segunda-feira, 13 de abril de 2015

SONO E SAÚDE - CLV DICAS

Informativo do #CLV



O post de hoje é voltado para o leitor que tem problemas para dormir.
Se nenhuma das dicas abaixo amenizar a insônia, não adie mais uma visita ao clínico.
Em geral, nós não damos valor ao sono, a não ser quando ele começa a ficar difícil. Durante o sono, o cérebro e a mente penetram em um estado bastante diferente da vigília - não é apenas uma questão de “desligar”. E quando o sono é limitado, o impacto sobre a saúde pode ser significativo.
Vou dividir com vocês uma experiência própria.
Há alguns anos, antes de eu ser diagnosticada com Síndrome do Pânico, minhas noites de insônia não faziam muito sentido. Não entendia porque sentia essa vontade acelerada de ficar acordar 24hrs. Teve uma semana, a anterior de eu procurar o médico, que fiquei uma semana apenas no cochilo. Quando pegava no sono, eu acordava e não conseguia dormir. Com essa privação de descanso cerebral, me acarretou dores de cabeças insanas.
Adiantando um pouco a história, quando comecei a fazer o tratamento do transtorno, eu precisei reaprender a dormir.
Hoje eu sou muito disciplinada quanto a isso porque sei o quanto foi difícil aprender a controlar meu sono.
Eu descobri que realmente necessito de no mínimo 7hrs de descanso direto para acordar bem.
Outra observação que tive, foi quando trabalhei alguns anos em recepção de hotel. Eu tinha turnos de zero hora que eu simplesmente odiava. Eu basicamente perdia 2 dias de sono.
Primeiro, porque se eu fosse ficar na madrugada de sábado para domingo, eu precisava dormir à tarde de sábado toda para conseguir trabalhar sem cochilar na madrugada. E quando eu chegava em casa no domingo de manhã, eu dormia quase o dia todo, basicamente levantando para comer, beber água e deitar novamente. Eu me sentia um moribundo.
Isso foi se tornando uma rotina, e eu passei a reparar como minha imunidade estava ficando baixa e a gastrite que eu já tinha piorou. Teve uma vez que sai de manhã do trabalho direto para o postinho de saúde de tanto refluxo gástrico que saia do estômago. Reparava também que por volta das 2 horas da manhã, o sono chegava pesado. Mas eu me mantinha firme. Depois dessa hora de fadiga, o sono sumia, e perto das 5 da manhã eu me sentia com a mente estranha, eufórica e desordenada.
Isso deve variar de pessoa para pessoa, mas sabemos que uma noite perdida nunca mais será recuperada.
A rotina tanto faz parte de nossas vidas como é necessária por diversas razões. Fique atento aos sinais e não deixe de procurar por ajuda. Um bom descanso faz toda a diferença na nossa vida.
Segue abaixo algumas dicas para te ajudar a relaxar antes de dormir.

·         Assegure o conforto do quarto – nem muito quente, nem muito frio, e o mais escuro possível.
·         Os exercícios físicos ajudam-nos a desacelerar, mas não devem ser a última coisa a ser feita à noite. Os exercícios aceleram o metabolismo e dificultam o relaxamento.
·         Assim como com relação ao exercício físico, é importante não trabalhar imediatamente antes de ir para a cama nem se envolver em atividade mental estimulante.
·         Tente escolher um programa de televisão ou um assunto de leitura que não exija muito raciocínio.
·         Experimente ingerir uma bebida láctea ou um chá de ervas calmante. Uma tigela de cereais também pode ajudar, porque os carboidratos induzem o sono.
·         A crença popular de que queijo provoca pesadelos é incorreta – é bem mais provável que provoque uma crise de indigestão.
·         Se você tem problemas reais, o melhor caminho para regular os seus ciclos de sono-vigília consiste em acordar na mesma hora todos os dias, inclusive nos fins de semana.



Créditos: Reader’s digest (Maximize o potencial do seu cérebro)

domingo, 12 de abril de 2015

Despedida


E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


Braga, Rubem. A Traição das Elegantes. Editora Sabiá, Rio de Janeiro.1967.

Até o próximo texto
Au Revoir 

sábado, 11 de abril de 2015

PORQUE EU NÃO SOU CRISTÃO

PORQUE EU NÃO SOU CRISTÃO – ENSAIO DE BERTRAND RUSSELL

Antítese por Gabriella Gilmore

A revista Life assegura-nos, num de seus editoriais, que, “salvo quanto ao que se refere a materialistas e fundamentalistas dogmáticos”, a guerra entre a evolução e a fé cristã “já terminou há muitos anos”, e que a própria ciência... desaprova a ideia de que o universo, a vida ou o homem pudessem haver evoluído por puro acaso”.



Um breve perfil de Bertrand Russell



Filósofo, matemático e lógico britânico. Em vários momentos na sua vida, ele se considerou um liberal, socialista e pacifista. Mas também admitiu que nunca foi nenhuma dessas coisas em um sentido profundo. Nascido em 1872, filhos de aristocratas, foi uma grande influência no século XX.  Morreu em 1970 vítima de uma gripe.

Venho estudando teologia há um ano, depois de ter passado alguns anos estudando filosofia e misticismo, digamos assim.  Tudo começou há 12 anos quando eu ainda não havia encontrado respostas para uma série de questionamentos. Precisei sair um pouco da zona de conforto para buscar informações, foi quando dei de cara novamente com o início.

“Só um risco real testa a realidade de uma fé” – C.S.Lewis.

E eu precisei quase perder a minha fé para poder entendê-la melhor.
A seguir escreverei trechos do ensaio de B.Russell adicionando meu ponto de vista utilizando minhas atuais pesquisas e suas fontes.

“Considero todas as grandes religiões do mundo, não só falsas, como prejudiciais”.
Concordo até certo ponto. Porém preciso ressaltar que a religião foi criada por homens e o que mais podemos ver nos dias de hoje são pessoas professando o nome de Deus de forma debochada e com segundas intenções. Mas se você parar para estudar os livros da Bíblia poderá decifrar essas pessoas e as instituições. O livro consegue ser atemporal ao ponto de conter provérbios que muitos filósofos usaram com outras palavras em suas famosas frases de reflexão. Mal sabe você que está recitando versos cristãos.

“Refiro-me ao argumento da prova teológica da existência de Deus. Tal argumento, porém, foi destruído por Darwin”.
A evolução só nos disse o que acontece depois que se tem vida, então da onde vem essa coisa que está viva? Se a planta nasce de uma semente, quem fez essa semente?
Em Gênesis 1: 11 e 12 diz: Que a terra produza todo o tipo de vegetais, isto é, plantas que deem sementes e árvores que deem frutas! E assim aconteceu. A terra produziu todo o tipo de vegetais: plantas que dão sementes e árvores que dão frutas. E Deus viu que o que havia feito era bom.

“À parte a força lógica, há para mim, algo estranho na apreciação ética daqueles que pensam que uma Deidade onipotente, onisciente e benevolente, após preparar o terreno, durante muitos milhões de anos de inanimadas nebulosas, se sentiria adequadamente recompensada com o aparecimento final de Hitler, Stalin e da bomba H”.
Dizem que o mal é a arma mais potente do ateísmo contra a fé cristã. Se Deus é bom, por que existe o mal? Por causa do livre arbítrio.
Deus tolera o mal neste mundo temporariamente, para que um dia aqueles que acreditam nEle vão morar no céu sem a influência do mal, porém, tendo seu livre arbítrio intacto. Para as pessoas ateias que não acreditam em absolutos morais sabem que pegar algo que não é seu é errado. Para os cristãos o ponto fixo da moralidade, o que constitui certo e errado é uma linha reta que leva direto a Deus. Sem Deus, não existe motivo real para ser moral. Não existe nem um padrão do que é comportamento moral. Para os cristãos, mentir, roubar, matar é proibido, mas se Deus não existe, como Dostoievski afirmou “Se Deus não existe, então tudo é permitido”.  (Reflexão extraída do filme God’s not dead).

“Quanto à espécie de crença, considera-se virtude ter fé, isto é, ter-se uma convicção que não pode ser abalada por prova contrária. Ou, se a prova contrária poder levar à dúvida, afirma-se que a prova contrária deve ser suprimida. Por essa razão, não se permite aos jovens ouvir argumentos na Rússia a favor do capitalismo, ou nos Estados Unidos a favor do comunismo. Isso conserva a fé em ambos intacta e pronta para uma guerra de extermínio.”
Em Timóteo 6:10 nos diz “Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos”.
Somos responsáveis por aquilo que buscamos aprender e como aplicamos os ensinamentos. E o não permitir os jovens nesses países a saberem certos assuntos políticos é muito mais obvio que seja algo manipulado pelo sistema governamental do que religioso, até porque a religião foi dominada pela política na era medieval por justamente querer deter todo o poder financeiro que a igreja estava adquirindo na época. O dinheiro tem muito mais a ver com os males do mundo do que a crença em Jesus Cristo que foi criado em família pobre e humilde.

“Quanto a mim, acho que é melhor fazer-se um pouco de bem do que muito mal”.
Parabéns Sr. Russell. Nisso pensamentos bem parecidos.

“Não considero cristã qualquer pessoa que tente viver decentemente de acordo com sua razão”.
Sim, eu e a Palavra precisamos concordar com você, porque em Gálatas 2:20 nos diz, “Assim já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E esta vida que vivo agora, eu a vivo pela fé”. Por isso não há espaço para a razão na vida do cristão.

“Na autobiografia de John Stuart Mill, lá encontrando a seguinte sentença: ‘Quem me fez?’ , não pode ser respondida, já que sugere imediatamente a pergunta: ‘Quem fez Deus?’”.
Em João capítulo 1, nos diz: “No começo aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus. A Palavra era a fonte da vida, e essa vida trouxa luz para todas as pessoas”.
Deus sempre foi, Deus é e sempre será o início, meio e fim. Não sou eu que afirmo isso. A sentença já foi afirmada quando nos fizemos gente. O ser humano pensa que tentar desvendar os mistérios de Deus fará alguma diferença em suas vidas, e por séculos e séculos de pesquisas e avanços científicos eles não percebem que ter acesso às coisas do céu são mais simples do que imaginam, mas eles não tem “fé”, no sentido duplo da palavra.

“Não há razão, de modo algum, para se supor que o mundo teve um começo. A ideia de que as coisas devem ter um começo é devido, realmente, à pobreza de nossa imaginação”.
Agora quem não está sendo racional é o Russell, rs, pois para tudo existe um começo, um meio e o fim, até mesmo nas redações. (Precisei ser sarcástica). E partindo dessa lógica, o mundo precisava sim ter sua história de começo e lembrando que não existem coincidências, acasos, para tudo existe um propósito.

“Quando se chega a analisar o argumento teológico de prova da existência de Deus, é sumamente surpreendente que as pessoas possam acreditar que este mundo, com todas as coisas que nele existem, com todos os seus defeitos, deva ser o melhor mundo que a onipotência e a onisciência tenham podido produzir em milhões de anos”.
O que Deus arquitetou para Adão e Eva foi o paraíso. O mundo que vivemos hoje com suas dores foi o que o casal escolheu, com o fruto da desobediência. O sábio é aquele que aprende com os erros dos outros, e Deus os alertou sobre não tocar na árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus não queria, exatamente, privá-los do saber, e sim protegê-los do que viria depois daquilo. Porque Deus já sabia do que aconteceria caso eles desobedecessem. Se você passar a analisar Deus como um grande e dedicado Pai, que protege, corrige o filho que ama, as coisas começam a ficar mais claras para nós, que tem mania de atribuir todas as calamidades ao maior arquiteto do mundo.

“Poderíamos, por certo, se assim o desejássemos, dizer que havia uma deidade superior que dava ordens ao Deus que fez este mundo?”
Não. Isso aqui não é como comparar o fantoche Hitler e sua crença nazista.

“Dizem que a existência de Deus é necessária a fim de que haja justiça no mundo. Na parte do universo que conhecemos há grande injustiça, e não raro, os bons sofrem e os maus prosperam”.
Às vezes nos questionamos por que as pessoas ruins têm tudo e os bons não tem nada. Ok. Às vezes o diabo deixa as pessoas viverem a vida sem problemas, porque não quer que recorram a Deus. Seu pecado é como uma cadeia, só que tudo é lindo e perfeito, e nos faz parecer que não há necessidade de sair. A porta está aberta. Até que um dia o tempo se esgota, e a porta da cela se tranca. De repente, é tarde demais. (Reflexão do filme God’s not dead)
As pessoas ficam confortáveis quando tudo está bem, perdendo o senso de “guarda”. E é exatamente aonde elas perdem a salvação. Pensamos assim: Está tudo perfeitamente bem, não preciso de Deus nenhum. Mas aquele que tem a consciência de que precisamos agradecer na alegria e também na tristeza, pedindo assim uma proteção contínua, sabedoria e discernimento, as pessoas passam a vigiar mais.

“O que realmente leva os indivíduos a acreditar em Deus não é nenhum argumento intelectual. A maioria das pessoas acredita em Deus porque lhes ensinaram desde tenra infância a fazê-lo”.
Sim, eu concordo, mas até certo ponto. Porém essa crença vai além do simples levar a criança/jovem/adulto à igreja. O que sela tudo é a experiência particular. É quando Deus responde sua oração. Te livra de alguma doença incurável, quando te revela em quem confiar e como agir. É algo que não pode ser mostrado por pessoa nenhuma porque é entre você e Ele.
Eu me encaixo no exemplo de Bertrand porque também fui levada para igreja ainda quando criança, que simplesmente repetia o que minha mãe fazia. Quando jovem, tive um despertar para estudar outras culturas, precisei sentir a necessidade de buscar a Deus por mim mesma, e não por influência da família. No período de frieza espiritual, nunca consegui esquecer dos ensinamentos e das palavras que vinham do céu para mim. Hoje eu digo com firmeza que sua fé só é abalada quando você nunca experimentou ouvir a voz dEle.

“Nas chamadas idades da fé, quando os homens realmente acreditavam na religião cristã em toda sua inteireza, houve a Inquisição com suas torturas. Houve milhares de infelizes mulheres queimadas como feiticeiras – e houve toda a espécie de crueldade praticada sobre toda a espécie de gente em nome da religião”.
Aqueles que estão envolvidos na feitiçaria não entrarão no reino de Deus. A Bíblia diz em Gálatas 5:19-21 “Ora, as obras da  carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus.”
Talvez o que eu vá escrever aqui não justifique o ato violento, mas a Inquisição contra as “bruxas” foi um extermínio IGNORANTE a mulheres que estavam POSSUÍDAS por espíritos do mal e que por opção, escolheram estar. Você encontra relatos sobre isso quando estuda sobre as Bruxas manipuladas/manipuladoras de Salém. Mulheres que preferiram buscar o poder das trevas a viver conforme a Palavra. A mesma serpente que persuadiu Eva no paraíso, esteve na época da Inquisição e está nos dias de hoje. E o papel da igreja sempre foi alertar as pessoas sobre isso. Mas quem se importa?

“Suponhamos que neste mundo em que hoje vivemos, uma jovem inexperiente case com um homem sifilítico. Neste caso, a Igreja Católica diz: ‘Esse é um sacramento indissolúvel. Devem permanecer juntos por toda a vida’. E nenhum passo deve ser dado por essa mulher no sentido de evitar que dê à luz filhos sifilítica. Isso é o que diz a Igreja Católica. Quanto a mim, digo que isso constitui uma crueldade diabólica.”
Preciso concordar. Porém ressalto que a sífilis poderia ter sido evitada se o homem não houvesse dormido com outras pessoas. Por isso as igrejas pregam sobre o sexo depois do casamento.

Preciso parar por aqui para não tornar a leitura algo extenso e cansativo. E mesmo que vocês se deem ao luxo de questionar a veracidade dos ensinamentos escritos na Bíblia, algo escrito há mais de 2 mil anos atrás, precisam questionar também os ensinamentos ainda mais antigos de Sócrates e Platão. Poderiam seus escritos também serem manipulados por causa do tempo?
E tenhamos sempre em mente que a Verdade liberta e uma hora ou outra ela aparecerá para você.

Um inspirador dia para vocês, queridos leitores.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Angelique DuCondrey



Eu era Angelique DuCondrey no tal jogo de que falou-nos Gabriela. Um personagem que nunca saiu de mim. Fiquei condenada também a ser meio anjo e meio bruxa. Mas a história valeria a pena ser contada. E vou aqui relembrar as origens de Angie – como a chamavam carinhosamente.

“Angelique era um anjo dos exércitos celestiais. O braço direito de Miguel, o arcanjo. Lutou diversas vezes contra os demônios em prol da segurança da humanidade. Mas um dia, em uma de suas batalhas, ela apaixonou-se por Mephistófoles. Descontrolada de paixão, Angelic abandona o céu e lança-se em nome do amor para o inferno.

Como era de se esperar, pouco tempo depois a paixão foi passando e o demônio partiu para novas conquistas. A essa altura Angie já tinha duas filhas de Mephistófoles: Jalousie e Convoitise. Inconformada com o desprezo do marido, Angelique assassina as duas filhas e pede abrigo a rainha dos infernos: Lilith. Compadecida da dor de sua amiga Lilith envia Angelique para Amiens na França onde ela deveria ficar na forma de vampira. Nunca mais deveria voltar aos infernos. E assim se cumpriu. Angelique passou a morar no cemitério de Amiens. E não tardou a ser considerada uma das mais poderosas vampiras de lá. Casou com Lestat e adotou sete filhas. Tornou-se rainha. Uma lenda entre os anjos e os demônios.

Influente, inteligente, vingativa, fria... PERIGOSA. Angelique usa sua beleza para atrair jovens até seu mausoléu onde entre prazeres do corpo roubava-lhes os sonhos, o juízo... A vida!”

Bom, essa era a história criada por mim para minha personagem no jogo. Sinto saudade dessa época. Era um tempo de muita atividade no antigo Orkut. E toparia criar uma série de contos para quem sabe um dia virar um livro sobre esse clã que deu muito que falar. De qualquer forma ainda ando por aí roubando juízos só para não perder o hábito.


Até!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Via Láctea - trecho XIII


“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Até o Próximo Texto
Au Revoir

Bilac, Olavo. Antologia Poética - Porto Alegre, RS: L&PM, 2012. p. 28

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A Joaninha



__ Mãe, olha lá! É uma Joaninha. 
__ É mesmo.

Ele se abaixa e cuidadosamente captura o inseto. A mãe o observa vir correndo em sua direção. Sorriso gigantesco. Olhos radiantes. 

__ Para você, mãe. - disse como quem entregava a mãe o maior de todos os tesouros da terra. 

Ao abrir a mão, a tristeza tomou conta do seu rosto. A Joaninha havia voado. Os olhos marejaram num misto de vergonha, raiva e decepção. A mãe abriu um sorriso enorme e abraçou o filho com uma gratidão tremenda. 

__ Amei o presente!
__ Como?
__ A liberdade que você trouxe na palma de sua mão para mim. Amei!

O menino sorriu de novo. Mesma face orgulhosa de antes. Aprendera uma lição para vida toda. 

__ Te amo!
__ Eu também. 

E correndo ele voltou para o jardim.
(Waleska Zibetti, in "A Joaninha")

terça-feira, 7 de abril de 2015

UMA MESTIÇA NO VATICANO



CONTO (sinopse)

Não sei se a Waleska vai se lembrar, mas esse conto eu escrevi na época em que tínhamos a família Du Condreys como perfil de jogo na rede social. Fiz esta sinopse com intuito de escrever um conto completo.
Venho agora dividir com vocês essa ideia e quem sabe minhas colegas do clube não animam em escrever essa história comigo de presente para vocês!?

“Em nome do Pai, do filho, do espírito Santo. Deixe este corpo, pois a Deus ele pertence. Sou Jacob Petrovna e ordeno que saia!”
Assim começou o exorcismo de Shayla, filha de uma bruxa com um lobisomem já falecido, em 1666 num povoado em Sérvia.
Naquela época, o cristianismo ainda dominava e tentava acabar com a religião dos pagãos. Houve muitas inquisições e guerras entre bruxos e cristãos. Mas o caso de Shayla foi extremamente inusitado porque nunca houvera um caso de um servo das trevas (bruxo) ser assombrado por seres das mesmas trevas (demônios).
Havia uma força maligna dentro dela, algo indecifrável.
Podia-se ver insanidade e obscuridade  através de seus olhos.
“Que saia os anjos que habitam em mim. Expulsem os demônios que tentam me possuir!”
Foram as ultimas palavras que ela disse ao padre quando entrou em transe satânico profundo.
Ela transpirava ira, luxúria e gula.
Lágrimas de sangue jorrava através de seus olhos.
Naquele dia, padre Petrovna percebeu o quão injusto foi a igreja por condenar os pagãos, sendo que eles não tinham feições maquiavélicas.
Chegando a meia noite, Shayla foi despertando e caninos foram aparecendo enquanto sorria com lábios frios e seus olhos que eram azuis, foram se transformando em gelo e ela começou a voar. Assim ela matou o padre e sua mãe, então fugiu.
A única prova de seu exorcismo está preservado no templo mais sagrado da humanidade. E essa prova é a própria mestiça Shayla. 
Se ela se mantém viva, não se sabe ao certo, mas nos dias atuais tem acontecido muitos sequestros e pessoas desaparecidas sem deixar rastros, levando a aguçar nossos pensamentos e nos questionarmos se essas pessoas não são levadas como alimento para a própria. E por quê a igreja não exterminou a vampira? Será que sua vida e seu sangue tem servido para algo que também não sabemos? Esse é mais um mistério por detrás da religião. Ajude a clã das du Condreys a desvendar este mistério. A caça apenas começou. Mas agora será de igual para igual. 

Por Gabriella Gilmore e Thiago Marlon

domingo, 5 de abril de 2015

Elogio da Sombra


A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo de nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e sua alma.
Vivo entre formas luminosas e vagas
que não são ainda a escuridão.
Buenos Aires,
que antes se espalhava em subúrbios
em direção à planície incessante,
voltou a ser La Recoleta, o Retiro,
as imprecisas ruas do Once
e as precárias casas velhas
que ainda chamamos o Sul.
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;
Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;
o tempo foi meu Demócrito.
Esta penumbra é lenta e não dói;
flui por um manso declive
e se parece à eternidade.
Meus amigos não têm rosto,
as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,
as esquinas podem ser outras,
não há letras nas páginas dos livros.
Tudo isso deveria atemorizar-me,
mas é um deleite, um retorno.
Das gerações dos textos que há na terra
só terei lido uns poucos,
os que continuo lendo na memória,
lendo e transformando.
Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte
convergem os caminhos que me trouxeram
a meu secreto centro.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites,
entressonhos e sonhos,
cada ínfimo instante do ontem
e dos ontens do mundo,
a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,
os atos dos mortos,
o compartilhado amor, as palavras,
Emerson e a neve e tantas coisas.
Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,
a minha álgebra e minha chave,
a meu espelho.
Breve saberei quem sou.

Borges, Jorge Luis. Obras Completas Volume II (1952-1972). Emecé Editores S.A., 1989, Barcelona - Espanha.

Até o Próximo Texto
Au Revoir 

sábado, 4 de abril de 2015

O DOCE SABOR DE UMA MULHER DESLUMBRANTE


Uma mulher deslumbrante
não é aquela que mais
homens tem a seus pés.

Mas sim aquela que tem
apenas um que a faça
realmente feliz.

Uma mulher formosa não
é a mais jovem.
Nem a mais frágil, nem aquela
que tem a pele mais sedosa ou
o cabelo mais chamativo.

É aquela que com apenas
um sorriso franco e aberto
e um bom conselho pode
alegrar-te a vida.

Uma mulher de valor não,
é aquela que tem mais
títulos ou cargos acadêmicos,

E sim aquela que sacrifica
seus sonhos temporariamente
para fazer felizes os demais.

Uma mulher deslumbrante não
é aquela mais ardente e sim a
que vibra ao fazer amor somente
com o homem que ama.

Uma mulher deslumbrante não
é aquela que se sente adulada
e admirada por sua beleza e
elegancia,

E sim aquela mulher firme
de caráter.
Que pode dizer "Não".

E um Homem...

Um homem deslumbrante
é aquele que valoriza uma
mulher assim...

Que se sente orgulhoso de
tê-la como companheira...

Que sabe acaricia-la como
um músico virtuoso toca
seu amado instrumento...

Que luta a seu lado compartilhando
todas as suas tarefas, desde lavar
pratos e preparar a mesa, até
devolver as massagens e o carinho
que ela te proporcionou antes.

A verdade, companheiros homens
é que as mulheres com mania de
serem "mandonas" não levam
vantagens...

Que tolos temos sido e somos
quando valorizamos um presente
somente pela vistosidade do pacote...

Tolo e mil vezes tolo o homem que
come sobras na rua, tendo um
deslumbrante manjar em casa!

Esse texto é para as mulheres
deslumbrantes para reforçar
sua auto estima e para os homens
para que meditem sobre isto

Até o Próximo Texto
Au Revoir

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Quem Nunca... - Leitura do livro "Adultério" de Paulo Coelho (Parte Final)



“Os homens desacompanhados começam a olhar em volta, 
buscando discretamente mulheres sozinhas. 
As mulheres, por sua vez,
olham umas às outras: como estão vestidas, que maquiagem usam, 
se estão acompanhadas de maridos ou amantes.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Por que as mulheres se comportam dessa forma tão doentia querendo sempre ser mais que as outras?! Eu sei que sou mulher, mas juro que nessas horas sou muito macho. Quero lá saber da vida de A ou B! Foco sempre na minha que já dá um trabalho dos diabos. E para finalizar... Saber das fofocas da vida de artistas e de novela é outra coisa que detesto nas mulheres. Pronto falei.     

“...nosso instinto é controlar tudo, até o incontrolável, 
como o amor e a fidelidade.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Eu tenho ciúmes, confesso. Mas sou de me reservar ao máximo e só falo quando acho REALMENTE um ponto onde desenrolar o novelo. Eu odeio injustiças. Uma crise de ciúme pelo que não existe, me faria injusta. E ademais discussões de reação são chatas e desgastantes. Se puder evitar, evitarei.

“Mas eu minto. Tenho mentido todos os dias. 
Perdi o amor-próprio e já não sei onde estou pisando.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Para suportar o viver é preciso uma dose diária de ilusão. Fantasiar um universo paradisíaco ou um mundo de bizarrices. Uma dose homeopática de fantasia por 24 horas de pressão diária. A vida é uma merda e fantasiar pode ser o ópio para não se sentir no fundo do esgoto.

“É possível se educar para amar o homem certo?”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Creio que a pergunta correta é: Existe amor certo? E acho que a resposta é simples e óbvia: existe desde que você se conheça e procure alguém com as mesmas afinidades. Exemplo: Uma mulher caseira nunca será feliz com um farrista; um sádico nunca será feliz com uma puritana... É preciso saber o que eu sou para definir o que me completa.

“Não consigo me levantar deste ponto de ônibus 
porque descobri que há correntes presas ao meu corpo. 
São pesadas e é difícil arrastá-las.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Como não carregar culpa? Será que é possível passar uma vida inteira sem sentir culpa de nada? Acho que sim, desde que você não tenha receio de dizer “eu fiz porque quis”. Creio que culpas são saradas e aliviadas quando pedimos perdão do fundo do coração ou admitimos para nós mesmos que fizemos uma escolha errada num determinado ponto. Não tenho culpas em mim. E se alguém disser que tenho, tenha certeza que foram eles que as colocaram em mim. Eu estou em paz. 

“-Todo mundo tem aqueles dias em que diz: 
‘Bem, minha vida não está exatamente de acordo com as minhas expectativas. ’ 
Mas se a vida lhe perguntasse o que você tem feito por ela, qual seria a sua resposta?”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Eu tenho feito pouco, essa seria minha resposta. E tudo está chato porque eu não tenho me esforçado para mudar. Lembrei do Aerosmith “Sonhe até que seu sonho se torne realidade”. E acho justamente que tenho sonhado demais. Ah, droga! Esta aí Vida, a minha posição. Preciso mudar!

“-Sonhar não é tão simples quanto parece. 
Pelo contrário. Pode ser perigoso.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
E como é! E quando nos perdemos em sonhos, voltar à realidade pode nos levar a uma depressão ímpar. Eu sei do que falo porque já sonhei demais. E hoje vivo o segundo estágio. 

“O cérebro humano é fascinante: esquecemos um cheiro até senti-lo de novo, 
apagamos uma voz da memória até que a ouvimos outra vez, 
e até as emoções que pareciam enterradas para sempre 
podem ser despertadas quando voltamos ao mesmo lugar.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Saudades é como percorrer velhas ruas para alimentar de sentimento algo que não queremos que morra. Tenho muitas saudades em mim. Saudades que vão desde rostos até aquilo que não vivi. Quando ela vem, deixo que ela me queime, me despedace, me roa os sentidos... Preciso das saudades para criar novos versos. Depois ela se vai e eu fico ali plantando emoções novas que um dia também serão saudades.

“-Era bobagem. Mesmo assim era meu sonho.
 E poderia tê-lo realizado.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Acho que a maior parte das frustrações que carregamos está no fato de perdermos muito tempo esperando aprovações dos outros. Essa coisa de dizer que o homem é um ser social e de isso ser levado a sério acaba gerando momentos de anulação do que queremos ou somos para nos tornarmos o que esperam que sejamos. Eu tenho algumas dessas “anulações” em mim. E te juro, isso pesa, as vezes, que não dá nem para mesurar.

“Vivemos em uma partícula microscópica de um gigantesco mistério, 
continuamos sem respostas para nossos questionamentos de infância: 
existe vida em outro planeta? 
Se Deus é bom, por que permite o sofrimento e a dor dos outros? 
Coisas assim.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
O tempo não parará, não há voltas no caminho e o futuro não se pode prever porque tudo muda a cada minuto. E isso enlouquece a quem teima em querer que seja diferente. Eu sei bem disso porque já tentei segurar o tempo e enlouqueci. 

“Na eternidade, não existimos;
 somos apenas um instrumento da Mão 
que criou as montanhas, a neve, os lagos e o sol.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Li essa “eternidade” como fé. E a fé me aproxima de todos os mistérios que encontro em meus questionamentos. Porque ter fé é acreditar. É acreditar até mesmo no impossível, no impensável, no indizível... Ter fé é deixar envolver pela esperança. A esperança é o melhor sentimento de conforto. Então sou eterna porque tenho fé e esperança. E a mão que me conduz eu chamo de Deus.

“Terra firme? Não, nenhum relacionamento pode buscar isso. 
O que mata a relação entre duas pessoas é justamente a falta de desafios, 
a sensação de que nada mais é novidade. 
Precisamos continuar sendo uma surpresa um para o outro.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Hei! Onde está você que procuro? Você que terá sempre uma carta na manga, um pulo do gato, o novo “porém”. Onde está você que espero com tanta vontade de conhecer? Está na hora de chegar, sabia? Para sermos esquisitos juntos. Porque sei que você está vagueando por ai sozinho com sua esquisitice. E isso é triste. Então, junte a sua com a minha e vários por aí. E se nada ficar sentido, não tem problemas coisas sem sentido são as melhores.

“Busquemos primeiro o Amor, e todo o resto nos será acrescentado”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Eu amo. E não sei viver sem amar. Um dia me perguntaram que carência era essa em mim. Eu não sei o que é. Mas preciso do amor. De senti-lo em mim. Caso contrário, sinto a vida saindo de mim e meu olhar se apagando. Foi assim que aprendi a suportar a vida, o que está ao redor, amando sou capaz de me suporta. Porque amando me humanizo. 

“E a mais importante lição é aprender a amar. (...) 
Mas uma coisa ficará para sempre na alma do universo: meu amor. 
Apesar dos erros, das decisões que fizeram os outros sofrerem, 
dos momentos em que eu mesma pensei que ele não existia.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)

Bom, assim terminamos mais um livro. Achei a frase ideal para nos despedirmos. Espero que todos aprendemos a amar sem ter que passar pelo processo do adultério. Mas para ser franca, acho difícil que não passemos ao menos uma vez. 

Então, senhores, é isso aí! 

Até a próxima!

Waleska Zibetti