domingo, 10 de maio de 2015

Quando Vier a Primavera


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

sábado, 9 de maio de 2015

DESAFIANDO GIGANTES - Resenha de filme

Desafiando gigantes (Facing the giants)

Se tratando muito mais que um simples filme cristão, Desafiando Gigantes é uma filosofia de vida.
Estamos vivendo em uma época onde as pessoas estão se questionando mais sobre questões bíblicas, fé e religiosidade, e acabam ficando céticas, pois os intempéries da vida nos tem jogado de braços à dúvida, afinal, ficar no meio sempre será mais confortável.
Escrito, dirigido e atuado por Alex Kendrick (Grant Taylor), a história conta sobre um treinador, que ao enfrentar um fracasso na sua profissão, ainda tem que lidar com o fato de não poder engravidar a esposa e ainda ouvir dizer que está para ser despedido da escola.
Um homem com princípios cristãos, acaba percebendo que nesses seis anos como treinador dos Eagles, acabou se esquecendo de Deus. 
Engraçado como só recorremos a Ele quando não temos mais para onde ir ou quando tudo está tranquilo e aparentemente bem.
Nesse momento Grant trava uma prova com Deus, orando e pedindo sinais e aos poucos ele vai notando que quem pede, recebe.
Resolvido então levar essa nova filosofia também para seus atletas, ele conversa com os garotos sobre o propósito deles ali, no campo, e pergunta aos meninos qual seria o objetivo do time. 
Sabemos que quando entramos em uma equipe, queremos ganhar, sermos os melhores, mas deixar que isso suba a cabeça, como a meta principal, e até mesmo passando por cima de tudo e todos, não nos faz melhores e a resposta não demora muito a chegar para enxergarmos isso.
A história te emociona quase que a cada núcleo. É uma ótima opção de filme para se ver com a família ou indicar para aquele amigo que acha que perdeu a fé em si e até mesmo em Deus.
O enredo fala de que não devemos deixar o medo governar nossas vidas, e de que nem sempre os "fortes" são os vencedores, e que os fracos também tem seus valores, mas que apenas deixaram o pessimismo tomar conta.
Nos mostra também, que agradecer quando tudo está bem é muito fácil, e que o importante é sabermos ser gratos quando as dificuldades nos cercam.
Somos mais fortes do que podemos imaginar, só basta ficarmos atentos sobre isso e não deixarmos que os contratempos da vida nos fraqueje. 
Somos capazes de ultrapassar limites impostos por nós mesmo. Acredite.

Convide seus pais, os avós e o vizinho para essa lição de que enfrentar "gigantes" não é impossível.
Bom filme!


sexta-feira, 8 de maio de 2015

Coragem



Era tanto olhar para baixo... Tanto medo da chuva... Mas ela nunca foi como as outras. Encarou o céu do meio do mar de guarda-chuvas e se sentiu feliz com os beijos molhados de vida.
(Waleska Zibetti, in "Coragem")

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Dos Porquês



À noite...

__ Vamos conversar?
__ Não venha me atormentar com suas bobagens que já é tarde. Deite e durma, mulher! 

Pela manhã...

__ A esta hora e já com essa cara azeda? Deus do céu!
__ É que ontem dormi engolindo palavras amargas.

Envergonhado ele afunda os olhos no jornal. 
(Waleska Zibetti, in "Dos Porquês")

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Reencontros E Despedidas




"Ainda mais bizarra era sua dupla vida mental:
Uma parte dela vivia no presente;
a outra parte respondia
emocionalmente a eventos ocorridos"
(Yrvin D. Yalom,in "Quando Nietzsche Chorou")

__ Poderia ser você? – disse ele mostrando-lhe a aliança recém conquistada – Mas você não me escolheu. Preferiu ficar aí levando a vida desse jeito.

Ela o olhava paciente e compreendia bem o porquê daquilo. Ele guardava mágoas do passado. Ela podia sentir isso sendo despejado em seu colo letra a letra. E manteve-se em silêncio esperando que ele se esvaziasse por completo de seus sentimentos.

__ Ela acreditou em mim. Estou muito feliz! Ela é especial, sabe? Deus foi muito bom para mim. Vou começar uma família. Estou me sentindo realizado.

Ela escutou o discurso e de repente se deu conta do quanto ele se ressentia dela. Ficar quieta e em silêncio era o seu pedido de desculpas por não tê-lo desejado como ele esperava ou imaginara. Essas coisas não acontecem quando e como queremos. Acontecem e pronto. No caso deles, não aconteceu. Simplesmente não aconteceu.

__ Tenho projetos com ela. Você precisava saber disso para não deixar escapar mais ninguém. Poderia ser você agora, entende isso? Mas você simplesmente ficou inerte a tudo que lhe ofereci. Esqueceu-me. Deixou de lado. E, quer saber, foi bom para mim. Eu... Eu agora a tenho. Alguém que me quis. Que me deu valor e me levou a sério. Estou feliz! Nossa! Como estou feliz!

Ela só sorria e olhava para ele complacente e paciente. Então, ele se levantou. Procurou algo nos bolsos. Sorriu e concluiu.

__Bom, é isso! Eu queria que você soubesse que estou bem e feliz. Agora vou embora. Obrigado por tudo! Não vou mais incomodar você. Espero que você também seja feliz e que da próxima vez que alguém quiser lhe fazer feliz, você aceite.

Ela abriu um pouco mais o sorriso e assentiu com um meneio de cabeça e levantou-se para levá-lo até a porta. Ele parecia aliviado e uma vez à porta, respirou fundo.

__ Adeus!
__ Adeus! E felicidades.

Havia sinceridade nas palavras dela. Toda a sinceridade do mundo. E ternura também. Sentia-se em paz por tê-lo ajudado a acreditar que ele dera o troco nela e que agora ela estaria triste e pesarosa de não ser a esposa dele. Ela sentiu-se caridosa em ajudá-lo a vestir a fantasia de que era feliz mesmo sabendo que de vez em quando a realidade cairia nos ombros dele, levando-o a pensar nela, em como teria sido se fosse ela. Havia uma falsa sensação de coisas realizadas e ajustadas naquela tarde. E o mundo parecia perfeito.

Ele desceu a rua com mãos no bolso e pensamentos desconhecidos. Ela entrou, ligou o rádio, serviu-se de vinho e sentou-se feliz para ler Nietzsche.

“... Falei de amor! Trago uma dádiva aos homens”.

(Waleska Zibetti, in "Reencontros e Despedidas")

terça-feira, 5 de maio de 2015

A MENTIRA É UMA COBRA



por Gabriella Gilmore.

Luiz é o cômico da turma, porém bastante inteligente. Até hoje não sei como ele aprende as matérias, sendo que sempre está contando casos para um ou outro no meio da classe.
Como de costume, o rapaz chega atrasado à aula.
_ Podem recomeçar a matéria porque estou chegando! Brinca o engraçadinho.
Todos riram.
Realmente é impossível não achar graças de suas piadas. Ele é ótimo.
Nesta noite, até que ele ficou mais calado do que o costume. Depois fomos saber o motivo: Ele maquinava seu programinha depois da aula.
Acaba o curso e nosso jovem sai em encontro com sua trupe.
_ Hoje vamos beber horrores! Comenta seu amigo.
_ Rá! Só se for você, né querido? Estou dirigindo. Qual parte do "Se beber, não dirija" você não entendeu? Perguntou zoando o rapaz.
_ Tá tá táaa. Eu degustarei por nós então e "simbóra" mano!

_ Luiz, estou passando mal cara.
_ Mas já?

Antônio desaba no chão.

_ "Affemaria"! Angélica meu bem! Me ajuda aqui. Chama Luiz.
_ Como assim desmaiado?
_ FI-LHA! Incoma alcólico. COMOFAZ? Levamos pro hospital?
_ Ixi! Acho que ia babar. Faz o seguinte, vamos lá pra casa.
_ Ai meu Pai! Vou chegar tarde em casa.

Deixaram a bênção de porre na casa da Angie e foi para casa, afinal, seus pais nem sonhavam que ele iria sair depois da aula.
Entrou de fininho e por sorte, todos estavam no último estágio do sono. Bom, era o que ele pensava.

_ Bom dia mama!

(Cara de bunda)

_ Ué "bãe". Está com raiva de mim por quê?
_ Sua aula terminou tarde né? Vá contando o que aconteceu Luiz.

Ele arrumou a maior lorota e conseguiu dobrar aquela "gigante" de um metro e quarenta.
Falou que um amigo do curso havia passado mal em sala, que o levara para o hospital e como era regional, demorou para darem entrada.

"Ufa, vou trabalhar sossegado hoje. Ela caiu". Pensou.

Quando ele retorna, sua mãe pergunta:
_ Tira o óculos agora. Vou te dar um tapa.
_ O que foi dessa vez "bãe"?
_ Pode contar o que aconteceu porque já liguei para seu professor. Como a esposa dele havia atendido, ela não soube me informar, e foi aí que liguei para o hospital e lá não constava NE-NHU-MA entrada do Antônio Amaral. Francamente né Luiz? Vá falando.
_ Maaasssss...

Páh! $#@&%$

A mentira tem pernas curtas? Nem isso. Ela é uma cobra!

domingo, 3 de maio de 2015

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Colasanti, Marina. "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

Até o próximo texto
Au Revoir!

sábado, 2 de maio de 2015

O LUTO - E.B

por Gabriella Gilmore

Ela acordou com o som de gritos de dor.
Não uma dor qualquer. Uma dor que ardia a alma.
Subiu as escadas apressada, achando que os gritos provia de alguma violência física.
Ainda desorientada com o susto daquele grito, ela entendeu que sua irmã perdia uma pessoa muito valiosa em sua vida.
Perdia uma ova.
Você não pode "perder" uma pessoa como se perde a chave de casa.
A cara da morte, como eu perguntava em um dos posts do Clube, não é bela e romântica para todo mundo.
Qual é o problema dela? Da morte? Qual é o seu problema, Sra Morte?
Na verdade, a pergunta é o inverso.
Qual é o nosso problema quanto a lidar com essa passagem?
O medo de um céu, de um inferno? O medo de não ter se despedido? O medo da pessoa ter ido embora decepcionada com você? Medo de ela ter sofrido uma dor antes de partir?
Qual é o nosso problema? Qual é o seu problema em compreender isso?
Nascemos sem saber nada. Podemos morrer ainda sem saber muita coisa. Porém, a morte, é uma certeza que qualquer ser vivo tem. ELE sabe. Por que não aceita?
Existe resposta e solução para tudo, até para a morte.
Medo de um céu e um inferno? Cuide de sua alma para que ela tenha um lugar aonde repousar.
Medo de não se despedir da pessoa querida? Cuide para que tenha todos os seus relacionamentos sadios, sem mágoas, sem decepções, para que nunca tenha o sentimento de "eu não tive a chance...".
Medo dela ter sofrido na passagem? Se você crê em um Deus bondoso, se você crê que a pessoa partindo era uma pessoa bondosa aos olhos do Pai, não se preocupe com isso. Não cabe a você.
Precisamos ter em mente que amar nunca é demais. Nunca troque o certo pelo duvidoso. O remorso é um sentimento que nos corroí aos poucos. Se você faz parte de alguém, seja realmente uma parte, e não uma metade vazia. Sim, metade vazia!
O mal do ser humano é que só sente depois que perde. Só se lembra quando não tem mais acesso. Só perdoa quando não possui mais a oportunidade de falar do perdão. Só sabe pedir. Nunca agradece.
"Então louve, simplesmente louve

Tá chorando, louve, precisando, louve
Tá sofrendo, louve, não importa, louve
Seu louvor invade o céu".

O agradecer aos céus não é uma prática somente do crente. É e deve ser uma prática do ser humano. Precisamos refletir sobre isso. Cultivar o sentimento de gratidão. Praticar o "polianismo". Chorar menos. Sorrir mais. E nunca esquecermos de que estamos aqui a passeio. Viva! Porque sobreviver cansa. Por isso VIVA!

E.B (R.I.P)

Marit Larsen - pop/folk/indie music


Dicas de músicos no #CLV
por Gabriella Gilmore



Esse post é um republicamento, porém a dica musical aqui retratada é atemporal.


Nascida na cidade de Lorenskog, Noruega, a pequena Marit Elizabeth Larsen, começou cedo a mostrar talento pela musica. Aos cinco já cantava em festivais locais, mas também não era de se estranhar. Seu pai toca violoncelo na orquestra filarmônica de Oslo e sua mãe é pianista, confirmando ai, que sua musicalidade é genética.
Aos 13 ela já estava gravando músicas pela Atlantic Records, juntamente com sua amiga Marion Raven, formando assim a famosa dupla norueguesa M2M. Viajaram o mundo todo divulgando o primeiro álbum Shade of purple. Com o sucesso deste, gravaram o segundo, The big room, mas com poucas vendagens, a gravadora cancelou o contrato, oferecendo em seguida 1 milhão para Marion gravar um cd solo.
Aos 18 anos, quando isso aconteceu, Marit aproveitou para estudar,  viver uma vida menos agitada e cheia de amigos, já que na época da banda, ela quase não tinha tempo para tal.
Muitos, inclusive eu, achamos que ela havia abandonado a musica, e muito deve ter passado pela cabeça dos fans, de que talvez, Marit não fizesse sucesso sozinha, pois para muitos, ela sempre foi apenas a violonista e “back vocal” da dupla. Para ser mais clara, podemos dar como exemplo a nossa ex-dupla Sandy e Jr. Preciso dizer mais?
Mas quem disse que peixe vive fora d’agua? O seu silêncio valeu a pena, pois ela pode fazer uma "big reflexion" sobre tudo. Sobre a carreira, a musica, sobre escrever e o porquê dessa arte. Se ela a fazia por impulso, para agradar as pessoas, ou se era por que amava o trabalho.
E a prova de toda sua introspecção, podemos ver o seu primeiro álbum independente chamado Under the surface lançado em 2006, com mais de 50 mil copias só na Noruega, rendendo assim seu primeiro disco de platina.
A repercussão foi muito boa, pois ela voltou madura, com mais musicalidade e independência. Gosta de criar musicas sem regras e seu estilo seria Folk? Country? Um pop acústico! Sem rótulos.
Com uma voz doce e envergonhada, Marit não cansa de sorrir. Você pode sentir sua humildade e encanto em seus vídeos amadores e rodou bastante divulgando um de seus singles chamado If a song could get me you.
Já ouviu bandolin? banjo? Ela não exita  em acrescentar sonoridade diferentes em suas canções. E se você gosta do belo, não deixe de ouvir Marit Larsen.

O público norueguês exalta Marit Larsen ao chamá-la de "A princesa do pop Nórdico" num artigo publicado no último dia 14/10/2008.

"Somos, provavelmente, dos muitos que tinham grandes expectativas sobre o sucessor do álbum debut solo de Marit Larsen "Under the surface" (2006). Portanto, é um prazer constatar que ela matém com "The Chase" o direito à primeira princesa no trono pop nórdico."

No mesmo artigo, surgem elogios à sua música como "cativante", "inteligente", "direto" e "Doce-amargo", e as compara ao ABBA e Dolly Parton, mas frizando bem a originalidade na criação das músicas dela.

A sugestão de música é o hit de seu quarto álbum.
"I don't want to talk about it".



sexta-feira, 1 de maio de 2015

Para Sempre



__ Interessante! - Assim ele me definiu no fim da noite quando eu e a taça de vinho repousávamos em silêncio do lado oposto da mesa e dos pensamentos dele.  Eu o observava talvez buscando algum tipo de definição para ele, também. E de repente notei que tinha olhar reticente. - Está tentando entender o "interessante"? 

__ Não! Estou tentando uma palavra para você. 

__ Achou alguma?

__ Austero. - E ele franziu a testa, não sei se ele buscava uma explicação ou se não achou pertinente a definição dada. Depois recostou-se na parede com olhar perdido. E houve alguns minutos silenciosos. Depois ele olhou-me tão diretamente nos olhos que eu não pude desviá-los. Eu deveria dizer algo ou talvez ele. 

__ Austero igual a chato? 

__ Austero igual diferente de mim.

__ Fala porque sorrio pouco?

__ Falo pela loucura. 

__ Você sabe que de louca, você nada tem. É a pessoa mais coerente e consciente que conheço. Só que sem carregar o peso dessa coerência nos ombros. E isso a deixa leve e ainda mais interessante. Mas por que "sóbrio"?

__ Porque você, em todo o tempo manteve-se centrado quando seus gestos indicavam descompasso. Porque você não perdeu a linha em nenhum momento, mesmo quando seus olhos faiscaram de ódio. Você vai ao extremo e antes que o ultrapasse, volta uma espécie de equilíbrio confortável. - E novamente ele recostou a cabeça e perdeu-se em pensamentos. 

__ Você passou esse tempo todo me analisando, enquanto eu achava que você nem me ouvia. Você é realmente muito interessante. - E voltando novamente seus olhos para os meus. - Você será para sempre minha. 

__ Para sempre não existe! E eu não sou de ninguém!

__ Para sempre existe sim. Você só não precisa estar fisicamente nele. E você é minha. Porque sou dono de meus pensamentos e eu vou levar você dentro deles. - Ele havia me silenciado. Eu que sempre tenho resposta para tudo, nada pude dizer. Então, ele se levantou sorrindo. Estendeu a mão para mim. De pé diante um do outro sem nada dizer. Eu não conseguia pensar em nada coerente. Ele me sorri. E eu nem sei se sorri de volta. - Vem comigo!

__ Para onde? - E de repente senti-me tão pequena e débil por ter dito aquilo.

__ Ser para sempre num momento de nós dois. 

Sorri. E entendi. E em algum momento de uma noite. Um para sempre se repete numa cama de motel.  
(Waleska Zibetti, in "Para Sempre")