sábado, 18 de abril de 2015

O Sorriso de Monalisa

"Minha professora, Katherine Watson, vivia segundo suas convicções e não as comprometeria nem pela Wellesley. Dedico este meu último editorial a uma mulher extraordinária que nos serviu de exemplo e nos incentivou a ver o mundo com novos olhos. Quando lerem este, ela estará a caminho da Europa onde sei que derrubará novas barreiras e semeará novas ideias. Ela foi taxada de fracassada por partir transviada sem rumo, mas nem todas que se desviam carecem de rumo, especialmente quem procura a verdade além da tradição, além da definição, além da imagem. Eu nunca a esquecerei." (Betty Warren)
 
 
Katharine Watson (Julia Roberts) é uma recém graduada professora que consegue emprego no conceituado colégio Wellesley, para lecionar aulas de História da Arte, o ano era 1953. 
Incomodada com o conservadorismo da sociedade e do próprio colégio em que trabalha, Katharine decide lutar contra estas normas e acaba inspirando suas alunas a enfrentarem os desafios da vida.
Essa mesma professora que no começo do filme tinha uma aula completamente preparada, viu-se obrigada a mudar seu método, pois ela havia sido desafiada pelas alunas.
Então ela começa a utilizar a abordagem de ensino socio cultural, onde ela queria criar sujeitos pensantes, críticos, criativos, e com isso ela mostrou outra realidade para as alunas, porque na verdade a escola mostrava que as alunas teriam que ser excelentes esposas (como a sociedade queria que elas fossem), e apenas isso, e para ser excelentes esposas elas não poderiam pensar; já a Katherine mostrou que elas poderiam ser excelentes esposas, mas que poderiam também ter uma carreira, viver em sociedade e lutar pelo que elas queriam.
Se nós analisarmos friamente e trazer este tema pra contemporaneidade, é uma "batalha" das mulheres do Século XX e primeiros 15 anos do século XXI.
 
As mulheres no decorrer dos anos vem conquistando seu espaço na sociedade.
Quebrando barreiras e preconceitos, atngindo seu alvo com êxito.
A liberdade de expressão.
Nas décadas de 50 e 60 elas tinham que ser submissas aos homens que representava a figura de chefe da casa, e detinha todo o controle financeiro, e nunca poderia ser desafiado ou desacatado.
Naquela época a mulher padrão, perfeita para a sociedade era a "rainha do lar
",prendada, boa esposa que cuidava dos filhos e da aparência, tudo em prol do casamento.
Discutimos esse papel em textos anteriores quando lemos A mulher de 30 anos do Balzac um dos precurssores do feminismo ao mostrar Julia, a infeliz heroína, às voltas com problemas fundamentais da vida amorosa e sentimental das mulheres e com o fracasso do casamento, ante a uma sociedade extremamente machista.
 
"Vim à Wellesley porque queria mudar o mundo, mas mudar pelos outros... é mentir para si." (Katherine Watson)
 
Aqui está o trailler:

O interessante é que o filme tenta passar que não basta apenas reproduzirmos o conhecimento, mas sim, tornemos produtores de nós mesmos e sejamos capazes de desenvolver o senso crítico em qualquer momento sem abdicar dos nossos sonhos.

Até o próximo texto
Au Revoir

sexta-feira, 17 de abril de 2015

As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky




As Vantagens de Ser Invisível
(Stephen Chbosky)

“Eu me sinto infinito”
(Stephen Chbosky, in “As Vantagens de Ser Invisível”)

Comecei a leitura desse livro porque havia me encantado com o filme. E sem a menor preocupação me deixei levar com Charlie vivenciando com carinho cada ponto de contato de nossas adolescências. E essa frase chamou minha atenção de modo especial.

Algumas vezes também me sinto assim: infinita. E tudo que se refere ao tempo perde o sentido porque sinto que estou além dele. É o que chamo de felicidade: pequenos pedaços de vida onde o tempo não importa, pois ele se eterniza em algum som, cor, cheiro, lugar ou alguém. E sempre que volto lá, sou infinita.

Como Charlie, tudo que quero é alguém que me olhe como gente. O que tiver de vir depois deverá ficar no depois. Mas hoje as pessoas não estão dispostas a esses olhares. Tudo pára no superficial. E de superficial estou cheia. Então, entendi os choros e confusões de ideia de Charlie como se fossem meus.

Meu conceito de viver bem está no simples. Quero pouco para dizer que estou feliz. Mas ainda assim acho que sentirei que terá alguma coisa faltando. Logo eu nunca serei cem por cento feliz ou triste. No máximo noventa e oito disso ou daquilo. O que não é ruim. A ausência de algo gera busca e a busca me motiva. Acho que é disso que adolescente que me habita se alimenta. E eu preciso muito dessa adolescente para suportar a mulher.

Embarcar no universo de Charlie me fez revirar antigos momentos e por várias vezes fechei o livro e os olhos para sonhar e revisitar velhos rostos ao som de algum rock dos anos oitenta – som de minha adolescência. E acho que nesse sentido o livro cumpriu seu papel.

Fui uma adolescente invisível e sou uma adulta invisível. Ao ver o que eu estava lendo meu analista me disse “Combina com você e sua voz afinada. É o que REALMENTE quer ser?”. Eu queria uma resposta impactante, mas só baixei a cabeça e fiquei em silêncio. E ele continuou: “Não é bom ser invisível. Não há vantagens nisso. O mundo espera por você. O mundo merece você como parte dele”. Eu queria dizer a ele que não sei ser parte do mundo. Que gosto do conforto que a marginalidade me traz. Estou numa zona segura onde só entra quem eu permito. Mas o jeito como ele colocou-me fez pensar se é mesmo uma zona de segurança, se estou mesmo confortável a margem dos outros, se não sofro mais assim. E Bill, professor de Charlie, diz que temos que deveríamos tomar parte. Eu deveria tomar parte... Talvez eu não tenha mais tempo para encontrar uma Sam ou um Patrick. E nunca me senti tão invisível como agora.

Mas a adolescente também tem canções. E eu as escuto centenas de vezes. E não fico tão sozinha. E tenho livros com quem converso. E tenho você que está lendo. Sou invisível, mas existo. E estou num túnel de braços abertos ouvindo Pink Floyd e me sentindo infinita dentro de meus pensamentos cuidadosamente selecionados para esse momento que só existe em meu pensamento.


O fato é que o livro é melhor que o filme. E a trilha proposta é incrível. E que a minha adolescente chorou e riu, apaixonou-se e enfureceu-se com Charlie e seus amigos. Experimente ser invisível também. Há vantagens, eu concluo, então. Vantagens que meu analista não entenderia, mas que eu entendo. E a adolescente sorri e segue a rua com seu jeans largo e ideias malucas, enquanto a mulher suspira parada de braços cruzados olhando o tempo, esperando a hora ou algo além. 
(Waleska Zibetti)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

AO MEU PAI NO MEU ANIVERSÁRIO

por Gabriella Gilmore

Escrevi essa carta no meu aniversário em 2009.
Até hoje a sua mensagem me arranca lágrimas. Talvez seja porque a situação continua a mesma, ou até pior.
Hoje gosto bem menos desta data do que ano passado, ano retrasado...





Agora são exatamente 8:54 am.
Acho que foi numa manhã do dia 16 de abril que nasci. Portanto, hoje seria meu aniversário.
Eu deitei ontem oca, sem sentir muita coisa, para não dizer NADA. 
Despedi-me de meu Coração, pedindo para que ele fosse o primeiro a me desejar Feliz Aniversário e ele me despertou a meia noite.
Fiquei contente e depois, outros queridos foram se lembrando de mim.
Recebi uma ligação de longa distancia e pedi a esta pessoa que comemorasse por mim e acredito que ela tenha o feito, afinal, ela estava no barzinho tomando cachacinha com carne. Delicia!
Adormeci.
As sete, meu Coração me desperta. 
Eu sorri.
Arrumei-me e fui trabalhar.
Toda hora havia gente me perguntando:
_ Vai ter alguma comemoração?
Eu depressiva, respondia: Não!
Na verdade nunca liguei para essas coisas.
Como pode ver Pai, sou um brinquedo baratíssimo. Acho que nunca te pedi muito, nunca te fiz passar vergonha e tento fazer o que posso para que o Senhor tenha orgulho de mim, mas nem isso você parece se importar.
Estou chorando agora sabia? De novo, para dizer a verdade.
Não é sensacionalismo ou dramaticidade não. Infelizmente sou artista e nós somos muito emotivos, com uma sensibilidade mais aguçada do que uma pessoa comum.
Quando avistei o Senhor lá na esquina, não pensei em nada, a não ser te pedir calada, um abraço, mesmo sabendo que você não se lembraria dessa data, mas isso não me deixou triste em vê-lo.
Convidei-te para sentar, te ofereci um café na qual você recusou e fomos conversar. Mesmo tendo pouco assunto para falar, porque você sempre na defensiva, acha que eu iria pedir-te dinheiro. Maldito dinheiro esse que me faz chorar.
Perguntei-te se tinha lido meu e-mail falando da universidade e você disse que não. Mesmo eu não acreditando, resolvi falar pessoalmente, te pedindo ajuda para eu ser alguém.
Você com suas infinitas questões capitalistas e um tanto cético, conseguiu arrancar-me lágrimas de soluçar.
Pai, o Senhor conseguiu estragar meu dia. Desculpe-me a sinceridade.
Sabe, engraçado como eu tenho acreditado em mim, por ver em meus amigos e até desconhecidos, o valor que eles dão para as coisas que faço e que falo. Se você pelo ao menos não tivesse esse poder de nos fazer quebrantar, você poderia ver a pessoa incrível que sou. Sim, eu sou legal!
Hoje estou fazendo 24 anos e nada tenho, nada sou, talvez continue sendo NADA o resto da vida, mas desculpe-me, não darei este gostinho para o Senhor.
Uma vez falei para um primo que tenho apoio de amigos e simpatizantes, mas como santo de casa não faz milagres, não tenho muito apoio familiar. Quase ninguém acredita em mim ou me dá créditos, e talvez seja isso que me faz levantar todo dia, ao final de uma depressão, porque eu acredito em mim e isso me tem bastado.
Te falei que cada centavos que gastastes comigo foi saudavelmente usufruído e valorizado. Como o Senhor mesmo disse, eu levei a serio as aulas de inglês (muito obrigada por ter pago os 5 anos de curso), as aulas de violão, que hoje já até toco outros instrumentos, obrigada pelo teto em que vivo e pela feira do dia-a-dia.
Eu só queria uma ajudinha para entrar na faculdade e me manter lá, porque realmente não consigo ainda arcar com todas as despesas, mas não; o Senhor tinha que jogar na minha cara que as coisas são difíceis mesmo, que gastar três anos de dinheiro para depois ganhar só 800 reais dando aulas não valeria a pena. 
De novo a questão do dinheiro. Mas acontece PAI (as lagrimas estão secando agora e já sinto raiva) que nós com diploma de faculdade já fica complicado, quem dirá sem?!
Teria sido muito mais simples se o Senhor tivesse falado que não tinha condições para me ajudar, que amigavelmente eu entenderia. Sou compreensiva por demais Pai, acredite. Mas NÃO! Você só me passou a impressão de que não mereço ajuda tua, porque tudo que faço não iria te trazer dinheiro de volta, e talvez não vá. Mas tudo que eu queria mesmo, era apenas que o Senhor sentisse orgulho de mim...

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Dias melhores pra sempre!


Ainda bem que a gente não perde essa mania de acreditar que o amanhã será melhor que o hoje. Que os amores chegarão como borboletas no estômago e virão pra ficar. 
Que as aflições, medos e angústias irão passar. 
Que os impecílios e as convenções sociais não podem nos impedir de sonhar. 
Que o nosso coração que pensa diferente da nossa cabeça seja afagado pelas mãos certas e que o estremeça. 
No fundo sempre acreditamos, por nós mesmos. 
É o que costumamos chamar de fé. Essa certeza de que o pior ficou pra trás; essa confiança que existe alguém a nos observar a lutar e nos prepara um belo prêmio. 
Essa é a crença de que a vida vai dar certo. E se pensarmos, vai mesmo! Porque nossos sentimentos junto com a nossa mente atrai o clamor das almas que pensam e sentem como nós. 
Porque quando a gente acredita e imagina, mesmo que a gente pense em algum momento desistir, de verdade, as coisas acontecem. 
Nosso coração é como a fênix, não se cansa de renascer. E o amor não é uma invenção humana... O bem sempre prevalece nas almas dos guerreiros de alma pura! A escuridão, os raios, trovões que ecoam a madrugada assustam a natureza, mas, amanhã... 
Ah o amanhã!
O sol estará mais uma vez no céu a brilhar. 
É a vida lhe dizendo na forma de luzes, cores do arco-íris ou num simples olá que nos tira do ar que uma chance foi dada e a sorte lhe sorriu! Enxugue o rosto, vista seu melhor sorriso, coloque seu melhor objetivo e confie em mim quando digo que o melhor sempre estar por vir! E digo mais: não é uma vida ruim! 
Tem sido dias difíceis, mas, vai passar!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

SONO E SAÚDE - CLV DICAS

Informativo do #CLV



O post de hoje é voltado para o leitor que tem problemas para dormir.
Se nenhuma das dicas abaixo amenizar a insônia, não adie mais uma visita ao clínico.
Em geral, nós não damos valor ao sono, a não ser quando ele começa a ficar difícil. Durante o sono, o cérebro e a mente penetram em um estado bastante diferente da vigília - não é apenas uma questão de “desligar”. E quando o sono é limitado, o impacto sobre a saúde pode ser significativo.
Vou dividir com vocês uma experiência própria.
Há alguns anos, antes de eu ser diagnosticada com Síndrome do Pânico, minhas noites de insônia não faziam muito sentido. Não entendia porque sentia essa vontade acelerada de ficar acordar 24hrs. Teve uma semana, a anterior de eu procurar o médico, que fiquei uma semana apenas no cochilo. Quando pegava no sono, eu acordava e não conseguia dormir. Com essa privação de descanso cerebral, me acarretou dores de cabeças insanas.
Adiantando um pouco a história, quando comecei a fazer o tratamento do transtorno, eu precisei reaprender a dormir.
Hoje eu sou muito disciplinada quanto a isso porque sei o quanto foi difícil aprender a controlar meu sono.
Eu descobri que realmente necessito de no mínimo 7hrs de descanso direto para acordar bem.
Outra observação que tive, foi quando trabalhei alguns anos em recepção de hotel. Eu tinha turnos de zero hora que eu simplesmente odiava. Eu basicamente perdia 2 dias de sono.
Primeiro, porque se eu fosse ficar na madrugada de sábado para domingo, eu precisava dormir à tarde de sábado toda para conseguir trabalhar sem cochilar na madrugada. E quando eu chegava em casa no domingo de manhã, eu dormia quase o dia todo, basicamente levantando para comer, beber água e deitar novamente. Eu me sentia um moribundo.
Isso foi se tornando uma rotina, e eu passei a reparar como minha imunidade estava ficando baixa e a gastrite que eu já tinha piorou. Teve uma vez que sai de manhã do trabalho direto para o postinho de saúde de tanto refluxo gástrico que saia do estômago. Reparava também que por volta das 2 horas da manhã, o sono chegava pesado. Mas eu me mantinha firme. Depois dessa hora de fadiga, o sono sumia, e perto das 5 da manhã eu me sentia com a mente estranha, eufórica e desordenada.
Isso deve variar de pessoa para pessoa, mas sabemos que uma noite perdida nunca mais será recuperada.
A rotina tanto faz parte de nossas vidas como é necessária por diversas razões. Fique atento aos sinais e não deixe de procurar por ajuda. Um bom descanso faz toda a diferença na nossa vida.
Segue abaixo algumas dicas para te ajudar a relaxar antes de dormir.

·         Assegure o conforto do quarto – nem muito quente, nem muito frio, e o mais escuro possível.
·         Os exercícios físicos ajudam-nos a desacelerar, mas não devem ser a última coisa a ser feita à noite. Os exercícios aceleram o metabolismo e dificultam o relaxamento.
·         Assim como com relação ao exercício físico, é importante não trabalhar imediatamente antes de ir para a cama nem se envolver em atividade mental estimulante.
·         Tente escolher um programa de televisão ou um assunto de leitura que não exija muito raciocínio.
·         Experimente ingerir uma bebida láctea ou um chá de ervas calmante. Uma tigela de cereais também pode ajudar, porque os carboidratos induzem o sono.
·         A crença popular de que queijo provoca pesadelos é incorreta – é bem mais provável que provoque uma crise de indigestão.
·         Se você tem problemas reais, o melhor caminho para regular os seus ciclos de sono-vigília consiste em acordar na mesma hora todos os dias, inclusive nos fins de semana.



Créditos: Reader’s digest (Maximize o potencial do seu cérebro)

domingo, 12 de abril de 2015

Despedida


E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


Braga, Rubem. A Traição das Elegantes. Editora Sabiá, Rio de Janeiro.1967.

Até o próximo texto
Au Revoir 

sábado, 11 de abril de 2015

PORQUE EU NÃO SOU CRISTÃO

PORQUE EU NÃO SOU CRISTÃO – ENSAIO DE BERTRAND RUSSELL

Antítese por Gabriella Gilmore

A revista Life assegura-nos, num de seus editoriais, que, “salvo quanto ao que se refere a materialistas e fundamentalistas dogmáticos”, a guerra entre a evolução e a fé cristã “já terminou há muitos anos”, e que a própria ciência... desaprova a ideia de que o universo, a vida ou o homem pudessem haver evoluído por puro acaso”.



Um breve perfil de Bertrand Russell



Filósofo, matemático e lógico britânico. Em vários momentos na sua vida, ele se considerou um liberal, socialista e pacifista. Mas também admitiu que nunca foi nenhuma dessas coisas em um sentido profundo. Nascido em 1872, filhos de aristocratas, foi uma grande influência no século XX.  Morreu em 1970 vítima de uma gripe.

Venho estudando teologia há um ano, depois de ter passado alguns anos estudando filosofia e misticismo, digamos assim.  Tudo começou há 12 anos quando eu ainda não havia encontrado respostas para uma série de questionamentos. Precisei sair um pouco da zona de conforto para buscar informações, foi quando dei de cara novamente com o início.

“Só um risco real testa a realidade de uma fé” – C.S.Lewis.

E eu precisei quase perder a minha fé para poder entendê-la melhor.
A seguir escreverei trechos do ensaio de B.Russell adicionando meu ponto de vista utilizando minhas atuais pesquisas e suas fontes.

“Considero todas as grandes religiões do mundo, não só falsas, como prejudiciais”.
Concordo até certo ponto. Porém preciso ressaltar que a religião foi criada por homens e o que mais podemos ver nos dias de hoje são pessoas professando o nome de Deus de forma debochada e com segundas intenções. Mas se você parar para estudar os livros da Bíblia poderá decifrar essas pessoas e as instituições. O livro consegue ser atemporal ao ponto de conter provérbios que muitos filósofos usaram com outras palavras em suas famosas frases de reflexão. Mal sabe você que está recitando versos cristãos.

“Refiro-me ao argumento da prova teológica da existência de Deus. Tal argumento, porém, foi destruído por Darwin”.
A evolução só nos disse o que acontece depois que se tem vida, então da onde vem essa coisa que está viva? Se a planta nasce de uma semente, quem fez essa semente?
Em Gênesis 1: 11 e 12 diz: Que a terra produza todo o tipo de vegetais, isto é, plantas que deem sementes e árvores que deem frutas! E assim aconteceu. A terra produziu todo o tipo de vegetais: plantas que dão sementes e árvores que dão frutas. E Deus viu que o que havia feito era bom.

“À parte a força lógica, há para mim, algo estranho na apreciação ética daqueles que pensam que uma Deidade onipotente, onisciente e benevolente, após preparar o terreno, durante muitos milhões de anos de inanimadas nebulosas, se sentiria adequadamente recompensada com o aparecimento final de Hitler, Stalin e da bomba H”.
Dizem que o mal é a arma mais potente do ateísmo contra a fé cristã. Se Deus é bom, por que existe o mal? Por causa do livre arbítrio.
Deus tolera o mal neste mundo temporariamente, para que um dia aqueles que acreditam nEle vão morar no céu sem a influência do mal, porém, tendo seu livre arbítrio intacto. Para as pessoas ateias que não acreditam em absolutos morais sabem que pegar algo que não é seu é errado. Para os cristãos o ponto fixo da moralidade, o que constitui certo e errado é uma linha reta que leva direto a Deus. Sem Deus, não existe motivo real para ser moral. Não existe nem um padrão do que é comportamento moral. Para os cristãos, mentir, roubar, matar é proibido, mas se Deus não existe, como Dostoievski afirmou “Se Deus não existe, então tudo é permitido”.  (Reflexão extraída do filme God’s not dead).

“Quanto à espécie de crença, considera-se virtude ter fé, isto é, ter-se uma convicção que não pode ser abalada por prova contrária. Ou, se a prova contrária poder levar à dúvida, afirma-se que a prova contrária deve ser suprimida. Por essa razão, não se permite aos jovens ouvir argumentos na Rússia a favor do capitalismo, ou nos Estados Unidos a favor do comunismo. Isso conserva a fé em ambos intacta e pronta para uma guerra de extermínio.”
Em Timóteo 6:10 nos diz “Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos”.
Somos responsáveis por aquilo que buscamos aprender e como aplicamos os ensinamentos. E o não permitir os jovens nesses países a saberem certos assuntos políticos é muito mais obvio que seja algo manipulado pelo sistema governamental do que religioso, até porque a religião foi dominada pela política na era medieval por justamente querer deter todo o poder financeiro que a igreja estava adquirindo na época. O dinheiro tem muito mais a ver com os males do mundo do que a crença em Jesus Cristo que foi criado em família pobre e humilde.

“Quanto a mim, acho que é melhor fazer-se um pouco de bem do que muito mal”.
Parabéns Sr. Russell. Nisso pensamentos bem parecidos.

“Não considero cristã qualquer pessoa que tente viver decentemente de acordo com sua razão”.
Sim, eu e a Palavra precisamos concordar com você, porque em Gálatas 2:20 nos diz, “Assim já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E esta vida que vivo agora, eu a vivo pela fé”. Por isso não há espaço para a razão na vida do cristão.

“Na autobiografia de John Stuart Mill, lá encontrando a seguinte sentença: ‘Quem me fez?’ , não pode ser respondida, já que sugere imediatamente a pergunta: ‘Quem fez Deus?’”.
Em João capítulo 1, nos diz: “No começo aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus. A Palavra era a fonte da vida, e essa vida trouxa luz para todas as pessoas”.
Deus sempre foi, Deus é e sempre será o início, meio e fim. Não sou eu que afirmo isso. A sentença já foi afirmada quando nos fizemos gente. O ser humano pensa que tentar desvendar os mistérios de Deus fará alguma diferença em suas vidas, e por séculos e séculos de pesquisas e avanços científicos eles não percebem que ter acesso às coisas do céu são mais simples do que imaginam, mas eles não tem “fé”, no sentido duplo da palavra.

“Não há razão, de modo algum, para se supor que o mundo teve um começo. A ideia de que as coisas devem ter um começo é devido, realmente, à pobreza de nossa imaginação”.
Agora quem não está sendo racional é o Russell, rs, pois para tudo existe um começo, um meio e o fim, até mesmo nas redações. (Precisei ser sarcástica). E partindo dessa lógica, o mundo precisava sim ter sua história de começo e lembrando que não existem coincidências, acasos, para tudo existe um propósito.

“Quando se chega a analisar o argumento teológico de prova da existência de Deus, é sumamente surpreendente que as pessoas possam acreditar que este mundo, com todas as coisas que nele existem, com todos os seus defeitos, deva ser o melhor mundo que a onipotência e a onisciência tenham podido produzir em milhões de anos”.
O que Deus arquitetou para Adão e Eva foi o paraíso. O mundo que vivemos hoje com suas dores foi o que o casal escolheu, com o fruto da desobediência. O sábio é aquele que aprende com os erros dos outros, e Deus os alertou sobre não tocar na árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus não queria, exatamente, privá-los do saber, e sim protegê-los do que viria depois daquilo. Porque Deus já sabia do que aconteceria caso eles desobedecessem. Se você passar a analisar Deus como um grande e dedicado Pai, que protege, corrige o filho que ama, as coisas começam a ficar mais claras para nós, que tem mania de atribuir todas as calamidades ao maior arquiteto do mundo.

“Poderíamos, por certo, se assim o desejássemos, dizer que havia uma deidade superior que dava ordens ao Deus que fez este mundo?”
Não. Isso aqui não é como comparar o fantoche Hitler e sua crença nazista.

“Dizem que a existência de Deus é necessária a fim de que haja justiça no mundo. Na parte do universo que conhecemos há grande injustiça, e não raro, os bons sofrem e os maus prosperam”.
Às vezes nos questionamos por que as pessoas ruins têm tudo e os bons não tem nada. Ok. Às vezes o diabo deixa as pessoas viverem a vida sem problemas, porque não quer que recorram a Deus. Seu pecado é como uma cadeia, só que tudo é lindo e perfeito, e nos faz parecer que não há necessidade de sair. A porta está aberta. Até que um dia o tempo se esgota, e a porta da cela se tranca. De repente, é tarde demais. (Reflexão do filme God’s not dead)
As pessoas ficam confortáveis quando tudo está bem, perdendo o senso de “guarda”. E é exatamente aonde elas perdem a salvação. Pensamos assim: Está tudo perfeitamente bem, não preciso de Deus nenhum. Mas aquele que tem a consciência de que precisamos agradecer na alegria e também na tristeza, pedindo assim uma proteção contínua, sabedoria e discernimento, as pessoas passam a vigiar mais.

“O que realmente leva os indivíduos a acreditar em Deus não é nenhum argumento intelectual. A maioria das pessoas acredita em Deus porque lhes ensinaram desde tenra infância a fazê-lo”.
Sim, eu concordo, mas até certo ponto. Porém essa crença vai além do simples levar a criança/jovem/adulto à igreja. O que sela tudo é a experiência particular. É quando Deus responde sua oração. Te livra de alguma doença incurável, quando te revela em quem confiar e como agir. É algo que não pode ser mostrado por pessoa nenhuma porque é entre você e Ele.
Eu me encaixo no exemplo de Bertrand porque também fui levada para igreja ainda quando criança, que simplesmente repetia o que minha mãe fazia. Quando jovem, tive um despertar para estudar outras culturas, precisei sentir a necessidade de buscar a Deus por mim mesma, e não por influência da família. No período de frieza espiritual, nunca consegui esquecer dos ensinamentos e das palavras que vinham do céu para mim. Hoje eu digo com firmeza que sua fé só é abalada quando você nunca experimentou ouvir a voz dEle.

“Nas chamadas idades da fé, quando os homens realmente acreditavam na religião cristã em toda sua inteireza, houve a Inquisição com suas torturas. Houve milhares de infelizes mulheres queimadas como feiticeiras – e houve toda a espécie de crueldade praticada sobre toda a espécie de gente em nome da religião”.
Aqueles que estão envolvidos na feitiçaria não entrarão no reino de Deus. A Bíblia diz em Gálatas 5:19-21 “Ora, as obras da  carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus.”
Talvez o que eu vá escrever aqui não justifique o ato violento, mas a Inquisição contra as “bruxas” foi um extermínio IGNORANTE a mulheres que estavam POSSUÍDAS por espíritos do mal e que por opção, escolheram estar. Você encontra relatos sobre isso quando estuda sobre as Bruxas manipuladas/manipuladoras de Salém. Mulheres que preferiram buscar o poder das trevas a viver conforme a Palavra. A mesma serpente que persuadiu Eva no paraíso, esteve na época da Inquisição e está nos dias de hoje. E o papel da igreja sempre foi alertar as pessoas sobre isso. Mas quem se importa?

“Suponhamos que neste mundo em que hoje vivemos, uma jovem inexperiente case com um homem sifilítico. Neste caso, a Igreja Católica diz: ‘Esse é um sacramento indissolúvel. Devem permanecer juntos por toda a vida’. E nenhum passo deve ser dado por essa mulher no sentido de evitar que dê à luz filhos sifilítica. Isso é o que diz a Igreja Católica. Quanto a mim, digo que isso constitui uma crueldade diabólica.”
Preciso concordar. Porém ressalto que a sífilis poderia ter sido evitada se o homem não houvesse dormido com outras pessoas. Por isso as igrejas pregam sobre o sexo depois do casamento.

Preciso parar por aqui para não tornar a leitura algo extenso e cansativo. E mesmo que vocês se deem ao luxo de questionar a veracidade dos ensinamentos escritos na Bíblia, algo escrito há mais de 2 mil anos atrás, precisam questionar também os ensinamentos ainda mais antigos de Sócrates e Platão. Poderiam seus escritos também serem manipulados por causa do tempo?
E tenhamos sempre em mente que a Verdade liberta e uma hora ou outra ela aparecerá para você.

Um inspirador dia para vocês, queridos leitores.