quinta-feira, 19 de março de 2015

O Menino do Dedo Verde (Maurice Druon)



Depois de algumas leituras mais intensas como Charles Bukowski, por exemplo, deixei-me repousar suavemente na minha criança, lendo “O Menino do Dedo Verde”. Está preparado para vir comigo? Tomara que sim. Detesto viajar sozinha.

Dados Bibliográficos do Autor

Maurice Druon, nasceu em 23 de abril de 1918, em Paris. Participou ativamente da luta antinazista em 1940, com o tio também escritor Joseph Kessel em 1943 – compõe a letra do canto Les Partisans, ainda hoje ouvida com grande emoção pelo povo Francês. Em 1953 a Comédie Française encena a sua peça Um Voyageur. Fica bastante conhecido por seus recitais históricos, que sempre alcançam vasta audiência.
Maurice Druon tem a sua obra marcada pela violência e vigor característicos de sua vida pessoal, onde o choque das armas e o trágico das paixões contam uma fase importante na literatura francesa contemporânea.

Capítulo Primeiro

“... Mas as pessoas grandes,
que não compreendem os protestos dos recém-nascidos
e teimam em sustentar suas ideias pré-fabricadas”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Sempre me surpreendo com crianças e suas perguntas que não aceitam “porque sim” ou “porque não” como respostas. O que elas não sabem é que gente grande também não tiveram respostas quando crianças. Então, repetimos os “porquês” que recebemos na maioria das vezes. Embora, eu confesso, de vez em quando invento meus próprios “porquês” e, acreditem, eles são bem mais divertidos.

“Isto prova simplesmente que as ideias pré-fabricadas
são ideias mal fabricadas. (...)
Se só viemos ao mundo para ser um dia gente grande,
 logo as ideias pré-fabricadas
se alojam facilmente em nossa cabeça. (...)
Mas, quando a gente veio à terra
com determinada missão (...).
As ideias pré-fabricadas,
que os outros manejam tão bem,
recusam-se a ficar em nossa cabeça (...)
Causamos assim muitas surpresas.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Quanto mais amadurecemos mais crescem nossas dúvidas. Amadurecimento está diretamente ligado ao questionar-se. E tal que podemos ter no fim, são conceitos que anulam conceitos anteriores, não há ponto final. Numa vida bem vivida só cabe reticências


Capítulo Cinco

“A preocupação de uma ideia triste
que nos comprime a cabeça ao despertar
e permanece ali o dia todo.
A preocupação se serve de qualquer meio
 para penetrar nos quartos;
ela se insinua como o vento no meio das folhas,
monta a cavalo na voz dos pássaros,
desliza pelos fios da campainha.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

A preocupação, para mim, é um bichinho que chega na madrugada quando tudo é silêncio. Ela chega, se enfia nos meus travesseiros e não me deixa dormir com um zumzumzum danado que arruma em minha cabeça. Aí me levanto para não pensar mais no barulho, me sento e ficando olhando pelas frestas o céu ora estrelado ora negro ora chuvoso... E olhando o céu vivo petica e nem vejo quando a preocupação vai embora rua a fora. 

“A vida, afinal, é a melhor escola que existe.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Experimentar. Esse é o verbo que rege minha vida. Eu quero sentir tudo que posso. E cada vez que a vida me oferece algo novo, ainda que eu me assuste, eu prov. Na vida é preciso coragem para agir. Disse outro dia alguém que ninguém pode andar por aí arrastando o passado como se estivesse preso a perna. É preciso entender que o passado é referência e o futuro é planejamento. A vida acontece no presente; segunda a segunda em 24 horas de oportunidades.

Capítulo Seis

“... Os talentos ocultos, em geral, trazem aborrecimentos.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Qual é seu dom? Já se perguntou isso? Qual é o seu porque nesse mundo? Eu associo muito dom com nossa razão no mundo. Acho que o meu é levar alguns a refletir sobre si através das minhas próprias reflexões sobre mim. Eu resumo, minha função ou dom é sentir, e escrever meus sentimentos. E você?

Capítulo Sete

“Sem ordem, uma cidade, um país, uma sociedade
não passam de um sopro e não podem sobreviver.
A ordem é uma coisa indispensável.
E, para manter a ordem,
é preciso punir a desordem!”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E quando a desordem é por dentro? Então, tudo vira um horror. É preciso que os sentimentos estejam todos alinhados para que nosso interior esteja bem. Mas, as vezes, um ou outro sentimento cisma de sair do lugar. E aí a gente chora, a gente sofre, a gente de despedaça... Numa prisão onde pôr os sentimentos que se rebelam. E o que se pode fazer? Para mim, resta a poesia. Sentar e chorar meus versos, meus contos, que alguém lerá e nem imaginará que se trata do fruto de uma punição ou do fruto da cura de uma dor.

“’É preciso vigiar de perto esse menino;
ele  pensa demais!”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Pensar é, entre todas as ações, a mais perigosa para os ditadores e para os obedientes. Porque pensar nos leva além de onde nos querem. Quem pensa não aceita tudo sem saber o real porquê. Quem pensa adapta ideias ao invés de simplesmente repeti-las. Quem pensa é livre e lutará pela própria liberdade como um desesperado; porque sabe que é em liberdade que todo ser deve viver.


Capítulo Nove

“As pessoas grandes tem a mania de querer,
a  qualquer preço, explicar o inexplicável.
Ficam irritadas com tudo que as surpreende.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E esses conceitos tiram o brilho das coisas porque as generalizam. As pessoas conceituam, minimizam, maximizam, fragmentam, rotulam. Se não houver um conceito há quem não durma. O pior é que quando isso envolve gente que não cabe em nenhum rótulo eles banalizam chamando de “loucos” e os colocam de lado que é mais fácil que encarar suas frustrações.

“Quando a gente está feliz,
sente  vontade de dizê-lo
e  até mesmo de gritá-lo.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Sou da filosofia de que gente feliz não enche o saco. Então, costumo desejar sempre o melhor a  todos que me cercam. Mas acho que felicidade varia de pessoa para pessoa. Eu geralmente fico feliz quando tenho livro novo ou quando as coisas estão bem para meus filhos. O que é felicidade para você?

“As flores não deixam o mal ir adiante.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Nunca liguei para ter um jardim. Mas de uns dois anos para cá comecei um pequeno espaço com plantas. Nem é um jardim. É só um cantinho verde com pimenteiras, avenca, renda portuguesa, coqueirinho... Um pedaço onde me sento e sinto a paz fluir. Concordo plenamente com o autor: as flores são um escudo contra o mal.

Capítulo Dez

“A gente se habitua a tudo,
mesmo às coisas mais estranhas.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Foi estranho amanhecer sem a voz do meu pai quando ele se separou de minha mãe. Anos depois, foi estranho amanhecer sozinha quando eu me separei. Foi estranho entender que aquela mulher não era minha mãe de verdade. E foi estranho chamar pelo nome a mulher que era. A vida é composta de estranhamentos. E ceiam feliz a mesa aqueles que sobrevivem a eles.

“__ As favelas são um flagelo. – declarou ele.
__ E o que é um flagelo? – perguntou Tistu.
__ Um flagelo é uma desgraça grande
que atinge muita gente ao mesmo tempo.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

O país onde moro é uma grande favela. Quem não é flagelado socialmente; é favelado moralmente.  O meu país maltrata seu povo negando-lhes valores. Ah, se eu fosse como Tistu! Fecundaria a terra com frutas, flores, legumes e verduras. Porque nós pobres flagelados merecíamos ter de tudo nesse país em que se plantando tudo dá.

“__ Mas por que toda essa gente
 mora em casinha de coelho? – perguntou de repente.
__ Porque não possuem outra casa, é claro. Isso
é uma pergunta idiota – respondeu o Sr. Trovões”
__ E por que é que eles não têm outra casa?
__ Porque não têm trabalho.
__ E por que é que eles não têm trabalho?
__ Por que não têm sorte.
__ Então, quer dizer que eles não têm coisa alguma?
__Sim, e miséria é isso.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Isto... Isto que nos negam. Isto que nos privam. Isto que nos escondem. Miséria é este vazio no estômago, no bolso, no coração, na alma... Miséria é não ter mais esperança de ser. Miséria é isto! Isto tudo que adoece a humanidade nos lares, nos becos, nas esquinas prostituídas. Miséria sou eu que escrevo segura em minha sala e você que lê seguro na sua. Miséria é o que nos espreita no canto da janela. É isto! E isto tudo é miséria!

“Os sentimentos generosos
privam-no do senso da realidade.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Tal como quando alguém diz “te amo!” ingênua e docemente transportamo-nos até o tempo onde o sonho é possível. “Eu te amo!” tira o raciocínio lógico e põe emoção no lugar. E porque será que alguns insistem em dizer que amam se não amam? Ah, Tistu, a tal ordem não existe mesmo.

Capítulo Onze

“__ Para a gente saber se é infeliz,
é  preciso primeiro ter sido feliz.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E o contrário também é válido! Os opostos fazem isso: são para lembrar que o outro lado existe. E vendo assim a tristeza não é tão triste, nem a doença é tão dolorida... É só lembrar que seremos felizes ou  saudáveis amanhã.

“__ É que para cuidar direito dos homens
é  preciso amá-los bastante.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E o médico de todos os médicos que conheço é Jesus. Nunca vi um amor que cura como o dEle. Ele, para mim, é a esperança de que amanhã pode ser melhor., é a força para esperar esse amanhã. Ele me ama e me cura, não importando-se com quantas vezes eu me ferir.

Capítulo Doze
“Aliás é sempre perigoso zangar-se
com aquilo que não se compreende.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Quantos gritos foram ouvidos e quantas portas foram batidas? Tudo porque alguém não conseguiu entender. Quanta gente saiu chorando e quanta gente ficou sozinha? Só porque um não quis escutar. Tudo podia ser diferente se todos tivessem um pouco de boa vontade para fazer ser.

Capítulo Catorze
“Quando os grandes falam em voz alta
as crianças não ouvem.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Nem os pequenos nem os grandes! Os gritos só tornam mais distantes os corações e os ouvidos.

“Numa guerra, todo mundo perde alguma coisa.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

E ainda há os que insistem em armas ao invés de amor. Meu estado vive uma guerra triste não há quem perca mais ou menos. Porque estão todos perdendo a fé e a noção de fraternidade. Pais e mães choram todos os dias pelos filhos perdidos. Esposas e maridos lamentam seus amores enterrados. Flores ficam tristes por enfeitarem sepulturas. Pobrezinho do meu Rio de Janeiro tão cheio de guerra.

Capítulo Dezoito

“O Sr. Papai era bom como já disse.
Era bom e era negociante de canhões.
À primeira vista, isso não parece compatível.
Adorava seu filho e fabricava armas
para levar a orfandade os filhos dos outros.
Isso acontece mais do que se pensa.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

O que corrói o mundo são os homens que o habitam. E pensando assim fica mais fácil gostar dos animais, das flores, dos elementos... O homem, na sua maioria, só faz o que é bom para si e ainda acham justificavas para isso. Pouca importa o que causará ao outro se tal estiver perfeito para ele. E o egoísmo destrói o mundo.

“As mães se julgam sempre um pouco culpadas
quando os filhos perturbam
a vida das pessoas grandes
e correm o risco de sofrer as consequências.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Desde que nos tornamos mães, entramos numa espécie de comunhão com a terra e passamos a ser mãe de todos. Que o mundo seja bom pelo ventre de todas as mães!

Capítulo Dezenove

“Pois fiquem sabendo
que nunca conhecemos ninguém completamente.
Nossos melhores amigos reservam sempre surpresas.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Acho muito divertido quando alguém diz que conhece bem alguém. Geralmente quem diz isso não conhece nem a si. Somos criaturas em constantes mudanças, porque estamos em constante aprendizado. Quem sou eu? Será sempre o maior enigma que terei que desvendar enquanto eu viver. E não é diferente com você que me lê agora.

“As pessoas grandes não querem chorar,
e fazem mal, porque as lágrimas
gelam dentro delas, e o coração fica duro.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

Será que eu sou assim tão frágil, porque me permito chorar? Se assim for, meu coração é como asas de borboleta e isso explicaria bem minha paixão por elas.

“Mas a morte zomba dos enigmas.
Ela é o que os propõe.”
(Maurice Druon, in “O Menino do Dedo Verde”)

A morte... Tenho pensado e falado muito dela. Ela sempre me atraiu sempre me fascinou. Não de uma maneira mórbida, mas como encantamento e respeito. Minha única direção. Minha única certeza.

Conclusão

O livro segue um pouco antes do grande desfecho. Mas não vou contá-lo, é claro! Você terá que ler a surpresa final. Tudo que posso dizer é que minha criança interior ficou tão feliz que saiu pelos meus mundos interiores a correr e cantar. Acho que ela foi procurar Tistu. E acho que eles aprontarão muito por aí.


Beijos e até breve!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Olha só morena!



Sexta, 16:59. Um só pulsar, uma vontade, um nome: "Aquiles*".
Olha para a janela e tem o pensamento de que em poucos instantes irá correndo para os braços de quem está esperando.
O que será que ela pensa?
Com quem será que ela sorriu hoje?
Será que a nossa sintonia funciona?
Será letra e música do Lennon e McCartney?
Será poesia da Mallu**?
Será as playlists que tocavam pelo bluetooth do celular em todas as caronas e eram como declarações pra ela?
 
Tomado por um instante de silêncio...

17:00
Com todas as coisas arrumadas, saio em disparada.
A cada passo que dou, é uma certeza do reencontro.
A cada até logo para um colega, um desejo de chegar logo ao meu destino.
Saudade é o nome, é o perfume, são os beijos, é a vontade de saber como foi seu dia, seus pensamentos.
Saudade é contar o tempo e acreditar que ele está mais lento, é ter a sensação constante de que toda a angústia acabará em alguns minutos, dentro de um abraço.
Saudade é ficar esperando o dia, a hora, o lugar e o momento de dizer “eu senti saudade!”
"Eu estou com saudade!" 
Ah, não sabe a força que tem essas 4 palavrinhas. Tem o poder de salvar o mais melancólico dos corações (o meu), imagina só a imensidão das horas e que estava o dia inteiro esperando para te dizer essas palavras.
Saudade é planejar os próximos abraços, toques, ficar agarradinho… é a expectativa de encontrar de novo.
E por falar nisso...

17:45, chave no portão e...
** Refere-se a Mallu Magalhães, cantora e compositora Brasileira.
* Aquiles nome fictício do nosso amado

Até o próximo texto
Au Revoir

terça-feira, 17 de março de 2015

O Convite



Era sempre da mesma maneira: ele chegava com sorriso e promessas. Vinha todo lindo cheirando a novo. Ela o observou se aproximando sorrateiro com seu jeito envolvente já tão conhecido.

__ Vamos?
__ Não posso. 
__ Por que?
__ Medo. 
__ Do "novo"?
__ Não! Do "de novo".

E Amor segue seu rumo sozinho cantando um samba de Cartola. Enquanto ela observa a noite escura salpicar-se de estrelas, pensa no amor que acabara de recusar. E sorrindo serena, esconde-se nas entrelinhas de Cecilia Meireles.

"Viajo sozinha com o meu coração 
Não ando perdida, mas desencontrada 
Levo o meu rumo na minha mão"
(Waleska Zibetti, in "O Convite")

segunda-feira, 16 de março de 2015

DÉJÀ VU



Do francês, Déjà vu, (Já vi no português) é um dos truques mais peculiares que a memória pode aplicar, o déjà vu é uma sensação curiosa marcada por uma impressão súbita e intensa de familiaridade – um sentimento de “ter estado aqui antes” ou de já ter vivido esse momento.

A TEORIA MAIS RECENTE
Pesquisas cerebrais sugerem que o déjà vu pode ser o resultado de um erro momentâneo no modo como o cérebro constrói uma imagem consciente. Tudo o que vivenciamos é processado ao longo de muitos caminhos paralelos no cérebro. Alguns deles percorrem áreas da camada externa do cérebro, ou córtex, e lidam com percepções sensoriais. Por exemplo, eles combinam informações visuais para formar imagens completas e conectam informações sensoriais com fatos relacionados a imagens, tais como o nome de objetos e o que eles são. Outros caminhos percorrem o sistema límbico, o centro emocional do cérebro, e é ai que a informação recebe significado emocional, incluindo, se apropriado, a sensação de familiaridade. Normalmente, a informação dos caminhos límbico e cortical é trazida à consciência ao mesmo tempo, criando uma imagem “completa”. Imagina-se que o déjà vu ocorra quando uma informação que esteja fluindo pelo sistema límbico seja rotulada como familiar por engano. Quando essa informação identificada incorretamente se incorpora à informação restante do cérebro, produz uma sensação de familiaridade que vai contra o conhecimento produzido pelo córtex. Isso leva à experiências intrigante do famoso déjà vu.

CURIOSIDADE: Jamais vu.
O jamais vu é o inverso do déjà vu: em vez de uma coisa nova parecer familiar, alguma coisa conhecida parece estranha. Você pode estar, por exemplo, na sua própria casa quando, de repente, os móveis e suas disposições não lhe parecem, por um momento, familiares. Ou você pode olhar para alguém que conheça bem e sentir que a pessoa é tão estranha para você como qualquer rosto na multidão. Mesmo que você saiba mentalmente que a sala e a pessoa são as mesmas de sempre.
Como o déjà vu, é provável que o jamais vu seja causado por uma falha momentânea do sistema límbico em reagir apropriadamente – no caso, o significado emocional da informação não está sendo reconhecido como deveria, ou o “rótulo” emocional não chega até a consciência.
Apesar de o fenômeno durar apenas poucos segundos, em casos raros uma lesão no sistema límbico pode produzir uma jamais vu permanente especialmente no que diz respeito às pessoas. Esses sentimentos podem se tornar tão intensos que a pessoa conclui que os amigos e os familiares foram “substituídos” por impostores ou alienígenas. Essa convicção, conhecida por síndrome de Capgras, pode ter consequências catastróficas. Pessoas acometidas por essa doença muitas vezes rejeitam a família e podem se tornar paranoicas e violentas.


Créditos: Reader’s digest (Maximize o potencial do seu cérebro)

domingo, 15 de março de 2015

O desafio do (re)começo


Na minha humilde opinião, o mais difícil não é começar, e sim o recomeçar. A sensação de criar algo novo, a partir do que já existe (ou sobrou de) assusta e apavora, contudo não intimida. É preciso um desprendimento sobrenatural para refazer, balizar, avaliar as tais perdas e danos, e pensar se é mais proveitoso desfazer-se e buscar algo novo ou recuperar o que ainda persiste.
Se o "velho" não tivesse importância, não existiriam restauradores que, meticulosamente, detêm-se ao menor detalhe de uma obra de arte ou peça histórica. E o que seria da Memória? Certamente não existiria.
Se o que é imaterial (sentimentos, paixões, pensamentos e tudo que é produzido pela mente) não tivesse valor, os poetas, compositores, que tanto se alimentam e fazem de tudo isto matéria-prima, viveriam no ostracismo e relegados à loucura de uma existência volúvel, num mundo eminentemente material.
E assim vamos pela vida. Seguindo nesta missão ora conferida pela Vida: apagar o ponto final, aplicar uma pausa e dar o primeiro passo. Como diria Chico Science : "Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar". Ou como diz o Poeta cantador Siba : "Toda vez que eu dou um passo, o mundo sai do lugar".
E desce mais uma.

sábado, 14 de março de 2015

Nunca desista dos seus Sonhos


A capacidade de sonhar sempre foi o grande segredo daqueles que mudaram o mundo. Os sonhos alimentam a alma e dão asas a inteligência. É no solo fértil da memória onde semeamos os sonhos que farão grande diferença em nossa existência. Os sonhadores mudaram a história da humanidade. Eles fizeram da derrota, o pódio para a vitória; das críticas, o palco, de onde receberam os aplausos. O Mestre dos mestres foi o mais ousado dos sonhadores. Ele fez de homens simples e iletrados, arquitetos da vida. A estes, vendeu o sonho de um reino justo, em um mundo de injustiça, de liberdade em uma terra de escravidão, de vida eterna em um território onde imperava a morte, de felicidade em um país onde reinava o ódio. Jesus Cristo tirou aqueles homens da platéia e os introduzir no palco da vida. Fez deles autores de sua própria história. Ao encantá-los com suas palavras e surpreendê-los com suas atitudes, ele tocou o inconsciente dos seus discípulos, reeditou novas janelas em sua memória e abalou os fundamentos da psicologia.
Abraham Lincoln superou os seus fracassos porque exerceu o direito de sonhar. Enquanto falia nos negócios, e consecutivamente era derrotado na política, soube mais do que ninguém exercer a liderança do eu?
Estava convicto de que contra traumas e frustrações que a vida nos impõe, o melhor remédio, é uma alma controlada por um grande sonho. Embora o décimo sexto presidente dos EUA tenha tido mais derrotas do que vitórias em sua vida pública, do ponto de vista da psicologia foi o grande vencedor em todas as disputas. Ele venceu o preconceito com criatividade, as suas inseguranças com motivação, os seus medos com ousadia. Mas acima de tudo, foi sempre consciente que o destino é uma questão de escolha, não uma fatalidade, por isso, optou por continuar sonhando. A discriminação, o preconceito, o racismo e a indiferença, foram porções que coube a outro sonhador: Martin Luther King. No entanto ele teve a capacidade de criticar a violência exercida contra os negros do seu país. E assim, reeditou sobre os traumas arquivados em sua memória, os sonhos que mudaria as gerações subsequentes. O autor da teoria da Inteligência Multifocal foi sem dúvida um sonhador. E como todos os outros, encontrou muitos desafios pelo caminho. Depois de 19 anos escrevendo sobre o processo como os pensamentos são construídos viu sua tese ser rejeitada por muitos e incompreendidas até mesmo por especialistas ligados às ciências humanas. Não obstante a isto, Augusto Cury não se deixou vencer. Resolveu provar suas teses a luz de um personagem histórico. Escreveu uma coleção onde analisa a inteligência de Cristo. Foi incrível, com este ato ele democratizou a ciência, popularizou suas teses e surpreendeu o mundo ao entrar em uma área, até então, completamente dominada pela teologia. Se pensar é o destino do ser humano, continuar sonhando é o seu grande desafio. E isto, é lógico, implica em trajetórias com riscos, em vitórias, com muitas lutas, e não poucos obstáculos pelo caminho. Apesar de tudo, seja ousado. Liberte sua criatividade. E NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS, pois eles transformarão sua vida em uma grande aventura.

Cury, Augusto. Nunca Desista dos Seus Sonhos. Prefácio. Editora Sextante, São Paulo. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

Feira Saber Mais começa de pé esquerdo


           
Estou relatando o ocorrido como testemunha ocular e participante interessada do evento.

Há quase dois meses atrás só se ouvia falar, entre alunos e professores, sobre a grande feira cultural que Governador Valadares – MG iria assediar no Parque de Exposições.
Com atividades diversas, entre feiro do livro, amostra de cinema, parque de diversões, muitas palestras interessantes dentre outros entretenimentos, a Feira Saber Mais começou com o pé esquerdo.
Esperei ansiosa por assistir a palestra sobre Educação Inclusiva que estava marcada para as 21hrs no dia 12 de março de 2015. Chegamos às 19 horas para poder nos situarmos e de cara sentimos falta de sinalizações. Muitas pessoas nos abordavam perguntando onde estava acontecendo às palestras, pois eu estava usando a credencial e eu falava que também estava perdida.
Uma das primeiras coisas que eu queria ver era a feira do livro. Chegando lá, alguns estandes ainda estavam sendo ajeitados, e logo em frente, meia dúzia de pessoas assistiam a abertura feita pela prefeita.
Namorei alguns livros, comprei alguns exemplares, mas eu não tirava os olhos do relógio preocupada em perder o início da palestra, ainda mais que não havíamos encontrado o local certo.
Quando faltavam 30 minutos, eu junto de uma amiga, nos dirigimos para o local aonde pensamos que poderia ser a sala da palestra. No caminho, encontramos um colega que estava trabalhando na sonorização de alguns ambientes. Ele havia comentado como esse grande evento havia sido feito as pressas.
Quando chegamos ao local das aulas, perguntamos ao recepcionista e o segurança se ali aconteceria a tal apresentação que eu havia comprado para assistir, e eles não souberam responder, comentando por alto dizendo que o nome da palestrante que eu havia dito não daria a conferência e que seria outra pessoa. Ali já percebi a desordem.
Corri no stand da SMED (inclusive minha amiga professora ficou sabendo do evento no dia anterior. Como pode isso Brasil? Sendo que SMED é o órgão que ela trabalha!) para me certificar de detalhes.
Peguei meia informação e corri novamente ao local e encontramos com a simpática atual palestrante, a que até então não estava no panfleto do evento. (Trocaram de última hora?) Garfes e mais garfes nesse evento.
Ali, ela comentou que talvez fossem cancelar a aula porque houve uma série de atrasos e que não tinha pessoas o suficiente para assistir.
(Meu mundo caiu).
Depois disso, rodei o parque todo atrás de um coordenador para esclarecer isso e me devolver o dinheiro, que inclusive muitos palestrantes não sabiam que estava sendo cobrado dos participantes. Quando chegamos ao local para reclamar, já havia várias professoras indignadas querendo explicações. Muitas delas compraram o passaporte e estavam prestes a serem lesadas por falta de planejamento ou seriedade. Esse é o país avacalhado que moramos. Tudo que envolve cultura é feito pelas coxas.
O evento foi divulgado alguns meses antes e como isso pode acontecer?
Algumas professoras e alunas protestaram querendo o certificado de participação da palestra mesmo sem terem visto. E eu quis meu dinheiro de volta, e pensei no tanto de pessoas que compraram e que não atinaram em correr atrás do prejuízo, tanto intelectual quanto financeiro.
O evento que ocorrerá em 4 dias não tinha banheiros químicos, (até ontem pelo menos), e eu ainda precisei ouvir isso do coordenador A.Perim “ Nem a Exposição Agropecuária que é o maior evento da cidade não se usa banheiros químicos, por que solicitaríamos para este?”
Um descaso total.
O evento tinha tudo para ter uma estreia maravilhosa porque o espaço é ótimo, tinha bons lugares para comer e muita coisa legal para ver, e ainda escutei que Relber e Allan fizeram show para 30 pessoas.
Ah, quanto a isso, nem ligo... rs
Minha nota para a primeira impressão do evento foi 4.5.

Se eu voltaria na próxima edição? Acho que sim, porque meu sonho é que muitos eventos culturais façam mais parte do cotidiano do povo.

Walt- nos bastidores de Mary Poppins



Londres 1961, uma inglesa de aspecto austero está em uma sala a espera de seu agente. Enquanto ele não chega, ela relembra a sua infância. Ao fundo o som suave de “Supercalifragilisexpelialidoce”. Assim começa essa emocionante superprodução Disney que contará a verdade por trás da doce personagem Mary Poppins.

“É uma viagem exploratória...”
(in “Walt- nos bastidores de Mary Poppins”)

Afirma o agente e ao longo do filme vamos entendendo o peso disso tanto na heroína quanto em nós mesmos. Apesar de ser para falar dos porquês que fizeram surgir a trama de “Mary Poppins”, nós espectadores também somos levados a questionamentos particulares e íntimos.

Ora fui Walt ora fui Pamela Travis. O filme é doce e divertido, apesar de entrelinhas dolorosas e amargas que pontuam a realidade da senhora Travis. E nesses contrastes estamos nós sendo levados aos nossos próprios contrastes.

“Então, ela não veio salvar as crianças.
Ela vai salvar o pai.
O seu pai.”
(in “Walt- nos bastidores de Mary Poppins”)


Confesso que chorei ao ver o filme.  Porque assim como Pamela tinha uma relação de paixão e admiração por meu pai, hoje falecido. Meu pai era e é o meu ponto de encontro com a fantasia e a magia dos meus universos interiores; onde ele hoje é um menino que corre nos jardins divertindo-se com sereias e dragões.

Todos que mantiveram em si um pouco de criança se emocionarão com esse filme e certamente irá chorar e sorrir. É um filme de ternura quase palpável que não pode deixar de ser visto por quem já sonhou em ter uma babá mágica como Mary Poppins.

“Os ventos sopram do leste...
Vem a neblina.”
(in “Walt- nos bastidores de Mary Poppins”)

Entre nesse universo de paralelos e se apaixone com a menina  fantasiosa Pamela e com a rigorosa Senhora Travis; com o risonho americano Walt Disney e a amarga  britânica P. L. Travis; relembre canções de infância e liberte a sua criança interior nesse universo incrível que o filme proporciona (isso vale para os quarentões como eu).

Assista, se possível, os dois filmes. Falo do original “Mary Poppins” e do atual “Walt- Por Trás dos Bastidores de Mary Poppins”; pode ser uma boa para seu fim de semana.


Fica a dica e até mais! 


quinta-feira, 12 de março de 2015

A dor de sentir


Passam pessoas, rostos, vozes...
Sorrisos de criança, namorados de mãos dadas, amigos que gargalham...
Um casal de idosos que se cuidam.
Eu, um observador da vida e um questionador de sentimentos e em busca da verdade!
As pessoas não têm culpa por sentirem o que sentem, independente do que levou a isso ou ao quê isso vai levar. Nós sentimos e ponto.
Engraçado como as vezes o ciclo de sucessivos fracassos nos moldam.
Se me permitem um grito:

- PORQUE DÓI TANTO?

A dor de não saber;
A dor do querer;
Dor,
Dor,
É muita dor!

- PORQUE SENTIMOS POR ANTECIPAÇÃO?

Devaneios soltos 
Transmitidos em palavras...
Sinto demasiadamente muito
Sinto muito.
Sinto o silêncio, que sufoca, incomoda, agita.
Me tira o sossego, me traz a lembrança, junto com a agonia.
Cadê tudo?

Cadê você?


Até o próximo texto
Au Revoir