quarta-feira, 1 de abril de 2015

Quem Nunca... - Leitura do livro "Adultério" de Paulo Coelho (Parte Três)



Mais um Pouco de “Adultério”!

“Alguém pode ser obrigado a pedir perdão
por despertar um amor impossível? Não de maneira nenhuma.
Porque o amor de Deus por nós também é impossível.
Nunca será correspondido à altura, e mesmo assim
Ele continua a nos amar.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Acho que o amor Ágape é o único que podemos investir com a certeza de que não corremos risco. Estão tentando banalizar Deus por aí. Problema! Meu amor por Deus é inabalável e nunca me arrependi dessa fé cega. Deus é para mim o primeiro amor e a condição básica para que eu ame qualquer outro.

“Muitas vezes escutamos o que parecem ser
grandes ideias para transformar o mundo.
Mas são palavras ditas sem emoção, vazias de Amor.
Por mais lógicas e inteligentes que possam ser, não nos tocam.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Ainda verei o dia em que algo tentará vender o amor em saquinhos de chá. É cada coisa que vejo e leio por aí! Teorias mirabolantes para se ser feliz, se encontrar, se realizar... Se você for colocar tudo em prática você terminará louco. Bom, de certo modo, feliz, encontrado, realizado, já que na loucura podemos tudo. Ou quase!

“Por que o Amor é mais importante que a Fé?
Porque a Fé é apenas a estrada que nos conduz ao Amor Maior.
Por que o Amor é mais importante que a Caridade?
Porque a Caridade é apenas uma das manifestações do Amor.
E o todo é sempre mais importante que a parte.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Amor, amor, amor... All we need is Love! E voltarmos ao ponto inicial. Por que se complica tanto algo que é tão inerente a nós? Porque tendemos a amar errado. E por que tendemos amar errado? Porque outro sentimento tipicamente humano é o de possuir. E aí queremos possuir a pessoa amada. E amor e posse não se misturam. Amor é o contrário da posse. Amor é doação, é entrega, é libertação. Fácil falar, difícil praticar. Eu sei! Por isso é preciso prática diária! Está disposto? Aposto que não. Sabe por quê? Porque amar também é ter paciência. E paciência não é para todos.


 “Não há nada mais importante que possamos doar
do que o reflexo do Amor em nossa vida.
Esta é a verdadeira linguagem universal (...)
A mensagem do Amor está na maneira como levo a vida,
e não nas minhas palavras ou nos meus atos.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
O amor me salvou várias vezes. Me salvou da solidão, do desespero, da desilusão, de mim. Foi por amor que me levantei muitas vezes e que resisti a minhas intempéries. O amor é farol para minha alma sombria. A minha poesia é carregada de amor e questionamentos sobre ele. Porque é um sentimento que me intriga. Sinto o amor vaguear em mim por baixo da minha pele levando-me a extremos de mim.

“Para encontrar a paz nos céus,
é preciso encontrar o amor na Terra.
Sem ele, não valemos nada.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Amores para se ter na terra: a Deus, aos filhos e a si mesmo. Acho que o mais difícil é aprender a se amar. Ah não, distorce o nariz! Somos sempre nosso maior inimigo. Comecemos com coisas simples tipo a gorda que não se aceita, a magrela que esconde a perna fina, a coroa que usa duzentos recursos para retardar o tempo. Custamos a nos olhar com respeito, aceitando os nossos defeitos. Eu sou dentuça, baixinha e gorducha e me divirto apontando minhas semelhanças com a Mônica. Mas levei um tempão para me aceitar assim. Fiz dietas, me pendurei em traves e só não usei aparelho porque não era comum na minha época. Chorei, me escondi em jeans largão, evitava as pessoas até que alguém me disse “quando se aceitar, você será feliz.”. Não é o que fui mesmo!

“Quando amamos alguém,
não nos contentamos em conhecer apenas sua alma;
queremos saber como é seu corpo. Necessário?
Não sei, mas o instinto nos leva a isso.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Ah, o sabor da pele de quem amamos!... Nessas horas acho que entendo os canibais. Se morder suavemente, chupar apaixonadamente e beber da pessoa amada já nos leva ao êxtase, como deve ser bom devorar-lhes. Calma, senhores, não saiam por ai pensando mal de mim. Estou jogando, divagando. Vamos só comer o juízo do outro para que a entrega seja completa, ok? Queremos gozo, prazer. E vamos nos limitar a isso. Que o deus Eros nos abençoe na conjunção da carne, amém! 


“Viver é tomar decisões e aguentar as consequências.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Seria muita inocência achar que uma vez tomada uma decisão nada aconteceria há dezenas de frases de efeito que nos alertam para isso. Claro que também não dá para passarmos a vida na inércia. Então, o que fazer?Duas opções: Planejar ou arriscar. Eu opto, sempre, pelo arriscar. Planejamento leva tempo e eu sou urgente. Devo antecipar que não sou um bom exemplo a ser seguido. Penso que planejar seja o caminho mais garantido para o sucesso. Mas também o mais chato. Deve ser muito chato fazer tudo de modo linear e coerente. Lembrando o meu amado Bukwoski: “Algumas pessoas nunca ficam loucas. Que vida verdadeiramente horrível elas devem levar”.


“Muita gente diz: o tempo cura tudo. Mas não é verdade.
Pelo visto, o tempo cura apenas aquelas coisas boas
que gostaríamos de guardar para sempre.
Ele nos diz: “Não se deixe iludir, a realidade é esta.””
(Paulo Coelho, “Adultério”)
O tempo cura quase tudo. O que realmente sangra ele adormece, serena, anestesia. Mas curar mesmo, isso não faz não. Acho que sentimentos negativos acabam impressionando mais porque geram medo. Depois do amor, acho o medo o sentimento mais marcante. Veja a história do mundo, por exemplo. É no medo que trabalham os grandes ditadores e facínoras. O medo é o que impede a grande maioria de progredir, de mudar o seu status quo ficando eternamente presos na insuportável linha do “se”. O tempo não cura o “se” também. O tempo só assenta a poeira para que sigamos a diante.


“Existe um buraco em minha alma que drena toda energia positiva,
deixando apenas o vazio.
Conheço o buraco – tenho convivido com ele há meses -,
mas não sei como escapar da armadilha.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Esse “buraco” eu conheço. O meu se tornou um abismo enorme e eu costumava a passar horas a admirá-lo e ele ia aumentando, me separando de tudo, me encurralando num canto. Até que decidi construir uma ponte. Não tinha como me livrar do “buraco”, mas não preciso mais cair nele. Reuni minhas forçar e parti para a luta. Hoje só me isolo quando quero.

“Tudo aquilo que buscamos com muito entusiasmo
assim que atingimos a idade adulta – amor, trabalho, fé –
acaba se transformando em um fardo pesado demais...
 Amar é transformar a escravidão em liberdade”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Lembro-me do filme “A Lenda” – Tom Cruise um menino de treze, quatorze anos. Bom, lá um personagem disse: “O sonho da adolescência é o pesadelo da maturidade”. Hoje eu sei exatamente o que ele quis dizer. Mas porque isso acontece? (Agora serei linchada) Acontece porque as nossas lindas mamães nos fazem acreditar que o príncipe encantado existe e vem no fim da história nos salvar do dragão. O pior é que muitas vezes o dragão é muito mais interessante.   

“Todo mundo tem um lado obscuro.
Todos têm vontade de experimentar o poder absoluto.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Até onde você se conhece? Que pergunta difícil de responder, não é? Em todos nós habita um monstro esperando o momento oportuno para sair. O que liberta esse monstro? Cada um tem o seu limite. O que pode ser a gota d’água para mim pode ser um nada para outro. É preciso estar atento aos sinais. E para entender os sinais é preciso se conhecer. Voltamos ao ponto de partida! É! Acho que a melhor maneira de lidar com a imprevisibilidade que representa cada ser humano é aceitar que ninguém jamais se conhecerá como um todo.

“Somos animais incompreensíveis.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Sem comentários.

“-A velhice é mais traumatizante para aqueles
que acham que podem controlar o passar dos anos.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Sempre levanto esse assunto quando me deparo com alguns famosos deformados de tanta cirurgia plástica. O que há demais em aceitar que o tempo passa e que esse corpo, que nada mais é que um invólucro perece num inevitável desgaste? Eu me orgulho de estar viva e as marcas do tempo no meu corpo são os sinais de minhas vitórias e superações. Sou mais do que esse corpo que demonstra cansaço. Eu sou mais que as atribulações que cansaram meu rosto. E todos deveriam pensar assim. Tão menos arriscado! E tão mais certo de um envelhecimento digno. Bom, pelo menos, é meu modo de ver.

“Não somos aquilo que desejamos ser.
Somos o que a sociedade exige. Somos o que nossos pais escolheram.
Não queremos decepcionar ninguém, temos uma necessidade imensa de ser amados.
Por isso sufocamos o melhor de nós. Aos poucos,
o que era a luz de nossos sonhos se transforma no monstro de nossos pesadelos.
São as coisas não realizadas, as possibilidades não vividas.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Aí terei que discordar com o Paulo Coelho. Algumas pessoas fogem aos parâmetros. Pagam o preço de serem diferentes e fazem diferente do comum. São, para mim, esses que fazem a história. Exemplos? Fácil. Janis Joplin, John Lennon, Raul Seixas, Gandhi... Eles se tornaram formadores de opinião, justo porque não aceitaram seguir na via dos comuns, mas sim serem donos fiéis de suas convicções. E estão aí até hoje. Ícones imortais sendo pensados e repensados por suas atitudes e seus pensamentos.

“Quando soltamos o nosso lado mau,
ele acaba ofuscando por completo o que há de melhor em nós.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Uma das alegorias que uso para entender o lado sombrio de todos nós é o do abismo. Alguns tendem a passar tanto tempo diante dele, olhando–o e repensando-o que se perdem de si e, por vezes, são dragados por esse abismo a ponto de não saber como sair dele. Todos nós temos abismos onde nos afundamos vez ou outra quando a vida aperta. Os mais fortes saem de lá. Embora saibam que nunca saem da mesma forma que entraram. Os mais fracos não saem de lá modificados, e são acompanhas de algo ruim que os leva a rastejar e lamentar o resto da vida. 

“Se não temos medo das trevas,
é porque somos parceiros da luz.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Quem tem medo de escuro? Eu tenho! O escuro sempre retém rostos do passado. Durante a noite, por conta da insônia, é muito comum que eu me pegue no escuro encarando o teto que vira uma tela enorme onde meu passado de saudade começa a desfilar. O escuro é um convite a pensar em quem, provavelmente, ignora a minha existência. É como numa conjunção surreal. O escuro sou eu encarando frágil e deitada na cama o sofrer por passados que nunca voltarão.

“Procure se deixar levar pela noite de vez em quando,
olhar as estrelas e tentar se embriagar com a sensação de infinito.
A noite, com todos os sortilégios, também é um caminho para a iluminação.
 Assim como o poço escuro tem em seu fundo a água que mata a sede, a noite,
cujo mistério nos aproxima de Deus,
traz escondida em suas sombras a chama capaz de acender nossa alma.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Eu deixo! É quando o escrevo. A maioria do que escrevo é na madrugada. Sonhos, fantasias, histórias reais e fictícias. É quando brinco de Deus. Escrever me deixa perto dele porque controlo os destinos. É interessante escrever. Sinto como se fizesse nascer e morrer uma parte de mim. Então fica outra dúvida: Quantas ainda me co-habitam? Isso determinará quanto tempo criativo ainda tenho. Mas estou tranqüila, penso que sou tantas que serei eterna.

“Os homens traem porque está no seu sistema genético.
A mulher o faz porque não tem dignidade suficiente,
e além de entregar seu corpo acaba sempre entregando um pouco do seu coração.
Um verdadeiro crime. Um roubo.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Essa foi a parte que mais me incomodou. Não gosto de generalizações. Acho estúpido! Acho que o ser humano trai e cada traição tem uma desculpa porque as pessoas precisam de um “porque”. Trair é o passo mais fácil de dar quando algo está complicado porque é errado e se é errado é excitante, e se é excitante da motivação. Mais ou menos assim. O homem, enquanto ser humano, precisa de motivação de qualquer tipo.

“Quem diz que “o amor é suficiente” está mentindo.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)

O amor que realmente supre tudo é ágape. Em se tratando de amor Eros é preciso um conjunto de coisas onde ele possa se alimentar e continuar. 
(Waleska Zibetti)
[Continua...]

terça-feira, 31 de março de 2015

Quem Nunca... - Leitura do livro "Adultério" de Paulo Coelho (Parte Dois)


Vamos continuar a viajar pelo livro de Paulo Coelho?

“Apenas a noite me apavora. O dia que não me dá nenhum entusiasmo. 
As imagens felizes do passado e as coisas que poderiam ter sido e não foram. 
O desejo de aventura jamais realizado.
 O terror de não saber o que acontecerá com meus filhos.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Tanto para ver, viver e sentir e a gente se afunda na porcaria de ideia de casamento. Malditas mães que nos fazem crer que a felicidade está nessa porcaria de aliança. Quando nos damos conta da realidade perdemos nossas vidas, nosso tempo, perdemo-nos e o pior, acabamos com medo de recomeçar, porque de certa forma o recomeço passa por caminhos já conhecidos. É tudo igual, mas camuflado.

“Imagino que algumas pessoas passam anos deixando a pressão crescer dentro delas,
 sem nem ao menos notarem,
 e um belo dia qualquer bobagem faz com que percam a cabeça. 
Então dizem: “Chega. Não quero mais isso. ””
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Qual foi a última gota que mudou minha vida? Não sei. Mas por muito tempo criei e recriei a cena onde agarraria a minha liberdade e fugiria de encontro a mim. Quando chegou a hora eu tive medo, mas não desisti, saí o mais firme que pude com tudo de são que ainda existia. E foi uma luta diária seguir resistindo a vontade de voltar. Até que a cabeça se livra da dependência do passado e começa a valorizar o presente e idealizar o futuro.

Será que, entre todos os homens do mundo, 
fui me casar com o único absolutamente perfeito? 
Não bebe, não sai à noite, não tem um dia para estar só com os amigos. 
A vida dele se resume à família.
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Talvez eu tenha me casado com um homem perfeito. Talvez isso é que tenha feito tudo ficar chato do fim das contas. A perfeição é cansativa e rotineira. Eu nunca me coloquei como perfeita, Graças a Deus! E tenho uma desconfiança tremenda de que se diz muito correto. Acho que todo mundo que bate no peito se chamando de “justo”, “leal”, etc., tem podres escondidos que escandalizariam o mundo. Gosto do errado, porque ao lado desses sei exatamente o que encontrarei e o risco de frustração torna-se quase zero. 

“A tragédia alheia sempre ajuda a diminuir nosso sofrimento”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Sem comentários.

“Parece que minha alma está lentamente deixando meu corpo 
e indo para um lugar que desconheço, um lugar “seguro”, 
onde não precise aturar a mim e a meus terrores noturnos.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
E foi assim que meus textos, ganharam uma formatação intimista e nostálgica. Criei diversos universos onde eu pudesse me esgotar, me multiplicar, me experimentar. Ouso e viajo dentro de mim e enquanto faço isso ignoro por completo as cobranças e os rótulos com que me presenteiam todos os dias.

“A comida fica sem gosto, o sorriso, em contrapartida, 
alarga-se ainda mais (para que não desconfiem),
 a vontade de chorar é engolida, a luz parece cinza.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Dias e dias cinza. Isso é tudo que eu contemplava quando finalmente a casa silenciava em sono e eu podia ter algum momento comigo. Onde tinha ido passear o sol? Eu sabia, no fundo, que a chuva era em mim. Mas daí a admiti-lo iria uma longa caminhada. Ainda tenho dias cinza, as vezes. Mesmo depois do divórcio, mas aprendi a abrir a porta e dançar na chuva. O que fez tudo ficar mais fácil.

“Eu me engano com muita facilidade”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Isso é preciso, querido. É preciso buscar um, porque para jogarmos na cara dos conceitos enraizados em nós. É preciso tapar a moral com mentiras justificáveis. É preciso não admitir claramente o desejo escondendo-o numa coisa menos nociva aos olhos da sociedade.

“Consegui transgredir as regras 
e o mundo não desabou na minha cabeça! 
Faz tempo que não me sinto tão feliz assim.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)

Será que é tão errado assim “pular a cerca”? Para nós mulheres, a primeira resposta que vem a cabeça é “sim”, mas se querem saber, hoje não vejo assim. Eu deveria ter “pulado” primeiro. Deveria ter vivido as oportunidades da minha juventude. Contudo, ainda acreditava em ser uma esposa fiel e mãe amantíssima. Fazer o que, né?
“As grandes mudanças acontecem com o tempo”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Passava longas horas perdidas em meus pensamentos imaginando o que deveria ser mudado no meu casamento para que ele falisse de vez. Quem deveria mudar ou se adaptar?Levou um longo tempo para eu finalmente entender que ninguém deveria mudar porque num casamento o que se precisa é uma dose generosa de compreensão e outra de aceitação. E adaptar-se também não é o caminho. É preciso encaixar-se  confortavelmente na situação. E nem ele e nem eu estávamos dispostos a isso.

“As almas penadas têm essa incrível habilidade de se reconhecerem 
e se aproximarem, multiplicando suas dores.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Ih, sei bem como são esses encontros! Alguns chamam de dedo podre. Eu não fui diferente encontrei várias almas penadas e fui encontrada, mas depois começamos a nos livrar delas quando vamos encontrando novos propósitos para nossas vidas. Essas pessoas gostam de ficar lamentando-se. São chatas de galocha!  Se você não assumir a mesma postura, elas não agüentam e caem fora rapidinho.  

“A vida está voltando a ter graça, 
porque a apatia de antes é substituída pelo medo. 
Que alegria ter medo de perder uma oportunidade!”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Quando se está à beira do caos qualquer peça que se encaixa é um alívio enorme. Nasce uma ponta de esperança de que algo mudará o estado incomodo em que nos encontramos por algum sentimento intenso e urgente que trará novos sabores as nossas vidinhas insanas. Medo , desejo, paixão qualquer um será melhor que o marasmo.

“Quando crianças, aprendemos que, se choramos, 
recebemos carinho; se mostramos que estamos tristes, recebemos consolo. 
Se não conseguimos convencer com nosso sorriso, 
seguramente convenceremos com nossas lágrimas. 
Mas já não choramos 
– exceto no banheiro, quando ninguém está nos ouvindo – 
nem sorrimos – só para nossos filhos. 
Não demonstramos nossos sentimentos 
porque as pessoas podem nos julgar vulneráveis e se aproveitar disso. 
Dormir é o melhor remédio.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Fechar os olhos para vida e se imaginar em outro lugar, fazendo outras coisas. Chorar não resolve nem convence. Todo mundo vai dizer que é frescura. Só você sabe o  mal, o peso das coisas dentro de você. Então essa coisa de infelicidade , insatisfação, solidão, marasmo, apatia tudo tem que ser resolvido de dentro para fora. Não há palavra mágica que cure isso mergulhe em si, duele consigo e descubra onde está seu câncer.

“Mas faz alguns meses que ando triste.
- Não foi o que achei. Acabo de comentar que está mais alegre.
Claro. Minha tristeza se tornou rotina, ninguém percebe mais.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Quando a crise no meu casamento começou, eu passava tempo olhando meu ex-marido na distância. Queria ver para onde tinha ido aquele garoto que me fazia umedecer só de sentir seu cheiro. Ele tinha envelhecido. Eu também envelheci. Pensava que eu, provavelmente ele também, fazia o mesmo. Como pôde acontecer de na convivência perdermos a “intimidade”, esse contato com a essência do outro? A gente fica superficial para o outro. E de repente está lá um abismo separando o que antes era um bloco uno e sólido.

“Não é apenas uma corrida para se exercitar.
 É saber que existe uma linha de chegada 
e que não se pode desistir no meio.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
“Não desista!” às vezes é preciso repetir centenas de vezes até se convencer de que largar tudo e fugir não diminuirá em nada o problema. Pode ser até que ocasione outros ainda piores e maiores como mágoas e rancores. Enfrentar a situação é sempre o melhor caminho. Romper com a situação se for o caso, mas fazê-lo de forma consciente de modo que os danos sejam os menores possíveis para si e para os outros.

“Você não escolhe sua vida: é ela que o escolhe. 
E se o que lhe foi reservado são alegrias ou tristezas, 
isso está além da sua compreensão. Aceite e siga em frente.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Penso que a coisa de destino como infalível, invariável e fatal, deixa a vida muito monótona e sem propósito. É preciso acreditar em opções, oportunidades e, claro, consequências. Parte do nosso amadurecimento vem dessa experiência de lançarmo-nos em nossos desejos ora colhendo louro da vitória ora superando-nos diante de uma derrota.  

“Meu amor me pertence e sou livre para oferecê-lo 
a quem eu bem entender, mesmo que não seja correspondida.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Amar é sentimento dolorido porque não há garantias de que será perfeito. A culpa da frustração que acompanha algumas histórias de amor é dessa maldita mania de procurar príncipes e princesas por aí. Não existe isso. O(A) seu(sua) parceiro(a) é um ser humano então deixe claro para você que ele(a) pode fazer algo que lhe desagradará. E quando isso acontecer não terá fada que te salve. Logo, sente e converse. Assim vocês se acertarão. Se tudo falhar mude de parceiro(a).

“É interessante lutar por um amor não correspondido.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)

É interessante. Mas pode ficar chato pra caraca. Então, antes de embarcar numa dessa é importante ter certeza de que vale a pena e, principalmente, se você é forte o suficiente caso as coisas não saiam como o planejado. 
(Waleska Zibetti)

[Continua...]



segunda-feira, 30 de março de 2015

Então Crescemos e o Guarda Roupa existe, Nárnia - Parte II

"Acho que, se a gente pudesse correr sem nunca se cansar, nunca mais iria querer parar. Mas às vezes existem razões muito especiais para se parar." 
[...]
“A voz, profunda e generosa, teve o efeito de um calmante. Ficaram alegres e animados, não mais perturbados por estarem ali sem dizer uma palavra.”(pg. 159)
(C.S. Lewis, As Crônicas de Nárnia, Livro II - O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa)

Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia são quatro crianças que foram morar na casa de um velho professor porque estava acontecendo uma guerra em Londres. A casa desse professor é muito antiga e cheia de quartos vazios ou quartos que ainda não foram “descobertos” e durante uma expedição nesses quartos, as quatro crianças entram um cômodo onde existe apenas uma guarda roupa velho e apenas Lúcia se interessou por ele e foi verificar essa tal antiguidade.


Lúcia encontra um guarda-roupa que dá passagem a um outro mundo, chamado Nárnia.
Ela resolve entrar no guarda roupa e acaba descobrindo um mundo onde o inverno é para sempre e nunca chega o natal, com faunos, anões, animais falantes, guerreiros, um leão Rei e uma feiticeira. Quando Lúcia volta ela percebe que o tanto de tempo que ela passou nesse novo mundo não durou nem um segundo no mundo dela, seus irmãos acabam não acreditando nela, mas depois durante uma fuga os quatro acabam entrando no guarda roupa e é aí que a história realmente começa.
A princípio os irmãos da menina não acreditam nela e com a ajuda de Edmundo - o irmão mais encrenqueiro e ganancioso de todos -, a descrença fica ainda maior. Somado isso, temos o fato de que o tempo em Nárnia e no nosso mundo são totalmente diferentes. Você pode passar anos ou dias nessa Terra, sendo que aqui tenha-se passado minutos ou mesmo segundos. Como explicar o pequeno lapso de tempo que você ficou fora trazendo tantas aventuras?
Quando todos foram para Nárnia, Lúcia, Susana e Pedro fizeram muitos amigos, já Edmundo não pois, quando chegou a Nárnia foi aprisionado pela feiticeira. Todos os amigos que as duas meninas e o menino fizeram os ajudaram a salvar Edmundo. Agora, os quatro irmãos foram ao encontro de Aslan porque, para salvar Nárnia da ira da feiticeira teriam que matá-la, e Aslan os esperava com um exército.
Com muitas dificuldades e com muita ajuda também conseguiram derrotar a feiticeira! Assim, Lúcia, Edmundo, Susana e Pedro se tornaram reis e rainhas de Nárnia.
Publicado em 1950, mas escrito em meados de 1940, é o primeiro e mais conhecido livro da série. Apesar de ser o primeiro livro a ser publicado, é na verdade o segundo na ordem cronológica dos acontecimentos.

Bem vindos a mais uma aventura!!!
 
Até o próximo texto
Au Revoir
 

domingo, 29 de março de 2015

Quem Nunca... - Leitura do livro "Adultério" de Paulo Coelho (Parte Um)




Já li alguns livros de Paulo Coelho e sempre me encanto com a maneira que ele tem de “falar comigo”.
Com esse romance foi um pouco diferente vivi uma “Relação de Amor e Ódio” com a heroína da trama. Ora me identificando ora a constatando ora deixando-a na mais completa indiferença.
Paulo Coelho tentou tocar em pontos muito delicados em um relacionamento: rotinas e suas conseqüências. De certa forma ele conseguiu. Numa escala de zero a dez, daria oito ao livro.
De qualquer forma fica aí o resultado das reflexões de minha leitura.
Boa Viagem!


“Toda manhã, quando abro os olhos 
para o que chamam “novo dia”, 
tenho vontade de fechá-los outra vez 
e não me levantar da cama. Mas é preciso”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Quantas vezes pedi a Deus que tudo se transformasse em silêncio ou que o tempo parasse para não ter que encarar o dia além do meu quarto. Há dias em que é difícil acreditar em “recomeço”. Em certas fases a vida fica inteiramente vestida de “ontem”.

“- Não tenho o menor interesse em ser feliz. 
Prefiro viver apaixonado, o que é um perigo, 
pois nunca sabemos 
o que vamos encontrar pela frente”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
A minha felicidade passa pela paixão. Preciso estar apaixonada para me sentir impulsionada para o amanhã. E o objeto da minha paixão pode ser um livro ou um homem. Não importa! O que importa é que me tire o sono e alguns suspiros. 

“Não dou nenhum passo em falso, 
porque sei que posso estragar tudo.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
É preciso conhecer-se para não cair em armadilhas. É preciso experimentar a vida, mas não permitir que ela nos experimente, roubando-nos de nós em frustrações e decepções.

“Imagino que paixão seja para os jovens 
e a ausência dela deve ser normal na minha idade. 
Não é isso que me apavora.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Há uma idade para a paixão? Isso me parece sandice! A paixão para mim é um sentimento inspirador e não há idade para inspirações chegarem. Há? O que creio ser diferente é a compreensão desse sentimento. Com o tempo sabemos que a paixão passa e vira cada coisa qualquer. Sabemos que ela é um sentimento livre e não faz questão de ficar por muito tempo. Logo, é preciso vivê-lo intensamente, esquecendo-se do amanhã. Amanhã é um tempo pertinente ao amor. Para a paixão temos o hoje. 

“Algumas pessoas dizem que, 
à medida que o verão se aproxima, 
começamos a ter idéias meio esquisitas, 
nos sentimos menores porque passamos mais tempo ao ar livre 
e isso nos dá a dimensão do mundo. 
O horizonte fica mais distante, 
além das nuvens e das paredes de casa.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Sou verão. Sou amplitude. Sou além dos muros. Sou consciência de um mundo mais amplo.



“Quando chega a noite e ninguém está vendo, 
eu me apavoro por tudo: 
a vida, a morte, o amor e a falta dele, 
o fato de todas as novidades estarem virando hábitos, 
a sensação de que estou perdendo os melhores anos da minha vida 
em uma rotina que irá se repetir até que morrer 
e o pânico de enfrentar o desconhecido, 
por mais excitante e aventureiro que seja.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Absurdamente eu no fim do casamento. E tudo ia parar em anotações, versos e, fatalmente, lágrimas.

“Morro de medo de que meu marido acorde e pergunte: 
‘O que está acontecendo, meu amor?’ 
Porque eu teria que responder que está tudo bem. 
Pior seria – como já aconteceu duas ou três vezes no mês passado – 
se assim que nos deitássemos ele resolve 
pôr a mão na minha coxa, 
subi-la devagar e começar a me tocar. 
Posso fingir orgasmo 
– já fiz isso muitas vezes -, 
mas não posso simplesmente decidir ficar molhada”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Fazer amor me parece a pior nomenclatura que se pode dar ao sexo. É como se amor pudesse ser determinado pela quantidade de intensidade da transa. Transei tantas vezes sem querer no meu casamento que meu ex deve ter pensado que eu o amaria eternamente. Patético!”

“Não posso rejeitá-lo por duas noites seguidas 
ou ele acabará procurando uma amante, 
e não quero  perdê-lo de jeito nenhum.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
A ingenuidade feminina é fantástica. Hoje eu sei disso! Nossas mães nos ensinam que é preciso saciar nossos homens para ter um casamento duradouro. Sacanagem! Homem procura amante porque é parte do ser homem. Graças a Deus hoje está mudando isso e as mulheres sabem que casamento é duradouro o quanto deve ser. E não é determinado pelo sexo. É todo o conjunto que forma uma relação. 

“Manter o mesmo fogo depois de dez anos de casamento
 me parece uma aberração. 
E cada vez que finjo prazer no sexo, 
morro um pouco por dentro. Um pouco?
Acho que estou me esvaziando mais rápido do que pensava.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Sem comentários

“Afirmam que o sexo no casamento só é prazeroso mesmo 
nos primeiros cinco anos e que depois disso, 
é preciso um pouco de “fantasia”. 
Fechar os olhos e imaginar que seu vizinho está em cima de você, 
fazendo coisas que seu marido jamais ousaria. 
Imaginar-se sendo possuída por ele e por seu marido ao mesmo tempo, 
todas as perversões possíveis e todos os jogos proibidos.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Absolutamente Verdade!

“Entretanto, depois de determinada idade, 
é importante fazer coisas irrelevantes para passar o tempo, 
mostrar aos outros que nosso corpo ainda funciona bem.”
(Paulo Coelho, “Adultério”)
Eu tenho medo da velhice inútil que passa o dia vendo TV e fofocando. Tenho medo da limitação que me ataria a um outro pela dependência. Se fosse possível só amadurecer, eu preferiria, mas o corpo vai junto se arrastando. Essa merda de invólucro patético que aprisiona almas libertárias como a minha.

“E de repente, sem nenhuma explicação razoável, 
entro no chuveiro e caio em prantos. 
Choro no banho porque assim ninguém pode escutar 
meus soluços e fazer a pergunta que mais detesto ouvir: 
“Está tudo bem com você?””
(Paulo Coelho, “Adultério”)

Deus, quantas vezes fiz e faço isso! Me escondo no banho para ter um pouco de direito a fragilidade. Há momentos que tudo que peço é o silêncio e um abraço morno onde me desligo de tudo. Mas tudo tem um preço. O abraço não seria me dado de graça. O silêncio não existe quando há jovens em casa. Então, entro no chuveiro e tento apagar o redor com a cabeça embaixo da água. 

sábado, 28 de março de 2015

PUTA QUE PARIU!

O SUMIÇO DA CHAVE
Uma crônica por  Gabriella Gilmore

(Dedico esta crônica a Angélica Farias, Suzana Barbi e a minha chefe querida, sucesso, luxo toda.)








O despertador toca as 7am em ponto. 
Eu acordei 6:58.
Ainda morceguei por dois minutos, antes de escutar a música da Ashley Simpson me animando para mais um dia de trabalho.
“Hoje vou tomar café no trabalho”. Pensei.
Lavei o rosto, liguei The Veronicas no meu palm treo, comecei a recolher meus materiais da faculdade para por tudo na mochila antes de sair, vesti o Jeans e lembrei de checar as chaves do trabalho. Quando fui conferir na mochila, cadê elas?
“Não é possível”. Murmurei.
Olhei em outros lugares aonde costumo deixá-las, e nada.
Respirei fundo e fui tentar refazer a minha noite passada, quando as peguei pela última vez.
“Maldição! Deve ter caído no jardim quando fui destrancar minha bicicleta”.
Peguei a mochila, vesti uma blusa de frio e fui correndo verificar.
Pulei o portão quando alguém me grita:
- O que você está fazendo?
- Estou sem as chaves, preciso ver se as deixei cair aqui na grama ontem a noite.
- Está querendo roubar a escola?
- Oh meu senhor! Eu trabalho aqui.
- E você entra no seu trabalho arrombando o portão?
*&%%#%¨&¨%&&@ 
Bati o portão na cara do velho e sair correndo para a faculdade.
“Só pode ter caído lá no estacionamento. OH CÉUS!!!”
Corri 4 km a fio, mentalizando a chave lá no chão, perto as infinitas folhas do fim de inverno.
Não encontrei.
“Ok Gabriella. Pode pirar.” Arregalei os olhos. “ Ah, vou no achados e perdidos!”
(FF >>>>>>>) Adiantando a fita.
Não encontrei.
“Droga. Agora tenho que falar para minha chefe que as perdi. Meu Deus! Agora vamos ter que trocar as fechaduras e ainda será descontado no meu salário, claro, a culpa é exclusivamente da minha mente mofada.” Meus olhos foram enchendo d’água.
Pedalei novamente sentido colégio Ibituruna e me preparava pelo sermão.
Tive uma LUZ!!!
“Vou pedir as chaves dela emprestada, falando que deixei as minhas na minha gaveta. Pelo menos vou ter mais um tempinho para pensar em algo.”
Cheguei na portaria e pedi para falar com a Adriana urgentemente. 
“Adriana Maria. Favor comparecer à recepção”.
Aquela voz nasal me fez rir. Era a secretária anunciando a chefe no rádio.
Minha chefe desceu branca. Com certeza ela deve ter pensado que alguém deveria ter roubado a escola. Por sorte, não foi isso. “Sorte nada. A chave estava por ai, perdida, ao léu, sentindo frio ou nas mãos de estranho”. Eu pensava e pensava...
- O que aconteceu fina? 
- Então, calma. Não consigo encontrar minhas chaves. Devo ter as deixado na gaveta. Você trouxe a sua?
(FF >>>>>>>>>>>)
Corri léguas e léguas, ansiosa para encontrar as malditas lá na minha gaveta.
E acredita que elas estavam lá??
Aff, como disse a Angélica: a gente só deixa para pensar no óbvio quando acha que já está tudo perdido.

sexta-feira, 27 de março de 2015

A Casa de Carlyle e Outros Esboços (Virginia Woolf)



A Casa de Carlyle e Outros Esboços (Virginia Woolf)

1-     Nota Biográfica

Adeline Virginia Stephen nasceu em Londres em 25 de janeiro de 1882. Estudou e recebeu educação em casa, teve acesso ilimitado à biblioteca do pai; sempre pretendeu ser escritora.

Em 1895, sua mãe morreu inesperadamente, e logo depois Virginia sofreu o primeiro colapso nervoso; a partir de então e pelo resto de sua vida ela passou a ser atormentada por períodos de doença mental. Em seguida à morte de seu pai, ocorrida em 1904, os quatro irmãos Stephen órfãos mudaram-se para Bloomsbury, onde sua casa transformou-se no centro do que veio a ser conhecido como o Grupo de Bloomsbury.

Virginia terminou seu primeiro romance, The Voyage Out, em 1913, mas o grave colapso que sofreu logo em seguida adiou sua publicação até 1915.

Em Richmond, Virginia escreveu seu segundo romance, Noite e dia (1919). Em 1920, Virginia começou seu terceiro romance, O Quarto de Jacob (1922). Em seguida vieram Mrs. Dolloway, Passeio ao Farol e As Ondas, e esses três romances fixaram-na como uma das principais escritoras do movimento modernista. O romance Os Anos veio a público em 1937, e ela havia mais ou menos terminado sua última obra,  Entre os Atos, Quando incapaz de enfrentar mais um ataque de doença mental, afogou-se no rio Ouse em 28 de março de 1941.

2-    Eu e o livro

Esta é uma coletânea de sete esboços de Virginia Woolf e nem por isso torna-se de fácil leitura. A complexidade e intensidade dessa escritora é algo que nos atinge com força ímpar o mais íntimo de nós. É impressionante como ela consegue deixar tudo no campo quase real. Onde cada emoção pode ser quase tocada ou sentida como nossa.

Por que lê, então? Porque Virginia me leva para longe da mesmice de alguns autores. Ela tem poder de observação aguçada, quase brutal. Ler Virginia é se confrontar é encarar preconceitos típicos de uma época ou da própria escritora. Ela é uma escritora sem meio termo. Por isso, não gosto da visão “boa menina sofredora” que construíram para ela no filme “As Horas”.

Tal como eu olho o mundo, penso em Virginia como uma menina cruel gosta de chocar com suas crenças, achismos e verdades. Sempre que é posta em xeque por amigos ou desconhecidos. Se paga um preço? Se paga. Mas quem se importa? É divertido oras!

Ela não é linear, a meu ver. E isso me encanta. O estilo dela faz com que sua escrita seja quase um passeio por ruas “espantosas”. Ela não é para um leitor comum. Acho que para ler Virginia é preciso ser um pouco Virginia. E isso pode ser apaixonante para uns ou simplesmente detestável para outros.

3-    Os Trechos



“A casa é iluminada e espaçosa;
mas é um lugar silencioso,
que demanda muita imaginação
para que se possa vê-lo com vida novamente.”
(Virginia Woolf, in “A Casa de Carlyle e Outros Esboços”)

No primeiro esboço encontramos uma Virginia mergulhada nos próprios pensamentos. O relato é de fevereiro de 1909 quando Virginia ainda solteira  visita os Carlyle. E embora seja a terceira vez ela descreve como se tudo fosse uma grande novidade.


“Quando está em silêncio, pensa –
seus  olhos se fixam em um ponto”
(Virginia Woolf, in “A Casa de Carlyle e Outros Esboços”)


O segundo esboço chama-se “Miss Reeves” e é referência a Amber Reeves figura conhecida politicamente entre os estudantes de Cambridge. Uma mulher sedutora a quem Woolf compara a uma serpente. Mostrando seu lado malicioso com as palavras quando se refere aos seres humanos.

“Eles desejavam a verdade,
e tinham dúvidas se uma podia dizê-la ou encarná-la.
Achei isso corajoso da parte deles; mas insensível.”
(Virginia Woolf, in “A Casa de Carlyle e Outros Esboços”)

O terceiro esboço de título “Cambridge” é uma narrativa um tanto quanto irônica, a meu ver. Quando ela analisa outra ocasião onde se sentira excluída do grupo que agora a cercavam admirados.

“Mulheres que trabalharam, mas não se casaram,
vêm a ter uma aparência peculiar; requinte, sem sexo;
evidente, com uma tendência para a austeridade.”
(Virginia Woolf, in “A Casa de Carlyle e Outros Esboços”)

O quarto esboço fala do encontro entre Virginia e Janet Case – grande amiga de Woolf. O mais suave dos sete esboços do livro.

“Muito se lê e ouve falar a respeito dos grandes salões franceses;
e são sempre declarados extintos como dodôs,
embora o que seja esta coisa que está extinta,
isto não sei.”
(Virginia Woolf, in “A Casa de Carlyle e Outros Esboços)

O quinto esboço é o fechamento da conferência dos “Old Bloomsbury” onde Virginia relembra. Uma Lady Ottaline com quem ela costumava falar sobre sua tristeza. São trechos caprichosa e carinhosamente descritivos sobre a amiga.

4-    Conclusão


Ainda há mais dois esboços antes do livro chegar ao fim tão simples quanto começou. Só que agora estou preenchida de lembranças especiais dessa escritora que, na minha opinião é maravilhosamente elegante, ferina e louca. 
(Waleska Zibetti, in "A Casa de Carlyle e Outros Esboços (Virginia Woolf)"

quinta-feira, 26 de março de 2015

Modus operandis poético


Estou começando a gostar desse lance de luta.
Quando mais porradas, mais vontade tenho de reagir.
Ondas, pedras, mar em fúria, cansaço, lágrimas escorrem do rosto do Poeta.
A fome é mais digna do que alimentar-se de migalhas e meias-coisas.
Aos poucos, descortina-se o mistério, o propósito e o sonho.
Grandes são os desertos, Pessoa, muito embora a vontade de chegar seja mais profunda do que o vermelho que tinge meus sangue e minhas vestes.
Cor que atiça minha Utopia faminta.
Tenho medo das coisas que desejo ou penso: quando a elas agarro-me, vencer, talvez seja, o caminho inevitável.
Teus braços unem-se aos meus numa corrente.
Podemos desatar, eu andaria mais ligeiro, tu chegarias depressa a teu destino, contudo solitária minha vida seria, a tua, menos barulhenta.
O teu ombro alivia as saudades e reverbera desejos de regresso.
Agora, pois, tenho para onde voltar depois da guerra de máquinas, engenhos de camisa branca e Pietros Pietras que alimentam-se da energia vital dos operários.