segunda-feira, 21 de julho de 2014

Até breve, Poeta!

"A saudade é a nossa alma
dizendo para onde ela quer voltar.
Rubem Alves”

__Está morto! – Anunciaram impiedosamente.

Faz-se silêncio entre os que amam. A morte egoísta não poupa ninguém. O poeta silenciou-se. Levou consigo o que a maioria não consegue dizer. Acho que quando poeta morre o mundo fica mais duro, mais cruel, mais mundo. Virou passarinho o menino de palavras encantadas. Foi-se com seu jeito simples de me falar tanto.

O domingo foi triste. Estão de luto os versos de todos os poetas. Morre em São Paulo aos 80 anos, Rubem AlvesTido por muitos estudiosos como uma das mais relevantes personalidades no cenário teológico brasileiro; o fundador da reflexão sobre uma teologia libertadora. Sua posição liberal logo lhe trouxe graves problemas em seu relacionamento com o protestantismo histórico e especificamente presbiteriano. Foi questionado desde cedo por suas idéias e teve de abandonar o pastorado, tendo antes abandonado suas convicções doutrinárias ortodoxas. Sua mensagem é direta e, por vezes, romântica, explorando a essência do homem e a alma do ser.  Autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis.

E para despedir de um poeta, nada melhor que seus próprios versos. 


“Aquilo que está escrito no coração
 não necessita de agendas
porque a gente não esquece.
O que a memória ama fica eterno.” 
Rubem Alves


“Todas as palavras tomadas literalmente são falsas.
A verdade mora no silêncio
que existe em volta das palavras.
Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas.
A atenção flutua:
toca as palavras sem ser por elas enfeitiçada.
Cuidado com a sedução da clareza!
Cuidado com o engano do óbvio!”
Rubem Alves


Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros:
a beleza mora lá também.” 

Rubem Alves





terça-feira, 15 de julho de 2014

Pensando no Tempo (Uma Leitura Particular de "O Outro" - Rubem Fonseca)



“Quando chegava a hora do almoço,
eu havia trabalhado duramente.
Mas sempre tinha a impressão
de que não havia feito nada de útil”
(Rubem Fonseca, in “O Outro”)

Tenho escutado muito o “Desculpa-me, mas não deu tempo”. Não deu tempo! Tempo... O que as pessoas têm feito com seu tempo? Não há mais tempo nos jovens e isso me preocupa. Trabalho, faculdade, curso, agenda... E onde ficam os pássaros?

Devorados na ausência do tempo e nos sonhos de grandeza – quero carro viagem para Paris, cobertura - o jovem suicida-se na pilha de papéis e envelhece nos vazios internáuticos. Como é mesmo um olhar real?

Essa noite na TV um show dos Rolling Stones, no site o ícone avisa que é aniversário da Paulinha aquela amiga que mora em Volgogrado – deve ser bom conhecer alguém que mora em Volgogrado – e que eu conheci lá em... Onde mesmo? Só sei que a Paulinha é uma menina maneira que eu nunca soube o som da voz, mas imagino que seja linda.  Quantos quilômetros há daqui a Rússia mesmo?

“E, sempre, no fim do dia,
eu tinha a impressão
de que não havia feito tudo
o que precisava ser feito.
Corria contra o tempo” 
(Rubem Fonseca, in “O Outro”)

Eu sou dessas pessoas que correm contra o tempo. Na verdade eu estou sempre na contra mão. Contra o tempo, contra o mundo, contra mim... Eu gosto de estar no sentido contrário, de ir ao encontro, de estar em confronto.  E os pássaros estão no céu que hoje está meio cinza. Um dia chato de terça-feira. Povo vestido de preto e marrom. Inverno.

Devoro juízos e faço pensar. A loucura é o vinhos dos pensadores. Dos que não se importam do pé no chão desde que a cabeça resida segura na lua. Não tenho carro, vou a pé ou de ônibus, porque gosto de olhar os olhos dos para descobrir novos tons de azul e verde. Tenho pilhas de papéis poéticos em minha bolsa e encontro velhos amigos para falarmos da internet enquanto ouvimos rock and roll.

Essa noite não tem luar, me canta Renato Russo, na festa da Silvinha que mora ali em Costa Azul e que eu conheci pela Glória que mora em Unamar – Não tem nada de diferente em Costa Azul ou Unamar, eu sei porque eu estive lá. E a Silvinha é uma menina maneira e a Glória também. E as duas moram a dez minutos daqui.

“Um dia
comecei a sentir
uma forte taquicardia”
(Rubem Fonseca, in “O Outro”)

O jovem está envelhecendo rapidamente. E leva tudo muito a sério. Perde a piada, o humor, o amor... Dirige pela madrugada para chegar Volgogrado um dia e ver que a Paulinha suicidou-se porque não suportou passar o próprio aniversário sozinha entre as dezenas de e-mails que recebeu.  

E então, num café em Paris ele vai perceber que o tempo passou. E que não há números na sua agenda. Ele conhece filosofia, música, política, cinema. É cute, cool, grunge... Mas não sabe nada do rosto do espelho?

“Não é simples parar de repente de trabalhar.
Eu me senti perdido, sem saber o que fazer” 
(Rubem Fonseca, in “O Outro”)


Eu estou envelhecendo e meu corpo as vezes não acompanhar a vontade dos pensamentos. Eu morro de rir quando esqueço alguma data ou nome. Minhas mãos perderam um pouco da tez. Sou sedentária. Não me ajudo muito nisso. Mas ainda ouço rock e leio bons livros na beira da praia ou deitada no sofá. Conheço tanto de mim que  me temo. E conheço do mundo o suficiente para respeitá-lo. Sei das calçadas, das vielas, das prostitutas, dos vinhos, da loucura, do medo, da solidão, da força, do vento, da chuva, do sol, da terra, do negro, da ruiva, da porta, da fresta, da janela, dos meninos, das meninas, da boca, da coxa, da velha, do executivo, do monge, de sonhos, do tempo...

"não faça isso, doutor,
só tenho o senhor no mundo"



Estamos imersos num mundo onde a responsabilidade nos rouba o tempo e o jovem acelera o tempo na tentativa de um futuro melhor e eu do futuro aceno tire o pé do acelerador para se dar o tempo de ver os pássaros no céu que de repente agora ficou azul. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

500 dias com ela

Por Gabriella Gilmore

500 dias com ela (500 days of Summer)

"Extremamente delicioso e foge do clichê felizes para sempre."

"Zooey Deschanel está incrivelmente apaixonante neste filme."

O romântico Tom tinha uma certeza convicta de que uma vida só seria completa e feliz quando tivesse ao seu lado seu grande amor.
Até então sua vida era apenas uma rotina sem sentido, onde trabalhava em um emprego que na verdade nem era seu grande sonho (ele era escritor de cartões comemorativos).
Um belo dia ele se depara com uma nova assistente de seu chefe e para ele, foi amor a primeira vista.
Encantado com a beleza de Summer, eles acabam fazendo amizade, e nesse meio tempo ele percebe o quanto seus gostos eram parecidos e ali ele tem a certeza de que ela era o amor que faltava em sua vida.
Porém, Summer não queria compromisso sério, mesmo curtindo aquela relação "casual" no qual eles entraram num "acordo", mas no fundo, Tom estava confuso, pois ele queria algo mais consistente.
A história é contada de trás para frente, em forma de lembranças. É divertida, doce e nos deixa uma mensagem clara, de que amor não tem explicação, e que almas gêmeas é algo muito mais recíproco do que imaginamos, e que para isso acontecer, a outra parte tem que sentir o mesmo também.
Você já amou intensamente sozinho? Já tentou entender o porquê dessa pessoa não ter se apaixonado por você da mesma forma?
Então faça-me o favor de assistir 500 dias com ela que você entenderá e verá que a vida continua com ele (a) ou sem ele (a).

Atores: Zooey Deschanel, Joseph Gordon-Levitt, Minka Kelly, Clark Gregg, Geoffrey Arend, Chloe Grace Moretz, Matthew Gray Gubler.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

My Sweet Lord / All Things Must Pass


Essa canção está entre as 500 publicada pela revista norte-americana Rolling Stone em 2006 com as 500 melhores músicas de todos os tempos. (Fonte: Rolling Stone: As 500 melhores músicas segundo a revista http://whiplash.net/materias/melhores/042953-bobdylan.html#ixzz37ApfslQi)
Para alguns mais novos (<40) que pouco conhecem a história desse Ex-Beatle que cuja carreira abrangeu diversas áreas: músico, compositor, ator e produtor de cinema é bacana conhecer sua vida e principalmente sua obra que passeia entre as várias canções, inclusive aquelas cujo nunca haviam sido publicadas enquanto Beatles!
My Sweet Lord foi single principal de All Things Must Pass que se converteu logo em um grande êxito, alcançando o primeiro posto das paradas de sucesso a nível mundial e perdendo uma posterior pedido por suposto plágio da canção "He's So Fine" do grupo The Chiffons. Um juiz alegou que Harrison havia plagiado de forma não intencional a primeira canção, o que deu a George o argumento para escrever uma canção chamada "This Song" gozando do processo judicial. 

Trata, primariamente, do deus Hindu Krishna. Talvez um dos maiores mantras já ouvidos em todo o mundo, que não seja em versões Hinduístas! Traz a quem ouve uma reflexão interior e uma devoção do músico George por Krishna.

Curiosidade: Para o movimento Hare Krishna Deus é uma pessoa transcendental, possui uma forma, um corpo espiritual, portanto, Krishna é a Suprema Personalidade Deus e provou isso através de suas atividades quando esteve presente na Terra há cerca de cinco mil anos.

"I really want to know you
Really want to go with you
Really want to show you Lord
But it won't take long, my Lord (hallelujah)

Eu realmente quero conhecê-lo
Realmente quero ir com o Senhor
Realmente quero acompanhá-lo, Senhor
Mas isto não vai levar muito tempo, meu Senhor (aleluia)"

Pra mim, uma canção de muita paz!


Dica: Um dos Albuns de maior expressão do músico e um dos melhores segundo a Rolling Stone Americana vale a pena dar uma escutada. All Things Must Pass foi também o primeiro álbum triplo a ser lançado por um único artista. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame

Canções do álbum para pedir um Bis:
- "I'd Have You Anytime" (George Harrison/Bob Dylan) 
- "My Sweet Lord" (George Harrison)
- "If Not for You" (Bob Dylan)

Letra e Tradução: George Harrison - My Sweet Lord



Até o próximo post!
Au Revoir

terça-feira, 8 de julho de 2014

Feliz Aniversário, Kevin!



Kevin Norwood Bacon (Filadélfia, 8 de julho de 1958) é um premiado ator norte americano  que ganhou fama por seu papel no filme Footloose.

Na minha humilde opinião Kevin Bacon é um dos melhores atores que os anos 80 produziram. Ele tem como poucos condições de atuar em personagens de características completamente diferentes sem trazer nenhum tipo de resquício de um personagem para outro. Kevin é do tipo que não rejeita papéis, pois sabe que sua atuação forte e marcante sempre o destacará quer como mocinho esquisitão ou vilão sedutor.

Como adolescente típica dos anos 80, eu dancei demais ao som de “Footloose” e outras canções do filme sempre imaginando que um Ren McCominck aparecesse de repente para roubar a festa com passos incríveis de rebeldia e, claro, me levasse com ele no final. Ele nunca chegou como vocês podem perceber. Todavia assistir “Footloose” em alguma sessão vespertina ainda me faz ter esperanças. Infelizmente não poderia mais dançar tanto porque fatalmente teria dores no corpo no outro dia por conta da ferrugem que acumulei na minha nada mole vida sedentária.

De qualquer forma, no mundo cinematográfico  hoje tem festa para Kevin Bacon e nós do clube vamos estar juntos cantando parabéns para esse incrível cinqüentão. 


domingo, 6 de julho de 2014

O Homem Que Desafiou o Diabo



Lançamento
28 de setembro de 2007 
Duração
1h46min
Dirigido por
Moacyr Góes
Com
Marcos Palmeira, Fernanda Paes Leme
Gênero
Comédia
Nacionalidade
Brasil

Sinopse e detalhes
Zé Araújo (Marcos Palmeira) é um homem boêmio, que gosta de freqüentar cabarés e ouvir cantadores de viola. Após tirar a virgindade de uma turca, ele é obrigado pelo pai dela a se casar. Durante anos Zé passa por seguidas humilhações, provocadas por sua esposa. Um dia, ao ouvir uma piada sobre sua situação, ele se revolta, destrói o armazém do sogro e ainda dá uma surra na esposa. Ao terminar ele monta em seu cavalo e parte sem destino, decidido a ter uma vida de aventuras. A partir deste dia Zé Araújo passa a ser conhecido como Ojuara, enfrentando inimigos e vivendo situações inusitadas.

Minha Opinião

Um passeio pelos cenários nordestino brasileiro através da linguagem de cordel é a proposta dessa divertida comédia nacional que assisti nessa última sexta-feira. Um filme sem grandes pretensões aparentes, mas com algumas mensagens subliminares que desconstrói as figuras típicas do interior.

O Zé Araújo é o caixeiro viajante acostumado a estrada que cai na armadilha de uma mocinha e acaba no cabresto. Com o tempo, meio que se acomoda com a situação. Até que decide matar o seu “eu ridicularizado” para dar vida ao seu alter ego  Ojuara – Araújo ao contrário. E a partir daí, Zé vira mesmo o seu inverso. Cria e traça novos rumos para sua vida, sua coragem vai abrindo portas nesse mundo e no mundo dos espíritos. A diversão é garantida numa atuação ímpar de Marcos Palmeira.

Ah, por que falar desse filme? Bom, pense bem em quantas vezes você não quis ser o seu inverso. Eu adoraria deixar nascer a Akselaw e aventurar-me por aí em novas experiência sem o peso das responsabilidades que a Waleska tem, sem tantas poesias e borboletas no pensamento... Uma mulher mais prática e fria. Está chocado? Fica não! Eu queria ter um coração mais pedra que é para pensar um pouco mais em mim. Talvez seja egoísta de minha parte, mas...

Desafiar o diabo, não foi o ato de maior coragem de Ojuara. Penso que o que o torna um personagem especial é o desafio que ele se propõe para si ao longo de seu caminho, a determinação de atingir uma cidade fantasiosa onde paz e as coisas boas reinam. Ojuara é representação da determinação nordestina que não desiste de uma vida simples e justa. E essa determinação de Ojuara é invejável!


Senhores, deixo-lhes agora com o próprio Ojuara, esse anti-herói mais “heroístico” que já conheci que mal comparando podemos chamar de Quixote brasileiro sem Sancho Pança e com uma Dulcinéia prostituta. Hei-o, senhores, Ojuara!

“O meu nome é Ojuara eu vim de longe e vou em frente, e o senhor não é mais feio que certo tipo de gente. Feio é a herança do homem, a herança de Caim. Praga de mão ofendida, tentação do coisa ruim. Feio é aquela sombra escura que vai levando consigo o covarde que traiu a confiança do amigo. A beleza e a feiúra tão junta em toda parte, a beleza inté na morte, e feiúra inté na arte. Olhe seu rosto no espelho e não perca a esperança, porque foi Deus que lhe fez, à sua imagem e semelhança.”


sexta-feira, 4 de julho de 2014

O casamento grego





Titulo original: (My Big Fat Greek Wedding)
Lançamento: 2002 (EUA)
Direção: Joel Zwick
Atores: Nia Vardalos , John Corbett , Michael Constantine , Lainie Kazam , Andrea Martin.
Duração: 95 min
Gênero: Comédia
Produção:Gary Goetzman, Tom Hanks e Rita Wilson

O casamento grego – Resenha - Por Gabriella Gilmore


“Não deixe que o passado mude o que você é, mas deixe-o fazer parte do que você será.”
Posso dizer que é com uma grande responsabilidade que sento ao computador para escrever uma resenha sobre o filme Casamento grego.
Já escrevi inúmeras, tenho uma que até considero ‘premiada’ pelo número de acessos que há na internet, mas esta em especial, será uma tarefa delicada e te digo, leitor, o porquê.
Assim que você termina de assistir o filme, logo você procura os extras do DVD, e assiste uma, duas, três vezes se necessário. Depois você procura informações na internet, curiosidades, comentários. Aposto que gostaria até de ter o e-mail pessoal da protagonista para trocar-lhe algumas palavras. Agora te pergunto: Por que dessa melação toda? O que esse filme tem de tão especial que te deixa sem palavras? Ou faminta em indicá-lo aos amigos? A resposta acaba sendo simples: Histórias de amor, famílias que amam seus filhos a ponto de sufocá-los, casamento entre pessoas que não pertence ao mesmo ‘mundo’, existe.
Nia Vardalos (Toula) escreveu seu próprio conto de fadas para uma peça de teatro. Em silêncio, fez uma adaptação também para o cinema.
Em uma de suas apresentações, Rita Wilson, esposa do ator e produtor Tom Hanks, assistiu a adorável peça e depois foi parabenizá-la pelo sucesso e em seu íntimo sabia que ao comentar sobre o trabalho dela para seu esposo, seria quase certo dele querer adaptar o trabalho para a TV. Foi dito e feito.
A história conta a vida de Toula Portokalos, nascida nos USA, porém, com raízes 100% grega. Sua família E-NOR-ME tinham uma percepção diferente sobre os indivíduos, de que existiam apenas dois tipos de pessoas: as gregas e não-gregas. Família muito conservadora, os filhos só poderiam se casar com alguém da mesma etnia onde as mulheres fariam o papel da boa esposa, dona de casa, procriando e preparando pratos fabulosos na cozinha.
Toula, que já estava com 30 anos e trabalhava no restaurante grego da família, estava cansada de uma existência vazia, sem cor e sentido, gostaria muito de fazer algo útil na vida.
Uma vez ela pegou um folheto onde falava sobre cursos de informática, e foi ai que ela pensou em mudar sua rotina. O pai relutou contra, dizendo que ela já era inteligente o suficiente para ir estudar e que a coisa que mais o deixaria feliz seria se ela se casasse e procriasse, como toda mulher normal.
Apesar do drama hilário do chefe daquela família, ela consegue ir para a faculdade. Ali começa uma nova etapa da sua história, onde ela encontra uma beleza que estava guardada dentro de si e de gancho, o homem da sua vida.
Te convido a dar boas gargalhadas com essa doçura de filme e aposto que no final, você sentirá orgulho de ser brasileiro, pois temos muito daquele calor excessivo dos gregos, onde tudo é motivo de festa, fuxico, e OPA!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Um Ponto Além



E bati, e bati outra vez, e tornei a bater,
e continuei batendo sem me importar
que as pessoas na rua parassem para olhar,
eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome...
(Caio Fernando Abreu, in “Além do Ponto”)


Estamos sempre indo ao encontro de alguém ou de algo. Uma busca incessante pelo que nos completa e amplia como lemos nos livros, como nos contam pelas estradas, como nos falam as músicas, como vemos nos filmes. Somos seres lacunares. Almas despedaçadas. Qual parte lhe falta?

Alguns de nós são corajosos se lançam no encontro sem proteção, sem medo. Ou será a inocência que nos leva a caminhar assim tão impulsivamente por aí permitindo que o outro entre em nossas vidas e depois se vá de nós nos mutilando mais uma vez? A maior parte de nós são cicatrizes. Qual a cicatriz que mais lhe dói?

Quando realmente se quer algo não medimos esforços para conquistar. A desculpa brota de algum tipo de desinteresse. E na multidão os solitários são os olhos de caçadores ávidos atrás de uma nova presa. E na vida todos são presas e caçadores. Qual papel você está desempenhando hoje?

Contudo, é importante que sigamos... Olhe para fora de si! Há um mundo muito maior que esse que você vê. Até onde podemos ir para atingir o que idealizamos? Mas aproveite as curvas do caminho para experimentar-se. Nos atalhos moram os perigos que fazem a diferença. O proibido é o vinho dos sábios. Somos criaturas imorais. Qual pecado você esconde?

Estamos sempre a procura. Não importa o quanto tenhamos encontrado. A vida é ir e ir e ir... A limitação do ponto é o desconhecimento do poder do espírito. Estamos em busca do inatingível. E na impossibilidade alguns se desesperam, se angustiam e se debatem. Somos criaturas conflitantes. Onde mora a sua dualidade?

Colecionamos rosto que esquecemos e que nos esqueceram. Imaginamos onde estão e o que fazem nos dias de chuva quando a rotina e o tédio são a corda para enforcamento da razão. Na solidão de uma casa alguém se questiona como teria sido. No cansaço do casamento eles se perguntam o porquê. O menino pensa no homem. A mulher pensa no menino. Somos criaturas curiosas. Qual parte de você, você ainda desconhece?

Mas é preciso ir além. Percorrer as vias do medo. Ultrapassar o limite da dúvida. É preciso não parar no porto. É importante que se lance para o horizonte. É fundamental que não desista. Apesar da pedra, do ponto, da porta... Somos criaturas errantes. Qual caminho você tomará hoje?

terça-feira, 24 de junho de 2014

Atitudes perfeitas!

"Somos suspeitos de um crime perfeito,
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos..."
(Engenheiros do Hawaii)


Todos são inocentes até que provem ao contrário. Mas na vida sempre andaremos em atitudes suspeitas. A nossa escritora Waleska Zibetti tem razão, assim como a Gabriella Lima também.
Mas esqueceram de tocar em um ponto: até que momento somos nós a andar em atitudes suspeitas?
Até que ponto o nosso desconfiômetro  estará ligado em carga máxima?
Até quando vamos ter essa falta de confiança no semelhante?
Já perdi as contas de quantas vezes fui assaltada, inclusive por pessoas bem vestidas, então, não é a aparência que importa, mas, o caráter e personalidade que se formou em nossa sociedade! 
Brancos, Negros, Mulheres, Homens, classe a, b, c... políticos, profissionais liberais... todos os dias em atitudes suspeitas. Mas qual era a atitude suspeita?

As respostas são as mais diversas e até contraditórias.
Até o próximo Post!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

TODOS SÃO SUSPEITOS



Por Gabriella Gilmore

Me desculpe Wal, mas até que provem o contrário, para mim, todos são suspeitos.
Vivemos num mundo no qual não ser neurótico é anormal. Sim. Eu sou neurótica e não me tornei uma atoa. Mas a minha paranoia só é suspeita quando estou andando na rua e sempre tem alguém andando colado em mim, ou atravessa a rua logo quando eu acabei de atravessar ou quando estou em alguma fila ou entrando em algum ônibus. Para mim, a sensação de que serei assaltada de novo me vem toda hora.
Antes de eu ser assaltada há uns anos atrás, eu não suspeitava de ninguém. Achava que todo mundo era do bem. Andava falando ao celular, abria a bolsa no meio da rua, ficava em fila sem me preocupar em colocar a mochila na frente do corpo, porque vivia numa bolha em que assaltos só aconteciam com as pessoas lá de fora.
Uma vez, indo para a virada do ano novo, um casal mal arrumado nunca chamaria minha atenção, até aquele dia, quando fui abordada por eles tendo de entregar minha bolsa de colo. Levaram tudo o que eu tinha: dinheiro, celular, maquiagem, cd da Avril Lavigne (que nem era meu), uma garrafa de vinho e um Pack de Trident.
A partir de então, todo casal mal arrumado, de chinelo e boné, passou a ser suspeito.
Anos depois, na fila do ônibus, pronta para subir ao veiculo, algum sujeito, abriu minha mochila sem eu perceber e levou meu celular novinho. Só fui perceber isso quando sentei e vi a mochila aberta. Seis meses depois, com um celular ainda mais caro, o ocorrido passa a se repetir, e dessa vez com o ônibus vazio. Só havia eu, e o meliante atrás de mim, sentado, enquanto eu estava de pé perto à porta esperando o ônibus parar para eu sair.
Novamente abriu a mochila e levou o aparelho. Sim, o raio cai duas vezes no mesmo local.
A partir de então, passei a andar só com a mochila na frente, e todo mundo que cola em mim, seja em filas ou enquanto estou andando na calçada é suspeito, até que o mesmo siga quilômetros a minha frente sem ter me feito nada. “Esse era inocente”.
A sensação de impotência e insegurança é horrorosa, porém não foi algo que eu criei sozinha.
E para resumir o meu pensamento, segue uma frase de um autor leitor corporal que a pouco descobri.

“As nossas expectativas, sem dúvida, nos levam a pensar de formas determinadas. E como acabamos de ver, é difícil abandoná-las. Por isso a primeira impressão nos marca tanto e torna difícil retificar opiniões. (...) A aparência de uma pessoa determina então de maneira inevitável a primeira impressão que esta nos causa.” – Thorsten Havener – em O mentalista.