e frias assim?
Se por acaso você continua se sentindo inferior só porque se casou e não teve filhos e formação acadêmica como suas amigas, sente-se no sofá e vá comer fandangos assistindo filmes censurados com o esposo sem medo de ser feliz.
Suas amigas tiveram escolhas assim como você teve as suas então pare de choramingar.
Já parou para pensar que sossego deve ser você poder sair com o maridão sempre que quiser sem se preocupar em deixar o filhote com alguém? Ou poder dormir tranquilamente sem se preocupar em alimentar o bebê no meio da madrugada? Sem esquecer de que filhos roubarão noites de sono por toda a vida, hein? E o melhor, ser tia é muuuito mais legal que ter a preocupação de ser mãe. Você sempre será a boazinha, nunca a vilã! Rs.
Não estou fazendo apologia para as mulheres não serem mães, só quero que entendam que há tempo para tudo. Há todo tipo de casal, com filhos ou não. Felizes ou não.

O importante é você estar bem resolvida nas suas escolhas, e se por ventura há algo que lhe incomode, não deixe para resolver amanhã. O ser humano tem mania de sofrer por antecipação. Nunca se esqueça de que o futuro não nos pertence. Viva o agora. Contemple sua relação hoje, o amanhã será consequência.

domingo, 26 de julho de 2015

Qual o marido ideal? (Correio feminino) Clarice


mulheres que preferem os louros, outras preferem os morenos do tipo atlético. Isso de preferências físicas é fácil de escolher. O que importa saber é que tipo de homem uma mulher elegeria como o marido ideal. Que conjunto de qualidades, virtudes e aptidões precisaria ele possuir para satisfazer as exigências de uma esposa.
De acordo com a opinião de um grupo de moças, um marido deverá ser carinhoso e fiel. Esses são os principais atributos. Deverá ser também trabalhador, preferindo umas, depois dessa qualidade, que o marido em apreço seja ambicioso. Outras preferem que além de trabalhador seja pacato, amante do lar.
Portanto, carinhoso, fiel, trabalhador e ambicioso ou pacato, são essas as principais qualidades que um marido ideal deverá ter. Mas será que o marido ideal existe mesmo, ou só vive na imaginação das moças sonhadoras?
Não é tão difícil - achamos - encontrar um marido que preencha as exigências das filhas de Eva. Isso porque, quando um homem está apaixonado, ele consente em se tornar aquilo que sua amada deseja que ele seja. É pena que passado o período da paixonite aguda, o homem volta a ser o que era, com todos os seus defeitos e limitações

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A sociedade e o amor romântico

por Gabriella Gilmore

Recebi um texto recentemente pelo celular que me fez pensar de novo no amor romântico e  na vida a dois.
O texto falava que o amor uma hora acaba.
Será?
O amor acaba ou somos nós que deixamos o amor acabar?
Te peguei!


Não sou perita em relacionamentos, até porque eu falhei em todos! Como diz uma amiga e também redatora deste Clube, “você tem dedo podre para homens”. Acontece leitor, que eu só sei amar torto.
Porém, isso não me impede de refletir sobre o tema e também desejar ter um amor verdadeiro e correspondido algum dia. Sem paranoias, sem precisar pensar por nós dois.
Uma coisa que irrita os parceiros é quando apenas UM pensa.
Esses dias eu comentava com uma colega de trabalho sobre como ando cansada de “conquistar” o homem desejado. Cansei. Estou exausta de fazer o papel de “macho” da relação. Aquele que galanteia como nos filmes de romance. Cansei de ser a mulher que deixa marcas, porque eu queria pelo menos uma vez ser conquistada. “You need to earn me”, disse Olivia Pope uma vez em Scandal.
Acredito que na relação a dois a conquista precisa ser mútua e diariamente. Ninguém precisa fazer a “Paula” e amar sozinho. O amor precisa ser correspondido, regado, ser interessante e interessado. Precisa de injeção de quebra de rotina. Fazer #aloka em dupla é muito bom!
Precisam nutrir uma sintonia mística. Sim! Dessas em que o casal compartilha da mesma fé. A maioria dos casamentos não dura porque o casal não ora juntos. No caso da pessoa que não é cristã, terminam porque não dialogam em sintonia. Por isso citei a “sintonia mística”.
“É injusto, doloroso e insuportável assistir a um amor que foi tudo se tornar nada”.
Acontece que o casal quando falha, normalmente, a princípio, ele falha sozinho. Dai o outro murcha. Se as pessoas tivessem o hábito de conversar antes, de pedir a Deus, Allah, Budah, ao Sol, uma orientação (em conjunto, porque você está num relacionamento a dois) e tivesse paciência para aguardar a solução chegar, o índice de divórcios seria menor. Porém, o que acontece é que as pessoas são imediatistas. Desesperadas. Ou na pior das hipóteses, são estúpidas, porque espera a situação chegar ao fundo do poço para assim tentar “resolve-la”. Já ouviu em falar em prevenção? Ou medicar a “doença” no início para ela não se agravar? A mesma coisa acontece com o amor.
Agora se você pensa que não nasceu para o casamento, me faça à gentileza de viver sua vida de solteiro feliz e com consciência. Porque a sociedade indiretamente nos obriga a casar, pois se você passou dos 30 e não se casou você é infeliz, fracassado e um estorvo.
Sociedade miserável. Que indiretamente te projeta para algo que nem você mesmo tem a certeza se está pronto. Eu vejo com tanta seriedade o matrimônio que mesmo correndo o risco de virar “avó” dos meus sobrinhos, eu ainda prefiro não embarcar nessa fase sem estar pronta, pois esse enlace é algo para ser duradouro, e não viver sobre aquela frase: Não deu certo separa.
As pessoas simplificam demais as coisas sérias. Ou seria o contrário?

E você? Já parou para refletir sobre o amor a dois?

domingo, 19 de julho de 2015

O Roubo



Roubaram-me a noite passada
Ele entrou pela janela da sala
Arrebentou a corrente do meu medo
Embrenhou-se em minha camisola
Levou-me uns sussurros
Dois ou três arranhões
Falou-me de seus perigos
Marcou-me a boca com palavrões
Prendeu meu corpo sob o seu
Entre beijos minha força se perdeu
Devia ter reagido
O normal seria ter fugido
Mas me rendi entre gemidos
Até que o dia amanheceu
(Waleska Zibetti, in "O Roubo")

domingo, 12 de julho de 2015

A uma senhora que me pediu versos

 

Pensa em ti mesma, acharás
Melhor poesia,
Viveza, graça, alegria,
Doçura e paz.

Se já dei flores um dia,
Quando rapaz,
As que ora dou têm assaz
Melancolia.

Uma só das horas tuas
Valem um mês
Das almas já ressequidas.

Os sóis e as luas
Creio bem que Deus os fez
Para outras vidas.

Assis, Machado. Poesias Completas, Rio de Janeiro: Garnier, 1901.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Eu, Clarice Lispector.



Seria destino, o nome disso?

Um dia desses, postei no meu blog em inglês um texto sobre Clarice.
O número de visitas foi tão interessante que resolvi postá-lo em português no meu Introspectors.
Lá, eu comentava sobre meu livro que estava lançando, e como conheci Lispector. Realmente ela é famosa lá fora e suas frases passam de “mãos em mãos”.
Uma vez twittei uma de suas frases para a Jéssica Origliasso da banda The Verônicas e ela retwittou.
Sim, Clarice toca no coração de todas as raças, em pessoas com diversos gostos e afins. Clarice fala a língua do 'P'. P de perfeito. Clarice fala do simples, do despercebido, do momento que deixamos passar. Ela pega tudo isso e faz poesia. Quem consegue fazer isso? Quem é ela? Que coisa, não? Ela é ou não é? Ela sempre será!
Minha relação com Lispector é curiosa porque só fui parar para ler seus trabalhos depois de ter lido um comentário lá no Recanto das Letras na qual dizia que a minha forma de escrever lembrava Clarice.
“Clarice quem? Ah, aquela escritora falecida brasileira. Sim, eu ouvi falar dela na época da escola.”
Corri na biblioteca mais próxima e peguei o livro “Perto do coração selvagem”. Me perdi. É, eu me perdi. Mas depois me encontrei e se hoje sei quem sou, eu agradeço a Clarice Lispector.

domingo, 7 de junho de 2015

BRASÍLIA, ME DESCUBRA!



Brasília é uma cidade para se conhecer em um passeio turístico e com um guia que saiba com detalhes cada monumento que ela possui. Nem mesmo os nascidos ou criados lá sabem o tesouro cultural e de inteligência que ela possui. Depois disso, tire mais ou menos um mês de férias para você continuar a entender suas quadras, superquadras, tesourinhas e vias de acesso como W3 sul/norte, L2 sul/norte. Quem? Pois é.
Quando me mudei para lá, nos primeiros meses eu fiquei de cabeça doendo.
O clima seco, juntamente com suas ruas sem nome incrivelmente iguais uma das outras, me deixavam louca. Depois fui percebendo que aquela culta cidade é matemática lógica pura. Me apaixonei.
Em seis meses eu já conseguia me deslocar por lá com mais facilidade e até comecei a sentir saudade de como era se perder.
Uma vez, tive crise de pânico dentro de casa no Cruzeiro. Precisei sair para a rua para descarregar a explosão de energia que brotava de dentro de mim. Peguei Matilda (minha Caloi) e fui correr dentro do bairro. Em uma hora eu rodei três bairros.
Não me perdi.
As quadras por terem sequência numérica facilita a vida dos brasilienses/candangos/aventureiros.
A única coisa que me fez perder por lá foi o seu céu.
Quase sempre limpo e muito azul, você consegue nadar nele sem ficar com os olhos vermelhos e de cabelo duro.
O nascer do sol é estupendo. O céu começa num laranja clarinho até ficar azul bebê. A grama verde que tem por toda a cidade, monta perfeitamente a bandeira do Brasil.
Para quem nunca viu um céu lilás escondido no rosa, é só esperar o por do sol para você entender o que estou falando. Não. Eu não uso drogas.
Na noite, você estica as mãos e rouba uma estrela. E a lua com toda sua sedução te engole num piscar.
Cidade da natureza.
Às vezes acho que há uma cidade dentro de um parque, e não ao contrário.
Comecei a fazer coleção de árvores por lá. São tantas, tantas! Nunca consegui fotografar todas, e nem vou.
Brasília é tão astuta que às vezes fico com vergonha de mim.
Eu andava em algum lugar e me deparava com um concreto aparentemente sem explicação, mas eu sabia que se eu tivesse escutado melhor o guia turístico lá no início desse texto, eu entenderia. Porém acho que o mistério daquela cidade estava naquilo, em te deixar absorta.
BSB tem uma coisa de que não acho graça. O povo e a comida.
“Ow, me vê um prato típico de Brasília?” Ixxi, não tem. “Qual é o sotaque do brasiliense?” Abafa que também não tem.
Lá você vê muito nordestino, goiano, mineiro, e outros. Brasiliense que é bão, nada.
Você só consegue ter contato com eles no trabalho. Fora isso todo mundo some. Nunca consegui pegar uma caneca de açúcar com minha vizinha do prédio. Será que vivia mesmo alguém lá?
As pessoas devem ter medo de gente. Só pode.
Entretanto Brasília é moderna e ousada, apesar de ter essa população fechada e individualista. É quadrada, às vezes oval, de concreto e cimentada. É Nova Orleans, Paris e Saturno. É um museu de arte contemporânea em área aberta. É lógica, e nos ensina a caminhar um pouquinho, justificando aqui seus “quarteirões” enormes e distantes um dos outros. Foi inspiração de vários artistas e ainda tem mexido com muita gente, perpetuando-se. É Brasília sua irreverente! Sua linda!!!

domingo, 31 de maio de 2015

Essa não é mais uma carta de amor...



Não é a dor que quero entender (essa dói e pronto), mas esse mistério de duas almas que não se tocam no físico e têm quase uma unidade na imortalidade.
Mas é isso que quero! Quero ser clara o suficiente para que não possa esconder aquilo que sinto, o que vejo e que principalmente leio nas entrelinhas.
Você me ama? Não sei, talvez você se importe, talvez você apenas goste, talvez você sinta algo mais. Mas também sei que nada se compara ao sentimento alheio a minha vontade.
Você quer construir uma vida comigo? Um dia de cada vez tem sido assim, mas, quantas vezes eu fiquei sonhando, imaginando momentos, vendo a leveza das estações do ano.

Tem desejo e sabor?

Será que eu estarei ao nível de suas expectativas?

Eu queria uma certeza, vivo delas e foi com elas que pus meus pés no chão para caminhar todos os dias em busca da vida, dos sonhos, dos desejos...
E quantas vezes vislumbrei o que seria o derradeiro e nem início era. Quantas vezes esperei contar e só senti se afastarem e eu ficar no chão... Engraçado que eu lembro que no início eu senti que o elevador havia parado no mesmo andar, e que a partir dali eu estaria subindo um degrau por vez, tijolo por tijolo num desenho mágico.
Eu quero tanto a certeza não do absoluto, mas, daquela certeza que faz a gente ir em frente como tantas vezes fiz. Quero ter a certeza premonitória que posso mergulhar, que não encontrarei uma pedra.
“Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se eu não tivesse o amor, seria como sino ruidoso ou como címbalo estridente.
Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência; ainda que eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse o amor, eu não seria nada.
Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse o amor, nada disso me adiantaria.”
Poderia achar fórmulas mirabolantes e ler todos os textos dos sites que falam tanto e com tanto entendimento sobre relacionamentos, poderia ouvir conselhos dos mais diversos sobre a fórmula mágico do fazer dar certo. Mas será que isso realmente funciona?
Não bonito!
Tem vezes que acho que estar fazendo o certo e não vejo respostas, recíprocas ou que nomes poderíamos
dar. Sei o quanto preza sua liberdade, sei dos seus diversos sentimentos, apesar de você achar que não os conheço, sei mais do que suficiente para sentir as energias que são emanadas para mim.
Você me pede que eu sinta, você me pede que eu não me pegue nisso ou naquilo, mas quantas vezes eu senti, eu li a verdade nos seus olhos e sempre acreditei que nós podíamos mais do que ter, mas, ser!
Sinto tudo...
Sou visceral!
Sou silêncio, sou o medo das palavras, pois sei o poder que elas têm, tanto para o bem quanto para o mal...
Devo dizer que sentei com a mais bela carta de amor na cabeça, mas, ao sentar para colocar tudo pra fora, eis que você surgiu, tão belo e vistoso, tão perfeito e tão... Que não contive as minhas lágrimas.
Sempre quero dizer que tudo começou muito antes, provavelmente, acredito, pela troca de um olhar casual que, por força de uma energia muito especial, congelou-se no espaço para ganhar a condição de um momento eterno, definitivo.
Aquele olhar trocado há tanto tempo mudou a minha vida, fez com que eu me sentisse cada vez mais feliz, mais humano e mais contente.
Ainda hoje, cada vez que você olha para mim, sinto a possibilidade sincera de felicidade eterna, de alegria permanente.
Tudo por força de um primeiro olhar; uma força tão grande que alimenta o meu coração até hoje, que me dá esperança de um futuro cada vez melhor, que me dá a certeza de que eu serei sempre feliz, pois sinto, a cada novo olhar que trocamos, que você estará sempre ao meu lado...
Tudo por causa daquele primeiro olhar, há tanto tempo...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

PONTE PARA A CIDADANIA



A arte como ponte – Cidadania

Texto publicado primeiramente em 2008 por Gabriella Gilmore.

Ser cidadão é mais do que saber sobre as leis e deveres, é faze-la cumprir, é ter mente idealista; aquele que se incomoda com o jeito de como anda a situação e que não se cala, age.
O problema da sociedade é que ela se acomodou. Se liga mais no resultado do que no processo de como foi feito a ação. Se tornou covarde e prefere morrer calada em meio a hipocrisia do que viver pregando uma ideia que para uns é utopia. Somos responsáveis por todas as nossas ações e ela reflete numa  distancia quilométrica, porém preferimos nos fazer de cegos.
Humanidade esta, que se importa mais em levar cientistas para marte, gastando bilhões, do que ajudar as pessoas que já nem tem mais lugar aonde morar, que vive da sorte. porque esperanças não há. (José Saramago)
Pensamos que com o avanço da ciência e tecnologia tudo iria melhorar. Mas o poder nas mãos de pessoas egoístas é assassinato. 
Criança sem infância sadia que já não solta pipa na rua ao sol. Adolescentes que preferem dialogar com a fria tela do computador e jovens se matando por uma alegria artificial.
Podemos reverter este quadro sim, usando a arte como ponte, levando cores, harmonia, ritmo, letras às crianças, pois elas são a nossa esperança.
Descobrir a qualidade perdida daquele jovem sem ânimo e fazer com que ele esqueça seus defeitos e possa ouvir suas virtudes, mesmo que seja uma só. Esta é a luz que brilha em meus olhos e que há de reluzir no mundo, muito antes que marte.

domingo, 5 de abril de 2015

Elogio da Sombra


A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo de nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e sua alma.
Vivo entre formas luminosas e vagas
que não são ainda a escuridão.
Buenos Aires,
que antes se espalhava em subúrbios
em direção à planície incessante,
voltou a ser La Recoleta, o Retiro,
as imprecisas ruas do Once
e as precárias casas velhas
que ainda chamamos o Sul.
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;
Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;
o tempo foi meu Demócrito.
Esta penumbra é lenta e não dói;
flui por um manso declive
e se parece à eternidade.
Meus amigos não têm rosto,
as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,
as esquinas podem ser outras,
não há letras nas páginas dos livros.
Tudo isso deveria atemorizar-me,
mas é um deleite, um retorno.
Das gerações dos textos que há na terra
só terei lido uns poucos,
os que continuo lendo na memória,
lendo e transformando.
Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte
convergem os caminhos que me trouxeram
a meu secreto centro.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites,
entressonhos e sonhos,
cada ínfimo instante do ontem
e dos ontens do mundo,
a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,
os atos dos mortos,
o compartilhado amor, as palavras,
Emerson e a neve e tantas coisas.
Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,
a minha álgebra e minha chave,
a meu espelho.
Breve saberei quem sou.

Borges, Jorge Luis. Obras Completas Volume II (1952-1972). Emecé Editores S.A., 1989, Barcelona - Espanha.

Até o Próximo Texto
Au Revoir 

sábado, 4 de abril de 2015

O DOCE SABOR DE UMA MULHER DESLUMBRANTE


Uma mulher deslumbrante
não é aquela que mais
homens tem a seus pés.

Mas sim aquela que tem
apenas um que a faça
realmente feliz.

Uma mulher formosa não
é a mais jovem.
Nem a mais frágil, nem aquela
que tem a pele mais sedosa ou
o cabelo mais chamativo.

É aquela que com apenas
um sorriso franco e aberto
e um bom conselho pode
alegrar-te a vida.

Uma mulher de valor não,
é aquela que tem mais
títulos ou cargos acadêmicos,

E sim aquela que sacrifica
seus sonhos temporariamente
para fazer felizes os demais.

Uma mulher deslumbrante não
é aquela mais ardente e sim a
que vibra ao fazer amor somente
com o homem que ama.

Uma mulher deslumbrante não
é aquela que se sente adulada
e admirada por sua beleza e
elegancia,

E sim aquela mulher firme
de caráter.
Que pode dizer "Não".

E um Homem...

Um homem deslumbrante
é aquele que valoriza uma
mulher assim...

Que se sente orgulhoso de
tê-la como companheira...

Que sabe acaricia-la como
um músico virtuoso toca
seu amado instrumento...

Que luta a seu lado compartilhando
todas as suas tarefas, desde lavar
pratos e preparar a mesa, até
devolver as massagens e o carinho
que ela te proporcionou antes.

A verdade, companheiros homens
é que as mulheres com mania de
serem "mandonas" não levam
vantagens...

Que tolos temos sido e somos
quando valorizamos um presente
somente pela vistosidade do pacote...

Tolo e mil vezes tolo o homem que
come sobras na rua, tendo um
deslumbrante manjar em casa!

Esse texto é para as mulheres
deslumbrantes para reforçar
sua auto estima e para os homens
para que meditem sobre isto

Até o Próximo Texto
Au Revoir

quarta-feira, 18 de março de 2015

Olha só morena!



Sexta, 16:59. Um só pulsar, uma vontade, um nome: "Aquiles*".
Olha para a janela e tem o pensamento de que em poucos instantes irá correndo para os braços de quem está esperando.
O que será que ela pensa?
Com quem será que ela sorriu hoje?
Será que a nossa sintonia funciona?
Será letra e música do Lennon e McCartney?
Será poesia da Mallu**?
Será as playlists que tocavam pelo bluetooth do celular em todas as caronas e eram como declarações pra ela?
 
Tomado por um instante de silêncio...

17:00
Com todas as coisas arrumadas, saio em disparada.
A cada passo que dou, é uma certeza do reencontro.
A cada até logo para um colega, um desejo de chegar logo ao meu destino.
Saudade é o nome, é o perfume, são os beijos, é a vontade de saber como foi seu dia, seus pensamentos.
Saudade é contar o tempo e acreditar que ele está mais lento, é ter a sensação constante de que toda a angústia acabará em alguns minutos, dentro de um abraço.
Saudade é ficar esperando o dia, a hora, o lugar e o momento de dizer “eu senti saudade!”
"Eu estou com saudade!" 
Ah, não sabe a força que tem essas 4 palavrinhas. Tem o poder de salvar o mais melancólico dos corações (o meu), imagina só a imensidão das horas e que estava o dia inteiro esperando para te dizer essas palavras.
Saudade é planejar os próximos abraços, toques, ficar agarradinho… é a expectativa de encontrar de novo.
E por falar nisso...

17:45, chave no portão e...
** Refere-se a Mallu Magalhães, cantora e compositora Brasileira.
* Aquiles nome fictício do nosso amado

Até o próximo texto
Au Revoir

terça-feira, 17 de março de 2015

O Convite



Era sempre da mesma maneira: ele chegava com sorriso e promessas. Vinha todo lindo cheirando a novo. Ela o observou se aproximando sorrateiro com seu jeito envolvente já tão conhecido.

__ Vamos?
__ Não posso. 
__ Por que?
__ Medo. 
__ Do "novo"?
__ Não! Do "de novo".

E Amor segue seu rumo sozinho cantando um samba de Cartola. Enquanto ela observa a noite escura salpicar-se de estrelas, pensa no amor que acabara de recusar. E sorrindo serena, esconde-se nas entrelinhas de Cecilia Meireles.

"Viajo sozinha com o meu coração 
Não ando perdida, mas desencontrada 
Levo o meu rumo na minha mão"
(Waleska Zibetti, in "O Convite")

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ária para Assovio


Inelutavelmente tu
Rosa sobre o passeio
Branca! e a melancolia
Na tarde do seio.

As cássias escorrem
Seu ouro a teus pés
Conheço o soneto
Porém tu quem és?

O madrigal se escreve:
Se é do teu costume
Deixa que eu te leve.

(Sê... mínima e breve
A música do perfume
Não guarda ciúme).
 
Moraes, Vinícius de. Novos poemas. Rio de Janeiro, José Olympio, 1938.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Borboleta




Era tarde de um dia chato e os dois olhavam o dia morrer descompromissadamente. Tudo era preguiçoso. Talvez fosse o calor. 

__ Um dia ainda serei borboleta!

Falou ela como se aquilo fizesse todo o sentido do mundo. E depois respirou fundo, tornando a olhar o nada. Ele então, como que desperto de um transe, encarou o rosto dela com enorme estranheza e condenação. 

__ E você só viverá 24 horas.

Ela olhou-o sorrindo e seus olhos tinham inocência pueril. 

__ Serão as melhores 24 horas que já vivi. 

Ele não tinha mais argumentos diante de tantos sonhos. 
(Waleska Zibetti, in "Borboleta")

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Meu Primeiro Amor


__ Eu queria tanto que não fosse assim. Já fiz tudo para não ser. Mas não consigo. Existe e independe de mim. 
__ Então...
__ Eu te amo!
__ Você não gosta disso, não é?
__ Dói! Dói demais. E eu já chorei tantas vezes por causa desse sentimento. Mas não sei tirar daqui. Eu não consigo!!!
__ Por que você me ama?
__ Eu não sei. Eu não sei explicar você em mim. Eu não sei o que é isso. Só sei que você está aqui e o peito dói demais. Todavia, longe de você ele dói demais na dependência de lhe ver. Eu preciso saber de você para poder dormir em paz.
__ O que tenho que faz você me amar?
__ Não sei! E talvez amar seja isso, só sentir sem explicar. Sei que quando levanto, penso em você. E durante o dia. E quando vou dormir. E mesmo quando brigo e sumo. Quando eu decido me apaixonar por outra pessoa. É uma idiotice minha! Porque você é o corpo que eu abraço e a boca que eu beijo. E eu nunca vou conseguir ser feliz com ninguém. Ninguém nunca vai me completar. Porque eu não sei amar outro alguém. Você está tão em mim que já não sei onde eu começo e você termina. Nunca entenderei isso, não é?
__ Não sei!
__ Sei que você não sente o mesmo. E talvez nunca vá sentir. Acho que é possível alguém amar sozinho. Só queria que não doesse tanto. E que uma por uma vez...
__ O que?
__ Pudesse ser. Eu queria só poder uma vez ter você para mim. Nem que fosse para morrer de amor depois. E talvez morrer de amor ou enlouquecer por ele seja nobre ou, pelo menos, me dê uma razão. 
__ Não brinca mais de ir embora.
__ Desisti. Eu não sei mais o caminho da saída. 
__ Tudo de mais intenso que vivi foi com você.
__ Tudo de melhor em mim veio de você. A vida nunca explica o porquê de sentirmos algo por alguém. Nós buscamos conforto na religião, na psicanálise, na arte... Qualquer coisa que nos deixe perto de um porque para o que não tem por que.  Você finalmente me ensinou a amar, e que eu entendi que amar dói. E muitas vezes você doeu em mim. E dói. Perguntei-me o que você tem que apesar de tudo eu ainda estou aqui. Eu nunca soube me responder. Repeti para mim inúmeras vezes que sou uma burra completa. Mas quis Deus que eu gostasse de você. E eu gosto muito. Gosto que dói! Você foi única pessoa que me fez e me viu chorar. A vida não explica sentimentos, só nos dá. E cabe a nós senti-los. Posso não vê-lo nunca mais. Mas te amar será para sempre!

Silêncio...
(Waleska Zibetti, in "Meu Primeiro Amor")

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Inferno





__ Qual o caminho para o inferno? - perguntou ele tão seriamente que a profundidade de sua voz chegava a assustar.

__ Qualquer um desenhado em vermelho. - disse ela sorrindo.

__ Como assim?

E deitando sobre ele...

__ Assim! -  disse ela entre beijos - Caminhos como esses que faço agora com a ponta de minha unha na tua pele branca. 

Perderam-se.
(Waleska Zibetti, in "Inferno")

sábado, 31 de janeiro de 2015

Fanatismo


Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Espanca, Florbela. Soror de Saudade. Tipografia A Americana. Lisboa, 1923.