Ah, o silêncio...
O vento e o tempo.
Emma queria muito ser feliz. Quem não quer? E, Dexter também queria. Mas, há uma grande distância entre as definições de cada um sobre o que é ser feliz, estar feliz.
Durante muitos anos, Emma viveu infeliz e insatisfeita com a vida que tinha. Ela tentou. Mas, em nada conseguia encontrar aquele estado de espírito tão sublime que nos faz, por alguns instantes, acreditar que estamos com os pés acima do chão.
Dexter vivia momentos intensos, acreditando que assim era feliz. O tudo ou nada.
Depois de anos, percebeu que a felicidade duradoura, aquela que invade o espaço de toda a casa, como a luz do sol em uma manhã de domingo, aquela felicidade sem pressa e com panquecas, viria sutilmente das lembranças de todos os momentos em que encontrou Emma.
Essa postagem será breve, pois são os breves momentos que nos trazem as melhores lembranças e, definitivamente, a mais profunda experiência de felicidade. Por quê? Porque nem Emma, nem Dexter estavam errados. A vida é breve, devemos aproveitá-la ao máximo e vivê-la intensamente. Mesmo que seja por apenas um dia ao ano.
domingo, 4 de maio de 2014
Um Dia...
"Algumas vezes,muito ocasionalmente,
digamos às quatro horas da tarde
de um domingo chuvoso, Emma se sente em pânico
e quase não consegue respirar com a solidão"
(David Nicholls, in "Um dia")
Ao invés de uma crônica, resolvi levar você comigo numa viagem. Por favor, sente-se confortavelmente e entre comigo nesse sonhos que eu nem sei onde vai dar.
Os domingo são dias contraditório. A grande maioria não gosta dele. É o dia onde famílias se reúnem para juntos suportarem-se. Mas em um canto da cidade, vamos encontrar nossa personagem esperando sobreviver ao domingo. Completamente sozinha de sentimentos e pessoas, ela se esconde atrás de janelas e cortinas fechadas pedindo intimamente que ninguém sobre hipótese alguma a procure. Com a vida, ela foi aprendendo a ter medo das pessoas.
Uma música suave toca dentro do apartamento vazio. Tão baixinho que mais parece a lembrança de conversas do passado. E ela se senta no sofá de pijamas a olhar os movimentos lentos da cortina e talvez acabar de se esvaziar do mínimo que ainda a torna humana. Olhando a mulher afundando-se assim no sofá, com braços cruzados, olhos vidrados, boca entreaberta e respiração tão suave; pode parecer aos outros um quadro quase poético. Então, vamos nos aproximar mais e olhar bem em seus olhos?
Os olhos espelhos da alma... Os dela são tão tristes! Quem os vê assim não pode imaginar que um dia eles eram repletos de sonhos brilhantes. E ela suspira. Onde foram parar seus sonhos, mulher? E da boca entre aberta um sussurro quase imperceptível e inaudível diz um nome. Como se falando aquele nome ela fosse preencher um cantinho da sala com algum momento bom. E ela aperta o próprio braço na necessidade de um abraço.
Quanto amor pode uma mulher suportar em seu peito? E os olhos marejam. Prenunciam uma tempestade de lágrimas. Por que será que ela chora? Ah, são tantos motivos! Ela chora os domingos que não existem mais e os domingos que nunca se realizarão. Ela chora uma voz que não ouve mais. Chora as juras que não se cumpriram. Chora os arrependimentos que não confessa. Chora as injustiças que sofreu e as que cometeu. É sozinha e essa é a parte do seu destino que se cumpriu e ela chora por não ter tido outra escolha.
Não! Não desista dela agora você, também. Sei que é inquietante olhar alguém assim tentando resistir ao domingo, resistir a si mesmo, alguém tão vazio... Mas pense em quantas vezes você também esteve assim. As vezes, não numa sala tão vazia quanto essa. Pense quantas vezes você se questionou do porquê de cada coisa que o aconteceu. Pense um pouco se você também, em algum dia de domingo, não foi como essa mulher. Eu já fui tantas e tantas vezes assim como ela...
Vamos lá, querida! Respire fundo. Limpe o rosto. Levante. Só mais essa vez! A solidão é um estado de espírito e como tal, daqui a pouco muda. Você consegue! É forte! Sobreviveu a tantas coisas, não foi? A solidão é só mais um obstáculo. E você pode superar. Vai dar tudo certo, querida! Você só precisa acreditar mais uma vez. Tentar mais uma vez. Sorrir mais uma vez. E acreditar que algum dia tudo será diferente. Tudo será possível de novo, querida. Um dia... Um dia...
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terça-feira, 29 de abril de 2014
Para Cada Tempo Uma Viagem
“Você vai ser sempre bem vinda
para ficar um tempo,
ou para sempre se
quiser.”
(David Nicholls, in “Um Dia...”)
Gabriella,
minha linda, nada que envolva viver é fácil de classificar como isso ou aquilo.
E cada um se protege da maneira que dá. Uns mergulham de cabeça em serviço, em
estudo, em relações perigosas, em
poesias... Cada um tem seu modo de lidar com as dores e perdas, risos e
sucessos. E ninguém deve ser condenado por isso.
Eu
tenho medo de esperar uma vida toda por alguém que idealizei. Então, vou
experimentando pessoas. [Gargalhada] Não caia da cadeira! Não estou pregando
promiscuidade. A promiscuidade é burra, sem qualidade e fria. Estou falando de
correr o risco de ser feliz, mesmo que por alguns dias. Acho chato essa coisa
de pensar que será “para sempre”, sabe? Já fui assim e não foi “para sempre”.
Quer dizer, foi. Mas não esse para sempre de cabeça branquinha dividindo copo
de dentadura. [Agora estou em crise de riso visualizando a cena] Foi o “para
sempre” de Vinicius, aquele do “enquanto dure”. Durou... E acabou para começar
o “Era uma vez” de novo.
Uma
vez escutei alguém dizer que as pessoas só fazem conosco o que permitimos que
elas façam. Se você se permite parar na vida por alguém é porque quer. E
pensando dessa maneira é que não me queixo da minha dedicação ao meu ex-marido.
Fiz o que tinha que fazer. Só não faço de novo porque hoje sou outra mulher.
Tenho uma visão mais ampla do mundo que a menina patética que casou naquela época.
É isso! Eu era uma menina, hoje sou mulher.
Infelizmente, Gabi, algumas mulheres não querem crescer. Envelhecem, mas se mantém Cinderelas a janela sem notar que o sapato de cristal está rachado e não cola mais. Eu não quero mais ser Cinderela! Eu gosto de ser loba má porque me divirto muito com caçadas e posso alternar a presa entre um bonezinho vermelho e um vovô. [Hahahaha...] Experimentar gente é experimentar vida. Experimentar vida é me experimentar. Me experimentar é sempre prazeroso.
Infelizmente, Gabi, algumas mulheres não querem crescer. Envelhecem, mas se mantém Cinderelas a janela sem notar que o sapato de cristal está rachado e não cola mais. Eu não quero mais ser Cinderela! Eu gosto de ser loba má porque me divirto muito com caçadas e posso alternar a presa entre um bonezinho vermelho e um vovô. [Hahahaha...] Experimentar gente é experimentar vida. Experimentar vida é me experimentar. Me experimentar é sempre prazeroso.
A
vida tem prazeres para quem não se esconde em alegorias de uma vida perfeita. Todo
casal peida a noite, sabia? Ninguém dorme a noite toda de mão dada e conchinha.
Ninguém dorme a vida inteira em trajes sensuais. Então, eu opto hoje por não ouvir ou sentir o
peido de ninguém. E ter quatro travesseiros na minha cama que sempre estão
dispostos a sentir minha perna por cima dele e meus braços a apertá-los. E a
melhor coisa do mundo é dormir nua ou de camisola larga e furada. Quando quero
uma noite diferente ligo para aqueles números especiais da agenda. Me preparo
para uma noite de degustação.
Aí
você virá com o papo de afeto, amor, carinho... Quem disse que não tenho? Quem
disse que eles não têm por mim? Temos! Eu os respeito e eles a mim. Por isso
alguns estão na minha agenda por anos. Eu sei da vida deles e eles da minha. Somos amigos antes de amantes. Conversamos por
e-mail, Facebook, Whatsapp, Celular... O que não temos é o compromisso que
cansa, que vira rotina, que aprisiona. Eu sou um pássaro que viveu vinte e um
anos na gaiola. Hoje eu quero voar! E voar cada vez mais alto. Quero ser águia!
Talvez
eu sinta necessidade de ter um pouso certo novamente. E dividir copo de
dentadura. Mas isso, já uma outra viagem, outra história, para um outro tempo,
para uma Waleska que ainda não chegou.
Beijinhos!!!
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segunda-feira, 28 de abril de 2014
A ESPERA DO DESENCONTRO
Por Gabriella Gilmore
Chega uma parte da nossa vida que a gente volta ao passado
em busca do amor platônico. Alguns apenas relembram com carinho os bons
momentos vividos, outros preferem não aprofundar nas lembranças porque pode
desenterrar alguma ilusão, enquanto outros preferem esperar pelo desencontro.
Emma esperou pelo amor da sua vida por muitos anos, mesmo
vivendo outros relacionamentos. Às vezes a gente pára tudo só porque perdemos
alguém que jurávamos termos amado unicamente e exclusivamente, porém a única
certeza que temos é sobre o dia de hoje, pois o amanhã sempre nos reserva
surpresas. Quando o nosso parceiro está guardado para nós, mesmo em algum tempo
que não seja o agora, não adianta parar tudo e esperar que passemos a fita
adiante em modo “FF”, porque nada te impede de esperar pelo desencontro a-com-pa-nha-da.
Mas seria justo a gente esperar aquela pessoa que amamos de longe, enquanto ela está lá fora se divertindo? O nosso tempo é diferente do tempo do outro, tenho aprendido isso lentamente. Mas obviamente cada
pessoa funciona de uma maneira, e a questão é a seguinte: não esperar muito
das pessoas e nem da ocasião. Como vive pregando a irmã Wal, viva! Viva mesmo!
sábado, 26 de abril de 2014
Viver: Uma Estrada Sem Fim
Era hora de dar um sentido à vida.
Hora de começar de novo.
(David Nicholls, in “Um
dia”)
Há
de aprender com a vida aquele que descobre que ela vai além dos limites que os
olhos alcançam. Há vida acontecendo nos micro-cantos do jardim nesse instante em
que meus pensamentos se esbarram uns nos outros no desespero de sair sem ficarem
esquecidos em mim.
O
livro da vida foi escrito em várias línguas e poucos homens conseguirão ler.
Não há faculdade no mundo capaz de fazer o homem mensurar a dimensão desse livro
de capa velha escrita em páginas a partir dos sonhos de uma energia boa que
convencionalmente eu chamo de Deus.
Há
de aprender a viver aqueles que se deixarem ampliar através de suas dores, de
seus amores, dos cheiros que o vento trás... Porque a vida está além do que as
mãos tocam. A vida está no olhar. E é ele que precisa alcançar a essência no
olhar do outro. É do encontro das duas essências que nasce o tal amor que as
pessoas procuram tanto em curvas e perfeições.
Para
viver é preciso espalhar-se pela vida como hibisco. Sempre que possível
pontuando-a com flores e perfumes. Para viver é preciso não ter medo de ser
tocado e é preciso correr o risco da lágrima ou do riso. Porque viver é
atravessar dias de felicidade e noites de angústia sem perder a fé no caminho.
Permitir
a si mesmo ser vinte e quatro horas fiel a si sem esquecer que ser fiel a
si, é pertencer-se sem ignorar o outro. Viver é olhar a diferença dos que nos
rodeiam sem julgamentos. É olhar os passos dos outros e entender as atitudes
através das pedras que seus pés tocaram no caminho. É entender que ainda
que não possa chamar todos de amigo e acolher, posso ao menos olhá-los com
humanidade e desejar que eles caminhem em paz.
A
universidade nos profissionaliza, mas é no ser humano que se aprende sobre a
vida. Um homem do campo entende mais da terra que eu sei tanto das letras, e
assim sendo ele me merece meu respeito no seu falar errado. A prostituta
entende da noite, o vigia entende do silêncio, o pescador entender do mar, a
freira entende mistérios, o doente entende do medo, o médico conhece da morte...
Há sempre alguém que entende melhor de algo da vida que nós não alcançamos. E o
fazem porque percorreram caminhos que desconhecemos.
Ninguém
pode percorrer todos os caminhos e beber de todos os vinhos da vida. O que
podemos é ouvir do outro e tentar entender. E entender nunca será o mesmo que
viver. Contudo, é o mais perto que podemos chegar da experiência do outro. E
quando a fome do outro nos deixa faminto, quando a solidão do outro nos invade,
quando a loucura do outro nos alucina... Quando de alguma maneira, por
instantes que sejam, nos esvaziamos de nós e de nossas certezas para sermos
preenchidos pelo outro; então, estaremos começando a viver.
Ampliar-se
ao invés de isolar-se, encaixar-se ao invés de adaptar-se, lapidar-se ao invés
de emoldurar-se... Ser o vento na ventania e o remo na calmaria. Ser o raio da
tempestade e o mormaço dos dias de calor. Ser a pétala da rosa na primavera e a
semente esperançosa no inverno. Ser João e ser Maria. Experimentar. Ousar. “Ser”
além de tudo. Crer, apesar de tudo. E amar acima de tudo. Isso é viver!
sexta-feira, 25 de abril de 2014
SOZINHA X SOLITÁRIA
Por Gabriella Gilmore
“Eu não estou solitária, só estou sozinha.” Disse Emma uma
hora no livro.
Antigamente, eu me sentia solitária, porque não gostava da
minha companhia. Quando meus amigos não iam me visitar ou não aceitavam meus
convites porque estavam ocupados com suas vidas agitadas e perfeitas, eu me
sentia o pior ser do mundo. Com o passar do tempo eu me mudei de cidade. Sair
da zona de conforto foi à melhor coisa que pude fazer e eu indico. É lá fora,
no “mundo real”, que a gente realmente começa a aprender e a entender certas
coisas. Hoje, se me encontro sozinha é por opção. Passei a dar preferência a
mim e as coisas que realmente me fazem bem e me são necessárias, o resto... é
resto, e desculpa a franqueza. Depois
que passei a concordar com o pensamento da personagem, eu passei a curtir os
meus momentos “autista”, passei a aceitar sem bico os bolos dos colegas da
cidade grande, passei a ligar o botão fuck off automaticamente, e hoje consigo
fazer pessoas rirem muito com o meu jeitão de ser... assim, bagunçado,
desapegado, entortado. O brinde dessa noite vai para as companheiras do C.L.V.
Saúde!
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Um começo
Olá, Leitores.
No dia 17 de abril, eu supostamente deveria ter feito uma postagem sobre nossa nova leitura: Um Dia de David Nichols. O livro, como já postado por Gabriella Lima, narra as histórias de Dexter Mayhew e Emma Morley, seus encontros anuais e a maneira como um lida com o outro nos mais diversos assuntos.
O que torna a leitura interessante é o desenrolar de cada pesronagem e das escolhas que são feitas.
Dois personagens muito bem construídos, cada qual com sua personalidade distinta. E, como duas pessoas com qualidades individuais tão diferentes e, ao mesmo, nutrindo ao longo dos anos um amor tão puro e sincero, poderiam edificar um relacionamento tão duradouro?
Há quem diga que uma pessoa como Dexter não mereceria alguém como Emma. Podemos ver isso claramente nos dias de hoje. Dexter, um cara que queria apenas se divertir e que não possuía muitas responsabilidades para com a vida, para com os outros e muito menos para consigo mesmo. Em contrapartida, Emma é uma pessoa culta de hábitos simples e prazeres de uma singeleza cativante.
Ela tem muitos obstáculos durante os anos contados na história. Ele passa por momentos de grande sucesso e riqueza, mas a vida sempre dá voltas. E o tempo passa.
Toda vez que Dexter precisava de alguém para conversar, Emma dispunha-se como boa ouvinte, com postura sempre compreensiva. Mas, em muitos momentos, quando Emma precisava conversar com alguém e procurava por ele, a reciprocidade não era equivalente. Por vezes, Dexter fazia Emma viver experiências únicas e marcantes, compartilhando novos sentimentos, tanto bons quanto não tão bons, mas efetivamente fazendo fortalecer os laços entre os dois.
O desafio está em tentar compreender como nossas escolhas afetam a direção de nossos caminhos, quem encontramos, quem não encontramos, as chances que perdemos e se, depois disso tudo, devemos continuar acreditando no melhor.
O que fica da história é como Emma pôde viver tanto tempo aceitando Dexter exatamente como ele era a ponto de manter uma amizade tão duradoura até que ele, mudasse por amor.
Comecemos os diálogos.
Obrigada a quem for de compreensão.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Escolha De Um Futuro Inteiro
Eu confesso que ler Gabriela Lima me leva as gargalhadas. E esse jeito “bruto” de que ela fala é divertidíssimo! Deus estava de muito bom humor quando criou o mau humor de Gabi. [Risada] Mas vamos pensar, não é Gabi?
Enquanto penso lembro-me de uma adolescente dançando tão
estranha quando Renato Russo em seu quarto entulhado de livros e dúvidas. “Somos
tão jovens! Tão jovens! Tão jovens...”, ela se agita e sonha.
Quando se é jovem achamos que o tempo está ao nosso favor e
tudo nós iremos fazer diferente. Porque temos em nós uma chama de esperança
inocente. A universidade é uma fogueira mágica centelha possibilidades douradas
a nossa frente. “Eu serei diferente e farei história”. E com o passar do tempo
o bacharelado começa a frustrar essas chances de mudança. E vem a vontade da
pós, do mestrado, do doutorado... Mas junto com essas graduações, vem também a
maturidade e senso de percepção de que nada mudará de seu status quo porque um
dia um jovem sonhou.
E aí a menina começa a pensar que “ainda somos os mesmos e
vivemos como nossos pais”. Mais Belchior e menos Renato, o foco de mudança
passa a ser outro. Um mais viável e coerente. Não posso mudar o mundo, mas
posso me mudar para o mundo ou mudar o mundo a que pertenço. Saímos de um estado de desejo “lato-impossível”
para um “strictu-real”.
Mas é preciso que o jovem continue a ver tudo com soluções
fáceis, com seu jeito sonhador, com sua maneira de achar que o mundo com ele a
frente ou do modo dele será diferente. É preciso para nos lembrar – e quando
falo “nos”, falo da geração com menos pés no ar – o quanto é bom crer, esperar,
ir a luta... Porque isso motiva. E desmotivação não é bom para ninguém. O olhar
juvenil suaviza as olheiras maturidade.
Para finalizar me deixe confessar um segredo: eu fiz algo diferente
exatamente como prometi na minha juventude. Eu não interfiro nas decisões
letivas de meus filhos. O meu mais velho me disse “Não quero fazer faculdade.
Não agora! Tudo bem?”. E eu concordei. Ele tem dezessete e está se formando em
Segurança do Trabalho, quer descobrir o que é trabalhar e tentar se descobrir a
partir daí. Eu na idade dele tive que fazer faculdade. Não fazia a menor ideia
do que queria. Já tinha feito inglês sem gostar – sete anos de Cultura Inglesa
sem suportar a língua fora uma tortura tremenda; e ainda me impunham a tal
faculdade. Fiz letras. Porque foi mais cômodo para mim. Mas meus pais "se formaram" na
Faculdade e ficaram felizes com isso, eu acho que ainda vagueio em espírito por lá.
As únicas coisas que realmente guardo com amor da faculdade foram as palestras e aulas com os grandes medalhões das áreas que gostava. Gente como Evanildo Bechara, Sílvio Elia, Leonardo Boff, João Gilberto Noll, Nelson Rodrigues Filho, Junito Brandão, Nélida Piñon, Flora Sussekind e outros que mudaram meu pensar. Descobri a filosofia, sociologia, mitologia, política... Fiz cursinhos nessas áreas e também de contadora de histórias, coral, neurolinguística... Tudo que não foi curricular valeu a pena e compensava a tortura de estar no lugar privilegiado que eu não queria para mim.
Meu filho, que tem nome de santo que é mais bonito, se formará no que quiser quando quiser porque ele é hoje como a adolescente sonhadora que descrevi no início “Tão jovem... Tão jovem... Tão jovem...” como vocês. E não precisa de um diploma para me dar porque eu já tenho. E se a sociedade exige que ele tenha um, sei que como a mãe ele vai saber olhar e dizer "Faça você o vestibular e seja feliz", e vai sai por aí sem lenço e sem documento. E eu vou com ele! Por que não?
As únicas coisas que realmente guardo com amor da faculdade foram as palestras e aulas com os grandes medalhões das áreas que gostava. Gente como Evanildo Bechara, Sílvio Elia, Leonardo Boff, João Gilberto Noll, Nelson Rodrigues Filho, Junito Brandão, Nélida Piñon, Flora Sussekind e outros que mudaram meu pensar. Descobri a filosofia, sociologia, mitologia, política... Fiz cursinhos nessas áreas e também de contadora de histórias, coral, neurolinguística... Tudo que não foi curricular valeu a pena e compensava a tortura de estar no lugar privilegiado que eu não queria para mim.
Meu filho, que tem nome de santo que é mais bonito, se formará no que quiser quando quiser porque ele é hoje como a adolescente sonhadora que descrevi no início “Tão jovem... Tão jovem... Tão jovem...” como vocês. E não precisa de um diploma para me dar porque eu já tenho. E se a sociedade exige que ele tenha um, sei que como a mãe ele vai saber olhar e dizer "Faça você o vestibular e seja feliz", e vai sai por aí sem lenço e sem documento. E eu vou com ele! Por que não?
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terça-feira, 22 de abril de 2014
UNIVERSIDADE: MEIO FUTURO.
Por Gabriella Gilmore
Torci o nariz com a leitura do mês.
Girls
club não me matem. MAS, tem um ‘mas’ nessa história, quando vi que o
romance tem mais coisas a explorar do que relacionamento meloso, eu fiquei com
vergonha de ter pensado mal do título.(Mel, amo você).
Minhas companheiras do C.L.V não me deixam mentir. Sou a
mais cética e bruta da turma. Pois bem...
Todo jovem que ingressa à universidade cheio de energia,
esperança e pensamento brilhante sobre o futuro após a graduação, planejando o
seu melhor, acabam se esquecendo de que o futuro a Deus/Destino pertence. Às
vezes esquecemos que a realidade acaba sendo diferente do que “programamos”
para que fosse, e enganados com alguns trocadilhos, o jovem pensa que sua vida
que acabou de começar, já é o início de um fim.
Na história de David Nicholls, Dexter e Emma se conhecem
na faculdade e no dia de formatura eles tiveram uma quase noite juntos. Isso
selou uma grande amizade do casal, que apesar do amor que a jovem já sentia por
ele, e que por algumas circunstancias ficou oculto, eles passaram a participar
da vida ativa de cada um depois de se separarem para seguirem seus caminhos.
Sempre se apoiando um no outro, Emma se descobriu extremamente frustrada por
não ter seguido sua formação, e como muito das pessoas graduadas, teve que se
virar com qualquer emprego que se sustentasse.
Esse dilema acontece dentro da minha casa e com várias
amigas também. O que há de errado? Será a má escolha do curso ou a área
escolhida tem poucas vagas? Eu ainda não sei.
Como tudo nessa vida, precisamos pensar, e pensar muito
ao escolher algo em que vamos investir boa parte da nossa vida. (Wal, eu sei
que precisamos agir também). Muitas pessoas depositam toda uma energia no
período em que estão na Universidade esquecendo que não é só a área profissional que precisa de atenção não. Eu ainda não sei o desenrolar do romance de Dexter
e Emma, se a faculdade foi o início de algo em comum na vida deles, mas
provavelmente foi o gatilho para a união dos dois.
Acompanhe os próximos posts e descubra junto com nós. Continue antenado na nossa leitura do mês.
Até a lá!
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Para Toda Promessa Uma Resposta
“Os sonhos
da juventude,
São os
pesadelos da maturidade”
(William Hjortsberg, in “A Lenda”)
Eu fiz promessas
que não cumpri, Bruna! Penso que na mesma proporção que também fizeram a mim. Promessas
de amar para sempre e de nunca esquecer. Mas o Amor é um senhor que, as vezes, esquece
de casa e que troca de nomes. E houve amores que viraram carinho, amizade,
saudade. E o Nunca é uma terra formada de corredores com grandes portas. De
repente abrimos uma e nos perdemos por aí só nos dando conta de que esquecemos
quando não sabemos mais o caminho de volta.
Quando eu
tinha vinte e dois, eu jurei “Até que a morte nos separe”. Acordei numa manhã
de março e um cadáver empestiava a sala com cheiro de traição. A morte
finalmente tinha acabado com a minha jura e eu enterrei dezessete anos de mim
em algumas malas que foram se amontoando na varanda.Eu tive mais tempo que os
protagonistas para o adeus. Mas ter mais ou menos tempo diminui o sofrimento
que há na lágrima que pontua o fim de uma relação?
“O que esperar da vida e suas artes dos
encontros?”, você nos pergunta. Lembrou-me Vinicius: “A vida é arte do encontro,
embora haja tanto desencontro pela vida”. Tudo que podemos fazer é
esperar que haja uma próxima vez, uma próxima chance, uma próxima página... E
se vierem novos desencontros, esquecimentos, partidas... Que não nos falte,
então, caneta, folha e inspiração para abortarmos as dores em poemas e canções.
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