quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Os Miseráveis - Parte 3 (Mais Um Dia)



Mais Um Dia

Cosette está no quintal de sua casa, questionando sua vida sozinha e que agora se encontra apaixonada. Como desconhece esse sentimento acha estranho a forma com que aconteceu. How strange, this feeling that my life’s begun at last. This change – can people really fall in love so fast? What’s the matter with you, Cosette? Have you been too much on your own? So many thing unclear, so many things unknown” (Como é estranho, esse sentimento que começa na minha vida. Essa mudança – é possível alguém se apaixonar tão rápido? O que há com você Cosette? Você tem sido muito por si mesma. Tantas coisas obscuras, tantas coisas desconhecidas).

Marius e Cosette estão apaixonados um pelo outro. Mas como toda história de amor tem que ter alguém que se fere (gravemente ou não) entra a amiga de Marius, Éponine. Para quem está acostumado com o linguajar da internet vai entender o que direi: Éponine está na “friendzone”. Ela é apaixonada por Marius, mas ele a vê somente como amiga.

Explicarei como Cosette e Marius se conheceram. Para quem assistiu a peça pelo aniversário de 10 anos não verá o momento, contudo no Filme de 2013 o momento ocorre.
Valjean e Cosette estão no centro de Paris e o casal Thénardier está também enganando o povo que passa. Marius, levado por Éponine, esbarra em Cosette e é paixão a primeira vista entre os dois. Pouco depois Valjean e Cosette são arrastados por Thénardier e sua gangue (até então sem reconhecerem-se). Em um momento o casal maligno reconhece Valjean e tentam agredi-lo. Uma confusão começa. Marius ajuda Valjean (por causa de Cosette, lógico). Até que alguém grita o nome “Javert”. Valjean assustado pega Cosette e foge dali. Javert e alguns guardas chegam e dão uma dura em todos os ali presentes. Vale lembrar que Éponine é “amiga” dos Thénardier.

Voltando da onde parei: Marius pede a Éponine, que o leve até algum lugar para encontrar com Cosette. E eles finalmente se apresentam com mais calma. Caros leitores, gostaria de ressaltar que eu descrevendo uma cena romântica sou um ótimo lutador de UFC. Mas voltando à peça. No encontro emocionante de Marius e Cosette é cantada “A Heart Full of Life”.

Depois do encontro, já à noite, a gangue dos Thénardier tenta invadir a casa de Valjean. Contudo Éponine aparece com o intuito de atrapalhá-los, mas o senhor Thénardier acredita que ela veio ajudar e a dispensa. Éponine get on home. You’re not needed in this. We’re enough here without here. (Éponine entre na casa. Você não é necessária nisto. Nós somos o suficiente sem você aqui). Ela, no entanto, tenta despistar os homens I know this house, I tell you. There’s nothing here for you. Just the old man and the girl. They live ordinary lives (Eu conheço essa casa, eu lhes conto. Não há nada para vocês aqui. Somente o velho e a garota. Eles vivem suas vidas ordinárias). O senhor Thénardier fica irritado e manda que ela não interfira, e ela diz que vai gritar. Quando diz isso à gangue eles a ameaçam de matá-la, então ela grita. Thénardier e sua gangue fogem e Marius chega com Cosette. Marius apresenta Cosette a Éponine, mas ele ouve alguém chegando e foge com Éponine, chega então Valjean assustado por ter ouvido um choro e com vozes nervosas na rua. My God, Cosette, I heard a cry in the dark. I heard the shout of angry voices in the street. (Meu Deus, Cosette, eu ouvi um choro na escuridão. Eu ouvi gritos zangados pela rua). Cosette diz que foi o choro dela e que ela se apavorou com o que viu. E Valjean fica com muito medo. Cosette: Three men I saw beyond the wall. Three men in shadow, moving fast. Valjean: This is warning to us all. These are the shadows of the past. (Cosette: Eu vi três homens além do muro. Três homens nas sombras, movendo-se rápido. Valjean: Isso é um aviso para todos nós. Essas são as sombras do passado.

Valjean acredita que seja Javert, que ele tenha descoberto seu paradeiro e pensa em fugir de novo, para Calais, uma cidade no norte da França. Nesse momento na peça é cantada “One Day More”, que mostra o que cada personagem (Valjean, Cosette, Marius, Enjolras, Éponine, Javert e o casal Thénardier) está pensando sobre o próximo dia.


Valjean se prepara para a viajar de novo. Cosette e Marius se perguntam se encontrar-se-ão novamente. Éponine conforma-se de que nunca ficará ao lado de Marius, Enjolras começa a organizar a revolução. Javert diz que derrotará os estudantes. O casal Thénardier continua sendo o casal Thénardier. E este é o fim do primeiro Ato. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O Monólogo de Molly Bloom de James Joyce



Antes de tudo devo dizer que não sei exprimir o que senti diante dessa personagem. Oras quis matá-la ora quis abraçá-la. Molly Bloom é um conflito entre real e imaginário e uma leitura inesperada para os menos desavisados. Esse foi o meu caso: eu não esperava algo do gênero e Molly me angustiou e me encheu de prazer ao mesmo tempo.

            Esse monólogo encerra o livro “Os Mortos” de James Joyce. E embora, pela experiência com os dois contos anteriores, eu estivesse esperando uma narrativa cheia de intensidade e surpresas, essa acabou se superando. Eu não sei dizer se Molly está louca ou senil ou se Joyce quis juntar todas as facetas do pensamento feminino em um texto só.  E aí ela recordando e fantasiando coisas e relatando sobre seus amantes. É Essa heroína vem de outro romance de James Joyce chamado de Ulisses aonde ela é casada com Leopold Bloom.

            Outra coisa que me chamou muita atenção nesse monólogo foi a maneira como ela se expressa sobre suas experiências sexuais. Momentos em que  o leitor se ri e se apieda dessa brilhante personagem de gênio forte. Sem dúvida é uma personagem rica e vibrante e nos leva com ela num fluxo de pensamento que só sendo um pouco Molly Bloom para entender.

            Eu recomendo o livro “Os Mortos” de James Joyce, porque ele é espetacular como obra e fica fácil entender porque a obra de Joyce o imortalizou. Não deixem de conhece Molly Bloom, por favor. E preparem-se para se envolverem numa “louca” narrativa de mergulho total no íntimo de uma personagem que ousou, certamente, ir além de seu tempo. Vale a pena conferir!

            Até a próxima!


            Beijos da Wal.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Breakfast Audrey, Um Passeio de Luxo.

Não deve entregar seu coração para um selvagem. Quanto mais der, mais fortes eles ficam. Até que ficam tão fortes que correm e voam para bem longe.
(Holly Golightly, personagem de Audrey Hepburn)
Quase um mito, esse clássico filme da década de 1960 é inspirado no livro homônimo de Truman Capote escrito 10 anos antes. E retrata a história de Holly Golightly que para algumas pessoas que assistem o filme é uma prostituta que vivia na glamourosa cidade de NY City, mas, o próprio Capote dizia que ela seria mais uma Geisha: ela criava uma ilusão de possibilidade para seus ‘amigos’ do sexo masculino, mas a realidade poderia ser muito diferente. 
Narrado por um escritor que luta com suas histórias e de quem nunca sabemos o nome (Holly o chama de Fred, em uma referência carinhosa a seu irmão), Holly tem 19 anos e mora sozinha em um apartamento em Nova York. Ela chega quase sempre tarde em casa acordando os vizinhos por sempre esquecer a chave do portão. É assim que Fred a conhece.
Por algumas noites, ela o chama pedindo para que ele abra o portão no meio da madrugada. Holly parece estar curtindo a vida e sua juventude em uma cidade nova.
Aos poucos, Fred vai descobrindo mais sobre ela. De onde ela vem é um mistério mas sabemos que é do interior e que um agente de Hollywood lhe disse que poderia ser atriz. Ela vai para a cidade grande procurar oportunidades de tornar-se uma estrela. Mas Holly não parece extremamente interessada nisso: ela parece querer aventuras e aproveitar para conhecer aquilo que nunca lhe pareceu possível antes.
Todos os dias ela toma seu café da manhã em frente à joalheria Tiffany’s, isso a faz esquecer todos os seus problemas. À medida que sua amizade com Holly evolui, nosso narrador vai descobrindo mais sobre o passado dela e a amizade entre os dois se fortalece.
Holly passa a viver um dilema, não sabe se continua em sua busca incessante por um marido que realize o seu sonho de ser rica, ou se dá uma chance ao homem por quem esta apaixonada.
A beleza do filme esta na maneira como ele é contado, na ótima atuação dos atores, numa linda trilha sonora e fotografia.
Uma das clássicas cenas eternizadas pela sempre ícone do estilo Audrey Hepburn, estão a interpretação do clássico Moon River (Johnny Mercer / Henry Mancini) e a famosa cena em que Holly procura o seu gato na chuva.





Mas o melhor de tudo, sem dúvida, é a própria Audrey Hepburn. Ela, além de ser lindíssima, criou uma personagem extremamente doce, carismática e ingênua. Inicialmente a sua personagem seria estrelada por Marilyn Monroe, após alguns problemas com atriz o papel foi oferecido a Kim Novak, só então é que à chamaram. Não há dúvida que as duas lindas atrizes teriam desempenhado bem o papel, mas tenho certeza que não com a mesma graça e charme que Audrey.

Esse filme mostra com total clareza, que muitos de nós vivemos de sonhos, de decisões que duram por toda a nossa vida.
A personagem da Audrey, sonha em se casar com um milionário, no entanto ela se vê apaixonada por seu vizinho, um escritor.

Mas, talvez não seria daí que ela tiraria suas riquezas? 
Porque eu acredito, que o amor é a maior delas. Ela é uma sonhadora, ele um inventor de sonhos, pois ele os transcrevem em suas histórias. 

Ficha Técnica  
• Direção: Blake Edwards  
• Roteiro: Truman Capote (romance) George Axelrod (roteiro) • Gênero: Drama/Comédia/Romance
• Origem: Estados Unidos  
• Duração: 115 minutos

Segue o trailler:
 
Até o próximo texto
Au Revoir!

domingo, 30 de agosto de 2015

Sobre o Último Discurso de O Grande Ditador de Chaplin

Estava a pensar sobre essas palavras de Chaplin no filme "O Grande Ditador" que é de 1940 e, em minha opinião, é o maior de todos discursos humanistas que já tomei conhecimento. E Chaplin, como todos sabem, era ateu. Nunca acreditou no Cristo e na bíblia. Mas nem por isso deixou de ser humano e uma imagem do Cristo na terra. Foi mais que muitos ao falar do amor ao outro. Ele usava a própria arte para fazer isso. Esse filme foi indicado a cinco Oscar e não ganhou nenhum porque quando foi lançado os Estados Unidos ainda estava em guerra. Não podiam silenciar o autor, o ator, o diretor, mas podiam puni-lo não dando a ele uma premiação. Enfim, o que é uma premiação diante do que ele Chaplin implantara nos pensamentos?

Quisera todos ouvissem e refletissem sobre o que é dito nesse discurso, dito em uma obra de ficção, mas com desejo de conscientização. Vejo um mundo à minha frente tão intolerante com tudo e todos que me preocupo muito com o que será desse mundo no futuro.
Estamos sempre batendo no peito e dizendo que o mundo é injusto conosco, mas o que fazemos para ser justo com o mundo? É preciso fazer algo para que o mundo comece a mudar. E ele deve começar a mudar a partir de nós. É preciso que perguntemos o que somos para o mundo e o que fazemos para que ele seja o que eu quero.

Nenhuma bíblia poderá lhe proteger se VOCÊ não mudar o seu interior. Você julga, maldiz, ultraja, rouba, maltrata, abandona... E depois lança a mão de um versículo qualquer para justificar o seu mau comportamento. Deus nunca julgou ninguém. Ele perdoou e perdoa a todos, porque Ele e só Ele sabe os caminhos e as razões de cada um. Tudo no mundo está corrompido, mas não se corrompeu sozinho. Todos nós temos uma parcela de culpa nessas mazelas mundiais.

Então, deixo o vídeo do último discurso do filme de Chaplin para que seja um ponto donde você pode partir para uma auto-avaliação de seus atos diante do mundo. Se você quer novos tempos, mude os velhos hábitos.


Beijos a todos que, como eu, estão sempre em busca de uma evolução interior porque querem viver em tempos melhores.
(Waleska Zibetti)

sábado, 29 de agosto de 2015

É Proibido

 
É proibido chorar sem aprender, 
Levantar-se um dia sem saber o que fazer 
Ter medo de suas lembranças. 
É proibido não rir dos problemas 
Não lutar pelo que se quer, 
Abandonar tudo por medo, 

Não transformar sonhos em realidade. 
É proibido não demonstrar amor 
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor. 
É proibido deixar os amigos 

Não tentar compreender o que viveram juntos 
Chamá-los somente quando necessita deles. 
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas, 
Fingir que elas não te importam, 

Ser gentil só para que se lembrem de você, 
Esquecer aqueles que gostam de você. 
É proibido não fazer as coisas por si mesmo, 
Não crer em Deus e fazer seu destino, 
Ter medo da vida e de seus compromissos, 
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro. 
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar, 

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se 
desencontraram, 
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente. 
É proibido não tentar compreender as pessoas, 
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua, 

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte. 
É proibido não criar sua história, 
Deixar de dar graças a Deus por sua vida, 

Não ter um momento para quem necessita de você, 
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira. 
É proibido não buscar a felicidade, 

Não viver sua vida com uma atitude positiva, 
Não pensar que podemos ser melhores,  
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

(Pablo Neruda)

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Os Miseráveis: Parte 2

Deixei de fazer uma coisa importante no primeiro texto. Para quem quiser assistir a peça colocarei o link do Youtube da versão de 1995 (https://www.youtube.com/watch?v=NAVrm3wjzq8). Na minha opinião a melhor versão. 
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Paris

Agora, após dez anos, a história se passa em Paris. Mas não na alta sociedade parisiense. Marius e Enjolras, dois estudantes, chegam à capital francesa e ficam assustados e desanimados com a pobreza do local. Gavroche, um menino pobre que se considera conhecedor de toda Paris, se apresenta a eles. Mas eles procuram pelo General Lamarque que era a única pessoa que se importava com o povo daquele lugar, mas está doente e morrendo. Enjolras espera o auxilio do povo para construir uma barricada contra o governo. Gavroche une-se a Enjolras e Marius e todos os outros estudantes que aparecem.

Javert continua sua busca a Valjean, contudo deixarei para falar de Javert mais a frente, pois ele é um personagem complexo e extremamente interessante de se falar.

Então voltamos ao grupo que será mais importante nessa parte: Os Amigos ABC. Eles são os estudantes que, liderados por Enjolras, controlam a revolução que se apresenta. Eis que surge a representação do Comunismo na peça.

Pequena Nota: Para todo aquele que pensa que o Comunismo é algo de se “alimentar vagabundo”, isso é um erro. O Comunismo surge do trabalho. É preciso trabalhar para ser comunista. E, na própria peça, um dos estudantes chama os trabalhadores para aliarem-se ao movimento. No Comunismo também não se divide as coisas como é pensado por aí, mas não me prenderei a falar do Comunismo e sim da peça. Se interessar a alguém, falo sobre o livro “Manifesto do Partido Comunista”.

Enfim, Enjolras e seus amigos começam a se organizar para a batalha contra a desigualdade social e contra a exploração que governo francês traz ao povo. Enjolras sabe que será difícil lutar contra a Guarda Nacional e não sabe como chamar o povo para a guerra. Diz, então, que precisam de um sinal para mover o povo. “We need a sign to rally the people, to call them to arms, to bring them in line” (Precisamos de um sinal para reunir o povo, para chamá-los às armas, trazê-los pra linha). Marius chega atrasado à reunião dos amigos. Os amigos perguntam-lhe o motivo de ele parecer atordoado e responde ele que viu uma pessoa e que está apaixonado. Um dos amigos zomba dele e da situação. “I am agog, I am aghast. Is Marius in love at last? I’ve never seen him ohh and ahh... You talk of battles to be won and here he comes like Don Juan. It’s better than a opera! (Estou assustado, estou espantado. Marius está finalmente apaixonado? Eu nunca o tinha visto tão “ohh” e “ahh”. Você fala de batalhas que devem ser vencidas e ele vem como Dom Juan. Isso é melhor que uma Ópera).

O que vem a seguir é algo que não pode ser descrito. Os níveis de emoção, inspiração e poder são tão altos que não dá simplesmente para expressá-los por aqui. Primeiro vem a música “Red and Black”, na qual Enjolras pergunta se seus amigos pensaram no preço que pagarão pela revolta e se era apenas um jogo pra garotos ricos. E diz depois diz: “The colour of the world is changing day by day. Red, the blood of angry men. Black, the dark of ages past. Red, a world about to dawn, Black, a night that ends at last” (A cor do mundo está mudando dia após dia. Vermelho, o sangue do homem bravo. Preto, a escuridão das eras passadas. Vermelho um mundo prestes a amanhecer. Preto, a noite que finalmente acaba). Enjolras organiza seus companheiros para a batalha, quando Gavroche chega e traz a notícia de que Lamarque está morto. Então Enjolras vê o sinal que ele queria para chamar o povo para a Batalha, pois com a morte dele o povo, provavelmente se revoltaria e se uniria a eles. E para terminar esse pedaço colocarei a música Do you hear the people sing?” (Vocês Ouvem o Povo Cantar?)


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of a people 
who will not be slaves again
When the beating of your heart 
echoes the beating of the drums
There is a life about to start when tomorrow comes

Will you join in our crusade? 
Who will be strong and stand with me?
Beyond the barricades 
is there a world you long to see?
Then join in the fight 
that will give you the right to be free!

Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of a people 
who will not be slaves again
When the beating of your heart 
echoes the beating of the drums
There is a life about to start when tomorrow comes

Will you give all you can give 
so that our banner may advance?
Some will fall and some will live,
Will you stand up and take your chance?
The blood of the martyrs will water the meadows of France

Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of a people 
who will not be slaves again
When the beating of your heart 
echoes the beating of the drums
There is a life about to start when tomorrow comes

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Eu, Marinheiro



Quero rimar porto e mar
Com um adentrando no outro
E nem se vê o mar
E nem se vê o porto
Pois tudo é uma coisa só
Amarrados pelo mesmo nó
Invisível como o que une
Criador e criatura
Além do que se pode compreender
Quero achar a rima perfeita
Para o inverno e verão
E que o tempo entre uma coisa e outra
Nem seja o calor nem seja o frio
Mas seja sim o tempo dos teus sonhos
Banhados de desejos e devaneios
Quero rimar tua ternura
Com a mesma entrega
Da mãe para seu filho
E aninhar-te em meus seios
Com abraços e beijos de loucura
Quero rimar-te a noite inteira
No encontro de tuas partes na minha
E então, voltar ao mar
Como fazem os marinheiros
Enquanto tu descansas
Entre lençóis de céu azul
Que completam a minha rima
Onde o porto adentra o mar.
(Waleska Zibetti, in "Eu, Marinheiro")

sábado, 22 de agosto de 2015

Os Miseráveis: Parte 1




Os Miseráveis é uma obra literária de Vitor Hugo de 1862 contando uma história que se passa na Revolução Francesa. A obra mostra a sociedade francesa sem o glamour e paparicos como sempre são mostrados. Mas não falarei sobre o livro (até porquê não o li ainda). Falar-vos-ei (adoro isso) da ópera que saiu do livro. Com música de Boublil e Schönberg a ópera de “Os Miseráveis” é uma das produções que entrou para história do teatro e do cinema mundial.

Quero deixar claro que em alguns momentos citarei partes da ópera e usarei a forma em inglês, não para aparecer, mas para permitir que procurem na internet e vejam como se apresenta.

Início

A ópera começa com vários presos trabalhando num tipo de mina, gritando uns para os outros para manterem seus olhares baixos e não olhar para os guardas. Em determinado momento chega o Inspetor Javert (meu personagem favorito) e chama o preso 24601, Jean Valjean. Explico-lhes que na trama Valjean é o protagonista e Javert é seu arqui-inimigo. Javert dá a Valjean uma carta que o permite uma condicional. Nessa condicional Valjean conhece um bispo que o dá esperança, mostrando-lhe as palavras de Deus. Valjean se vê um novo homem e foge, quebrando sua condicional.

Nesse início vemos que os presos eram tratados como escravos quando Valjean diz “I know the meaning of those nineteen years a slave of the law” (Eu sei o significado desses dezenove anos como um escravo da lei). Outro aspecto é que ele passa os dezenove anos preso porque tentou fugir algumas vezes. O crime de Valjean foi roubar uma casa, pois sua irmã passava fome, mas depois de preso ele tentou fugir e de cinco anos ele aumentou para quase vinte. Depois, quando Valjean vai trabalhar antes de conhecer o bispo, que os presos são vistos como seres inferiores e “sujos”, pois ele recebe menos que uma pessoa normal, justo porque ele esteve preso. “You broke the law, it’s there for people to see. Why should you get the same as honest men like me?” (Você quebrou a lei, está lá para as pessoas verem. Por que deveria ganhar o mesmo que pessoas honestas como eu?) Essa é a fala de um comerciante para qual Valjean trabalha, essa condição é repetida até hoje. Eis que ele conhece o bispo que o abriga, dá-lhe comida, água e um pouco de dinheiro, mas Valjean tenta passar a perna no bispo e trazido de volta pelos soldados para poderem prender-lo, mas o Bispo defende o prisioneiro, mas o adverte que a partir de então Valjean deveria se tornar um homem honesto, pois Deus o havia tirado das trevas e o bispo havia comprado a alma dele para Deus (by the witness of the martyrs, by the Passion and the Blood, God has raised you out the darkness. I have bought your soul for God). Nesse momento Valjean decide ir embora e mudar de vida (Valjean’s Soliloquy – “Jean Valjean is nothing now, another story must begin”)

Passam-se dez anos: Valjean foge e se torna prefeito de uma cidade e dono de uma fábrica, Javert persegue-o, mas com o tempo esquece e começa, sem saber, a trabalhar na mesma cidade que ele. Na fábrica de Valjean os trabalhadores aguardam o pagamento que é mínimo e para piorar, Fantine uma mãe solteira que mandou sua filha morar com outras pessoas para ser cuidada, precisa de um aumento, pois sua filha está doente e quase morrendo. Mas Fantine se recusa a deitar com os capangas da fábrica. Uma das moças da fábrica começa uma briga com Fantine e Valjean impede a briga, mas toda a fábrica se volta contra ela e, por fim, ela é demitida da fábrica, neste momento é cantada a ária mais conhecida dessa peçaI Dreamed a Dream. Sem emprego e precisando manter a criança ela vira prostituta para poder continuar mantendo a menina.

Nos dias de hoje isso acontece, mulheres que se prostituem para salvar suas crianças que foram abandonadas pelo pai, como Fantine e Cosette foram. Então vem um monte de gente dizer que ela escolheu a forma de ganhar dinheiro fácil (creio eu que não é nada fácil) e lhes mostrarei o porquê. 

Fantine fica doente. Mas continua seu trabalho e um homem a chama, mas ela o nega. Os dois brigam e Javert aparece, o homem diz que Fantine o atacou e que ele, “inocente pobre coitado”, não teve nada a ver com isso. Javert prepara-se para prendê-la. Fantine implora a Javert, que é irredutível e cruel, ela conta sobre a filha. “... save your breath and save your tears. Honest work, just reward, that’s the way to please the Lord” (…poupe seus suspiros e lágrimas. Trabalho honesto, recompense justa, este é o caminho para os favores do Senhor). Valjean intercede por Fantine e reconhece seu rosto, mas não sabe de onde e pede a ela uma forma de ajudá-la, mas ela se sente ferida por Valjean dispensa-o “Monsieur, don’t mock me now, I pray. It’s hard enough, I’ve lost my pride. You let your foreman send me away. Yes, you were there and turned aside…” (Senhor, não zombe de mim, implore. É difícil demais eu ter perdido meu orgulho. Você deixou seus capatazes me mandarem embora. Sim, você estava lá e se virou). Valjean, atordoado pelo o que tinha feito, tenta mudar a situação e a leva para o hospital, para o espanto de Javert.

Um acidente acontece e uma carroça cai em cima de um homem, Valjean por ser novo e forte o ajuda e tira o rapaz debaixo da carroça. Javert fica impressionado e desconfiado com a força do “monsieur le Mayor” (assim se referia ao prefeito). Valjean fica assustado e se lembra de seu passado (Who Am I). Valjean perguntasse se ele pode dizer quem é. Valjean perguntasse quem ele é. E por fim assume: “Who Am I? I’m Jean Valjean. And so, Javert, you see it’s true. This man bears no more guilt than you. Who am I? 24601” (Quem sou eu? Sou Jean Valjean. Então, Javert, você vê a verdade disto. Este homem não pode mais suportar mais culpa do que você. Quem sou eu? 24601)

Já morrendo, Fantine sonha com sua filha. Valjean, então, chega até ela e promete-a que cuidará da menina Cosette. Como último pedido Fantine diz “for God’s sake, please stay till I am sleeping and tell Cosette I love her and I’ll her when I wake” (Pelo amor de Deus, por favor fique (Valjean) até eu estar dormindo e conte a Cosette que eu a amo e a verei quando acordar). Antes que Valjean saia do hospital Javert, já consciente da verdadeira personalidade do Prefeito, vem para prendê-lo. O prisioneiro implora para que Javert o deixe ir, pois ele precisa cuidar da criança e promete que voltará para cumprir sua dívida, mas Javert como sempre, se mostra impiedoso. Esse combate é apresentado pela ária Confrontation. Valjean, então, empurra Javert e foge atrás de Cosette.

Cosette é uma doce menina que mora com o Senhor e Senhora Thénardier, dois canalhas de marca maior, estaleiros de pior qualidade e caráter. Cosette não é muito bem tratada e vive como uma escravinha do casal. Perdoem-me minha falta de decoro, mas o casal Thénardier são personagens que podem entrar no hall da fama dos personagens desprezíveis. De todas as óperas, filmes, séries, livros e desenhos animados os Thénardier conseguem superar quase todos. São mais covardes que o Rabicho de Harry Potter, mais falsos que o Bispo da França dos Três Mosqueteiros, mais hipócritas que o Padre de O Corcunda de Notre Damme, entre outros adjetivos que eu não posso dizer.


Voltando a história. Cosette sonha com um lugar onde ela será amada e onde não tem que trabalhar como chama seu Castle on a Cloud”. Enquanto isso o Sr. Thénardier engana e rouba seus hóspedes, quando este se diz o Master of The House. Valjean chega à hospedaria e diz que vai levar Cosette embora, mas que pagará por ela, para ressarcir os gastos que o casal teve com a menina. O casal tenta convencer Valjean a não levá-la, mas ele já está decidido, até porque viu a menina sofrendo no frio. Depois que Valjean consegue libertar Cosette eles vão embora para Paris. Agora acrescente mais dez anos à história. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

ORAÇÃO E FÉ



Quando bem criança eu costumava passar os finais de semana na casa da minha tia Miloca. Eu sempre dormia lá de sábado para domingo. Era o sono mais tranquilo que eu costumava a ter. Lembro que ela ajeitava o colchão fofo da cama do quarto de visitas, ligava o abajur de golfinhos que iluminava as paredes, e por último, o mata mosquito em espiral. Se eu fechar os olhos bem forte eu consigo sentir o cheiro dele. Quando já estava coberta na cama, minha tinha vinha para fazer uma oração. Não eram orações dessas decoradas não. Eram espontâneas, sinceras e únicas. Ali eu dormia me sentindo a pessoa mais segura do mundo. Não tinha pesadelos. Se eu sonhasse, era algo bom.
No domingo cedinho ela me levantava para ir à sua igreja. Por alguma razão eu gostava de acompanhar a rotina do casal, que na garupa da bicicleta, me levavam para a escola dominical. Lembro até hoje dos meus vestidinhos, sapatinho preto envernizado e laços no cabelo. 
A primeira lembrança que tenho de igreja e coisas relacionadas a Jesus Cristo, foi com essa irmã da minha mãe. Até então eu era pagã. Sempre associei Jesus a algo bom, não porque me diziam isso, mas pelo fato de sentir a tal paz. Como o exemplo que dei acima, da oração antes de dormir. Minha fé começou a se desenvolver ai, sem eu mesma saber o que era isso e seu significado.
Estava lendo mais um trecho do livro Meditação da mulher, e li uma experiência de uma senhora que estava conversando com Deus dentro do metrô, morrendo de sede, e ela sabia que iria demorar a chegar a sua casa. Ela imaginava o quão bom seria se ela tivesse um copo de água ali, naquela hora, e ao olhar perto da sua bolsa de compras que estava encostada no chão, ela viu uma garrafinha de água mineral ainda lacrada. Logo ela agradeceu a Deus e notou um detalhe: aquele vagão não era o que ela costumava pegar, porque ficava bem longe do portão da saída.
Isso me fez lembrar de um fato que me ocorreu esses dias. Eu ando de bicicleta aqui no bairro e estamos no mês das chuvas. Clima muito instável. Faltavam algumas horas para eu ir ao culto, e desabou um toró. Eu olhei para o céu e disse: Senhor, você tem até às 19h30min para deixar chover, depois pare porque não posso chegar molhada na igreja.
Acredita que parou de chover? E calma ai que tem mais. Na hora do culto, desabou outro pé d’agua, e eu olhei no relógio e só faltavam 10 minutos para acabar a palavra, e novamente falei: Agora o Senhor só tem 10 minutos. (Eu sou atrevida assim mesmo).
Na saída, uma das irmãs virou pra mim e disse: que bom que parou de chover, né? E eu respondi: Foi à oração!
Jesus cuida da gente até nos pequenos detalhes. Muita gente chamaria isso de sorte ou coincidência, porém eu chamo de oração e fé. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Intimidade



Escreva-me
Cubra minha pele com suas ideais
Seus desejos e fúria
Que eu saiba dos seus versos
Dos seus segredos perversos
Teus erros mais que teus acertos
Dedilhe em mim suas canções
Toque suas inspirações
Suas melodias inimagináveis
Use-me
Como o travesseiro pra seus sonhos
Como colchão pro seu cansaço
Como os caminhos pro seu viver
Deixe-me ser a alegria da tua manhã 
E a razão do seu anoitecer
Torna-me a roupa que te protege
A tua rota de fuga do mundo
Teu porto 
Teu farol
Ama-me
Como as flores do jardim
Como o gosto do primeiro beijo
Depois... depois me deixe partir
Como as aves migratórias
Como as pétalas que se lançam ao vento 
E eu prometo que volto
Naquele dia que você menos esperar
Para que você escreva suas novidades
Na minha pele cansada
Pra que você componha outras canções
Pra que você se deite sobre mim
E então, descansemos do mundo da vida da falta 
Da carência do medo da ausência do amor.
(Waleska Zibetti, in "Intimidade")