quarta-feira, 10 de junho de 2015

Em Suas Costas


Suas costas nuas, meu papel em branco.
Seu sono tranquilo, meu conforto.
Seus sinais, a minha constelação inspiradora.
Sua pele sorve a tinta como que devorando
uma a uma as letras do meu desejo.
Invejo a pele.
Invejo o cheiro.
Dorme ainda indiferente a caneta que corre.
Mais um verso escrito
(ou outra desculpa para estar aqui
sobre suas costas nuas)
Não se mova, amor!
Deixe que eu escreva suas costas inteira
ou até que minha vontade se acalme.
Não desperte, amor!
A ressonância do seu sono move a caneta.
Não quero nexo.
Quero juntar coisas
na tentativa vaga de um poema.
Qualquer coisa.
Escrevendo aqui sou mais cúmplice de ti.
Minha caneta deslisa
nos movimentos suaves de sua respiração.
E eu sobre suas costas,
umedeço os lábios aquietando meu tesão.
Um verso atrás do outro.
Uma vontade atrás da outra.
Sua pele, minha folha agora maculada de erotismo
camuflado em versos.
Seu sono, meu delírio.
Com fúria sinto o fim tão perto.
Não dos versos...
Não da tara...
Não da libido...
Mas das costas onde despejo
os meus versos de amor.

terça-feira, 9 de junho de 2015

D.E.L.I.R.I.O



D entre tantas maneiras de se curar
E steve próxima ao
L ítio se afogar
I nvestigando seu obscuro passado
R etirando teias do baú
I nventando crises de baixo escalão
O xigenando uma fria e lenta ilusão

Gabriella Gilmore

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Eu Decidi Mudar



Decidi que quero ser a falta e não o que a preenche. Cansei de estar sempre de mãos estendidas, de braços abertos, com as palavras certas para dizer. Quem quiser que busque outro ombro para encostar.

Decidi que quero ser o dedo na ferida, o veneno que trava na garganta antes de descer, o ferro que fere... Cansei de ser aquela que cura as feridas, a que entende, a que acolhe. Quem quiser que busque consolo em si como eu faço sempre quando sou eu quem precisa.

Decidi que não estarei mais aqui quando a solidão assolar você. Porque cansei de esperar sozinha a sua solidão chegar. Eu sei que amar e ser companheiro faz parte da vida. Então decidi amar-me e fazer companhia a mim, porque sem mim não vivo.

Decidi não ser mais a que entende, quero eu, agora, ser entendida. Quero eu, agora, ser admirada e querida. Quero eu as palavras de conforto, o colo, o abrigo. Quero eu, agora, um pouco de mim.

Se me disser que com isso só conseguirei desprezo, rirei de você. Porque desprezo não é muito diferente do sentimento de indiferença que até ontem eu recebi. A diferença só está em uma coisa: antes a indiferença doía e hoje, o desprezo é só mais um sentimento que vai me acompanhar.

Arranquei de mim a vontade de amar o outro. Para ofertar a mim o sentimento de dignidade, de amor próprio. Saí da condição de amante para a de objeto amado. E, ainda que ninguém mais me ame, não me fará diferença, eu aprendi a amar-me quando não tive ninguém para fazê-lo.
(Waleska Zibetti)

domingo, 7 de junho de 2015

BRASÍLIA, ME DESCUBRA!



Brasília é uma cidade para se conhecer em um passeio turístico e com um guia que saiba com detalhes cada monumento que ela possui. Nem mesmo os nascidos ou criados lá sabem o tesouro cultural e de inteligência que ela possui. Depois disso, tire mais ou menos um mês de férias para você continuar a entender suas quadras, superquadras, tesourinhas e vias de acesso como W3 sul/norte, L2 sul/norte. Quem? Pois é.
Quando me mudei para lá, nos primeiros meses eu fiquei de cabeça doendo.
O clima seco, juntamente com suas ruas sem nome incrivelmente iguais uma das outras, me deixavam louca. Depois fui percebendo que aquela culta cidade é matemática lógica pura. Me apaixonei.
Em seis meses eu já conseguia me deslocar por lá com mais facilidade e até comecei a sentir saudade de como era se perder.
Uma vez, tive crise de pânico dentro de casa no Cruzeiro. Precisei sair para a rua para descarregar a explosão de energia que brotava de dentro de mim. Peguei Matilda (minha Caloi) e fui correr dentro do bairro. Em uma hora eu rodei três bairros.
Não me perdi.
As quadras por terem sequência numérica facilita a vida dos brasilienses/candangos/aventureiros.
A única coisa que me fez perder por lá foi o seu céu.
Quase sempre limpo e muito azul, você consegue nadar nele sem ficar com os olhos vermelhos e de cabelo duro.
O nascer do sol é estupendo. O céu começa num laranja clarinho até ficar azul bebê. A grama verde que tem por toda a cidade, monta perfeitamente a bandeira do Brasil.
Para quem nunca viu um céu lilás escondido no rosa, é só esperar o por do sol para você entender o que estou falando. Não. Eu não uso drogas.
Na noite, você estica as mãos e rouba uma estrela. E a lua com toda sua sedução te engole num piscar.
Cidade da natureza.
Às vezes acho que há uma cidade dentro de um parque, e não ao contrário.
Comecei a fazer coleção de árvores por lá. São tantas, tantas! Nunca consegui fotografar todas, e nem vou.
Brasília é tão astuta que às vezes fico com vergonha de mim.
Eu andava em algum lugar e me deparava com um concreto aparentemente sem explicação, mas eu sabia que se eu tivesse escutado melhor o guia turístico lá no início desse texto, eu entenderia. Porém acho que o mistério daquela cidade estava naquilo, em te deixar absorta.
BSB tem uma coisa de que não acho graça. O povo e a comida.
“Ow, me vê um prato típico de Brasília?” Ixxi, não tem. “Qual é o sotaque do brasiliense?” Abafa que também não tem.
Lá você vê muito nordestino, goiano, mineiro, e outros. Brasiliense que é bão, nada.
Você só consegue ter contato com eles no trabalho. Fora isso todo mundo some. Nunca consegui pegar uma caneca de açúcar com minha vizinha do prédio. Será que vivia mesmo alguém lá?
As pessoas devem ter medo de gente. Só pode.
Entretanto Brasília é moderna e ousada, apesar de ter essa população fechada e individualista. É quadrada, às vezes oval, de concreto e cimentada. É Nova Orleans, Paris e Saturno. É um museu de arte contemporânea em área aberta. É lógica, e nos ensina a caminhar um pouquinho, justificando aqui seus “quarteirões” enormes e distantes um dos outros. Foi inspiração de vários artistas e ainda tem mexido com muita gente, perpetuando-se. É Brasília sua irreverente! Sua linda!!!

sábado, 6 de junho de 2015

E-mail...



E-mails não são como cartas. Não posso simplesmente largá-lo ali a mesa para pensar se abro ou não, enquanto tomo uma xícara de café ou de veneno. Muito menos guardá-lo numa caixinha para ler numa madrugada em que o cheiro de saudade invade o quarto e me lembre estou só. Não posso pegar um e-mail e guardar no bolso para ler na beira da praia aonde vou todos os dias, antes para caminhar; hoje para pensar.

Não vou ler! Vou excluir. E viver a vida inteira imaginando o que ela escreveu. E nunca mais vou pensar nela, mas para o resto da vida vou me lembrar do maldito e-mail. Então, é melhor ler! Melhor pensar nela que no e-mail.

Se fosse uma carta, eu guardaria e quando estivesse bem velhinha eu leria com olhos cheios de lágrimas de saudade, lágrimas de despedida da vida, dela e da carta. Mas é um maldito e-mail. Tenho que abrir ou guarda-lo em alguma pasta e ler um dia de uma maneira não tão romântica, não em um lugar particularmente nosso...

E-mails são frios. Não tem a letra, o toque, o cheiro, a energia de uma carta. Ela podia ter escrito uma carta... Maldita tecnologia.
(Waleska Zibetti)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A COR DA TUA ALMA


Enquanto eu te beijo, o seu rumor
nos dá a árvore, que se agita ao sol de ouro
que o sol lhe dá ao fugir, fugaz tesouro
da árvore que é a árvore de meu amor.

Não é fulgor, não é ardor, não é primor
o que me dá de ti o que te adoro,
com a luz que se afasta; é o ouro, o ouro,
é o ouro feito sombra: a tua cor.

A cor de tua alma; pois teus olhos
vão-se tornando nela, e à medida
que o sol troca por seus rubros seus ouros,
e tu te fazes pálida e fundida,
sai o ouro feito tu de teus dois olhos
que me são paz, fé, sol: a minha vida!

Jiménez, Juan Ramon. Antologia Poética. Editora La Galeria. Espanha,2006.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Só Mais Uma Noite Insone


Mais uma noite sem lua e estrelas. Mais uma noite insone. Olhando pela janela outra paisagem, mesmas dúvidas na cabeça, mesmo silêncio. Outro cigarro, um gole de café. Estou evitando o vinho. Tenho sentido dores e elas me deixam irritada. Deveria evitar o cigarro também. Um outro dia com certeza, eu paro.

Chove. Chove muito. Eu tenho medo de temporal, mas me chamaram de tempestade. Por que será, então, que temo a chuva? Acho que não sou tempestade. Sou o que a precede. Sou ventania, sou escuridão. Sou as primeiras gotas que levantam o cheiro nostálgico de terra molhada. É isso! Eu sou nostalgia.

Dei para contar os dias de minha vida. Hoje menos um. Um dia eu comemoro em outros me entristeço. Há dias que me esqueço e nesses dias sinto uma vontade louca de ficar. Entretanto, há dias que você me faz lembrar e então, vem a insônia, o cigarro e a saudade me dizer: ”arrume as malas chega disso aqui”.

Hoje é um desses dias. Desde que amanheceu estou sentindo uma vontade louca de ir. Todos os rostos que me olharam foram estranhos e todas as vozes foram distantes. Todos os nomes não reconheci. Um dia de solidão, um dia de vazio, um dia a menos... Que alívio eu sinto! Um dia a menos!

Chove! E o vento traz gotículas para molhar meu rosto, braços, cabelos... Eu gosto do vento. Ele me traz uma sensação boa de liberdade. E quando ele me toca assim é como se ele quisesse me levar com ele ou me trazer lembranças de outras terras. Hoje ele me trouxe gotinhas de chuva. Acho que hoje o vento chora comigo. É isso! Hoje, o vento está chorando o meu dia a menos. E eu choro com ele. Como sempre sem ninguém ver. Ninguém. Nem você.

“Ah, se tu soubesses como sou tão carinhosa e o muito muito o que te quero...” rs. Nunca vai saber! Só a noite, o cigarro, o café, a chuva, o vento, a minha solidão e eu saberemos do meu choro nessa noite a menos, em que você dorme tranqüilo em sua ignorância, do meu desejo por ti.

Trago meu cigarro. Bebo meu café já frio e sem graça. Lembro do vinho. O vinho mesmo quente não perde a graça. Eu deveria tomar uma taça de vinho hoje. Brindar a tua ausência que me dói no estômago.

Dizem que fumar mata, beber mata, saudade mata. Então, se eu fumo, bebo e morro de saudades de você; não entendo porque ainda não morri. A morte não me quer! Ou será o inferno que me rejeita? Nem uma coisa nem outra. É o filho da puta, sacana de uma figa do Cristo que me segura aqui só para me testar.

Olho para o céu:

__ Ei! Escuta aí! Pode testar! Testa! Testa! Testa! Ainda vou te encarar nos olhos e dizer: “Me testou por tantos anos, agora me paga uma Skol que enfim passei nessa porra de teste que você nos impõe todo dia, todo tempo.” E mesmo que você diga que eu não passei, eu vou insistir na cerveja. Porque alguém tem que te fazer relaxar. Só alguém muito estressado para criar testes tão difíceis todos os dias. Sargentão! - Risos.

Nem bebi e estou louca. Eu devia ter optado pelo vinho e esquecido o cigarro. Eu devia era estar dormindo como todos os seres normais desse mundinho medíocre. Mas não estou! Estou aqui! Acordada. Molhada. E com uma puta saudade de ti.

Então, eu vou ceder e vou beber um vinho. “Me entorpecer bebendo vinho...” Salve Ira! Salve anos 80! Salve minha adolescência! Salve meu estômago que não doía! Salve o vinho que eu não bebia! Salve o tempo que eu não te conhecia! Salve a saudade que eu não tinha! Salve o tempo em que eu vivia!

Eu não vivo mais. Eu sobrevivo. Eu resisto bravamente como o guerreiro no campo de batalha. Eu contra os testes do Cristo. Eu contra Ele. Eu contra a saudade. Eu contra a vontade. Eu contra mim.

Um dia a luta acaba. E eu vou me encontrar com o Cristo para tomar uma Skol divina lá no Paraíso. E Ele vai me dizer como todos dizem: “Você é mesmo uma neguinha sacana. Com seu jeito de tempestade, passou em todos os testes que te impus sem mostrar a ninguém suas lágrimas, seus medos e fragilidades. Morreu como uma mulher forte, tendo sido a vida inteira uma criança grande”. E vamos brindar com nossa Skol Celestial e Ele me dará enfim, o meu prêmio final: a capacidade de esquecer você.
(Waleska Zibetti)

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Mulheres inteligentes - Relações saudáveis



Eu gosto é de mulher independente,
dinâmica, inteligente, segura de si,
que não se intimida diante do mundo
nem dos desafios da vida,
mas, curiosamente, este é o tipo de mulher
que mais tem medo de mim...
Augusto Branco


Fórmulas prontas ou doses de sabedoria?
Eis o meu livro da vez: Mulheres Inteligentes Relações Saudáveis do Augusto Cury.
Você deve estar se perguntando: Mas Bruna, um livro de Autoajuda no universo feminino, escrito por um homem? Digo-te caro leitor. A cada página lida deste livro eu praticamente pus um “post-it” para as situações vividas por mim, ou até mesmo as minhas opiniões e sentimentos que tenho por determinados temas abordados no livro.
Falando nos temas, mesmo que o título chame atenção para o relacionamento homem e mulher o mesmo retrata todas as outras relações do nosso universo (Filhos, pais, amigos, sociedade, trabalho e até consigo mesma).
Em Mulheres inteligentes - Relações saudáveis, Augusto Cury apresenta uma fantástica análise sobre a mulher, seus emoções, relações, seus medos, anseios e desejos. O autor identifica quatorze tipos de mulheres, dentre as quais, analíticas, contemplativas, impulsivas, dependentes, autoritárias, trazendo o lado positivo e negativo de cada comportamento.
As mulheres vão conhecer as leis fundamentais das relações saudáveis e os erros capitais de uma relação doente e aprender a transformar suas atitudes através do autocontrole dos pensamentos e das emoções. Ao final de cada capítulo, Cury presenteia os homens com frases-conselhos, que os farão refletir sobre as mulheres de sua vida (namoradas, esposas, filhas, mães, amigas...) para - juntos - construírem uma história de amor singela e inteligente.
O livro é interessante, educativo e de fácil leitura (169 páginas de muitos ensinamentos) e o mais bacana é que os homens recebem pequenos textos elucidativos escritos para eles.
“Homens inteligentes sabem que podem ser socialmente livres, mas emocionalmente escravos. Buscam proteger sua emoção como os sedentos em terra seca. Não têm medo de ser contrariados ou frustrados, pois não têm a necessidade neurótica de estar sempre certos. São amáveis, mesmo quando apontam seus erros. Homens inteligentes sabem o Eu é muita mais que um pronome empregado numa frase. O Eu, pra ele, representa a capacidade de escolha, a vontade consciente, a habilidade de ser gestor de sua mente e, por terem tal entendimento, equipam esse Eu para ser autor de sua história e protetor de sua emoção. Sabem que, se não aprenderem a proteger a emoção, poderão ser miseráveis morando em palácios.” (pg. 36).
Augusto Cury transmite nesta obra o sentimento de esperança. Sentimos que é possível redefinir nossas metas/ideais, mudar atitudes/pensamentos e reescrever nossa história, sendo autores de nosso próprio destino (pelo menos, de uma parte dele). Durante a minha leitura me puni inúmeras vezes e pasmem me identifiquei em vários aspectos citados pelo autor. Mas parafraseando-o diria que “As flores mais belas nascem nos mais inóspitos terrenos.”.

Mulheres Inteligentes.
Essas sabem que o amor não é um produto acabado. A frase '' ou se ama ou não se ama '' é psiquiátrica e psicologicamente superficial. O amor se cultiva, o amor se lapida, o amor se estimula. O amor morre, mesmo sendo real. E ainda renasce, mesmo estando morto. O amor não é genético, não se nasce sabendo amar, você aprende a amar.

Aproveite a leitura e depois me contem!
Até o próximo texto
Au Revoir

terça-feira, 2 de junho de 2015

Eu Quero Ser Uma Amêndoa


Não me olhe com essa cara de espanto, essa é a mais pura verdade: Quero ser uma amêndoa! Tudo bem, tudo bem. Eu vou explicar o porquê disso e então você me dirá se estou mesmo louca.

Repare bem um pote de amêndoas. Todas elas são iguais. Todas aparentemente com o mesmo tamanho, cor, peso... Mas aí, de repente vem um homem faminto de algo e pega o pote e fica olhando para as amêndoas. Ele tem fome. Mas com a ponta dos dedos ele revira o pote, e as amêndoas quase gritam: “A mim! Escolha a mim!”. E ele continua a virá-las e revira-las dentro do pote nem aí para seus apelos. E então, escolhe uma.

Poderia ser qualquer uma daquelas ali tão iguais entre si. Mas ele escolhe uma depois de dedilhar a todas. E ele a olha com desejo. Seus olhos brilham. Ele sorri. Há um prazer naquele sorriso que poucas mulheres já viram. Ele sorri segurando firme, mas com certa delicadeza a Escolhida. Não posso mais chama-la simplesmente de amêndoa. Ela é diferente das outras. Há algo nela que desperta desejo e fome naquele homem.

Ele pega a Escolhida e passa no mel. Ela chega ficar mole ali enquanto ele despeja sobre ela um pouco de mel. O mel se espalha sobre ela. A boca dele saliva. Desejo... Fome... Vontade... E ele passa a língua no mel que escorre nos seus dedos depois de descer da amêndoa. Será só mel ou a Escolhida vendo todo aquele desejo, toque e quase carícia daquele homem; ela mesma libera um pouco de mel?

Lá vai ele levando a Escolhida à boca. Ele ainda a olha com olhos vibrantes. O cheiro dela e do mel atiçam mais ainda seu desejo de devora-la. Por alguns segundos ele a prende nos dentes, sem mordê-la de fato. Talvez para sentir pela última vez o mel que ela deixa escorrer. Então ele lhe crava os dentes. Um gemido quase inaudível é solto no ar. Foi ele ou ela quem gemeu? Que importa! Agora ela é dele e ele a devora com prazer, com fome, com desejo...

Ela é dele... Não importa o que virá no próximo minuto. Se virão outras amêndoas ou não. Agora nesse momento é só ela e ele. E ela é dele. Ela que até um minuto atrás era só uma amêndoa num pote qualquer, igual a todas as outras que estavam lá; agora era a Escolhida e pertencia a alguém. Era diferente. Era única. Era dele!
(Waleska Zibetti)

segunda-feira, 1 de junho de 2015

E se a tempestade não passar, aprenda a dançar na chuva.


Pense num dos poucos momentos da sua vida em que despretensiosamente você estava em estado de felicidade. Agora lembre se isso foi algo que partiu de você. Acordei pensando sobre isso, felicidade é algo que você decide por princípio.
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração o princípio ainda será o mesmo.
Às vezes esse sentimento não é de primeira mão e você se sente desolada por isso, pois imaginamos a felicidade como uma meta e esquecemos que ela é o caminho a se traçar a trilha a se percorrer e a história a se construir. Nigel Warburton em seu livro Uma breve
história da filosofia nos convida a conhecer Aristóteles, esse mesmo filósofo grego que cita a bela passagem “Uma andorinha só não faz verão” queria dizer que, para provar que o verão começou, é preciso mais de uma andorinha ou mais de um dia quente. Do mesmo modo, pequenos prazeres não representam a verdadeira felicidade. Para ele, a felicidade não passava de alegria momentânea.
Mal sabia ele que a felicidade cultivada no âmago de nós mesmos não é algo que vem do céu (e depois se vai…), mas, uma habilidade adquirida através de exercícios diários de autoconhecimento.
Mais acredite nada é fácil.
Existem bagagens que trazemos da vida e que nunca administramos (o conjunto nossas histórias passadas, nossas vivencias, conquistas, decepções de vida pessoal, familiar, profissional e claro, amorosa).

O melhor, sempre é tentar entender o que acontece com você: por que está tão difícil para você?

Corremos tanto de um lado a outro... Acho tão cruel abafar felicidade, sufocar emoções dói, angustia, nos traz um falso ar de superioridade que não faz ninguém se sentir mais forte por não dizer a sua verdade e tampouco transbordar sua felicidade. Nada dói mais que omitir pra si mesmo e para os outros. Nada pior do que recitar o trecho de uma canção do Roberto Carlos que diz: Das lembranças que trago na vida,
você é a saudade que eu gosto de ter”.
Somos todos indivíduos, nossos anseios, necessidades e desejos diferem, exatamente como diferimos física e emocionalmente. Mas, apesar destas diferenças, a busca da felicidade é comum a todos.
Como diria o poeta Mario Quintana:
Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!”
A felicidade pode vir de onde menos se esperava. Duvida? Que bom, isso significa que você tem grandes chances de ser feliz.