quarta-feira, 8 de outubro de 2014

E eu preciso de motivos?

"Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim."
(Caio Fernando Abreu)

Esses dias fui pega de surpresa com a seguinte tarefa: 

- Pense em cinco motivos que me fazem gostar de alguém. Porém você a cada motivo pensará em como isso te afeta no seu dia!
Eu pensei com os meus botões:
- Cara, o que pontuar com palavras tudo aquilo que me faz gostar de alguém? Como transformar o abstrato em palavras concretas?
Ai passando essas duas semanas e pensei de novo no assunto e resolver contextualizar e loucamente pensei:
- Ah, como quero encontrar o caminho para a Terra do Nunca!
Embora por muitas vezes eu não me expresse como gostaria, mas é uma sensação diferente pensar e falar sobre sentimentos próprios.

Motivo 1) O gosto do inesperado, do surpreendente esse torna o mais simples, o mais importante;

Motivo 2) O seu olhar a procura de algo mais em mim. Apesar de ficar completamente sem jeito eu me sinto diferente é como se eu estivesse sendo descoberta a todo momento e ele estivesse gostando do que vê;

Motivo 3) Poder passear meus dedos e fazer muito carinho e assim deixar meu sentimento através dos meus gestos, ah se ele soubesse o quanto eu gosto disso;

Motivo 4) O jeito como sempre abro um sorriso quando te vejo, me faz pensar no quanto é bom estar ali;

Motivo 5) Eu gosto de Sorvete (Risos altos e contínuos)

O mais importante não é ter motivos é sentir o que se sente e ponto!

Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem possuí-la...

Au Revoir
Até o Próximo Texto




Quando Paris Cintila

"basta não ser insensível à magia para que ela aconteça"
Betty Milan

Uma vida bem escrita é quase tão rara como uma bem vivida.
Então meus caros como ser insensível a magia e aos sinais?
E como entender a vida e quando de verdade ela começa? Ah esse mundo onírico e cheio de perspectivas e paisagens e muitos cheiros de muita beleza e de muitas cores!
Talvez seja esse o ponto chave para entender essa leitura bem simples que é o livro da betty milan (sim em letras minúsculas como a capa original).
Até que ponto enxergamos por onde passamos e o que aproveitamos desse visual. A importância do imaginário para os seres humanos e até que ponto ela ajuda a superar o dia dia e as provocações e limitações que a realidade nos trás.
As páginas da vida são cheias de surpresas... Há capítulos de alegria, mas também de tristezas, mistérios e fantasias, sofrimentos e decepções... Por isso, não rasgue páginas e nem salte capítulos, não se apresse a descobrir os mistérios. Não perca as esperanças, pois muitos são os finais felizes. E nunca se esqueça do principal: NO LIVRO DA VIDA, O AUTOR É VOCÊ!

Com certeza, é um livro que incita à meditação, inspira a viajar, e que exige alguns comentários e muitos pensamentos.

A autora conseguiu transmitir e transpor os limites da imaginação através dos cinco sentidos transportando para Europa, Ásia, América do Norte ou do Sul, descobrindo que é tão fundamental imaginar quanto romper hábitos. 
Apesar do título, o livro não trata somente da capital francesa (um dos meus lugares imaginários e inspiradores no mundo). Paris, porém, funciona como uma espécie de base espiritual e escrita para o livro: foi lá que ela organizou e escreveu as 33 crônicas dessa coletânea.
Escrever para viver, viver para escrever. Imaginar estar em um ponto do globo e desvendar todos os mistérios da vida e o que o mundo tem a oferecer. Falar das surpresas da vida. É justamente nessas surpresas que está o gosto real pela vida. O não sabermos o que nos reserva o dia de amanhã, é que nos faz sentir a necessidade de viver intensamente o dia de hoje, e vive-lo em plenitude.

O livro provoca ao mesmo tempo que conforta e sem pretensão ela escreve e transmite tudo aquilo que é preciso pra viver cintilando por aí!
Au Revoir
Até o próximo texto

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A Moça de Um Certo Lugar



Tinha uma moça num certo lugar 
que dizia "eu te amo" por cem Reais. 
Tinha uma moça num certo lugar 
que vendia ilusões aos homens carentes.
E um dia um homem chegou 
e perguntou se ao invés de vender, 
ela simplesmente daria a ele um "eu te amo" daqueles. 
Ele também quis saber 
se ela trocaria um pouco da ilusão, 
por algo mais concreto. 

A moça pensou, olhou 
para as cortinas vermelhas, 
para as meias de seda, 
para a cama cheirando a alfazema barata...

Tinha uma moça num certo lugar 
que cantava a meia-luz canções de além mar.
Tinha uma moça num certo lugar 
que entre a fumaça do próprio cigarro dizia 
que seu "eu te amo" de nada valia
na boca de quem a faria chorar, 
mas que ali seu "eu te amo" valia cem reais
entre corpos carente que não tinha que amar.
E a moça olhando de esguio sorriu da calçada
olhando o vadio levando suas mentiras para outro lugar. 

A moça pensou, 
olhou para o céu de estrelas, 
para as unhas vermelhas, 
e caminhou pelas ruas 
com a certeza de que vive melhor nessa vida
quem conhece seu lugar.
(Waleska Zibetti)
 

domingo, 28 de setembro de 2014

Quando a vida deixa de ser um mero clichê

 "My pride, my ego, my needs and my selfish ways
Caused a good strong woman like you to walk out my life
Now I never, never get to clean up the mess I made, oh
And it haunts me every time I close my eyes
It all just sounds like…”


Trad.: "Meu orgulho, meu ego, minhas necessidades e meu jeito egoísta
Fizeram uma mulher boa e forte como você sair da minha vida
Agora nunca, nunca conseguirei limpar a bagunça em que eu fiz
E me assombra sempre que fecho meus olhos
Tudo isso soa como..."

(Bruno Mars –When I Was your men) 



Muito me impressiona ver algumas pessoas gastarem suas vidas com conflitos fúteis e inúteis, tendo a oportunidade de poder fazer algo grandioso por elas mesmas. Quando digo oportunidade, não cito que elas tenham tudo pronto para imediato, mas condições muito favoráveis para batalhar e fazer de suas vidas algo muito especial. Clichês do tipo: “isso passa”, “uma hora se ajeita”, “o tempo é o maior aliado”, não são as melhores formas de se auto ajudar a sair da inércia.
Ações, decisões pensadas, são elas que nos dão o empuxo necessário para seguir em frente e talvez sejam elas a mola propulsora necessária para que a vida não passe a ser um verdadeiro marasmo. Nem tudo são flores, nem todos os dias são ensolarados, mas, não há tristeza que dure para sempre! Só penso que os dias nublados irão vir e que as flores irão murchar.

Crer nas possibilidades é muito clichê, a dúvida é excitante.

Na ânsia de sermos diferentes, acabamos por repetir a mesmice, os velhos e óbvios clichês, tão gastos e desbotados, que fogem a nossa percepção. Seja louco (a) diga o que pensa, seja direto, se desprenda sobre o que não vai acontecer ou o que podem pensar, mande flores e diga o quanto foi bom estar naquela companhia, cintile! Seja diferente! Seja você!
Mas às vezes deixamos passar essas oportunidades, por medo, por orgulho, por ser clichê, por vergonha do ridículo, pois quando amamos, ficamos bobos! Sim, BOBOS alegres!
Mas eu admito que por muitas vezes devo ser o clichê implantado, meus olhares são poetas, meu silêncio é cantor e minha ausência dançarina, eu faço festa mesmo sem estar, causo dores sem querer e desperto amores inconscientemente. Se sofro? É claro, neste mundo não há quem não sofra mais eu entendo muito bem o sofrimento e lido com ele de forma pacífica, por vezes de forma dramática.

Nenhuma barreira é intransponível se você estiver disposto a lutar contra ela.
 
Vai lá pessoa, fecha os olhos. Mergulha no que te dá vontade. Que a vida não espera por você. Abraça forte e com vontade o que te faz sorrir. Sonha que é de graça. Não espere. Promessas vão e vem. Planos, se desfazem. Regras, você as dita. Palavras, o vento leva. Distância, só existe pra quem quer... E já dizia o Einstein “Evitar a felicidade com medo de que ela acabe, é o melhor meio de se tornar infeliz.” Então você está esperando o que pra ser e fazer alguém feliz?

Meu conselho: Não deixe escapar oportunidades na sua vida! Viva a vida intensamente, aproveitando somente o melhor dela! Por que o tempo passa, e o que passou pela sua vida no passado no futuro pode se tornar uma doce recordação ou um amargo arrependimento.

Ei se você achou que o texto teria algo óbvio, quem disse a você que a vida é óbvia?

Aproveite-a, toque-a e dance-a!!!

 
Au Revoir e Até o próximo Post!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Primavera - Cecília Meireles


A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Um Lugar Para Mim em Nothing Hill

E não se esqueça que eu não passo de uma garota,
parada na frente de um garoto,
pedindo a ele que a ame.
(de: “Um Lugar Chamado Nothing Hill”)

Onde é que ele está, heim? Ele anda por aí sem saber que eu o espero com meu melhor sorriso e um abraço apertado. Falo do meu William. Talvez ele nem se chame William. Pouca importância tem o nome se ele me fizer sua Anna. Até porque meu nome não é Anna. Acho que esse nome nem combinaria comigo! Contudo, quero olhar nos olhos desse cara atrapalhado que provavelmente ainda não sabe que eu existo e ver que valeu a pena esperá-lo. Quero falar da solidão que senti até ele chegar. E quero que ele me fale do que fazia antes de caminhar comigo. Faremos isso numa ruazinha aqui de minha cidade mesmo. Será a nossa Nothing Hill. E talvez nossa trilha não seja “She” de Elvis Costello. Mas será nossa e isso é que é importante. Então, estou aqui esperando pelo meu “William”. E enquanto isso...

Vocês já assistiram “Um Lugar Chamado Nothing Hill”? Deveriam! O filme é britânico de 1999 dirigido por Roger Mitchell, o mesmo de “Amor para Sempre” e “Fora de Controle”. É um filme delicioso onde a protagonista vivida por Julia Roberts (“Uma Linda Mulher”) conhece o nada menos encantador William Thacker, vivido por Hugh Grant (“Quatro Casamentos e Um Funeral”). Ela é uma atriz famosa que precisa reencontrar a mulher simples que ela é. Ele é um rapaz que precisa reencontrar o amor.

Uma comédia romântica típica de fim de tarde com uma trilha apaixonante. Um filme para se ver com pipoca ou sorvete e um desejo terno de ser adolescente outra vez ou de ser mulher de vez. Um filme bom para suspirar e para criar desejos. Desejos de se andar por aí perguntando “Onde estar o meu amor? Onde é o caminho para Nothing Hill?”.

Então, fica aí uma dica suave para noite de hoje. Vamos lá?! Arrisque-se a sonhar um pouco. Comece ouvindo, Elvis Costello. Boa noite!!!


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

AMY LEE LANÇA CD SOLO

AMY LEE LANÇA CD SOLO
Por Gabriella Gilmore

O papo de hoje é sobre lançamento musical.
Colegas do clube sabem do meu amor pela compositora e cantora Amy Lee, vocalista da banda de rock Evanescence, e eu não poderia perder a oportunidade de espalhar essa novidade que vem me deixando ansiosa há alguns anos.
Depois de algum tempo “prometendo” lançar CD solo, a artista, juntamente com o músico Dave Eggar escreveram AFTERMATH, que inclusive foi trilha sonora do filme independente WAR STORY.
Trazendo uma sonorização diferente do que conhecemos da sua banda, Amy Lee coloca um pouco de seus artistas favoritos na sua nova música.
Em “Push the Button” você sente Nine Inch Nails e Bjork numa levada eletrônica sexy e psicodélica.
Foi ousada com a balada árabe em “Dark Water”, contando com a participação da marroquina Malika Zarra. Tem Mozart, Garbage, Wagner e até mesmo Evanescence em “Lockdown”, que é o hit mais quente desse álbum. Contudo, os fans do rock talvez vão torcer o nariz porque as músicas não fazem você bater a cabeça, porém te faz sentir, pensar e analisar.
Aftermath é literalmente um som “pós-guerra”, aquela guerra interna que nós artistas enfrentamos diariamente. “To survive, I lockdown”. Sentiu isso?
Fica a dica musical de hoje.
Confira a dica abaixo e deixe sua opnião. Aftermath pega ou não pega?


Ouça aqui -> Aftermath

Quem Dança é mais Feliz?

"Quando você dança, seu propósito não é chegar a determinado lugar.
 É aproveitar cada passo do caminho." ( Wayne Dyer )














Você precisa de algo para enfim te completar e te fazer feliz?
Esse é o Questionamento do nosso personagem John Clark (Vivido pelo ninguém mais e ninguém menos que o Richard Gere). Há vários anos o advogado John Clark (Gere), especialista em testamentos, leva uma vida rotineira do trabalho para casa e de casa para o trabalho. Apesar de amar sua mulher, Beverly (Susan Sarandon), e seus filhos, John sente que algo está faltando algo em sua vida. Por acaso vê na janela de uma academia Paulina (Jennifer Lopez), uma bela professora de dança. Esperando se aproximar dela, John se matricula na academia. Paulina rapidamente elimina qualquer possibilidade de envolvimento com John, mas isto não o faz deixar de ir às aulas, pois ele acha cada vez mais relaxante e divertido dançar.
Shall we Dance? Ou abrasileirando o título Dança Comigo? é uma adaptação de um filme de terras nipônicas (pra mim uma surpresa) que é do ano de 1996.
 
Sinopse: John treina arduamente para a maior competição de dança de Chicago. Sua amizade com Paulina (Jennifer Lopez) cresce e seu entusiasmo reacende a paixão perdida pela dança. Com sua esposa ficando desconfiada e seu segredo prestes a ser revelado, John tem que fazer algo para continuar o seu sonho e realizar aquilo que ele realmente busca. 

Opinião: Todas as vezes que uma produção alternativa conquista olhares é feito um remake hollywoodiano repleto de estrelas e adaptado a cultura do Tio Sam o que por vezes tira o foco original da história e o seu charme.A versão japonesa é muito mais filme que a norte-americana, mas isso não impede que o público tenha um bom programa para depois do almoço familiar de domingo. Vovó irá se divertir com a homenagem às estrelas dos antigos musicais da MGM com Fred Astaire e Cyd Charisse, e com a referência à música "Shall we dance", do clássico premiado O Rei e Eu. Garotas irão curtir mais uma vez a cena batida de Uma linda mulher, em que o galã Richard Gere, de black-tie, presenteia sua amada com uma rosa.  

Aqui vai o trailler:
Au revoir,
Até o próximo texto!


sábado, 13 de setembro de 2014

A Borboleta e o Lobo do Mar



É uma da manhã e o telefone não tocou. Ou tocou e eu não ouvi? Ele sempre diz que não ouço nada e que vivo absorta em meu mundo de borboletas azuis. E eu me pergunto: é crime gostar de borboletas? Não sou eu que não ouço. É ele que insiste em falar algo demais quando o melhor momento é se calar. Então, eu me desprendo e vou voar com as borboletas. Se ele soubesse que nem sempre elas são azuis... 

 Ele não tem tempo para vê-las. Quase ninguém tem! Todos vivem presos aos seus compromissos e correrias que enfartam. As borboletas não acompanham os que correm. Elas precisam pousar aqui e ali de vez em quando. Tocar suave pétalas de flores campestres amarelas. Das minhas borboletas azuis e do amarelo das minhas flores selvagens é que vem o verde da minha esperança. Mas quase ninguém vê. 

 Aliás, ele também não vê a esperança em mais nada. Acho que ele não vê nada. Não tem tempo para ver. Ah, se ele conseguisse parar de falar e começasse a ouvir só um pouquinho as canções do vento! Acho que ele precisa dançar ao som do vento e começar a ver borboletas. Não ligo de emprestar as minhas até ele criar as dele. 

 E já são duas e não sei se o telefone tocou ou não. Tudo que sei é que estou aqui pensando, pensando, como faço as noites em que nem eu durmo e nem o telefone toca. 

Ele está lá em algum ponto desse mar. De repente, um pensamento triste me ocorre: não há borboletas no mar. Então é fácil se sentir sozinho por lá. Talvez eu devesse desenhar algumas bem coloridas e dar a ele na próxima vez que o vir. Devo desenhar também algumas flores. 

O mar é triste a noite. Tão escuro e envolto em mistérios. Talvez de tanto ficar no mar o coração dele esteja escuro também. Sei que há quem me dirá que o mar é magnífico. E eu concordo. Ele é! Mas é que imaginá-lo sem borboletas, o deixou tão triste. Lindo ainda assim. E as ondas lambem a areia. São Ondinas tentando sair dali. 

Mas sabe o que pensei agora? No mar há gotas que sonham em ser borboletas. E elas fogem dele para o céu e depois se lançam das nuvens em forma de chuva. E enquanto caem em queda livre, são borboletas de asas transparentes voando em direção as flores. São minutos de total liberdade antes de voltar para os braços do mar. Ai... Que vontade de ser gotas de chuva! 

Se ele me ouvisse agora me chamaria de louca. E me mandaria por os pés no chão e tirar a cabeça das nuvens. De vez em quando tenho pena dele; ele é tão raiz. Eu não quero ser raiz! Quero ver o sol refletido nas gotas-borboletas do meu jardim. Quero ver o mar se iluminando de manhã e as Ondinas cedendo espaço aos seus admiradores. E a canção solitária do mar ser tomada pouco a pouco por um coral de risos infantis. Ah, eu prefiro ser flor a ser raíz. Ele que me perdoe! 

E são quase três. Definitivamente o telefone não tocou. Vou dormir! Vou nos sonhos ser borboleta, vou voar até ele e tocar-lhe suavemente o ombro. Vou beijar-lhe com minhas antenas e soprar, num farfalhar de minhas asas, um pouco da minha esperança sobre ele. E que eu o faça sorrir! Quem sabe ele consiga novamente alguma ver esperança em mim? E quem sabe um pescador contará mais tarde a história de um amor bonito entre uma borboleta e um lobo do mar.
(Waleska Zibetti)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Hello Stranger!

"Não me apetece viver histórias medíocres,
paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar.
Só quero na minha vida gente que
transpire adrenalina de alguma forma."

(Gabriel García Marquez)






Talvez fiques surpreso com estas linhas seguintes, pois este não é um simples texto, mas, uma carta de amor diferente. Sem Remetente e sem destinatário, apenas, uma carta de amor. 
Naquela tarde de inverno, aquele era o último sorriso sincero em meses, talvez em muito tempo... Ali parada olhando para você a espera de um caminho a seguir, os ouvidos tentando escutar o que aquelas palavras traduziam em meu coração. Sem mais barulhos, sem multidões, sem chuva, sem sol, sem distâncias, sem férias. Somente nós e a música... Como diriam os franceses enfáticos e gestualmente falando "La musique c'est très fantastique!!!" a música tem esse poder mágico de transpor a barreira das palavras que precisam ser ditas. Treme, disfarça, nega, se entrega e não se entrega. Eu ainda não acredito, digo que não é verdade e tento disfarçar, ando e desando negando o que minha alma tenta dizer...

- Como posso ter me rendido  assim?

Há muito mais sentimentos embutidos do que simplesmente declarações. Muita gente diz que o tempo é inimigo do amor, que as relações se desgastam com o passar dos meses e anos. Mas seria insano argumentar que esse tipo de pensamento pode cair por terra quando reciprocamente alimentamos nossos sentimentos com a lenha certa para que o fogo continue a queimar?
Pois é caro estranho...
Nem todos pensam assim e por não semearmos tão bem nossos sentimentos é que o mundo carece de tanto amor e hoje me encontro exatamente na bifurcação da dúvida. Dúvida de quais caminhos seguir.
Caminhos?
Destino?
Ah Estranho, há dias em que tudo é tão nebuloso, sombrio que chego a pensar que o amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas.  Comeu os minutos de adiantamento do meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu a futura grande dançarina, o futuro grande poeta.  Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte. Sei que tenho culpa Estranho, me acovardei várias vezes, esperei aquela luz tão pequena se ampliar na minha frente, mas tive medo de ir adiante então retornei ao caminho mais fácil, mesmo sabendo que não era feliz por inteiro, ainda faltava o essencial...
Ah estranho! Sabe o quanto foi difícil pra mim muitas vezes desejar por fim em tudo e saber que é totalmente alucinante e sem saída? Veja só, eu ainda estou viva e veja só como eu estou… Parece fácil estar transcrevendo em mal traçadas linhas estranho, mas não é. A cada emoção sentida uma lágrima rola do meu rosto.
Mas parece que hoje vejo uma pequena chama, linda e coberta por algo tão vistoso de sentimentos, é mesmo para mim? É assim que me encontro, desacreditada e perdida. Engraçado, mas, será que ele perceberá Caro Estranho, que quando me acorda, tem a dose exata para me despertar para o dia, e mesmo sem dormir ao meu lado, tem a dose certa para trazer meu sono em doses pequenas, exatas, incessantes, que de longe não pensa em futuro, mas é a dose certa para fazer bonito meu presente?

Será que é certo acreditar ou devo mais uma vez recolher-me a apatia e a covardia de seguir uma vida traçada ou desejada por outros? Que sinais devem ter para seguir adiante? Estranho, sentir-se triste é pecado? É feio? Ter certeza e me calar é Crime?
Hoje se eu pudesse diria tantas coisas, mas só queria que ele sentisse que é a melhor de todas as sensações que eu já experimentei na vida. Independente de que ele fique ou se vá para bem longe... Não consigo mais escrever Caro Estranho, cada mal traçada linha e cada palavra que brota vêm com esperanças desconfiadas e incertezas. Espero que entenda tudo que tenho a dizer, você me pergunta se eu tenho esperança ainda que mínima? Se olhar em meus olhos agora o que você diria?
Adeus.