sábado, 14 de fevereiro de 2015

Charlotte Brontë - Em Jane Eyre



Charlotte Brontë em Jane Eyre nos faz refletir em suas dezenas de frases pensativas.
Texto leve, a frente de seu tempo, as irmãs inglesas faz jus ao respeito pelos livros escritos na sua época.

Ficha técnica

Nome: Charlotte Brontë.
Nascimento: 21 de abril de 1816 (ariana!! uhuh!) 31 de março de 1855.
Profissão: Escritora e poeta inglesa.
Cidade: Thornton, West Yorkshire - Reino Unido.
Romance mais conhecido: Jane Eyre (com o pseudónimo Currer Bell).
Curiosidade: Irmã mais velha de Emily Brontë (autora do O vento dos morros uivantes).
Morou em Bruxelas aonde em troca de comida e estudo, ela lecionava inglês.
Motivo por usar pseudo nome: "Não gostávamos da ideia de chamar a atenção, por isso escondemos os nossos nomes por detrás dos de Currer, Ellis e Acton Bell. A escolha ambígua foi ditada por uma espécie de escrúpulo criterioso segundo o qual assumimos nomes cristãos, claramente masculinos, já que que não gostamos de nos declarar mulheres, uma vez que naquela altura suspeitávamos que a nossa maneira de escrever e o nosso pensamento não eram aqueles que se podem considerar 'femininos'. Tínhamos a vaga impressão de que as escritoras são por vezes olhadas com preconceito e tínhamos reparado como os críticos por vezes as castigam com a arma da personalidade e as recompensam com lisonjas que, na verdade, não são elogios".



"Mesmo que o mundo inteiro detestasse você e a achasse má, se sua consciência a absolvesse de qualquer culpa,você não estaria sozinha..."


"Eu me lembrava de que o mundo real era vasto,e que uma quantidade enorme de esperanças e medos,de sensações e emoções , estava à espera daqueles que ousassem sair por ele afora,buscando,em meio a seus perigos,o verdadeiro conhecimento do que é a vida".




"É inútil dizer que os seres humanos deveriam satisfazer-se com uma vida tranquila.Eles precisão de ação.E se não a encontrarem,irão fazê-la acontecer."


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Meus Oito Anos

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.

Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;

O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor !

Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar

O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã

Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delicias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha, irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Pés descalços, braços nus,

Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas
Brincava beira do mar!

Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar !

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da, minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Abreu, Casemiro. "A Primavera" - Coletânia Vol I. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sob Olhar de Um Lisboeta





Ela estava tão cansada naquela noite. Os pensamentos como sempre a fervilhar centenas de bobagens que não a deixavam dormir. E ela, então,decidiu caminhar por aí. Dezenas de rostos sorriram para ela naquela noite, mas tinham risos vazios que nada diziam para ela. 

Era tarde. Uma chuva fininha caía sobre as vidraças das janelas. A solidão estava tornando-se incomoda. Nenhum poema, nem música, nenhum vinho... Nada para aliviar os pensamentos que a perturbava. E ela já voltava a casa quando um rosto dentre tantos chamou-lhe a atenção. Instintivamente aproximou-se- sempre fora curiosa. 

O rosto abriu-se em um sorriso bonachão. E o sorriso dele convidou o dela para caminhar lado a lado. Falaram tanto e por tanto tempo que ela esqueceu que o dia logo amanheceria com suas urgências de praxe. Mas o que importa o que virá no momento seguinte quando se está feliz? A felicidade nos dá a sensação de sermos atemporais. E ele a fazia feliz, única, eterna.

E ela repetia para si em silêncio "Encontrei-o... Oh, Deus, permita que sim". E ele a lia em seus gestos exatamente como tantas vezes ela pediu que alguém o fizesse. E ele a lia em seu olhar com a certeza de quem vivera nele desde o sempre. Era um conhecedor da alma dela, um perito naquela mulher que tantas vezes achou que não se enquadrava no mundo. "Estou sonhando... Oh, Deus, permita que eu não acorde, então. Deixe-me dormir o sono eterno"; ela seguia a pensar. 

Ela não se tinha dado conta de que os pensamentos ruins, tinham morrido sufocados pelos desejos e pensamentos de carinho que ele deu a ela de presente. E ela estava tão suave que já não sentia o peso da noite, das indagações, dos medos... Ele a levara para além de si. O sorriso antes de simpatia ganhara agora a força de um sorriso de quem fora docilmente tocado por um anjo. 

E em voz lusitana vem a declaração em fim:

"Teus olhos risonhos
são mundos, são sonhos,
são a minha cruz,
teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são raios de luz"

Ela suspira. O corpo estremece ao pensamento de que o dia poderia levar seus sonhos como tantas vezes já fizera. Mas ao contrário do que sempre fez, ela enfrentou o medo confessando-o. 

__ Estou com medo de você.
__ Minha idade a assusta?
__ Não. Sua idade é perfeita. Meu medo é apaixonar-me.
__ Quer que não lhe fale mais de meus sentimentos?
__ Não. Quero que me diga se posso.
__ Pode. 

E sem que ele visse, dos tais olhos castanho brotou uma lágrima. Era o medo escorrendo pelo rosto para morrer nas palavras que ela disse, enfim.

__ Então, não vou temer. Vou me entregar. Eu quero e vou me apaixonar por você. 

O que acontecerá com eles, nós nunca saberemos. O dia amanheceu e os levou por aí. Acho que ela viverá um conto de fadas ao som de um fado. Acho que ele remoçará embebido na jovialidade dela. E nós, leitores e expectadores, ficaremos aqui esperançosos de que tudo isso chegue até nós em deliciosas poesias de amor.
(Waleska Zibetti, in "Sob Olhar de Um Lisboeta")

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Insana



Estou lá novamente... Naquele lugar tão conhecido por mim. Como odeio esse estado letárgico de pensar a minha funcionalidade. Acho que é esse meu erro sempre querer ser funcional. Ser humano não é funcional! Não faz sentido. Ou faz?

Que inferno! São trezentos pensamentos surgindo por segundo e eu penso que não suportarei por muito tempo tanto pensar. Há dias em que vou ao mar para mergulhar e sentir o silêncio que há embaixo d'água. Acho que todo mundo deveria ir a algum lugar onde não fosse possível ouvir nada além do som do fluxo sanguíneo. Pior que sei que ainda assim vozes invadiriam meus pensamentos me roubando o direito de estar em silêncio. 

Quando fico assim, sinto muito sono. E tudo fica extremamente irritante. Então, eu fecho os olhos, e diante da impossibilidade do mar, mergulho em mim. Eu sou um mar abissal. Escuro, misterioso, profundo, surpreendente e monstruoso. E as pessoas não entendem isso. Acham estranho. E tudo que é estranho é loucura aos olhos ignorantes. 

Se sou louca posso tudo... Uma menina feliz colhe pensamentos numa macieira. Alguns ela coloca gentilmente num pequeno cesto de vime e outros ela arremessa no rio próximo. Os pensamentos rodopiam na superfície do rio por algum tempo, mas logo mergulham e somem na água corredeira. E ela nem perde tempo para olhar os pensamentos que o rio leva, colhe logo mais um vermelhinho lá no topo. A menina morde um dos pensamentos e o meu peito dói, quase grito aquela dor enorme. Meu peito sangra e ela resmunga de boca cheia: 

__ Que delícia é a maçã-do-amor!

Já não sinto a segunda mordida. A dor virou lugar comum. E chega a ser bonita a fome da menina. E lá vai ela correndo a beira do rio com  uma cesta cheia com meus pensamentos. Que fará com eles? Ela pára e põe a mão na cintura com posse autoritária. 

__ Que farei com eles? - admira-se. - Que pergunta mais idiota! Vou comê-los com café. O que mais se pode fazer com pensamentos colhidos? 

E segue por fim seu caminho saltitando e cantarolando uma cantiga de roda. Ainda bem que tenho você, menina. - penso a observá-la e ela me ignora. Respiro fundo e olho o céu que aos poucos fica cinza. 

__ É que hoje vai chover. 
__ E quem é você?
__ Sua vontade de chorar.
__ Eu não quero chorar. 
__ Não ainda, mas vai. Se você chora, aqui chove. 
__ Mas não vou chorar.
__ Você tem!
__ Por que?
__ Para nascer as flores poéticas do jardim. 
__ As coisas começaram a perder o sentido para mim.
__ Alguma vez isso tudo fez sentido para você?

Como algo tão pequeno podia me incomodar daquele jeito. Eu não sei quando comecei a escrever e nem porque exatamente. Acho que foi quando percebi que pensava demais. Eu precisava prender alguns pensamentos no papel para que eles me deixassem quieta. E nunca fez sentido mesmo nenhuma palavra minha. Eu sempre achei estranho essa mania de escrever até em parede quando a vontade vem. 

__ Você está certo. Nunca fez sentido!

Estou perdida aqui! Eu não sei nem como vim nem como sair. Que devo fazer? Você não sabe, não é? Ninguém sabe! Eu que tenho que encontrar o caminho. Parar de pensar. Deixar os pensamentos perderem-se entre as folhas da macieira. E ir. Ir além de mim. Ou será que já estou além de mim? Tudo continua sem sentido. Não há razão para o que escrevo menos ainda há razão em você que lê tudo isso. Mas estamos juntos. Inquietamente juntos. Você ao ler-me me invade e eu faço o mesmo nesse minuto. A diferença é que não pensarei em você a não ser agora que você nem está aqui, mas é tão concreto em mim. E você pensará em mim, bem ou mal, mas pensará sabendo quem sou, meu nome, meu rosto... Sabe o que mais é interessante? Você sabe quem sou eu, mas não sabe quem é você. Estranho, né? E sabe o que é menos sensato nisso tudo? Você não consegue parar de ler porque precisa, com sua lucidez, ou encontrar um porquê ou encontrar um fim. Mas não tem fim. Eu vou escrever sem propósito e a menina vai jogar os pensamentos no rio e nada fará sentido e você... Você ainda vai continuar a pensar em mim mesmo quando eu me esquecer de você.
(Waleska Zibetti, in "Insana")

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Karl Marx - utópico



Por Gabriella Gilmore

“Não se trata de interpretar diferentemente o mundo, mas de transformá-lo”.

Karl Marx e seu pensamento de um mundo mais justo.

Karl Marx foi um idealista, economista, cientista social e revolucionário socialista do século XIX. Cursou Filosofia, Direito e História. Trabalhou na juventude como jornalista em Colônia, assinando artigos racial-democratas que irritaram grandemente as autoridades do país. Chegou a ser expulso de vários países europeus por conta de seu radicalismo. Era o principal inimigo do Capitalismo e dizia que este era o principal responsável pela desorientação humana.
Teve por um bom tempo, o filósofo Hegel como seu mentor, e em conjunto com seu grande amigo Engels, publicaram o “Manifesto do Partido Comunista”, um conjunto afirmativo de idéias de ‘verdades’ em que os revolucionários da época acreditavam.
Marx pensava muito sobre as questões econômicas da época, as injustiças salariais, pessoas trabalhando muito para obter pouco, exploração no trabalho e por ser um estudante com idéias de revolução, foi criando teorias e pensamentos sobre aquele sistema Capitalista.
Ele defendia a idéia materialista de que tais condições materiais de vida numa sociedade determinava nosso pensamento e nossa consciência. As condições materiais eram decisivas também para a evolução da história. Karl Marx pensava que o que era moralmente correto era produto da base social, pois antigamente os pais escolhiam para os filhos com quem iriam se casar, afinal, tratava-se também de quem herdaria as terras. Ele ainda afirmava que em geral era a classe dominante numa sociedade que determinava o que era certo ou errado, pois para ele toda a história era uma luta de classes.
Quando falamos sobre materialismo, ser uma pessoa materialista, não significa que esta só pensa em bens materiais, como se a única coisa que realmente tivesse importância é o que você possui com o dinheiro, porém, Marx dizia que os homens deveriam estar em condições para poder viver a fim de fazer história, além disso, falava que para viver era necessário beber, comer, ter um local para morar, vestir-se etc.
Muitas pessoas tinham essa consciência, e a todo custo faziam para que a renda que obtivessem trabalhando ou explorando, fosse maior, e com esse movimento automático, as pessoas não refletiam sobre as conseqüências que isso gerava. 
Para produzir os meios para suprir nossas necessidades materiais, precisamos organizar-nos socialmente, estabelecendo relações sociais. Para nos alimentarmos, precisamos matar um animal, para mobiliar uma casa precisamos destruir árvores, queimá-las, poluindo assim o meio ambiente, dentre outras questões. O ser humano acaba querendo dominar as condições naturais, e esse ato de produção gera novas necessidades.
Marx e Engels enfatizavam que a classe que detém o poder material numa dada sociedade era também a potência política e espiritual dominante.
Se analisarmos o contexto histórico, nos primórdios, perceberemos que havia um espírito de coletivismo: todos compartilhavam da mesma terra, não havia propriedade privada; até a caça era compartilhada por todos. Eles se preocupavam um com os outros. Com o passar do tempo, o homem e suas descobertas territoriais, acabou tornando inevitáveis as colonizações, portanto, o escravismo por conta da ambição. Depois é implantado o sistema feudal, e mais adiante com a Revolução Industrial, surge à classe do proletariado.
Karl Marx dizia que a história da humanidade seria constituída por uma permanente luta de classes, classes essas que para Engels são “os produtos das relações econômicas da sua época.” Sabemos que a base da sociedade é a produção econômica, e Marx queria a inversão da pirâmide social, que ainda era o capitalismo (patrões) no topo e o proletariado (trabalhador alienado) abaixo. Se o trabalhador tivesse no comando, seria a única força capaz de destruir a sociedade capitalista, para assim construir uma nova sociedade, Socialista.
Marx tentou demonstrar que no Capitalismo sempre haveria injustiça social, e que o único jeito de uma pessoa ficar rica, seria explorando os trabalhadores, pois o operário produz mais para seu patrão do que para seu próprio sustento, gerando assim lucro (mais-valia) para a indústria.
Marx morreu tentando mostrar para a sociedade que a coletividade seria mais justa, que a alienação gerava um trabalho escravo e que no Capitalismo sempre haveria injustiças.
Apesar de ter sido ignorado por estudiosos da sua época, Marx foi um dos pensadores que mais influenciaram a história do mundo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Poema à boca fechada

 
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

Saramago, José. Os Poemas Possíveis, Lisboa, Editorial Caminho, 1981

domingo, 8 de fevereiro de 2015

A vida é uma eterna escola



A vida é uma eterna escola 
Por Gabriella Gilmore 

Descobri que a humanidade está adoecendo.
Que crianças já crescem estressadas e materialistas.
Pessoas que se ferem por inveja, destruindo a si mesmas e a todos os que vivem ao seu redor.
Pessoas que agem o tempo todo se fazendo de coitados nunca conseguirão respeito. 
No máximo, um olhar de pena.
Aprendi que quanto mais culto você tenta ser, mais ignorância e fraqueza demonstra.
Descobri que a hipocrisia mora ao lado e que ela existe por falta de conhecimento, mas que pode ser quebrada com a humildade e tolerância.
Descobri que a mais doce pessoa pode esconder o mais puro veneno. 
A venenosa pode estar querendo ser aceita como é e estar disposta a mudar.
E algumas que são doces podem nos causar náuseas.
Mas aprendi que a maior sabedoria é saber ouvir e enxergar com os olhos do coração a verdade interior de cada ser.
Descobri que o auto-entendimento  e a autocrítica nos faz uma pessoa mais pacifista.
Aprendi, também, que o tempero do ser humano quase perfeito consiste em ser crítico, analítico e racional e que a maior desgraça dele é achar que sabe tudo, sendo que não sabe quase nada.
Descobri que o calado vence, que a dissensão gera dissensão e que a oração dos sábios é o silêncio.
Aprendi que “as guerras, a discriminação, as disputas comerciais predatórias e o terrorismo são frutos da autodestruição de uma espécie que não conhece o funcionamento da sua mente e não honra a arte de pensar.” (Cury 2004)
Descobri que as escolas têm criado robôs e que têm podado o raciocínio “ilógico” dos alunos, sendo que foi num erro que Einstein virou um gênio.
Descobri que as pessoas têm sede de aprender mais sobre a vida, que preferem as aulas na prática do que as horas intermináveis de aulas mecanizadas.
Aprendi que impor idéias gera desavenças, e que expor idéias gera mentes abertas.
Descobri que as pessoas mentem porque temem a veracidade da verdade e mentem duas vezes, para si e também para outros.
Aprendi o valor da compreensão. 
Que ela te dá forças para renascer das cinzas, e não há nada melhor quando há alguém que acredita em você, que sonha com você.
Aprendi a entender que nossos pais não nos deram tudo o que queríamos, mas nos deram tudo o que puderam nos dar. Aprendi a suportar os “nãos”deles, pois os “nãos”de quem nos ama irá nos preparar para os “nãos” da vida. 
Descobri que os fracos condenam e julgam, mas os fortes perdoam e compreendem.
Descobri que posso ser uma pessoa melhor a cada dia, com cada erro assumido, com cada experiência vivida, e que da mesma forma que Deus não desistiu de mim, não desistirei de lutar para humanizar as pessoas ao meu redor, porque enquanto uns pensam que o futuro só tende a piorar, acredito que melhorando o meu mundo, posso refletir isso nas pessoas que convivem comigo.

Passe adiante.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Borboleta




Era tarde de um dia chato e os dois olhavam o dia morrer descompromissadamente. Tudo era preguiçoso. Talvez fosse o calor. 

__ Um dia ainda serei borboleta!

Falou ela como se aquilo fizesse todo o sentido do mundo. E depois respirou fundo, tornando a olhar o nada. Ele então, como que desperto de um transe, encarou o rosto dela com enorme estranheza e condenação. 

__ E você só viverá 24 horas.

Ela olhou-o sorrindo e seus olhos tinham inocência pueril. 

__ Serão as melhores 24 horas que já vivi. 

Ele não tinha mais argumentos diante de tantos sonhos. 
(Waleska Zibetti, in "Borboleta")

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Roteirista de Gilmore Girls



Por Gabriella Lima

Amy Sherman-Palladino (Gilmore talk)

Nossa! Falar de um seriado que a gente simplesmente ama não é tarefa tão fácil, acredite.
Primeiro: a gente acaba sendo suspeito. Segundo: a série pode não ser conhecida no Brasil, e por último: ela teve os últimos episódios gravados em 2007. Sim, ela é antiga mas atemporal. Por isso estou aqui, mais uma vez, para comentar de Gilmore girls – Tal mãe, tal filha, mas em particular, sobre a criadora da série, a roteirista Amy Sherman-Palladino.

Espia o post antigo no qual apresentei a série:
http://introspectors.blogspot.com.br/2011/04/tal-mae-tal-filha-gilmore-girls.html

Esses dias eu estava comentando com uma amiga sobre seriados que ficam na história, como: Friends, Full house, Seinfeld,  Beverly Hills 90210, dentre outros que foram precursores na década de 90 e que abriram portas para demais sitcoms inesquecíveis e que até hoje são vendidos boxes e reprisados.
Todos acima citados, e como a grande maioria, exageram no clichê, o que nos dá aquela impressão de que já vimos essa história e de que já sei o final.
Com esse todo bla bla bla, na verdade eu quero entrar em um detalhe curioso, e o que me fez admirar demais o trabalho da Amy, em Gilmore girls, porque ela conseguiu criar novos enredos no qual a gente não poderia imaginar, porque não seria exatamente algo televisivo, e foi ai que ela acertou.
Ontem eu terminei mais uma vez de rever a série, e o fascinante, é que você espera um final feliz, desses em que o cara fica com a mocinha, e a filha se forma, tem o emprego dos sonhos e se casa com um ricão.
Errado.
A independência das personagens de Amy é tão verdadeiro, que pode ser parecido com a vida da sua tia solteira, da vizinha namoradeira, ou da prima encalhada.
A personagem de Lorelai, revoltada na forma mais sadia possível, foi criada com muito louvor. E toda a relação dela com seus pais, e com sua filha, é o mais perto do real que eu já consegui ver em qualquer seriado estrangeiro, modinha ou não.
A série em nenhum momento foi corrompida para se adequar a públicos, e isso fez dela um referencial.
A pegada de Sherman-Palladino, que dividia o roteiro juntamente com seu esposo, vem dos textos rápidos, sarcásticos, com drama e comédia juntas. Quando se fala de script que vai abordar um relacionamento entre mãe e filha, logo a gente imagina em algo forçado, cheio de moralidade, aflitos repetitivos e diálogos óbvios demais, porém os textos de Amy são extraordinários, leves, inspiradores, inesperados e super criativos. Sei que ela já trabalhou com textos para o seriado Veronica’s closet e agora está com uma nova série chamada Bunheads, mas confesso que não sei muito sobre eles, e fico até com medo de acompanhar e me decepcionar, porque todo gênio sempre vai ser gênio por algo em específico, sem repetição, e o grande marco dela está ali, nas falas movidas a café das garotas Gilmore.
Quero te convidar a mergulhar em Stars Hollow, mesmo que um pouco tarde, para que possamos tomar um café e conversarmos sobre genialidades como esta, e pegar de exemplo o bom humor das personagens e a independência, de que viver conforme os preceitos da sociedade além de ser chato, é artificial. Libere o que existe dentro de você de mais verdadeiro e seja uma Gilmore girl também!!!!
#Cheers!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Meu Primeiro Amor


__ Eu queria tanto que não fosse assim. Já fiz tudo para não ser. Mas não consigo. Existe e independe de mim. 
__ Então...
__ Eu te amo!
__ Você não gosta disso, não é?
__ Dói! Dói demais. E eu já chorei tantas vezes por causa desse sentimento. Mas não sei tirar daqui. Eu não consigo!!!
__ Por que você me ama?
__ Eu não sei. Eu não sei explicar você em mim. Eu não sei o que é isso. Só sei que você está aqui e o peito dói demais. Todavia, longe de você ele dói demais na dependência de lhe ver. Eu preciso saber de você para poder dormir em paz.
__ O que tenho que faz você me amar?
__ Não sei! E talvez amar seja isso, só sentir sem explicar. Sei que quando levanto, penso em você. E durante o dia. E quando vou dormir. E mesmo quando brigo e sumo. Quando eu decido me apaixonar por outra pessoa. É uma idiotice minha! Porque você é o corpo que eu abraço e a boca que eu beijo. E eu nunca vou conseguir ser feliz com ninguém. Ninguém nunca vai me completar. Porque eu não sei amar outro alguém. Você está tão em mim que já não sei onde eu começo e você termina. Nunca entenderei isso, não é?
__ Não sei!
__ Sei que você não sente o mesmo. E talvez nunca vá sentir. Acho que é possível alguém amar sozinho. Só queria que não doesse tanto. E que uma por uma vez...
__ O que?
__ Pudesse ser. Eu queria só poder uma vez ter você para mim. Nem que fosse para morrer de amor depois. E talvez morrer de amor ou enlouquecer por ele seja nobre ou, pelo menos, me dê uma razão. 
__ Não brinca mais de ir embora.
__ Desisti. Eu não sei mais o caminho da saída. 
__ Tudo de mais intenso que vivi foi com você.
__ Tudo de melhor em mim veio de você. A vida nunca explica o porquê de sentirmos algo por alguém. Nós buscamos conforto na religião, na psicanálise, na arte... Qualquer coisa que nos deixe perto de um porque para o que não tem por que.  Você finalmente me ensinou a amar, e que eu entendi que amar dói. E muitas vezes você doeu em mim. E dói. Perguntei-me o que você tem que apesar de tudo eu ainda estou aqui. Eu nunca soube me responder. Repeti para mim inúmeras vezes que sou uma burra completa. Mas quis Deus que eu gostasse de você. E eu gosto muito. Gosto que dói! Você foi única pessoa que me fez e me viu chorar. A vida não explica sentimentos, só nos dá. E cabe a nós senti-los. Posso não vê-lo nunca mais. Mas te amar será para sempre!

Silêncio...
(Waleska Zibetti, in "Meu Primeiro Amor")