terça-feira, 4 de novembro de 2014

Amor em Tempos Modernos





Dedicado ao Rei do Reino dos Cabeça de Vento

Perdoem-me senhores, mas hoje
falo do ato corajoso de sonhar.
Mais que isso... Hoje falo da bravura
de viver um sonho

Madrugada... Todos dormem.
Menos eu e essa mosca filha da puta
que zombe no meu ouvido.
Ligo o rádio e ela zombe no ritmo
das músicas melódicas que tocam.
Quem foi o corno que inventou
que em toda casa casais fodem na madrugada?

Caço meus próprios sons no computador.
A mosca pousa em meus cabelos
na mesa na tela na fresta da janela da sala
na testa da minha insônia.
Vou apagar a luz...

Tenho medo de escuro
Da sala vazia
Das visões dos meus olhos arenosos
Da cama arrumada
“Dá sertão da minha solidão...”
Belchior é um cara que também tem medo.
Não estou só!

Jogo paciência, dama, copas fora...
Obrigada internet pela minha inutilidade agora.
Leio jornais, blogs, trechos de livros...
Obrigada internet pelas minhas tisanas culturais.
O sono partiu e não volta.
Sou a fantasma entediada de camisola
que peregrina pela madrugada nas ondas internáuticas.


Entro num chat a procura de almas
Que vagueiam na noite
ouvindo moscas
e Belchiores.

Ele tem 52
Mais tarde 53
Eu tenho 42
Mais tarde 43
Ele escrever!... Escreve bem!

__ Perfeito demais – começa o juízo- tem caroço no angu.
__ Todo caroço deve ser revelado – sorri o impulso.
__ Revele e elimine! Corte-lhe a cabeça. – ordena a Rainha.
__ Nada te entrega! – sorri Cheshire.
__ Te cuida!
__ Se dá!
__ Tá na cara que é problema.
__ É sonho!
__ Que porra é essa que estão fazendo? O Juízo me aponta defeitos e medos e o Impulso me lança em desejos...
__ Não diga depois que não avisei.
__ Não ouça viaje!
__ Vai chorar de novo.
__ Pode ser diferente. TENTE!
__ Porra! Parem de me confundir.

Lá estão a Moleca e a Rainha
Se enfurnando pela estrada a fora.
Quem será ele?
Tão doce! Tão bom! Tão suave!
Tão sonho! Tão brisa! Tão paz!
Tão tudo que desconheço!
E ele volta... Novo dia. Novo sonho.
Ele é mesmo outro ponto, contra ponto, reencontro.

__Viu o que fez? Vão feri-la!
__ Talvez não!
__ Vai dar merda!
__Talvez não!
__ Calem-se os dois! Nem Rainha nem menina. A decisão é minha. Eu quero! Eu vou!

Outra noite... Outra espera...
Ele veio. É mistério.
Me encanta e eu quero.
Ele veio. Ele volta. Me revira.
Me leva. Se entrega.


__Ela está... Sorrindo.
__Está leve!
__Ela está... Sonhando?
__Está feliz!
__Que está acontecendo? Ela brilha!
__É paixão.
__E se chorar?
__ Cuidamos dela de novo.
__Novos cortes?
__Talvez não!
__A abençoamos. Vá!
__Os abençoamos. Sejam!
__ Será que isso é mesmo real? Tenho um rei e um menino? Um amor afinal?

Ele volta. Ele vem no mesmo horário
todos os dias e quer saber de mim
do meu dia e depois
me leva por aí para voar em draguanas.
 E você se perguntando da mosca
mas não era mosca
era cupido que me deixou acordada
para sonhar de novo.
(Waleska Zibetti)

domingo, 2 de novembro de 2014

Paris é uma Festa - Ernest Hemingway

"Quando a primavera chegava, mesmo que se tratasse de uma falsa primavera, nossos problemas desapareciam, exceto o de saber onde se poderia ser mais feliz. A única coisa capaz de nos estragar um dia eram pessoas, mas, se se pudesse evitar encontros, os dias não tinham limites. As pessoas eram sempre limitadoras da felicidade, exceto aquelas que eram tão boas quanto a própria primavera."
(Ernest Hemingway)
 
"Entregar-se inteiramente à arte, pagando um preço por isso, e passar a fome que fosse, contanto que em Paris, eram, sem dúvida , ideias, modelos e valores daqueles tempos. Em que mais acreditar senão na arte, que era o que explodia de mais humano e exuberante nas telas dos pintores, nas formas das esculturas e nas ousadas páginas dos escritores da moda."
 
Paris, 1930, refúgio dos mais diversos artistas do mundo, lar e local de inspiração para as mentes mais brilhantes do século XX. É esta Paris que o escritor Ernest Hemingway vem morar junto de sua esposa, Hadley. E é neste ambiente mágico, circundando pelos milhares de café e livros, que se passaram os melhores anos da vida do ganhador do Prêmio Nobel. A época em que eram pobres, contudo, absolutamente felizes.
Os capítulos muitas vezes não estão em ordem cronológica e vão e voltam no tempo, exatamente como um fluxo de pensamento. Diferente de suas outras obras, onde o estilo do autor é expresso brilhantemente, Paris é uma festa tem uma linguagem mais informal e memorial, afinal é basicamente uma autobiografia.
A maioria parte dos núcleos históricos que envolvem personagens marcantes, tanto para o próprio Hemingway, quanto para o leitor, que conforme a narrativa, passa a conhecê-los melhor. Temos figuras como o generoso poeta Ezra Pound, a escritora e artista Gertrude Stein, muito amiga de Ernest em seus primeiros anos em Paris, mas que possui uma personalidade um tanto quanto forte, Ford Maddox Ford, Sylvia Beach da livraria Shakespeare and Company, hoje, um ponto turístico da cidade, James Joyce, F. Scott Fitzgerald e claro, o próprio Hemingway.
De certa forma, a personagem que teve mais ênfase na história foi Fitzgerald, talvez pelo fato de Ernest ter sido amigo dele por muito tempo e se interessar por sua vida, sentir admiração pelo autor de "O grande Gatsby", ou simplesmente a vida tumultada de Scott.
Conhecemos um Fitzgerald abalado e com problemas com álcool, não em relação ao alcoolismo, mas, sim, a seu metabolismo fraco que se desgastava com o consumo deste. Muitas vezes, o próprio Hemingway, assim com o leitor, se perguntam como um homem como Scott poderia ter escrito uma série de contos ótimos e o Gatsby.
O leitor é apresentado também à Hadley, esposa de Ernest, uma mulher graciosa e companheira, sempre disposta a acompanhar o marido - e olha que não são todas as mulheres que são feitas para serem esposas de um escritor, o caso da própria Zelda Fitzgerald, cujo ciúme pelo trabalho do marido a fazia ficar amarga e descontar arrogâncias nele.
O que mais me interessou em Paris é uma festa, além da cidade cenário, a qual tenho paixão, é a humanização dos escritores. Hemingway mostra o defeito de cada um de seus amigos e suas sucetividades, nos relatando que não passam de apenas seres-humanos, ou seres-humanos "brilhantes", devo dizer. Um exemplo perfeito é Gertrude Stein, que por mais agradável que sua companhia e conversa fossem a Hemingway, ela era arrogante em certos pontos, egocêntrica e fuxiqueira. F. Scott Fitzgerald podia ser um escritor revolucionário, mas não passava de um homem com suas inseguranças e problemas no casamento.
É este lado humanizado que me atrai. Saber que antes de serem artistas, essas pessoas era comuns e compartilhavam dos mesmos problemas que muitos de nós.
Paris é uma festa, por mais que não seja a obra mais fantástica de Hemingway e voltada um pouco para a fofoca, ainda mantém o leitor envolto na sua narrativa e personagens.

Uma alusão interessante desse estilo de vida retratado nas telonas, pode ser visto em um clássico de Wood Allen em Midnight in Paris em que os personagens ganham vida e parecem ter saído deste clássico.

Mas sobre esse filme é um assunto para um próximo post.

Au Revoir
Até o próximo Texto

Seu emprego é melhor que o meu?

Seu emprego é melhor que o meu?
Uma crônica de Gabriella Gilmore

Personagens:
Vanessa, brasileira, residente nos USA, secretária em um pequeno centro odontológico em Washington – DC

Camila, nordestina, residente em Brasília, recepcionista em um hotel 5 estrelas.

Conversa pelo Skype, 21:30 da segunda-feira do dia 29 de abril de 2013

- Amiga, queria te perguntar uma coisa. Escreveu Vanessa.
- Desembucha.
- Você me perguntou esses dias para te arrumar emprego aqui nos States e tals... não sei quanto você ganha ou se passa dificuldade ai, mas me conta. Você trabalha em hotel por quê? Uma amiga minha mora em SP e disse que tem um excelente emprego graças ao inglês. Não te entendo.
- Bom, na verdade essa coisa de ter inglês é de certa forma ilusória. Em Brasília, por exemplo, há três limitados campos de trabalho: Rede hoteleira, shopping centers (ou lojas no centro) ou passar em concursos. Há empresas aqui, mas são bem poucas e nem te preciso falar da concorrência.
- Mas não sei quem me disse, que estaria ganhando uns R$ 3.000 reais em shoppings se tivesse o inglês que você tem...
- Me apresenta essa pessoa. (Zombou Camila). Papo furado Vanessa. Não conheço ninguém que trabalha em lojas que precisou de inglês para conseguir emprego ou subir de cargo. Claro que há exceções, mas não é simples assim não. Agora é minha vez de levantar uma coisa.
- Pode falar.
- Sei que somos amigas há anos, e que você parece se preocupar comigo. Mas você está tão americanizada, fria e mecânica, que quando você toca em assuntos sobre empregos e salários, você passa a impressão de que só porque mora fora do país está abalando o bambu. Quer ouvir uma real?
- Fale.
- O que te faz melhor do que eu? Você saiu do Brasil para estar secretária em um país que nem é seu. O seu emprego nem é lá glamoroso. Já eu, sai do interior do meu país para ir para um grande centro trabalhar para ricos nojentos que se hospedam só em 5 estrelas, e aproveito para estudar outro idioma para futuramente ganhar melhor. Eu vejo o meu caso como progresso, e o seu?  Me fale depois. Outro exemplo tirando nós duas do caso. Tenho colegas de quarto que são concursadas e me olham com desdém feito você, às vezes. Uma delas é auxiliar de dentista. Limpa sujeiras dos utensílios dentários de pessoas de baixa renda (ela trabalha para o SUS). Precisa ser um CDF para trabalhar em um lugar desses? É outra coisa no Brasil que me revolta. Ralar para passar num concurso para fazer trabalho “sujo”. Eu, francamente, ainda prefiro meu trabalho explorador de domingo a domingo, onde fico em meio de artistas, gente bonita, rica e de bons contatos, nunca se sabe... Você entende o que quero dizer?
- ...
- Agora me diga você: Por que seu emprego é melhor do que o meu?


sábado, 1 de novembro de 2014

Os dragões não conhecem o paraíso e eu não sei mais nada da vida...

Então. Que seja doce!
(Caio Fernando Abreu)

Ninguém é capaz de compreender as coisas que vem do coração,um olhar ou quem sabe até uma explicação.
Mas quem disse que é fácil viver e sentir?
Quem aqui sabe muito do amor?
Em tempos de poucas gentilezas e muita aceleração parar para despertar é um privilégio que poucos têm.

Você tem paciência?

A caminhada dos dragões é diária e tem seu tempo certo e a existência de suas intenções faz com que sentimentos e pessoas se fortaleçam. É maravilhoso sentir que a paciência está presente em todos os momentos em cada coisa que fazemos, a qualquer hora, lugar, no que vemos. Sei que esse sentimento me estimula Para enfrentar qualquer barreira, qualquer obstáculo. Essa mesma paciência vai além das fronteiras do pensamento e acontece em cada ato que fazemos, em cada gesto, por pequenino que seja.

Você tem força?

Você não é só aquilo que enxergam por fora, tem muito de si mesmo que precisa ser explorado e externado.
Procure mais pela sua identidade no seu próprio coração admitindo que existe uma grande força e capacidade em você mesmo. Há marcas visíveis e profundas em cada ser humano que provam quem nós somos. É nas adversidades que surge a chamada força interior que nos move e impulsiona para frente, então, continue procurando pela sua força que está bem aí mesmo no seu íntimo, no lugar onde sempre esteve! Não dá mais para ficar negando e dando as costas para isso a vida inteira, viu?

Você acredita em sonhos?

Nada é como queria que fosse. Tudo é, como eu não imaginava ser. Em contradições, me deixei cair, sete, oito, nove vezes para que meus sonhos e verdades permanecessem... Você acredita em algo que seja tão forte e lindo ao ponto de transformar a si mesmo no melhor que pode ser?O céu, com todas as suas constelações está bem aí, bem dentro do seu coração. Se você acredita que está no caminho certo, não pare. Não desista, aguente firme. Não é o mundo que deve acreditar na sua capacidade de sonhar. Você tem que ter a capacidade de acreditar em si mesmo e nunca deixar que sonhos morram.


Você acredita no amor?

Há muitas razões para se duvidar e uma só para crer e, não fomos feitos para completa solidão. Acredito que pessoas se transbordam e no amor esse sentimento que pra muitos é sem medida talvez seja a cura para todos os males existentes. Se estiver amando, declare o seu amor. Cada vez mais, devemos exercer o nosso direito de buscar o que queremos. Arrisque!
Não existem fórmulas, segredos, receitas. Constam nos astros, se você por alguns minutos está ao lado de quem te olha com olhos de felicidade por estar ao seu lado, se por alguns minutos essa pessoa faz o seu coração acelerar e te transformar em alguém querido e se
aquele abraço vale mais que qualquer palavra, você não só acredita, como está vivendo esse sentimento!

Os dragões não conhecem o paraíso, eu não sei nada da vida... Mas quero continuar acreditando que existem, fadas, dragões, seres mitológicos e acreditar que o amor ainda existe!

"Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez."
(Caio Fernando Abreu)

Até o próximo texto
Au Revoir

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ponto Final...






Era só um espectro de si mesmo. Esconde-se na penumbra. A ponta de seu vestido era a única coisa que alcança a luz vinda da lua que invade a fresta da janela.

__ Olá!

A voz é como um acorde frio que retumba no cômodo cheirando a passado. É difícil imaginar-lhe os traços porque seus cabelos cobrem-lhe o rosto.

__ Entre. Eu o esperava.

É impossível não obedecer a essa voz. Uma banqueta do outro lado, provavelmente de veludo e que em outro tempo fora vermelho, está quase em frente a ela. E diante dela é difícil controlar a respiração, o corpo, a voz, o olhar.

__ Há quanto tempo sinto você se esgueirando por aí a me rondar.

Ela respira pesadamente e sua voz sai como um silvo. Uma mão pálida e cadavérica segura o braço da poltrona acariciando o tecido também aveludado.

__ O que você procura? Melhor... O que você não procura é o que lhe traz aqui.

Seu cabelo é longo e seu cheiro lembra velhas bibliotecas. Não é possível ver mais do que a ponta do vestido e os contornos magérrimos de uma mulher.

__ Eu não sou o caminho, mas vocês insistem em vir sempre por aqui. Vocês insistem em visitar-me pela comodidade que causo em vocês. Gentinha miúda e nojenta. É isso que são! Todos vocês!

A voz agora demonstra desprezo e um cheiro ruim invade o cômodo. Talvez seja a hora de ir. Mas não se consegue. Tem que ter um porquê.

__ E tem!  - sentencia pela primeira vez forte essa coisa sentada adiante – O porquê é o seu medo. O seu medo de não assumir o que quer, de não se lançar nos seus desejos. Fica arrumando pequenas desculpas para tudo: falta de tempo, falta de dinheiro, depressão, loucura, Deus... Até quando será isso em sua vida? Esse vaguear em mentiras, em ilusões, em desculpas... 

A respiração acelera. É possível ouvi-la ainda mais nítida.

__ Foram criados para serem superiores e na maioria do tempo agem como vermes. Depois ficam aí... pelas madrugadas... ratos pelos meus corredores. Misericórdia... misericórdia...

Aperta o braço do sofá.  Unhas pontiagudas quase rasgam o tecido roto.

__ Infelizes! Haverá sol amanhã, sabia? E tudo que terá a fazer é ter coragem de admitir seus pesadelos para que ele o cubra inteiro. Se despir dessa sua pele fantasiosa de segurança e admitir o medo, a falha, a culpa. Mas... É mais fácil não chorar, não é? É mais fácil arrumar outra desculpa para enfiar o dedo na garganta e jorrar sua frustração no vaso do banheiro. Dizer sinceramente para si que você é o resto de merda nenhuma e então, sair pela vida para provar a delicia de ser totalmente livre.

Pela primeira vez ela movimenta o corpo para frente. Partes dos cabelos alcançam a luz. São grisalhos e mal cuidados.

__ Ouça um pouco... Há vida lá fora. Gente. Gente de verdade. Gente querendo e sendo gente. E você aí... Rondando-me. Perdendo tempo. Querendo um amanhã perfeito. Ele não virá! Ele não existe! Mas você entenderá isso tarde demais.

Ela se levanta. É completamente possível se sentir o olhar dela pousado em nós.

__ É a sua última chance. VÁ!

A mão cadavérica aponta a porta, a rua iluminada...


__ VÁ AGORA E VIVA!

E agora, amigo? O que você escolhe: continuar aqui ou ir? É você quem decide. Tudo agora é com você.
(Waleska Zibetti)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

CIÚME OU POSSESSÃO?

Um crônica de Gabriella Gilmore



CIÚME OU POSSESSÃO?

Pedro Henrique está sem dormir a três dias, se queixando de dores no coração, ansiedade e insônia aguda.
Motivo? A namorada que mora a alguns quilômetros de distância.
Sabemos que o rapaz é ciumento, e que namorar uma moça bela e de um carisma apaixonante, não deva ser tão fácil.
Tudo começou com uma amizade de final de semana. Clarissa viajava todo sábado para a capital, aonde fazia pós-graduação. Henrique trabalhava na universidade.
Trocaram e-mails por um ano e uma bela amizade nasceu ali.
Num belo dia decidiram passar um final de semana juntos, pois ambos estavam sentindo aquela amizade mudar de cor. Beijaram-se pela primeira vez. Ali, uma explosiva paixão brotou em seus corações. No mesmo mês decidiram namorar.
A semana de ambos acabava sendo um martírio, afinal, a ansiedade de um novo encontro era desmedida.
No segundo mês, Pedro Henrique, em um excesso de bebedeira, terminou o namoro sem um motivo aparente. No mesmo dia, Clarissa aos prantos, pediu para ele aceitá-la de volta. Reataram ali mesmo, ao telefone.
Mais juras de amor foram declaradas, e no terceiro mês, boommm: a relação começou a esfriar. Henrique começou a ficar seco e indiferente. Começara a implicar com o novo amigo de quarto de Clarissa, mesmo sabendo que o rapaz estava mais para rapariga, do que para macho. Ele sabia que ela dividia o apartamento com o jovem, por não ter ninguém para dividir despesas, e o egoísta namorado, fazia teatro em vão.
“Ele não me diz mais que me ama, e nem me manda mais mensagens de bom dia. Estou devastada”.
Sabendo do problema de alcoolismo do amado, Clarissa se sentia culpada a cada show que o garoto fazia, e de alguma forma, ela achava que a culpa era sua por deixá-lo se sentir inseguro. Por mais que ela tentasse provar que ele era o amor de sua vida, o gelo daquela semana negra estava matando a protagonista.
Todos ao seu redor sabiam o tanto que ela havia mudado, e percebiam o quão sincero era o seu amor por Henrique, e ela não sabia mais o que fazer.
“Não sei se será pior ficar com ele, ou estar separado dele. É como se ele fosse meu último amigo.”
Abatida com o descontrole insano daquela relação, a jovem resolveu procurar um terapeuta.
Depois de longas horas trancafiada no consultório, Dr.Braga diz:
_Clarissa, me faça um grande favor.
_ Pois não, Doutor!
_ Continue sentada e apenas me escute agora.
Ela franziu a testa, e resolveu acatar a ordem do médico, que de tão velho, inspirava serenidade, sabedoria e sinceridade.
_ Pois bem minha jovem. Pedro Henrique está sendo mimado com você. Eu não entendo o comportamento dele como ciúmes, e sim como possessão. Você é dele, ele a quer somente para ele e fim. Eu trato meus pacientes aqui com relatos verídicos, e em sua maioria são experiências vividas. Acho que trago o paciente para mais perto da realidade quando faço isso.
Eu quando jovem, tive um relacionamento assim. Honestamente?
Ele perguntou olhando para mim. Quando ameacei a responder ele me interviu.
_ Xiii, é a minha vez de falar tudo, mocinha. Não me interrompa. Continuando: Honestamente, aquilo estava cansativo, chato e foi ficando cada vez mais perigoso. No começo a gente sempre faz o papel de bobo da história, que tenta ajeitar as coisas, sem querer brigar resolvendo tudo na conversa e compreensão. Mas, não somos nós quem temos que mudar e ser compreensivos, e sim eles. 
Eu tinha ciúmes da minha namorada, e ela também tinha sobre mim. Porém, entendíamos perfeitamente que cada um tinha seus amigos, e que por morarmos longe, não podíamos sair sempre juntos. Isso é um fato que deve ser enfrentado por casais que moram longe. Se seu namorado não entende que você tem amigos e que principalmente, este que você mora junto, (que te ajuda nas despesas de uma vida adulta, e sem pais), eu tenho apenas mais algumas palavras para te falar: seu namorado é imensamente imaturo, mimado, egoísta e ele vai acabar fazendo você desistir de coisas e amigos que gosta. 
Ela arregalou os olhos, e a ficha começou a cair. Ameaçou novamente em mexer os lábios e ele a interrompeu completando a análise:
_ Para isso não acontecer, ele precisa mudar de atitude e ser adulto. Assumir as responsabilidades e conseqüências de um relacionamento à distância. Especialmente sabendo que você é uma pessoa que gosta de fazer amigos. Você, senhorita, precisa se sentir bem em um relacionamento, feliz, e ele não está te apoiando, sendo companheiro ou ficando do seu lado. E uma última observação, um pouco mais forte: NÃO SE ENTREGUE MAIS A ESSA PAIXÃO. Não por enquanto.
Quando ele terminou tudo, o bom e sábio velho se levantou indo em direção a sua estante de livros e pegou sua caixa de charutos. Lentamente a acendeu e disse:
_ Fim da sessão.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

História de Uma Estrela Cadente

Sentou-se para pensar na vida no fim da tarde. Seus olhos perdidos num pedaço de céu cinza chumbo que anunciava temporal. E um vento frio, anunciava uma noite difícil. “Ele disse que viria as oito. Falta muito” – concluiu então, antes de mergulhar seus pensamentos no passado.

Ele era um homem bonito. Simples assim. Nunca foi lindo, mas era bonito. Isso ninguém podia negar. Ela era bonita também. Tinha dessas belezas diferentes que as pessoas não sabem explicar. Eu poderia jurar que o que ela tinha de fato era carisma. Uma luz de menina nos olhos que fazia com que ela se destacasse. Ele não tinha carisma nenhum. Era só bonito.

Ela tinha sonhos e os pendurava nas estrelas todas as noites pouco antes de dormir. De sua cama ela olhava seus sonhos brilhando lá no céu. Ela era tímida demais para falar deles com outro alguém que não fosse com ele. E ele a ouvia sempre com um sorriso, porque ele não tinha sonhos. Era dessas pessoas duras demais diante da vida e não sabia sonhar. Mas ele vivia, um a um, os sonhos dela e sonhando os sonhos dela, ele se sentia feliz.

A lua era o refúgio dos dois. E ela dizia que na lua morava um dragão que ela um dia iria montar e sair pelos céus apostando corrida com os cometas. E eles venceriam os cometas porque seu dragão era encantado. Ele dizia que São Jorge havia matado o dragão. Ela ficava brava e fazia pirraça porque ele havia destruído a fantasia dela e nessas noites ela chorava olhando a lua e de tristeza, a lua se escondia numa nuvem qualquer até que ela adormecesse entre soluços. Ele não fazia por mal e no dia seguinte ele aparecia com um desenho de dragão que voava feliz ao redor da lua. E ela sorria feliz com seu dragão.

Eles eram dois extremos, mas um dependia do outro para existir. Ela era poética, ele cético. Ela falava palavrão, ele era polido. Ela comia pizza com a mão, ele não sabia pisar no chão. Ela ria de tudo, ele questionava. Ela dançava na areia da praia, ele corria para o trabalho. Ela cantava no chuveiro, ele lia o jornal. Ela o amava, ele, eu já não sei dizer.

“Ele virá as oito” – ela disse arrumando-se na varanda. Ouvindo a voz marcante de Billie Holliday em uma canção que ela cantarolou baixinho. Logo, sentiu-se sendo levada para um tempo muito depois daquela noite em que eles se despediram.

A vida dela era outra. Não havia mais sonhos pendurados em estrelas durante suas noites. A maior parte do tempo era só ela e algumas coisas que ela guardava em uma caixinha de ilusões. A menina feliz, era agora uma mulher de realidade dura. Pouco tinha tempo para si. Mas não perdera seu sorriso. Algo nela ainda era esperança. E, em algumas noites, ela olhava a lua e imaginava o dragão voando atrás dos cometas. Mas sem ela a acompanhá-lo. Seus olhos marejavam. E ela disfarçava olhando a novela. E olhava tanto até que o sono a roubava dali.

Ela crescera. Ela virara mulher. Ela virara mãe. E que graça havia nela agora? Era só mais uma como as outras. Não lembrava mais de poemas, silenciou seus palavrões, aprendeu a usar o garfo e a faca, esqueceu como rir com facilidade, tem vergonha de dançar, seus banhos são corridos, desaprendeu a amar. Ele simplesmente vem às vezes. Como hoje!

E ela se inquieta. Em seu coração a dúvida doendo. “Será que ele virá? Como será que ele está?” – uma vontade de chorar contida dentro do peito. E ouve-se um trovão ao longe. Ela olha para o alto e o coração apertado. Ele está chegando. Um relâmpago. Ele está perto. Ela vai para o meio da rua. Ela chora olhando o céu. Ele desce enfim no meio da rua. Abaixando-se suavemente diante dela numa espécie de reverência. Ela acaricia seu rosto com carinho. “Meu dragão!” – ela exclama feliz. Ela o abraça e ele a leva em vôo livre. O povo na rua comenta a estrela cadente. Ela é menina de novo.

A morte pode roubar pessoas. Mas não pode vencer o amor. Enquanto viver a menina na mulher, ele viverá. E quando você vir no céu uma estrela cadente, fique feliz porque é o sinal de que tudo pode ser possível àqueles que não têm medo de acreditar.

(Waleska Zibetti)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Alma Tensa

O porque de ser alma tensa?
As vezes nem eu mesmo entendo, mas talvez a resposta seja a própria vida!
Mas a vida é uma caixinha de surpresas então como poderia ser ela mesmo??
O início se deu por ter muitas dúvidas e gostaria de sanar todas elas.
Todos os textos escritos refletem meu estado de espírito diário, seja uma revolta, uma tristeza, uma depressão, uma alegria! Acho que todo ser humano é assim eu não poderia ser diferente!
Sermos nós mesmos é muito difícil, principalmente quando buscamos respostas para todas as perguntas. Acredite você viverá e nunca achará todas as respostas! Talvez quando você se permite a viver todos os dias, você ache as respostas mais importantes e creia você descobrirá coisa das quais nem imagina que existiriam.
UM CONSELHO PRA ISSO: PERMITA-SE!

Conviver com outras pessoas é difícil principalmente quando ambos não se permitem a mútua jornada, chega o egoísmo e a amargura, a arrogância e a falta de humildade em achar que cada um tem os problemas maiores que o seu próximo. Amizades e amores se acabam e o ciclo de ódio e insanidade começa! 

UM CONSELHO PRA ISSO: OUÇA MAIS!

Talvez você que é um pouco mais jovem do que eu ("quando escrevi tinha 26, hoje 30") deve achar hoje que seus pais são chatos, falastrões, metidos e abelhudos, mas principalmente caretas. Deve achar que eles pouco conversam e partem para agressões verbais ou em alguns casos extremos a chamada “surra”. Você já parou para pensar em como poderia ter horas divertidas do seu dia numa conversa com eles? Promover encontros familiares, falar o que sente e principalmente descobrir o valor de ter família!Você se surpreenderia que num momento mais difícil eles estarão com você!

UM CONSELHO PRA ISSO: DEDIQUE-SE A CONHECER SEUS PAIS, É IMPOSSÍVEL PREVER QUANDO ELES TERÃO IDO EMBORA DE VEZ!

Apaixonar-se é algo incrível,você com um pouco de sorte pode se apaixonar apenas uma vez e vivê-lo para o resto da vida. Mas pode se apaixonar muitas vezes durante a vida.Permitindo que tal sentimento adentre sua vida talvez você faça o mundo ao seu redor um local agradável para viver e pode fazer coisas tão boas que você nunca se imaginaria fazendo aquilo! 

UM CONSELHO PRA ISSO: AME SEMPRE, PERMITA AO SEU CORAÇÃO A CHANCE DE BATER FELIZ TODOS OS DIAS. QUEM SABE AQUELE(A) GAROTO(A) QUE ESTÁ
AO SEU LADO AGORA NÃO ESTÁ TE DANDO A CHANCE DE SER VOCÊ MESMO COMO JAMAIS FOI E ESTÁ ABRINDO AS PORTAS DO SEU CORAÇÃO PARA UM OUTRO TIPO DE FELICIDADE, ALGUÉM QUE TE TRANSBORDE OU QUE TE TRANSFORME NUM BOBO?

Mesmo aqui em todas as palavras já escritas você achar que falei bobagem, digo a você que das coisas ruins eu já passei e das quais me arrependo, se eu pudesse fazia tudo diferente.
Mas da grande parte da minha vida eu faria exatamente igual para me tornar o que sou hoje!
Talvez a Alma Tensa que aqui vos fala e redige tem tanto quanto vocês para aprender, mas, principalmente repassar pra que vocês dêem valor ao que tem, dêem valor a vida, dêem valor ao agora, dêem valor as pequenas coisas, deixe as pessoas com um sorriso e amem tudo ao seu redor mas principalmente aprendam a se perdoar!

Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda.

(Carl G. Jung)
Au Revoir 
Até o próximo texto.

Mea Culpa





Há sete pecados capitais,
sete vícios que foram usados
para me educar.
Sete tentativas de controlar
os meus instintos básicos.
E sete vezes fui condenada.
Sete vezes doente.
Sete vezes sem perdão.
A boca é o mal do homem...

Minha boca tem sede

E a saliva da outra boca é minha fonte
Minha boca tem fome
E o sal do suor da outra carne é meu alimento
Minha boca tem desejo
E o gemido do outro é o caminho
A boca é o mal do homem...
E o que não digo é o meu castigo.



Eu quero ter... Eu terei!
Porque são meus os seus pensamentos
São meus os seus desejos
São para mim os seus gemidos
São meus os teus conflitos
Eu quero ter... Eu terei!
Porque é minha essa vontade exagerada

De te possuir.


Olhe para a sombra
E poderá ver a serpente observadora
Não acenda a luz!

Não tema!
Sinta a serpente entre os lençóis
Ouça seu sussurrar

Deixe que ela se enrosque em suas pernas
Sinta sua língua bifurcada

A lhe provocar arrepios
O prazer é uma serpente fria
Enroscando-se em seu corpo quente
Olhe para a sombra

Eu sou uma serpente entre tuas pernas.

Que o mundo sinta a fúria
Dos ventos, do mar, do amor
Que um corpo se choque no outro
Até que se descontrolem os dois
Até que não se separem mais
Até que não faça sentido
Até que se perca o juízo
Que o mundo sinta a fúria
Dos corpos, dos homens, do gozo.

Quero ser o que brota de ti
Quero teu melhor para mim
Quero teu cavalgar
E os teus delírios

Quero a tua fome para matar a minha
Quero o que brota de ti
O teu leite para fecundar a minha vida

Respire fundo e relaxe
Não é preciso pressa para nada
Tudo é na hora de Deus
Para que tanta vontade de ir então.
Se entregue a cama
Aos sonhos
Tudo é como Ele quiser que seja
Não adianta ir contra as vontades dEle.
Respire fundo e relaxe
Deixe o corpo para mim
Já que a alma é de Deus.

E a noite enfim se silencia
A lua impera  solitária

O diabo anda nu pela casa
Lilith caminha entre véus
Exalam orgulho de serem diferentes
A maioria os condena
E a noite enfim se silencia
E os amantes exibem orgulho
De se pertencerem.

Há sete pecados capitais,
sete vícios que foram usados
para me educar.
Sete tentativas de controlar
os meus instintos básicos.
E sete vezes fui perdoada!
(Waleska Zibetti)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

VICKY CRISTINA BARCELONA (FILME)



Vicky Cristina Barcelona - Resenha
Por Gabriella Gilmore

"A vida é curta, entediante, cheia de sofrimentos.
E isso é uma chance de algo especial..."

Isto seria um convite da "Ilusão" nomeada Juan, para você, amigo cinéfilo.

Achei esse filme interessante porque ele me trouxe tais arquétipos para emoções que nos faz a todo tempo questionarmos: Amor e paixão.

Ás vezes nos deparamos com um sentimento, você se entrega, faz compromissos e jura que aquilo é amor.
A cada dia que passa, fica mais difícil para nós definirmos realmenteo tão sonhado amor romântico.
Muito das vezes o confundimos com a paixão, que geralmente vem intensa, cheia de doçuras, aventuras e você pensa que "agora fechará um contrato eterno", afinal, aquilo foi mágico.
Imagino que dentro de nós, existem duas partes que pensam diferentes sobre essa relação amor/paixão. Um lado nosso procura algo calmo, constante, puro, e no outro, já preferimos algo que nos tire da rotina, algo quente e cheio de sensacionalismos.
Poderíamos nomear estas duas partes distintas de Vicky e Christina.
Neste filme fabuloso de Woody Allen, ele mescla essa fusão de sentimentos e ainda inclui a "ilusão" encarnada em um charmoso artista plástico.

Duas amigas saem de férias para Barcelona. Vicky está terminando seu mestrado sobre Identidade Catalã, e Christina, uma artista e escritora frustrada, após ter terminado um namoro, achou interessante mudar de ares e ir com a amiga para Europa.
Lá, elas deparam com um pintor super interessante e um pouco atrevido, que as convidam para uma pequena viagem a uma cidadezinha  chamada Oviedo. 
Christina em busca de emoções, de cara aceita o convite.
Já a amiga, não achou muita graça no jeito descarado do rapaz e também pelo fato de estar noiva e respeitar demais o futuro marido que ficou na América.
Mal sabem elas o que este artista da vida fará com seus conceitos pré-fabricados sobre amor, paixão e ilusão.
Um prato cheio para você tirar suas conclusões e saber que a vida por mais curta que seja, é um palco gigante. E terminando, responda esta questão levantada pela personagem de Penélope Cruz: - Apenas um amor incompleto pode ser romântico?
Bom, viva para ver este filme e responda a si mesmo.
Enjoy!!!

Elenco:Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Javier Bardem e Penélope Cruz.