sexta-feira, 11 de julho de 2014

My Sweet Lord / All Things Must Pass


Essa canção está entre as 500 publicada pela revista norte-americana Rolling Stone em 2006 com as 500 melhores músicas de todos os tempos. (Fonte: Rolling Stone: As 500 melhores músicas segundo a revista http://whiplash.net/materias/melhores/042953-bobdylan.html#ixzz37ApfslQi)
Para alguns mais novos (<40) que pouco conhecem a história desse Ex-Beatle que cuja carreira abrangeu diversas áreas: músico, compositor, ator e produtor de cinema é bacana conhecer sua vida e principalmente sua obra que passeia entre as várias canções, inclusive aquelas cujo nunca haviam sido publicadas enquanto Beatles!
My Sweet Lord foi single principal de All Things Must Pass que se converteu logo em um grande êxito, alcançando o primeiro posto das paradas de sucesso a nível mundial e perdendo uma posterior pedido por suposto plágio da canção "He's So Fine" do grupo The Chiffons. Um juiz alegou que Harrison havia plagiado de forma não intencional a primeira canção, o que deu a George o argumento para escrever uma canção chamada "This Song" gozando do processo judicial. 

Trata, primariamente, do deus Hindu Krishna. Talvez um dos maiores mantras já ouvidos em todo o mundo, que não seja em versões Hinduístas! Traz a quem ouve uma reflexão interior e uma devoção do músico George por Krishna.

Curiosidade: Para o movimento Hare Krishna Deus é uma pessoa transcendental, possui uma forma, um corpo espiritual, portanto, Krishna é a Suprema Personalidade Deus e provou isso através de suas atividades quando esteve presente na Terra há cerca de cinco mil anos.

"I really want to know you
Really want to go with you
Really want to show you Lord
But it won't take long, my Lord (hallelujah)

Eu realmente quero conhecê-lo
Realmente quero ir com o Senhor
Realmente quero acompanhá-lo, Senhor
Mas isto não vai levar muito tempo, meu Senhor (aleluia)"

Pra mim, uma canção de muita paz!


Dica: Um dos Albuns de maior expressão do músico e um dos melhores segundo a Rolling Stone Americana vale a pena dar uma escutada. All Things Must Pass foi também o primeiro álbum triplo a ser lançado por um único artista. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame

Canções do álbum para pedir um Bis:
- "I'd Have You Anytime" (George Harrison/Bob Dylan) 
- "My Sweet Lord" (George Harrison)
- "If Not for You" (Bob Dylan)

Letra e Tradução: George Harrison - My Sweet Lord



Até o próximo post!
Au Revoir

terça-feira, 8 de julho de 2014

Feliz Aniversário, Kevin!



Kevin Norwood Bacon (Filadélfia, 8 de julho de 1958) é um premiado ator norte americano  que ganhou fama por seu papel no filme Footloose.

Na minha humilde opinião Kevin Bacon é um dos melhores atores que os anos 80 produziram. Ele tem como poucos condições de atuar em personagens de características completamente diferentes sem trazer nenhum tipo de resquício de um personagem para outro. Kevin é do tipo que não rejeita papéis, pois sabe que sua atuação forte e marcante sempre o destacará quer como mocinho esquisitão ou vilão sedutor.

Como adolescente típica dos anos 80, eu dancei demais ao som de “Footloose” e outras canções do filme sempre imaginando que um Ren McCominck aparecesse de repente para roubar a festa com passos incríveis de rebeldia e, claro, me levasse com ele no final. Ele nunca chegou como vocês podem perceber. Todavia assistir “Footloose” em alguma sessão vespertina ainda me faz ter esperanças. Infelizmente não poderia mais dançar tanto porque fatalmente teria dores no corpo no outro dia por conta da ferrugem que acumulei na minha nada mole vida sedentária.

De qualquer forma, no mundo cinematográfico  hoje tem festa para Kevin Bacon e nós do clube vamos estar juntos cantando parabéns para esse incrível cinqüentão. 


domingo, 6 de julho de 2014

O Homem Que Desafiou o Diabo



Lançamento
28 de setembro de 2007 
Duração
1h46min
Dirigido por
Moacyr Góes
Com
Marcos Palmeira, Fernanda Paes Leme
Gênero
Comédia
Nacionalidade
Brasil

Sinopse e detalhes
Zé Araújo (Marcos Palmeira) é um homem boêmio, que gosta de freqüentar cabarés e ouvir cantadores de viola. Após tirar a virgindade de uma turca, ele é obrigado pelo pai dela a se casar. Durante anos Zé passa por seguidas humilhações, provocadas por sua esposa. Um dia, ao ouvir uma piada sobre sua situação, ele se revolta, destrói o armazém do sogro e ainda dá uma surra na esposa. Ao terminar ele monta em seu cavalo e parte sem destino, decidido a ter uma vida de aventuras. A partir deste dia Zé Araújo passa a ser conhecido como Ojuara, enfrentando inimigos e vivendo situações inusitadas.

Minha Opinião

Um passeio pelos cenários nordestino brasileiro através da linguagem de cordel é a proposta dessa divertida comédia nacional que assisti nessa última sexta-feira. Um filme sem grandes pretensões aparentes, mas com algumas mensagens subliminares que desconstrói as figuras típicas do interior.

O Zé Araújo é o caixeiro viajante acostumado a estrada que cai na armadilha de uma mocinha e acaba no cabresto. Com o tempo, meio que se acomoda com a situação. Até que decide matar o seu “eu ridicularizado” para dar vida ao seu alter ego  Ojuara – Araújo ao contrário. E a partir daí, Zé vira mesmo o seu inverso. Cria e traça novos rumos para sua vida, sua coragem vai abrindo portas nesse mundo e no mundo dos espíritos. A diversão é garantida numa atuação ímpar de Marcos Palmeira.

Ah, por que falar desse filme? Bom, pense bem em quantas vezes você não quis ser o seu inverso. Eu adoraria deixar nascer a Akselaw e aventurar-me por aí em novas experiência sem o peso das responsabilidades que a Waleska tem, sem tantas poesias e borboletas no pensamento... Uma mulher mais prática e fria. Está chocado? Fica não! Eu queria ter um coração mais pedra que é para pensar um pouco mais em mim. Talvez seja egoísta de minha parte, mas...

Desafiar o diabo, não foi o ato de maior coragem de Ojuara. Penso que o que o torna um personagem especial é o desafio que ele se propõe para si ao longo de seu caminho, a determinação de atingir uma cidade fantasiosa onde paz e as coisas boas reinam. Ojuara é representação da determinação nordestina que não desiste de uma vida simples e justa. E essa determinação de Ojuara é invejável!


Senhores, deixo-lhes agora com o próprio Ojuara, esse anti-herói mais “heroístico” que já conheci que mal comparando podemos chamar de Quixote brasileiro sem Sancho Pança e com uma Dulcinéia prostituta. Hei-o, senhores, Ojuara!

“O meu nome é Ojuara eu vim de longe e vou em frente, e o senhor não é mais feio que certo tipo de gente. Feio é a herança do homem, a herança de Caim. Praga de mão ofendida, tentação do coisa ruim. Feio é aquela sombra escura que vai levando consigo o covarde que traiu a confiança do amigo. A beleza e a feiúra tão junta em toda parte, a beleza inté na morte, e feiúra inté na arte. Olhe seu rosto no espelho e não perca a esperança, porque foi Deus que lhe fez, à sua imagem e semelhança.”


sexta-feira, 4 de julho de 2014

O casamento grego





Titulo original: (My Big Fat Greek Wedding)
Lançamento: 2002 (EUA)
Direção: Joel Zwick
Atores: Nia Vardalos , John Corbett , Michael Constantine , Lainie Kazam , Andrea Martin.
Duração: 95 min
Gênero: Comédia
Produção:Gary Goetzman, Tom Hanks e Rita Wilson

O casamento grego – Resenha - Por Gabriella Gilmore


“Não deixe que o passado mude o que você é, mas deixe-o fazer parte do que você será.”
Posso dizer que é com uma grande responsabilidade que sento ao computador para escrever uma resenha sobre o filme Casamento grego.
Já escrevi inúmeras, tenho uma que até considero ‘premiada’ pelo número de acessos que há na internet, mas esta em especial, será uma tarefa delicada e te digo, leitor, o porquê.
Assim que você termina de assistir o filme, logo você procura os extras do DVD, e assiste uma, duas, três vezes se necessário. Depois você procura informações na internet, curiosidades, comentários. Aposto que gostaria até de ter o e-mail pessoal da protagonista para trocar-lhe algumas palavras. Agora te pergunto: Por que dessa melação toda? O que esse filme tem de tão especial que te deixa sem palavras? Ou faminta em indicá-lo aos amigos? A resposta acaba sendo simples: Histórias de amor, famílias que amam seus filhos a ponto de sufocá-los, casamento entre pessoas que não pertence ao mesmo ‘mundo’, existe.
Nia Vardalos (Toula) escreveu seu próprio conto de fadas para uma peça de teatro. Em silêncio, fez uma adaptação também para o cinema.
Em uma de suas apresentações, Rita Wilson, esposa do ator e produtor Tom Hanks, assistiu a adorável peça e depois foi parabenizá-la pelo sucesso e em seu íntimo sabia que ao comentar sobre o trabalho dela para seu esposo, seria quase certo dele querer adaptar o trabalho para a TV. Foi dito e feito.
A história conta a vida de Toula Portokalos, nascida nos USA, porém, com raízes 100% grega. Sua família E-NOR-ME tinham uma percepção diferente sobre os indivíduos, de que existiam apenas dois tipos de pessoas: as gregas e não-gregas. Família muito conservadora, os filhos só poderiam se casar com alguém da mesma etnia onde as mulheres fariam o papel da boa esposa, dona de casa, procriando e preparando pratos fabulosos na cozinha.
Toula, que já estava com 30 anos e trabalhava no restaurante grego da família, estava cansada de uma existência vazia, sem cor e sentido, gostaria muito de fazer algo útil na vida.
Uma vez ela pegou um folheto onde falava sobre cursos de informática, e foi ai que ela pensou em mudar sua rotina. O pai relutou contra, dizendo que ela já era inteligente o suficiente para ir estudar e que a coisa que mais o deixaria feliz seria se ela se casasse e procriasse, como toda mulher normal.
Apesar do drama hilário do chefe daquela família, ela consegue ir para a faculdade. Ali começa uma nova etapa da sua história, onde ela encontra uma beleza que estava guardada dentro de si e de gancho, o homem da sua vida.
Te convido a dar boas gargalhadas com essa doçura de filme e aposto que no final, você sentirá orgulho de ser brasileiro, pois temos muito daquele calor excessivo dos gregos, onde tudo é motivo de festa, fuxico, e OPA!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Um Ponto Além



E bati, e bati outra vez, e tornei a bater,
e continuei batendo sem me importar
que as pessoas na rua parassem para olhar,
eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome...
(Caio Fernando Abreu, in “Além do Ponto”)


Estamos sempre indo ao encontro de alguém ou de algo. Uma busca incessante pelo que nos completa e amplia como lemos nos livros, como nos contam pelas estradas, como nos falam as músicas, como vemos nos filmes. Somos seres lacunares. Almas despedaçadas. Qual parte lhe falta?

Alguns de nós são corajosos se lançam no encontro sem proteção, sem medo. Ou será a inocência que nos leva a caminhar assim tão impulsivamente por aí permitindo que o outro entre em nossas vidas e depois se vá de nós nos mutilando mais uma vez? A maior parte de nós são cicatrizes. Qual a cicatriz que mais lhe dói?

Quando realmente se quer algo não medimos esforços para conquistar. A desculpa brota de algum tipo de desinteresse. E na multidão os solitários são os olhos de caçadores ávidos atrás de uma nova presa. E na vida todos são presas e caçadores. Qual papel você está desempenhando hoje?

Contudo, é importante que sigamos... Olhe para fora de si! Há um mundo muito maior que esse que você vê. Até onde podemos ir para atingir o que idealizamos? Mas aproveite as curvas do caminho para experimentar-se. Nos atalhos moram os perigos que fazem a diferença. O proibido é o vinho dos sábios. Somos criaturas imorais. Qual pecado você esconde?

Estamos sempre a procura. Não importa o quanto tenhamos encontrado. A vida é ir e ir e ir... A limitação do ponto é o desconhecimento do poder do espírito. Estamos em busca do inatingível. E na impossibilidade alguns se desesperam, se angustiam e se debatem. Somos criaturas conflitantes. Onde mora a sua dualidade?

Colecionamos rosto que esquecemos e que nos esqueceram. Imaginamos onde estão e o que fazem nos dias de chuva quando a rotina e o tédio são a corda para enforcamento da razão. Na solidão de uma casa alguém se questiona como teria sido. No cansaço do casamento eles se perguntam o porquê. O menino pensa no homem. A mulher pensa no menino. Somos criaturas curiosas. Qual parte de você, você ainda desconhece?

Mas é preciso ir além. Percorrer as vias do medo. Ultrapassar o limite da dúvida. É preciso não parar no porto. É importante que se lance para o horizonte. É fundamental que não desista. Apesar da pedra, do ponto, da porta... Somos criaturas errantes. Qual caminho você tomará hoje?

terça-feira, 24 de junho de 2014

Atitudes perfeitas!

"Somos suspeitos de um crime perfeito,
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos..."
(Engenheiros do Hawaii)


Todos são inocentes até que provem ao contrário. Mas na vida sempre andaremos em atitudes suspeitas. A nossa escritora Waleska Zibetti tem razão, assim como a Gabriella Lima também.
Mas esqueceram de tocar em um ponto: até que momento somos nós a andar em atitudes suspeitas?
Até que ponto o nosso desconfiômetro  estará ligado em carga máxima?
Até quando vamos ter essa falta de confiança no semelhante?
Já perdi as contas de quantas vezes fui assaltada, inclusive por pessoas bem vestidas, então, não é a aparência que importa, mas, o caráter e personalidade que se formou em nossa sociedade! 
Brancos, Negros, Mulheres, Homens, classe a, b, c... políticos, profissionais liberais... todos os dias em atitudes suspeitas. Mas qual era a atitude suspeita?

As respostas são as mais diversas e até contraditórias.
Até o próximo Post!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

TODOS SÃO SUSPEITOS



Por Gabriella Gilmore

Me desculpe Wal, mas até que provem o contrário, para mim, todos são suspeitos.
Vivemos num mundo no qual não ser neurótico é anormal. Sim. Eu sou neurótica e não me tornei uma atoa. Mas a minha paranoia só é suspeita quando estou andando na rua e sempre tem alguém andando colado em mim, ou atravessa a rua logo quando eu acabei de atravessar ou quando estou em alguma fila ou entrando em algum ônibus. Para mim, a sensação de que serei assaltada de novo me vem toda hora.
Antes de eu ser assaltada há uns anos atrás, eu não suspeitava de ninguém. Achava que todo mundo era do bem. Andava falando ao celular, abria a bolsa no meio da rua, ficava em fila sem me preocupar em colocar a mochila na frente do corpo, porque vivia numa bolha em que assaltos só aconteciam com as pessoas lá de fora.
Uma vez, indo para a virada do ano novo, um casal mal arrumado nunca chamaria minha atenção, até aquele dia, quando fui abordada por eles tendo de entregar minha bolsa de colo. Levaram tudo o que eu tinha: dinheiro, celular, maquiagem, cd da Avril Lavigne (que nem era meu), uma garrafa de vinho e um Pack de Trident.
A partir de então, todo casal mal arrumado, de chinelo e boné, passou a ser suspeito.
Anos depois, na fila do ônibus, pronta para subir ao veiculo, algum sujeito, abriu minha mochila sem eu perceber e levou meu celular novinho. Só fui perceber isso quando sentei e vi a mochila aberta. Seis meses depois, com um celular ainda mais caro, o ocorrido passa a se repetir, e dessa vez com o ônibus vazio. Só havia eu, e o meliante atrás de mim, sentado, enquanto eu estava de pé perto à porta esperando o ônibus parar para eu sair.
Novamente abriu a mochila e levou o aparelho. Sim, o raio cai duas vezes no mesmo local.
A partir de então, passei a andar só com a mochila na frente, e todo mundo que cola em mim, seja em filas ou enquanto estou andando na calçada é suspeito, até que o mesmo siga quilômetros a minha frente sem ter me feito nada. “Esse era inocente”.
A sensação de impotência e insegurança é horrorosa, porém não foi algo que eu criei sozinha.
E para resumir o meu pensamento, segue uma frase de um autor leitor corporal que a pouco descobri.

“As nossas expectativas, sem dúvida, nos levam a pensar de formas determinadas. E como acabamos de ver, é difícil abandoná-las. Por isso a primeira impressão nos marca tanto e torna difícil retificar opiniões. (...) A aparência de uma pessoa determina então de maneira inevitável a primeira impressão que esta nos causa.” – Thorsten Havener – em O mentalista.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Atitude, Sim. Suspeita, Talvez.




Sempre me intriga a notícia
de que alguém foi preso
“em atitude suspeita”.
É uma frase cheia de significados. 
(Luis Fernando Veríssimo)

Reparou que quando não andamos na mesma mão da maioria rapidamente ganhamos rótulos no meio em que vivemos? É muito difícil as pessoas entenderem que cada pessoa é um ser único. E que gostos, credos, cores... Não formam caráter. Aliás, o que é mesmo caráter, heim? Caráter, para a psicologia é a individualidade pessoal e social de alguém. Individualidade... Cada ser nesse mundo é um indivíduo ímpar, incomparável e insubstituível.  Logo, não há como pensamentos serem exatamente iguais.

A sociedade criou estereótipos comportamentais tão fortes e tão antigos que esses se impregnaram em nós como se fossem parte do nosso próprio  DNA. Parece tolice, não é? Mas pense em quantas vezes você evitou a manga com leite ou passar embaixo de escada? Ainda acha pouco? Quantas vezes ao perceber o olhar de uma criança de rua vindo em sua direção, você apertou contra si mais forte a bolsa que carregava temendo o roubo? Quantas vezes você se surpreende com um vídeo onde um morador de rua revela algum talento não compatível a sua realidade social? Mas será que toda criança de rua rouba, todo mendigo é burro, todo roqueiro adora o diabo, todo evangélico está salvo, todo anjo é puro? A generalização e banalização dos comportamentos podem acarretar no não entendimento de um todo e por isso mesmo no cometimento de injustiças.

Certa vez um homem que admirava muito por sua inteligência sentenciou em uma conversa: “Não se pode amar uma prostituta. Elas não querem ser de família”. Todo o meu encanto por aquele homem quebrou-se como cristal ao cair no chão. Explico-me. Convivi com prostitutas, conversei com elas várias vezes, e suas histórias são geralmente de muita dor. E a grande maioria adoraria não estar ali e ter o direito a ter um casamento sóbrio, feliz onde elas fossem amadas e respeitadas. São mulheres de posição firmes e aparentemente frias. Contudo, muitas delas escondem nas atitudes distantes corações apaixonantes para poderem continuar vivas naquele meio. Este homem, nordestino, com certa idade, criado para ver até mesmo a própria esposa como procriadora; teve, provavelmente, esse estereótipo implantado nele desde cedo. E hoje se incapacitou para uma visão mais ampla da situação.

Outra situação vivi há pouco tempo quando saí de uma reunião em uma empresa e ao ligar o meu celular um dos supervisores percebeu que eu ouvia Kiss. Ele me perguntou “Você é roqueira?”. E eu com um sorriso amistoso disse que sim. Ele disse como pode uma mulher tão refinada gostar disso. Fui obrigada a gargalhar dentro do elevador. E depois vendo que ele não cederia dentro de sua concepção eu o encarei e disse baixinho: “O pior você nem imagina. Também como morcegos!”.

O que quero com os dois exemplos é mostrar que é preciso que aprendamos um meio de fugir desses conceitos que nos incutem antes mesmo que possamos ter uma consciência crítica do assunto. É preciso que, como pais e educadores, comecemos a construir uma nova geração capaz de entender por si e para si o conceito de certo e errado, bom e ruim, bem e mal... É possível, por incrível que pareça fazer uma criança pensar em ação e reação, atos e consequências, erro e perdão... Sem ter que falar em pecado, sem ter que criar fórmulas para tudo, sem ter que criar modelos... Educar com consciência e respeito, com amor consciente e não cego. É importante que os pais entendam que seus filhos são para o mundo e como tal serão responsáveis pelo o que adicionarem ao mesmo.

Ninguém é suspeito por andar de preto, por ser caladão, por falar com plantas, por ler poesia. Nenhum menino é homossexual só porque usa rosa. Nenhuma menina é lésbica só porque joga bola. Deus não castiga se você xingar um palavrão quando estiver com raiva. Os pais não têm sempre razão porque são humanos. Ninguém tem que agir contra si para se enquadrar em um grupo.  É preciso que nos conheçamos melhor que aos outros. Ainda que isso nos deixe em atitude suspeita. 

Até breve!!!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O Desembarque



“Então, é isso! 
exclamou de repente em voz alta. - 
Que alegria!”
(Liév Tosltoi, in "A Morte de Ivan Ilitch")

É hora de se despedir de Ivan. Nós desembarcamos aqui, enquanto o trem suavemente deixa a plataforma levado um Ivan mais leve e sem sofrimento. Consciente de que a passagem e todo o ritual de dolorosa expurgação eram necessários. Aceno adeus a um Ivan que ruma para o seu destino tranqüilo depois do reencontro consigo, depois de esgotar todas as suas dúvidas e de realmente enxergar-se.

Mas será que precisamos realmente passar por essa tortura física e psicológica para só no fim nos encararmos dentro de nossas reais condições humana? Acho que não! Se nos propusermos a passar um tempo dentro de nós a cada dia nos avaliando, creio que nós nos reorganizamos por não permitindo que nosso “eu” caia no caos de emoções tão normal diante das atribulações diárias.

Certa vez fui a uma exposição de Salvador Dalí e fiquei muito impressionada com uma estátua de um homem formado por gavetas. Se nós pensarmos em nós da mesma maneira que Dalí provavelmente pensou, veremos que somos mesmo “engavetados”. Feche um olho por um minuto e imagine se você não organiza os sentimentos assim “em gavetas”. Uma gaveta de obrigações, outra de prazeres, pessoas inesquecíveis, pessoas que não queremos mais ver, natais, invernos...

Às vezes, essas gavetas ficam meio reviradas porque na correria do dia-a-dia não temos tempo para organizá-las. Vamos só jogando tudo lá dentro e pensando “Eu ajeito tudo depois”. E esse é nosso grande erro! Não teremos tempo para isso depois. E aí vai tudo ficando desequilibrado, amontoado de decisões não tomadas; sentimentos amarrotados que não se ajustam quando precisamos deles; desejos rotos por ficarem jogados e esquecidos no fundo de nós e que depois de embolorados não podem se realizar mais.

Ivan acumulou tanto em suas gavetinhas que levou de um longo caminho de dor para organizá-las e encontrar o que precisava para seguir sua viagem. Não faça o mesmo com você. Comece hoje mesmo a se organizar. Quem sabe há um número esperando que você ligue e diga “Me perdoa!”?  Ou alguém precisando de seu abraço para poder sorrir? Ou um rosto amarelado de algum retrato que espera a sua chegada? Sempre há alguma inesperada surpresa nessas arrumações.

Não estou dizendo que será fácil. Nem que tudo voltará ao lugar num único dia. Só estou alertando que tudo ficará melhor, mais limpo, mais suave. E uma vida suave se abre para nós com mais possibilidades de se ser feliz. E foi para ser feliz que chegamos aqui a essa estação chamada Vida.

Até a próxima viagem!


terça-feira, 3 de junho de 2014

VIVO-MORTO




Por Gabriella Gilmore


"...A transformação  gradual de um homem vivo como todos nós em cadáver."
A dor é veículo de consciência, disse um grande pensador uma vez.
Ivan chegou naquele estágio no qual a dor já não fazia mais sentido e que a morte seria o alívio, mesmo sendo algo que ele não queria para si. Quem suportaria se ver morrer?
A imortalidade chega a ser um sonho inconsciente de cada ser humano.
O doutor dizia que os sofrimentos físicos dele eram terríveis, mas que os seus sofrimentos morais eram mais terríveis que os carnais, e nisso consistia a sua tortura maior.
Ivan não agüentava mais a culpa que nele existia por ter chegado ao estado em que chegou. Mesmo ele negando qualquer coisa que seja, no fundo, ele merecia a morte que estava passando.
Relutando contra o orgulho ferido, só encontra paz ao receber a comunhão do padre, e finalmente ele se dar por vencido, dizendo: "Acabou. A morte acabou. Não existe mais".
Essa catarse que o autor faz de Ivan e sua morte é muito real. Nos passa como se a morte fosse algo vivenciado aqui no plano terrestre, e depois que se vai, ai sim, você "vive".
Ivan pode vivenciar de perto e por meses uma morte literalmente lenta e dolorosa, e faz com que o leitor possa refletir sobre suas ações em vida e também numa "pré-morte".