segunda-feira, 23 de março de 2015

Os males da convivência


Exupéry nos traz uma lição que volta e meia compartilhamos: "aqueles que passam não passam sozinhos: deixam um pouco de si e levam um pouco de nós". Esta premissa persegue minha "primeira pessoa" desde a gênese. 
Com a família, aprendi que as diferenças podem amar-se e conviver harmonicamente, desde que entendamos que o outro existe tem autonomia. 
E nós também.
Na escola, espaço de treinamento para a vida social, compreendi que os amigos são irmãos que moram em casas diferentes, e esta irmandade é construída entre uma implicância, uma borracha emprestada ou um lanche partilhado. 
Crescemos, construímos uma identidade a partir de um "mosaico", formado por coisas que gostamos, experiências vivenciadas, e pessoas que passam por nosso caminho. Na adolescência, encontrei campo para a expansão da minha rebeldia. 
Skate, hip-hop, amigos, goles de filosofia e poesia pareciam dizer tudo que meu coração sentia e não encontrava tradução. Veio a idade adulta e a menina rebelde não desgruda do corpo voluptuoso. Textos, reuniões, conversas e mais imersões. 
Dessa maneira nunca estaremos completos, e é bom que seja assim. Caso contrário, perdemos a vontade de conviver, continuar a caminhar, e a beleza de ver o outro "enfeitado" com nossos trejeitos, palavras do nosso vocabulário, menções e lembranças depois de ver / ler /ouvir algo que faça lembrar de gente. 
É gostoso e quando isso acontece, espontaneamente é claro, percebemos que deixamos no outro um pouquinho de nós.

domingo, 22 de março de 2015

Uma Voz Na Noite


Me encha de prazer
Ó doce lua
E de versos íntimos
Cubra a pele nua
Me aqueça o ventre
E os pensamentos
Meus libidinosos sonhos
e sentimentos
Marque a carne pecadora
Com seu brilho encantador
Entre arrepios e gemidos
Onde é que se esconde o amor?
Na alva pele misteriosa
No sorriso de candura
Entre jura desejosa
No abraço de ternura
Voz da noite que me chama
De me tocar a pele inflama
Não é amor, é querer
De colo, de alguém ser
Digo não e você grita
Essa sina que não finda
Não resisto ao seu desejo
Posto que o quero mais ainda.
(Waleska Zibetti, in "Uma Voz Na Noite")

sábado, 21 de março de 2015

Tudo passa, eles passarão e eu passarinho...

"Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por Favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!"
(Socorro, Composição: Arnaldo Antunes e Alice Ruiz)



Tudo na vida passa!
É nesse pressentimento que tudo muda e a frieza do medo dá lugar a alegria e encontra a esperança de olhos renovados equilibrando essências.
Até a dor passa.
Os dias nos mostrarão dificuldades, lições e experiências serão aprendidas. A gente sempre acha que vai demorar muito, ou que a gente não vai conseguir mais engolir a saliva que fica presa na garganta todas às vezes que algo nos atordoa, mas acredite essa sensação também passa.
Coisa estranha é essa? É persistente!
É como borboletas no estômago me socando de dentro para fora numa ansiedade do imediato. 
Tem dias que tudo é como a estrofe da canção da Legião Urbana que fala "[...] Que existe algo que diz, que a vida continua e se entregar é uma bobagem."
Mas...
Como diz o meu muito amado (Sim! Porquê ele não é só alguém): - Fortaleça esse coração!
E aí então, sinto que tudo vai passar, o meu coração vai saltitar de amor e o que me fez ficar aqui vai sim valer a pena!

Até o próximo texto
Au Revoir

sexta-feira, 20 de março de 2015

MONA MAYFAIR - CONTO



por Gabriella Gilmore








Inspirado no Best Seller “A hora das bruxas” de Anne Rice





Maio de 2003

Foi em 2003 quando Mona...

Mona estava com 20 anos, morava na cidade de Nova Orleans e já era gerente administrativa da charmosa pousada Mayfair Inn.
Seu pai Michael morrera um ano antes de uma doença cardíaca. Nenhum médico conseguiu encontrar um motivo cabível para o fato.
Criada pela tia-avó Vivian e pelo pai, a pequena garota não chegou a conhecer sua mãe Rowan quando nasceu. Esta havia fugido sem deixar explicações e simplesmente abandonado à criança que nascera prematura na antiga mansão Mayfair, na famosa First Street, no final do ano de 1983.
Michael viveu até o ultimo dia acreditando que sua esposa retornaria ao lar para pedir desculpas pelas falhas na qual ele com certeza a perdoaria. Ele nunca amou tanto uma mulher como amou aquela médica.
Claro que ele nunca teve coragem de dizer a filha quem realmente foi Rowan. Ela nunca entenderia. 
Rowan havia dado luz a gêmeos. O garoto Christopher foi possuído pelo espírito de Lasher logo depois do nascimento. A mãe ainda consciente, conseguiu esconder a garotinha Mona, que nascera 5 minutos depois, em um baú velho que havia na sala de estar, local onde ela teve prematuramente as crianças. Rowan sabia das intenções do espírito Lasher. Ele almejou por séculos um corpo, e ao manipular as 12 bruxas Mayfairs durante gerações, Rowan seria o futuro portal para que seu plano viesse à tona.
A jovem dos cabelos chocolate avermelhado, da pele branca aveludada e dos olhos arregalados cor de areia, cuidava do estabelecimento junto com seu pai e tia. A casa que pertenceu durante séculos à família de sua mãe, hoje virara uma pousada. Mona Mayfair se tornou uma jovem muito sensual, tinha gosto refinado, era vaidosa e adorava ter atenção das pessoas. Ela lembrava muito a primeira Mayfair, Suzanne. Ela se sentia atraída por pessoas independentes e dinâmicas. Gostava de pessoas de cultura ampla e viajadas. Muito ambiciosa e trabalhadeira, estar à frente do Hotel de seu falecido pai, parecia um ótimo ramo para pessoas como ela. Muito brava e gastadeira, Mona não conseguia encontrar um par ideal. Mas na verdade, a bruxinha nunca aceitou o fato de conseguir ler a mente das pessoas e ver o futuro delas através de sonhos. Seu pai preferia dizer que aquilo era a sua intuição feminina muito aguçada, onde ela não precisava se preocupar, afinal, era normal. “A maioria das mulheres tem esse sexto sentido.” Dizia ele. E voltava a falar que sua mãe tinha esse “dom”. Porém, a garota sabia que ela era diferente.
Na sua adolescência, ela se apaixonou por um garoto chamado Jonas. Ele conseguia mover as coisas quando ficava com raiva. Ela percebeu isso quando estavam no laboratório de biologia e ele não conseguia fazer o corte certo numa rã morta. Cansado, ele moveu os itens que havia na sua mesa e desconcertado, fingiu derrubar tudo com as mãos, simulando estar nervoso.
Depois disso, ficaram amigos. Assim, ela teve um confidente por três meses. Infelizmente, ele se mudou para a Europa.
Ela nunca soube, mas o amigo de seu pai, Aaron, que conhecia também os pais de Jonas, o levou para estudar no Talamasca, uma escola para crianças com poderes paranormais.
Aaron também sugeriu que levassem Mona, contudo, a resistência de Michael foi imensa.
Depois de jovem, a ruiva Mayfair resolveu tentar viver em função do trabalho e evitava se envolver com as pessoas, assim, ela não correria riscos de ficar lendo mentes ou sonhando com o futuro delas.
No outro lado do oceano, estava Rowan e Lasher, vivendo em pela paixão cega em alguma  cidade da Romênia. No nosso senso comum, é inadmissível uma mãe ter relações com o próprio filho, mas caso de incestos na família Mayfair chegava a ser comum. O culpado? O espírito maligno de Lasher que agora habitava no corpo do filho de Rowan, o jovem Christopher.
Durante séculos, o espírito manipulou as bruxas Mayfair para que a 13° bruxa, (Rowan), fosse a mais poderosa e estivesse pronta para materializar seu corpo. Cansado de não saber como era sorrir, tocar em alguém e sentir algo, Lasher conseguiu manipular Rowan, e enganando-a, fez com que ela tivesse os gêmeos prematuramente na data do natal. Sendo assim, ele possuiu o corpo do bebê Chris. 
Tentando evitar um mal duplo, Rowan conseguiu poupar a pequena Mona escondendo-a em um velho baú.
Depois de anos, Lasher teve a infeliz descoberta de que a carne humana perece e que em breve ele voltaria a ser apenas espírito novamente. Em busca da imortalidade para seu corpo, ele recorreu ao clã dos vampiros Unikans para que fosse transformado.
Em seguida, ele quis transformar Rowan, mas ao recusar-se, ficou furioso e a matou, deliciando-se de seu sangue.
Anos depois, cansado de viver solitário, sem nenhuma perspectiva, ele descobriu que ainda havia uma bruxa Mayfair viva e que ela era filha de Rowan e sua irmã.
Com uma fúria gulosa ele conseguiu localizá-la.
Depois de algumas pesquisas sobre Mona Mayfair, o espírito enganador de Lasher ligou para o Mayfair Inn fazendo uma reserva para duas semanas. Se passando por um sedutor historiador romeno, Lasher conseguiu uma atenção especial da sua irmã.
_ Senhor Victus. (Esse era o seu nome falso). Qual é a linha de pesquisa que o senhor vem trabalhando? Perguntou Mona em uma das tardes do chá das cinco.
_ Bela Mona dos cabelos ruivos. Sente-se. Faça-me companhia. E por favor, não me chame de senhor. Acredito que não tenhamos idades tão diferentes.
_ O senhor, quero dizer, você, é sempre gentil assim o ano todo? Perguntou ela com um tímido, porém, frio sorriso.
Ele sorriu ao dar mais um gole do seu chá de hortelã e logo pousou a xícara para respondê-la.
_ Estou investigando sobre algumas escolas da Europa que trabalham com crianças paranormais.
Quando ele disse isso, ela logo se lembrou dos seus poderes e sobre o Talamasca, escola para onde teria ido o seu amigo Jonas.
_ O que suas pesquisas dizem sobre os poderes paranormais? Perguntou curiosa a jovem.
_ Quando nunca vivenciamos nada parecido e só temos relatos, sempre nos ateremos às dúvidas. 
Mona ainda não o conhecia o bastante para revelar-lhe o seu segredo e a conversa acabou morrendo ali.
Lasher sabia que ela tinha dons, e sabia também do perfil de homem que lhe agradava. Em algum momento ela iria ceder.
A vontade de possuir a própria irmã, a saudade que ele tinha em dar prazer às bruxas Mayfairs, aumentava a cada momento que ele sentia o cheiro da jovem. Ele só tinha mais uma semana para tentar gentilmente seduzir a bela moça, caso contrário, iria brincar a força.
Mas desde quando alguma Mayfair deixou de se encantar pela astúcia de Lasher?
No 13º e penúltimo dia de hospedagem do demônio, ele a convidou para um jantar.
_ Você me parece tão próximo! Exclamou Mona. Tem os olhos da minha mãe. Profundo, perdido mas acolhedor.
_ E como era sua mãe?
_ Eu não cheguei a conhecê-la. Mas meu pai guardou algumas fotos. Ela era linda. Vocês têm o mesmo tom de cabelo.
Ele incrivelmente conseguiu fingir estar corado de vergonha, porém, lisonjeado. 
Lasher queria ter o prazer de dominá-la sem precisar usar de seu pode persuasivo. Ele se engrandeceria muito mais se ela ficasse com ele por vontade própria. Cuspir em sua cara dizendo sobre o incesto, seria uma parte de sua glória, e escravizá-la a viver para sempre com a vergonha, seria o maior prazer para a besta.
Lasher era muito belo, sedutor, homem! Vestia-se feito cavalheiro, tinha uma perfeita dicção, era viajado, inteligente e super a frente de seu tempo. Nos pensamentos de Mona, este seria o par perfeito para suas juras de amor.
_ Nunca estive com um homem feito você. Sussurou Mona debaixo dos lençóis.
_ E como sou? Lasher adorava instigar as jovens com perguntas aleatórias.
_ É o tipo de homem que acabei estereotipando com apenas qualidades. No fundo, eu queria adiar minha felicidade.
Seu ego demoníaco fez com que ele quisesse sugá-la de uma vez só. Ele se conteve. Em seguida, começaram a se amar. Ele a elogiava aos ouvidos, chamando-a de rainha e isso a excitava de uma forma fantasmagórica. Eles começaram a flutuar, foi quando ela percebeu algo diferente. Ao olhar para o lado, eles estavam próximos a balaustra dourada. Mona olhou para o seu rosto e ele cochichou algumas palavras:
_ Calma irmãnzinha. Depois que matei mamãe Rowan por desobediência, eu vim atrás de você.
Ela cravou suas unhas nas costas de Lasher e ele golpeou-a com uma suculenta mordida em seu pescoço.
Ali, ele não teve a maldade em pensar que estava tornando a bruxa Mayfair mais poderosa em uma imortal, e que a luta para a sua própria destruição estava começando. Seria árdua, porém, perpétua.

.... se tornou uma vampira.

quinta-feira, 19 de março de 2015

O Menino do Dedo Verde (Maurice Druon)



Depois de algumas leituras mais intensas como Charles Bukowski, por exemplo, deixei-me repousar suavemente na minha criança, lendo “O Menino do Dedo Verde”. Está preparado para vir comigo? Tomara que sim. Detesto viajar sozinha.

Dados Bibliográficos do Autor

Maurice Druon, nasceu em 23 de abril de 1918, em Paris. Participou ativamente da luta antinazista em 1940, com o tio também escritor Joseph Kessel em 1943 – compõe a letra do canto Les Partisans, ainda hoje ouvida com grande emoção pelo povo Francês. Em 1953 a Comédie Française encena a sua peça Um Voyageur. Fica bastante conhecido por seus recitais históricos, que sempre alcançam vasta audiência.
Maurice Druon tem a sua obra marcada pela violência e vigor característicos de sua vida pessoal, onde o choque das armas e o trágico das paixões contam uma fase importante na literatura francesa contemporânea.

Capítulo Primeiro

“... Mas as pessoas grandes,
que não compreendem os protestos dos recém-nascidos
e teimam em sustentar suas ideias pré-fabricadas”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Sempre me surpreendo com crianças e suas perguntas que não aceitam “porque sim” ou “porque não” como respostas. O que elas não sabem é que gente grande também não tiveram respostas quando crianças. Então, repetimos os “porquês” que recebemos na maioria das vezes. Embora, eu confesso, de vez em quando invento meus próprios “porquês” e, acreditem, eles são bem mais divertidos.

“Isto prova simplesmente que as ideias pré-fabricadas
são ideias mal fabricadas. (...)
Se só viemos ao mundo para ser um dia gente grande,
 logo as ideias pré-fabricadas
se alojam facilmente em nossa cabeça. (...)
Mas, quando a gente veio à terra
com determinada missão (...).
As ideias pré-fabricadas,
que os outros manejam tão bem,
recusam-se a ficar em nossa cabeça (...)
Causamos assim muitas surpresas.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Quanto mais amadurecemos mais crescem nossas dúvidas. Amadurecimento está diretamente ligado ao questionar-se. E tal que podemos ter no fim, são conceitos que anulam conceitos anteriores, não há ponto final. Numa vida bem vivida só cabe reticências


Capítulo Cinco

“A preocupação de uma ideia triste
que nos comprime a cabeça ao despertar
e permanece ali o dia todo.
A preocupação se serve de qualquer meio
 para penetrar nos quartos;
ela se insinua como o vento no meio das folhas,
monta a cavalo na voz dos pássaros,
desliza pelos fios da campainha.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

A preocupação, para mim, é um bichinho que chega na madrugada quando tudo é silêncio. Ela chega, se enfia nos meus travesseiros e não me deixa dormir com um zumzumzum danado que arruma em minha cabeça. Aí me levanto para não pensar mais no barulho, me sento e ficando olhando pelas frestas o céu ora estrelado ora negro ora chuvoso... E olhando o céu vivo petica e nem vejo quando a preocupação vai embora rua a fora. 

“A vida, afinal, é a melhor escola que existe.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Experimentar. Esse é o verbo que rege minha vida. Eu quero sentir tudo que posso. E cada vez que a vida me oferece algo novo, ainda que eu me assuste, eu prov. Na vida é preciso coragem para agir. Disse outro dia alguém que ninguém pode andar por aí arrastando o passado como se estivesse preso a perna. É preciso entender que o passado é referência e o futuro é planejamento. A vida acontece no presente; segunda a segunda em 24 horas de oportunidades.

Capítulo Seis

“... Os talentos ocultos, em geral, trazem aborrecimentos.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Qual é seu dom? Já se perguntou isso? Qual é o seu porque nesse mundo? Eu associo muito dom com nossa razão no mundo. Acho que o meu é levar alguns a refletir sobre si através das minhas próprias reflexões sobre mim. Eu resumo, minha função ou dom é sentir, e escrever meus sentimentos. E você?

Capítulo Sete

“Sem ordem, uma cidade, um país, uma sociedade
não passam de um sopro e não podem sobreviver.
A ordem é uma coisa indispensável.
E, para manter a ordem,
é preciso punir a desordem!”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E quando a desordem é por dentro? Então, tudo vira um horror. É preciso que os sentimentos estejam todos alinhados para que nosso interior esteja bem. Mas, as vezes, um ou outro sentimento cisma de sair do lugar. E aí a gente chora, a gente sofre, a gente de despedaça... Numa prisão onde pôr os sentimentos que se rebelam. E o que se pode fazer? Para mim, resta a poesia. Sentar e chorar meus versos, meus contos, que alguém lerá e nem imaginará que se trata do fruto de uma punição ou do fruto da cura de uma dor.

“’É preciso vigiar de perto esse menino;
ele  pensa demais!”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Pensar é, entre todas as ações, a mais perigosa para os ditadores e para os obedientes. Porque pensar nos leva além de onde nos querem. Quem pensa não aceita tudo sem saber o real porquê. Quem pensa adapta ideias ao invés de simplesmente repeti-las. Quem pensa é livre e lutará pela própria liberdade como um desesperado; porque sabe que é em liberdade que todo ser deve viver.


Capítulo Nove

“As pessoas grandes tem a mania de querer,
a  qualquer preço, explicar o inexplicável.
Ficam irritadas com tudo que as surpreende.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E esses conceitos tiram o brilho das coisas porque as generalizam. As pessoas conceituam, minimizam, maximizam, fragmentam, rotulam. Se não houver um conceito há quem não durma. O pior é que quando isso envolve gente que não cabe em nenhum rótulo eles banalizam chamando de “loucos” e os colocam de lado que é mais fácil que encarar suas frustrações.

“Quando a gente está feliz,
sente  vontade de dizê-lo
e  até mesmo de gritá-lo.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Sou da filosofia de que gente feliz não enche o saco. Então, costumo desejar sempre o melhor a  todos que me cercam. Mas acho que felicidade varia de pessoa para pessoa. Eu geralmente fico feliz quando tenho livro novo ou quando as coisas estão bem para meus filhos. O que é felicidade para você?

“As flores não deixam o mal ir adiante.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Nunca liguei para ter um jardim. Mas de uns dois anos para cá comecei um pequeno espaço com plantas. Nem é um jardim. É só um cantinho verde com pimenteiras, avenca, renda portuguesa, coqueirinho... Um pedaço onde me sento e sinto a paz fluir. Concordo plenamente com o autor: as flores são um escudo contra o mal.

Capítulo Dez

“A gente se habitua a tudo,
mesmo às coisas mais estranhas.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Foi estranho amanhecer sem a voz do meu pai quando ele se separou de minha mãe. Anos depois, foi estranho amanhecer sozinha quando eu me separei. Foi estranho entender que aquela mulher não era minha mãe de verdade. E foi estranho chamar pelo nome a mulher que era. A vida é composta de estranhamentos. E ceiam feliz a mesa aqueles que sobrevivem a eles.

“__ As favelas são um flagelo. – declarou ele.
__ E o que é um flagelo? – perguntou Tistu.
__ Um flagelo é uma desgraça grande
que atinge muita gente ao mesmo tempo.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

O país onde moro é uma grande favela. Quem não é flagelado socialmente; é favelado moralmente.  O meu país maltrata seu povo negando-lhes valores. Ah, se eu fosse como Tistu! Fecundaria a terra com frutas, flores, legumes e verduras. Porque nós pobres flagelados merecíamos ter de tudo nesse país em que se plantando tudo dá.

“__ Mas por que toda essa gente
 mora em casinha de coelho? – perguntou de repente.
__ Porque não possuem outra casa, é claro. Isso
é uma pergunta idiota – respondeu o Sr. Trovões”
__ E por que é que eles não têm outra casa?
__ Porque não têm trabalho.
__ E por que é que eles não têm trabalho?
__ Por que não têm sorte.
__ Então, quer dizer que eles não têm coisa alguma?
__Sim, e miséria é isso.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Isto... Isto que nos negam. Isto que nos privam. Isto que nos escondem. Miséria é este vazio no estômago, no bolso, no coração, na alma... Miséria é não ter mais esperança de ser. Miséria é isto! Isto tudo que adoece a humanidade nos lares, nos becos, nas esquinas prostituídas. Miséria sou eu que escrevo segura em minha sala e você que lê seguro na sua. Miséria é o que nos espreita no canto da janela. É isto! E isto tudo é miséria!

“Os sentimentos generosos
privam-no do senso da realidade.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Tal como quando alguém diz “te amo!” ingênua e docemente transportamo-nos até o tempo onde o sonho é possível. “Eu te amo!” tira o raciocínio lógico e põe emoção no lugar. E porque será que alguns insistem em dizer que amam se não amam? Ah, Tistu, a tal ordem não existe mesmo.

Capítulo Onze

“__ Para a gente saber se é infeliz,
é  preciso primeiro ter sido feliz.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E o contrário também é válido! Os opostos fazem isso: são para lembrar que o outro lado existe. E vendo assim a tristeza não é tão triste, nem a doença é tão dolorida... É só lembrar que seremos felizes ou  saudáveis amanhã.

“__ É que para cuidar direito dos homens
é  preciso amá-los bastante.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E o médico de todos os médicos que conheço é Jesus. Nunca vi um amor que cura como o dEle. Ele, para mim, é a esperança de que amanhã pode ser melhor., é a força para esperar esse amanhã. Ele me ama e me cura, não importando-se com quantas vezes eu me ferir.

Capítulo Doze
“Aliás é sempre perigoso zangar-se
com aquilo que não se compreende.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Quantos gritos foram ouvidos e quantas portas foram batidas? Tudo porque alguém não conseguiu entender. Quanta gente saiu chorando e quanta gente ficou sozinha? Só porque um não quis escutar. Tudo podia ser diferente se todos tivessem um pouco de boa vontade para fazer ser.

Capítulo Catorze
“Quando os grandes falam em voz alta
as crianças não ouvem.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Nem os pequenos nem os grandes! Os gritos só tornam mais distantes os corações e os ouvidos.

“Numa guerra, todo mundo perde alguma coisa.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E ainda há os que insistem em armas ao invés de amor. Meu estado vive uma guerra triste não há quem perca mais ou menos. Porque estão todos perdendo a fé e a noção de fraternidade. Pais e mães choram todos os dias pelos filhos perdidos. Esposas e maridos lamentam seus amores enterrados. Flores ficam tristes por enfeitarem sepulturas. Pobrezinho do meu Rio de Janeiro tão cheio de guerra.

Capítulo Dezoito

“O Sr. Papai era bom como já disse.
Era bom e era negociante de canhões.
À primeira vista, isso não parece compatível.
Adorava seu filho e fabricava armas
para levar a orfandade os filhos dos outros.
Isso acontece mais do que se pensa.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

O que corrói o mundo são os homens que o habitam. E pensando assim fica mais fácil gostar dos animais, das flores, dos elementos... O homem, na sua maioria, só faz o que é bom para si e ainda acham justificavas para isso. Pouca importa o que causará ao outro se tal estiver perfeito para ele. E o egoísmo destrói o mundo.

“As mães se julgam sempre um pouco culpadas
quando os filhos perturbam
a vida das pessoas grandes
e correm o risco de sofrer as consequências.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Desde que nos tornamos mães, entramos numa espécie de comunhão com a terra e passamos a ser mãe de todos. Que o mundo seja bom pelo ventre de todas as mães!

Capítulo Dezenove

“Pois fiquem sabendo
que nunca conhecemos ninguém completamente.
Nossos melhores amigos reservam sempre surpresas.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Acho muito divertido quando alguém diz que conhece bem alguém. Geralmente quem diz isso não conhece nem a si. Somos criaturas em constantes mudanças, porque estamos em constante aprendizado. Quem sou eu? Será sempre o maior enigma que terei que desvendar enquanto eu viver. E não é diferente com você que me lê agora.

“As pessoas grandes não querem chorar,
e fazem mal, porque as lágrimas
gelam dentro delas, e o coração fica duro.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Será que eu sou assim tão frágil, porque me permito chorar? Se assim for, meu coração é como asas de borboleta e isso explicaria bem minha paixão por elas.

“Mas a morte zomba dos enigmas.
Ela é o que os propõe.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

A morte... Tenho pensado e falado muito dela. Ela sempre me atraiu sempre me fascinou. Não de uma maneira mórbida, mas como encantamento e respeito. Minha única direção. Minha única certeza.

Conclusão

O livro segue um pouco antes do grande desfecho. Mas não vou contá-lo, é claro! Você terá que ler a surpresa final. Tudo que posso dizer é que minha criança interior ficou tão feliz que saiu pelos meus mundos interiores a correr e cantar. Acho que ela foi procurar Tistu. E acho que eles aprontarão muito por aí.


Beijos e até breve!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Olha só morena!



Sexta, 16:59. Um só pulsar, uma vontade, um nome: "Aquiles*".
Olha para a janela e tem o pensamento de que em poucos instantes irá correndo para os braços de quem está esperando.
O que será que ela pensa?
Com quem será que ela sorriu hoje?
Será que a nossa sintonia funciona?
Será letra e música do Lennon e McCartney?
Será poesia da Mallu**?
Será as playlists que tocavam pelo bluetooth do celular em todas as caronas e eram como declarações pra ela?
 
Tomado por um instante de silêncio...

17:00
Com todas as coisas arrumadas, saio em disparada.
A cada passo que dou, é uma certeza do reencontro.
A cada até logo para um colega, um desejo de chegar logo ao meu destino.
Saudade é o nome, é o perfume, são os beijos, é a vontade de saber como foi seu dia, seus pensamentos.
Saudade é contar o tempo e acreditar que ele está mais lento, é ter a sensação constante de que toda a angústia acabará em alguns minutos, dentro de um abraço.
Saudade é ficar esperando o dia, a hora, o lugar e o momento de dizer “eu senti saudade!”
"Eu estou com saudade!" 
Ah, não sabe a força que tem essas 4 palavrinhas. Tem o poder de salvar o mais melancólico dos corações (o meu), imagina só a imensidão das horas e que estava o dia inteiro esperando para te dizer essas palavras.
Saudade é planejar os próximos abraços, toques, ficar agarradinho… é a expectativa de encontrar de novo.
E por falar nisso...

17:45, chave no portão e...
** Refere-se a Mallu Magalhães, cantora e compositora Brasileira.
* Aquiles nome fictício do nosso amado

Até o próximo texto
Au Revoir

terça-feira, 17 de março de 2015

O Convite



Era sempre da mesma maneira: ele chegava com sorriso e promessas. Vinha todo lindo cheirando a novo. Ela o observou se aproximando sorrateiro com seu jeito envolvente já tão conhecido.

__ Vamos?
__ Não posso. 
__ Por que?
__ Medo. 
__ Do "novo"?
__ Não! Do "de novo".

E Amor segue seu rumo sozinho cantando um samba de Cartola. Enquanto ela observa a noite escura salpicar-se de estrelas, pensa no amor que acabara de recusar. E sorrindo serena, esconde-se nas entrelinhas de Cecilia Meireles.

"Viajo sozinha com o meu coração 
Não ando perdida, mas desencontrada 
Levo o meu rumo na minha mão"
(Waleska Zibetti, in "O Convite")

segunda-feira, 16 de março de 2015

DÉJÀ VU



Do francês, Déjà vu, (Já vi no português) é um dos truques mais peculiares que a memória pode aplicar, o déjà vu é uma sensação curiosa marcada por uma impressão súbita e intensa de familiaridade – um sentimento de “ter estado aqui antes” ou de já ter vivido esse momento.

A TEORIA MAIS RECENTE
Pesquisas cerebrais sugerem que o déjà vu pode ser o resultado de um erro momentâneo no modo como o cérebro constrói uma imagem consciente. Tudo o que vivenciamos é processado ao longo de muitos caminhos paralelos no cérebro. Alguns deles percorrem áreas da camada externa do cérebro, ou córtex, e lidam com percepções sensoriais. Por exemplo, eles combinam informações visuais para formar imagens completas e conectam informações sensoriais com fatos relacionados a imagens, tais como o nome de objetos e o que eles são. Outros caminhos percorrem o sistema límbico, o centro emocional do cérebro, e é ai que a informação recebe significado emocional, incluindo, se apropriado, a sensação de familiaridade. Normalmente, a informação dos caminhos límbico e cortical é trazida à consciência ao mesmo tempo, criando uma imagem “completa”. Imagina-se que o déjà vu ocorra quando uma informação que esteja fluindo pelo sistema límbico seja rotulada como familiar por engano. Quando essa informação identificada incorretamente se incorpora à informação restante do cérebro, produz uma sensação de familiaridade que vai contra o conhecimento produzido pelo córtex. Isso leva à experiências intrigante do famoso déjà vu.

CURIOSIDADE: Jamais vu.
O jamais vu é o inverso do déjà vu: em vez de uma coisa nova parecer familiar, alguma coisa conhecida parece estranha. Você pode estar, por exemplo, na sua própria casa quando, de repente, os móveis e suas disposições não lhe parecem, por um momento, familiares. Ou você pode olhar para alguém que conheça bem e sentir que a pessoa é tão estranha para você como qualquer rosto na multidão. Mesmo que você saiba mentalmente que a sala e a pessoa são as mesmas de sempre.
Como o déjà vu, é provável que o jamais vu seja causado por uma falha momentânea do sistema límbico em reagir apropriadamente – no caso, o significado emocional da informação não está sendo reconhecido como deveria, ou o “rótulo” emocional não chega até a consciência.
Apesar de o fenômeno durar apenas poucos segundos, em casos raros uma lesão no sistema límbico pode produzir uma jamais vu permanente especialmente no que diz respeito às pessoas. Esses sentimentos podem se tornar tão intensos que a pessoa conclui que os amigos e os familiares foram “substituídos” por impostores ou alienígenas. Essa convicção, conhecida por síndrome de Capgras, pode ter consequências catastróficas. Pessoas acometidas por essa doença muitas vezes rejeitam a família e podem se tornar paranoicas e violentas.


Créditos: Reader’s digest (Maximize o potencial do seu cérebro)

domingo, 15 de março de 2015

O desafio do (re)começo


Na minha humilde opinião, o mais difícil não é começar, e sim o recomeçar. A sensação de criar algo novo, a partir do que já existe (ou sobrou de) assusta e apavora, contudo não intimida. É preciso um desprendimento sobrenatural para refazer, balizar, avaliar as tais perdas e danos, e pensar se é mais proveitoso desfazer-se e buscar algo novo ou recuperar o que ainda persiste.
Se o "velho" não tivesse importância, não existiriam restauradores que, meticulosamente, detêm-se ao menor detalhe de uma obra de arte ou peça histórica. E o que seria da Memória? Certamente não existiria.
Se o que é imaterial (sentimentos, paixões, pensamentos e tudo que é produzido pela mente) não tivesse valor, os poetas, compositores, que tanto se alimentam e fazem de tudo isto matéria-prima, viveriam no ostracismo e relegados à loucura de uma existência volúvel, num mundo eminentemente material.
E assim vamos pela vida. Seguindo nesta missão ora conferida pela Vida: apagar o ponto final, aplicar uma pausa e dar o primeiro passo. Como diria Chico Science : "Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar". Ou como diz o Poeta cantador Siba : "Toda vez que eu dou um passo, o mundo sai do lugar".
E desce mais uma.