quinta-feira, 18 de junho de 2015
Eu, Clarice Lispector.
Seria destino, o nome disso?
Um dia desses, postei no meu blog em inglês um texto sobre Clarice.
O número de visitas foi tão interessante que resolvi postá-lo em português no meu Introspectors.
Lá, eu comentava sobre meu livro que estava lançando, e como conheci Lispector. Realmente ela é famosa lá fora e suas frases passam de “mãos em mãos”.
Uma vez twittei uma de suas frases para a Jéssica Origliasso da banda The Verônicas e ela retwittou.
Sim, Clarice toca no coração de todas as raças, em pessoas com diversos gostos e afins. Clarice fala a língua do 'P'. P de perfeito. Clarice fala do simples, do despercebido, do momento que deixamos passar. Ela pega tudo isso e faz poesia. Quem consegue fazer isso? Quem é ela? Que coisa, não? Ela é ou não é? Ela sempre será!
Minha relação com Lispector é curiosa porque só fui parar para ler seus trabalhos depois de ter lido um comentário lá no Recanto das Letras na qual dizia que a minha forma de escrever lembrava Clarice.
“Clarice quem? Ah, aquela escritora falecida brasileira. Sim, eu ouvi falar dela na época da escola.”
Corri na biblioteca mais próxima e peguei o livro “Perto do coração selvagem”. Me perdi. É, eu me perdi. Mas depois me encontrei e se hoje sei quem sou, eu agradeço a Clarice Lispector.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
CASA ARRUMADA
CASA ARRUMADA É ASSIM: UM LUGAR ORGANIZADO, LIMPO, COM ESPAÇO LIVRE PRA CIRCULAÇÃO E UMA BOA ENTRADA DE LUZ.
MAS CASA, PRA MIM, TEM QUE SER CASA E NÃO UM CENTRO CIRÚRGICO, UM CENÁRIO DE NOVELA.
TEM GENTE QUE GASTA MUITO TEMPO LIMPANDO, ESTERELIZANDO, AJEITANDO OS MÓVEIS, AFOFANDO AS ALMOFADAS...
NÃO, EU PREFIRO VIVER NUMA CASA ONDE EU BATO O OLHO E PERCEBO LOGO: AQUI TEM VIDA...
CASA COM VIDA, PRA MIM, É AQUELA EM QUE OS LIVROS SAEM DAS PRATELEIRAS E OS ENFEITES BRINCAM DE TROCAR DE LUGAR.
CASA COM VIDA TEM FOGÃO GASTO PELO USO, PELO ABUSO DAS REFEIÇÕES FARTAS, QUE CHAMAM TODO MUNDO PRA MESA DA COZINHA.
SOFÁ SEM MANCHA? TAPETE SEM FIO PUXADO? MESA SEM MARCA DE COPO? TÁ NA CARA QUE É CASA SEM FESTA.
E SE O PISO NÃO TEM ARRANHÃO, É PORQUE ALI NINGUÉM DANÇA.
CASA COM VIDA, PRA MIM, TEM BANHEIRO COM VAPOR PERFUMADO NO MEIO DA TARDE.
TEM GAVETA DE ENTULHO, DAQUELAS QUE A GENTE GUARDA BARBANTE, PASSAPORTE E VELA DE ANIVERSÁRIO,TUDO JUNTO...
MAS CASA, PRA MIM, TEM QUE SER CASA E NÃO UM CENTRO CIRÚRGICO, UM CENÁRIO DE NOVELA.
TEM GENTE QUE GASTA MUITO TEMPO LIMPANDO, ESTERELIZANDO, AJEITANDO OS MÓVEIS, AFOFANDO AS ALMOFADAS...
NÃO, EU PREFIRO VIVER NUMA CASA ONDE EU BATO O OLHO E PERCEBO LOGO: AQUI TEM VIDA...
CASA COM VIDA, PRA MIM, É AQUELA EM QUE OS LIVROS SAEM DAS PRATELEIRAS E OS ENFEITES BRINCAM DE TROCAR DE LUGAR.
CASA COM VIDA TEM FOGÃO GASTO PELO USO, PELO ABUSO DAS REFEIÇÕES FARTAS, QUE CHAMAM TODO MUNDO PRA MESA DA COZINHA.
SOFÁ SEM MANCHA? TAPETE SEM FIO PUXADO? MESA SEM MARCA DE COPO? TÁ NA CARA QUE É CASA SEM FESTA.
E SE O PISO NÃO TEM ARRANHÃO, É PORQUE ALI NINGUÉM DANÇA.
CASA COM VIDA, PRA MIM, TEM BANHEIRO COM VAPOR PERFUMADO NO MEIO DA TARDE.
TEM GAVETA DE ENTULHO, DAQUELAS QUE A GENTE GUARDA BARBANTE, PASSAPORTE E VELA DE ANIVERSÁRIO,TUDO JUNTO...
CASA COM VIDA É AQUELA EM QUE A GENTE ENTRA E SE SENTE BEM VINDA.
A QUE ESTÁ SEMPRE PRONTA PROS AMIGOS, PROS NETOS, PROS VIZINHOS...
E NOS QUARTOS, SE POSSÍVEL, TEM LENÇÓIS REVIRADOS POR GENTE QUE BRINCA OU NAMORA A QUALQUER HORA DO DIA.
CASA COM VIDA É AQUELA QUE A GENTE ARRUMA PRA FICAR COM A CARA DA GENTE.
ARRUME A SUA CASA TODOS OS DIAS...
MAS ARRUME DE UM JEITO QUE LHE SOBRE TEMPO PRA VIVER NELA...
E RECONHECER NELA O SEU LUGAR.
Este texto foi atribuído erroneamente ao mestre Carlos Drummond de Andrade na verdade pertence a Lena Gino
Até o próximo texto
Au Revoir
Au Revoir
terça-feira, 16 de junho de 2015
Pensando com Jung
Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade. Se um homem não
sabe o que uma coisa é, já é um avanço do conhecimento saber o que ela
não é. Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder
predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro. O ego é dotado de
um poder, de uma força criativa, conquista tardia da humanidade, a que
chamamos vontade. Quando pensamos, fazêmo-lo com o fim de julgar ou
chegar a uma conclusão; quando sentimos, é para atribuir um valor
pessoal a qualquer coisa que fazemos. Uns sapatos que ficam bem numa
pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida
que sirva para todos. Aquilo a que você resiste, persiste. Até onde
conseguimos discernir, o único
propósito da existência humana é acender
uma luz na escuridão da mera existência. O que não enfrentamos em nós mesmos acabaremos encontrando como destino.
Sonhos são realizações de desejos ocultos e são ferramenta que busca equilíbrio pela compensação. É o meio de comunicação do inconsciente com o consciente.
propósito da existência humana é acender
uma luz na escuridão da mera existência. O que não enfrentamos em nós mesmos acabaremos encontrando como destino.
Sonhos são realizações de desejos ocultos e são ferramenta que busca equilíbrio pela compensação. É o meio de comunicação do inconsciente com o consciente.
Carl Gustav Jung nasceu em 1875, na Suíça. Religiosa, sua família
influenciou bastante na psicologia que seria desenvolvida pelo
psicólogo, e também levando Carl a procurar leituras sobre filosofia e
religião desde cedo.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Alma Perdida
Toda a parte mais inatingível de minha alma e que não me pertence - é
aquela que toca na minha fronteira com o que já não é eu, e à qual me dou. Toda
a minha ânsia tem sido esta proximidade inultrapassável e excessivamente
próxima. Sou mais aquilo que em mim não é.
E eis que a mão que eu segurava me abandonou. Não, não. Eu é que
larguei a mão porque agora tenho que ir sozinha.
Se eu conseguir voltar do reino da vida tornarei a pegar a tua mão, e a
beijarei grata porque ela me esperou, e esperou que meu caminho passasse, e
que eu voltasse magra, faminta e humilde: com fome apenas do pouco, com fome
apenas do menos.
aquela que toca na minha fronteira com o que já não é eu, e à qual me dou. Toda
a minha ânsia tem sido esta proximidade inultrapassável e excessivamente
próxima. Sou mais aquilo que em mim não é.
E eis que a mão que eu segurava me abandonou. Não, não. Eu é que
larguei a mão porque agora tenho que ir sozinha.
Se eu conseguir voltar do reino da vida tornarei a pegar a tua mão, e a
beijarei grata porque ela me esperou, e esperou que meu caminho passasse, e
que eu voltasse magra, faminta e humilde: com fome apenas do pouco, com fome
apenas do menos.
Lispector, Clarice. A Paixão Segundo GH. Editora Nova Fronteira 9ªEdição.
domingo, 14 de junho de 2015
Confissões de Uma Rosa
Ontem eu era o pedaço do caos que ele queria ter.
Mas ele era racional demais.
Eu tinha que devorar-lhe a razão.
Bebe-la com uma taça de vinho, talvez.
Levei-o a minha cama de desejos delirantes.
Propus que ele velejasse em meus mares tempestuosos
de fantasias e sonhos quase palpáveis.
Ele navegou meio tímido, meio temeroso...
Era quase um menino a zingrar mares em navios de papel.
E eu o amei ainda mais.
Mas ele era racional demais.
Eu tinha que devorar-lhe a razão.
Bebe-la com uma taça de vinho, talvez.
Levei-o a minha cama de desejos delirantes.
Propus que ele velejasse em meus mares tempestuosos
de fantasias e sonhos quase palpáveis.
Ele navegou meio tímido, meio temeroso...
Era quase um menino a zingrar mares em navios de papel.
E eu o amei ainda mais.
No fim ele chegou ao porto aninhado em meu corpo ainda quente.
Seu coração pulsava meu nome e eu sorri íntima com ele.
Ele estranhou a calmaria depois da tempestade.
Mas é assim que é: a tempestade se arma
para assustar os velejadores covardes.
Ele foi meu ontem...
Ele venceu a tempestade.
Dominou o meu desejo.
Dormi em paz em mares de calmaria.
Seu coração pulsava meu nome e eu sorri íntima com ele.
Ele estranhou a calmaria depois da tempestade.
Mas é assim que é: a tempestade se arma
para assustar os velejadores covardes.
Ele foi meu ontem...
Ele venceu a tempestade.
Dominou o meu desejo.
Dormi em paz em mares de calmaria.
Hoje amanheci meio rosa meio raposa.
Apesar de ostentar orgulhosa minhas pétalas
que trazem em si ainda o cheiro dele;
como a raposa, eu o espero no trigal.
Destoa-se minhas pétalas vermelhas do dourado do trigo.
É um quadro triste de uma rosa solitária e teimosa.
Contudo, não sinto nem uma coisa nem outra.
Ele está em mim e eu posso senti-lo pulsando ainda
em seu prazer dado só para mim na madrugada.
E minha teimosia é uma só: não vou esquecê-lo nunca.
E não me queixo dela.
Amá-lo me acalma.
(Waleska Zibetti)
Apesar de ostentar orgulhosa minhas pétalas
que trazem em si ainda o cheiro dele;
como a raposa, eu o espero no trigal.
Destoa-se minhas pétalas vermelhas do dourado do trigo.
É um quadro triste de uma rosa solitária e teimosa.
Contudo, não sinto nem uma coisa nem outra.
Ele está em mim e eu posso senti-lo pulsando ainda
em seu prazer dado só para mim na madrugada.
E minha teimosia é uma só: não vou esquecê-lo nunca.
E não me queixo dela.
Amá-lo me acalma.
(Waleska Zibetti)
sábado, 13 de junho de 2015
A leveza do ser - Penas ou Humanos?
por Gabriella Gilmore
Bom dia pessoal!
Tenho o hábito de acessar o yahoo para ver rapidamente as notícias.
Hoje eu me deparei com uma obra de arte maravilhosa que me trouxe muitos pensamentos.
Logo pensei em dividir este achado com vocês.
“Eu chamo de ‘Paradoxo da Leveza’ porque existe esse poder e força que vem da comunidade de milhares de corpos entrelaçados, porém é só uma pena. Ironicamente, parece ser esforço e elegante, mas é o resultado de um processo coordenado e meticuloso de muito tempo. Os modelos não se conhecem, apenas se juntam e trabalham duro para se transformar nesta mágica coreografia”, afirma Angelo Musco sobre o vídeo.
Isso me fez lembrar também de um livro antigo chamado A insustentável leveza do ser, deixo a dica.
O que o ser humano tem de frágil, ele tem de forte, quando unidos.
A solidão algumas vezes é necessária, porém em excesso ela nos causa câncer na alma.
Se hoje você está se sentindo o último dos seres vivos, injustiçado, de mãos atadas, isolado, chateado, eu deixo também um verso de Paulo: "Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco, é que sou forte".
Agora vá e divirta-se neste sábado maravilhoso!!!
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Os Sete Segundos
Lambe languida a pele e fere a tua compostura
Louva o céu vermelho da tua boca
É febre dócil da loucura
Une a carne branca a minha escura
Laços. Pernas. Beijo ácido
Olha a lua reluzente. Uiva ao céu em noite quente
Fecunda a terra em tesão
Grita e deixa marca no colchão
Obscenos espectros na madrugada
Pesadelo da solidão
Conhaque no fundo do copo
Gemido na borda do corpo
Lascivo o corpo sua
A casa do pecado transborda
Inunda o chão
Escorre pela face
Renasce impura.
(Waleska Zibetti)
quinta-feira, 11 de junho de 2015
À SOLIDÃO
Solidão coroada de rosas, quem pudera
aprisionar teu corpo de sol e de harmonia;
estar dentro de ti toda esta primavera
de sangue, e folhas secas e de melancolia!
Que palpitasse, em sonho, teu coração sonoro
sobre o meu coração sequioso de ideais;
minha palavra fosse uma palavra de ouro
de teus inesgotáveis e puros mananciais!
Ai! Quem, iluminando a sombra alucinada
que de espinhos coroa minha pálida tristeza,
pudesse ser teu amor, oh deusa coroada
de rosas, solidão, — tu que és mãe da beleza!
aprisionar teu corpo de sol e de harmonia;
estar dentro de ti toda esta primavera
de sangue, e folhas secas e de melancolia!
Que palpitasse, em sonho, teu coração sonoro
sobre o meu coração sequioso de ideais;
minha palavra fosse uma palavra de ouro
de teus inesgotáveis e puros mananciais!
Ai! Quem, iluminando a sombra alucinada
que de espinhos coroa minha pálida tristeza,
pudesse ser teu amor, oh deusa coroada
de rosas, solidão, — tu que és mãe da beleza!
Jiménez, Juan Ramon. Antologia Poética. Editora La Galeria. Espanha,2006.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Em Suas Costas
Suas costas nuas, meu papel em branco.
Seu sono tranquilo, meu conforto.
Seus sinais, a minha constelação inspiradora.
Sua pele sorve a tinta como que devorando
uma a uma as letras do meu desejo.
Invejo a pele.
Invejo o cheiro.
Dorme ainda indiferente a caneta que corre.
Mais um verso escrito
(ou outra desculpa para estar aqui
sobre suas costas nuas)
Não se mova, amor!
Deixe que eu escreva suas costas inteira
ou até que minha vontade se acalme.
Não desperte, amor!
A ressonância do seu sono move a caneta.
Não quero nexo.
Quero juntar coisas
na tentativa vaga de um poema.
Qualquer coisa.
Escrevendo aqui sou mais cúmplice de ti.
Minha caneta deslisa
nos movimentos suaves de sua respiração.
E eu sobre suas costas,
umedeço os lábios aquietando meu tesão.
Um verso atrás do outro.
Uma vontade atrás da outra.
Sua pele, minha folha agora maculada de erotismo
camuflado em versos.
Seu sono, meu delírio.
Com fúria sinto o fim tão perto.
Não dos versos...
Não da tara...
Não da libido...
Mas das costas onde despejo
os meus versos de amor.
terça-feira, 9 de junho de 2015
D.E.L.I.R.I.O
D entre tantas maneiras de se curar
E steve próxima ao
L ítio se afogar
I nvestigando seu obscuro passado
R etirando teias do baú
I nventando crises de baixo escalão
O xigenando uma fria e lenta ilusão
Gabriella Gilmore
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