domingo, 21 de junho de 2015

Solidão


Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio, quando quer
nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer
Nos mostrar a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
Nos mostrar a importância da vida.
Paulo Coelho

sábado, 20 de junho de 2015

VERONIKA DECIDE MORRER



Resenha por Gabriella Gilmore



Como seria você acordar um dia decidida a tirar sua vida? 
Você teria motivos suficientes para tal ato?
Será que existe mesmo uma razão aceitável para isso? Sem que sua morte não seja vista como loucura ou até mesmo o culpar aos pais ou pessoas próximas que em nada tem haver com sua decisão de deixar um mundo que não mais lhe fazia sentido?
Bom, no dia 11 de novembro de 1997, Veronika decidiu que já era o seu momento.
Mas como faze-lo sem que seus entes queridos não se sentissem culpados? Isso já era um motivo para preocupação.
Só de pensar que sua vida virou uma rotina, que depois que a juventude passa tudo tende à decadência, velhice chegando, amigos partindo, continuar vivendo não era lá grandes coisas. Na verdade, o risco para sofrimentos eram maiores.
E viver num mundo que cada vez que passa se torna mais incorrigível, era totalmente frustrante.
Já que não podemos escolher nascer, pelo menos dar cabo a vida quando assim sentimos que já "fizemos" o que deveríamos fazer na terra, não seria lá um pecado mortal, seria? Se temos o "livre arbítrio", isso significa que podemos sair de cena quando acharmos melhor e pronto.
Nossa amiga simplesmente pega suas quatro caixas de remédios para dormir e calmamente vai tomando um a um.
Ela acorda em Villete, um asilo de loucos.
Nossa personagem nos faz pensar sobre questões religiosas que às vezes nos permeia, como se realmente Deus existe, sobre o tabu do suicídio, sobre a luta do homem para sobreviver e não se entregar e ela até ousa em voltar lá no paraíso de Adão e Eva.
Você ri com sua ousadia em enfrentar certos temas com uma fúria doce e no decorrer da história você só quer entender a fundo os reais motivos que leva o ser humano a tais atos.
No hospício você depara com depoimentos de Mari, uma paciente de síndrome de pânico e Edward, o artista esquizofrênico.
No final você percebe que todos nós somos loucos, e mais loucos ainda em não assumir nossa loucura e o amor é o maior delas.

Livro disponível também em filme, tendo como protagonista a atriz americana Sarah Michelle Geller.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Nunca haverá outro Christopher Lee

Ele realmente era o mais gentil e generoso dos homens.
Eu sempre disse que ele morreu porque ele era bom demais para este mundo.

Sir Lee Crhistopher sobre Peter Cushing Obe
É parafraseando um dos maiores diretores do cinema (Peter Jackson) que deixo a homenagem ao ícone que nos deixa na lucidez dos seus 93 anos.
Sir. Christopher Lee, como era respeitosamente conhecido, era dono de papeis que marcaram a história dos seus quase 70 anos de atuação. Nascido em 27 de maio de 1922,  Christopher Frank Carandini Lee  começou sua carreira no teatro, desde cedo dedicando-se a papéis de malfeitores. Seu primeiro personagem foi Rumpelstiltskin, antagonista do conto homônimo dos Irmãos Grimm.
Formado em literatura clássica, Lee perseguiu seu interesse na atuação até que se voluntariou para lutar contra os soviéticos na Guerra de Inverno, do lado dos finlandeses, em 1939. Na sequência, serviu como oficial de inteligência para os britânicos na Força Aérea Real durante a Segunda Guerra Mundial.
Passada a guerra Sir Lee, pode dedicar-se à sua carreira. Sua sorte começou a mudar quando assinou contrato com a nascente Hammer Films, empresa que se tornaria sinônimo de filmes de horror pelas próximas duas décadas. Foi como uma criatura famosa que o ator destacou-se e é lembrado até hoje: Drácula. Na companhia, o senhor dos vampiros foi vivido por Lee em um filme de 1958, depois em 1965, 1968, 1969 e 1970.


Em 1973, Lee interpretou o antagonista de um de seus filmes favoritos,  O Homem de Palha, longa-metragem que o diretor do original, Robin Hardy, está reinventando com o ator novamente no centro da trama. Na mesma década, também viveu um dos mais antológicos vilões de James BondFrancisco Scaramanga, o Homem da Pistola de Ouro.
Mas na última década Lee se consagrou como excelente ator que é em 3 das maiores produções do chamado mundo Geek O Lorde Sith Conde Dookan em Star Wars II e III, o Mago Saruman em o Hobbit e Senhor dos Anéis.
Lee também enveredou pelos caminhos do Heavy Metal e participou de álbuns da Manowar e discos conceituais da Rhapsody of Fire.



Ao nosso mestre Que a Força esteja com você e que na Terra Média os Elfos te receba cantando as suas glórias!
Rest in Peace!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Eu, Clarice Lispector.



Seria destino, o nome disso?

Um dia desses, postei no meu blog em inglês um texto sobre Clarice.
O número de visitas foi tão interessante que resolvi postá-lo em português no meu Introspectors.
Lá, eu comentava sobre meu livro que estava lançando, e como conheci Lispector. Realmente ela é famosa lá fora e suas frases passam de “mãos em mãos”.
Uma vez twittei uma de suas frases para a Jéssica Origliasso da banda The Verônicas e ela retwittou.
Sim, Clarice toca no coração de todas as raças, em pessoas com diversos gostos e afins. Clarice fala a língua do 'P'. P de perfeito. Clarice fala do simples, do despercebido, do momento que deixamos passar. Ela pega tudo isso e faz poesia. Quem consegue fazer isso? Quem é ela? Que coisa, não? Ela é ou não é? Ela sempre será!
Minha relação com Lispector é curiosa porque só fui parar para ler seus trabalhos depois de ter lido um comentário lá no Recanto das Letras na qual dizia que a minha forma de escrever lembrava Clarice.
“Clarice quem? Ah, aquela escritora falecida brasileira. Sim, eu ouvi falar dela na época da escola.”
Corri na biblioteca mais próxima e peguei o livro “Perto do coração selvagem”. Me perdi. É, eu me perdi. Mas depois me encontrei e se hoje sei quem sou, eu agradeço a Clarice Lispector.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

CASA ARRUMADA

 
CASA ARRUMADA É ASSIM: UM LUGAR ORGANIZADO, LIMPO, COM ESPAÇO LIVRE PRA CIRCULAÇÃO E UMA BOA ENTRADA DE LUZ.
MAS CASA, PRA MIM, TEM QUE SER CASA E NÃO UM CENTRO CIRÚRGICO, UM CENÁRIO DE NOVELA.
TEM GENTE QUE GASTA MUITO TEMPO LIMPANDO, ESTERELIZANDO, AJEITANDO OS MÓVEIS, AFOFANDO AS ALMOFADAS...
NÃO, EU PREFIRO VIVER NUMA CASA ONDE EU BATO O OLHO E PERCEBO LOGO: AQUI TEM VIDA...
CASA COM VIDA, PRA MIM, É AQUELA EM QUE OS LIVROS SAEM DAS PRATELEIRAS E OS ENFEITES BRINCAM DE TROCAR DE LUGAR.
CASA COM VIDA TEM FOGÃO GASTO PELO USO, PELO ABUSO DAS REFEIÇÕES FARTAS, QUE CHAMAM TODO MUNDO PRA MESA DA COZINHA.
SOFÁ SEM MANCHA? TAPETE SEM FIO PUXADO? MESA SEM MARCA DE COPO? TÁ NA CARA QUE É CASA SEM FESTA.
E SE O PISO NÃO TEM ARRANHÃO, É PORQUE ALI NINGUÉM DANÇA.
CASA COM VIDA, PRA MIM, TEM BANHEIRO COM VAPOR PERFUMADO NO MEIO DA TARDE.
TEM GAVETA DE ENTULHO, DAQUELAS QUE A GENTE GUARDA BARBANTE, PASSAPORTE E VELA DE ANIVERSÁRIO,TUDO JUNTO...

CASA COM VIDA É AQUELA EM QUE A GENTE ENTRA E SE SENTE BEM VINDA.
A QUE ESTÁ SEMPRE PRONTA PROS AMIGOS, PROS NETOS, PROS VIZINHOS...
E NOS QUARTOS, SE POSSÍVEL, TEM LENÇÓIS REVIRADOS POR GENTE QUE BRINCA OU NAMORA A QUALQUER HORA DO DIA.
CASA COM VIDA É AQUELA QUE A GENTE ARRUMA PRA FICAR COM A CARA DA GENTE.
ARRUME A SUA CASA TODOS OS DIAS...
MAS ARRUME DE UM JEITO QUE LHE SOBRE TEMPO PRA VIVER NELA...
E RECONHECER NELA O SEU LUGAR.
 
Este texto foi atribuído erroneamente ao mestre Carlos Drummond de Andrade na verdade pertence a Lena Gino
 
Até o próximo texto
Au Revoir 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Pensando com Jung


Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade. Se um homem não sabe o que uma coisa é, já é um avanço do conhecimento saber o que ela não é. Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro. O ego é dotado de um poder, de uma força criativa, conquista tardia da humanidade, a que chamamos vontade. Quando pensamos, fazêmo-lo com o fim de julgar ou chegar a uma conclusão; quando sentimos, é para atribuir um valor pessoal a qualquer coisa que fazemos. Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos. Aquilo a que você resiste, persiste. Até onde conseguimos discernir, o único
propósito da existência humana é acender
uma luz na escuridão da mera existência. O que não enfrentamos em nós mesmos acabaremos encontrando como destino.

Sonhos são realizações de desejos ocultos e são ferramenta que busca equilíbrio pela compensação. É o meio de comunicação do inconsciente com o consciente.

Carl Gustav Jung nasceu em 1875, na Suíça. Religiosa, sua família influenciou bastante na psicologia que seria desenvolvida pelo psicólogo, e também levando Carl a procurar leituras sobre filosofia e religião desde cedo.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Alma Perdida


Toda a parte mais inatingível de minha alma e que não me pertence - é
aquela que toca na minha fronteira com o que já não é eu, e à qual me dou. Toda
a minha ânsia tem sido esta proximidade inultrapassável e excessivamente
próxima. Sou mais aquilo que em mim não é.
E eis que a mão que eu segurava me abandonou. Não, não. Eu é que
larguei a mão porque agora tenho que ir sozinha.
Se eu conseguir voltar do reino da vida tornarei a pegar a tua mão, e a
beijarei grata porque ela me esperou, e esperou que meu caminho passasse, e
que eu voltasse magra, faminta e humilde: com fome apenas do pouco, com fome
apenas do menos.

Lispector, Clarice. A Paixão Segundo GH. Editora Nova Fronteira 9ªEdição.

domingo, 14 de junho de 2015

Confissões de Uma Rosa


Ontem eu era o pedaço do caos que ele queria ter.
Mas ele era racional demais.
Eu tinha que devorar-lhe a razão.
Bebe-la com uma taça de vinho, talvez.
Levei-o a minha cama de desejos delirantes.
Propus que ele velejasse em meus mares tempestuosos
de fantasias e sonhos quase palpáveis.
Ele navegou meio tímido, meio temeroso...
Era quase um menino a zingrar mares em navios de papel.
E eu o amei ainda mais.
No fim ele chegou ao porto aninhado em meu corpo ainda quente.
Seu coração pulsava meu nome e eu sorri íntima com ele.
Ele estranhou a calmaria depois da tempestade.
Mas é assim que é: a tempestade se arma
para assustar os velejadores covardes.
Ele foi meu ontem...
Ele venceu a tempestade.
Dominou o meu desejo.
Dormi em paz em mares de calmaria.
Hoje amanheci meio rosa meio raposa.
Apesar de ostentar orgulhosa minhas pétalas
que trazem em si ainda o cheiro dele;
como a raposa, eu o espero no trigal.
Destoa-se minhas pétalas vermelhas do dourado do trigo.
É um quadro triste de uma rosa solitária e teimosa.
Contudo, não sinto nem uma coisa nem outra.
Ele está em mim e eu posso senti-lo pulsando ainda
em seu prazer dado só para mim na madrugada.
E minha teimosia é uma só: não vou esquecê-lo nunca.
E não me queixo dela.
Amá-lo me acalma.
(Waleska Zibetti)

sábado, 13 de junho de 2015

A leveza do ser - Penas ou Humanos?

por Gabriella Gilmore







Bom dia pessoal!
Tenho o hábito de acessar o yahoo para ver rapidamente as notícias.
Hoje eu me deparei com uma obra de arte maravilhosa que me trouxe muitos pensamentos.
Logo pensei em dividir este achado com vocês.

“Eu chamo de ‘Paradoxo da Leveza’ porque existe esse poder e força que vem da comunidade de milhares de corpos entrelaçados, porém é só uma pena. Ironicamente, parece ser esforço e elegante, mas é o resultado de um processo coordenado e meticuloso de muito tempo. Os modelos não se conhecem, apenas se juntam e trabalham duro para se transformar nesta mágica coreografia”, afirma Angelo Musco sobre o vídeo.

Isso me fez lembrar também de um livro antigo chamado A insustentável leveza do ser, deixo a dica.


O que o ser humano tem de frágil, ele tem de forte, quando unidos.
A solidão algumas vezes é necessária, porém em excesso ela nos causa câncer na alma.
Se hoje você está se sentindo o último dos seres vivos, injustiçado, de mãos atadas, isolado, chateado, eu deixo também um verso de Paulo: "Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco, é que sou forte".

Agora vá e divirta-se neste sábado maravilhoso!!!

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Os Sete Segundos


Lambe languida a pele e fere a tua compostura
Louva o céu vermelho da tua boca
É febre dócil da loucura
Une a carne branca a minha escura
Laços. Pernas. Beijo ácido
Olha a lua reluzente. Uiva ao céu em noite quente
Fecunda a terra em tesão
Grita e deixa marca no colchão
Obscenos espectros na madrugada
Pesadelo da solidão
Conhaque no fundo do copo
Gemido na borda do corpo
Lascivo o corpo sua
A casa do pecado transborda
Inunda o chão
Escorre pela face
Renasce impura.
(Waleska Zibetti)