sábado, 14 de março de 2015

Nunca desista dos seus Sonhos


A capacidade de sonhar sempre foi o grande segredo daqueles que mudaram o mundo. Os sonhos alimentam a alma e dão asas a inteligência. É no solo fértil da memória onde semeamos os sonhos que farão grande diferença em nossa existência. Os sonhadores mudaram a história da humanidade. Eles fizeram da derrota, o pódio para a vitória; das críticas, o palco, de onde receberam os aplausos. O Mestre dos mestres foi o mais ousado dos sonhadores. Ele fez de homens simples e iletrados, arquitetos da vida. A estes, vendeu o sonho de um reino justo, em um mundo de injustiça, de liberdade em uma terra de escravidão, de vida eterna em um território onde imperava a morte, de felicidade em um país onde reinava o ódio. Jesus Cristo tirou aqueles homens da platéia e os introduzir no palco da vida. Fez deles autores de sua própria história. Ao encantá-los com suas palavras e surpreendê-los com suas atitudes, ele tocou o inconsciente dos seus discípulos, reeditou novas janelas em sua memória e abalou os fundamentos da psicologia.
Abraham Lincoln superou os seus fracassos porque exerceu o direito de sonhar. Enquanto falia nos negócios, e consecutivamente era derrotado na política, soube mais do que ninguém exercer a liderança do eu?
Estava convicto de que contra traumas e frustrações que a vida nos impõe, o melhor remédio, é uma alma controlada por um grande sonho. Embora o décimo sexto presidente dos EUA tenha tido mais derrotas do que vitórias em sua vida pública, do ponto de vista da psicologia foi o grande vencedor em todas as disputas. Ele venceu o preconceito com criatividade, as suas inseguranças com motivação, os seus medos com ousadia. Mas acima de tudo, foi sempre consciente que o destino é uma questão de escolha, não uma fatalidade, por isso, optou por continuar sonhando. A discriminação, o preconceito, o racismo e a indiferença, foram porções que coube a outro sonhador: Martin Luther King. No entanto ele teve a capacidade de criticar a violência exercida contra os negros do seu país. E assim, reeditou sobre os traumas arquivados em sua memória, os sonhos que mudaria as gerações subsequentes. O autor da teoria da Inteligência Multifocal foi sem dúvida um sonhador. E como todos os outros, encontrou muitos desafios pelo caminho. Depois de 19 anos escrevendo sobre o processo como os pensamentos são construídos viu sua tese ser rejeitada por muitos e incompreendidas até mesmo por especialistas ligados às ciências humanas. Não obstante a isto, Augusto Cury não se deixou vencer. Resolveu provar suas teses a luz de um personagem histórico. Escreveu uma coleção onde analisa a inteligência de Cristo. Foi incrível, com este ato ele democratizou a ciência, popularizou suas teses e surpreendeu o mundo ao entrar em uma área, até então, completamente dominada pela teologia. Se pensar é o destino do ser humano, continuar sonhando é o seu grande desafio. E isto, é lógico, implica em trajetórias com riscos, em vitórias, com muitas lutas, e não poucos obstáculos pelo caminho. Apesar de tudo, seja ousado. Liberte sua criatividade. E NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS, pois eles transformarão sua vida em uma grande aventura.

Cury, Augusto. Nunca Desista dos Seus Sonhos. Prefácio. Editora Sextante, São Paulo. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

Feira Saber Mais começa de pé esquerdo


           
Estou relatando o ocorrido como testemunha ocular e participante interessada do evento.

Há quase dois meses atrás só se ouvia falar, entre alunos e professores, sobre a grande feira cultural que Governador Valadares – MG iria assediar no Parque de Exposições.
Com atividades diversas, entre feiro do livro, amostra de cinema, parque de diversões, muitas palestras interessantes dentre outros entretenimentos, a Feira Saber Mais começou com o pé esquerdo.
Esperei ansiosa por assistir a palestra sobre Educação Inclusiva que estava marcada para as 21hrs no dia 12 de março de 2015. Chegamos às 19 horas para poder nos situarmos e de cara sentimos falta de sinalizações. Muitas pessoas nos abordavam perguntando onde estava acontecendo às palestras, pois eu estava usando a credencial e eu falava que também estava perdida.
Uma das primeiras coisas que eu queria ver era a feira do livro. Chegando lá, alguns estandes ainda estavam sendo ajeitados, e logo em frente, meia dúzia de pessoas assistiam a abertura feita pela prefeita.
Namorei alguns livros, comprei alguns exemplares, mas eu não tirava os olhos do relógio preocupada em perder o início da palestra, ainda mais que não havíamos encontrado o local certo.
Quando faltavam 30 minutos, eu junto de uma amiga, nos dirigimos para o local aonde pensamos que poderia ser a sala da palestra. No caminho, encontramos um colega que estava trabalhando na sonorização de alguns ambientes. Ele havia comentado como esse grande evento havia sido feito as pressas.
Quando chegamos ao local das aulas, perguntamos ao recepcionista e o segurança se ali aconteceria a tal apresentação que eu havia comprado para assistir, e eles não souberam responder, comentando por alto dizendo que o nome da palestrante que eu havia dito não daria a conferência e que seria outra pessoa. Ali já percebi a desordem.
Corri no stand da SMED (inclusive minha amiga professora ficou sabendo do evento no dia anterior. Como pode isso Brasil? Sendo que SMED é o órgão que ela trabalha!) para me certificar de detalhes.
Peguei meia informação e corri novamente ao local e encontramos com a simpática atual palestrante, a que até então não estava no panfleto do evento. (Trocaram de última hora?) Garfes e mais garfes nesse evento.
Ali, ela comentou que talvez fossem cancelar a aula porque houve uma série de atrasos e que não tinha pessoas o suficiente para assistir.
(Meu mundo caiu).
Depois disso, rodei o parque todo atrás de um coordenador para esclarecer isso e me devolver o dinheiro, que inclusive muitos palestrantes não sabiam que estava sendo cobrado dos participantes. Quando chegamos ao local para reclamar, já havia várias professoras indignadas querendo explicações. Muitas delas compraram o passaporte e estavam prestes a serem lesadas por falta de planejamento ou seriedade. Esse é o país avacalhado que moramos. Tudo que envolve cultura é feito pelas coxas.
O evento foi divulgado alguns meses antes e como isso pode acontecer?
Algumas professoras e alunas protestaram querendo o certificado de participação da palestra mesmo sem terem visto. E eu quis meu dinheiro de volta, e pensei no tanto de pessoas que compraram e que não atinaram em correr atrás do prejuízo, tanto intelectual quanto financeiro.
O evento que ocorrerá em 4 dias não tinha banheiros químicos, (até ontem pelo menos), e eu ainda precisei ouvir isso do coordenador A.Perim “ Nem a Exposição Agropecuária que é o maior evento da cidade não se usa banheiros químicos, por que solicitaríamos para este?”
Um descaso total.
O evento tinha tudo para ter uma estreia maravilhosa porque o espaço é ótimo, tinha bons lugares para comer e muita coisa legal para ver, e ainda escutei que Relber e Allan fizeram show para 30 pessoas.
Ah, quanto a isso, nem ligo... rs
Minha nota para a primeira impressão do evento foi 4.5.

Se eu voltaria na próxima edição? Acho que sim, porque meu sonho é que muitos eventos culturais façam mais parte do cotidiano do povo.

Walt- nos bastidores de Mary Poppins



Londres 1961, uma inglesa de aspecto austero está em uma sala a espera de seu agente. Enquanto ele não chega, ela relembra a sua infância. Ao fundo o som suave de “Supercalifragilisexpelialidoce”. Assim começa essa emocionante superprodução Disney que contará a verdade por trás da doce personagem Mary Poppins.

“É uma viagem exploratória...”
(in “Walt- nos bastidores de Mary Poppins”)

Afirma o agente e ao longo do filme vamos entendendo o peso disso tanto na heroína quanto em nós mesmos. Apesar de ser para falar dos porquês que fizeram surgir a trama de “Mary Poppins”, nós espectadores também somos levados a questionamentos particulares e íntimos.

Ora fui Walt ora fui Pamela Travis. O filme é doce e divertido, apesar de entrelinhas dolorosas e amargas que pontuam a realidade da senhora Travis. E nesses contrastes estamos nós sendo levados aos nossos próprios contrastes.

“Então, ela não veio salvar as crianças.
Ela vai salvar o pai.
O seu pai.”
(in “Walt- nos bastidores de Mary Poppins”)


Confesso que chorei ao ver o filme.  Porque assim como Pamela tinha uma relação de paixão e admiração por meu pai, hoje falecido. Meu pai era e é o meu ponto de encontro com a fantasia e a magia dos meus universos interiores; onde ele hoje é um menino que corre nos jardins divertindo-se com sereias e dragões.

Todos que mantiveram em si um pouco de criança se emocionarão com esse filme e certamente irá chorar e sorrir. É um filme de ternura quase palpável que não pode deixar de ser visto por quem já sonhou em ter uma babá mágica como Mary Poppins.

“Os ventos sopram do leste...
Vem a neblina.”
(in “Walt- nos bastidores de Mary Poppins”)

Entre nesse universo de paralelos e se apaixone com a menina  fantasiosa Pamela e com a rigorosa Senhora Travis; com o risonho americano Walt Disney e a amarga  britânica P. L. Travis; relembre canções de infância e liberte a sua criança interior nesse universo incrível que o filme proporciona (isso vale para os quarentões como eu).

Assista, se possível, os dois filmes. Falo do original “Mary Poppins” e do atual “Walt- Por Trás dos Bastidores de Mary Poppins”; pode ser uma boa para seu fim de semana.


Fica a dica e até mais! 


quinta-feira, 12 de março de 2015

A dor de sentir


Passam pessoas, rostos, vozes...
Sorrisos de criança, namorados de mãos dadas, amigos que gargalham...
Um casal de idosos que se cuidam.
Eu, um observador da vida e um questionador de sentimentos e em busca da verdade!
As pessoas não têm culpa por sentirem o que sentem, independente do que levou a isso ou ao quê isso vai levar. Nós sentimos e ponto.
Engraçado como as vezes o ciclo de sucessivos fracassos nos moldam.
Se me permitem um grito:

- PORQUE DÓI TANTO?

A dor de não saber;
A dor do querer;
Dor,
Dor,
É muita dor!

- PORQUE SENTIMOS POR ANTECIPAÇÃO?

Devaneios soltos 
Transmitidos em palavras...
Sinto demasiadamente muito
Sinto muito.
Sinto o silêncio, que sufoca, incomoda, agita.
Me tira o sossego, me traz a lembrança, junto com a agonia.
Cadê tudo?

Cadê você?


Até o próximo texto
Au Revoir

quarta-feira, 11 de março de 2015

Fuga Lírica


O que aconteceu com você?

Vejo suas fotos e não te reconheço mais

Onde está aquele sorriso lindo?

Aquela voz estridente que tomava a sala, o quarto

Seus discursos calorosos, onde estão?

Luna, menina negra, cara de lua

cheia de fases e subterfúgios

Sua falta é quase um absurdo

Vivo num silêncio horrível depois que você se foi

Estou entre letras que leio e não compreendo

Entre pessoas desconhecidas,

Neste quarto opaco, vazio

Ninguém me aguenta mais

Ando sujo, mau humorado, cansado,

Sentado na sarjeta à sua espera

Choroso toda vez que falam de você

Ou vejo seu retrato na parede

Luna, traga teu afeto,

A doce inspiração que sinto em cada nota do seu perfume

Em cada detalhe, pose, suspiro

Volta, nem que seja para dizer

"Também estava com saudades"

terça-feira, 10 de março de 2015

Noite de lua cheia...



Ela apagou todas as luzes para ver melhor no escuro. Abriu bem a janela e as cortinas, puxou a velha poltrona para perto da janela, mas não muito. Sentou-se entre a escuridão da sala e o prata da lua olhando pacientemente o céu. 

Os pés escondidos numa manta. As mãos apertando firme os braços do sofá demonstravam ansiedade. Vez ou outra ela mordia o lábio, como sempre fazia quando estava nervosa. O peito apertado anunciava que logo logo ela iria chorar. Era noite de lua cheia e toda vez ela ficava assim ao esperá-lo. Quem a visse ali, certamente a chamaria de louca. Contudo, ela não se incomodava mais com isso. Assumiu sua loucura para poder ser feliz.

Recostou a cabeça na cadeira, fechou os olhos e foi correr livre pelas ruas onde antes eles brincavam. Seus cabelos embaraçados, seus pés no chão, o rosto suado e as mãos sujas eram o retrato da sua essência. Menina-druida. Ligada a terra tal qual o bicho que era. E ele, sempre implicava com ela: bicho-do-mato. 

[...]

Ele era mais velho. Não sabia andar de pés no chão a não ser quando ela o perturbava tanto que ele perdia a classe e corria rua acima atrás dela que se metia no mato para o desespero dele, já que ele nunca a alcançara. Voltava com peito arfando e resmungando: peste de menina. Depois caia na gargalhada quando ela ressurgia do meio das árvores com as bochechas vermelhas e sorriso moleque no rosto, passando saltitante para casa. 

A noite ela em maria-chiquinhas se sentava na calçada para olhar a lua e ele vinha juntar-se a ela para viajar em seus pensamentos. 

__ Está fazendo o que aí, bicho-do-mato?
__ Esperando os dragões. É noite de lua cheia.
__ Um dia ainda prendem você num hospício, sabia?
__ Fala assim porque é como os outros e não pode ver. Idiota!
__ Olha a malcriação!!! 

Mesmo não vendo nada, ele sentava-se com ela a olhar a lua. E a admirar os sonhos dela através dos seus olhos brilhantes. Ele não tinha tempo para sonhar porque as responsabilidades não lhe permitia. 

__ Seus dragões não vieram. Entre e vá dormir. Já é tarde!
__ Você não me manda. Não vou!
__ Está tarde e calçada não é lugar para você, peste! Vá! Ou eu mesmo lhe carrego para dentro.
__ Não vou!
__ Menina, sou mais velho que você. Me obedece!
__ É mais velho, mas não é nada meu. Não vou!

E então, ela olhava o céu com sorriso enorme e começava a apontar. 

__ Olha! Olha! Eles estão lá!
__ O que? Onde?

Era uma estrela cadente que passava tão rápido que nem dava para se ver direito. Ele olha para ela que agora estava de pé agarrada a mão dele. 

__ Não são lindos?
__ Sim... São. 

Ela beija o rosto dele e corre para dentro. Ele olha a menina sumir entre as roseiras do jardim. Encara mais uma vez o céu e só vê estrelas. Ri sozinho... "Dragões... Menina maluca!". 

[...]

Naquela tarde de domingo quando lhe contaram do acidente, ela quase enlouqueceu. Não podia acreditar que ele estava morto. Tantos anos juntos até que a implicância virasse amor e agora ele se fora. Por que a vida sempre lhe tirava coisas? Por que a vida não permitia que ela fosse feliz?

Dias passaram desde aquele domingo e numa noite de lua cheia ela sentou-se a varanda para olhar a lua. Era uma mulher calçada e penteada agora. Uma mulher com o coração dolorido em histórias sorridentes. A vida não era mais facilmente resolvida em fábulas de Esopo. E ela chorava com mais facilidade que gargalhava. A luz da lua  tocou-lhe os pés e ela lembrou-se dos dragões. Sorriu. A luz da lua tocou-lhe os joelhos e ela lembrou de como ele a olhava quando ela falava dos dragões. A luz da lua tocou-lhe o ventre  e ela mordeu os lábios olhando o céu. 

__ Estou aqui!
__ Não pode ser!
__ Você que me ensinou. Vim te ver. 

Ela tocou o rosto dele. Chorava e sorria. 

__ Saudade!
__ Sente não. Estou aqui, peste!

Ela o abraçou e ele a levou. 

__ Está tudo em você. E aqui tudo é seu. Quando o mundo apertar você. Solte os cabelos, pise no chão, feche os olhos, venha. Tudo é seu. E eu estarei aqui com todos que você permitir que entre. Aqui você é a rainha. Daqui, ninguém irá embora. E você poderá vir nos ver sempre que quiser. Você me ensinou... 
__ Estava tão sozinha.
__ Aqui não tem solidão. E é seu lugar. E quando como eu, você se libertar do seu casulo, virá morar aqui de vez com suas asas de borboleta. Ser de fato a rainha desse lugar. A nossa menina-rainha.

[...]

É noite de lua cheia... A sala está escura. Os pensamentos fervilhando. Os cabelos soltos. Os pés no chão. E lá está ela. A menina-rainha a olhar a lua. Esperando... Meia-noite... E ela sorri moleca. Corre para a calçada. Ele pousa como sempre no meio da rua abaixando-se para apanhá-la. 

__ Pensei que não vinha. Por que você sempre demora?
__ Como reclama! Vamos sobe?
__ Não pense que só porque virou dragão pode me deixar esperando. Que coisa!
__ Eu te amo, peste!
__ Eu também, dragão! Eu também.

E lá vão os dois, as gargalhadas para o mundo mágico da menina-rainha onde todos podem ser feliz. Não é para sempre, ela sabe, a vida já ensinou a menina que sempre não existe e que felicidade boa dura o tempo de um sonho. Contudo, ela também sabe, que mesmo que as coisas passem, sempre haverá noites de lua cheia para fazê-la sonhar. 
(Waleska Zibetti, in "Noite de lua cheia...")

segunda-feira, 9 de março de 2015

"J'adore" balões


Talvez certas produções como essa que é um curta, pequenino mesmo mas capaz de emocionar pessoas de qualquer personalidade e idade. Talvez um dos mais poéticos curtas que já tenha assistido nos últimos anos.
A produção é do francês Albert Lamorisse e recebeu prêmios importantes como Grande Prêmio para Médias do Festival de Cannes e o Oscar de Melhor Roteiro Original.
Seu título é curioso "Le Ballon Rouge" ou traduzindo O Balão Vermelho. A história mais curiosa ainda; Pascal, um garoto de cinco ou seis anos, descobre um grande Balão e fica fascinado quando descobre que o Balão tem mente e vontade próprias e os dois se tornam inseparáveis. Em locais onde ele não poderia entrar o Balão aguarda flutuando do lado de fora, mesmo que ocorre do lado de fora da sua casa.
Em suas caminhadas pelas ruas de Paris, Pascal encontra um semelhante. É com tamanha alegria que os dois amigos encontram uma garotinha carregando um balão azul que, aparentemente, também possui vontade própria.
No dia seguinte, ao caminharem pelas ruas das redondezas, Pascal e seu amigo são perseguidos por uma numerosa gangue de adolescentes, fato que termina com a completa destruição do balão vermelho. Desolado com o ocorrido, Pascal é, no entanto, surpreendido quando dezenas de balões semelhantes surgem pelos céus de Paris e vêm ao seu encontro, levando-o em seguida para um passeio panorâmico por sobre a cidade, para um mundo mágico onde balões e crianças podem ser amigos para sempre.
Esse filme nos faz refletir acerca do papel do imaginário infantil e seu poder de criar situações e assim afastar o que incomoda. A relação do menino com o balão explicita isso de forma poética e encantadora.

Até o próximo texto
Au Revoir

domingo, 8 de março de 2015

O ponto de Deus e outras drogas.



O “PONTO DE DEUS” e outras drogas.

Um dos tipos mais impressionantes de estado alterado é o de sentir uma “presença” invisível – frequentemente interpretada como a consciência de Deus. Estudos cerebrais descobriram que essa sensação se deve à atividade em uma área do lobo temporal. Esse “ponto de Deus”, como é popularmente conhecido, costuma ser ativado em situações nas quais um período de estresse é repentinamente interrompido por uma experiência prazerosa. Ele também pode ser estimulado artificialmente, ou induzido por estimulações magnéticas transcraniana (que inibe a atividade em partes específicas do cérebro). Os lobos temporais são uma das áreas associadas ao nosso sentido de identidade. Uma teoria sobre a misteriosa presença sentida quando a área do “ponto de Deus” é inibida em um lado do cérebro é que a área equivalente do outro hemisfério inunda a consciência com uma sensação espiritual sentida como se viesse de fora.
MEDICAMENTOS E A MENTE
Muitos medicamentos usados no tratamento de doenças afetam o cérebro de tal maneira que a consciência é alterada. Algumas drogas são fabricadas com essa finalidade: tranquilizantes, antidepressivos e certos analgésicos agem diretamente no cérebro, alterando o fluxo de neurotransmissores no intuito de melhorar a disposição ou deter a dor. Entretanto, os efeitos desses medicamentos não podem ser previstos de maneira precisa. Às vezes, eles não apenas aliviam sintomas desagradáveis, como também desencadeiam experiências como a desrealização ou a euforia. Outras drogas também afetam o cérebro indiretamente: os anti-histamínicos, por exemplo, são capazes de provocar sonolência, e os esteroides, euforia.

FATO: Medicações da atividade elétrica em “acupontos” no corpo – os pontos usados na acupuntura chinesa – revelaram uma ligação entre relatos de experiências transcedentais e alterações no fluxo da corrente.



DROGAS E ALUCINAÇÕES
As alucinações podem ser provocadas por uma grande variedade de drogas. Algumas, incluindo o LSD, o peiote, a mescalina e a heroína, são usadas especificamente com esse propósito, ao passo que outras podem provocar alucinações como um efeito colateral. As últimas incluem medicamentos com receita controlada utilizados para tratar pressão arterial alta (clonidina), dores (pentazocina, fentanil) e a depressão (Prozac).
O tipo de alucinação depende de qual parte do cérebro é mais afetada pela droga. Aquelas que têm como alvo o córtex visual produzem cores e formas que giram e se movimentam rapidamente, provocando uma percepção alterada do tamanho e da forma dos objetos. Aquelas que afetam áreas mais “importantes” do cérebro – onde as sensações são interpretadas – podem levar objetos a realizar atos estranhos: uma aranha pode começar a pular carniça com um gato de repente. As drogas que afetam o córtex auditivo podem alterar a maneira pela qual o som é ouvido, ou provocar ruídos fantasmagóricos. Algumas substâncias químicas (incluindo o álcool e os esteroides) induzem sensações táteis como a de “insetos” rastejando sobre a pele. O nitrato de amila provoca sensações genitais que frequentemente estimulam o despertar sexual. As drogas que atuam principalmente no sistema límbico, como o Ecstasy, podem causar alucinações emocionais, como um sentimento intensificado de beleza e amor, e aquelas que estimulam os lobos frontais (anfetaminas, cocaína) provocam delírios de poder e força.


Créditos: Reader’s digest (Maximize o potencial do seu cérebro)

Ansiedade


Os dias passam devagar

As horas arrastam-se, e eu fico mais impaciente

Já fui a festas, celebrei 300 aniversários, 20 despedidas e 10 regressos

E nada de você chegar

Mandei fazer vatapá, cocada, comprei cachaça, botei toalha de linho na mesa

Rede na varanda, engomei meu vestido branco, chinelos no canto direito da porta.

Só de teimosia, sorrio, brinco, faço cantigas, trovas e rimas
Teço fios de lã, poesia e canção

As lágrimas, a ansiedade, os medos escondi na gaveta embaixo da cama

Para que lá se percam, do tempo, dos meus olhos, da minha alma.

sábado, 7 de março de 2015

Envelhecer

"Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.
A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço.

O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude, não é havê-las cometido...é sim não poder voltar a cometê-las.

Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.

Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.

Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo.

O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta, nem sábio aos cinquenta, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio...

Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.

Os jovens pensam que os velhos são bobos; os velhos sabem que os jovens o são.

A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía quando se era menino.

Nada passa mais depressa que os anos.

Quando era jovem dizia:

“verás quando tiver cinqüenta anos”.

Tenho cinqüenta anos e não estou vendo nada.

Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz.

A iniciativa da juventude vale tanto a experiência dos velhos.

Sempre há um menino em todos os homens.

A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.

Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós.

Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice.

Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado.

Não entendo isso dos anos: que, todavia, é bom vivê-los, mas não tê-los."


Até o próximo Texto. 
Au Revoir.
 
Camus, Albert. Núpcias, O Verão. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1979.