Por Gabriella Gilmore
500 dias com ela (500 days of Summer)
"Extremamente delicioso e foge do clichê felizes para sempre."
"Zooey Deschanel está incrivelmente apaixonante neste filme."
O romântico Tom tinha uma certeza convicta de que uma vida só seria completa e feliz quando tivesse ao seu lado seu grande amor.
Até então sua vida era apenas uma rotina sem sentido, onde trabalhava em um emprego que na verdade nem era seu grande sonho (ele era escritor de cartões comemorativos).
Um belo dia ele se depara com uma nova assistente de seu chefe e para ele, foi amor a primeira vista.
Encantado com a beleza de Summer, eles acabam fazendo amizade, e nesse meio tempo ele percebe o quanto seus gostos eram parecidos e ali ele tem a certeza de que ela era o amor que faltava em sua vida.
Porém, Summer não queria compromisso sério, mesmo curtindo aquela relação "casual" no qual eles entraram num "acordo", mas no fundo, Tom estava confuso, pois ele queria algo mais consistente.
A história é contada de trás para frente, em forma de lembranças. É divertida, doce e nos deixa uma mensagem clara, de que amor não tem explicação, e que almas gêmeas é algo muito mais recíproco do que imaginamos, e que para isso acontecer, a outra parte tem que sentir o mesmo também.
Você já amou intensamente sozinho? Já tentou entender o porquê dessa pessoa não ter se apaixonado por você da mesma forma?
Então faça-me o favor de assistir 500 dias com ela que você entenderá e verá que a vida continua com ele (a) ou sem ele (a).
Atores: Zooey Deschanel, Joseph Gordon-Levitt, Minka Kelly, Clark Gregg, Geoffrey Arend, Chloe Grace Moretz, Matthew Gray Gubler.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
sexta-feira, 11 de julho de 2014
My Sweet Lord / All Things Must Pass
Essa canção está entre as 500 publicada pela revista norte-americana Rolling Stone em 2006 com as 500 melhores músicas de todos os tempos. (Fonte: Rolling Stone: As 500 melhores músicas segundo a revista http://whiplash.net/materias/melhores/042953-bobdylan.html#ixzz37ApfslQi)
Para alguns mais novos (<40) que pouco conhecem a história desse Ex-Beatle que cuja carreira abrangeu diversas áreas: músico, compositor, ator e produtor de cinema é bacana conhecer sua vida e principalmente sua obra que passeia entre as várias canções, inclusive aquelas cujo nunca haviam sido publicadas enquanto Beatles!
My Sweet Lord foi single principal de All Things Must Pass que se converteu logo em um grande êxito, alcançando o primeiro posto
das paradas de sucesso a nível mundial e perdendo uma posterior pedido
por suposto plágio da canção "He's So Fine" do grupo The
Chiffons. Um juiz alegou que Harrison havia plagiado de forma não
intencional a primeira canção, o que deu a George o argumento para
escrever uma canção chamada "This Song" gozando do processo judicial.
Trata, primariamente, do deus Hindu Krishna. Talvez um dos maiores mantras já ouvidos em todo o mundo, que não seja em versões Hinduístas! Traz a quem ouve uma reflexão interior e uma devoção do músico George por Krishna.
Curiosidade: Para o movimento Hare Krishna Deus é uma pessoa transcendental, possui uma forma, um corpo espiritual, portanto, Krishna é a Suprema Personalidade Deus e provou isso através de suas atividades quando esteve presente na Terra há cerca de cinco mil anos.
"I really want to know you
Really want to go with you
Really want to show you Lord
But it won't take long, my Lord (hallelujah)
Really want to go with you
Really want to show you Lord
But it won't take long, my Lord (hallelujah)
Eu realmente quero conhecê-lo
Realmente quero ir com o Senhor
Realmente quero acompanhá-lo, Senhor
Mas isto não vai levar muito tempo, meu Senhor (aleluia)"
Realmente quero ir com o Senhor
Realmente quero acompanhá-lo, Senhor
Mas isto não vai levar muito tempo, meu Senhor (aleluia)"
Dica: Um dos Albuns de maior expressão do músico e um dos melhores segundo a Rolling Stone Americana vale a pena dar uma escutada. All Things Must Pass foi também o primeiro álbum triplo a ser lançado por um único artista. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame
Canções do álbum para pedir um Bis:
- "I'd Have You Anytime" (George Harrison/Bob Dylan)
- "I'd Have You Anytime" (George Harrison/Bob Dylan)
- "My Sweet Lord" (George Harrison)
- "If Not for You" (Bob Dylan)
Letra e Tradução: George Harrison - My Sweet Lord
Download em Torrent: All Things Must Pass - George Harrison (1970)
Até o próximo post!
Au Revoir
Au Revoir
terça-feira, 8 de julho de 2014
Feliz Aniversário, Kevin!
Kevin Norwood Bacon (Filadélfia, 8 de julho de 1958) é um premiado ator
norte americano que ganhou fama por
seu papel no filme Footloose.
Na minha humilde opinião Kevin Bacon é um dos melhores atores
que os anos 80 produziram. Ele tem como poucos condições de atuar em
personagens de características completamente diferentes sem trazer nenhum tipo
de resquício de um personagem para outro. Kevin é do tipo que não rejeita
papéis, pois sabe que sua atuação forte e marcante sempre o destacará quer como
mocinho esquisitão ou vilão sedutor.
Como adolescente típica dos anos 80, eu dancei demais ao som
de “Footloose” e outras canções do filme sempre imaginando que um Ren McCominck
aparecesse de repente para roubar a festa com passos incríveis de rebeldia e, claro,
me levasse com ele no final. Ele nunca chegou como vocês podem perceber. Todavia
assistir “Footloose” em alguma sessão vespertina ainda me faz ter esperanças.
Infelizmente não poderia mais dançar tanto porque fatalmente teria dores no
corpo no outro dia por conta da ferrugem que acumulei na minha nada mole vida
sedentária.
De qualquer forma, no
mundo cinematográfico hoje tem festa
para Kevin Bacon e nós do clube
vamos estar juntos cantando parabéns para esse incrível cinqüentão.
domingo, 6 de julho de 2014
O Homem Que Desafiou o Diabo
Lançamento
|
28 de setembro de 2007
|
Duração
|
1h46min
|
Dirigido por
|
Moacyr Góes
|
Com
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Marcos Palmeira, Fernanda Paes Leme
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Gênero
|
Comédia
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Nacionalidade
|
Brasil
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Sinopse
e detalhes
Zé Araújo (Marcos Palmeira) é um homem
boêmio, que gosta de freqüentar cabarés e ouvir cantadores de viola. Após tirar
a virgindade de uma turca, ele é obrigado pelo pai dela a se casar. Durante
anos Zé passa por seguidas humilhações, provocadas por sua esposa. Um dia, ao
ouvir uma piada sobre sua situação, ele se revolta, destrói o armazém do sogro
e ainda dá uma surra na esposa. Ao terminar ele monta em seu cavalo e parte sem
destino, decidido a ter uma vida de aventuras. A partir deste dia Zé Araújo passa
a ser conhecido como Ojuara, enfrentando inimigos e vivendo situações
inusitadas.
Minha Opinião
Um passeio pelos cenários nordestino brasileiro através da
linguagem de cordel é a proposta dessa divertida comédia nacional que assisti
nessa última sexta-feira. Um filme sem grandes pretensões aparentes, mas com
algumas mensagens subliminares que desconstrói as figuras típicas do interior.
O Zé Araújo é o caixeiro viajante acostumado a estrada que cai
na armadilha de uma mocinha e acaba no cabresto. Com o tempo, meio que se
acomoda com a situação. Até que decide matar o seu “eu ridicularizado” para dar
vida ao seu alter ego Ojuara – Araújo ao
contrário. E a partir daí, Zé vira mesmo o seu inverso. Cria e traça novos
rumos para sua vida, sua coragem vai abrindo portas nesse mundo e no mundo dos
espíritos. A diversão é garantida numa atuação ímpar de Marcos Palmeira.
Ah, por que falar desse filme? Bom, pense bem em quantas
vezes você não quis ser o seu inverso. Eu adoraria deixar nascer a Akselaw e
aventurar-me por aí em novas experiência sem o peso das responsabilidades que a
Waleska tem, sem tantas poesias e borboletas no pensamento... Uma mulher mais
prática e fria. Está chocado? Fica não! Eu queria ter um coração mais pedra que
é para pensar um pouco mais em mim. Talvez seja egoísta de minha parte, mas...
Desafiar o diabo, não foi o ato de maior coragem de Ojuara.
Penso que o que o torna um personagem especial é o desafio que ele se propõe para
si ao longo de seu caminho, a determinação de atingir uma cidade fantasiosa
onde paz e as coisas boas reinam. Ojuara é representação da determinação
nordestina que não desiste de uma vida simples e justa. E essa determinação de
Ojuara é invejável!
Senhores, deixo-lhes agora com o próprio Ojuara, esse
anti-herói mais “heroístico” que já conheci que mal comparando podemos chamar
de Quixote brasileiro sem Sancho Pança e com uma Dulcinéia prostituta. Hei-o,
senhores, Ojuara!
“O meu nome é Ojuara eu vim de longe e vou em
frente, e o senhor não é mais feio que certo tipo de gente. Feio é a herança do
homem, a herança de Caim. Praga de mão ofendida, tentação do coisa ruim. Feio é
aquela sombra escura que vai levando consigo o covarde que traiu a confiança do
amigo. A beleza e a feiúra tão junta em toda parte, a beleza inté na morte, e feiúra
inté na arte. Olhe seu rosto no espelho e não perca a esperança, porque foi
Deus que lhe fez, à sua imagem e semelhança.”
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sexta-feira, 4 de julho de 2014
O casamento grego
Titulo
original: (My Big Fat Greek Wedding)
Lançamento: 2002 (EUA)
Direção: Joel Zwick
Atores: Nia Vardalos , John Corbett , Michael Constantine ,
Lainie Kazam , Andrea Martin.
Duração: 95 min
Gênero: Comédia
Produção:Gary Goetzman, Tom Hanks e Rita Wilson
O casamento grego – Resenha - Por Gabriella Gilmore
“Não deixe que o passado mude o que você é, mas deixe-o
fazer parte do que você será.”
Posso dizer que é com uma grande responsabilidade que sento
ao computador para escrever uma resenha sobre o filme Casamento grego.
Já escrevi inúmeras, tenho uma que até considero ‘premiada’
pelo número de acessos que há na internet, mas esta em especial, será uma
tarefa delicada e te digo, leitor, o porquê.
Assim que você termina de assistir o filme, logo você
procura os extras do DVD, e assiste uma, duas, três vezes se necessário. Depois
você procura informações na internet, curiosidades, comentários. Aposto que
gostaria até de ter o e-mail pessoal da protagonista para trocar-lhe algumas
palavras. Agora te pergunto: Por que dessa melação toda? O que esse filme tem
de tão especial que te deixa sem palavras? Ou faminta em indicá-lo aos amigos?
A resposta acaba sendo simples: Histórias de amor, famílias que amam seus
filhos a ponto de sufocá-los, casamento entre pessoas que não pertence ao mesmo
‘mundo’, existe.
Nia Vardalos (Toula) escreveu seu próprio conto de fadas
para uma peça de teatro. Em silêncio, fez uma adaptação também para o cinema.
Em uma de suas apresentações, Rita Wilson, esposa do ator e
produtor Tom Hanks, assistiu a adorável peça e depois foi parabenizá-la pelo
sucesso e em seu íntimo sabia que ao comentar sobre o trabalho dela para seu
esposo, seria quase certo dele querer adaptar o trabalho para a TV. Foi dito e
feito.
A história conta a vida de Toula Portokalos, nascida nos
USA, porém, com raízes 100% grega. Sua família E-NOR-ME tinham uma percepção
diferente sobre os indivíduos, de que existiam apenas dois tipos de pessoas: as
gregas e não-gregas. Família muito conservadora, os filhos só poderiam se casar
com alguém da mesma etnia onde as mulheres fariam o papel da boa esposa, dona
de casa, procriando e preparando pratos fabulosos na cozinha.
Toula, que já estava com 30 anos e trabalhava no restaurante
grego da família, estava cansada de uma existência vazia, sem cor e sentido,
gostaria muito de fazer algo útil na vida.
Uma vez ela pegou um folheto onde falava sobre cursos de
informática, e foi ai que ela pensou em mudar sua rotina. O pai relutou contra,
dizendo que ela já era inteligente o suficiente para ir estudar e que a coisa
que mais o deixaria feliz seria se ela se casasse e procriasse, como toda
mulher normal.
Apesar do drama hilário do chefe daquela família, ela
consegue ir para a faculdade. Ali começa uma nova etapa da sua história, onde
ela encontra uma beleza que estava guardada dentro de si e de gancho, o homem
da sua vida.
Te convido a dar boas gargalhadas com essa doçura de filme e
aposto que no final, você sentirá orgulho de ser brasileiro, pois temos muito
daquele calor excessivo dos gregos, onde tudo é motivo de festa, fuxico, e OPA!
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Um Ponto Além
E bati, e bati outra vez, e tornei a bater,
e continuei batendo sem me importar
que as pessoas na rua parassem para olhar,
eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome...
(Caio Fernando Abreu, in “Além do Ponto”)
Estamos
sempre indo ao encontro de alguém ou de algo. Uma busca incessante pelo que nos
completa e amplia como lemos nos livros, como nos contam pelas estradas, como nos
falam as músicas, como vemos nos filmes. Somos seres lacunares. Almas
despedaçadas. Qual parte lhe falta?
Alguns de nós são corajosos se lançam no
encontro sem proteção, sem medo. Ou será a inocência que nos leva a caminhar
assim tão impulsivamente por aí permitindo que o outro entre em nossas vidas e
depois se vá de nós nos mutilando mais uma vez? A maior parte de nós são
cicatrizes. Qual a cicatriz que mais lhe dói?
Quando
realmente se quer algo não medimos esforços para conquistar. A desculpa brota
de algum tipo de desinteresse. E na multidão os solitários são os olhos de
caçadores ávidos atrás de uma nova presa. E na vida todos são presas e caçadores.
Qual papel você está desempenhando hoje?
Contudo,
é importante que sigamos... Olhe para fora de si! Há um mundo muito maior que esse
que você vê. Até onde podemos ir para atingir o que idealizamos? Mas
aproveite as curvas do caminho para experimentar-se. Nos atalhos moram os perigos
que fazem a diferença. O proibido é o vinho dos sábios. Somos criaturas
imorais. Qual pecado você esconde?
Estamos
sempre a procura. Não importa o quanto tenhamos encontrado. A vida é ir e ir e
ir... A limitação do ponto é o desconhecimento do poder do espírito. Estamos em
busca do inatingível. E na impossibilidade alguns se desesperam, se angustiam e
se debatem. Somos criaturas conflitantes. Onde mora a sua dualidade?
Colecionamos
rosto que esquecemos e que nos esqueceram. Imaginamos onde estão e o que fazem
nos dias de chuva quando a rotina e o tédio são a corda para enforcamento da
razão. Na solidão de uma casa alguém se questiona como teria sido. No cansaço
do casamento eles se perguntam o porquê. O menino pensa no homem. A mulher
pensa no menino. Somos criaturas curiosas. Qual parte de você, você ainda
desconhece?
Mas é
preciso ir além. Percorrer as vias do medo. Ultrapassar o limite da dúvida. É
preciso não parar no porto. É importante que se lance para o horizonte. É
fundamental que não desista. Apesar da pedra, do ponto, da porta... Somos
criaturas errantes. Qual caminho você tomará hoje?
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terça-feira, 24 de junho de 2014
Atitudes perfeitas!
"Somos suspeitos de um crime perfeito,
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos..."
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos..."
(Engenheiros do Hawaii)
Todos são inocentes até que provem ao contrário. Mas na vida sempre andaremos em atitudes suspeitas. A nossa escritora Waleska Zibetti tem razão, assim como a Gabriella Lima também.
Mas esqueceram de tocar em um ponto: até que momento somos nós a andar em atitudes suspeitas?
Até que ponto o nosso desconfiômetro estará ligado em carga máxima?
Até quando vamos ter essa falta de confiança no semelhante?
Já perdi as contas de quantas vezes fui assaltada, inclusive por pessoas bem vestidas, então, não é a aparência que importa, mas, o caráter e personalidade que se formou em nossa sociedade!
Mas esqueceram de tocar em um ponto: até que momento somos nós a andar em atitudes suspeitas?
Até que ponto o nosso desconfiômetro estará ligado em carga máxima?
Até quando vamos ter essa falta de confiança no semelhante?
Já perdi as contas de quantas vezes fui assaltada, inclusive por pessoas bem vestidas, então, não é a aparência que importa, mas, o caráter e personalidade que se formou em nossa sociedade!
Brancos, Negros, Mulheres, Homens, classe a, b, c... políticos, profissionais liberais... todos os dias em atitudes suspeitas. Mas qual era a atitude suspeita?
As respostas são as mais diversas e até contraditórias.
As respostas são as mais diversas e até contraditórias.
Até o próximo Post!
quinta-feira, 19 de junho de 2014
TODOS SÃO SUSPEITOS
Por Gabriella Gilmore
Me desculpe Wal, mas até que provem o contrário, para
mim, todos são suspeitos.
Vivemos num mundo no qual não ser neurótico é anormal.
Sim. Eu sou neurótica e não me tornei uma atoa. Mas a minha paranoia só é
suspeita quando estou andando na rua e sempre tem alguém andando colado em mim,
ou atravessa a rua logo quando eu acabei de atravessar ou quando estou em
alguma fila ou entrando em algum ônibus. Para mim, a sensação de que serei
assaltada de novo me vem toda hora.
Antes de eu ser assaltada há uns anos atrás, eu não
suspeitava de ninguém. Achava que todo mundo era do bem. Andava falando ao
celular, abria a bolsa no meio da rua, ficava em fila sem me preocupar em
colocar a mochila na frente do corpo, porque vivia numa bolha em que assaltos
só aconteciam com as pessoas lá de fora.
Uma vez, indo para a virada do ano novo, um casal mal
arrumado nunca chamaria minha atenção, até aquele dia, quando fui abordada por
eles tendo de entregar minha bolsa de colo. Levaram tudo o que eu tinha:
dinheiro, celular, maquiagem, cd da Avril Lavigne (que nem era meu), uma
garrafa de vinho e um Pack de Trident.
A partir de então, todo casal mal arrumado, de chinelo e
boné, passou a ser suspeito.
Anos depois, na fila do ônibus, pronta para subir ao
veiculo, algum sujeito, abriu minha mochila sem eu perceber e levou meu celular
novinho. Só fui perceber isso quando sentei e vi a mochila aberta. Seis meses
depois, com um celular ainda mais caro, o ocorrido passa a se repetir, e dessa
vez com o ônibus vazio. Só havia eu, e o meliante atrás de mim, sentado,
enquanto eu estava de pé perto à porta esperando o ônibus parar para eu sair.
Novamente abriu a mochila e levou o aparelho. Sim, o raio
cai duas vezes no mesmo local.
A partir de então, passei a andar só com a mochila na
frente, e todo mundo que cola em mim, seja em filas ou enquanto estou andando
na calçada é suspeito, até que o mesmo siga quilômetros a minha frente sem ter
me feito nada. “Esse era inocente”.
A sensação de impotência e insegurança é horrorosa, porém
não foi algo que eu criei sozinha.
E para resumir o meu pensamento, segue uma frase de um autor
leitor corporal que a pouco descobri.
“As nossas expectativas, sem dúvida, nos levam a pensar
de formas determinadas. E como acabamos de ver, é difícil abandoná-las. Por
isso a primeira impressão nos marca tanto e torna difícil retificar opiniões.
(...) A aparência de uma pessoa determina então de maneira inevitável a
primeira impressão que esta nos causa.” – Thorsten Havener – em O mentalista.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Atitude, Sim. Suspeita, Talvez.
Sempre me
intriga a notícia
de que alguém
foi preso
“em atitude
suspeita”.
É uma frase
cheia de significados.
(Luis Fernando Veríssimo)
Reparou que quando não andamos na mesma mão
da maioria rapidamente ganhamos rótulos no meio em que vivemos? É muito difícil
as pessoas entenderem que cada pessoa é um ser único. E que gostos, credos,
cores... Não formam caráter. Aliás, o que é mesmo caráter, heim? Caráter, para a
psicologia é a individualidade pessoal e social de alguém. Individualidade...
Cada ser nesse mundo é um indivíduo ímpar, incomparável e insubstituível. Logo, não há como pensamentos serem exatamente
iguais.
A sociedade criou estereótipos
comportamentais tão fortes e tão antigos que esses se impregnaram em nós como
se fossem parte do nosso próprio DNA.
Parece tolice, não é? Mas pense em quantas vezes você evitou a manga com leite
ou passar embaixo de escada? Ainda acha pouco? Quantas vezes ao perceber o
olhar de uma criança de rua vindo em sua direção, você apertou contra si mais
forte a bolsa que carregava temendo o roubo? Quantas vezes você se surpreende
com um vídeo onde um morador de rua revela algum talento não compatível a sua
realidade social? Mas será que toda criança de rua rouba, todo mendigo é burro,
todo roqueiro adora o diabo, todo evangélico está salvo, todo anjo é puro? A
generalização e banalização dos comportamentos podem acarretar no não entendimento
de um todo e por isso mesmo no cometimento de injustiças.
Certa vez um homem que admirava muito por
sua inteligência sentenciou em uma conversa: “Não se pode amar uma prostituta.
Elas não querem ser de família”. Todo o meu encanto por aquele homem quebrou-se
como cristal ao cair no chão. Explico-me. Convivi com prostitutas, conversei
com elas várias vezes, e suas histórias são geralmente de muita dor. E a grande
maioria adoraria não estar ali e ter o direito a ter um casamento sóbrio, feliz
onde elas fossem amadas e respeitadas. São mulheres de posição firmes e
aparentemente frias. Contudo, muitas delas escondem nas atitudes distantes
corações apaixonantes para poderem continuar vivas naquele meio. Este homem,
nordestino, com certa idade, criado para ver até mesmo a própria esposa como
procriadora; teve, provavelmente, esse estereótipo implantado nele desde cedo.
E hoje se incapacitou para uma visão mais ampla da situação.
Outra situação vivi há pouco tempo quando
saí de uma reunião em uma empresa e ao ligar o meu celular um dos supervisores
percebeu que eu ouvia Kiss. Ele me perguntou “Você é roqueira?”. E eu com um
sorriso amistoso disse que sim. Ele disse como pode uma mulher tão refinada
gostar disso. Fui obrigada a gargalhar dentro do elevador. E depois vendo que
ele não cederia dentro de sua concepção eu o encarei e disse baixinho: “O pior
você nem imagina. Também como morcegos!”.
O que quero com os dois exemplos é mostrar
que é preciso que aprendamos um meio de fugir desses conceitos que nos incutem antes mesmo que possamos ter uma consciência crítica do assunto. É preciso que,
como pais e educadores, comecemos a construir uma nova geração capaz de
entender por si e para si o conceito de certo e errado, bom e ruim, bem e
mal... É possível, por incrível que pareça fazer uma criança pensar em ação e
reação, atos e consequências, erro e perdão... Sem ter que falar em pecado, sem
ter que criar fórmulas para tudo, sem ter que criar modelos... Educar com
consciência e respeito, com amor consciente e não cego. É importante que os
pais entendam que seus filhos são para o mundo e como tal serão responsáveis
pelo o que adicionarem ao mesmo.
Ninguém é suspeito por andar de preto, por
ser caladão, por falar com plantas, por ler poesia. Nenhum menino é homossexual
só porque usa rosa. Nenhuma menina é lésbica só porque joga bola. Deus não
castiga se você xingar um palavrão quando estiver com raiva. Os pais não têm
sempre razão porque são humanos. Ninguém tem que agir contra si para se
enquadrar em um grupo. É preciso que nos
conheçamos melhor que aos outros. Ainda que isso nos deixe em atitude suspeita.
Até breve!!!
Até breve!!!
quarta-feira, 4 de junho de 2014
O Desembarque
“Então, é isso!
- exclamou de repente em voz alta. -
Que
alegria!”
(Liév Tosltoi, in "A Morte de Ivan Ilitch")
É hora de se despedir de Ivan. Nós desembarcamos aqui, enquanto o trem suavemente deixa a
plataforma levado um Ivan mais leve e sem sofrimento. Consciente de
que a passagem e todo o ritual de dolorosa expurgação eram necessários. Aceno adeus a um Ivan que ruma para o seu destino tranqüilo depois do reencontro consigo, depois de esgotar todas as
suas dúvidas e de realmente enxergar-se.
Mas será que precisamos realmente passar por essa tortura
física e psicológica para só no fim nos encararmos dentro de nossas reais
condições humana? Acho que não! Se nos propusermos a passar um tempo dentro de
nós a cada dia nos avaliando, creio que nós nos reorganizamos por não
permitindo que nosso “eu” caia no caos de emoções tão normal diante das
atribulações diárias.
Certa vez fui a uma exposição de Salvador Dalí e fiquei muito
impressionada com uma estátua de um homem formado por gavetas. Se nós pensarmos
em nós da mesma maneira que Dalí provavelmente pensou, veremos que somos mesmo “engavetados”.
Feche um olho por um minuto e imagine se você não organiza os sentimentos assim
“em gavetas”. Uma gaveta de obrigações, outra de prazeres, pessoas
inesquecíveis, pessoas que não queremos mais ver, natais, invernos...
Às vezes, essas gavetas ficam meio reviradas porque na
correria do dia-a-dia não temos tempo para organizá-las. Vamos só jogando tudo
lá dentro e pensando “Eu ajeito tudo depois”. E esse é nosso grande erro! Não
teremos tempo para isso depois. E aí vai tudo ficando desequilibrado, amontoado de
decisões não tomadas; sentimentos amarrotados que não se ajustam quando
precisamos deles; desejos rotos por ficarem jogados e esquecidos no fundo de
nós e que depois de embolorados não podem se realizar mais.
Ivan acumulou tanto em suas gavetinhas que levou de um
longo caminho de dor para organizá-las e encontrar o que precisava para seguir
sua viagem. Não faça o mesmo com você. Comece hoje mesmo a se organizar. Quem
sabe há um número esperando que você ligue e diga “Me perdoa!”? Ou alguém precisando de seu abraço para poder
sorrir? Ou um rosto amarelado de algum retrato que espera a sua chegada? Sempre há alguma
inesperada surpresa nessas arrumações.
Não estou dizendo que será fácil. Nem que tudo voltará ao lugar num único dia. Só estou alertando que tudo
ficará melhor, mais limpo, mais suave. E uma vida suave se abre para nós com
mais possibilidades de se ser feliz. E foi para ser feliz que chegamos aqui a essa estação chamada Vida.
Até a próxima viagem!
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