segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

DEUS ESTÁ MORTO (?) Resenha de filme.



Por Gabriella Gilmore
Deus não está morto – Resenha de filme.

“Eu acredito em Deus, só não acredito nesse ‘Deus’ que as pessoas pregam”.

Escutei esta frase há uns dois anos atrás e ainda a questiono. Até hoje não entendi.
Às vezes acho que há coisas e pessoas que trombam em nossas vidas muito mais que mero acaso.
Já faz mais de 6 meses que o filme “Deus não está morto” saiu em cartaz, baseado no julgamento de 5 jovens que foram mortos por causa de suas fés.
O filme levanta a tão polêmica questão: Deus está ou não morto? Existe ou não existe?
Questões estas que vem crescendo dentro de nós gradativamente. Em alguns chegam desde muito cedo, inserido na religião fervorosa dos pais, em outros, por experiências próprias, pela busca.
Outro detalhe importante é quando o ser humano entra na idade adulta. A faculdade, a vida, o trabalho, os amigos de mentes brilhantes, faz com que o ceticismo seja mais conveniente e talvez mais convincente em alguns aspectos.
Com histórias paralelamente interligadas e textos muito bons, tanto teísta como ateísta, a trama inteira se desenrola quando um calouro cristão se inscreve nas aulas de filosofia de um professor ateu convicto. Quando o mesmo sugere que todos os alunos escrevam DEUS ESTÁ MORTO em uma folha de papel e assinem seus nomes, o aluno Josh trava, ficando sensivelmente impedido de declarar tal afirmação, quando o mesmo é desafiado pelo professor em defender seu ponto de vista/crença.
Com palestras interessantes, frases marcantes, o filme é de comover, e com certeza fará muito ateu ver a existência de um superior com outros olhos e também reavivar Jesus Cristo na vida dos cristãos.
Sem nenhuma intenção de converter os leitores e sim fazer com que não haja suicídio intelectual neste momento em que estamos vivendo, aonde alguns lugares a fome se mistura com corpos sem vida, desastres, falta de água, violências, frieza interna, esta é a minha sugestão de filme para essa semana.

Porém as perguntas continuam aos montes...

Por que os mulçumanos não acreditam em Jesus Cristo como filho de Deus? E consideram os cristãos “politeístas”, hereges para sua cultura?

Se Deus é a trindade = Deus pais, Deus filho, Deus espírito santo, e enviou a si mesmo em carne e osso, porque eles não acreditam em reencarnação? Ou como explicaria então Deus filho na terra em carne e osso?

Por que existem tantas religiões/denominações se Deus é um só?

O clube de leitura espera comentários de todos os interessados sobre o assunto. As perguntas acima pode ser um início de um ótimo debate.
Sente ai, peça um café...

#Cheers!             

Obrigada, Perdão e Feliz Aniversário...




...Falo dessas coisas que escrevemos com a respiração suspeita 
e coração invadido daquelas coisas todas que é difícil falar. 
Mas tinha que fazer!
Tinha que deixar o sentimento falar do meu erro, 
da minha vergonha,
do minha distração...

Hoje eu tinha que escrever para agradecer, 
parabenizar, 
e pedir perdão.
Tinha que que fazer isso não por obrigação
mas para poder ficar bem de novo comigo.

Foi seu aniversário dia 13 e eu não vi.
Deixei passar entre o acordar para obrigações
e o dormir no cansaço perturbado da minha quase loucura.

Então, por favor, perdoe-me!

Jamais poderia deixar passar em branco

o dia especial de alguém que me entende,
ou ao menos se esforça para isso.
Alguém que me aceitou como amiga
tão de braço aberto.
Alguém que viajou horas para me dar um abraço,
para dividir comigo um pouco de sorriso.
E nem sabe o quanto que me deu nesse gesto.
Porque na vergonha nunca disse obrigada.

Então parabéns pelo teu dia.
Pelo dia que eu confusa esqueci.
Mas o importante é que estou aqui agora
cobrindo-lhe ao nosso modo,
de versos livres como você
de desejos implícitos nas minhas entrelinhas.
Parabéns pequena BRUNECA.
Buon compleanno dolce Bruna.
Happy birthday, dear Bruna.
Joyeux anniversaire, mon ami.

E que venha novos anos,
novos planos, 
novos vôos, 
novos mundos,
novos... momentos para nós. 

Beijos!!! 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O Pedido



__ Deixa!
__ Não!
__ Só um pouco.
__ Não posso.
__ Por que? 
__ Porque não é correto.
__ Ninguém precisa saber.
__ Eu não estou pensando nos outros. Estou pensando em mim. E eu não quero.
__ Você está sendo egoísta!
__ Que seja! Não quero e não vou.
__ Por favor! Só um pouco. Que custa?
__ Você não vai desistir, não é?
__ Não! Deixa?
__ Mas que chato! Está bem! Está bem! Pode fazer!
__ Sabia que você não era assim tão má.

E assim o Cansaço convence a Saudade de deixar a moça ir a Terra dos Sonhos onde amar é perfeitamente possível. 
(Waleska Zibetti, in "O Pedido")

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Charlotte Brontë - Em Jane Eyre



Charlotte Brontë em Jane Eyre nos faz refletir em suas dezenas de frases pensativas.
Texto leve, a frente de seu tempo, as irmãs inglesas faz jus ao respeito pelos livros escritos na sua época.

Ficha técnica

Nome: Charlotte Brontë.
Nascimento: 21 de abril de 1816 (ariana!! uhuh!) 31 de março de 1855.
Profissão: Escritora e poeta inglesa.
Cidade: Thornton, West Yorkshire - Reino Unido.
Romance mais conhecido: Jane Eyre (com o pseudónimo Currer Bell).
Curiosidade: Irmã mais velha de Emily Brontë (autora do O vento dos morros uivantes).
Morou em Bruxelas aonde em troca de comida e estudo, ela lecionava inglês.
Motivo por usar pseudo nome: "Não gostávamos da ideia de chamar a atenção, por isso escondemos os nossos nomes por detrás dos de Currer, Ellis e Acton Bell. A escolha ambígua foi ditada por uma espécie de escrúpulo criterioso segundo o qual assumimos nomes cristãos, claramente masculinos, já que que não gostamos de nos declarar mulheres, uma vez que naquela altura suspeitávamos que a nossa maneira de escrever e o nosso pensamento não eram aqueles que se podem considerar 'femininos'. Tínhamos a vaga impressão de que as escritoras são por vezes olhadas com preconceito e tínhamos reparado como os críticos por vezes as castigam com a arma da personalidade e as recompensam com lisonjas que, na verdade, não são elogios".



"Mesmo que o mundo inteiro detestasse você e a achasse má, se sua consciência a absolvesse de qualquer culpa,você não estaria sozinha..."


"Eu me lembrava de que o mundo real era vasto,e que uma quantidade enorme de esperanças e medos,de sensações e emoções , estava à espera daqueles que ousassem sair por ele afora,buscando,em meio a seus perigos,o verdadeiro conhecimento do que é a vida".




"É inútil dizer que os seres humanos deveriam satisfazer-se com uma vida tranquila.Eles precisão de ação.E se não a encontrarem,irão fazê-la acontecer."


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Meus Oito Anos

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.

Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;

O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor !

Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar

O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã

Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delicias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha, irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Pés descalços, braços nus,

Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas
Brincava beira do mar!

Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar !

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da, minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Abreu, Casemiro. "A Primavera" - Coletânia Vol I. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sob Olhar de Um Lisboeta





Ela estava tão cansada naquela noite. Os pensamentos como sempre a fervilhar centenas de bobagens que não a deixavam dormir. E ela, então,decidiu caminhar por aí. Dezenas de rostos sorriram para ela naquela noite, mas tinham risos vazios que nada diziam para ela. 

Era tarde. Uma chuva fininha caía sobre as vidraças das janelas. A solidão estava tornando-se incomoda. Nenhum poema, nem música, nenhum vinho... Nada para aliviar os pensamentos que a perturbava. E ela já voltava a casa quando um rosto dentre tantos chamou-lhe a atenção. Instintivamente aproximou-se- sempre fora curiosa. 

O rosto abriu-se em um sorriso bonachão. E o sorriso dele convidou o dela para caminhar lado a lado. Falaram tanto e por tanto tempo que ela esqueceu que o dia logo amanheceria com suas urgências de praxe. Mas o que importa o que virá no momento seguinte quando se está feliz? A felicidade nos dá a sensação de sermos atemporais. E ele a fazia feliz, única, eterna.

E ela repetia para si em silêncio "Encontrei-o... Oh, Deus, permita que sim". E ele a lia em seus gestos exatamente como tantas vezes ela pediu que alguém o fizesse. E ele a lia em seu olhar com a certeza de quem vivera nele desde o sempre. Era um conhecedor da alma dela, um perito naquela mulher que tantas vezes achou que não se enquadrava no mundo. "Estou sonhando... Oh, Deus, permita que eu não acorde, então. Deixe-me dormir o sono eterno"; ela seguia a pensar. 

Ela não se tinha dado conta de que os pensamentos ruins, tinham morrido sufocados pelos desejos e pensamentos de carinho que ele deu a ela de presente. E ela estava tão suave que já não sentia o peso da noite, das indagações, dos medos... Ele a levara para além de si. O sorriso antes de simpatia ganhara agora a força de um sorriso de quem fora docilmente tocado por um anjo. 

E em voz lusitana vem a declaração em fim:

"Teus olhos risonhos
são mundos, são sonhos,
são a minha cruz,
teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são raios de luz"

Ela suspira. O corpo estremece ao pensamento de que o dia poderia levar seus sonhos como tantas vezes já fizera. Mas ao contrário do que sempre fez, ela enfrentou o medo confessando-o. 

__ Estou com medo de você.
__ Minha idade a assusta?
__ Não. Sua idade é perfeita. Meu medo é apaixonar-me.
__ Quer que não lhe fale mais de meus sentimentos?
__ Não. Quero que me diga se posso.
__ Pode. 

E sem que ele visse, dos tais olhos castanho brotou uma lágrima. Era o medo escorrendo pelo rosto para morrer nas palavras que ela disse, enfim.

__ Então, não vou temer. Vou me entregar. Eu quero e vou me apaixonar por você. 

O que acontecerá com eles, nós nunca saberemos. O dia amanheceu e os levou por aí. Acho que ela viverá um conto de fadas ao som de um fado. Acho que ele remoçará embebido na jovialidade dela. E nós, leitores e expectadores, ficaremos aqui esperançosos de que tudo isso chegue até nós em deliciosas poesias de amor.
(Waleska Zibetti, in "Sob Olhar de Um Lisboeta")

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Insana



Estou lá novamente... Naquele lugar tão conhecido por mim. Como odeio esse estado letárgico de pensar a minha funcionalidade. Acho que é esse meu erro sempre querer ser funcional. Ser humano não é funcional! Não faz sentido. Ou faz?

Que inferno! São trezentos pensamentos surgindo por segundo e eu penso que não suportarei por muito tempo tanto pensar. Há dias em que vou ao mar para mergulhar e sentir o silêncio que há embaixo d'água. Acho que todo mundo deveria ir a algum lugar onde não fosse possível ouvir nada além do som do fluxo sanguíneo. Pior que sei que ainda assim vozes invadiriam meus pensamentos me roubando o direito de estar em silêncio. 

Quando fico assim, sinto muito sono. E tudo fica extremamente irritante. Então, eu fecho os olhos, e diante da impossibilidade do mar, mergulho em mim. Eu sou um mar abissal. Escuro, misterioso, profundo, surpreendente e monstruoso. E as pessoas não entendem isso. Acham estranho. E tudo que é estranho é loucura aos olhos ignorantes. 

Se sou louca posso tudo... Uma menina feliz colhe pensamentos numa macieira. Alguns ela coloca gentilmente num pequeno cesto de vime e outros ela arremessa no rio próximo. Os pensamentos rodopiam na superfície do rio por algum tempo, mas logo mergulham e somem na água corredeira. E ela nem perde tempo para olhar os pensamentos que o rio leva, colhe logo mais um vermelhinho lá no topo. A menina morde um dos pensamentos e o meu peito dói, quase grito aquela dor enorme. Meu peito sangra e ela resmunga de boca cheia: 

__ Que delícia é a maçã-do-amor!

Já não sinto a segunda mordida. A dor virou lugar comum. E chega a ser bonita a fome da menina. E lá vai ela correndo a beira do rio com  uma cesta cheia com meus pensamentos. Que fará com eles? Ela pára e põe a mão na cintura com posse autoritária. 

__ Que farei com eles? - admira-se. - Que pergunta mais idiota! Vou comê-los com café. O que mais se pode fazer com pensamentos colhidos? 

E segue por fim seu caminho saltitando e cantarolando uma cantiga de roda. Ainda bem que tenho você, menina. - penso a observá-la e ela me ignora. Respiro fundo e olho o céu que aos poucos fica cinza. 

__ É que hoje vai chover. 
__ E quem é você?
__ Sua vontade de chorar.
__ Eu não quero chorar. 
__ Não ainda, mas vai. Se você chora, aqui chove. 
__ Mas não vou chorar.
__ Você tem!
__ Por que?
__ Para nascer as flores poéticas do jardim. 
__ As coisas começaram a perder o sentido para mim.
__ Alguma vez isso tudo fez sentido para você?

Como algo tão pequeno podia me incomodar daquele jeito. Eu não sei quando comecei a escrever e nem porque exatamente. Acho que foi quando percebi que pensava demais. Eu precisava prender alguns pensamentos no papel para que eles me deixassem quieta. E nunca fez sentido mesmo nenhuma palavra minha. Eu sempre achei estranho essa mania de escrever até em parede quando a vontade vem. 

__ Você está certo. Nunca fez sentido!

Estou perdida aqui! Eu não sei nem como vim nem como sair. Que devo fazer? Você não sabe, não é? Ninguém sabe! Eu que tenho que encontrar o caminho. Parar de pensar. Deixar os pensamentos perderem-se entre as folhas da macieira. E ir. Ir além de mim. Ou será que já estou além de mim? Tudo continua sem sentido. Não há razão para o que escrevo menos ainda há razão em você que lê tudo isso. Mas estamos juntos. Inquietamente juntos. Você ao ler-me me invade e eu faço o mesmo nesse minuto. A diferença é que não pensarei em você a não ser agora que você nem está aqui, mas é tão concreto em mim. E você pensará em mim, bem ou mal, mas pensará sabendo quem sou, meu nome, meu rosto... Sabe o que mais é interessante? Você sabe quem sou eu, mas não sabe quem é você. Estranho, né? E sabe o que é menos sensato nisso tudo? Você não consegue parar de ler porque precisa, com sua lucidez, ou encontrar um porquê ou encontrar um fim. Mas não tem fim. Eu vou escrever sem propósito e a menina vai jogar os pensamentos no rio e nada fará sentido e você... Você ainda vai continuar a pensar em mim mesmo quando eu me esquecer de você.
(Waleska Zibetti, in "Insana")

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Karl Marx - utópico



Por Gabriella Gilmore

“Não se trata de interpretar diferentemente o mundo, mas de transformá-lo”.

Karl Marx e seu pensamento de um mundo mais justo.

Karl Marx foi um idealista, economista, cientista social e revolucionário socialista do século XIX. Cursou Filosofia, Direito e História. Trabalhou na juventude como jornalista em Colônia, assinando artigos racial-democratas que irritaram grandemente as autoridades do país. Chegou a ser expulso de vários países europeus por conta de seu radicalismo. Era o principal inimigo do Capitalismo e dizia que este era o principal responsável pela desorientação humana.
Teve por um bom tempo, o filósofo Hegel como seu mentor, e em conjunto com seu grande amigo Engels, publicaram o “Manifesto do Partido Comunista”, um conjunto afirmativo de idéias de ‘verdades’ em que os revolucionários da época acreditavam.
Marx pensava muito sobre as questões econômicas da época, as injustiças salariais, pessoas trabalhando muito para obter pouco, exploração no trabalho e por ser um estudante com idéias de revolução, foi criando teorias e pensamentos sobre aquele sistema Capitalista.
Ele defendia a idéia materialista de que tais condições materiais de vida numa sociedade determinava nosso pensamento e nossa consciência. As condições materiais eram decisivas também para a evolução da história. Karl Marx pensava que o que era moralmente correto era produto da base social, pois antigamente os pais escolhiam para os filhos com quem iriam se casar, afinal, tratava-se também de quem herdaria as terras. Ele ainda afirmava que em geral era a classe dominante numa sociedade que determinava o que era certo ou errado, pois para ele toda a história era uma luta de classes.
Quando falamos sobre materialismo, ser uma pessoa materialista, não significa que esta só pensa em bens materiais, como se a única coisa que realmente tivesse importância é o que você possui com o dinheiro, porém, Marx dizia que os homens deveriam estar em condições para poder viver a fim de fazer história, além disso, falava que para viver era necessário beber, comer, ter um local para morar, vestir-se etc.
Muitas pessoas tinham essa consciência, e a todo custo faziam para que a renda que obtivessem trabalhando ou explorando, fosse maior, e com esse movimento automático, as pessoas não refletiam sobre as conseqüências que isso gerava. 
Para produzir os meios para suprir nossas necessidades materiais, precisamos organizar-nos socialmente, estabelecendo relações sociais. Para nos alimentarmos, precisamos matar um animal, para mobiliar uma casa precisamos destruir árvores, queimá-las, poluindo assim o meio ambiente, dentre outras questões. O ser humano acaba querendo dominar as condições naturais, e esse ato de produção gera novas necessidades.
Marx e Engels enfatizavam que a classe que detém o poder material numa dada sociedade era também a potência política e espiritual dominante.
Se analisarmos o contexto histórico, nos primórdios, perceberemos que havia um espírito de coletivismo: todos compartilhavam da mesma terra, não havia propriedade privada; até a caça era compartilhada por todos. Eles se preocupavam um com os outros. Com o passar do tempo, o homem e suas descobertas territoriais, acabou tornando inevitáveis as colonizações, portanto, o escravismo por conta da ambição. Depois é implantado o sistema feudal, e mais adiante com a Revolução Industrial, surge à classe do proletariado.
Karl Marx dizia que a história da humanidade seria constituída por uma permanente luta de classes, classes essas que para Engels são “os produtos das relações econômicas da sua época.” Sabemos que a base da sociedade é a produção econômica, e Marx queria a inversão da pirâmide social, que ainda era o capitalismo (patrões) no topo e o proletariado (trabalhador alienado) abaixo. Se o trabalhador tivesse no comando, seria a única força capaz de destruir a sociedade capitalista, para assim construir uma nova sociedade, Socialista.
Marx tentou demonstrar que no Capitalismo sempre haveria injustiça social, e que o único jeito de uma pessoa ficar rica, seria explorando os trabalhadores, pois o operário produz mais para seu patrão do que para seu próprio sustento, gerando assim lucro (mais-valia) para a indústria.
Marx morreu tentando mostrar para a sociedade que a coletividade seria mais justa, que a alienação gerava um trabalho escravo e que no Capitalismo sempre haveria injustiças.
Apesar de ter sido ignorado por estudiosos da sua época, Marx foi um dos pensadores que mais influenciaram a história do mundo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Poema à boca fechada

 
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

Saramago, José. Os Poemas Possíveis, Lisboa, Editorial Caminho, 1981

domingo, 8 de fevereiro de 2015

A vida é uma eterna escola



A vida é uma eterna escola 
Por Gabriella Gilmore 

Descobri que a humanidade está adoecendo.
Que crianças já crescem estressadas e materialistas.
Pessoas que se ferem por inveja, destruindo a si mesmas e a todos os que vivem ao seu redor.
Pessoas que agem o tempo todo se fazendo de coitados nunca conseguirão respeito. 
No máximo, um olhar de pena.
Aprendi que quanto mais culto você tenta ser, mais ignorância e fraqueza demonstra.
Descobri que a hipocrisia mora ao lado e que ela existe por falta de conhecimento, mas que pode ser quebrada com a humildade e tolerância.
Descobri que a mais doce pessoa pode esconder o mais puro veneno. 
A venenosa pode estar querendo ser aceita como é e estar disposta a mudar.
E algumas que são doces podem nos causar náuseas.
Mas aprendi que a maior sabedoria é saber ouvir e enxergar com os olhos do coração a verdade interior de cada ser.
Descobri que o auto-entendimento  e a autocrítica nos faz uma pessoa mais pacifista.
Aprendi, também, que o tempero do ser humano quase perfeito consiste em ser crítico, analítico e racional e que a maior desgraça dele é achar que sabe tudo, sendo que não sabe quase nada.
Descobri que o calado vence, que a dissensão gera dissensão e que a oração dos sábios é o silêncio.
Aprendi que “as guerras, a discriminação, as disputas comerciais predatórias e o terrorismo são frutos da autodestruição de uma espécie que não conhece o funcionamento da sua mente e não honra a arte de pensar.” (Cury 2004)
Descobri que as escolas têm criado robôs e que têm podado o raciocínio “ilógico” dos alunos, sendo que foi num erro que Einstein virou um gênio.
Descobri que as pessoas têm sede de aprender mais sobre a vida, que preferem as aulas na prática do que as horas intermináveis de aulas mecanizadas.
Aprendi que impor idéias gera desavenças, e que expor idéias gera mentes abertas.
Descobri que as pessoas mentem porque temem a veracidade da verdade e mentem duas vezes, para si e também para outros.
Aprendi o valor da compreensão. 
Que ela te dá forças para renascer das cinzas, e não há nada melhor quando há alguém que acredita em você, que sonha com você.
Aprendi a entender que nossos pais não nos deram tudo o que queríamos, mas nos deram tudo o que puderam nos dar. Aprendi a suportar os “nãos”deles, pois os “nãos”de quem nos ama irá nos preparar para os “nãos” da vida. 
Descobri que os fracos condenam e julgam, mas os fortes perdoam e compreendem.
Descobri que posso ser uma pessoa melhor a cada dia, com cada erro assumido, com cada experiência vivida, e que da mesma forma que Deus não desistiu de mim, não desistirei de lutar para humanizar as pessoas ao meu redor, porque enquanto uns pensam que o futuro só tende a piorar, acredito que melhorando o meu mundo, posso refletir isso nas pessoas que convivem comigo.

Passe adiante.