terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Karl Marx - utópico



Por Gabriella Gilmore

“Não se trata de interpretar diferentemente o mundo, mas de transformá-lo”.

Karl Marx e seu pensamento de um mundo mais justo.

Karl Marx foi um idealista, economista, cientista social e revolucionário socialista do século XIX. Cursou Filosofia, Direito e História. Trabalhou na juventude como jornalista em Colônia, assinando artigos racial-democratas que irritaram grandemente as autoridades do país. Chegou a ser expulso de vários países europeus por conta de seu radicalismo. Era o principal inimigo do Capitalismo e dizia que este era o principal responsável pela desorientação humana.
Teve por um bom tempo, o filósofo Hegel como seu mentor, e em conjunto com seu grande amigo Engels, publicaram o “Manifesto do Partido Comunista”, um conjunto afirmativo de idéias de ‘verdades’ em que os revolucionários da época acreditavam.
Marx pensava muito sobre as questões econômicas da época, as injustiças salariais, pessoas trabalhando muito para obter pouco, exploração no trabalho e por ser um estudante com idéias de revolução, foi criando teorias e pensamentos sobre aquele sistema Capitalista.
Ele defendia a idéia materialista de que tais condições materiais de vida numa sociedade determinava nosso pensamento e nossa consciência. As condições materiais eram decisivas também para a evolução da história. Karl Marx pensava que o que era moralmente correto era produto da base social, pois antigamente os pais escolhiam para os filhos com quem iriam se casar, afinal, tratava-se também de quem herdaria as terras. Ele ainda afirmava que em geral era a classe dominante numa sociedade que determinava o que era certo ou errado, pois para ele toda a história era uma luta de classes.
Quando falamos sobre materialismo, ser uma pessoa materialista, não significa que esta só pensa em bens materiais, como se a única coisa que realmente tivesse importância é o que você possui com o dinheiro, porém, Marx dizia que os homens deveriam estar em condições para poder viver a fim de fazer história, além disso, falava que para viver era necessário beber, comer, ter um local para morar, vestir-se etc.
Muitas pessoas tinham essa consciência, e a todo custo faziam para que a renda que obtivessem trabalhando ou explorando, fosse maior, e com esse movimento automático, as pessoas não refletiam sobre as conseqüências que isso gerava. 
Para produzir os meios para suprir nossas necessidades materiais, precisamos organizar-nos socialmente, estabelecendo relações sociais. Para nos alimentarmos, precisamos matar um animal, para mobiliar uma casa precisamos destruir árvores, queimá-las, poluindo assim o meio ambiente, dentre outras questões. O ser humano acaba querendo dominar as condições naturais, e esse ato de produção gera novas necessidades.
Marx e Engels enfatizavam que a classe que detém o poder material numa dada sociedade era também a potência política e espiritual dominante.
Se analisarmos o contexto histórico, nos primórdios, perceberemos que havia um espírito de coletivismo: todos compartilhavam da mesma terra, não havia propriedade privada; até a caça era compartilhada por todos. Eles se preocupavam um com os outros. Com o passar do tempo, o homem e suas descobertas territoriais, acabou tornando inevitáveis as colonizações, portanto, o escravismo por conta da ambição. Depois é implantado o sistema feudal, e mais adiante com a Revolução Industrial, surge à classe do proletariado.
Karl Marx dizia que a história da humanidade seria constituída por uma permanente luta de classes, classes essas que para Engels são “os produtos das relações econômicas da sua época.” Sabemos que a base da sociedade é a produção econômica, e Marx queria a inversão da pirâmide social, que ainda era o capitalismo (patrões) no topo e o proletariado (trabalhador alienado) abaixo. Se o trabalhador tivesse no comando, seria a única força capaz de destruir a sociedade capitalista, para assim construir uma nova sociedade, Socialista.
Marx tentou demonstrar que no Capitalismo sempre haveria injustiça social, e que o único jeito de uma pessoa ficar rica, seria explorando os trabalhadores, pois o operário produz mais para seu patrão do que para seu próprio sustento, gerando assim lucro (mais-valia) para a indústria.
Marx morreu tentando mostrar para a sociedade que a coletividade seria mais justa, que a alienação gerava um trabalho escravo e que no Capitalismo sempre haveria injustiças.
Apesar de ter sido ignorado por estudiosos da sua época, Marx foi um dos pensadores que mais influenciaram a história do mundo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Poema à boca fechada

 
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

Saramago, José. Os Poemas Possíveis, Lisboa, Editorial Caminho, 1981

domingo, 8 de fevereiro de 2015

A vida é uma eterna escola



A vida é uma eterna escola 
Por Gabriella Gilmore 

Descobri que a humanidade está adoecendo.
Que crianças já crescem estressadas e materialistas.
Pessoas que se ferem por inveja, destruindo a si mesmas e a todos os que vivem ao seu redor.
Pessoas que agem o tempo todo se fazendo de coitados nunca conseguirão respeito. 
No máximo, um olhar de pena.
Aprendi que quanto mais culto você tenta ser, mais ignorância e fraqueza demonstra.
Descobri que a hipocrisia mora ao lado e que ela existe por falta de conhecimento, mas que pode ser quebrada com a humildade e tolerância.
Descobri que a mais doce pessoa pode esconder o mais puro veneno. 
A venenosa pode estar querendo ser aceita como é e estar disposta a mudar.
E algumas que são doces podem nos causar náuseas.
Mas aprendi que a maior sabedoria é saber ouvir e enxergar com os olhos do coração a verdade interior de cada ser.
Descobri que o auto-entendimento  e a autocrítica nos faz uma pessoa mais pacifista.
Aprendi, também, que o tempero do ser humano quase perfeito consiste em ser crítico, analítico e racional e que a maior desgraça dele é achar que sabe tudo, sendo que não sabe quase nada.
Descobri que o calado vence, que a dissensão gera dissensão e que a oração dos sábios é o silêncio.
Aprendi que “as guerras, a discriminação, as disputas comerciais predatórias e o terrorismo são frutos da autodestruição de uma espécie que não conhece o funcionamento da sua mente e não honra a arte de pensar.” (Cury 2004)
Descobri que as escolas têm criado robôs e que têm podado o raciocínio “ilógico” dos alunos, sendo que foi num erro que Einstein virou um gênio.
Descobri que as pessoas têm sede de aprender mais sobre a vida, que preferem as aulas na prática do que as horas intermináveis de aulas mecanizadas.
Aprendi que impor idéias gera desavenças, e que expor idéias gera mentes abertas.
Descobri que as pessoas mentem porque temem a veracidade da verdade e mentem duas vezes, para si e também para outros.
Aprendi o valor da compreensão. 
Que ela te dá forças para renascer das cinzas, e não há nada melhor quando há alguém que acredita em você, que sonha com você.
Aprendi a entender que nossos pais não nos deram tudo o que queríamos, mas nos deram tudo o que puderam nos dar. Aprendi a suportar os “nãos”deles, pois os “nãos”de quem nos ama irá nos preparar para os “nãos” da vida. 
Descobri que os fracos condenam e julgam, mas os fortes perdoam e compreendem.
Descobri que posso ser uma pessoa melhor a cada dia, com cada erro assumido, com cada experiência vivida, e que da mesma forma que Deus não desistiu de mim, não desistirei de lutar para humanizar as pessoas ao meu redor, porque enquanto uns pensam que o futuro só tende a piorar, acredito que melhorando o meu mundo, posso refletir isso nas pessoas que convivem comigo.

Passe adiante.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Borboleta




Era tarde de um dia chato e os dois olhavam o dia morrer descompromissadamente. Tudo era preguiçoso. Talvez fosse o calor. 

__ Um dia ainda serei borboleta!

Falou ela como se aquilo fizesse todo o sentido do mundo. E depois respirou fundo, tornando a olhar o nada. Ele então, como que desperto de um transe, encarou o rosto dela com enorme estranheza e condenação. 

__ E você só viverá 24 horas.

Ela olhou-o sorrindo e seus olhos tinham inocência pueril. 

__ Serão as melhores 24 horas que já vivi. 

Ele não tinha mais argumentos diante de tantos sonhos. 
(Waleska Zibetti, in "Borboleta")

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Roteirista de Gilmore Girls



Por Gabriella Lima

Amy Sherman-Palladino (Gilmore talk)

Nossa! Falar de um seriado que a gente simplesmente ama não é tarefa tão fácil, acredite.
Primeiro: a gente acaba sendo suspeito. Segundo: a série pode não ser conhecida no Brasil, e por último: ela teve os últimos episódios gravados em 2007. Sim, ela é antiga mas atemporal. Por isso estou aqui, mais uma vez, para comentar de Gilmore girls – Tal mãe, tal filha, mas em particular, sobre a criadora da série, a roteirista Amy Sherman-Palladino.

Espia o post antigo no qual apresentei a série:
http://introspectors.blogspot.com.br/2011/04/tal-mae-tal-filha-gilmore-girls.html

Esses dias eu estava comentando com uma amiga sobre seriados que ficam na história, como: Friends, Full house, Seinfeld,  Beverly Hills 90210, dentre outros que foram precursores na década de 90 e que abriram portas para demais sitcoms inesquecíveis e que até hoje são vendidos boxes e reprisados.
Todos acima citados, e como a grande maioria, exageram no clichê, o que nos dá aquela impressão de que já vimos essa história e de que já sei o final.
Com esse todo bla bla bla, na verdade eu quero entrar em um detalhe curioso, e o que me fez admirar demais o trabalho da Amy, em Gilmore girls, porque ela conseguiu criar novos enredos no qual a gente não poderia imaginar, porque não seria exatamente algo televisivo, e foi ai que ela acertou.
Ontem eu terminei mais uma vez de rever a série, e o fascinante, é que você espera um final feliz, desses em que o cara fica com a mocinha, e a filha se forma, tem o emprego dos sonhos e se casa com um ricão.
Errado.
A independência das personagens de Amy é tão verdadeiro, que pode ser parecido com a vida da sua tia solteira, da vizinha namoradeira, ou da prima encalhada.
A personagem de Lorelai, revoltada na forma mais sadia possível, foi criada com muito louvor. E toda a relação dela com seus pais, e com sua filha, é o mais perto do real que eu já consegui ver em qualquer seriado estrangeiro, modinha ou não.
A série em nenhum momento foi corrompida para se adequar a públicos, e isso fez dela um referencial.
A pegada de Sherman-Palladino, que dividia o roteiro juntamente com seu esposo, vem dos textos rápidos, sarcásticos, com drama e comédia juntas. Quando se fala de script que vai abordar um relacionamento entre mãe e filha, logo a gente imagina em algo forçado, cheio de moralidade, aflitos repetitivos e diálogos óbvios demais, porém os textos de Amy são extraordinários, leves, inspiradores, inesperados e super criativos. Sei que ela já trabalhou com textos para o seriado Veronica’s closet e agora está com uma nova série chamada Bunheads, mas confesso que não sei muito sobre eles, e fico até com medo de acompanhar e me decepcionar, porque todo gênio sempre vai ser gênio por algo em específico, sem repetição, e o grande marco dela está ali, nas falas movidas a café das garotas Gilmore.
Quero te convidar a mergulhar em Stars Hollow, mesmo que um pouco tarde, para que possamos tomar um café e conversarmos sobre genialidades como esta, e pegar de exemplo o bom humor das personagens e a independência, de que viver conforme os preceitos da sociedade além de ser chato, é artificial. Libere o que existe dentro de você de mais verdadeiro e seja uma Gilmore girl também!!!!
#Cheers!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Meu Primeiro Amor


__ Eu queria tanto que não fosse assim. Já fiz tudo para não ser. Mas não consigo. Existe e independe de mim. 
__ Então...
__ Eu te amo!
__ Você não gosta disso, não é?
__ Dói! Dói demais. E eu já chorei tantas vezes por causa desse sentimento. Mas não sei tirar daqui. Eu não consigo!!!
__ Por que você me ama?
__ Eu não sei. Eu não sei explicar você em mim. Eu não sei o que é isso. Só sei que você está aqui e o peito dói demais. Todavia, longe de você ele dói demais na dependência de lhe ver. Eu preciso saber de você para poder dormir em paz.
__ O que tenho que faz você me amar?
__ Não sei! E talvez amar seja isso, só sentir sem explicar. Sei que quando levanto, penso em você. E durante o dia. E quando vou dormir. E mesmo quando brigo e sumo. Quando eu decido me apaixonar por outra pessoa. É uma idiotice minha! Porque você é o corpo que eu abraço e a boca que eu beijo. E eu nunca vou conseguir ser feliz com ninguém. Ninguém nunca vai me completar. Porque eu não sei amar outro alguém. Você está tão em mim que já não sei onde eu começo e você termina. Nunca entenderei isso, não é?
__ Não sei!
__ Sei que você não sente o mesmo. E talvez nunca vá sentir. Acho que é possível alguém amar sozinho. Só queria que não doesse tanto. E que uma por uma vez...
__ O que?
__ Pudesse ser. Eu queria só poder uma vez ter você para mim. Nem que fosse para morrer de amor depois. E talvez morrer de amor ou enlouquecer por ele seja nobre ou, pelo menos, me dê uma razão. 
__ Não brinca mais de ir embora.
__ Desisti. Eu não sei mais o caminho da saída. 
__ Tudo de mais intenso que vivi foi com você.
__ Tudo de melhor em mim veio de você. A vida nunca explica o porquê de sentirmos algo por alguém. Nós buscamos conforto na religião, na psicanálise, na arte... Qualquer coisa que nos deixe perto de um porque para o que não tem por que.  Você finalmente me ensinou a amar, e que eu entendi que amar dói. E muitas vezes você doeu em mim. E dói. Perguntei-me o que você tem que apesar de tudo eu ainda estou aqui. Eu nunca soube me responder. Repeti para mim inúmeras vezes que sou uma burra completa. Mas quis Deus que eu gostasse de você. E eu gosto muito. Gosto que dói! Você foi única pessoa que me fez e me viu chorar. A vida não explica sentimentos, só nos dá. E cabe a nós senti-los. Posso não vê-lo nunca mais. Mas te amar será para sempre!

Silêncio...
(Waleska Zibetti, in "Meu Primeiro Amor")

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O Impossível como questão de opinião

Não dá pra ficar desejando algo que pode não acontecer.

Balzac dizia que:



“Ninguém ousa dizer adeus aos seus próprios hábitos. Muitos suicidas detiveram-se no limiar da morte ao pensar no café onde vão todas as noites jogar a sua partida de dominó.”

Por si só, adeus não quer dizer desistência, abandono ou fracasso: essas são interpretações atribuídas por nós mesmos. O psicólogo Wagner Canalonga, sacerdote da Sociedade Taoísta de São Paulo, recorre a uma imagem bonita para representar o adeus: 


é como atravessar uma porta, deixando um ambiente para entrar em outro.

A mesma porta que se fecha atrás de você, impossibilitando seu retorno para o primeiro cômodo, permite sua entrada no novo aposento. 
Em outras palavras:


o fim é sempre o começo de uma outra história. 

Ter isso claro traz uma compreensão diferente e mais leve do que está por vir.
Mas porque eu sempre sinto que o adeus dói como um corte de facas!!
Ficou pra trás tudo o que fiz mas o arrependimento e o pedido de perdão sempre irão me acompanhar!
Porém eu sei… sei que me amas, e que o medo te impede de viver e ser feliz. Sei que está sofrendo e que agora, no momento em que o trem faz a curva e some no horizonte, você reluta em olhar para trás, e uma lágrima escorre por tua face, enchendo de líquido salgado os teus lábios, que receberam meu beijo doce, no momento em que vês uma foto nossa que tiraste do bolso.
Dou meia volta, também chorando, e começo a andar retornando para casa. De repente tropeço e olho para o chão. Acabo de tropeçar em seu coração, envolvido com um laço de fita, e com um bilhete que assim diz: 


“Para minha doce amada!”.

Você partira mas seu coração ficara, afinal ele pertencia a mim. E eu cuidaria dele como minha vida – pois assim ele o era.
"E descobri que, irrevogavelmente, preciso de palavras tanto quanto preciso de ar…”
Hoje eu preciso de você!

Até o Próximo Texto
Au Revoir

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Inferno





__ Qual o caminho para o inferno? - perguntou ele tão seriamente que a profundidade de sua voz chegava a assustar.

__ Qualquer um desenhado em vermelho. - disse ela sorrindo.

__ Como assim?

E deitando sobre ele...

__ Assim! -  disse ela entre beijos - Caminhos como esses que faço agora com a ponta de minha unha na tua pele branca. 

Perderam-se.
(Waleska Zibetti, in "Inferno")

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Meus amigos são um barato

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência
Se a Nara Leão, naquele velho disco, também achava — por que não poderia eu também achá-lo? E se o Nirlando Beirão, tão chique, tem um vizinho yuppie — por que não posso ter coisa semelhante em minha vida de retinas fatigadas? E confessá-lo de público — atente na expressão —, assim: meus amigos são um barato. Um baratão. Nos dois sentidos: o do insólito e o do inseto.
Meu amigo Pedro, por exemplo, é um barato no sentido mais tradicional da expressão. Ou não? Fico um pouco confuso, e pensan­do bem talvez ele seja mesmo uma curtição. O passatempo prefe­rido dele é, nos fins de semana, fazer tremendas vivências em Mauá. Fazer vivência vem a ser o quê? Ora, cara, tá por fora: qualquer coisa pode ser uma vivência: um chá, um baseado, uma caminhada. Im­portante é que seja em grupo. E que você vá fundo, entendeu? Com direito a nirvanas e iluminações.
Meu amigo Pedro é superfeliz. Detesta quem tem problemas: ele diz que é baixo-astral. Ele está sempre numa ótima. Detalhe: mora num apartamento de andar inteiro de frente para a praia, no Rio. Com os pais, claro — embora tenha trinta anos. Mas tudo bem: para gozar de inteira liberdade, ele pode usar uma coberturazinha absolutamente simples. Outro passatempo dele, embora adore pe­dir carona, é dirigir o Monza zerinho de manhã. Daqueles que você

aperta botões e acontecem coisas tipo fontes luminosas, faróis de laser, show de mulatas etc. Mas ele, meu amigo Pedro, é singelo e franciscano: anda sempre de camisetinha zurrapa e sandália havaia­na. Tem certeza de que, um dia, vamos todos viver em paz — na Era de Aquário. Confirmou isso no último verão, passado na Bahia, com uma pá de gente de cabeça feita.
Já minha amiga Kate, um pouco mais moça, despreza meu amigo Pedro. Comenta: "Ele acha que Woodstock foi ontem. E ain­da nem desarrumou a mochila". Ele comenta sobre ela: "Quem não dormiu no sleeping bag nem sequer sonhou". A verdade é que não conheço ninguém mais moderno (ou pós, nos dois sentidos: o do depois e o das carreiras) que minha amiga Kate. Coberta de negro, cabelo raspado de um lado, vezenquando uma peruca rosa de nái­lon. Naturalmente é performática. E faz cursos sen-sa-cio-nais: o último foi de vídeo-performance — um arraso. Minha amiga Kate acha tudo meio antigo, mas concede ir ao Satã, ao Rose Bom-Bom, dá umas bandas pelo Ritz e não pisa nem morta no Pirandello. Acha que tudo é uma questão de pique-e-pá-e-crã, sabe como? Fico numas que só...
Meu amigo Betinho é radicalmente o oposto. Faz a linha subir-com-esforço-na-vida. Quanto mais esforço, melhor. Tem visões futuristas com videocassetes, IBMs elétricas, secretárias eletrônicas louras de olhos azuis, guarda-roupas completos para as quatro estações comprados na Mr. Kitsch. Embora, no fundo, goste mesmo é de Calvin Klein. Ou — em momentos de profunda verdade interior — de um sólido Pierre Cardin. Naturalmente, ele veio de baixo. Muito baixo. Tem um problema sério: quando bebe, tem paixão por ouvir Alcione. E por tudo isso, se você for a um res­taurante com meu amigo Betinho, pode estar certo de que a conta jamais será dividida em partes iguais. Em alto e bom som, ele sem­pre dirá: "Mas eu não tomei cafezinho!"
Minha amiga Joana — ex-atriz, ex-cantora, ex-traficante — há anos largou tudo, pegou uns panos vermelhos, botou um mala no pescoço, com aquele 3X4 de Rajneesh, e foi embora pra Floripa (leia-se Florianópolis). É conhecida por lá como Bodhira, que em sânscrito quer dizer flor de não me lembro o quê. Será — haja — ló- tus? Quando fui visitá-la, fizemos muita meditação caótica juntos. Supervivência, se pintar, experimente. É um barato.
Enfim, esses são só alguns. Tem mais, talvez para uma Parte II. Mas, como todo ficcionista, sempre procuro deixar muito claro que qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas — bem, você sabe. E eu adoro meus amigos. Simplesmente adoro.
Até o Próximo Texto
Au Revoir


ABREU, Caio Fernando. A VIDA GRITANDO NOS CANTOS. Editora: Nova Fronteira, 2012. 248p

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Evolução vs Deus




O vídeo post de hoje não tem pretensão nenhuma em converter alguém a nada.
A proposta em divulgar este assunto, foi inclusive mostrar para qualquer crente que tudo pode ser conversado numa forma muito criativa e compreensiva.
Prometo que você não vai perder 30 minutos do seu tempo.
Com este assunto você só tem um final: reforçar a sua crença, seja lá em Evolução ou Criação.

Para ver o vídeo clique aqui